segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Passatempo: "8 anos - 80 livros"

Para assinalar os oito anos do blogue Macau Antigo, numa acção em parceria com o Turismo de Macau em Portugal, na semana de 12 a 16 de Dezembro, as primeiras 10 pessoas que se dirigirem à Livraria do Turismo de Macau em Lisboa, recebem de oferta um livro mediante os títulos disponíveis: oferta de 10 livros por dia num total de 50 livros.
Serão ainda oferecidos pelo autor 30 exemplares do livro “Liceu de Macau 1893-1999” aos primeiros 30 leitores que enviarem um e-mail com uma frase sobre o projecto para: macauantigo@gmail.com até 10 de Dezembro de 2016.
Livraria do Centro de Promoção e Informação Turística de Macau - Av. 5 de Outubro, 115 r/c - Lisboa - Horário: 2ª a 5ª feira, das 10h às 18h30; 6ª feira, das 10h às 18h15

sábado, 3 de dezembro de 2016

O daguerreótipo

O daguerreótipo, primeiro passo para a fotografia, foi um processo fotográfico desenvolvido por Louis Daguerre em 1837. Poucos anos depois a novidade tecnológica chegava a Macau. 
Primeiro através de Jules Itier, em 1844, e depois por nomes como George R. West, Louis Legrand e Cesar Von Duben, autênticos daguerreótipistas itinerantes.
Este post é ilustrado com alguns dos daguerreótipos feitos em 1844 em Macau por Jules Itier.
Deixou ainda para a posteridade um diário da sua viagem pela China "Journal d’un voyage en Chine en 1843, 1844, 1845, 1846" editado em Paris em 1848 com um total de 3 volumes.
Jules chega a Macau a 13 de Agosto de 1844 e por ali fica até ao início de Setembro, seguindo depois para a China, mas haveria de regressar.
13 Agosto
"L'ancre tombe nous sommes devant Macao et à quatre encablures de nous se balance la frégate la Cléopâtre montée par le commandant Cécille."
15 Agosto
"Il est onze heures la flottille des canots s'ébranle; nous allons donc enfin fouler cette terre de Chine! la population se presse sur le quai de Praja-Grande où l ambassade française va prendre terre. Son chef aurait bien pu poser sur la rive chinoise son pied gauche le premier mais les dieux de la Chine n'ont pas permis cette calamité et c'est le pied droit en avant qu il a débarqué. Plusieurs Chinois spécialement chargés de recueillir ce présage ont constaté le fait le succès de notre entreprise est désormais assuré à leurs yeux .A quoi tiennent pourtant les plus grandes choses."
A 20 de Julho de 1845 (no 3º Volume), na segunda passagem por Macau, Jules Itier escreve no diário:
"J'ai loué à raison de 25 piastres par mois 140 fr l' ancienne factorerie française de Macao qu habitait autrefois M de Guignes l'auteur du grand Dictionnaire chinois édité sous les auspices de Napoléon. Me voici installé dans cette charmante demeure pleine encore des souvenirs de la France. Je dispose de vingt chambres j ai des jardins immenses des terrasses une vue délicieuse sur le port intérieur et le quartier Chinois."

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Wartime Macau: under the japanese shadow


"Wartime Macau: Under the Japanese Shadow" é o mais recente título da Hong Kong University Press e será apresentado esta sexta-feira, dia 2 de Dezembro, às 18:30 na Livraria Portuguesa, em Macau com a presença de alguns dos colaboradores na obra, incluindo o autor do blogue Macau Antigo.
Na sequência da edição do livro “Macau 1937-1945: os anos da Guerra”, em 2012, da autoria de João F. O. Botas, o professor Geoffrey C. Gunn, desafiou vários investigadores a colaborarem na edição de uma obra, escrita em inglês, que abordasse os diversos aspectos das consequências em Macau da segunda guerra mundial (segunda guerra-sino japonesa e guerra do pacífico) período do domínio militar japonês na região.
O livro teve a coordenação de Geoffrey C. Gunn e conta com a participação de João F. O. Botas, Roy Eric Xavier e Stuart Braga.
It has intrigued many that, unlike Hong Kong, Macau avoided direct Japanese wartime occupation albeit being caught up in the vortex of the wider global conflict. Geoffrey Gunn and an international group of contributors come together in Wartime Macau: Under the Japanese Shadow to investigate how Macau escaped the fate of direct Japanese invasion and occupation. Exploring the broader diplomatic and strategic issues during that era, this volume reveals that the occupation of Macau was not in Japan’s best interest because the Portuguese administration in Macau posed no threat to Japan’s control over the China coast and acted as a listening post to monitor Allied activities.
Drawing upon archival materials in English, Japanese, Portuguese, and other languages, the contributors explain how, under the high duress of Japanese military agencies, the Portuguese administration coped with a tripling of its population and issues such as currency, food supply, disease, and survival. This volume presents contrasting views on wartime governance and shows how the different levels of Macau society survived the war.

Reviews:
“Wartime Macau deals with a fascinating and woefully understudied topic. The essays collected here show that there was no singular experience of World War II in Macau; how one experienced the war depended on a complex calculus of ethnicity, class, and connections. And yet, taken together, these experiences shaped the trajectory of the city’s political and social development for decades to come.”
Cathryn H. Clayton, University of Hawai‘i at Mānoa

“This book represents a real breakthrough. Previous English-language accounts of Macau during the World War II have focused largely on the activities of the British in this neutral ‘Casablanca’. Drawing extensively on Portuguese, Japanese, and local Macanese sources, Geoffrey Gunn and his team have assembled a far broader picture, revealing the dilemmas and choices of Portugal’s beleaguered colonial government and placing Macau in a geopolitical context that stretched from the Azores to Australia.”
Philip Snow, author of The Fall of Hong Kong

Typographia de Manuel Cordova

Em 1853 o "Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor" era impresso na Typographia de Manuel Cordova" localizada no nº 53 no "Baixo do Monte".
Esta zona é nada mais nada menos que o sopé da colina do monte, onde ficava a fortaleza com o mesmo nome. Para saber mais sobre as origens do Boletim clicar aqui.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Espectáculo de aeróstato em 1892

Em Novembro de 1892 o jornal O Independente publicava uma notícia onde se informava que no mês seguinte Macau iria assistir a um espectáculo único: a ascensão às 9 horas da noite de um aeróstato (balão) à altura de sete mil pés. O aeróstato do mexicano Leo Hernandez denominava-se Telegraph, tinha 150 pés de largura e 75 pés de altura e era iluminado por 500 luzes.
O local do feito - um marco na história da aviação em Macau - corresponde à actual zona do ténis civil na av. da República e mereceu mais duas referências em posteriores edições do jornal:
24 Dezembro 1892
“Realizou-se na tarde de segunda-feira última a ascensão aeronáutica do sr. Leo Hernandez, partindo do campo do Lawn Tennis. O aerostato elevou-se a uma altura considerável e tinha percorrido no sentido horizontal uma grande distância quando se viu desprender-se dele o pára-quedas com o auxílio do qual desceu o aeronauto, vindo a cair no mar em frente da vertente sueste da montanha da Guia, com espanto dos que presenciavam a queda. Leo Hernandez dirigiu-se em seguida a nado até uma das lanchas que estavam naquele sítio e que o recolheram, tanto a ele como ao pára-quedas e ao balão. Foi escassa a concorrência dos espectadores no local da ascensão; mas os montes vizinhos viam-se apinhados de curiosos, que não se arrependeram de ali terem ido assistir ao espectáculo.“
31 Dezembro 1892
“Fez no último sábado a sua ascensão; mas desta vez não lhe foi possível abrir de todo o pára-quedas, vendo-se obrigado a descer com o balão. O pior é que o sr. Hernandez por duas vezes expôs em Macau a sua vida sem que levasse consigo um avo, tendo gasto nesta cidade todo o produto dos espectáculos.“
Esta proeza tinha sido demonstrada pouco tempo antes, em Hong Kong. O jornal The Hongkong Telegraph inclui na edição de 10 de Novembro de 1892 o seguinte anúncio (imagem ao lado): 
"Leo Mexican Bill Hernandez, acrobat and aeronaut, would ascend from the West Point Praya. Then from the trapeze platform of his brilliantly illuminated balloon Mexican Bill would fire signal rockets from amid the clouds. The climax of his show had him floating to the ground on a fiery parachute – advertised as a stunt never done before. The cost to the Inner Enclosure was $HK1; Outer Enclosure.50 cents; soldiers, sailors and children half price. With the 9pm deadline approaching gate receipts exceeded $HK100"

Nota 1: Em Dezembro de 1890 Leo fez uma demonstração semelhante na Austrália.

Nota 2: O início da história da aviação em Hong Kong e Macau tem como primeiro marco um evento realizado a 3 de Janeiro de 1891, no campo de corridas de cavalos em Happy Valley. Na altura dois norte-americanos, Thomas Baldwin e o seu irmão mais novo, William Ivy, realizaram uma subida em balão descendo depois em pára-quedas. O evento foi um sucesso e seria repetido em Macau pouco tempo depois.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Carreiras de helicópteros: 1990

O transporte de passageiros em helicópteros entre Macau e Hong Kong, o primeiro serviço Internacional deste meio aéreo na Ásia foi inaugurado em Novembro de 1990.
Na cerimónia estiveram presentes o Encarregado do Governo, Murteira Nabo, o director da agência noticiosa “Nova China” em Macau, Guo Dong Po, e o co-proprietário das “Linhas Aéreas Ásia Oriental”, Stanley Ho, que sobrevoaram o Território num dos helicópteros. Murteira Nabo considerou que o novo serviço entre Macau e Hong Kong contribuirá para facilitar o acesso ao Território e para o seu desenvolvimento económico.
O director das “Linhas Aéreas Ásia Oriental”, David Hill adiantou que os voos entre os heliportos das duas cidades – situados nos terminais de jactoplanadores de Macau e Hong Kong – serão diários, e apenas interrompidos ao sinal de tufão número três.
Os dois helicópteros “Bell 222” que ligam Macau à colónia britânica, inicialmente com seis voos diários de 2O minutos, estão pintados com as cores da bandeira portuguesa e têm oito lugares cada.
NA: escrito a partir de uma notícia do JTM

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Uma feira... há 90 anos

Por estes dias, há 90 anos, Macau organizava a primeira Feira Industrial do território. O certame decorreu de 7 de Novembro a 12 de Dezembro e foi considerada um sucesso.
Durou 36 dias a feira localizada na zona de Mong Há foi visitada por cerca de 300 mil pessoas que puderam ver 60 pavilhões e inúmeros espaços de diversão. 
Cada bilhete de entrada no recinto custava cinco avos e, segundo relatos da época, só no dia da inauguração foram vendidos 12 mil ingressos.

domingo, 20 de novembro de 2016

GPM 1986: portugueses em duas rodas

Em 1986 Eddy Joe Domingues e Pedro Baptista foram os primeiros portugueses a participar na prova de motos do GPM (que este ano celebrou o 50º aniversário). 
Eddy (de quem são as fotos) correu numa Suzuki GSXR 1100 (standard) numa prova em que Ron Haslam numa Honda 500 foi o vencedor. Ron já tinha vencido em 1981, 1982, 1983 e 1985... e voltaria a ganhar em 1987.

 Eddy recebe indicações de Mike Trimby sob o olhar atento de Dantas Guimarães.

Na edição deste ano (2016) dois pilotos portugueses estiveram ao mais alto nível ao vencerem duas das provas mais importantes.
António Félix da Costa, em Dallara Volkswagen, venceu a prova de Fórmula 3, repetindo a vitória de 2012. 
Tiago Monteiro, em Honda, venceu a Corrida da Guia (prova que conta para o campeonato WTCC) e foi mesmo o primeiro piloto português a conseguir tal proeza desde que a prova se realizou pela primeira vez em 1972. 
A edição 63ª do Grande Prémio Macau fica assim marcada pelo triunfo de dois portugueses que subiram à parte mais alta do pódio, para gáudio dos fãs e dos muitos cidadãos portugueses que assistiram à prova e no final, durante a cerimónio de consagração, puderam ver subir a bandeira do país ao som do hino "A Portuguesa". 
Criado em 1954, o GPM é actualmente um dos principais cartazes turísticos do território.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Sua Exª o Governador e Sua Ex.ma. Esposa...

"Gabinete de Sua Exª o Govrnador. Sua Exª o Governador e Sua Ex.ma. Esposa recebem, no Palácio, aos Sábados, das 16 às 18 horas, as pessoas que desejem visita-los".
Anúncio publicado na "Parte Não Oficial" do Boletim Oficial de 12 de Outubro de 1918, data em que o governador Artur Tamagnini Barbosa (no primeiro mandato) e a esposa Maria Anna Acciaioli chegaram a Macau.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Ron Haslam: the "Rocket"

Nascido em 1956 o piloto britânico Ron Haslam começou a correr em 1972 com apenas 15 anos e estreou-se nas provas de Grande Prémio em 1977. 
Foi campeão mundo três vezes, campeão de Inglaterra por quatro vezes e participou em mais de uma centena de provas de Grande Prémio.
Correu seis vezes em Macau e ganhou sempre: 
1981, 1982, 1983, 1985, 1986, e 1987... 
e sempre ao volante de uma Honda.
Lendo do motociclismo faz parte do quadro de honra do Grande Prémio de Macau.
Na estreia em Macau pilotou uma Honda RS1123, com um motor de 4 tempos, o primeiro a vencer aquela prova. 
Repetiria este modelo no ano seguinte em 1982. Em 1983 usou uma Honda NS500, em 1985 uma honda RS500, em 1986 uma Honda Elf 500 e em 1987, uma Roc Elf Honda 4.

Em 2005, Michael Rutter igualou o recorde de Ron Haslam, até então o único piloto a conseguir vencer por seis vezes a principal corrida de motos do Grande Prémio de Macau. Rutter viria a quebrar o recorde ao alcançar a sétima vitória em 2011. Actualmente já tem oito.
O GP de motos assinala este ano o 50º aniversário. Para celebrar do acontecimento a organização efectuará várias actividades: lançamento do selo comemorativo, versão comemorativa do Macau Pass, séries de produtos criativos locais, e os pilotos vencedores de moto de edições passadas no circuito de Guia, também irão estar presentes em Macau. Várias motas clássicas, irão igualmente participar no dia 19 no passeio da parte da tarde. Os pilotos Michael Rutter e Mick Grant são algumas das presenças confirmadas.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Annuncio: Precisa-se enfermeiro (1867)


ANNUNCIO PRECISA-SE de um 2º enfermeiro para o hospital de S. Raphael, que tem de vencimento $14 mensaes, e casas para morar: quem pretender o lugar, tendo as necessárias habilitações dirija-se a commissão administrativa da santa casa da mizericordia. Macau cartório da santa casa 22 de abril de 1867 
JOSÉ DA SILVA Membro e Secretario da Commissão 
Nota: o hospital era pertença da Santa Casa da Misericórdia de Macau

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Mike Trimby: o recordista

(...) Mal sabia Mike Trimby que um pequeno anúncio, publicado em 1978 no jornal britânico Motor Cycle News, à procura de concorrentes para o Grande Prémio de Motos de Macau, seria o ponto de partida para a viagem regular, nos 27 anos seguintes, até ao pequeno território do Oriente. Em Junho desse ano, Trimby, que corria então em eventos britânicos e europeus com uma Yamaha750TZ, conheceu o falecido Fred Merrill na Ilha de Man, onde a mãe deste vivia, durante as corridas TT. A Associação de Automobilismo de Hong Kong (HKAA) dava então apoio a Macau para trazer concorrentes do estrangeiro até ao evento, mas, em anos anteriores, tinham tido alguns problemas.
Trimby, também ele um corredor de motas, com muitos contactos e já alguma experiência como agente para a corrida de Daytona 200 nos EUA, ofereceu-se para reunir um conjunto de participantes para as corridas de Macau, com a condição de ser ele próprio um deles.
Trimby partiu para a aventura em 1978, com um grupo de cerca de 20 pessoas, incluíndo pilotos, mecânicos e amigos. A organização não tinha Trimby em grande conta como concorrente, mas ele acabou por ter a última palavra… Quando Mick Grant, o vencedor do ano anterior, parou com problemas no motor da sua Kawasaki 750, Trimby passou para quarto concluíndo a prova em terceiro, atrás do japonês Sadeo Asami, com uma Yamaha de fábrica, e de Steve Parrish, com uma Yamaha 750. A corrida tinha, então, 25 voltas e ele e os dois adversários da frente foram os únicos a terminar na mesma volta.
Face aos resultados, a organização ficou tão satisfeita com o seu trabalho que o convidou a prosseguir no ano seguinte.
Em 1979, ele trouxe mais nomes sonantes - os holandeses Boet Van Dunem e Jack Middelburg e o neo-zelandês Graeme Crosby, que se juntaram ao grupo britânico para a corrida, que passou a ter duas mangas com 15 voltas cada, a partir desse ano.
Asami ganhou as duas mangas, seguido, na primeira, por Crosby (Kawasaki 750) e Charlie Williams (Suzuki 500), e, na segunda, por Seteve Parrish (Suzuki 680) e Bernard Murray (Yamaha 750). Trimby não foi além da sétima posição na primeira manga tendo de desistir na segunda, naquela que foi a sua última participação, como concorrente, em corridas de motos. Trimby manteve-se como agente da HKAA até 1983, quando o governo de Macau assumiu a responsabilidade directa da vinda de concorrentes para o evento oferecendo a Trimby um contrato para compor a lista de inscrições estrangeiras, que acabou por incluir 24 pilotos da Europa e dos EUA.
Os laços então firmados mantiveram-se até hoje. Assim, Trimby virá este ano a Macau pela 27ª. vez consecutiva, sempre como responsável pela composição da maior parte da lista dos concorrentes do grande evento de motociclismo do território. Da festa a vinte em 1978, o grupo actual inclui cerca de 120 pessoas, entre concorrentes, pessoal das equipas, jornalistas e responsáveis vindos de todo o mundo para a prova de Macau.
Ao longo dos anos, Trimby trouxe muitas estrelas de Grande Prémio e Superbikes até ao Circuito da Guia, tais como os campeões mundiais Kevin Schwantz e Wayne Gardner, o detentor do título mundial de Superbike, Carl Fogarty, e muitos outros, designadamente o lendário Ron Haslam (ainda titular do recorde de seis vitórias em Macau), o falecido Joey Dunlop e James Whitham.
Macau apresenta todos os anos o melhor conjunto de especialistas de qualquer circuito de estrada do mundo, graças especialmente ao esforço deste inglês e às características únicas do evento.A atitude em Macau difere das que vêem nos pilotos um mal necessário com o qual têm de lidar só para competirem nas suas corridas e, por isso, a organização consegue preencher uma lista de inscrições de alta qualidade.
Em 1982, pilotos do campeonato mundial de 500cc abordaram Trimby para os ajudar nas negociações com as associações nacionais, a Federação Internacional de Motociclismo (FIM) e os organizadores de Grandes Prémios sobre questões de segurança, prémios monetários, facilidades dos circuitos, etc.
Trimby desempenhou o seu papel até 1986, quando as principais equipas se juntaram para formar a Associação Internacional de Equipas de Corridas de Estrada (IRTA), designando-o como Secretário-Geral, um cargo que conjuga a defesa de interesses dos pilotos e das equipas. Desde Julho de 1982 até hoje, Trimby tem acompanhado, assumindo os dois papéis, todos os Grandes Prémios internacionais de motos, ou seja, um total de 318 eventos consecutivos.
A pergunta é: poderá alguém bater o seu registo de 27 Grandes Prémios de Motos de Macau? Mike tem estado presente em todos os GP de Motos internacionais desde 1982, ou seja, um número impressionante de 318 eventos consecutivos.
Artigo de 2007 no site do GPM 
 
Nota: Trimby (ao lado na imagem) continuou ligado ao GPM até 2011, ano em que chegou ao fim uma relação de 34 anos.

sábado, 12 de novembro de 2016

GPM 1956: o triunfo de Doug Steane

Há 60 anos, aconteceu em Macau a edição número 3 do GPM. Foi no fim-de-semana de 3 e 4 de Novembro de 1956 sendo novidade a bancada central construída em betão que englobava 10 “boxes” e uma lotação para 300 pessoas.
Na prova rainha estavam inscritos 18 automóveis. Da lista de participantes destacavam-se Mário Lopes da Costa no Ferrari 500 Mondial #0528MD, Douglas Steane num Mercedes 190 SLW 121, Robert Ritchie num Austin Healey M, G. Baker num Triumph TR2, N. Fullford com um Warrior-Bristol, Fernando Macedo Pinto com um MG A, Teddy Yip com um Jaguar XK 120 e Eduardo Noronha com um Fencar Special, entre outros.
Perante cerca de 50 mil pessoas, os pilotos fizeram 77 voltas ao Circuito da Guia num total de 483,175Km sendo a parte final da corrida disputada à chuva. 
A versão de competição do modelo de 1955, o 190 SL Roadster, denominava-se W121.
Douglas ao volante do modelo icónico da marca alemã, o 190 SL, frente ao stand da Mercedes -Benz em Hong Kong.Tinha105 CV de potência e 4 cilindros. Foi produzido entre 1955 e 1963. Quase metade das 25.881 unidades produzidas foram vendias nos EUA.
Curiosidade: Há bem pouco tempo colaborou na construção de uma réplica do automóvel com que correu em Macau.
 

Douglas Steane (número 6), piloto de Hong Kong, seria o vencedor no tempo de 5 horas, 24', 18,8'' a uma média de 90 Km/h. Lopes da Costa, no Ferrari vermelho, foi segundo a duas voltas do piloto do Mercedes. Em terceiro lugar terminou o MG A de Fernando Macedo Pinto.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

“Macau GP Legends” por João Saldanha

“O automóvel é o meu objecto de trabalho e a competição sempre me atraiu desde os tempos em que assistia à Fórmula 1 no Estoril. O Grande Prémio de Macau é um expoente de movimento, vibração, velocidade, barulho e a sua história desafiou-me a tentar captar na tela todo esse colorido da prova automobilística mais importante da Ásia”.
É com estas palavras que João Saldanha apresenta este mês a sua primeira exposição individual em Macau, na Galeria da Fundação Rui Cunha. A mostra inédita reúne um conjunto de onze pinturas originais, em acrílico sobre tela, da autoria do artista português nascido em Lisboa.
“Macau GP Legends” pretende ilustrar alguns dos mais importantes momentos desportivos desta mítica competição, abrangendo 60 anos de vitórias: desde Eduardo de Carvalho num Triumph TR2 no 1º GPM, até António Félix da Costa, em 2012, ao volante de um F3. Ayrton Senna, vencedor em 1983, também faz parte desta galeria de verdadeiras lendas. As onze telas representam as três categorias da prova: Fórmulas, Turismos e ainda Motas.
A exposição vai estar patente na Galeria da Fundação Rui Cunha de 15 a 20 de Novembro.
 Viagem a 1954 e à vitória de Eduardo Carvalho pelas mãos do artista João Saldanha
Jacky Ickx na "Corrida dos Gigantes" em 1978
 Ayrton Senna em 1983
 Arsénio Laurel (década 1960), outra lenda do Circuito da Guia

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

"Pole Position"

Novembro é por tradição o mês do Grande Prémio de Macau (realizado pela primeira vez em 1954) e, tal como em anos anteriores, aqui pelo blogue vou dar especial atenção ao evento. 
Já no início do mês tinha publicado um post, agora surge mais um, e até ao final de Novembro, publicarei outros.
"Pole Position" é o nome de uma iniciativa da Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Circuito da Guia de Macau. 
Trata-se de uma mostra de fotografias e pinturas de José L. R. Estorninho sobre o Grande Prémio de Macau, evento a que se dedica há várias décadas.
Este projecto é uma parceria com o Instituto Cultural de Macau, Instituto do Desporto e Direcçāo dos Serviços de Turismo e vai estar patente ao público de 18 a 24 de Novembro no L3 Circle Hall do Hotel Venetian, na Taipa.
A 'paixão' de Estorninho é antiga, como se pode perceber neste pequeno excerto de uma entrevista a Hélder Fernando publicado no Jornal Tribuna de Macau a 9.10.2014.
"Mais de um mês antes do Grande Prémio já eu, muito miúdo, andava entusiasmado. Logo que divulgavam a lista dos participantes, decorava os nomes. O meu pai já tinha na mão o programa oficial das corridas. Os jornais de língua inglesa de Hong Kong, forneciam todos pormenores, eu apontava aquilo tudo, ia vivendo antecipadamente as emoções do GP. Quando finalmente chegava a data e os carros e pilotos passavam à nossa porta, já sabia os nomes, as marcas, tudo estava na minha cabeça". 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Macau na obra de Edward Ashworth (1814-1896)

Edward Ashworth (1814-1896) foi um conceituado pintor e arquitecto nascido em Inglaterra em 1814. Notabilizou-se pela concepção de diversas igrejas: Cullompton, Dulverton, Bideford, Lympstone, etc...
Entre 1842 (com 28 anos) e 1846 viajou até à Ásia passando pela Nova Zelândia e Austrália. No troço entre Sydney e a China, no regresso a Inglaterra, passou por Macau, Hong Kong e Cantão.
A visita a Macau ocorreu em Maio de 1844 tendo Edward vivido em Hong Kong cerca de dois anos. Na sequência dessa viagem, já em Inglaterra, escreveu a obra "Chinese Architecture" em 1851 onde podem ser encontradas dezenas de aguarelas.
Ashworth escreveu ainda um artigo intitulado "How Chinese Workmen Built and English House," e que foi publicado na The Builder, a 1 de Novembro de 1857. É que ele não se limitou a pintar paisagens. Também registou ao detalhe todos os aspectos da arquitectura chinesa.
Thomas Richards também lhe dedicaria um extenso artigo na Architectural Publications Society, em Londres, em Fevereiro de 1853. Nele pode ler-se:"Mr. Edward Ashworth, architect, of Exeter," who, "having been resident in China for nearly two years, has supplied from his note-book the original and chief portion of this paper, with the accompanying illustrations."
Recentemente a empresa australiana Hordern House editou um catálogo - Edward Ashworth: Hong Kong & Macau - que reúne 14 trabalhos (aquarelas) de Edward Ashworth feitos naquelas duas colónias europeias em meados do século 19, logo após a primeira guerra do ópio. Algumas das obras tinham sido impressas pela primeira vez em 1851.

Os registos incluídos neste catálogo não foram os únicos que Edward fez em Macau. Existem mais. Por exemplo, esta vista panorâmica da baía da Praia Grande em 1844 (imagem abaixo), e ainda o Templo de Tou Tei, no Patane (assinalado em baixo).

Marciano Baptista e George Chinnery são outros dos pintores que à época estavam em Macau.

domingo, 6 de novembro de 2016

Postal máximo "Localização Geográfica": 1982

Um exemplo de uma série de postais máximos "Localização Geográfica" publicados em Dezembro de 1982. 
Postal máximo ou máximo postal é uma peça filatélica constituída por três elementos, em que todos eles se referem ao motivo do selo aposto no cartão. A saber: cartão-postal, selo e carimbo.

sábado, 5 de novembro de 2016

Henrique Novais Ferreira

Morreu esta semana, aos 94 anos, Henrique Novais Ferreira. Engenheiro civil de profissão, viveu no território mais de 25 anos. Em 2014 foi agraciado com a comenda da Ordem do Mérito da República Portuguesa, entregue pelo Cônsul Geral de Portugal em Macau e Hong Kong.
Artigo da agência Lusa em 2013
Henrique Novais Ferreira nasceu em Angola filho de pais transmontanos no início do século passado. Fez o curso de engenharia civil no Instituto Superior Técnico "no tempo em que eram seis anos" e logo ingressou no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, local onde atingiu o grau máximo de investigador coordenador, um título equivalente ao de professor catedrático.
Em meados dos anos 1950, a criação do Laboratório de Engenharia de Angola (LEA) levou-o de volta à Luanda natal, onde viria a exercer atividade durante cerca de um quarto de século. A sua passagem pelo LEA foi tempo de grande desenvolvimento de infraestruturas. "Chegou-se a fazer 500 quilómetros de estradas asfaltadas por ano", recordou.
A saída deu-se já depois da descolonização, em 1975, antecipada pelo "diferendo político entre os governos de Angola e de Portugal, nessa altura, que não permitia aos funcionários públicos nacionais manterem o vínculo a Portugal".
Henrique Novais Ferreira optou, então, por permanecer ligado ao Laboratório Civil de Lisboa, ao qual regressou e onde continuou a carreira até perfazer a idade de reforma.
Novo desafio esperava-o em Macau, território para onde partiu em 1990 por um "curto espaço de tempo" e onde continua a trabalhar, actualmente com cerca de 40 engenheiros.
É na região especial administrativa chinesa, que continua a adiar a "reforma na reforma", cumprindo uma rotina que começa manhã cedo e não distingue entre dias úteis, sábados ou domingos.
"Todos os dias às 08:15 entro no meu gabinete. Todos os dias às 18:00 regresso a casa. Não há fim de semana. Por duas razões: uma delas é porque há bastante trabalho, outra é porque se eu soubesse só o que estudei na escola, hoje já não era engenheiro porque já estava completamente desactualizado", afirmou, explicando a necessidade de manter em dia as leituras técnicas.
Chegou a Macau quando estava a ser criado o Laboratório de Engenharia Civil. Aí viveu os últimos anos de administração portuguesa e, em Dezembro de 1999, quando foi efectivada a transição para a China, comprovou a sua intuição de que "não havia razão para a saída dos portugueses".
Nas duas últimas décadas, Henrique Novais Ferreira esteve ligado à construção do aeroporto, da ponte Flor de Lótus, ponte da Amizade, túnel da Guia, e do pavilhão multiusos Macau Dome, enquanto consultor técnico de qualidade.
"Todas as fundações eram feitas com estacas cravadas", recordou, ao falar de uma técnica de construção exercida em Macau até muito recentemente.
A consultoria da qualidade técnica ocupa-o atualmente nos projetos do metro ligeiro, da habitação social, e os trabalhos de manutenção da Companhia do Aeroporto de Macau (CAM). "Trabalhei para os territórios onde estive. (...) Não sou um pessimista, muito pelo contrário, considero que a vida tem sido agradável e muito razoável", concluiu, ao resumir mais de 60 anos de obra feita.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O 'centro' da cidade visto por Chinnery

Os centros das povoações são por definição ponto de encontro e espaços de confluência a fervilhar de vida. 
O pintor britânico George Chinnery (1774-1852), que viveu em Macau entre 1825 e 1852, data em que morreu precisamente no território estando sepultado no cemitério protestante, captou essa essência do centro da cidade de Macau em meados do século 19. 
No denominado "centro histórico", a zona a que hoje corresponde o Largo do Senado, ainda não existia a avenida Almeida Ribeiro e pontuavam as igrejas da Misericórdia (actual Santa Casa da Miserícórdia) e de S. Domingos. (ver imagens dos esboços de Chinnery). 
É também graças ao pintor britânico que chegou até aos nossos dias um registo pictórico - o único que conheço - de um pelourinho naquela zona. Símbolo do poder municipal estava localizado frente ao Senado e, neste caso, muito perto da igreja da Misericórdia.

 
 Igreja de S. Domingos nos 'esboços' de Chinnery (em cima)
e numa fotografia dos primeiros anos do século XX (em baixo)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Alan Jones

Filho do também piloto australiano, Stan Jones, Alan Jones nasceu em 1946 em Melbourne. Começou por correr no seu país (foi campeão de Karting em 1958) seguindo depois para a Europa (década de 1960) e passaria por Macau ainda antes de se sagrar campeão do mundo de F1 em 1980, tendo-se estreado na modalidade em 1975. 
A estreia em Macau aconteceu em 1976 pela equipa Theodore Racing. Com o um Ford Cossworth V8 Alan bateu o recorde da volta mais rápida (com 2:20.64, um máximo que prevaleceu durante os oito anos seguintes) mas a vitória seria do seu colega de equipa Vern Schuppan, num Ralt.  Nessa prova também participou Riccardo Patrese tendo ele e Jones protagonizado duelos interessantes no Circuito da Guia. Os dois na imagem abaixo: o italiano segue atrás do escocês antes da curva R, a do Reservatório.
Jones regressaria a Macau em 1989 para a "Corrida de Campeões" organizada por Teddy Yip. Na prova que juntou 'monstros' consagrados do desporto automóvel, correndo todos em Mazda MX5 idênticos, estavam ainda lendas como Denny Hulme, Roy Salvatori, Al e Bobby Unser, Emerson Fitipaldi. Stirling Moss.