quarta-feira, 9 de setembro de 2020

“Pirates in the Waters of Macao (1854-1935)”

A propósito do post de ontem, acrescento o essencial da informação em inglês e algumas das fotos em exposição (do Arquivo de Macau) bem como o cartaz da mostra e mais alguns links para outros posts já publicados sobre o tema.
Organised by the Archives of Macao, under the auspices of the Cultural Affairs Bureau, an exhibition entitled “Pirates in the Waters of Macao (1854-1935)” wil be on display until 31 January 2021, “presenting the phenomenon of piracy in the surrounding waters of Macao and the multiple meanings it had for Macao.” 
The exhibition features a selection of over 100 documents, maps and photographs from Macao Archives’ collection that addresses the issue of piracy in the Pearl River Delta, “thereby revealing the diversity and thematic amplitude of the documentation, as well as developing knowledge about the multiple meanings of the phenomenon of piracy for Macao in the second half of the 19th century to the first decades of the 20th century.”
Cartaz da exposição

Tam Kong Temple (Coloane)
Preparation to fight pirates
Pirates arrested after 1910 combats

 Military manouvres in Coloane
Gunboat "Macau" used in fights against pirates

terça-feira, 8 de setembro de 2020

"Piratas nos Mares de Macau (1854-1935)"

Macau tem patente uma exposição sobre piratas nos seus mares, uma história que remonta ao século XIX, contada com documentos na maioria dos casos escritos em português.
Durante uma visita guiada aos jornalistas, a diretora do Arquivo de Macau (AM), Lau Fong, contou que para além do fundo documental do AM, esta exposição 'Piratas nos Mares de Macau (1854-1935)' só foi possível ser feita através da consulta de jornais da época de língua portuguesa.
Pensa-se que em 1899 existiam cerca de 60.000 piratas nos mares circundantes de Macau, explicou.
O documento mais antigo é datado de 1844, em língua portuguesa, sobre "Ofícios dos comandantes da lancha Amazona, tenentes José Eduardo Scarnichia e João da Silva Carvalho tratando da "captura de piratas que infestavam o mar da China".
Durante a exposição é possível ler testemunhos de pescadores assaltados, cartas de 1920 do secretário do Governo de Macau, documentos de comissários da Polícia de Macau, como Daniel Francisco Júnior, em 1916, sobre o assalto de sete piratas a uma embarcação, cartas de resgates e várias histórias sobre a pirataria nos jornais portugueses da época.
"Roubo audacioso: Cerca das 20 horas de segunda-feira passada, um grupo de mais de dez piratas efetuou o seu desembarque no porto Interior e foi assaltar uma tenda de cambistas, estacionada à porta de uma farmácia chinesa, na Rua do Almirante Sérgio, tendo conseguido, sem dificuldade de maior, levar mais de mil patacas", pode ler-se num transcrito do jornal O Macaense, do dia 18 de julho de 1920.
Durante a visita, Lau Fong explicou ainda que dois acontecimentos, um em 1910 e outro em 1912 revelaram como Portugal e a China mantiveram o respeito pelos tratados assinados em torno da definição dos limites de Macau, através de uma expedição conjunta lusa-chinesa contra os piratas.
Em 1910, após um rapto de estudantes, as tropas portuguesas desembarcaram na ilha de Coloane. Registaram-se mortos dos dois lados, mas os portugueses conseguiram resgatar cerca de 26 crianças raptadas pelos piratas.
Em 1912, "depois de ações militares em Coloane [ilha de Macau], a atividade dos piratas continuou a fazer-se sentir em toda a região do Delta do Rio das Pérolas. Um ataque de piratas em ilhas próximas de Hong Kong desencadeou um conjunto de contactos entre governos de Cantão, Macau e Hong Kong, que culminaram com a realização de uma exposição militar de forças portuguesas e chinesas às ilhas da Montanha e D.João", pode ler-se numa das telas da exposição.
A exposição sobre os primórdios da pirataria em Macau estará patente até 31 de janeiro de 2021.
Agência Lusa: 26.8.2020
NOTA: sobre este tema sugiro um documento ainda mais antigo:

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Primeiras noções de hygiene: 1888

"Primeiras noções de hygiene postas ao alcance das crianças" por Madame Pape Carpantier 
para os alunos do grau elementar da Escola Central de Macau
 
Macau : Typographia Mercantil, 1888
Neste livro de 38 páginas estão resumidas algumas das 'lições' de Marie Pape-Carpantier (1815-1878). A par de Friederich Froebel, no século 19 ,esta francesa foi a educadora que revolucionou os métodos de ensino na escola primária sendo a sua obra traduzida para várias línguas.
Desta autora foi publicado no mesmo ano o livro "Primeiras Noções de História Natural postas ao alcance das crianças". 
Nesta época a Escola Central (fundada em 1883 pelo Leal Senado) ensinava apenas os rapazes. As raparigas frequentavam principalmente a Escola Santa Rosa de Lima. Na altura existiam inúmeras pequenas escolas que com o decorrer dos tempos foram sendo agrupadas. As várias escolas para meninas seriam agrupadas por volta de 1895.

domingo, 6 de setembro de 2020

Companhia de Electricidade de Macau: desde 1972

A Companhia de Electricidade de Macau (CEM) iniciou o serviço de produção, transporte distribuição e venda de energia eléctrica a Macau em 1972 (ainda em vigor), após o fim do contrato de concessão com a Macao Electric Lighting Company Ltd (MELCO) que tinha começado em 1906.
O capital social inicial foi de 20 milhões de patacas (de acordo como Boletim Oficial de 20.5.1972) e não 30 milhões como surge neste documento - num total de 200 mil acções no valor de 100 patacas cada. Estas acções foram integralmente subscritas mas o capital foi apenas realizado em apenas 40% pelo que pouco tempo depois - já previsto quando a Sociedade Anónima foi constituída a 10 de Maio de 1972 - foi feita uma subscrição pública para venda de 30 mil acções (imagens deste post).
Do grupo de primeiros accionistas fizeram parte:
STDM - 6 milhões de patacas
Governo de Macau - 3,1 milhões
Leal Senado - 2,3 milhões
BNU - 2,1 milhões
Yat Yuen (Canidromo) - 1 milhão
Soc. Pelota Basca - 1 milhão
Wo On - 1 milhão
Banco Tai Fung - 300 mil patacas
Câmara Municipal das Ilhas - 100 mil 
Caixa Económica Postal - 100 mil 

sábado, 5 de setembro de 2020

Exclusivo: Joaquim Manuel Cortêz


Joaquim Manuel Cortez, nasceu na freguesia de Vale de S. Tiago, Odemira, Beja, em 1880. Capitão reformado, era filho de Joaquim Inácio e de Maria Luísa.
Casou duas vezes. Primeiro em 1914, como atesta a foto com Beatriz Amália dos Santos Cortêz, e depois em 1940 na Sé, com D. Astéria Maria Francisca Machado de Mendonça (nascida na Sé - Macau - a 10.8.1905).
Joaquim Manuel Cortêz fez a comissão militar em Macau no início do século XX, território que escolheu para viver até à morte na década de 1950.
Agradecimentos: Natacha Madruga e Pedro Cortes

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Plan de la Ville de Macao et de Ses Environs aux Portugais: 1781



G. - Ville de Cazablanc / Casa Branca 
F. - Limitte des Europeens / Porta do Cerco
D. Fort de St. Jacques / Fortaleza da Guia
Plan de la Ville de Macao et de Ses Environs aux Portugais 
lever par Mr. Lafite de Brassier, Louis François Grégoir, ingr. des colonies, 1781
Mapa da cidade de Macau e seus arredores portugueses 
desenhada por Lafite de Brassier, engenheiro das colónias, 1781 (França)
Curiosidades neste mapa de origem francesa datado do final do século 18:
- Embora não surjam na legenda estão assinaladas várias ermidas/igrejas: Mater Dei, S. Lázaro, Penha, Guia, S. José, S. Lázaro, S. Domingos, S. Lourençp, St. Agostinho, etc...
- A Porta do Cerco - marcado como "Limite dos europeus" não surge desenhada, embora se veja um muro.

- A Cazablanc é a Casa Branca também conhecida como residência do mandarim, do Distrito de Xiangshan, responsável por Macau. 
No jornal O Panorama de 1839 pode ler-se: "A nossa soberania em Macáu não é plena mas dependente em certo modo do imperio chim por exemplo a cidade paga annualmente á fazenda imperial um feudo ou contribuição de certo numero de patacas a fórma externa dos edificios e das ruas não se altera sem intervenção e vistoria do mandarim da Casa branca que é o do districto Necessario nos é pois viver em boa harmonia com o governo chim e compor as cousas por meios de prudencia e com donativos porque na frase d um escriptor se hoje troasse a artilheria ámanhã sentiria Macáu os horrores da fome".
- Fortificações militares bem assinaladas incluindo os muros da chamada 'cidade cristã': Fort. do Monte, Penha, S. Francisco, S. Pedro, Santiago da Barra, Bom Parto, guia, etc.
- Inclui indicações naúticas, nomeadamente medidas da profundidade do leito do rio.

- Existe uma versão deste mapa ligeiramente diferente intitulada Plan de la ville de Macaô aux Portugais dans la province de Canton en Chine (imagem abaixo)
葡萄牙澳门城及其周边平面图
拉菲特在1781至1785年间绘制了三张大小形制相近的精美彩色手绘《葡萄牙澳门城及其周边平面图》,描绘了澳门半岛及对面山、十字门及内、外港东西两个方向的水道。对澳门的主要防御工事、城内的街道、建筑有较为详细的描绘,用水彩浓淡晕染绘出等高线来表现地形高低,并用十字符号标记出14所教堂的位置,对城外主要的沟渠、农田、华人村落也有较为细致的表现。地图下部还绘有从十字门海面远眺澳门城的生动景观—南湾之畔,楼屋鳞次栉比,城中旗帜飘扬,繁华的澳门港城一览无遗。

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

"Memoria sobre a franquia do porto de Macao"

A 20 de Novembro de 1845 Macau foi declarado porto franco por decreto publicado em Lisboa. Hong Kong acabara de nascer nessa condição e era preciso fazer face à 'concorrência'... 
Ainda neste ano o governador João Ferreira do Amaral é nomeado com a expressa missão de reforçar a soberania portuguesa e o território torna-se autónomo em relação à Índia de cujo governo dependia.
Nesta "Memoria sobre a franquia do porto de Macao", publicada 4 anos depois, em 1849, o autor, o cirurgião José António Maia, Lisboa, critica a decisão por Macau não ser "ponto de mercado".
Decreto que tornou Macau "porto franco":
Tendo pela abertura de alguns portos do imperio da China ao commercio e navegação de todas as nações cessado, as circumstancias excepcionaos que favoreciam o commercio da cidade do Santo Nome de Deos de Macáo, não obstante as restricções que nelle eram impostas, e tornando-se de rigorosa necessidade em vista da mudança de situação que para aquella cidade produziu aquelle acontecimento adoptar providencias, pelas quaes, modificando o systema restrictivo até agora seguido, e aproveitando-se a vantajosa posição geografica d'aquella cidade, se possa fomentar e desenvolver o seu commercio, 
Hei por bem, usando da auctorisação concedida pelo artigo 1 da carta de lei de dois de Maio de 1843, e tendo ouvido o conselho de ministros e o de estado decretar o seguinte:
Art. 1º - Os portos da cidade de Macao tanto o interno denominado do rio como os externos da Taipa e da Rada são declarados portos francos para o commercio de todas as nações e nelles serão admitidas o consummo, deposito e reexportação todas as mercadorias e gêneros de commercio seja qual fôr a sua natureza 
Art. 2º - Todos os generos e mercadorias importados nos ditos portos sob qualquer bandeira ficam absolutamente isentos de direitos de entrada passados trinta dias sobre a publicação deste decreto na cidade de Macao. (...)
Excertos:
Residimos em Macao por espaço de cinco annos e esta residencia não nos parece inteiramente inutil em vista do trabalho que em seguida apresentamos. Assistimos á abertura dos portos daquella cidade e presenciamos o que por então se discorreu àcerca desta medida governativa. De tudo formamos o nosso juiso o qual é como se acha desenvolvido nesta Memoria. Relativamente á sua doutrina apraz nos confessar que deligenciamos sempre aproximar nos da verdade. E quanto á dicção foi nosso constante empenho não ferir susceptibilidades individuaes. Se nem sempre o conseguimos deve isso attribuir se a erro d'entendimento e nunca a intenção premeditada porque não desejamos ofender pessoa alguma. Francamente o dizemos. Uma só idéa presidio a este nosso trabalho. Chamar a attenção do governo para sobre os interesses dos estabelecimento de Macáo. Oxalá que o consigamos. (...)
A população portuguexa não comprehendida à força militar consta de mil individuos brancos do sexo masculino, dois mil brancos do sexo feminino e mais mil cafres málaios e de outras castas a maior parte escravos um terço dos quaes é do sexo masculino. A riqueza dos portuguezes acha se quando muito nas mãos de cem pessoas. O resto dos individuos são parte padres parte empregados publicos parte empregados das casas do commercio principalmente estrangeiras, hoje em Hong Kong e Cantão, alguns calafates, outros marinheiros, e dois terços são miseraveis que vivem á mingua sem emprego nem prestimo. 
Consiste a riqueza de Macáo por aproximado em um milhão de patacas pertencentes a muitos cofres (cabido, orfãos, misericordia, freiras recolhidas e varias irmandades) e aos negociantes por quem é quasi toda administrada. Toda esta fortuna se emprega no trafico do opio, excepto uma pequena parte com que os armadores ajudam o carregamento de seus navios dando a a juros do mar aos chins carregadores. (...)
Outro genero de riqueza são as propriedades urbanas que constituem a cidade, o valor das quaes está orçado em treze milhões setecentas e cincoenta mil patacas. O seu valor tem decrescido muito depois da sahida dos inglezes para Hong kong e uma boa parte delas está sem inquilinos. A terceira riqueza material consiste enfim em nove navios da praça a maior parte em mau estado cujo porte é aproximadamente de duas mil toneladas avaliados em cincoenta mil patacas. (...)
A industria portugueza se exceptuarmos aquella que se refere ás riquezas já mencionadas é quasi nulla. Ha quando muito seis casas de agencia commercial, cincoenta padres, doze oficiaes do batalhão e alguns oficiaes inferiores e soldados filhos do paiz. Oitenta empregados publicos, alguns empregados das casas commerciaes portuguezas em numero de trinta, afóra uns oitenta que são tambem empregados nas casas estrangeiras em Hong kong e Cantão, alguns marinheiros e um pequeno numero de calafates. Alem do que fica dito ninguem se dá a oficios mecanicos. (...)
No que toca á politica os chins são independentes de nós os portuguezes mas nós não o  somos delles assim como o não somos tambem em quanto aos artigos de primeira necessidade. Não temos direito força para os obrigar ao pagamento de impostos, quer directos, quer indirectos, excepto na nossa alfandega, e posto que o seu governo nos não tenha onerado com impostos directos, abstrahindo o tributo de quinhentos taes, pode contudo faze-lo com os indirectos sobre todos os artigos de consummo. (...)
Se dois portos visinhos em condicções iguaes relativamente ao mercado abrirem franquia ao commercio é claro que o braço da balança commercial se manterá em equilibrio a respeito d ambos. Porém se em um d elles se dér o propriedade exclusiva do consummo o outro não terá importancia alguma. (...)







domingo, 30 de agosto de 2020

Pautas alfandegárias e taxas de consumo

"Pautas alfandegárias e taxas de consumo em relação aos produtos de Macau, aos metropolitanos e aos de outras Colónias" é o título do artigo da autoria de Américo Pacheco Jorge e Henrique Nolasco da Silva publicado no n.º 66-67, Agosto-Setembro, 1936 da "Portugal colonial: revista de propaganda e expansão colonial".

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

A expulsão dos jesuítas e a 'entrega' do Colégio de S. Paulo

O Colégio de S. Paulo de Macau foi criado em 1594 e encerrado em 1762, na sequência da  ordem de expulsão das ordens religiosas decretada em Portugal em 1759. O documento que a seguir transcrevo testemunha a "entrega" do colégio ao bispado e ao governo local. Nele ficamos a saber qual era o 'recheio' dos "32 cubículos". Mas antes, proponho um pequeno resumo de contexto.

Em 1759 por ordem do Marquês de Pombal (chefe de governo) decreta-se ilegal a Companhia de Jesus e seus missionários, considerados inimigos do rei que no seguinte ordena a expropriação dos bens patrimoniais da Companhia de Jesus em todo o país, nomeadamente igrejas, escolas e outros estabelecimentos de propagação da fé. 
A distância de Macau fez com que esta legislação só viesse a ser aplicada alguns anos depois.
A 2 de Abril de 1762, o Governador da índia, reenvia para Macau o decreto real dando ordem para confiscar o património da Companhia de Jesus em Macau, designadamente o Colégio de S. Paulo, o Seminário de S. José, a Igreja da Madre de Deus e o Cemitério. 
A 5 de Julho desse ano o governo de Macau mandou fechar o Colégio de S. Paulo e o Seminário de S. José, e manda prender os 24 jesuítas destas duas instituições que foram entregues à guarda do Geral da Ordem Dominicana e ao Geral da Ordem Franciscana em Macau. 
A 5 de Novembro partem na nau S. Luís, deportados, rumo a Lisboa onde ficariam presos na Torre de S. Julião da Barra
No final de Dezembro fez-se a entrega dos bens patrimoniais da Companhia de Jesus e foi a leilão parte das mobílias e vestimentas dos jesuítas. O governo de Macau decide ainda que o Colégio de S. Paulo passaria a ser administrado pelo Senado. 
Várias fontes indicam que muito material ficou ao abandono nos edifícios que viriam a arder em 1835.
Estampa publicada na Ilustração Luso-Brasileira em 1858
"Aos vinte e dois dias do mez de Dezembro de mil settecentos sesenta e dois annos n'esta cidade do S. Nome de Deus de Macao na China, no Colégio de S. Paulo da Provincia do Japão estando prezente o Juiz Ordinário e do Fisco Real António de Miranda e Souza e os Adjuntos António José da Costa e João Ribeiro Guimarães comigo Tabel.m adiante nomeado apareceo ali o Rmo. Dr. Provisor Vigário Geral Custodio Fernando Gil aquém o Dr. Juiz fez entrega do do. colégio pelo Exmo. e Revmo. Sr. Bispo Diocesano D. Bartolomeo Manuel Mendes dos Reis, o qual tem em si trinta e dois cubiculos, a saber: sette no corredor do corredor da Livraria, e seis no corredor da parte do Norte. Tem mais dentro dos d.os cubibulos sesenta e oito entrepaineis e estampas e desoito Mapas nos corredores. Tem mais trinta e duas cadeiras de braços antigas. Tem mais em hum cubiculo do Limbo duas Imagens de madeira da estatura de hum homem. Huma de Sto. Ignacio, outra de S. Francisco Savier e na portaria hum Santo Crucifixo. Têm mais nove Lampioens de Vidro verde. Tem mais quinze bancos de assentos compridos. Tem mais na horta da parte do campo cento e oitenta pedras lavradas. 

A Procuratura tem em si tres quartos, seu corredor e huma varanda com Cinco fasquias douradas; huma pouca de madeira velha; hum cubiculosinho, dois gudoens e vinte e oito entrepaineis e estampas. A Casa da dispensa com Sua varanda, e dois painéis. A Casa do Cofre e nove mappas. A casa dos estudos. Huma sala de Hospedes. E outra casa ao pé com o madeiramento velho da Igreja. A casa do Seminário com cinco cubiculos, seu gudão com madeiras velhas. A Casa de escola com seu Altra; tres painéis duas estampas seis bancos de Cúria, e huma banqueta. No cubiculo do Pe. Provincial tem hum crucifixo pequeno de bronze e duas Imagens de madeira pequeras. No Cubiculo quinto do corredor do côro tem hum Crucifixo de marfim, e huma Imagem de N. Senhora. Duas Campas, huma na Portaria, outra que tocava à Communidade. 
A casa do Refeitório tem tres painéis; cinco bancos e cinco taboas de meza seu Púlpito e um banco e uma taboa fóra. 
A Capella da Enfermaria com seu Altar e painel de N. Senhora, uma Sacrário dourado: sua banqueta: cálix e patena de Calaim: galhetas com seus pires, e hum purificador de Calaim: uma Caldeirinha com dois hyssopos de Calaim, duas Caixas de hóstias, doze laminas com seus vidros a saber: duas de Menino Jesus: huma de Santo Cristo, oura de S. José e outra de N. Senhora, e sete dos Stos. Apóstolos: hum registo de N. Senhora com seu vidro quebrado, Cinco paineisinhos da Sagrada Paixão aberta em marfim: quatro Imagens em pedra mármore de Sto. Ignacio, S. Francisco Xavier, S. Luiz Gonzaga e S. Estanislau; hum ramalhete de marfim esculpido e Imagem de N. Senhora da Conceição, seis pés de ramalhete de madeira; quatro pés de Cruz e hum de feitio de carangueijo; três pares de Castiçais de calaim; quatro Crucifixos; dois de marfim, hum de madeira e hum de cobre, uma estante, dois lavabos, huma Caixa de cheirão, que tem dentro huma caixa de Calaim de Santos óleos; huma campainha, duas pedras d'Ara, dois Missaes, um Ritual, duas laminas de cobre, que poem debaixo dos castiçaes, cinco toalhas, três frontaes, duas Casulas, hum Manipulo, três veoes de Cálix, duas bolsas com corporais, huma pala hum amicto, hum cordão, tres toalhas de mãoes, huma sobrepeliz com rendas e hum pano d'Altar. 
A Capela dos Estudantes tem seu Altar com o painel de N. Senhora, tres pares de ramalhetes, tres pares de Castiçaes, hum Crucifixo, hum Menino Deus de marfim, huma Imagem de S. José de pedra mármore com diademas de prata, mais hum par de ramalhetes, sete painéis, quatro registos, sette pés de ramalhetes, duas taboas d'Indulgencias e huma dos dias de Comunhão, hum caixão da Confraria de Sta. Cruz, e dentro tem tres bandeiras, hum Cálix com sua patena de Calaim, huma pedra d'Ara, uma bandeirinha, nove registos com suas fasquias, seis opas de Chumengue, e quatro da ganga e tres de lim, duas sobrepellizes; duas chitas velhas, huma Cruz de pau, duas Caixinhas e quatro mazes em sapecas, e de como todo o referido ficou entregue ao d° Revmo. Dor. Provisor e Vigário Geral, fiz este termo em fé do que se assignou aui e os ditos Juiz e Adjuntos comigo o Tabelião Alexandre Pereira de Campos que o escrevi - Alexandre Pr. de Campos - Custodio Fernado Gil"

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Green Island Cement

No dia 7 de Maio de 1886, celebrou-se um contrato entre o Seminário de S. José e Creasy Evens que estabeleceu, na Ilha Verde, a Green Island Cement Company Limited (falida em 1936). Quatro dias depois é concedida licença ao solicitador judicial de Hong Kong, Creasy Ewens, para o estabelecimento, na Ilha Verde, da referida fábrica.
Em 1889 celebra-se um contrato entre o Governo e a empresa para o aterro do Porto Interior.

Green Island Cement (GIC) is the oldest established cement company in Asia having first commenced business in Macau in May 11, 1886, when His Excellency Tomas de Sousa Rosa, Governor of the Province of Macau and Timor, granted a license to solicitor Creasy Ewens of Hong Kong to establish a cement factory in Ilha Verde, or Green Island.

The factory site was conveniently close to the Inner Harbor where barges brought in limestone from neighboring Kwantung Province and loaded cement for export to China.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Torre Prestamista na Taipa

 Torre prestamista no nº 1 da Travessa da Felicidade 
(cruzamento com a Rua Correia da Silva), na Taipa.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Bilhete Postal: 1892

Bilhete Postal destinado a Londres. Enviado de Macau a 27 de Agosto de 1892, dois dias depois passou por Hong Kong tendo chegado ao destino a 5 de Outubro desse ano.

domingo, 23 de agosto de 2020

"Lungshan" e "Heungshan"

Anúncio da década 1920
S.S. Heungshan - 2000 Tons.
Departures from Hong Kong to Macao on week days at about 2.30pm., and on Sundays at about 12:30 pm.
Departures from Macao to Hong Kong daily at about 8.30 am.
During the summer months the times of departure flutuate to suit the tide at Macao. 
See special time-tables issued by the Company. 

S.S. Lungshan - 220 Tons. 
Departures from Canton every Tuesday, Thursday, and Saturday, at about 7.30 am. 
Departures from Macao every Monday, Wednesday, and Friday, at about 7.30 am. 
N. B. Departure are subject to change and postponement. 

Further particulars regarding freight and passage may be obtained at the office of The Hong Kong, Canton & Macao Steamboat Co., Ltd., Hong Kong. 
Or of Mr. A. A. de Mello, Agents, Macao
Or of Messers. Deacon & Co. Agents, Canton



O anuncio refere as embarcações que faziam a ligação entre Macau e Hong Kong (Henungshan) e entre Macau e Cantão (Lungshan).

Foram vários os nomes das embarcações que ao longo dos anos faziam as ligações fluviais entre Macau, Hong Kong e Cantão. Na ligação a Cantão, por exemplo, também existiu nesta época o "Hoi Sang". O Lung Shan esteve activo nesta rota até 1937. O Heungshan esteve activo entre 1890 e 1927.
"Praya Grande S.S. Heungshan laeaving for Hongkong at 7.30 A.M. Macao"

sábado, 22 de agosto de 2020

Uniformes da Polícia Marítima: 1932



Vue génerale de Macao

 Edição de 6 de Fevereiro de 1858 da publicação francesa "L'Illustration - Journal Universel"
Vue génerale de Macao d'aprés un déssin envoyé par M. E. Roux