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quinta-feira, 9 de abril de 2026

"As Origens de Macau" / "The Origin of Macao"

A obra intitulada "As Origens de Macau" / "The Origin of Macao", escrita por W. Robert Usellis, representa um resgate historiográfico de grande relevância, tendo sido publicada pelo Museu Marítimo de Macau em Dezembro de 1994. Embora a edição bilingue date de meados da década de 90, o texto original foi concebido muito antes, em dezembro de 1958, como a tese de mestrado do autor na Universidade de Chicago. Durante 36 anos este estudo permaneceu inédito, circulando apenas de forma restrita através de fotocópias entre investigadores, até que académicos como Luís Filipe Barreto, Jorge Manuel dos Santos Alves e Rui Loureiro impulsionaram a sua publicação bilingue em português e inglês.
As circunstâncias da edição de 1994 prendem-se com a necessidade de consolidar a identidade de Macau num período de transição política, destacando a singularidade desta "comunidade autónoma luso-asiática". O mérito fundamental de Usellis, conforme sublinhado na nota introdutória, foi a sua metodologia pioneira: numa época em que os estudos eram muitas vezes unilaterais, o autor realizou um esforço sistemático de comparar fontes ocidentais e orientais, cruzando manuscritos e documentos impressos em português, chinês, italiano, espanhol, japonês e malaio. A estrutura do livro percorre desde a análise dos relatos da fundação até à complexa questão da soberania, incluindo apêndices valiosos como o acordo de Lionel de Sousa de 1553-54.
O corpo principal do estudo divide-se em quatro partes fundamentais: o Capítulo II analisa os relatos portugueses e de outros ocidentais sobre a fundação de Macau; o Capítulo III estabelece a comparação entre as fontes chinesas e as ocidentais; o Capítulo IV aborda a complexa questão da soberania sobre Macau; e o Capítulo V apresenta a Conclusão do autor.
A obra inclui ainda uma secção de Apêndices com documentos históricos essenciais: o primeiro traz o relato de Lionel de Sousa sobre o acordo de 1553-54; o segundo apresenta um relato antigo sobre a fundação de Macau; o terceiro detalha uma declaração primitiva da posição portuguesa em Macau; e o quarto oferece uma visão oficial da posição portuguesa no território.
O autor, W. Robert Usellis, teve uma trajectória de vida marcada pela experiência como soldado de infantaria na Segunda Guerra Mundial e por uma carreira dedicada ao ensino secundário e à administração internacional em países como o Líbano e a Arábia Saudita. No encerramento da obra, Usellis reflete com pragmatismo sobre a história de Macau, defendendo que o respeito mútuo entre as leis e costumes de chineses e portugueses permitiu uma coexistência pacífica que serve de lição para o futuro da região no contexto global.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Postal "Esculturas Contemporâneas": década 1990

Projectado pela artista Dorita Castel Branco (1936-1996), este "conjunto escultórico" foi inaugurado em  Dezembro de 1985. Consiste num paredão, no cimo do qual está um miradouro. O monumento de 300 metros de altura é composto por 6 muralhas com 12 lajes que constituem um enorme painel onde os altos-relevos temáticos abordam diferentes aspectos da vida quotidiana e costumes locais.

Postal de 9 de Outubro de 1999

"(...) a obra foi encomendada pelo Governador Almeida e Costa à escultora Dorita Castel Branco, para representar a amizade luso-chinesa. Macau vivia então um tempo de “vacas magras” pelo que os milhões gastos na encomenda criaram grande polémica, até porque para a acomodar, foi necessário destruir parte da colina até então verdejante. A “Tribuna”, então semanário, divulgou os primeiros desenhos da escultora, e o “Jornal de Macau” chamou-lhe “os calhaus da Taipa”, nome que ficou na comunidade portuguesa e fez com que estivesse abandonado durante alguns anos. Com a chegada do Governador Rocha Vieira, o monumento passou a ter destaque, através de uma iluminação adequada." 
Texto de José Rocha Dinis, director do JTM, num editorial de 23-02-2009
Foto de Lei U Veng

"As Esculturas de Relevo de Taipa, com autoria da escultora portuguesa Dorita Castel-Branco, foram inspiradas na Grande Muralha da China. Este monumento representa a vivência da população de Macau ao longo de cerca de quatro séculos e meio e os pontos de interesse do Território. Utilizando o jogo de luzes, a autora provoca uma sensação tridimensional."
Texto do ICM
 Postal de 1994 a partir de uma fotografia de Ho Kuok Man
A escultura na colina da ilha da Taipa, no final da ponte.

Texto de um roteiro turístico da década 1980:
"(...) O monumento em ziguezague consiste em seis trabalhos de alto-relevo. O mais alto é um astrolábio. A vida quotidiana, a indústria e os costumes de Macau são os temas principais desta obra escultórica. Vêem-se ainda representados em alto relevo os pontos históricos e turístico mais famosos e do leão de Macau: as Ruínas da Igreja de S. Paulo, o Casino do Hotel Lisboa e Monte da Guia. Faz ainda alusão aos meios de transporte mais utilizados antigamente em Macau, como os triciclos, os sampan, os juncos e os barcos de formato ocidental. Os elementos decorativos do monumento representam, para além da animação das festas tradicionais coma as danças do dragão e do leão e a queima de panchões, duas meninas com trajes tradicionais a dançar em frente do Templo de A Má, mostrando aspectos culturais e as festas que animam a população de Macau. Quanto ao Miradouro, dispõe de uma escadaria para subir até ao alto, donde se podia (na altura da inauguração) desfrutar uma panorâmica da península de Macau e era o local privilegiado para ver as duas pontes (então existentes) que fazem a ligação entre Macau e Taipa."

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Ano Novo Chinês na década 1990 por Vitor Cordeiro

Vitor Cordeiro trabalhou na Companhia de Electricidade de Macau (CEM) nas décadas de 1980/90. Nesses anos registou por diversas vezes imagens dos "momentos de vivência de espiritualidade" durante o Ano Novo Lunar nos templos de A Ma e Kun Iam Tong”. 
De um conjunto de fotografias feitas a preto e branco entre 1992 e 1999 concebeu uma exposição em 2014, a "Cultos, Templos, Ou Mun” de que na altura o blogue Macau Antigo deu notícia. Aqui ficam alguns desses registos.


Biografia
Vítor Cordeiro nasceu no Cadaval em 1953. Engenheiro electrotécnico, desde muito cedo manifestou interesse pela fotografia, mas foi a partir de 1983, altura em que se radica em Macau para exercer a sua actividade profissional, que passou a ter uma relação mais íntima com a objectiva. Sendo a Ásia uma área de interacção de diferentes culturas proporcionou-lhe um vasto e diversificado registo de imagens, levando-o a desenvolver ainda mais o gosto pela fotografia e entre 1992 e 1996 participa no curso de fotografia do Instituto Politécnico de Macau. Regressado a Portugal em 2000, embora rendido ao digital, mantém ainda o hábito de registar imagens em película a preto e branco, que trabalha num pequeno laboratório improvisado em sua casa.
Exposições e prémios
2º prémio no concurso de fotografia - Navio Escola Sagres (Macau) - 1984; Exposição colectiva (Macau)- 1996; Menções honrosas nos concursos da Junta de Turismo da Ericeira - 2001 a 2004; Exposição colectiva solidária (Cascais) – 2010, 2011, 2012, 2013, 2014. Exposições Individuais: Fotografia de Macau - Clube EDP (Lisboa) – 2009. Cultos, Templos, Ou Mun - Ano Novo Lunar em Macau na Delegação Económica e Comercial e Turismo de Macau (Lisboa) - 2010; Biblioteca Municipal do Cadaval; Festival Finisterra – Hotel Sana Sesimbra; Marshopping (Matosinhos), Palácio de Cristal (Coimbra) - 2012. Expressões Lorosae -Timor: Clube EDP (Lisboa); Clube TAP (Lisboa); Coop. Comunicação e Cultura (Torres Vedras) - 2010; Biblioteca Municipal do Cadaval; Palácio do Gelo (Viseu)- 2011; Elos Clube Lisboa e Maristas Carcavelos - 2012. A Música de Pragança: Junta de Freguesia de Lamas (Cadaval); Clube Pessoal EDP (Lisboa) –2011; Assembleia da República (Lisboa) e Pragança (Cadaval) - 2012.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Macau: A Última Transição – Vasco Rocha Vieira (1991-1999)

É apresentado hoje em Lisboa o livro "Macau: A Última Transição – Vasco Rocha Vieira (1991-1999)". Da autoria do historiador Alfredo Gomes Dias, a obra apresenta "as grandes linhas do pensamento e da acção do último Governador de Macau, o general Vasco Rocha Vieira".

Rocha Vieira no gabinete no Palácio do Governo
Foto de capa de Rui Ochoa

De acordo com a editora Guerra & Paz, o livro é "baseado nos documentos pessoais do general Rocha Vieira e nas conversas que o autor com ele manteve, esta obra reflecte o complexo processo de transição da administração de Macau de Portugal para a China, concluído com a cerimónia da transferência em 19 de Dezembro de 1999."
Na obra revela-se "a perspectiva do Governador de Macau sobre a sua acção política, quer nas diversas áreas da administração do território quer nas relações que manteve com os órgãos da República, em Lisboa, e com as autoridades chinesas."
"Macau: A Última Transição" é desde já uma fonte documental "essencial para todos aqueles que se queiram dedicar ao estudo dos últimos anos da presença portuguesa em Macau."

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Painéis de azulejo do Aeroporto Internacional

No ano em que se assinalam 30 anos sobre a inauguração do Aeroporto Internacional de Macau - 9 Novembro 1995 - foi inaugurada uma exposição sobre a criação do mural de painéis de azulejo pelo artista plástico português Eduardo Nery (1938-2013). 
O impressionante mural tem 210 metros de comprimento e 2,1 metros de altura. Os temas retratados incluem religiões e mitos portugueses e chineses, o significado histórico do mar na ligação entre Portugal e Macau, a ciência náutica, a aviação em Macau e aspectos da cultura portuguesa dos séculos XVI e XVII.
A mostra está patente no terminal de passageiros e "apresenta materiais preciosos do processo criativo" (...) "incluindo esboços, estudos de cor e projectos gráficos".
Eduardo Nery nasceu na Figueira da Foz em 1938. Trabalhou nas áreas da pintura, tapeçaria, vitral, mosaico e azulejo, entre outras. Desde a década de 60 realizou diversas intervenções em espaços arquitectónicos como os painéis de azulejo no viaduto do Campo Grande (Lisboa) ou os vitrais da capela de São José (Basílica de Fátima). Entre 1970 e 1972 leccionou as disciplinas de Desenho e Texturas no IADE (Instituto de Arte e Decoração).
Em 1973 integrou a primeira direção pedagógica do Centro de Arte e Comunicação Visual (Ar.Co). Ao longo da carreira foi premiado diversas vezes, incluindo um galardão atribuído na 1.ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea Europeia (Itália, 1975) e o Prémio Bordalo da Imprensa, na categoria de Artes Plásticas (1995).

Emissão filatélica "Azulejos em Macau": 1998

 Emitida e posta em circulação, a partir de 8 de Dezembro de 1998
Emissão extraordinária de selos designada "Azulejos em Macau" com as seguintes taxas:
$1,00 pataca $1,50 patacas $2,50 patacas $5,50 patacas Bloco com selo de $ 10,00. 
Os selos foram impressos em 475 000 folhas miniatura, das quais 118 750 foram mantidas completas para fins filatélicos.
自一九九八年十二月八日起,發
行並流通題為「瓷磚在澳門」

Sugestão de leitura: "Painel de Azulejo do Aeroporto Internacional de Macau"
(Catálogo de exposição) Missão de Macau, Lisboa, 1996

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Na Crista da Onda

"Na crista da onda" foi uma revista bimestral publicada pela Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses (organismo público criado em 1986 para organizar as celebrações dos 500 anos dos descobrimentos portugueses) que tinha edições focadas em temas históricos e culturais relacionados com Portugal, incluindo Macau.
Da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, em 1996 foi publicado o nº 12 "Macau" (24p.). Em Em 1999 foi publicado  (CCCM) "Macau e a China em Lisboa, Vamos ao Museu" (26 p.).

quinta-feira, 17 de abril de 2025

"Portos do Mar da China"

 Colecção de 6 postais editados pelo Museu Marítimo de Macau na década 1990

Os postais ilustrados reproduzem pinturas da segunda metade do século 19 - propriedade da Marinha Portuguesa - de Macau (2), Hong Kong (1), Cantão (1), Boca Tigre (1) e Xangai (1).
Porto Interior (em cima) e baía da Praia Grande (em baixo)
As pinturas fazem parte do vasto espólio do Museu de Marinha (Portugal)

domingo, 15 de setembro de 2024

Modelismo: táxi Toyota Crown 1998




Modelo de sucesso da marca de automóveis japonesa Toyota, o Crown circulou em Macau na versão táxi na década de 1990. Nas imagens um objecto de colecção para os amantes do modelismo (escala 1/43) produzido no âmbito da primeira séria da colecção Táxis do Mundo da Altaya.