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domingo, 23 de agosto de 2026

Uma visita guiada em 1867

Entre 11 e 14 de Fevereiro de 1867 o jovem Conde Ludovic de Beauvoir, acompanhando o Duque de Penthièvre numa viagem à volta do mundo, visitam Macau. Partiram em Abril de 1866 e visitaram a Austrália, a ilha de Java, o Sião, Hong-Kong, Macau e Cantão, depois a China do Norte, o Japão e a Califórnia e voltaram para França em Setembro de 1867.
Os viajantes franceses chegaram a Macau vindos de Hong Kong a bordo do vapor a pás Fire-Dart e partiram em direcção a Cantão poucos dias depois.
Dois anos depois o conde publica um livro sobre a viagem. Num tom muito crítico resume o declínio económico da cidade afirmando que, se não fosse o êxodo forçado dos cules e o lucrativo contrabando de ópio, a "erva cresceria nas ruas de Macau abandonada". Para ele, o dinamismo comercial tinha sido totalmente absorvido pela vizinha Hong Kong britânica, restando a Macau a dependência deste comércio humano degradante e que só seria proibido uma década depois.

Excertos do diário a 12 de Fevereiro (tradução/adaptação) publicado em Voyage autour du monde: Java, Siam, Canton" logo em 1869:
"Graciosamente conduzidos durante a primeira parte do dia por Dom Osório, ajudante de campo do Governador, e durante a segunda por Sua Excelência em pessoa, Dom José Maria da Ponte e Horta, major de artilharia, visitamos hoje toda a possessão, o que é fácil, visto parecer-me ter cinco quilómetros de comprimento por dois de largura. Esta península tem exatamente a forma de uma pegada humana, cujo calcanhar está voltado para o mar, enquanto o polegar termina numa língua de terra com quatrocentos metros de largura que a une à grande ilha de Hiang-Chan.
O calcanhar é formado por nove altas colinas rochosas que dominam os fortes de Bom Parto, Barra, São João e São Jerónimo; a grande curva interior da planta do pé está preenchida pelas habitações amontoadas dos chineses, que são em número de cento e vinte e cinco mil, enquanto os dois mil residentes portugueses estão domiciliados no lado oposto e exterior. A Praia Grande, esplanada marítima, é o seu boulevard; solares de grades escuras, o Palácio do Governador, a Capitania do Porto, vivendas oficiais ou comerciais estão ali alinhadas, apresentando absolutamente o cunho colorido, arqueado e monástico da mãe-pátria.
Suponha-se então que uma muralha escala o peito do pé (...) e que todas as articulações dos dedos se crispam e se erguem; não são mais do que montanhas em sobressalto no topo das quais se erguem os fortes de São Francisco, da Guia, de São Paulo do Monte e sete ou oito outros; depois vêm a planície cultivada pelos hortelãos, a aldeia de Mong-Há e a barreira de dezasseis pés de altura que separa a colónia do território chinês.
As estradas que seguimos na nossa interessante viagem são escavadas em cornija no granito e do efeito mais pitoresco; uma centena de canhões de grande calibre apontados nas alturas partilham a tarefa de defender a península do lado do mar envolvente ou de bombardear o bairro das cento e vinte e cinco mil tranças em caso de motim.
Depois visitamos a Praça da Sé, a catedral, os velhos paços do concelho onde fica o Senado e onde figura esta inscrição desde 1654: CIDADE DO NOME DE DEOS NAO HA OUTRA MAIS LEAL. 
Percorremos os quartéis, os mosteiros, a igreja de São Paulo construída em 1594 pelos Jesuítas e hoje três quartos incendiada, o Asilo dos Pobres, etc., etc.; numa palavra, uma série de edifícios antigos e cristãos encimados por cruzes, ornados com santos em nichos, cobertos de frescos curiosos. Adicione a mantilha que esconde a cabeça das mulheres, o imenso chapéu preto e oblongo sob o qual caminham os monjes, a cornoita branca das Freiras da Caridade, e jurar-se-ia, garanto-lhe, que estamos à sombra das basílicas de Lisboa ou de Génova.
Após os espetáculos modernos que nos acabam de dar, há dez meses, os mundos inteiramente novos e os mundos asiáticos onde, pelo menos, a invasão industrial tem todo o cunho da atualidade, é como uma ilusão encontrar à porta do Império do Meio uma caixa de doces antiga, com ruínas cristãs que parecem atestar que não houve nesta terra distante senão os nossos velhos monumentos e as nossas velhas crenças. (...)
O crepúsculo está a terminar no momento em que termina também para nós o território da colónia: estamos sobre a estreita língua de terra que liga Macau a Hiang-Chan. A cerca de duzentos metros de nós, tanto à direita como à esquerda, quebram-se as vagas da maré montante, e a barreira granítica do Império chinês detém-nos. Ei-lo, pois, o famoso solo onde flutua livremente a bandeira amarela do Imperador!*
Mas que desilusão! É coberta de imundícies, de podridão e dos trapos dos descendentes do Fogo que nos aparece a Terra Celestial das Flores. Um grupo de cerca de sessenta homens vestidos de branco, batendo em tam-tams e uivando com uma voz aguda, leva um morto a sepultar e desfila diante de nós (...). 
Foi neste mesmo lugar que morreu assassinado o penúltimo Governador de Macau, o valente Ferreira do Amaral. Tendo tomado em mãos a reivindicação inteira de Macau por Portugal, atraiu a si a cólera dos mandarins de Cantão, que queriam a todo o custo manter os seus esbirros com paridade de autoridade na colónia portuguesa. Não recorreram à guerra aberta e lutaram pelo homicídio, o que lhes custava bem menos caro: a 22 de Agosto de 1849, os seus sicários lançaram-se sobre Amaral no momento em que ele passeava a cavalo ao longo desta muralha com um ajudante de campo, e levaram até aos pés do Governador de Cantão a cabeça e as mãos ensanguentadas do desgraçado oficial. (...)"
* Porta do Cerco

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Uma mansão na Rua do Hospital

A Igreja Batista de Macau ( 澳門浸信教會), também conhecida como Primeira Igreja Batista de Macau, é a igreja batista chinesa mais antiga de Macau e está localizada na Rua de Pedro Nolasco da Silva, nº 41.
Legenda: "John and Lillian Galloway Mission House Macao (1935)"

As origens remontam a Dezembro de 1903 quando o reverendo Charlton Todd e a mulher foram enviados a Macau pela Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos para realizarem trabalho missionário. Em 1904 há registo de terem baptizado cinco pessoas e, em 1905, o número de membros tinha crescido para vinte e cinco. A igreja foi formalmente estabelecida nesse ano como "Igreja Fé e Bênção", a antecessora da atual Igreja Batista de Macau. Inicialmente, alugaram uma casa de três andares na Rua do Campo para reuniões e trabalho missionário.
Em 1908, o Rev. Charlton Todd morreu vítima de doença enquanto regressava aos Estados Unidos para um relatório missionário. No mesmo ano, a igreja americana enviou o Reverendo John Galloway para assumir o cargo que, juntamente com Lilian Lamont Reeves Todd Galloway, a viúva do Rev. Charlton Todd, desenvolveu o trabalho missionário em Macau. Mais de uma década depois os dois viriam a casar.
A Igreja Batista de Macau estabeleceu sucessivamente a "Escola Primária Pui Chi", a "Escola Secundária Pui Ching" (1908-24) e a "Escola de Orientação Espiritual para Meninas" (1913-31). Também adquiriram embarcações para ajudar os filhos dos pescadores a aprender a ler e para transportar alimentos e mantimentos para hospitais de leprosos.
Em 1927, utilizando uma doação da mãe do Reverendo Charlton Todd, a igreja adquiriu o terreno da actual 'sede' da igreja e que na época chamava-se "Todd Memorial Hall" (Salão Memorial Todd). Assim nasce a mansão no então nº 9 da Rua do Hospital (referência ao Hospital S. Rafael), o actual nº 41 da Rua Pedro Nolasco da Silva onde fica a Igreja Baptista de Macau.
A fotografia faz parte do livro "Like A Tree Planted By Streams of Water" da autoria de R. Lawrence Ballew, publicado em 2020.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Fotografias de Georg Oddner em 1956

Georg Oddner (1923-2007) foi um dos mais reconhecidos fotógrafos suecos do século 20. Começou por ser músico de jazz e estudante de publicidade na década de 1940 quando teve seu primeiro contacto com a fotografia através de John Melin, director de arte da Svenska Telegrambyrån em Malmö, a maior agência de publicidade da Escandinávia. A partir daí, Oddner começou a trabalhar em diversas áreas da publicidade, incluindo indústria, arquitectura e vestuário, além de trabalhar para a companhia aérea SAS. 
Em meados da década de 1950, Oddner viajou pela Califórnia, América do Sul, União Soviética e Extremo Oriente. Passou por Macau em Abril de 1956 onde fotografou a preto e branco. Recorrendo às máquinas favoritas da Hasselblad e Leica obteve dezenas de registos onde capta essencialmente cenas da vida do quotidiano. Mais do que a paisagem ou os edifícios nota-se a preferência pelo elemento humano. O jornal Notícias de Macau assinalou a chegada dos "jornalistas suecos Georg Mirskij Oddner e Hok Wickman Marianne*, do jornal suéco Vecko Jouralen."
* Marianne Höök Bergström (1918-1970)
Notícias de Macau: 4.4.1956

Oddner fez parte do grupo "Tio Fotografer" ('Dez fotógrafos'), formado em 1958, e da conceituada agência fotográfica Tiofoto. Muitas das suas fotografias fazem parte do espólio do Malmo Museer.
Edifício Skyline e Praça Ferreira do Amaral com a Penha ao fundo

Fotos tiradas da Fortaleza do Monte

Escadaria das ruínas de S. Paulo e Hotel Central

No Porto Interior

Ruas e comércio

sábado, 28 de fevereiro de 2026

"Geographica: El hombre y la tierra": 1973

"Geographica: El hombre y la tierra" é uma enciclopédia de 10 volumes publicada pela Plaza & Janés em Barcelona, em 1973. Esta obra, profusamente ilustrada e escrita em espanhol, oferece uma cobertura detalhada da geografia mundial, incluindo mapas e fotografias, sendo um material de consulta clássico da época. Macau está referido na parte dedicada à Ásia (Volume 5).
Legendas das duas fotografias (agência Salmer):

Sampanes en la bahía de Macao, colonia portuguesa desde el siglo XVI y cuyo mayor esplendor ostentó durante el siglo XVIII, eclipsado más tarde por el puerto de Hong Kong. La principal riqueza de esta actual provincia de ultramar se basa en la pesca, habiendo surgido una serie de industrias para la conserva y salazón del pescado.

Desde los primeros tiempos de la colonización portuguesa, Macao fue un centro misionero de jesuítas, cuya labor aún puede verse en los edificios religiosos que se encuentran en la parte europea de la ciudad, entre los que destaca, como monumento del pasado, la fachada de la antigua catedral de San Pablo.
Sampanas na baía de Macau, colónia portuguesa desde o século XVI e cujo maior esplendor ostentou durante o século XVIII, eclipsado mais tarde pelo porto de Hong Kong. A principal riqueza desta actual província de ultramar baseia-se na pesca, tendo surgido uma série de indústrias para a conserva e salga do peixe.

Desde os primeiros tempos da colonização portuguesa, Macau foi um centro missionário de jesuítas, cujo trabalho ainda pode ser visto nos edifícios religiosos localizados na parte europeia da cidade, entre os quais se destaca, como monumento do passado, a fachada da antiga catedral de São Paulo.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Ano Novo Chinês em 1837: Galo de fogo

O Ano Novo Chinês de 1837 - começou a 5 de Fevereiro - foi o Ano do Galo (Galo de Fogo).

Letter from Macau, by Henrietta Shuck (1817-1844), the First American Female Missionary to China, to her father

"Jan. 27, 1837
In a few days from this time the Chinese new year will commence. Precisely at the beginning of the New Year’s Day, they bathe their bodies in perfumed water, dress in their nicest clothes, and, remaining at home, worship their household gods, and fire off crackers. After they have concluded family worship, they go to worship the gods at the temples. All mercantile business is stopped for eight or ten days, during which time visits of rejoicing are made to their friends and relations, that are all returned; and they invite each other to indulge in the joy of the Chuntseu — ‘the wine of spring.’ From the ‘Yuetan,’ or New Year’s Day, to the fifteenth of the month, they choose lucky days to suspend flower lanterns on the houses and temples. Those days are lucky, they consider, when the wind blows from the north, west, east-north, or north-east. I expect the place will be quite in an uproar, and we shall have nothing but noise and bustle for a number of days."

Carta de Macau, de Henrietta Shuck (1817-1844), a primeira missionária americana na China, para o pai.

"27 de Jan. de 1837
Dentro de poucos dias, a partir desta data, terá início o ano novo chinês. Precisamente ao romper do Dia de Ano Novo, eles banham os corpos em água perfumada, vestem as suas melhores roupas e, permanecendo em casa, prestam culto aos seus deuses domésticos e rebentam panchões. Depois de concluírem o culto familiar, dirigem-se aos templos para adorar os deuses. Toda a actividade comercial é interrompida por oito ou dez dias, período durante o qual são feitas visitas de celebração a amigos e parentes, as quais são todas retribuídas; e convidam-se uns aos outros para desfrutar da alegria do Chuntseu — ‘o vinho da primavera’. Desde o ‘Yuetan’, ou Dia de Ano Novo, até ao décimo quinto dia do mês, escolhem dias de sorte para pendurar lanternas de flores nas casas e nos templos. Consideram que esses dias são de sorte quando o vento sopra de norte, oeste, leste-nordeste ou nordeste. Prevejo que o lugar fique num alvoroço total e que não teremos nada além de ruído e azáfama durante vários dias."

Retrato incluído no livro de J. B. Jeter de 1849:
"Memoir of Henrietta Shuck First American Female Missionary to China"

The title of the first American female missionary to China belongs to Henrietta Hall Shuck, a native of Virginia who felt a profound religious calling from a very young age. In 1835, at the age of only 18, she married the Baptist missionary Jehu Lewis Shuck and set sail for the East under the Baptist Board of Foreign Missions. After spending time in Singapore they arrived in Macau in 1836. The missionaries worked there about six years, until the end of the first Opium War (1839–1842). Henrietta established a small boarding school, with two to eight pupils at a time. She also bore another son, Ryland, and a delicate daughter, Henrietta. In 1842 the couple eventually settled in Hong Kong in 1842, following the conclusion of the First Opium War.
Unlike many women of her era who were viewed merely as "assistant missionaries" to their husbands, Henrietta took a leading and highly active role in her work. She established some of the first schools for Chinese children in Hong Kong, focusing on literacy and education while raising her own children in often difficult and precarious conditions. Her letters home were widely published in the United States, providing many Americans with their first detailed—though Western-centric—glimpses into Chinese life and culture. Tragically, her journey was cut short in 1844 when she died following the birth of their fifth child, at the age of 27. Despite her brief life, her legacy became a cornerstone for the women's missionary movement, proving that women could endure the rigors of international service and paving the way for future pioneers.
Ilustração criada por IA a partir do retrato

Natural da Virgínia e fervorosa na sua fé baptista, Henrietta Hall Shuck, partiu para o Oriente em 1835, com apenas 18 anos, logo após casar com o também missionário Jehu Lewis Shuck. O casal chegou a Macau em 1836 onde Henrietta fundou um pequeno colégio interno, com turmas de dois a oito alunos. Teve ainda outro filho, Ryland, e uma filha, Henrietta.
Em 1842 mudaram-se para Hong Kong, logo após a fundação da colónia britânica na sequência da Primeira Guerra do Ópio.
Ao contrário de muitas esposas de missionários da época, que eram vistas apenas como acompanhantes, Henrietta assumiu um papel protagonista e muito activo. Fundou uma das primeiras escolas para crianças chinesas em Hong Kong, dedicando-se à alfabetização e ao ensino religioso, enquanto criava os seus próprios filhos em condições muitas vezes precárias. As suas cartas para os Estados Unidos foram amplamente publicadas e serviram como uma das principais fontes de informação para o público americano sobre a vida e a cultura na China naquele período. Morreu a 26 de Novembro de 1844, com apenas 27 anos, devido a complicações no parto do quinto filho. Apesar da sua curta vida, o seu legado tornou-se um pilar para o movimento missionário feminino, provando que as mulheres podiam suportar os rigores do serviço internacional e abrindo caminho para futuras missionárias.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Enciclopedia Universal Ilustrada Europeo-Americana (1930)

MACAO. Geog. 
Colonia portuguesa de la costa S. de China (prov. de Kwang-tung) en la desembocadura del Cantón, á 101 km. al SE. de Cantón y á 60 km. al O. de Hong-Kong, en una pequeña península, unida con la isla de Hiang-shan por medio de un pequeño istmo. Las murallas que existían en toda la long. de la frontera, y en cuyas puertas había antiguamente centinelas chinos, están totalmente derruídas. En la península, además de la ciudad de Macao, hay tres ald., á saber: Mong-ha, Patane y Lappa. También pertenecen al dominio portugués las islas Taipa y Colovane [Coloane]. Su extensión total es de 11,75 km², con 78.627 h., de ellos 3.898 portugueses y algunos españoles é ingleses que lo sano del clima atrae de Hong-Kong. Macao perteneció, hasta 1844, al gobierno general de Goa, y forma, desde 1896, un solo gobierno. El comercio, monopolizado por los chinos, es muy importante.

MACAO. (Llamada en portugués Cidade do Santo Nome de Dios de Macao.) 
Geog. Ciudad de la costa meridional de China, correspondiente á la prov. de Kwang-tung y sit., aproximadamente, á los 22º 20' N., al OSO. de Hong-Kong y á unos 100 km. de Cantón. Forma parte de la colonia portuguesa del mismo nombre y se levanta á orill. del estuario del río de Cantón ó de las Perlas, en el extremo S. de una península, cortada por numerosos esteros, que la convierten en isla. La ciudad propiamente dicha cuenta 74.866 h., de los que 3.919 son blancos, entre ellos 3.780 portugueses; 60.057 chinos, y 154 pertenecen á diversas naciones. Se divide en dos barrios, el chino y el europeo, y está rodeada de colinas con fuertes de poca importancia. En el barrio europeo, bien edificado, aunque con muchas pendientes, hay buenas casas con jardines, un paseo llamado Praia Grande, el hospital, el Senado, cinco templos, entre ellos la catedral de San Pablo; varias capillas y un muelle semicircular que mide más de 1 km. En un jardín cercano á la iglesia de San Antonio se encuentra una gruta donde, según la tradición, terminó Camoens sus Lusiadas. El barrio chino es sucio y de calles estrechas, pero muy animado y comercial. La rada, defendida por algunos islotes, tiene muy poco fondo, de manera que los buques de gran porte tienen que anclar á 9 ó 10 km. de la ciudad. El comercio, antes muy importante, ha decaído; se reduce casi todo al de tránsito y está, en su mayor parte, en manos de los chinos. En 1910 se exportaron por él mercancías consistentes en añil, arroz, azúcar, té, seda, etc., evaluadas en 6.707.360 escudos, y se importaron por valor de 7.322.040.

in Enciclopedia Universal Ilustrada Europeo-Americana, 1930
Inclui uma fotografia tirada da colina da Guia sobre a Fortaleza do Monte e Porto Interior


Tadução/Adaptação

MACAU. Geogr. 
Colónia portuguesa da costa sul da China (província de Kwang-tung) na foz do Cantão, a 101 km ao SE de Cantão e a 60 km ao O de Hong Kong, numa pequena península, unida à ilha de Hiang-shan por meio de um pequeno istmo. As muralhas que existiam em toda a extensão da fronteira, e em cujas portas havia antigamente sentinelas chinesas, estão totalmente destruídas. Na península, além da cidade de Macau, há três aldeias, a saber: Mong-ha, Patane e Lapa. Também pertencem ao domínio português as ilhas da Taipa e Coloane. Sua extensão total é de 11,75 km², com 78.627 habitantes, dos quais 3.898 portugueses e alguns espanhóis e ingleses que o clima saudável atrai de Hong Kong. Macau pertenceu, até 1844, ao governo geral de Goa e forma, desde 1896, um só governo. O comércio, monopolizado pelos chineses, é muito importante.


MACAU. (Chamada em português Cidade do Santo Nome de Deus de Macau.) 
Geogr. Cidade da costa meridional da China, correspondente à província de Kwang-tung e situada, aproximadamente, aos 22º 20' N., ao OSO de Hong Kong e a cerca de 100 km de Cantão. Faz parte da colônia portuguesa de mesmo nome e ergue-se à margem do estuário do rio de Cantão ou das Pérolas, no extremo sul de uma península, cortada por numerosos esteiros, que a convertem em ilha. A cidade propriamente dita conta com 74.866 habitantes, dos quais 3.919 são brancos (entre eles 3.780 portugueses); 60.057 chineses, e 154 pertencem a diversas nações. Divide-se em dois bairros, o chinês e o europeu, e está rodeada de colinas com fortes de pouca importância. No bairro europeu, bem edificado, embora com muitas ladeiras, há boas casas com jardins, um passeio chamado Praia Grande, o hospital, o Senado, cinco templos, entre eles a catedral de São Paulo; várias capelas e um cais semicircular que mede mais de 1 km. Num jardim próximo à igreja de Santo António encontra-se uma gruta onde, segundo a tradição, Camões terminou os seus Lusíadas. O bairro chinês é sujo e de ruas estreitas, mas muito animado e comercial. A enseada, defendida por alguns ilhéus, tem pouca profundidade, de modo que os navios de grande calado têm de ancorar a 9 ou 10 km da cidade. O comércio, anteriormente muito importante, entrou em declínio; reduz-se quase todo ao de trânsito e está, na sua maior parte, nas mãos dos chineses. Em 1910, exportaram-se por ali mercadorias consistentes em aniz, arroz, açúcar, chá, seda, etc., avaliadas em 6.707.360 escudos, e importaram-se valores de 7.322.040.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O "Canton System"

Em 1684 o imperador Kangxi (康熙) da dinastia Qing (清朝) levantou a proibição do comércio marítimo e abriu quatro portos da China ao comércio externo. São assim criados os postos alfandegários, os Hopu. Na região de Macau (a partir de 1688) existiam quatro postos alfandegários - dois deles na cidade: Porto Interior e Praia Grande - responsáveis ​​pela cobrança de tarifas, inspecção de embarcações estrangeiras e emissão de autorizações de entrada.
Ao longo do século 18 o cada vez maior interesse de potências ocidentais, incluindo a Grã-Bretanha, a França, a Suécia e os Estados Unidos, em negociar com a China levou o imperador a criar regras.
O "Sistema de Cantão" - do inglês Canton System - consistia numa série de regulamentos para governar as interações entre chineses e estrangeiros em Cantão. Foi criado em 1757 pelo imperador Qianlong que emitiu um édito proibindo os navios europeus de negociarem em qualquer outro porto chinês que não fosse o de Cantão.
Praia Grande de Macau por G. Chinnery ca. 1825/30

Os supercargueiros (supercargos) estrangeiros que desejassem comercializar em Cantão solicitavam uma licença em Macau antes de contratar um piloto local para navegar a embarcação pelo estuário do Rio das Pérolas até à estação alfandegária de Bocca Tigris. Após as autoridades inspeccionarem a licença, um “prático interno” assumia o comando do navio e guiava-o rio acima, passando por uma série de
bacias de areia e bancos de areia traiçoeiros, até à ancoragem designada em Whampoa, já muito perto de Cantão. 
Um membro do grémio de mercadores “Co Hong” (hang 行) autorizado pelas autoridades chinesas era então recrutado para garantir a segurança do navio, assumir a responsabilidade pela conduta da sua tripulação, fiscalizar o pagamento de diversas taxas portuárias e direitos aduaneiros e comercializar com a embarcação estrangeira. 
Era também contratado um 'comprador' para abastecer o navio enquanto este estivesse atracado em Whampoa, e um linguista ou intérprete licenciado pelo Estado ajudava a supervisionar as transacções comerciais entre o supercargo estrangeiro e o seu parceiro comercial chinês. 
Em Cantão, junto ao rio, foi criado um espaço onde estavam instaladas treze "feitorias" (factory em inglês). Ficava fora das muralhas da cidade onde o estrangeiros não podiam entrar. Os edifícios serviam de alojamento e armazém para os comerciantes estrangeiros enquanto estes permaneciam em Cantão e conduziam os seus negócios.
No fim de cada temporada de comércio (Março a Setembro), os comerciantes tinham de sair de Cantão, residindo em Macau os restantes meses do ano, onde também estavam as famílias e, por vezes, escritórios das empresas de maior dimensão.
O sistema gerou enorme frustração nos britânicos (liderados pela Companhia das Índias Orientais), que o consideravam humilhante e comercialmente limitador. O desequilíbrio comercial - o Ocidente comprava chá e seda, mas a China apenas aceitava em troca a prata - levou os britânicos a introduzirem o ópio no mercado chinês para equilibrar a balança.
Em 1802 e 1808 os ingleses tentaram ocupar Macau mas não lograram os objectivos. Estas intenções seriam mal vistas pelas autoridades chinesas que entretanto emitem éditos a proibir o comércio do ópio. 
Aguarelas de meados do séc. 19

Após o parlamento inglês ter revogado o monopólio da Companhia das Índias Orientais, em 1834, William John Napier foi nomeado superintendente-chefe do comércio britânico na China. Tentou negociar com as autoridades de Cantão em pé de igualdade, mas estas interpretaram o seu comportamento como contrário às relações sino-estrangeiras estabelecidas. A sua missão fracassou e Napier viria a morrer nesse ano em Macau. Foi substituído em 1836 por Charles Elliot.
Em Pequim, uma proposta de 1836 para aliviar as restrições ao ópio obteve um amplo apoio, mas o imperador Daoguang nomeou um patriota radical, Lin Zexu, como comissário imperial para uma campanha antiópio. Os esforços chineses contra o ópio, de facto, começaram a obter avanços consideráveis ​​no controlo do lado chinês do contrabando no final de 1838 e início de 1839. O lado estrangeiro crucial do comércio de ópio, no entanto, estava fora do alcance directo do Comissário Lin. Após chegar a Cantão, em Março de 1839, Lin confiscou e destruiu mais de 20.000 caixas de ópio. Em setembro, começaram as escaramuças entre os chineses e os britânicos.
Era o desencadear da primeira Guerra do Ópio (1839-1842). O "Sistema de Cantão" foi oficialmente abolido com o Tratado de Nanking, que pôs fim à Primeira Guerra do Ópio e forçou a China a abrir ao estrangeiro cinco novos portos - "Portos de Tratado" / Teatry Ports - e a ceder Hong Kong.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

"Important from China": The New Yorker 3.8.1839

"Important from China" é o título da notícia publicada na edição de 3 de Agosto de 1839 do jornal The New Yorker que relata os eventos que levaram à Primeira Guerra do Ópio iniciada um mês depois.
Ocorrida entre 1839 e 1842 foi um conflito entre a Grã-Bretanha e a Dinastia Qing da China. O cerne da questão residia no contrabando massivo de ópio por parte dos britânicos para o mercado chinês, uma estratégia utilizada para equilibrar a balança comercial e estancar a saída de prata em troca de produtos como o chá e a seda. O vício generalizado resultante deste tráfico causou uma grave crise social e económica na China, levando o Imperador a nomear o comissário Lin Zexu para erradicar o comércio da droga. A apreensão e destruição de milhares de caixas de ópio em Cantão serviu de pretexto para a intervenção militar britânica, que pretendia proteger os seus interesses mercantis e exigir a liberdade de comércio.
Dada a esmagadora superioridade tecnológica da Marinha Real Britânica, cujos navios a vapor e artilharia moderna neutralizaram facilmente as defesas costeiras e os juncos de guerra chineses, a China foi forçada a render-se. O conflito terminou com a assinatura do Tratado de Nanquim em 1842, o primeiro dos chamados "Tratados Desiguais". Este acordo obrigou a China a ceder a ilha de Hong Kong ao domínio britânico, a pagar indemnizações avultadas pelos custos da guerra e pelo ópio destruído, e a abrir cinco portos comerciais ao estrangeiro, acabando com o regime restritivo que anteriormente limitava o comércio apenas a Cantão. Este evento marcou o início de um período de declínio do poder imperial chinês e de crescente influência colonial das potências ocidentais na região.
Macau na época da 1ª Guerra do Ópio. Desenho de G. Chinnery

A Primeira Guerra do Ópio teve impactos profundos em Macau, alterando o seu papel económico e a sua relação com o Império Chinês. Antes do conflito, Macau era o único local onde os europeus podiam residir permanentemente dentro dos confins do império, servindo como porto de escala obrigatório e refúgio para as famílias dos mercadores que negociavam em Cantão.
Com o início das hostilidades, a neutralidade de Macau foi posta à prova. O Comissário Imperial Lin exerceu uma pressão severa sobre as autoridades portuguesas, ameaçando revistar casas e cortando o fornecimento de provisões através do forte chinês junto à muralha da barreira para garantir a expulsão dos britânicos e a apreensão de ópio. Esta dependência extrema de bens essenciais vindo do continente mantinha a colónia numa situação de "completa sujeição" e humilhação perante o governo chinês.
Economicamente, o conflito trouxe uma crise imediata. A população de Macau enfrentou uma perspectiva real de fome e miséria quando o comércio de ópio foi interrompido, já que a economia local estava profundamente ligada a este tráfico e ao apoio logístico às frotas estrangeiras. Para evitar o confisco chinês, grandes quantidades de ópio tiveram de ser reembarcadas à pressa dos armazéns da cidade para os navios ancorados ao largo.
A longo prazo, o maior impacto foi o surgimento de Hong Kong. Com o Tratado de Nanquim, os britânicos deixaram de necessitar de Macau como entreposto, transferindo as suas feitorias para a nova colónia, que possuía águas mais profundas. Este esvaziamento económico forçou Macau a procurar novas fontes de receita e motivou os governadores portugueses, anos mais tarde, a procurar uma autonomia política semelhante à que os britânicos haviam conquistado em Hong Kong.


Transcrição:

Important from China - By the arrival at this port of the ship Omega, Capt. Hilbert, from Canton, whence she sailed on the 25th March, we have the important intelligence that the ports of China have been peremptorily closed, for an indefinite period, against all foreigners and foreign trade, on account of the iniquitous and corrupting traffic in Opium, which the merchants persisted in secretly abetting against the positive and repeated orders of the Government, but which the latter has fully determined on enforcing at every cost and hazard. To this end, an Imperial Commissioner, Lin, has been sent from Pekin by the Emperor, clothed with full powers, as Viceroy of Hoo-Kwang, to take the most energetic steps for the suppression of the baneful traffic in a drug which is impoverishing the country, debasing the morals, and destroying the health and physical energies of the Chinese. His Proclamation was issued on the 18th of March, and would fill nearly a column of our paper, narrating the mischiefs and criminality of the Opium trade and the hypocrisy of the merchants, Chinese and foreign, in secretly fostering it, with a plainness, pomposity and Oriental quaintness, at once forcible and amusing.
It seems that at first the merchants considered this one of the periodical tempests of the Government on this subject, which would soon blow over; but they were quickly convinced of their mistake by the appearance, on the 22d, of a mandate, stopping entirely the foreign trade, and forbidding any foreigner to leave Canton. The Omega barely got away with much difficulty. For further intelligence, we copy from the correspondence of the Journal of Commerce:
“The next day an officer and a posse of soldiers entered the factory of Dent & Co., demanding Mr. Dent for his contumacy in not leaving the country at the orders of the Emperor. Mr. Dent not being present, Mr. Inglis went into the city with the officer, accompanied by Thom and Morrison as interpreters. Elliott sent around a circular, on the 23d, in Macao, stating that he had ordered the English part of the Opium fleet back to Hongkong, in company with the Larne sloop of war, and there to put themselves in a state of defence. He left Macao for Canton the same evening, in order to demand passports for all British subjects to leave Canton, but we have not yet heard the result. Most of the Lintin fleet have been in Macao Roads for the last few days, and to-day the Opium in Macao is all re-embarked on board ship, as the Commissioner has threatened to search all the houses in Macao for it. The port government has received orders to fit up a house for the Commissioner, and they are making ready the tavern on the Praya Grande, near the landing place, for his reception. There are 20 war junks anchored in the roads.
“The people in Macao are in great trouble, for if the Opium trade is cut off from the place, they have a sad prospect of starvation, or at least great misery, before them. But in the eradication of an evil of the magnitude of this trade we must expect much distress; if the effect is healing the empire in a measure of a deadly evil, the distress bears but a small proportion to the good. It is estimated that there are a thousand chests in the place, and property amounting to twenty millions on board ship, all of which it is expected must go to Singapore. Out of all evil our hope is that God will bring much good to the empire; we may all be driven from Canton, to return again on a better footing, and an intercourse be commenced more likely to result in mutual advantage. We are all anxiously awaiting the result of the imprisonment of foreigners in Canton, and the summoning of Mr. Inglis into the city.”

Tradução/Adaptação:

Notícias importantes da China - Com a chegada a este porto do navio Omega, sob o comando do Capitão Hilbert, vindo de Cantão, de onde zarpou a 25 de Março, recebemos a importante informação de que os portos da China foram peremptoriamente fechados, por um período indefinido, a todos os estrangeiros e ao comércio externo, devido ao tráfico iníquo e corruptor de ópio, que os mercadores persistiram em apoiar secretamente contra as ordens repetidas do governo chinês, as quais este último está totalmente determinado a fazer cumprir a qualquer custo e risco. Para este fim, um Comissário Imperial, Lin, foi enviado de Pequim pelo Imperador, investido de plenos poderes, como Vice-Rei de Hoo-Kwang, para tomar as medidas mais enérgicas para a supressão do tráfego pernicioso de uma droga que está a empobrecer o país, a degradar a moral e a destruir a saúde e as energias físicas dos chineses. A sua proclamação foi emitida a 18 de março e preencheria quase uma coluna do nosso jornal, narrando os malefícios e a criminalidade do comércio de ópio e a hipocrisia dos mercadores, chineses e estrangeiros, ao fomentá-lo secretamente, com uma clareza, pomposidade e singularidade oriental, simultaneamente contundente e curiosa.
Parece que, a princípio, os mercadores consideraram esta como uma das tempestades periódicas do imperador sobre este assunto, e que logo passaria, mas foram rapidamente convencidos do seu erro pelo aparecimento, no dia 22, de um mandato, interrompendo inteiramente o comércio externo e proibindo qualquer estrangeiro de deixar Cantão. O Omega conseguiu escapar com muita dificuldade. Para mais informações, copiamos da correspondência do Journal of Commerce o seguinte:
“No dia seguinte, um oficial e um destacamento de soldados entraram na feitoria da Dent & Co., exigindo o Sr. Dent pela sua contumácia em não deixar o país sob as ordens do Imperador. Não estando o Sr. Dent presente, o Sr. Inglis foi à cidade com o oficial, acompanhado por Thom e Morrison como intérpretes. Elliott enviou uma circular, no dia 23, em Macau, declarando ter ordenado que a parte inglesa da frota do ópio regressasse a Hong Kong, em companhia da corveta de guerra Larne, para ali se colocarem em estado de defesa. Ele partiu de Macau para Cantão na mesma noite, a fim de exigir passaportes para que todos os súbditos britânicos pudessem deixar Cantão, mas ainda não soubemos o resultado. A maior parte da frota de Lintin tem estado no fundeadouro de Macau nos últimos dias e, hoje, o ópio em Macau foi todo reembarcado nos navios, pois o Comissário ameaçou revistar todas as casas de Macau à sua procura. O governo do porto recebeu ordens para preparar uma casa para o Comissário, e estão a preparar a taberna na Praia Grande, perto do local de desembarque, para a sua recepção. Há 20 juncos de guerra ancorados no fundeadouro.
O povo de Macau está em grandes dificuldades, pois se o comércio de ópio for cortado do local, têm diante de si uma triste perspectiva de fome ou, pelo menos, de grande miséria. Mas na erradicação de um mal da magnitude deste comércio, devemos esperar muita aflição; se o efeito for curar o império de um mal mortal, a aflição representa apenas uma pequena proporção face ao bem alcançado. Estima-se que existam mil caixas no local e carga no valor de vinte milhões a bordo dos navios, prevendo-se que tudo isto tenha de seguir para Singapura. De todo o mal, a nossa esperança é que Deus traga muito bem ao império; poderemos todos ser expulsos de Cantão, para regressar novamente em melhores condições, e que se inicie uma relação com maior probabilidade de resultar em vantagem mútua. Estamos todos a aguardar ansiosamente o resultado do aprisionamento de estrangeiros em Cantão e da convocação do Sr. Inglis à cidade.”

domingo, 11 de janeiro de 2026

"Cornelius Suhr’s malerische Reise um die Welt"

Este documento é um anúncio de 1841 para uma exposição de 'arte panorâmica' em Leipzig, Alemanha, que incluía pinturas de locais como Macau, Cantão, Constantinopla, Estocolmo, Paris, Nápoles e Londres.
Transcrição (Alemão)
Cornelius Suhr’s malerische Reise um die Welt ist während dieser Messe hierfelbst einem verehrten Publikum zur Ansicht ausgestellt. Sie enthält: mehrere der merkwürdigsten Hauptstädte Europa's, die See mit deren Schifffahrt und die schönsten Gegenden der Welt.
Unter diesen findet man vieles Neue und Interessante, indem ich, als Maler derselben, stets Rücksicht auf die neuesten Ereignisse nehme, um diese Ausstellung für den Besuch der Kunstfreunde so genussreich wie möglich zu machen, und so gleichsam eine Reise um die Welt zu bilden.
Die Haupt-Gegenstände sind:
Eine Seeschlacht der Chinesen mit den Engländern in der Anson-Bay am 7. Januar 1841.
Macao in China.
Der grosse Tempel in Macao.
Die Factoreien in Canton am Tigrisflusse.
Constantinopel, ein volles Rundgemälde.
Stockholm.
Das Palais Royal in Paris.
Paris.
Neapel mit dem rauchenden Vesuv.
London.
Der grosse Schiffbauplatz in Rostock.
Die Colonne Trajano in Rom.
Eintrittspreis 5 Ngr. Kinder die Hälfte. Cornelius Suhr, Ehren-Mitglied der Patriotischen Gesellschaft zur Beförderung der Künste in Hamburg.

Tradução 
A Jornada Pitoresca de Cornelius Suhr à Volta do Mundo está em exibição para o distinto público durante esta feira. Ela contém: várias das mais notáveis capitais da Europa, o mar com sua navegação e as mais belas regiões do mundo.
Entre elas encontra-se muito de novo e interessante, pois eu, como pintor das mesmas, sempre levo em conta os acontecimentos mais recentes, a fim de tornar esta exposição o mais prazerosa possível para a visita dos amigos da arte e, assim, formar, por assim dizer, uma viagem ao redor do mundo.
Os objetos principais são:
Uma batalha naval dos chineses contra os ingleses na Baía de Anson em 7 de janeiro de 1841.
Macau na China.
O grande Templo em Macau.
As feitorias em Cantão no Rio Tigre.
Constantinopla, uma pintura panorâmica completa.
Estocolmo.
O Palais Royal em Paris.
Paris.
Nápoles com o Vesúvio fumegante.
Londres.
O grande estaleiro em Rostock.
A Coluna de Trajano em Roma.
A exposição está localizada na Rossplatz, no Jardim de Reimer, na barraca 4... aberta o dia todo até as 9 horas da noite.
Preço da entrada: 5 Ngr (Neugroschen). Crianças pagam metade. Cornelius Suhr, Membro honorário da Sociedade Patriótica para a Promoção das Artes em Hamburgo.

Contexto Histórico
Cornelius Suhr (1781-1857) e o irmão Peter foram dois nomes de relevo no mundo das artes em Hamburgo. Naquela época - quando a fotografia ainda dava os primeiros passos - estas exposições de pinturas em grande formato (às vezes giravam ou eram iluminadas de forma especial.. os chamados cosmoramas) eram a principal forma de "turismo visual" para o público europeu. Em Inglaterra também eram muito concorridas. Os artistas referidos não estiveram nos locais, baseavam os seus trabalhos noutros existentes na época, como as ilustrações de Thomas Allom. Existem registos de os irmãos terem publicado um livro/catálogo intitulado "Malerische Reise um die Welt" com litografias das ilustrações expostas acompanhadas de pequenos textos. 
A ilustração "Macau na China" é acompanhada de um texto que remete para a ilustração de Thomas Allom (imagem acima): 

"Eine weite Aussicht über die Stadt mit ihren Festungen, den Canton-Fluß mit seinen bergigen Inseln. Der Standpunkt ist auf einer Höhe, wo der Begräbnißplatz befindlich, auf welchem eine Beerdigung mit den dort gebräuchlichen Ceremonieen stattfindet."

"Uma ampla vista sobre a cidade com as suas fortalezas, o Rio de Cantão com as suas ilhas montanhosas. O ponto de vista situa-se num local elevado, onde se encontra o cemitério, no qual está a decorrer um funeral com as cerimónias ali habituais."

O "grande templo de Macau" referido é o templo de A-Ma situado "na entrada do Porto Interior" (an dem Eingange des innern Hafens). No texto pode ler-se: "O grande Templo em Macau com a vista sobre o porto interior e uma parte da cidade. Na praça em frente ao Templo veem-se dois mastros muito altos de abeto e cedro, com bandeirolas e estandartes compridos, que são hasteados em honra do ídolo no interior do Templo, etc."
A descrição é bastante clara e remete para a ilustração abaixo, também da autoria de Thomas Allom.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Macau por Gabriel Lafond de Lurcy

Tendo por base o post de ontem, aqui ficam alguns excertos sobre Macau incluídos no livro "Quinze ans de voyage autour du monde" (Paris, 1840). Destaque para a descrição do território no primeiro quartel do século 19: baía da Praia Grande, bazar chinês, Porta do Cerco, Gruta de Camões, etc...
Tradução/Adaptação:
A cidade de Macau, em chinês Ou-Moun, fica numa posição agradável e sadia, dezoito milhas a leste de Cantão, a doze da Grande Lemma, e a um pouco menos da Grande Ladrão. É a única possessão europeia no império chinês, possessão a cada dia mais precária e mais contestada pelo governo imperial. Colinas coroadas de pinheiros atrofiados circundam a cidade construída na península e que termina na ilha de Ngao-Men ao sul. Logo que parámos no canal frente a Macau, a mais de duas léguas de terra, o piloto chinês que tínhamos a bordo avisou-nos que deviamos enviar um bote a terra para pedir ao hopu, ou director da alfândega, o piloto que nos conduzirá a Wampoa. (...) 
Chegámos pelas dez horas à Praia Grande, porto metade europeu, metade asiático. As embarcações destinadas aos passageiros eram às centenas na baía e pareciam engolir-nos. A forma ligeira como navegam e a facilidade com que manobram são surpreendentes. Por vezes, eram manobradas por duas ou três jovens mulheres, algumas com traços graciosos. Uma fiada de belas casas, brancas, elegantes, de estilo europeu, alinhava-se ao longo da margem e numa extensão de cerca de uma milha: é o que se chama a Praia Grande. Os belos edifícios da Companhia inglesa destacavam-se entre todos os outros, a maior parte dos quais é habitada por comerciantes ingleses, que para aqui vêm viver quando não se pode fazer o comércio do chá na China, e por alguns ricos negociantes portugueses e de outras nações estrangeiras. (...)
Tinha vindo a terra para renovar as provisões frescas do navio e as levar a bordo, mas a tarefa acabou por ser feita por um 'comprador'. Aproveitei este tempo livre para percorrer Macau. Encaminhei-me para o bairro chinês, também chamado bazar, situado no interior da cidade sobre o braço de mar que chamam ribeira de Macau. Este bairro compõe-se de uma miríade de pequenas ruas estreitas cruzando-se em todos os sentidos, ladeadas por lojas perfeitamente decoradas e guarnecidas de uma variedade infinita de mercadorias. Uma multidão atarefada indicava que esta parte da cidade era o centro de um grande movimento comercial. Os desembarcadouros, instalados aqui e ali nas margens do rio, estavam cheios transeuntes e de uma quantidade incontável de embarcações de passageiros servindo para transportar os habitantes de um lado ao outro ou de os conduzir a bordo dos navios maiores. É aqui que se abrigam os juncos e as embarcações portuguesas, vendo-se nas margens feitorias, lojas, as alfândegas portuguesa e chinesa bem como estaleiros navais. 
Na parte portuguesa da cidade algumas igrejas têm um aspecto miserável. As ruas são, na maioria, muito íngremes e mal construídas, salvo algumas excepções. Todas vão da Praia Grande para a ribeira de Macau. Não tendo muito tempo disponível, acompanhado de um guia chinês apressei-me a afastar-me do centro da cidade para ter uma ideia dos arredores. Segui ao longo de uma muralha e reentrei por uma porta junto ao cemitério chinês, depois de dar uma vista de olhos às fortalezas portuguesas que dominam o mar. (...)
A península em que Macau está tem, no máximo, meia légua de comprimento por um quarto de légua de largura. O istmo que a reúne ou, para dizer melhor, a isola da ilha de Ngao-Men é extremamente estreito e fechado por uma muralha que nem os portugueses nem os estrangeiros podem atravessar. Nesta pequena península montanhosa dominam as colinas não muito elevadas, mas escarpadas e pitorescas. A cidade ocupa uma parte deste espaço; o resto está coberto de casas de campo cuja resplandecente brancura dá um ar risonho aos arredores da cidade. Numa das colinas, do lado do rio, fica a célebre gruta em que o autor de Os Lusíadas compôs o seu poema. Algumas das outras colinas têm fortes portugueses, cuja artilharia é limitada pelos chineses que diminuem à sua vontade o número de peças com que podem estar armadas. Mesmo para fazer reparações é preciso uma autorização.
A população de Macau e do istmo é avaliada assim: 500 europeus de sangue puro; 25 000 a 30 000 chineses; 4000 portugueses, mestiços quase todos, ou o resultado de misturas, com uma infinidade de nuances e graus, da raça europeia com as raças chinesa, indiana, timorense, malaia e africana. (...)
Excertos na língua original (Tomo I - Capítulo VII):
(...) La ville de Macao en chinois Ou Moun est dans ume position agréable et saine à dix huit milles à l'E de Canton, à douze de la Grande Lemma et à un peu moins de la Grande Ladrone; c'est l'unique possession européenne dans tout l'empire chinois, possession de jour en jour plus précaire et plus contestée par le gouvernement imperial.
Des collines couronnées de pins rabougris entourent la ville bâtie sur la péninsule dont je viens de parler et qui termine l'île de Ngao Men vers le sud. Dès que nous eûmes mouillé dans le passage, vis à vis Macao, à plus de deux lieues de terre, le pilote chinois que nous avions à bord nous prévint que nous devions envoyer un canot à terre, pour demander au Hopoo, ou directeur de la douane, le pilote qui devait nous conduire à Wampoa.
Je fus expédié dans le bateau où M Duboisviolet et son secrétaire s'étaient également embarques. Nous arrivâmes vers dix heures à Praya Grande port moitié européen moitié asiatique. Les embarcations destinées aux passagers se trouvaient par centaines dans la baie et semblaient voltiger autour de nous leur légèreté sur les eaux la facilité avec laquelle elles virent de bord sont surprenantes souvent elles étaient conduites par deux ou trois jeunes fdles dont quelques unes avaient des traits gracieux Une rangée de belles maisons blanches élégantes d une construction européenne s alignait sur le rivage sur une étendue de près d'un mille c'est ce que l on nomme la Praya Grande.
Les beaux bâtimens de la Compagnie anglaise se faisaient remarquer parmi ces édifices dont la plupart étaient habités par des négocians de cette nation qui viennent y passer le temps de la clôture de la traite du thé et par quelques riches négocians portugais ou d autres nations étrangères A notre débarquement la douane nous fit payer une piastre ou cinq francs par tête et autant par malle ou colis de marchandises impôt inique humiliant et lourd auquel les Portugais eux mêmes n osent pas se soustraire car je l'ai dit leur domination à Macao est purement nominale leur pavillon n y flotte (...)
(...) je profitai de cet intervalle de liberté pour parcourir Macao en attendant l heure du départ Je m acheminai vers le quartier chinois nommé aussi le Bazar et situé dans l intérieur de la ville sur le bras de mer appelé rivière de Macao. Ce quartier se compose d une multitude de petites rues étroites se coupant dans tous les sens bordées dé boutiques parfaitement ornées et garnies d une variété infinie de marchandises une foule affairée indiquait que cette partie de la ville était le centre d un grand mouvement commercial Les débarcadères pratiqués de distance en distance sur les bords de la rivière étaient encombrés d allans et de venans et d une quantité innombrable de bateaux de passage servant à transporter les habituas d un quartier à l autre ou à les conduire à bord des grandes embarcations du pays. 
C'est dans ce bras intérieur que se tiennent les jonques chinoises et les navires portugais et sur ses bords l on voit les factoreries les magasins les douanes portugaise et chinoise ainsi que les chantiers de construction. Dans le quartier portugais j aperçus quelques églises d une assez chétive apparence la plupart des rues sont fort montueuses et généralement mal bâties hors de rares exceptions toutes se dirigent de la Praya Grande vers la rivière de Macao.
Ayant peu de temps à ma disposition je me hâtai accompagné du Chinois que l on m avait donné pour guide de sortir de la ville pour avoir au moins une légère idée de ses environs Je longeai d abord une partie de son enceinte et rentrai par la porte voisine du cimetière chinois après avoir jeté un coup d œil sur les forts portugais qui dominent la mer A chaque porte je trouvai une garde de soldats noirs ou cipayes de l Inde commandés par des oificiers portugais ou soi disant tels.
La presqu'île sur laquelle Macao est située a tout au plus une demi lieue de longueur sur un quart de lieue de large L isthme qui la réunit ou pour mieux dire l isole de l île de Ngao Men est fort étroit et fermé par une muraille que ni les Portugais ni les étrangers ne peuvent franchir ou qu ils ne franchissent pas impunemente.
Le sol de cette petite presqu'île est montueux composé de collines peu élevées mais escarpées et pittoresques dans leurs proportions exiguës la ville occupe une partie de cet espace le reste est couvert de maisons de campagne dont l'éblouissante blancheur donne une physionomie riante aux environs de la ville. L'une de ces collines dans l'enceinte de la ville du côté de la rivière est couronnée par la célèbre grotte où l auteur de la Lusiade composa son poème et quelques autres le sont par des forts portugais dont l'artillerie est limitée par les Chinois qui diminuent à leur gré le nombre des pièces dont ils peuvent être armés même pour réparer leurs affûts il faut une autorisation expresse.
La population de la ville et de l'isthme de Macao est évaluée ainsi qu il suit cinq cents Européens pur sang vingt cinq à trente mille Chinois et quatre mille Portugais sang mêlé presque tous ou provenant du mélange à une infinité de nuances et de degrés de la race européenne avec les races chinoise indoue timorienne malaisienne et africaine Les humiliations que les Chinois font subir à cette race portugaise dégénérée sont intolérables et elle ne peut sortir de cette abjection car d un mot le gouvernement impérial pourrait affamer toute cette population et la forcer d aller chercher fortune ailleurs Les Chinois ne craignent que les noirs esclaves ou libres qui vivent à Macao et que l on a vu souvent se réunir et faire trembler les mandarins.
Le mouillage de Macao se nomme le port de la Taypa il est formé par plusieurs îles escarpées et situé en face de la ville il ya aussi la baie portugaise et Praya Pequena Au nord de l ile de Ngao Men s ouvre le grand bras du Tigre bordé au nord par la côte chinoise On nomme ce passage qui est le plus fréquenté dans la mousson du N E la passe du dehors. (...)

terça-feira, 11 de novembro de 2025

"Para além do jogo"

Com diferentes títulos, este artigo da agência noticiosa United Press internationl (UPI) foi publicado em inúmeros jornais um pouco todo o mundo em Novembro de 1975. Foi há 50 anos, quando Macau dava os primeiros anos na indústria do jogo e do turismo. Os turistas vinham maioritariamente de Hong Kong, sendo jogo o principal motivo da visita. Do estrangeiro, eram os japoneses que dominavam e era a história dos primeiros tempos do território que os atraía... 
Turistas do Canadá e Estados Unidos também visitavam  cidade, muitas vezes, aproveitando a escala em Hong Kong.  O Centro de Informação e Turismo funcionava no piso térreo do Palácio do Governo. Para além do Porto Interior, a nova porta de entrada em Macau funcionava então nos aterros do Porto Exterior, onde atracavam os novíssimos jatoplanadores e os hidroplanadores da empresa Shun Tak. O que também era novo em 1975 era a ponte Macau-Taipa, inaugurada em Outubro do ano anterior.
Roteiro da cidade em 1975
Other Macao Than Gambling
Macao (UPI) – An undistinguished granite table with four simple stools stands among the flowers, fountains and trees of Kun Iam Tong, the Temple of the Goddess of Mercy. These days it serves as a convenient resting spot for tired tourists. But on July 3, 1843, Chinese Viceroy Yi and U.S. Ambassador Caleb Cushing used the table to sign a friendship treaty opening formal relations between China and the United States. The table, moved to the temple in this Portuguese colony from the southern Chinese treaty town of Wanghia, has stood up well to decades of exposure but the “undying friendship” pledged in the document has died.
This is the “other Macao,” a century away in time but only a short walk past the famed gambling spots that many visitors never leave. Away from the tables, a visitor looking for an inexpensive vacation can trace moments in the histories of the many nations that left permanent marks on the landscape.
And Macao's secluded sandy beaches, winding streets, pastel homes and low price accommodations and food provide other discoveries. One pretty American student said that “vacationwise, I don't think you could have a cheaper eight days.” “We don't gamble, but we picnic, stay in a small inn with only 10 rooms, walk everywhere and get kicks taking pictures of Macao’s border crossing into China with cameras under our coats” despite the signs prohibiting photographs, she said. The 20-year-old visitor from California said she came to Macao with $100 and expects to leave with $20. Her “old but really charming inn” charged $6 a day and her meals cost $37. She admitted “I did drop one dollar in a slot machine.” Another college student from New Jersey said Buddhists monks allowed her to sleep in the monastery for free as long as she attended early morning services.
The Macao government is anxious for visitors to gamble, since the tables are the city's largest source of income, but it is just as concerned that Macao represent something more than an Asian Las Vegas.
Joao Reis*, the marketing director of the colony on the South China coast, said the government plays down gambling in its tourist publications “because it is always for visitors to see the ‘whole Macao.’” He said Macao leaves promotion of the casinos, dog races and jai alai pretty much to the Chinese syndicate that controls them. “We want the foreigner to absorb at least some of the history,” Reis said.
The government spends thousands of dollars yearly to maintain the historical monuments in top condition. All of the popular attractions are free.
Accommodations range from $10 a night for a double in a small inn to $42 in the most expensive hotel, but three meals can cost as little as $12 a day per couple at many small restaurants offering a variety of international menus. Visitors can easily hire an English-speaking tour driver for $3 an hour, but energetic travelers can rent a bicycle for 50 cents. The city bus costs a flat six cents a ride, and the 10-mile-square city can easily be seen on foot.
Just as Americans are drawn to the treaty table and the vast views of China, Japanese visitors are intrigued to learn that Macao served as a vital base for the introduction of Christianity to Japan. Japanese Christian artisans fled feudal persecution in the early 18th century to help build St. Paul’s Church, Macao's most famous land-mark. Designed by an Italian Jesuit, the church in 1835 caught fire during a typhoon, leaving only the front façade and stairs standing.
Macao, officially established as a Portuguese possession in 1557, soon became headquarters for a number of trading houses that virtually monopolized the Japan-China trade and trade between between both countries and Europe. But mud from the Pearl River silted up the harbor and Macao began to lose its wealth. The trade center moved to Hong Kong 45 miles away. At Fort Monte visitors can get an overall view of Macao and China. The ancient carved stones and cannon still remain, but the government has added a weather observatory.

Inaugurado em 1974 o Jai Alai era a grande novidade em 1975

Tradução/Adaptação
Macau Para Além do Jogo
MACAO (UPI) – Uma mesa de granito desinteressante com quatro bancos simples encontra-se entre as flores, fontes e árvores de Kun Iam Tong, o Templo da Deusa da Misericórdia. Hoje em dia, serve como um local de descanso para turistas cansados. Mas a 3 de Julho de 1843, o Vice-Rei chinês Yi e o Embaixador dos EUA Caleb Cushing usaram a mesa para assinar um tratado de amizade que inaugurou as relações formais entre a China e os Estados Unidos. A mesa, transferida para o templo nesta colónia portuguesa da cidade de Wanghia, no sul da China, resistiu bem a décadas de exposição, mas a “amizade indestrutível” prometida no documento morreu. Este é o “outro Macau”, um século atrás no tempo, mas apenas a uma curta caminhada dos famosos locais de jogo que muitos visitantes nunca abandonam. 
Longe das mesas, um visitante que procure férias baratas pode traçar momentos na história das muitas nações que deixaram marcas permanentes na paisagem. E as praias isoladas de Macau, as ruas sinuosas, as casas de cores pastel e os alojamentos e comida a preços baixos proporcionam outras descobertas. Uma jovem estudante americana disse que “em termos de férias, não creio que se consiga ter oito dias mais baratos.” “Não jogamos, mas fazemos piqueniques, ficamos numa pequena estalagem com apenas 10 quartos, andamos por todo o lado e divertimo-nos a tirar fotografias da fronteira de Macau com a China com máquinas fotográficas debaixo dos casacos”, apesar dos avisos que proíbem as fotografias, disse ela. A visitante de 20 anos da Califórnia disse que veio a Macau com 100 dólares e espera sair com 20. A sua “estalagem antiga, mas realmente encantadora” custa 6 dólares por dia e as suas refeições custavam 37 dólares. Ela admitiu: “Gastei um dólar numa slot machine.” Outra estudante universitária de Nova Jérsia disse que os monges budistas a deixaram dormir no mosteiro de graça, desde que ela assistisse aos serviços matinais.
O governo de Macau está ansioso por receber visitantes para jogar, uma vez que as mesas são a maior fonte de rendimento da cidade, mas está igualmente preocupado que Macau represente algo mais do que uma Las Vegas asiática.
João Reis*, funcionário do Centro de Informação e Turismo da colónia na costa sul da China, disse que o governo minimiza o jogo nas suas publicações turísticas “porque é sempre para os visitantes verem o ‘Macau na íntegra’”. Ele disse que Macau deixa a promoção dos casinos, corridas de cães e jai alai praticamente para o sindicato chinês que os controla. “Queremos que o estrangeiro absorva pelo menos um pouco da história”, disse Reis.
O governo gasta milhares de dólares anualmente para manter os monumentos históricos em perfeitas condições. Todas as atrações populares são gratuitas. 
Os alojamentos variam entre 10 dólares por noite por um quarto duplo numa pequena estalagem e 42 dólares no hotel mais caro, mas três refeições podem custar apenas 12 dólares por dia por casal em muitos pequenos restaurantes que oferecem uma variedade de menus internacionais. Os visitantes podem contratar facilmente um motorista turístico falante de inglês por 3 dólares à hora, mas os viajantes mais aventureiros podem alugar uma bicicleta por 50 cêntimos. O autocarro urbano custa seis cêntimos por viagem, e a cidade de 10 milhas quadradas pode ser facilmente percorrida a pé.
Assim como os americanos são atraídos pela mesa do tratado e pelas vastas vistas da China, os visitantes japoneses ficam intrigados ao saber que Macau serviu como uma base vital para a introdução do Cristianismo no Japão. Artesãos cristãos japoneses fugiram da perseguição feudal no início do século XVIII para ajudar a construir a Igreja de São Paulo, o monumento mais famoso de Macau. Projetada por um Jesuíta Italiano, a igreja foi incendiada em 1835 durante um tufão, deixando apenas a fachada frontal e as escadaria de pé.
Macau, oficialmente estabelecida como uma possessão portuguesa em 1557, tornou-se rapidamente sede de várias casas comerciais que praticamente monopolizaram o comércio Japão-China e o comércio entre ambos os países e a Europa. Mas o lodo do Rio das Pérolas assoreou o porto e Macau começou a perder a sua riqueza. O centro comercial mudou-se para Hong Kong, a 45 milhas de distância.
Na Fortaleza do Monte, os visitantes podem ter uma vista geral de Macau e da China. As antigas pedras esculpidas e canhões ainda permanecem, mas o governo instalou ali um observatório meteorológico.
Emissão de 1975


Nota: Em 1975 entre os hotéis do tipo ocidental contavam-se a Pousada Macau Inn, Vila Tai Yip, Bela Vista, Estoril, Lisboa, Sintra, Matsuya, etc... Do tipo chinês destacam-se o Kuok Chai e o Central, ambos na Av. de Almeida Ribeiro. Entre os casinos contavam-se o Lisboa, o Estoril, o Macau Palace (flutuante), etc... Mas o jogo não de limitava aos casinos da STDM, a concessionária em exclusivo desde os primeiros anos da década 1960. Havia ainda as casas de fantan e as apostas nas corridas de galgos no Canídromo ou nos jogos de pelota basca, a grande novidade do Jai Alai.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

"Smallest member of PATA"

Notícia publicada no "The Sydney Morning Herald" a 17.10.1966


MACAU
Smallest member of PATA* is Macau, the Portugese section of China which measures six square miles.
A hydrofoil and steamer service link Macau with Hong Kong, 40 miles away through Chinese territorial waters. Most visitors to Hong Kong include a call at Macau where the pace is slower and the Portuguese architecture has a special charm. Only 8,000 of Macau's 250,000 population are Europeans, the remainder are Chinese.
Main attractions are the legalised gambling at ornate casinos - including one floating casino - dog racing and an opportunity to see mainland China at the frontier post between the two territories.
The visitor to Macau can sample fine Portuguese wines and food and see such historical sights as the ornately carved Jesuit Basilica facade of Sao Paulo, elerected in the 17th century.

O membro de menor dimensão da PATA* é Macau, a parte portuguesa da China, com uma área de 15 quilómetros quadrados.
Um serviço de hydrofoil e navio a vapor liga Macau a Hong Kong, a 64 quilómetros de distância, através de águas territoriais chinesas. A maioria dos turistas que visitam Hong Kong inclui uma escala em Macau, onde o ritmo é mais lento e a arquitectura portuguesa tem um charme especial. Apenas 8.000 dos 250.000 habitantes de Macau são europeus, os restantes são chineses.
As principais atracções são os jogos de azar legalizados em casinos ornamentados – incluindo um casino flutuante –, as corridas de cães e a oportunidade de conhecer a China continental no posto fronteiriço entre os dois territórios.**
O visitante de Macau pode saborear vinhos e comidas portuguesas e ver pontos turísticos históricos como a fachada ornamentada da Basílica Jesuíta de São Paulo, erguida no século XVII.

*PATA significa Pacific Asia Travel Association.
** Porta(s) do Cerco