domingo, 19 de abril de 2009

Ho Yin: 1908-1983

Ho Yin foi um homem de negócios, comendador e importante personalidade chinesa de Macau

Nasceu em Panyue, cerca de 100 quilómetros a Norte de Macau, em 1908. Foi um homem de negócios e um líder caristmático e respeitado da comunidade chinesa de Macau. Era também um importante intermediário diplomático entre a República Popular da China e o Estado Novo português. Foi membro do Congresso Nacional Popular da República Popular da China. Faleceu em 1983 na cidade de Macau. Ho Yin tinha cinco esposas, seis filhos e sete filhas. Edmund Ho, o actual Chefe do Executivo de Macau, é o seu quinto filho.

Na China, Hong-Kong e Macau
Quando Ho Yin tinha apenas 13 anos, tornou-se um aprendiz numa loja em Cantão. Aos 16 anos, deslocou-se para Shunde, um centro tradicional na Região do Delta do Rio das Pérolas, onde tornou-se um administrador de uma loja. Em 1930, ele decidiu investir na área das transacções monetárias, abrindo uma loja em Cantão. Em 1938, com a invasão dos japoneses a Cantão, foi forçado a deslocar-se para Hong-Kong.
Em 1941, os japoneses finalmente invadiram Hong-Kong e, consequentemente, Ho Yin deslocou-se e estabeleceu-se finalmente em Macau. Aqui fundou o Banco Tai Fung, que inicialmente efectuava somente transacções monetárias. Pouco tempo após a sua chegada, o Governo e muitos banqueiros rapidamente reconheceram a sua enorme capacidade e talento na área de negócios e também nos assuntos comunitários. O governo deu o monopólio do lucrativo comércio de ouro desta colónia à sua companhia.
venda de ouro no banco Tai Fung em 1949
Foi durante a Segunda Guerra Mundial que Ho Yin tornou-se rico e famoso devido ao seu negócio na área das transacções monetárias e no comércio de ouro, nomeadamente na sua grande contribuição na estabilização do valor da moeda local, a pataca, e nos seus conselhos financeiros ao Governo e ao Banco Nacional Ultramarino, instituição responsável pela emissão da pataca. Tinha grande prestígio em Macau, principalmente dentro da comunidade chinesa, conseguindo, em 1950, ocupar o cargo de Presidente da Associação Comercial Chinesa de Macau, cargo que ele exerceu até à sua morte, em 1983.
Foi também Presidente de mais de 200 companhias e organizações comunitárias. Muitas organizações comunitárias que ele fundou ou possuia produziram prejuízos para ele, mas ele insistiu em continuá-los porque eles tinham a finalidade de servir a comunidade local. Os seus negócios abrangem inclusivamente a área de transportes públicos, possuindo a companhia de autocarros "Transmac" (Companhia dos Transportes Urbanos de Macau). Ele era famoso pela sua capacidade e talento de resolver conflitos políticos e também conflitos, algumas vezes armados, entre as várias Tríades da Cidade que eram rivais entre si.
Embora Ho Yin seja geralmente popular e respeitado pelas várias forças políticas divergentes da comunidade chinesa de Macau (a direita pró-capitalista e a esquerda pró-comunista), foi alvo de um ataque de granada em Maio de 1966, mas escapou ileso. Aqueles que o atacaram nunca foram apanhados e julgados, mas muitos especulam que eles eram membros do Kuomintang que estavam insatisfeitos pela relação íntima que Ho possuia com o Partido Comunista Chinês.

Carreira política
Começou a sua carreira política nos inícios da década de 50, depois do estabelecimento da República Popular da China e tornou-se numa das figuras políticas mais importantes e influentes de Macau. Como o Estado Novo reconhecia somente a Formosa governada pelo General nacionalista Chiang Kai-shek, e não a RPC, como a única " China" oficialmente existente, Portugal não tinha relações diplomáticas com a RPC. Por isso, Ho Yin tornou-se num importante intermediário diplomático entre Portugal e a RPC. Ele mantia um contacto intenso com o Governo Central Chinês e fazia inúmeras visitas a Pequim. Foi inclusivamente membro do Congresso Nacional Popular da RPC.
Participou e contribuiu muito para a resolução de vários desentendimentos entre Portugal e a RPC, nomeadamente o conflito militar sino-português em 1952 junto das Portas do Cerco e o Motim 1-2-3, organizado por residentes chineses pró-comunistas de Macau em 1966 (este incidente quase levou ao colapso da administração portuguesa desta Cidade). A sua participação e empenho na resolução da crise originada pelo Motim foi fulcral porque, naquela altura, ele era um dos únicos que conseguia contactar directamente e simultaneamente com o Governo Português de Macau (visto que o Ho Yin era o representante chinês no Conselho Legislativo), com os oficiais chineses de Cantão e de Pequim e com a população chinesa enfurecida da Cidade. Por causa disso, passou a ser conhecido como o " capitalista vermelho" de Macau. Esta tarefa difícil que Ho Yin realizava era fundamental para a sobrevivência da administração portuguesa, e até mesmo da de Macau, durante a Guerra Fria, a Revolução Cultural e, posteriormente, do rápido e repentino processo de descolonização de Portugal levado a cabo em 1975, após a Revolução de 25 de Abril de 1974. Macau, após constantes negociações entre Portugal e a República Popular da China, foi a única colónia portuguesa que não experimentou este abrupto processo de descolonização, sendo reunificado à República Popular da China no dia 8 de Dezembro de 1999, após 24 anos do processo.
O Governo Português de Macau homenageou Ho Yin, atribuindo-lhe o título honorífico de "Comendador". Ho Yin foi deputado na Assembleia Legislativa de Macau nomeado pelo Governador na primeira (1976-1980) e segunda (1980-1984) legislaturas.

Morte
Ho Yin morreu a 6 de Dezembro de 1983, com 75 anos, em Macau, que lhe prestou grandes homenagens possuindo pelo menos uma avenida e um parque urbano. O seu nome foi também atribuído a um asteróide ("5045 Hoyin (1978 UL2)").

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