sábado, 23 de janeiro de 2021

Mortimer Menpes (1855-1938)

Mortimer Luddington Menpes (1855-1938), was an Australian-born artist, author, printmaker, engraver and illustrator. He was born in Port Adelaide in South Australia in 1855. Educated at Adelaide Educational Institution, he attended classes at the Adelaide School of Design, and did some excellent work as a photo-colourist, but his formal art training began at the School of Art in London in 1878, after his family had moved back to England in 1875. He shared a studio with James Abbott McNeil Whistler in the 1880s.
Menpes first exhibited at the Royal Academy in 1880, and, over the following 20 years, 35 of his paintings and etchings were shown at the Academy. He made two journeys to the Far East (China and Japan). One in 1887 and another in 1896. He spent 1888 and 1889 living in Macau and on the China Coast. In 1900, after the outbreak of the Boer War, Menpes was sent to South Africa as a war artist for the weekly illustrated magazine Black and White. After the end of the war in 1902 he travelled widely, visiting Burma, Egypt, France, India, Italy, Japan, Kashmir, Mexico, Morocco, and Spain. Many of his illustrations were published in travel books by A & C Black. He died in Pangbourne in 1938. 
Menpes painted in both oil and watercolour. He developed a special form of colour etching, used to illustrate his books, and founded the Menpes Press of London and Watford. At the beginning of the twentieth century, Menpes travelled Europe, making copies of paintings by the old masters which he used as a basis for a series of prints published in 1905 and 1909. In 1911, Menpes donated 38 of the copies in oil to the Australian Government.
Mortimer Luddington Menpes (1855-1938) foi um pintor, gravador e ilustrador australiano. Nasceu em Port Adelaide, na Austrália do Sul, em 1855. Educado na Adelaide Educational Institution, frequentou aulas na Adelaide School of Design onde se destacou nos trabalhos como foto-colorista, mas a formação em arte começou na School of Art de Londres em 1878, depois da família mudar-se para Inglaterra em 1875. Ali dividia um estúdio com James Abbott McNeil Whistler na década de 1880. Menpes expôs pela primeira vez na Royal Academy em 1880 e, nos 20 anos seguintes, 35 das suas pinturas e gravuras foram exibidas na Academia. Fez duas viagens ao Extremo Oriente (China e Japão). Uma em 1887 e outra em 1896. Viveu entre 1888 e 1889 em Macau e na costa da China. 
Em 1900, após a eclosão da Guerra dos Boeres, foi enviado para a África do Sul como artista de guerra para a revista semanal ilustrada Black and White. Em 1902 viajou muito tendo visitado Burma, Egipto, França, Índia, Itália, Japão, Caxemira, México, Marrocos e Espanha. Muitas de suas ilustrações foram publicadas em livros de viagens por A & C Black. 
Morreu em Pangbourne (Inglaterra), em 1938. 
Menpes pintou a óleo e aguarela. Desenvolveu uma forma especial de gravura colorida, usada para ilustrar os seus livros, e fundou a Menpes Press de Londres e Watford. No início do século XX, Menpes viajou pela Europa, fazendo cópias de pinturas dos antigos mestres que usou como base para uma série de gravuras publicadas em 1905 e 1909. Em 1911 doou 38 das cópias a óleo ao governo australiano.
Para além do "Fishing Station, Macao, China", Mortimer pintou ainda em Macau o "Frontier Gate" (Porta do Cerco). Profundamente marcado pelo impressionismo nas pinturas a óleo, Menpes também era uma excelente aguarelista.
No livro "China" editado em 1909 com texto de Sir Henry Arthur Blake (1840-1918) e ilustrações de Mortimer Menpes um dos capítulos intitula-se: "Dragon Festival at Macao".

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

"O Jornalismo em Macau": 1889

O jornalismo em Macau
A Abelha da China foi o primeiro periodico que sahio a lume na cidade de Macau na quinta feira 12 de setembro de 1822 sendo redigido pelo principal mestre do convento de S Domingos e impresso na typographia do governo. Findou com o nº 67 no sabbado 27 de dezembro de 1823. Semanario politico em duas columnas. Tinha por epigraphe dos seus 53 numeros os seguintes versos de Terencio:
Hoc tempore
Obsequium amicos veritas odium parit
E dos restantes os versos de Camões:
A verdade que encontro nua e pura
Vence toda a grandiloqua escriptura
Era o segundo periodico publicado a leste da India. O primeiro havia sido a Gazeta de Gôa desde 22 de dezembro de 1821 até 30 de setembro de 1826. Seguiram-se-lhe a Gazeta de Macau (I), Chronica de Macau, o Macaista Imperial, Boletim Official do Governo de Macau, Correio Macaense (I) O Verdadeiro Patriota, O Commercial, Gazeta de Macau (II), O Portuguez na China, O Pharol, Macaense, A Aurora Macaense, O Solitario na China, O Procurador dos Macaistas, Ta-ssi yang Kuc 1 (grande reino do mar do Occidente), O Independente, O Noticioso Macaense, O Oriente, Gazeta de Macau e Timor, O Imparcial, Jornal de Macau, O Macaense, O Correio de Macau, O Correio Macaense (II), A Voz do Crente, semanario religioso e de noticias impresso na typographia do Seminario de S José desde janeiro de 1887.
A imprensa portugueza foi pelos membros da Companhia de Jesus instituída nos impérios da China e do Japão no seculo XVI.
Gabriel Fernandes (Lisboa)
1. É a collecção dos seus 134 numeros no formato de folio de 4 paginas e 12 columnas cada um, muito apreciavel e de interesse para a historia d'aquella possessão portugueza. Dicc. Bib. Portuguez tomo VIII.
in Novo Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro para o anno de 1889, Lisboa.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Morreu o criador de Michel Vaillant (Rendez-Vous à Macao)

Morreu o autor francês de Banda Desenhada Jean Graton, 97 anos. Criador em 1957 da personagem Michel Vaillant (piloto de Fórmula 1), Graton era considerado o último grande nome da época de ouro da banda desenhada franco-belga onde figuram nomes como Franquin, Albert Uderzo e René Goscinny.
  Título da edição em inglês: Rendez-Vous in Macau
  
  A edição portuguesa surgiu em 1984

a aventura nº 43 de Vaillant
Edição italiana: "Appuntamento a Macao"
A 77ª aventura de Vaillant foi publicada em 2018 com o título "Macau"

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

O Diário de William Speiden Jr.

William Speiden, Jr., (1835-1920) era ainda adolescente quando privou de perto com os oficiais que participaram na expedição comandada pelo Comodoro Matthew C. Perry aos mares da China e do Japão em meados do século 19. 
A histórica missão naval norte-americana de Perry foi autorizada pelo presidente dos EUA, Millard Fillmore, como forma de conseguir estabelecer relações comerciais com o Japão e garantir certos direitos e protecções para os marinheiros e cidadãos americanos envolvidos no comércio no Extremo Oriente. 

Speiden subiu a bordo da fragata a vapor Mississippi (imagem acima), em Filadélfia, na Primavera de 1852, para começar a trabalhar como assistente do pai, William Speiden, Sr. (1805-1861).  O pai tinha já uma longa carreira na Marinha dos EUA e o Mississippi era na época um navio de renome. 
O impressionante vapor de roda lateral foi construído com a supervisão do Comodoro Perry, em 1839 no Philadelphia Navy Yard. A construção terminou em 1842 e a embarcação fez de imediato parte da esquadra norte-americana na Guerra do México sob o comando de Perry. 
Como escriturário de bordo na Mississippi, William Speiden Jr. criou um diário que viria a ter dois volumes
"With Commodore Perry to Japan: The Journal of William Speiden Jr., 1852-1855
, entre 9 de Março de 1852 e 16 de Fevereiro de 1855, documentando assim a Expedição Naval dos EUA aos Mares da China e ao Japão, sob o comando do Comodoro Matthew C. Perry. 
No diário dá conta da vida a bordo, da diplomacia, bem como dos portos de escala durante a viagem. O diário contém inúmeras ilustrações (50), incluindo desenhos de Speiden e de outros companheiros do navio, bem como recortes de jornal e obras de arte adquiridas por Speiden, nomeadamente pinturas em aguarela feitas por artistas chineses anónimos que retratam paisagens marítimas e pessoas dos mares da China. 
Speiden tinha apenas 18 anos quando passou por Macau.
Alguns excertos do Diário relativos a Macau:
13 Novembro 1852: O Mississippi aproxima-se de Hong Kong e Macau onde outras embarcações se vão juntar à frota. O secretário de estado norte-americano Edward Everett (1794-1865) prepara uma carta que o presidente dos EUA vai dirigir ao Imperador do Japão e que será entregue por Perry.
7 Abril 1853: O Mississippi chega a Macau e a Victoria, em Hong Kong.
22 a 28 Abril 1853: As embarcações Plymouth, Saratoga, e Supply juntam-se ao Mississipi em Macau.
2 Maio 1853: Speiden coloca no Diário uma pintura de Macau.
5 Agosto 1853: Regresso (de Cantão) a Macau onde a frota vai passar o inverno.
7 Outubro 1853: Joseph Harrod Adams (1817-1853),  neto do presidente John Adams e sobrinho do presidente John Quincy Adams é enterrado no cemitério protestante de Macau (junto ao Jardim Camões); o funeral conta com a presença de oficiais norte-americanos, franceses e portugueses. Speiden escreve o quão envergonhado ficou com o facto dos marinheiros terem regressado ao Mississipi embriagados.
2 Agosto 1854: O Mississipi está de regresso a Macau.
Parte de um dos mapas da expedição Coast of China and Japan Islands;
aqui a costa do sul da China: Macau, Cantão, Hong Kong, etc.

Após terminar a expedição em 1855, William Speiden, Jr., tornou-se encarregado dos armazéns da Marinha dos EUA em Hong Kong entre 1856 e 1864. Entre 1860 e 1861 foi de licença até aos EUA onde se casou com Marion McKeever em Nova Iorque. De 1870 a 1910 trabalhou como agente de alfândega dos EUA no Porto de Nova Iorque onde morreu a 20 de Agosto de 1920.
Jesuit Convent. Macao. Aurtor: Bernhard Heine

A expedição norte-americana liderada pelo comodoro Matthew-Calbraith Perry tinha por objectivo o estabelecimento de relações comerciais com o Japão. Para além dos registos gráficos - são magníficas as ilustrações de Bernhard Wilhelm Heine (1827-1885) - o comodoro mandou fazer um livro tendo por base os seus diários e de outros membros da tripulação. A tarefa da compilação dos mesmos ficou a cargo do Francis L. Hawks.  Acabou tudo publicado em 1856 sob o título de “Narrative of the expedition of an American squadron to the China seas and Japan, performed in the years 1852, 1853, and 1854, under the command of Commodore M. C. Perry, United States Navy, by order of the Government of the United States”.  (Narrativa da expedição de uma esquadra americana aos mares da China e Japão, realizada nos anos de 1852 a 1854 sob o comando do comodoro M. C. Perry, da Marinha americana, por ordem do governo dos Estados Unidos).
Macao from Penha Hill - Autor: Bernhardt Heine

De seguida apresento alguns excertos traduzidos do livro de memórias escrito pelo Comodoro Mathew-Calbraith Perry relativas a Macau. Perry era um observador muito atento.

"A residência do Comodoro em Macau deu-lhe a oportunidade de estender as suas observações deste lugar além do que lhe oferecera a sua casual visita anterior. Macau, outrora tão famoso pelo seu extenso e lucrativo comércio e pela sua riqueza, está agora completamente privado deles, e parece ser sustentado apenas por um pequeno comércio costeiro, pelo dinheiro que gasta uma pequena guarnição e pelas despesas das famílias dos comerciantes ingleses e americanos que têm ali a sua residência de verão; e que, tendo muito dinheiro, o gastam liberalmente. A jurisdição portuguesa exerce-se dentro de pequenos limites. Os estabelecimentos chineses parece que vão absorvendo todo o espaço; de facto, a maior parte da população da cidade compõe-se já de homens e mulheres chineses, que exercem os ofícios mais baixos nos estabelecimentos domésticos, tanto dos portugueses como dos estrangeiros. 
Os chineses são os donos das lojas, das oficinas e do mercado. Difícil é conjecturar o que fazem os portugueses. Com algumas excepções de comerciantes ricos, eles são na maioria pobres e demasiado orgulhosos para trabalhar; contudo, alguns deles são amanuenses nas várias firmas comerciais estrangeiras, ao passo que a grande maioria passa o tempo na ociosidade, gozando do resto das principescas fortunas dos seus antepassados e ainda ocupam, na sua pobreza de mendigos, as magníficas mansões dos antigos tempos da esplêndida prosperidade de Macau.
Há ainda uma amostra de poder militar da parte dos portugueses, que se vê nas colinas circundantes, cobrindo a cidade de fortificações, construídas no estilo do séc. XVII. Estas parece serem suficientes para imporem respeito aos chineses que, se tivessem a mais pequena energia, poderiam facilmente desalojar os portugueses, aos quais não consagram grande afeição, e expulsá-los todos do país. 
A guarnição portuguesa compõe-se de cerca de 200 soldados regulares e outros tantos da milícia local, todos excelentemente disciplinados, e dificilmente se encontram homens mais bem vestidos e aprumados. 
Será bom talvez lembrar que a Companhia Inglesa das Índias Orientais, antes da abolição da sua Carta, fez de Macau uma espécie de entreposto do seu comércio na China, e algumas das residências mais elegantes foram construídas por esta magnânime corporação, ou pelos ostentosos portugueses nos seus dias de riqueza e prosperidade. 
Uma destas magníficas mansões, com um jardim de mais de um acre de extensão, construído com gosto e até hoje conservado em ordem com grandes despesas, podia ser arrendada, aquando da visita do Comodoro, pela pequena soma de 500 dólares por ano; e este lugar tem mais a vantagem de andar romanticamente associado com o nome do poeta Camões, tendo sido o seu favorito retiro e o local onde, como o leitor já sabe, está erecto um monumento à sua memória. 
Foi de Macau, nos dias da sua opulência, que foram despachadas para o Japão muitas das expedições comerciais portuguesas; e foi também em Macau que a Igreja de Roma teve um dos estabelecimentos eclesiásticos mais poderosos, sustentado pelo terrível poder da Inquisição que, nos tempos antigos, exerceu no Oriente toda a força da sua negra e cruel disciplina. Hoje, porém, desapareceram a opulência e os empreendimentos dos seus comerciantes; e o tremendo domínio dos altivos eclesiásticos e o seu sanguinário tribunal caíram nas mãos frágeis de padres empobrecidos, que fazem humildemente apelo à caridade e dependem apenas da liberalidade da reduzida população portuguesa.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

"In Macao" por Charles Gunnison (1892)

"To those who have been in Southern Europe and have seen the towns along the Riviera, the first view of Macao, as the steamboat approaches from Hong Kong, gives the impression of having been suddenly transported to the sunny Mediterranean. Were it not for the colour of the water, and the Chinese junks, Macao would indeed be a perfect representation of any of those lovely spots, as she lies along her crescent bay, from Mount Nillau to Mount Charil, defended by the frowning forts of Sam Francisco and Our Lady of Bom Parto." 

"Para quem já esteve no Sul da Europa e viu as cidades ao longo da Riviera, a primeira vista de Macau, à medida que o barco a vapor se aproxima vindo de Hong Kong, dá a impressão de ter sido transportado repentinamente para o ensolarado Mediterrâneo. Se não fosse pela
cor da água e pelos juncos chineses, Macau seria de facto uma representação perfeita de qualquer um desses locais encantadores, uma vez que está situada ao longo da sua baía em meia-lua, do Monte Nilau (Lilau) ao Monte Charil (Monte da Guia), defendida pelos fortes de São Francisco e Nossa Senhora do Bom Parto".
"Beautiful as this picture is, it was doubly so in the brilliant sunset colouring of a certain March day, as the steamer slowly came to her wharf and the passengers stepped ashore beneath the blue and white flag of Portugal, in this, her farthest eastern possession. The houses with their delicate washings of pink, blue, yellow or green, with white stucco ornaments, now golden in the light, had a warmth of colouring well set off by the dark foliage of camphor and banyan trees showing above the garden walls. The few passengers soon dispersed, in chairs or on foot, leaving but one of their number upon the wharf. (...)"

"Por mais bela que seja esta imagem, era duplamente bonita com as cores brilhantes do pôr-do-sol de um certo dia de Março, quando o navio lentamente chegou ao cais e os passageiros desembarcaram sob a bandeira azul e branca de Portugal, nesta sua posse mais oriental. As casas em tons delicados de rosa, azul, amarelo ou verde, com ornamentos de estuque branco, agora dourado sob a luz, tinham um calor de cores realçado pela folhagem escura de cânforas e figueiras que despontam sobre os muros do jardim. Os poucos passageiros logo se dispersaram, em cadeiras ou a pé, deixando apenas um deles no cais. (...)

Excerto do conto "In Macao (A Story from the "Grasshopper's Library)" da autoria do norte-americano Charles A. Gunnison (1861-1897), publicado em 1892. 
Nota: imagem não incluída no livro.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

"Macau Inn: Charming Pousada"

Na hotelaria o termo "Inn" em inglês é o equivalente a pousada em português. Em Macau a mais conhecida foi a Pousada de Macau que funcionou entre as décadas de 1950 a 1980 na Travessa do Padre Narciso, com vista para a baía da Praia Grande, ao lado do Palácio do Governo. Seguem-se algumas referências à pequena pousada com apenas 5 quartos duplos em publicações dedicadas ao turismo ao longo dessas décadas.
A "Pousada Macau Inn" ficava tão próxima do Palácio do Governo
que a bandeira de Portugal que se vê na imagem é a do palácio.

"The touring in Macao is handled in co-operation with H. Nolasco and Company (...) Breakfast and lunch are usually had at the charming Pousada de Macau, a small seaside inn owned by the Nolasco firm (...) It goes without saying that if you can spend a night at the Pousada, or at one of the larger but rather less desirable hotels such as the Riviera (...)
All the Best in Japan, with Manila, Hong Kong, and Macao (1958)

"If you want good food, the only hotel with a good kitchen is the small Macao Inn, also called the Pousada do Macau, in Portuguese , about $ 7 double."
Travel Guide to the Orient and the Pacific (1965)

"Pousada (Inn) de Macau - 1 Travessa do Padre Narciso, in residential area. Bar. Portuguese cooking by chef-manager, Americo Angelo. Cheicken African (barbeacued w/hot sipcy sauce of 52 ingredients), roast pigeon, etc..."
Itinerary of Taste (1966)

Like all of Macao, the hotels and inns are best described as old-fashioned, or, determinedly chrome and neon modern, but clean. (...) Other acceptable restaurants serving Western food are the Solmar, Waltzing Matilda Esplanada, and Jimmy's Kichen. Night Life: The Macau Inn might have a band Saturday nights from 8:30 to 12:30 (...)
Fodor's Guide to Japan and East Asia (1968)
 
"This landmark , centuryold colonial hotel has great charm and a marvelous terrace , but it is badly in need of renovation"
Hong Kong and Macau, Fodor's Travel Publications (1983)

domingo, 17 de janeiro de 2021

Bancos e Jornais em 1882

The Portuguese Colony of Macao 
Situated on a peninsula of the island of Macao, near the southeast coast of China, 70 miles distant from Canton. Area 28 square miles. Population 71,739. The colony belongs to Portugal and is governed by Portuguese officials. It has several educational institutions and enjoys considerable trade and commerce. It's two newspapers are printed in the Portuguese language. Capital, Macao.

Colónia Portuguesa de Macau 
Situada numa península da ilha de Macau, perto da costa sudeste da China, a 70 milhas de Cantão. Área 28 milhas quadradas. População 71.739. A colónia pertence a Portugal e é governada por funcionários portugueses. Tem várias instituições de ensino e goza de comércio e comércio considerável. Os seus dois jornais são impressos em língua portuguesa. Capital, Macau.

No 2º volume do "Hubbard's Newspaper and Bank Directory of the World" (com 3400 referências de jornais a nível mundial e mais de 2 mil bancos) publicado em 1882 - em inglês, francês e alemão - a referência sobre a imprensa em Macau é de existirem apenas dois jornais no território, em português. Um era o Boletim da Província de Macau e Timor (imagem abaixo não incluída na publicação aqui referida) o outro - não se refere o título - era "O  Macaense".
Quanto a bancos:
"Money in current use: Macao The circulating medium here is largely similar to that of China; mercantile accounts being kept in taels; mace, candareens and cash. The accounts of the colonial government are however in the current moneys of Portugal".
O BNU só surgiria nos primeiros anos de 1900... 

sábado, 16 de janeiro de 2021

"O baile correu animado e vivo" no "anniversário natalício de Sua Magestade El-Rei o Sr. D. Luiz"

No sabbado 31 d'outubro festejou-se com muita pompa o anniversario natalicio de S. M. El-Rei o Sr D Luiz 1º. O cortejo, que principiou ao meio dia, esteve bastante concorrido e além do corpo consular e das corporações militares e civis, compareceram neste acto alguns cavalheiros estrangeiros e cidadăos residentes, incluindo nestes alguns naturalisados. Na sala do docel, formavam parede á real effigie, do lado direito S. Exa. o Governador e seu Estado maior, e o Conselho do Governo, do lado opposto, o Leal Senado de Macao, com a Bandeira da Camara. 
Um guarda de capitão achava-se no largo do palacio fasendo honra a este acto solemne e salvaram, ao correrem-se as cortinas do retrato de S. M., o fortim de S. Pedro e Fortalesa do Monte. À noite quase expontaneamente se illuminou quasi toda a linha da praia grande que dava a este poetico lugar uma vista deslumbrante. O Palacio estava bem illuminado e o portico da entrada ao gosto china ellegantemente revestido. A escada interior estava vistosa, bizarra e de muito bom gôsto, e os salões abertos ao baile bem illuminados e ornados d'um effeito magnifico. 
Pintura do início do séc. 19. Autor anónimo.
Assinalado o Palácio do Governo na época.

A entrada do baile foi ás 9 horas principiando o serviço do chá pelas 10 horas e a dança cerca das onze. A ceia servio-se com frugalidade depois das duas horas da madrugada, terminando a festa com o romper da aurora. No salão da ceia a respectiva mesa estava disposta, não só com symetria, mas com muito gosto. Por occasião de começar-se o baile, a quadrilha de honra, no salão do docel, de 20 pares, reunia distinctas senhoras de Macao, e estrangeiras, e os principaes cavalheiros.
O baile correu animado e vivo desde o seu começo até ao seu fim dançando se com muitos pares. Eram 42 as damas reunidas com caprixosas e chistosas toilettes e excediam a 150 os cavalheiros. O Mandarim da Casa Branca, e dois chins negociantes com suas vestes de gala, compareceram satisfeitos a esta festa como por primeira vez gosavam tão alegremente. À ceia a primeira saude quando a mesa se achava guarnecida pelas damas, proposta por S Exa o Governador, a S. M. El-Rei acolhida com enthusiasmo extrordinario.
Quando os cavalheiros substituiram as senhoras, um funcionario publico respeitavel, de Hongkong, Mr. Ball, propoz uma saude a S Exa o Governador e sua Esposa, brinde que foi acceito com muito praser e affeição por todos circunstantes. S. Exa. agradeceu brindando os cavalheiros distinctos estrangeiros que se achavam presentes e que honraram o baile. A ultima saude foi a S. M. a Rainha e à família Real Portuguesa. Ao começar o baile na occasião em que as senhôras chegavam, a serenidade do ceo e do mar, a bonança que não encomodava a multidão de luzes que enfeitava a maior parte das casas da praia grande, o concurso de pôvo em redor do centro destes regosijos, era um expectaculo encantador, que poucas vezes o temos visto, nesta bella, terra tão deslumbrante.
in O Boletim do Governo de Macao, 2.11.1863
Este foi o ano da 'abertura' da rua da Praia Grande. Começava na Rua do Campo e terminava junto à Fortaleza do Bom Parto (a ligação ao Porto Interior seria feita só no final do século 19). Mais tarde passou a denominar-se Avenida da Praia Grande. 
Quanto ao Palácio do Governo referido não era o actual, pois nessa altura ainda pertencia ao Barão do Cercal e só em 1883 foi comprado pelo governo local.
O palácio referido era o edifício que viria a ficar conhecido como Palácio do Governo/Repartições (na ilustração acima e na foto abaixo), demolido na década de 1940 para ali ser construído o edifício que ainda hoje existe denominado antigo Tribunal (frente à estátua de Jorge Álvares).
De acordo com relatos da época: 
"Comprehende o palacio dois pavimentos, no inferior, lado direito, são as repartições da secretaria do governo e, lado esquerdo, alojamentos dos oficiaes às ordens e adjudantes dos governadores. Nos fundos, arrecadações e quartos de ordenanças.No primeiro pavimento à frente, salas de entrada e na primeira, à direita, mais duas sendo a do topo a do docel; à esquerda, de visitas ou dos retratos dos governadores, reservada, a gabinete particular do governador ou seu escriptorio.”
Tal como o relato do baile também esta descrição está feita em português da época. O 'docel' referido escreve-se actualmente 'dossel" e significa "armação de ornamento que encima peças de mobiliário como tronos, altares, liteiras ou camas". No caso seria algo muito semelhante, porventura em menor escala, ao dossel que existe na chamada Sala do Senado do parlamento português e que curiosamente também teve um quadro/retrato de D Luís I.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Os Irmãos (Leitão) Unidos, Limitada



A 2 de Setembro de 1936 era constituída em Macau a Sociedade "Os Irmãos Unidos, Limitada". A criação da empresa - com escritórios no teatro Capitol na rua de S. Domingos - foi atestada pelo notário Damião Rodrigues e pertencia aos quatro irmãos Leitão*. 
Entre os activos da nova empresa estavam os hotéis Riviera e Majestic**, teatros Capitol e Apollo, Leitaria Macaense e Vacaria Macaense. 
De acordo com um anúncio do início da década de 1921 a Vacaria Macaense tinha sede no nº32 da Rua Central mas as instalações ficavam no Tanque do Mainato
"A Vacaria Macaense é a única leitaria portuguesa existentes nesta cidade, e a única montada à europeia, que a qualquer hora patenteia ao público os seus estábulos, onde o máximo aceio e higiene se impõem a quem os visita."
Na mesma época num anúncio da Leitaria Macaense (ficava no nº6 da Av. Almeida Ribeiro) pode ler-se: 
"Nesta leitaria, a única em Macau onde se usa com o máximo escrúpulo de todos os processos higiénicos e sanitários na manipulação do leite, encontra o público, além do artigo próprio da sua indústria, uma grande variedade de géneros alimentícios, tais como farinhas lácteas, bolachas, biscoitos, frutas e legumes de conserva, chá, café, chocolate, manteiga fresca e de lata, (...) tudo da melhor qualidade e pelos preços mais convidativos."




* uma outra família que nada tem a ver com a "Chácara Leitão"
** o hotel Majestic estava classificado como "semi-europeu"; em 1934 ficava no nº 11 do Largo do Senado; em 1937 era no nº 9 (provavelmente uma reformulação da numeração). Trata-se do edifício denominado Ritz - onde estão os Serviços de Turismo - e que já antes ali tinha instalado um hotel como se pode ver nesta imagem.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Refugees Fleeing Red China...

Em Maio de 1960 Leonel Borralho, jornalista (fundador da Gazeta Macaense em 1963 e correspondente da agência de notícias UPI) relata testemunhos de refugiados da China continental em Macau (fugindo à revolução cultural). A notícia seria depois reproduzida em vários jornais um por todo o mundo. 
Famine, Overwork 
Refugees Fleeing Red China Tell of Slash-Population Design
Editor's note: Since May 1 about 300 Chinese have fled to Macao from Red China. United Press International Correspondent, Leonel Borralho interviewed some of these refugees. Here he reports on what some refugees have to say on the situation in Red China.
By Leonel Borralho
Macao (UPI) Each refugee had a slightly different story to tell, but they all reiterated the same belief that Mao Tse-Tung plans to reduce Red China’s overwhelming population partly through starvation and overwork. The disastrous food situation was evident on the face of each as he spoke of terrible developments on the China mainland. Lai Fok, a dehydrated-looking man of about 40, said, "death occurred every day in the Tou Mung commune. People died because they had no food to eat and when they were forced to work, they just collapsed and died in the fields, factories, everywhere.” 
Chang Sam* a 34-year-old farmer from Sun Wui in Kwantung province, said, "people in and around Sun Wui are so hungry that they ate grass and anything in sight which they thought edible." Lao Sau, 37, a fisherman who fled by boat to Macao from his native Chungshang county, said, "with each daybreak fishermen and farmers alike hope for an opportunity to escape to Macao or Hong Kong and we all have at one time or another attempted to do so though not many ate successful. We are quite reckless because we believe we are already sentenced to death by starvation and overwork. One way or another we are doomed to die, so we escape."
A youth, possibly still a teenager but looking like an old man laughed loudly when told communist Chinese authorities have offered 100.000 sacks of rice to aid victims of Hong Kong's recent floods. "It is funny to hear the Communists are giving rice away. If anyone needs rice it is us in the mainland. I do not know what's becoming of this world. I honestly do not know." 
*The youth's name is being withheld because he still has relatives in Red China.

Tradução:
Fome, Excesso de Trabalho 
Refugiados que fogem da China Vermelha falam sobre objectivo de reduzir a população 
Nota do editor: Desde 1 de Maio, cerca de 300 chineses fugiram da China Vermelha para Macau. O correspondente internacional da United Press, Leonel Borralho, entrevistou alguns destes refugiados, onde relata o que alguns têm a dizer sobre a situação na China Vermelha. Por Leonel Borralho Macau (UPI) 
Cada refugiado tinha uma história ligeiramente diferente para contar, mas todos reiteraram a mesma convicção de que Mao Tse-Tung planeia reduzir a esmagadora maioria da população da China Vermelha em parte devido à fome e ao excesso de trabalho. A desastrosa situação alimentar era evidente no rosto de cada um. Enquanto falava dos terríveis acontecimentos na China continental, Lai Fok, um homem de aparência desidratada de cerca de 40 anos, disse: "A morte ocorria todos os dias na comuna de Tou Mung. Pessoas morriam porque não tinham comida e quando foram forçados a trabalhar, eles simplesmente desabaram e morreram nos campos, fábricas, em todos os lugares. Chang Sam*, um agricultor de 34 anos de Sun Wui, na província de Kwantung, disse: “As pessoas dentro e ao redor de Sun Wui estão com tanta fome que comeram erva e qualquer coisa que considerassem comestível”. Lao Sau, 37, um pescador que fugiu de barco do seu condado nativo de Chungshang para Macau, disse, "a cada amanhecer, pescadores e agricultores têm esperança de uma oportunidade de escapar para Macau ou Hong Kong e todos nós tentamos uma vez ou outra fazer isso, embora muitos não tenham tido sucesso. Somos muito imprudentes porque acreditamos que já fomos sentenciados à morte por fome e excesso de trabalho. De uma forma ou de outra, estamos condenados a morrer, então escapamos." 
Um jovem, possivelmente ainda um adolescente, mas parecendo um velho, riu alto quando lhe disse que autoridades comunistas chinesas ofereceram 100.000 sacos de arroz para ajudar as vítimas das recentes inundações de Hong Kong. "É engraçado ouvir que os comunistas estão dando arroz de graça. Se alguém precisa de arroz somos nós no continente. Não sei o que está acontecendo com este mundo. Sinceramente, não sei." 
O nome do jovem não foi divulgado porque ele ainda tem familiares na China Vermelha.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

That Man Bolt

Filmado em Macau, Hong Kong, Las Vegas e Los Angeles o filme "That Man Bolt" teve estreia mundial em 1973. Nalguns países intitulou-se "Operation Hong Kong". Em Portugal foi traduzido como "Caça Grossa" e estreou em Outubro de 1974.
Fred Williamson é o protagonista assumindo no papel do herói Jeff Bolt numa película com muito karaté e kung fu (com os melhores do mundo na época) e onde as 'alusões' a James Bond são notórias... 
Em baixo o cartaz do filme para o mercado italiano: "l'uragano di Macao" / "O Furacão de Macau"

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Portugueses no Corpo de Voluntários de Shangai (1853-1942)

Below the Portuguese Company SVC in 1906 .The SVC was largely armed and uniformed from British stocks with Australian style slouch hats, though some nationalities wore their own army uniforms with SVC insignia. 
The Shanghai Volunteer Corps (SVC) was a multinational - mostly volunteer - force that existed from 1853 to 1942. It was controlled by the Shanghai Municipal Council which governed the Shanghai International Settlement. 
The SVC was created on 12 April 1853 during the Small Swords Society's uprising. It saw action alongside British and American military units in the 1854 'Battle of the Muddy Flat', when Qing imperial troops besieging the rebel-held city ignored foreign demands to move further away from the foreign concessions. Concerned that the Qing forces were drawing rebel fire into the settlements, the foreign consuls and military commanders authorised an attack on the Qing forces to dislodge them. The operation was successful, and the battle was thereafter commemorated as an important event in the history of the SVC. The Corps was disbanded in 1855 but reestablished in 1861. In 1870 the Shanghai Municipal Council took over the running of the SVC.
The unit was mobilised in 1900 for the Boxer Rebellion and in 1914 for the First World War. In 1916 the British recruited Chinese to serve in the Chinese Labour Corps (CLC) for service in rear areas on the Western Front to free troops for front line duty. Many members of the SVC served as officers in the CLC.
Prior to 1914 some of the national contingents wore distinctive parade uniforms at their own expense, modelled on those of their respective national armies.
The badge of the SVC consisted of an eight-pointed brass Brunswick star with the motto "Shanghai Volunteer Corps" around the flags of various European nations in the centre. A variation on this badge had simply the letters SVC on a similar star.

At various times during its history the Shanghai Volunteer Corps included Scottish, American, Chinese, Italian, Austro-Hungarian, Danish, German, Filipino, Jewish, Portuguese, Japanese, White Russian and Eurasian companies, amongst others. British War Office supplied weapons and a commanding officer. The German and the Austro-Hungarian companies were disbanded in 1917 when China declared war on Germany.
The SVC was disbanded early in 1942 after the International Settlement was taken over by the Japanese. The decision was formally made by the still existing Shanghai Municipal Council who held a reception to mark the placing of the Corps' colours "in a place of dignity and honour" in the Council chambers

domingo, 10 de janeiro de 2021

Canhão de Macau em Omã

Os leitores assíduos deste blogue já sabem que existem canhões fundidos em Macau em várias partes do mundo. Desta vez escolhi um em particular entre os muitos canhões portugueses que estão actualmente em Omã, um Sultanato localizado na Península Arábica,  região outrora ocupada pelas cores da monarquia de Portugal.
O canhão em questão está exposto no Museu Nacional do país, em Muscate, e está classificado como falconete, uma peça de artilharia muito eficaz contra a infantaria. Foi fabricado em 1643 na fundição de Manuel Tavares Bocarro, um dos mais conceituados fabricantes da época a nível mundial.
Numa das inscrições pode ler-se " Viva el rei do João 4º". Foi aclamado rei a 15 de Dezembro de 1640 terminando assim a dinastia filipina, que durante 60 anos governara Portugal) seguido de "Macao en Caza da Polvra - 1643" Ou seja, fundido na Casa da Pólvora em Macau. A notícia da aclamação do novo rei português só chegaria a Macau em Maio de 1642,* embora em 1641 tenham surgido rumores do facto no território através de uma embarcação britânica.
Este espaço estava localizado muito provavelmente na zona que hoje se conhece por Chunambeiro próximo da então Fortaleza do Bom Parto (no sopé da actual residência do Cônsul de Portugal em Macau.
Xinamo, Chuname, ou Chunambo é o nome cal obtida pela calcinação de conchas de mariscos usada no processo de fundição. O motivo de admissão do termo indiano é que a cal da Ásia se faz de outro material. O étimo é o maliana Chuunambra, relacionado com o neo-arco chunã. É de Chuuambo que deriva a palavra Chunambeiro. Nesse local havia antigamente fornos de cal do ostras, e também foi o local da antiga fundição de artilharia e casa da pólvora criada por Manuel Tavares Bocarro. 
Curiosidade: o nome chinês do local - Sio Fui Lu Cai - significa Rua do Forno de Cal.
O suporte do falconete foi feito recorrendo à figura de dois leões em estilo chinês.
Da ornamentação do cano e culatra fazem ainda parte folhas de acanto, uma planta espinhosa de folhas longas, verdes e recortadas.
O Falconete era uma boca de fogo leve montado sobre uma carreta era amovível. Pesava entre 80 a 200 kg e tinha cerca de 1,5 metros de comprimento. Utilizava meia libra (0,23 kg) de pólvora para disparar um projéctil de uma libra (0,5 kg) e mesmo essa pequena quantidade de pólvora fazia um efeito de ricochete obrigado o falconete a retroceder até três metros e meio após um disparo.
* A notícia oficial da aclamação do novo rei em Macau ocorreu a 31 de Maio de 1642 quando chegou ao território oriundo de Lisboa o macaense António Fialho Ferreira, Fidalgo da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Capitão-Mor nos Mares da Índia. O Senado, reunido em conselho geral do povo a 22 de Junho, lavrou termo de aceitação e obediência ao novo soberano, seguindo-se inúmeras formas de comemoração e tendo sido decidido enviar não só uma quantia em dinheiro para o novo soberano como também 200 peças de artilharia em em bronze (incluindo canhões) fundidas no território por Manuel Tavares Bocarro.
As comemorações prolongaram-se por vários anos tendo em 1643 - ano da fundição do falconete aqui referido - sido publicado um importante opúsculo com o título "Relaçam do que socedeo na Cidade de Goa, e em todas as mais cidades & fortalezas do estado da India, na felice aclamação del Rey Do João IIII de Portugal Nosso Senhor. (…)”. Por Manoel Jacome de Misquita morador na Cidade de Goa (Armas do Reino). Impresso no Collegio de S. Paulo Novo (Goa) Anno de 1643. 
A imagem acima é uma reprodução fac-simile do opúsculo original que pertenceu à biblioteca de Charles Boxer.

sábado, 9 de janeiro de 2021

Emissão filatélicas de "centenários" em 1969

V Centenário do Nascimento de Vasco da Gama: 1469-1969

V centenário do nascimento de Gago Coutinho: 1869-1969

V Centenário do Nascimento do Rei D. Manuel I: 1469-1969

IV Centenário da Fundação da Santa Casa da Misericórdia: 1569-1969