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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Uma antiga inscrição no "Hospital da Santa Caza da Mizericordia"

ESTE HOSPITAL DA SANTA
CAZA DA MIZERICORDIA
MANDOU FAZER LUIS COE
LHO SENDO PROVEDOR
NO ANNO DE 1747.
Em português corrente, "Este hospital da Santa Casa da Misericórdia mandou fazer Luís Coelho sendo provedor no ano de 1747."
Numa leitura individual e sem contexto a inscrição em pedra induz em erro. Na verdade refere-se a uma reconstrução do referido hospital. Uma das várias reconstruções de que foi alvo o hospital fundado no século 16 (1569) por D. Belchior Carneiro como Hospital da Misericórdia, sendo o primeiro hospital de medicina ocidental da Ásia
Principais reconstruções ao longo dos tempos:
1640; 1747; 1887; 1912-1913; 1938-39; década 1980/90. 
O antigo hospital alberga desde 1999 o Consulado de Portugal.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Brasão de Armas na Porta do Cerco

Entre a ideia e a concretização do Museu Camões passaram tantas décadas que muitas peças do património arquitectónico - que pelas mais diversas razões tiveram de ser retiradas dos locais originais - foram sendo depositados em espaços como as traseiras das Ruínas de S. Paulo e a Fortaleza do Monte.
Aquando da Implantação da República em 1910 (Portugal) muitos dos símbolos monárquicos que estavam em edifícios/monumento foram retirados*. Foi o caso do escudo heráldico português que estava ao centro no topo do arco da Porta do Cerco. Tudo indica que foi removido para a Fortaleza do Monte. De uma fotografia de 1987 ali tirada identifiquei o que me parece ser o referido brasão. Tem a bordadura com os castelos e o interior preenchido com as "quinas". 
O escudo está danificado, apresentando uma fractura horizontal proeminente na rocha que pode ter ocorrido aquando da remoção e/ou transporte. A fotografia maior é do período anterior a 1910 vendo-se a bandeira da monarquia.

 

A disposição heráldica apresentada (quinas laterais na vertical e não inclinadas) foi fixada em Portugal no final do século XV (reinado de D. João II, em 1481). No entanto, o estilo da pedra, a textura e os elementos decorativos esculpidos na parte superior sugerem que se trata de uma obra produzida entre os séculos XVIII e XIX (períodos barroco e neoclássico). Ora a Porta do Cerco foi construída em 1870/71 pelo que considero a hipótese provável. Mas poderá ter tido outra origem...
* No caso da toponímia a Rua Nova Del Rei passou a denominar-se Rua Cinco de Outubro.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Uma placa toponímica especial

É uma das artérias mais conhecidas de Macau. A placa toponímica reflecte as especificidades de alguns nomes de ruas no território. Neste caso, o nome em português nada tem a ver com o nome em chinês.

Transcrição dos Caracteres (da direita para a esquerda, de cima para baixo):
Coluna da direita: 亞美打利庇盧 (À-měi-dǎ-lì-bì-lú)
Coluna da esquerda: 大馬路(新馬路) (Dà mǎlù (Xīn mǎlù))

Tradução e Significado:
亞美打利庇盧 (Àmei dǎlì bìlú): Transliteração fonética para chinês do nome "Almeida Ribeiro" 
大馬路 (Dà mǎlù): Significa literalmente "Grande Avenida" ou "Estrada Principal".
(新馬路) (Xīn mǎlù): Significa "Estrada Nova" ou "Avenida Nova". É o nome popular e mais comum pelo qual os habitantes de Macau conhecem esta famosa avenida.

PS: esta placa é recente; antigamente não existia a transliteração fonética para chinês de "Almeida Ribeiro".

quinta-feira, 25 de junho de 2026

"La Belle de Macao"

Na imagem a capa do livro de romance policial "La Belle de Macao", publicado na colecção "Rafale" em 1955 pela Éditions de la Seine. A obra foi escrita por Diego Michigan.
A capa apresenta uma ilustração estilo pin-up típica dos romances policiais franceses da década de 1950. O livro é um exemplo da literatura pulp francesa com temática de crime e aventura.
Diego Michigan é um pseudónimo colectivo utilizado na época por vários autores literários - entre os quais se incluem a escritora francesa Françoise d'Eaubonne, o autor belga Gérard Prévot, Henri Certigny e André Duquesne - dedicados à produção de romances populares de gangsters para a referida editora.
Livro de bolso típico da época, estamos perante um "thriller" policial caracterizado por uma atmosfera noir, ritmo acelerado e intriga internacional. O enredo mistura crime, suspense e espionagem com o exotismo característicos da cidade de Macau.
A ilustração da capa expõe os elementos visuais característicos do género policial pulp e de espionagem do período pós-guerra, destacando uma personagem feminina com feições ocidentais com uma sombrinha oriental, sentada num riquexó tradicional, enquanto em segundo plano surgem um homem com vestes chinesas.
O género literário pulp têm origem nos EUA (incluindo em revistas) onde marcou toda a primeira metade do século 29. Distinguem-se por uma estética e uma estrutura narrativa concebidas para o consumo rápido e o entretenimento imediato. Visualmente, eram livros de bolso impressos em papel económico de polpa de madeira (daí o nome pulp...), vendidos a preços muito baixos em bancas de rua e estações de comboio. As capas eram deliberadamente provocantes, exibindo ilustrações vibrantes e exageradas que misturavam armas, violência e figuras sensuais de femmes fatales envoltas em fumo de cigarro. Para atrair o público que idolatrava o cinema policial americano, os autores europeus escreviam a um ritmo industrial e utilizavam frequentemente pseudónimos anglo-saxónicos ou exóticos, como o nome "Diego Michigan" sob o qual Françoise d'Eaubonne publicou.
No plano literário, estas obras caracterizam-se por uma escrita directa, desprovida de grandes floreados, onde o foco reside inteiramente numa acção frenética e cheia de reviravoltas. Os diálogos são curtos, cínicos e repletos de calão urbano, moldando personagens moralmente ambíguas, como detectives solitários e criminosos perigosos. Os enredos exploravam de forma ousada o submundo do crime, do jogo e do contrabando, transportando o leitor para cenários obscuros ou localizações exóticas e misteriosas que acentuavam o clima de perigo internacional.
Em Portugal este género ficou conhecido como literatura de cordel. A lendária Colecção Vampiro (lançada em 1947 pela editora Livros do Brasil) capturou perfeitamente o espírito estético e comercial do pulp noir e do hardboiled americano.
Existem dezenas de títulos deste género relacionados com Macau. Em breve retomo o tema.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Placa de granito da antiga Igreja da SCM

No antigo Leal Senado - actual Instituto para os Assuntos Municipais - existem alguns 'objectos' que não fazem parte da história do edifício tendo sido recolhidos de diversos locais de Macau aos longo dos tempos e pelas mais diversas razões.
Um desses exemplos - e sobre o qual recebo por vezes questões dos leitores - é uma placa de granito que está incrustada numa parede no acesso ao jardim. Esta placa pertencia à antiga igreja da Santa Casa da Misericórdia, localizada ali bem perto e onde está actualmente a SCM, a primeira instituição de beneficência de Macau. A remoção fez-se aquando da demolição da igreja por volta de 1883. Na imagem pode ver-se a Virgem Maria com as mãos ao peito, em sinal de prece pelos pobres e aflitos. Ao lado tem os anjos que seguram o manto, símbolo da protecção aos crentes e da benevolência e compaixão de Nossa Senhora.
PS: O sino que se vê na imagem é o da capela que existia no edifício do Leal Senado.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Clube Militar distinguido com Menção Honrosa no Platinum Clubs of the World

O Clube Militar de Macau foi distinguido com uma menção honrosa na lista Platinum Clubs of the World para o biénio 2026-2027 em Junho último.
A instituição fundada em 1870 com a designação Grémio Militar foi reconhecida entre os melhores clubes privados globais na categoria de "Clube de Cidade", de uma lista que inclui clubes de Golfe e Iatismo, num processo de selecção que envolveu especialistas de 22 países.
Vista panorâmica ca. 1875/1880

A menção honrosa coloca o Clube Militar de Macau a par de instituições de renome internacional, como o Harvard Club of New York City, nos Estados Unidos, o Bangkok Club, na Tailândia, e o Royal Selangor Club, na Malásia.
A lista Platinum Clubs of the World é actualizada bienalmente e inclui 300 clubes nas categorias de golfe, cidade e iatismo.
Grémio Militar em construção num detalhe de uma fotografia ca. 1868/69 por John Thomson


sábado, 13 de junho de 2026

"Landing Place St Antonio Macao"

Esta ilustração é rara e tem a legenda "Landing Place St. Antonio Macao", ou seja "Cais em Santo António, Macau". 
Na imagem pode ver-se uma pequena embarcação a aproximar-se de um 'pavilhão' com arquitectura chinesa e ao fundo a igreja de Santo António. É muito provavelmente do século 18 tal como o mapa abaixo que permite perceber o quanto o Porto Interior - antes das obras de aterros - estava tão perto da igreja de Santo António que fica junto ao Jardim Luís de Camões.
Em linha recta a perspectiva mostrada corresponde 
à actual Rua do Tarrafeiro numa extensão de cerca de 500 metros.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Antigos "Cruzeiros"

A presença de cruzeiros (grandes cruzes de pedra ou madeira) no adro ou em frente às igrejas é uma tradição profundamente enraizada na Europa e muitos países espalharam esse hábito pelos então territórios conquistados um pouco por todo o mundo. Portugal não foi excepção. Em Macau embora muitos já tenham desaparecidos, ainda existem alguns.
Entre os que desapareceram pela voragem do tempo contam-se o do Largo do Senado junto à Igreja de Misericórdia e o que ficava junto à Igreja e Convento de S. Francisco. A cruz é o elemento simbólico do cristianismo. Sendo o seu elemento mais universal assinala o sagrado sobre o profano. Para além da função religioso tinham também um função Social e de identidade, assumindo-se como "ponto de encontro" por excelência de um determinado local. Eram o centro da vida social da aldeia ou vila (em frente à igreja principal) e era ali que se discutiam negócios, que se davam novidades e se tomavam decisões comunitárias.
Entre os cruzeiros que ainda hoje se podem encontrar em Macau estão os do Largo da Sé (embora numa versão moderna pois o anterior estava danificado), junto à igreja de S. Lázaro, da igreja do Carmo (Taipa), Igreja S. Francisco Xavier (Coloane), Ermida da Penha, Igreja de Santo António, etc...
No adro da igreja de Santo António com a inscrição "1638"

O do adro da Igreja de Santo António afere que a construção da igreja na actual localização é datável de 1638, data inscrita no cruzeiro de pedra existente no adro. Embora a primitiva construção seja anterior. É mesmo a mais antiga de Macau remontando ao final do século 16.
A referida construção de pedra e cal e estilo neoclássico sofreu inúmeras remodelações, nomeadamente, em 1810 e 1876

A razão da sua construção resulta da combinação de funções religiosas, sociais e até práticas, funcionando como a sagração do espaço público. O cruzeiro funcionava como uma extensão do altar para o exterior. Marcava o limite entre o mundo profano (a rua) e o mundo sagrado (a igreja). Ao colocar uma cruz na frente do edifício, toda a praça ou adro passava a ser considerada solo sagrado, preparando o fiel espiritualmente antes de ele cruzar o umbral da porta.
Cruzeiros assinalados num 'mapa' do século 17

Muitas vezes, as igrejas eram pequenas demais para acolher multidões em festas populares. Assim os padres pregavam junto ao cruzeiro - púlpito ao ar livre - para que todos na praça pudessem ouvir. Eram também usados em procissões e vias-sacras com uma escala, uma "estação" onde se rezava e entoavam cânticos.
Cruzeiro junto à Igreja/Convento de S. Francisco: pintura 1812

Assumindo a função de protecção espiritual acreditava-se que a cruz protegia a comunidade contra pestes, tempestades e "más energias". Alguns exemplares foram erguidos enquanto "marcos de piedade", fruto de promessas de famílias ricas ou por ordens religiosas (como os Franciscanos ou a Ordem de Cristo) para incentivar a oração dos transeuntes.
Em tempos antigos, os cemitérios situavam-se junto aos adros das igrejas e aí o cruzeiro servia como um monumento central de oração pelas almas ali enterradas.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Os "religiosos de Santo Agostinho" e os 'frescos' da Ermida da Guia

22 de Agosto de 1589
Os religiosos de Santo Agostinho tomaram n'este dia posse do convento de Nossa Senhora da Graça, em Macau, que já antes haviam fundado os padres hespanhoes da mesma ordem, os quaes o cederam por determinação d'el rei D. Fellipe I intimada pelo governador da India Manuel de Sousa Coutinho. Affirmam alguns manuscriptos que no anno de 1591 se mudou o local do convento para onde se vê ainda formoso alto da cidade de onde se descobre toda a Praia Grande e o mar. Querem outros que só fosse a mudança de algumas portas e não de todo o corpo do convento por se não encontrar noticia nem vestigios do que se pretende dar por mais antigo.
in Commemorações da historia de Macau e das relações da China com os póvos christãos
Curiosidade:
A ermida da Guia é dedicada a Nossa Sra. das Neves. Durante trabalhos de restauro em 1996 foram descobertos alguns 'frescos', incluindo o desenho de uma águia bicéfala. Ainda hoje continua por esclarecer a origem deste 'fresco'. A águia bicéfala é frequentemente associada à Igreja Ortodoxa ou a impérios do Leste Europeu. No entanto, a sua presença na Capela de Nossa Senhora da Guia pode ser explicada por três hipóteses principais que os historiadores têm debatido:
Hipótese Agostiniana: Esta é a mais provável e encontra paralelo numa pedra gravada com um símbolo semelhante e pode ser visto do antigo Leal Senado. A águia bicéfala é um símbolo da Ordem de Santo Agostinho. Embora a capela não fosse formalmente gerida pelos agostinhos, a influência visual desta ordem na Ásia era imensa no século XVII, e o símbolo representa a elevação espiritual e a visão divina.
União Ibérica (1580–1640): O período em que as pinturas foram feitas coincide com a época em que os reis de Espanha (Habsburgo) também eram reis de Portugal. A águia bicéfala era o símbolo heráldico dos Habsburgos. Apesar de Macau manter a bandeira portuguesa, a presença do símbolo imperial em edifícios daquela época era uma forma de reconhecimento da autoridade monárquica global.
Pista Arménia: C. A. Montalto de Jesus sugeriu a presença de comerciantes arménios em Macau como a causa. Para os arménios, a águia bicéfala é um símbolo nacional e religioso antigo. Provas documentais Montalto admitiu não ter encontrado.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Placas toponímicas da Rua dos Mercadores

Este é mais um exemplo da especificidade e riqueza da toponímia local em termos históricos. Três diferentes designações em chinês para a mesmo nome em português, a Rua dos Mercadores. Antigamente foi das mais importantes por ser a que permitia a entrada no chamado Bazar chinês a partir do centro histórico da cidade.
Placa 1
Português: RUA DOS MERCADORES
Chinês: 大街
Tradução literal: Rua Principal.

Placa 2 
Português: RUA DOS MERCADORES
Chinês: 大街 (營地大街)
Tradução literal: "Rua Principal do Bazar" ou "Grande Rua do Mercado

Placa 3
Português: RUA DOS MERCADORES
Chinês: 買賣街
Tradução literal: Rua de Compra e Venda (Rua do Comércio).

terça-feira, 26 de maio de 2026

"Chal fundo e chal Grande"

De acordo com o Glossário do Dialecto Macaense e outros registos do português na Ásia:
Chal (ou Chale): É um termo de origem indo-portuguesa (do marata chāl ou guzerate chāl). Designa um edifício comprido e estreito, geralmente dividido em várias habitações ou compartimentos independentes, frequentemente ocupado por artífices ou trabalhadores.
Em contextos urbanos antigos (como em Bombaim ou partes de Goa e Macau), os chals eram estruturas comunitárias com um corredor ou varanda comum.
Detalhe de "Planta Topographica da Cidade de Macáo. Levantada em 1831 e Reformada em 1838 por Candido Antonio Ozorio", oficial de infantaria e engenheiro.

Neste mapa referem-se o "Chal fundo" e o "Chal Grande". Outras referências neste detalhe do mapa:
a) Casa de D. Antónia
b) Campo de Santo António
c) Gruta de Camões
d) Horta do Pereira
e) Igreja de Santo António
f) Tarrafeiro
k) Horta da Companhia (holandesa)
j) Casa da Companhia (holandesa)
u) Cemitério britânico
h) Hospital britânico
V) Povoação de Patane
H) Chal fundo

terça-feira, 12 de maio de 2026

Rotunda Carlos da Maia / Três candeeiros / Sam Dang Chang

No post de hoje abordo mais uma das muitas curiosidades da toponímia local.

Esta imagem no final da década de 1910 retrata a Rotunda Carlos da Maia. A praça recebeu o nome de Carlos da Maia/嘉路米耶圓形地, o primeiro governador de Macau (1912-1914) após a implantação da República em Portugal. No entanto viria a ficar popularmente conhecida em cantonense como Sam Chan Dang e em português como "Rotunda dos Três Candeeiros", alusão ao poste de iluminação colocado no centro que tinha (e ainda tem) três globos de vidro. 
Após obras de renovação em 1999 foi colocado um globo de vidro extra no topo do candeeiro mas a designação não se alterou.
No início do século 20 foram construídos vários edifícios apalaçados em redor da praça - um deles era a Escola República - mas que hoje já não existem.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

"Praya Grande from the North" e "Praya Grande from the South" a lápis e carvão

"Praya Grande from the North."
"Praya Grande from the South" 

Estes dois desenhos a "pencil and crayon" (lápis e carvão) com 20 x 35 cm fazem parte do espólio do Peabody Essex Museum (EUA). Estão referidos no livro "The marine paintings and drawings in the Peabody Museum" - de M. V. and Dorothy Brewington, publicado em 1981 - como tendo sido ofertas ao museu por Richard B. Holman em 1956. A autoria é atribuída a "TA" e datam de cerca de 1887.
TA poderá ser referência a Thomas Allom (1804-1872) uma hipótese que inviabiliza a data aproximada referida no catálogo (ca. 1887). 
Richard B. Holman (1903-1983) foi um conceituado negociante de gravuras raras e desenhos em Boston, colaborador próximo de curadores do Peabody Museum (agora Peabody Essex Museum), como Marion Brewington, que organizou as coleções de arte marítima do museu.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Troço da Av. Almeida Ribeiro/San Ma Lou em 1948

Estas duas fotografias de 1948 - tirada junto ao edifício dos CTT vendo-se ao fundo o Largo do Senado e o Hotel Central - têm uma particularidade e naquilo que não mostram: os cartazes publicitários que a partir de 1949 foram uma constante naquela fachada e se mantêm até hoje.

domingo, 3 de maio de 2026

Recreação moderna de um mapa do século 18

Versão moderna e colorida, trata-se de uma "tradução visual" baseada no famoso mapa chinês "Aomen Tu" (Mapa de Macau) encontrado em crónicas da época, como o Aomen Jilüe (Monografia de Macau), publicado originalmente em meados do século XVIII (c. 1751), mas cujos levantamentos começaram décadas antes.
Em baixo do lado direito tem uma a indicação:
1731 年的澳門半島圖如蓮花之芯(邢榮發修復原圖並加上顏色)
O mapa da Península de Macau em 1731, como o coração de uma flor de lótus, restaurado e colorido por Xing Rongfa (historiador).

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Uma avenida dividida em duas

aqui me referi à antiga Avenida Dr. Oliveira Salazar que após o 25 de Abril de 1974 foi renomeada Avenida da Amizade. Mais tarde, um troço entre a rotunda Ferreira do Amaral e a Av. da Praia Grande passou a chamar-se Av. Dr. Mário Soares.

薩拉沙博士馬路
Pinyin (mandarim): Sà lā shā bó shì mǎ lù

Sa La Sha (Salazar), Po Se (Dr.) e Ma Lou (Avenida).

domingo, 19 de abril de 2026

Origens do Fai Chi Kei/筷子基

Hoje em dia a zona de Fai Chi Kei/Patane - perto da antiga Ilha Verde - é uma área residencial de torres altas densamente povoada. O nome remonta à década de 1920 aquando dos inúmeros aterros feitos no âmbitos das "Obras dos Portos". 
Fai Chi Kei (em chinês: 筷子基) significa, literalmente, "Aterro dos Pauzinhos". 筷子 (Fai Chi) é o mesmo que os pauzinhos de comer e 基 (Kei) remete para aterro ou dique. Foi esta a fisionomia com que aquela zona ficou na sequência dos referidos aterros na década 1920.
Sendo das zonas mais pobres da cidade era primitivamente povoada de barracas. Não tinha abastecimento de água nem saneamento. Em 1936 foi ali inaugurado o chamado Bairro 28 de Maio*, 14 blocos de dois pisos com 448 fogos numa área de 20.394 metros quadrados. Entretanto as áreas em redor foram sendo aterradas. Já na década de 1970 o arquitecto Manuel Vicente assinou um projecto de dois grandes edifícios (que tb remetem para os referidos pauzinhos) demolidos na década 2010.
* alusão ao 10º aniversário do golpe que implantou a ditadura em Portugal; em 1931 fora construído nas imediações o Bairro Tói Sán/Tamagnini Barbosa.


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Até parece mentira

Em 1933 o Ministério das Colónias (Portugal) publica o Decreto n.º 27:195 "determinando que no frontispício dos Boletins Oficiais de todas as colónias e respectivos suplementos, seja impresso, entre a palavra «Boletim» e a palavra «Oficial» o escudo nacional, que não poderá ser substituído pelo brasão da colónia ou quaisquer outros emblemas."

Esse mesmo decreto seria publicado no Boletim Oficial da Colónia de Macau nº 52 (Dezembro de 1933) mas curiosamente não é seguida a determinação, aparecendo o brasão da Colónia de Macau. Seria publicado um novo boletim de forma a corrigir o erro... 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Companhia de Caçadores 2761

Um leitor de Hong Kong enviou-me este fim de semana esta foto - tirada há poucos dias - intrigado sobre o que queria dizer a inscrição em cimento "C.CAÇ 2761". Trata-se de uma 'marca' deixada pela Companhia de Caçadores 2761 (Exército) à entrada da Fortaleza de Mong-Ha onde os militares desta companhia foram colocados no início da década de 1970.

A Companhia de Caçadores - formada por cerca de uma centena de militares do Regimento de Infantaria 1 (Amadora) e 8 (Braga) - desembarcou em Macau a 12 de Dezembro de 1970* - no navio Timor - sob o comando do capitão de infantaria António Ribeiro Laia. A companhia regressou a Lisboa em Janeiro de 1973.
* nesse dia chegou também a Companhia de Caçadores 2760 que ficou aquartelada na Ilha Verde.