sábado, 28 de novembro de 2009
Grupo de Ligação
O Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês foi estabelecido no quadro do acordo celebrado em 1987 entre os Governos de Portugal e da China e formalizado na Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre a transferência da soberania de Macau.
O Anexo II da referida Declaração Conjunta, respeitante aos arranjos do período de transição, especifica que, com base no entendi mento de que os dois países deverão cooperar amigavelmente durante o referido período, o Grupo de Ligação Conjunto (GLC) é criado com vista a assegurar a aplicação efectiva da Declaração Conjunta e a estabelecer as condições apropriadas para a transferência de poderes em Macau.
O GLC foi, assim, definido como um órgão de consulta e de troca de informação permanente entre Portugal e a China sobre as matérias da transição, no período que decorre desde a entrada em vigor da Declaração até ao final de Dezembro de 1999, na prática até à data da cerimónia da transferência de poderes.
O Anexo II da referida Declaração Conjunta, respeitante aos arranjos do período de transição, especifica que, com base no entendi mento de que os dois países deverão cooperar amigavelmente durante o referido período, o Grupo de Ligação Conjunto (GLC) é criado com vista a assegurar a aplicação efectiva da Declaração Conjunta e a estabelecer as condições apropriadas para a transferência de poderes em Macau.
O GLC foi, assim, definido como um órgão de consulta e de troca de informação permanente entre Portugal e a China sobre as matérias da transição, no período que decorre desde a entrada em vigor da Declaração até ao final de Dezembro de 1999, na prática até à data da cerimónia da transferência de poderes.
A 12 de Novembro de 1999 acontecia a última reunião do Grupo de Ligação Luso-Chinês que foi responsável por todo o processo de transferência de soberania de Macau.Fotografias da Agência Lusa
1997: Património histórico
13 de Maio de 1997
1997: Dia de Portugal
O ministro da Presidência e da Defesa Nacional, António Vitorino, descerra a placa comemorativa da inauguração do monumento "Asa dos Bons Ventos", de Augusto Cid, situado junto ao Aeroporto Internacional de Macau, na ilha da Taipa, na presença do governador Rocha Vieira e da presidente da Assembleia Legislativa, Anabela Ritchie.Fotos da Agência Lusa
O ministro da Presidencia e da Defesa Nacional, António Vitorino, e o governador Rocha Vieira durante a homenagem a Luís de Camões, na gruta com o busto do poeta, em Macau, durante as comemorações do 10 de Junho. 1997: FC Porto em Macau
28-06-1997: O jogador Aloísio, do Futebol Clube do Porto, que hoje foi o capitão dos tri-campeões nacionais, segura a taça Cidade do Porto, correspondente ao primeiro lugar do Torneio de Futebol Amizade Porto-Macau, sob o olhar atento do governador Rocha Vieira (esq) e Fernando Gomes.Foto de Wong Sang/Lusa

O presidente da Camara do Porto, Fernando Gomes, discursa durante a cerimonia de assinatura do acordo de geminacao entre Macau e o Porto que hoje decorreu no Salao Nobre do Leal Senado com a presenca do Governador Rocha Vieira (centro).

O presidente da Camara do Porto, Fernando Gomes, discursa durante a cerimonia de assinatura do acordo de geminacao entre Macau e o Porto que hoje decorreu no Salao Nobre do Leal Senado com a presenca do Governador Rocha Vieira (centro).
Visita oficial ao Palácio Santa Sancha
Dia da Marinha: 1997
Emissão especial de moeda
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Tin Tin's em 1998
Enquadrado pelo templo chines Lin Kai, o mercado de artigos usados da zona de San Kio é um dos mais populares do género em Macau e é visitado diariamente não só por potenciais compradores, mas também por muitas pessoas que apreciam o ambiente de uma 'Feira da Ladra' à chinesa. Foto de K. W. Tam/Lusa
Lorcha Macau
PM António Guterres em Macau: Abril 1998
Countdown - Contagem decrescente
29-04-1998: Workers prepare to unload the giant Macau countdown clock outside the Museum of Revolutionary History next to Tiananmen Square in Beijing early 29 April. The clock will only start operation sometime next week, counting down the days to the return of Macau to China on 20th December 1999 after Portuguese rule since the 16th century.CHN BEIJING LUSA ©
Avenida Dr. Stanley Ho
27-05-1998: O magnata do jogo de Macau, Stanley Ho tem desde hoje em Macau uma avenida com o seu nome localizada no empreendimentos dos Lagos Nam Van, um projecto imobiliário a que está também associado. A cerimónia teve a presença do Governador Rocha Vieira, do presidente do Leal Senado, Sales Marques e do próprio Stanley Ho.Foto de Wong Sang/Lusa
Dia de Macau na Expo'98
Turistas junto aos 'vulcões'
Aspecto do interior do Pavilhão
O Pavilhaõ de Macau na Alameda dos Oceanos
Lorcha "Macau" e corridas dos barcos dragão
19-06-1998 - LISBOA: O Governador de Macau Rocha Vieira, acompanhado pelo Comissário-Geral da EXPO'98 Torres Campos, e a Comissária de Portugal Simonetta Luz Afonso (1ª Dta.) observam a danca do Dragão, na Praça Cerimonial no recinto da EXPO'98.
Foto de Manuel Moura/Lusa
Sede da Unesco
Dia da Cidade: 24 de Junho 1998
Bungee Jumping: Agosto 1998
17-08-1998: O canadiano Paul Boyle, praticante de 'bungee' (salto com elástico), ao iniciar um salto de 40 metros da ponte da Amizade para as águas do rio das Pérolas, em Macau, durante a filmagem de um video destinado a promover o turismo na região. Esta foi a primeira vez que ocorreram saltos do género em Macau e os organizadores, sediados em Hong Kong, admitiram estar interessados em desenvolver aquele tipo de 'desporto radical' no território. Foto de K. W. Tam/Lusa
Tap: 31 Outubro 1998
Macau - Lisboa de veleiro: Janeiro 1999
26-01-1999: As bandeiras de Portugal e Macau assinalam a viagem entre o território e Lisboa, onde três portugueses e um alemão vão iniciar, quarta-feira, a bordo do veleiro "Vadio". Foto de K. W. Tam para a Agência Lusa
Os quatro aventureiros (da esquerda para a direita) Luís Castelo, Carlos Soares, Brian e Hernando.
Os quatro aventureiros (da esquerda para a direita) Luís Castelo, Carlos Soares, Brian e Hernando.Cutileiro em Macau

01-03-1999: O grupo escultórico de José Cutileiro, junto ao Centro Cultural de Macau, composto por cavaleiros e um barco que se encontra em fase final de montagem, e que deverá ser inaugurado pelo Presidente Jorge Sampaio quando visitar Macau na terceira semana de Março.
Foto de Lim Choi para a Agência Lusa
Passar de testemunho nos Bombeiros
Moeda: Abril de 1999
O último 10 de Junho 'português' em Macau
Raid Macau - Porto de moto em 1999
Os portuenses Tito Baião (esquerda) e João Pedro Pereira (direita), parceiros em outras grandes aventuras motociclísticas ligaram Macau ao Porto de moto em 1999. Sempre em duas rodas num total de 28.500 quilómetros, em 75 dias e através de 15 países.
The two portuguese riders, Tito Baião (Left) and José Pedro Pereira (Right) at the Largo do Leal Senado, in Macau. These two riders will cross several countries (China, Nepal, India, Pakistan, Iran, Iraq, Jordania, Egipt, Libia, Tunisia, France and Spain) as they intend to do the 22.000 km that stand between Macau and Oporto in 60 days.
Créditos: Fotografia de Lim Choi para a agência Lusa e EPA - European Pressphoto Agency © 1999
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Marques Pereira: 1839-1881
António Feliciano Marques Pereira nasceu em Lisboa, em 1839, e faleceu em Macau, em 1881. Jornalista profissional, publicou vários romances em folhetins, além de traduções. Em 1859 partiu para Macau, onde se fixou. Aí exerceu o cargo de superintendente da emigração chinesa e de procurador dos negócios sínicos. Em 1862, foi nomeado secretário da missão diplomática portuguesa às cortes de Pequim, Sião e Japão. Escreveu livros de natureza histórica sobre Macau e a presença de Portugal no Oriente.
Fundou e dirigiu um dos mais importantes semanários macaenses, o Ta-ssi-yang-kuo, de 1863 a 1866. Entre as suas obras dedicadas ao Oriente contam-se um Relatório da Emigração Chinesa em Macau, tema de que, nesta colectânea, se dá larga notícia com textos de Andrade Corvo e Eça de Queirós, Alfândegas Chinesas de Macau, de que se publicam alguns excertos, e Efemérides Comemorativas da História de Macau e das Relações da China com os Povos Cristãos, editado em 1868, que viria a ser, daí em diante, peça importante na bibliografia de Macau, fonte de muitos outros trabalhos de investigação. Deste livro, organizado segundo a ordem dos meses do ano, extraímos os textos relativos aos meses de Abril e Maio.
António Feliciano Marques Pereira casou em Macau com Belermina Inocência de Miranda, baptizada na Sé, a 5 de Junho de 1839, filha de António José de Miranda e de Ana Joaquina de Miranda; neta de paterna de Agostinho José Miranda e de Mariana Marques de MIranda e materna de Januário Agostinho da Silva e de Maria Ana Francisca Pereira da Silva. Agostinho de Miranda era filho de José Miranda e Sousa e de Maria Rosa Correia de Liger; sua mulher, Mariana Marques, era filha de Gabriel Marques e de Clara Maria Rosa Vieira, neta paterna de Domingos Marques e de Maria Francisca dos Anjos Ribeiro Guimarães e materna de Raimundo Vieira e de Maria Francisca de Miranda.
António Feliciano Marques Pereira e seu filho João Feliciano foram dos maiores historiadores de Macau, publicando várias obras e inúmeros artigos sobre esta terra. O pai pai foi cônsul de Portugal em Banguecoque durante 6 anos, desde Janeiro de 1875 a 1 de Abril de 1881.Falando de seu pai, escreve João Feliciano Marques Pereira:
«No meio dele (povo siamês), passou meu chorado Pai alguns dos melhores anos da sua vida (de 1875 a 1881), conseguindo a muito custo restabelecer o antigo prestígio tão abalado por muitos desleixos e vergonhas que constituem o costumado fim de muitas glórias portuguesas...
Mas nesse patriótico empenho arruinou a sua saúde num clima inhóspito para europeus.
Tendo saído de Bangkok, em Abril de 1881, veio morrer em Setembro desse ano em Bombaim, como cônsul-geral na Índia inglesa, cargo para que tinha sido promovido como prémio dos seus longos serviços na Ásia, conforme diz o respectivo decreto.
António Feliciano Marques Pereira e seu filho João Feliciano foram dos maiores historiadores de Macau, publicando várias obras e inúmeros artigos sobre esta terra. O pai pai foi cônsul de Portugal em Banguecoque durante 6 anos, desde Janeiro de 1875 a 1 de Abril de 1881.Falando de seu pai, escreve João Feliciano Marques Pereira:
«No meio dele (povo siamês), passou meu chorado Pai alguns dos melhores anos da sua vida (de 1875 a 1881), conseguindo a muito custo restabelecer o antigo prestígio tão abalado por muitos desleixos e vergonhas que constituem o costumado fim de muitas glórias portuguesas...
Mas nesse patriótico empenho arruinou a sua saúde num clima inhóspito para europeus.
Tendo saído de Bangkok, em Abril de 1881, veio morrer em Setembro desse ano em Bombaim, como cônsul-geral na Índia inglesa, cargo para que tinha sido promovido como prémio dos seus longos serviços na Ásia, conforme diz o respectivo decreto.
O primeiro testemunho português do Japão abrindo-se ao mundo é-nos dado por Feliciano Marques Pereira, que em 1860 foi enviado a Edo no desempenho de uma missão diplomática destinada à obtenção de um acordo comercial entre a coroa portuguesa e o Império do Sol Nascente. Marques Pereira ainda conheceu o Japão Tokugawa, uma sociedade regida pelos preceitos do mais estrito confucionismo, importado da China. Dividida em castas e mantida em severo controlo pelos daimios e pelos quase dois milhões de samurais, esta sociedade de obrigações, obediência e cortante apego ao grupo, inspirou-lhe algum incómodo.
Chegado a Macau em 1859, Marques Pereira, desenvolveu, a par de funções administrativas sempre marcadas pelo seu marcante espírito de iniciativa, importante actividade cultural, sendo fundador do jornal Ta-Ssi-Yang-Kuo (1863-66), que seria de novo publicado pelo seu filho - João Feliciano Marques Pereira - entre 1899 e 1903. Ocupou sucessivamente postos consulares em Hong Kong, Sião (1875), Singapura e Malaca, antes de transitar para Bombaim, onde faleceria precocemente.
No livro "Viagem da corveta Dom João I à capital do Japão no anno de 1860". Lisboa : Impr. Nacional, 1863... evoca a missão diplomática enviada ao Japão em 1860 para negociar um tratado de paz e comércio. Visita decepcionante à perigosa Yedo (Tóquio), considerada insignificante como capital, e passagem por Kanagawa e Yokohama. Um país ainda imerso no feudalismo, habitado por um povo sóbrio, orgulhoso e “impúdico”, governado por uma casta de guerreiros. Impressões sobre a literatura, a música e a arquitectura nipónicas - A segunda parte da obra contém uma antologia de textos de viagens sobre o Japão (Fernão Mendes Pinto, Diogo do Couto, Crasset e Hawks), um apêndice contendo o relatório de Marques Pereira ao ministro da Marinha e Ultramar, bem como uma carta geográfica do Império Japonês, vazada de um mapa norte-americano.
PS: O espólio de Marques Pereira tem milhares de documentos e está depositado na Sociedade de Geografia de Lisboa.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Teddy Yip: 1907- 2003
Teddy Yip que faleceu a 11 de Julho de 2003 com 96 anos. Teddy Yip que criou a sua equipa Theodore Racing Team alcançou resultados extraordinários, entre eles, a vitória de 1978 em Silverstone com o Formula 1, modelo Theodore-Cosworth TR1, conduzido por Keke Rosberg. Também pelas mãos de Teddy Yip, Ayrton Senna veio a Macau vencer em 1983 a primeira edição do Campeonato Intercontinental de Fórmula 3. Teddy Yip, conhecido por Mr. Grand Prix, desempenhou um papel crucial na internacionalização do Grande Prémio de Macau.
Teddy Yip, a Dutch national, was a Formula 1 team owner in the 1970s. He was born Medan, in the then Dutch colony of Sumatra island in Indonesia in 1907. Yip was sent to Holland to study and later went into business. He moved to Hong Kong in the 1940s and began to build up his business empire which included travel agencies, hotels, casinos and trading companies. Yip spoke many languages including six Chinese variants, Dutch, English, French, German, Malay and Thai, which helped him expand his businesses into property and finance.
Yip started racing for fun in the 1950s at the wheel of a Jaguar XK120. In 1962 he and several partners (one of them was his own brother-in-law, Stanley Ho) formed the Sociedade de Turismo e Diversoes de Macau with a monopoly to run all casino operations and many other leisure activities in Macau, including the local lotteries, ferries and hotels. Teddy Yip along with Stanley Ho (the brother of his wife Susie Ho) and their two other partners (Yip Hon and Henry Fok), then established the Casino Lisboa. Sociedade de Turismo e Diversoes de Macau turned Macau into a major tourist center. Yip was the force behind the Macau Grand Prix which is today one of the biggest motor racing events in the world outside Formula 1.
In the early 1970s Yip met Dubliner Sid Taylor and agreed to sponsor Vern Schuppan in Formula 5000. This led to Yip backing Schuppan in Formula 1 with Team Ensign in 1974. There followed further involvement in America with Schuppan and then support of Alan Jones in the US Formula 5000 series in 1976. That year he established Theodore Racing. It was run by Taylor and entered an Ensign for Patrick Tambay in F1. After a difficult year in 1977, Yip commissioned Ron Tauranac to build him a Formula 1 car. The car was difficult and Eddie Cheever failed to qualify in both Brazil and Argentina but then Keke Rosberg took over and won the International Trophy at Silverstone in the wet, although he qualified for only one GP in South Africa. The car was abandoned in the mid-season. In America, Yip supported Dan Gurney's Eagle team.
In 1979, Yip helped to fund Ensign but the car was not a success. The car was driven by Derek Daly, Patrick Gaillard, and Marc Surer but there were no points scored. At the end of 1978 and through 1979 Teddy also funded a British F1 programme with Wolfs WR3, WR4 and WR6 for David Kennedy who finished runner up in the series. His British F1 programme also ran Desiré Wilson in Wolf WR4 to a famous win at Brands Hatch in 1980.
Kennedy moved to Shadow in 1980 with, initially, Stefan Johansson and later Geoff Lees as team mate but the team was chronically underfunded and using a very poorly engineered DN11 chassis. After a few races Yip took over ownership from founder Don Nicholls and introduced a DN12 chassis which also proved a failure. In June after a brace of non-qualifications at the French Grand Prix in Paul Ricard Yip closed down the Shadow team. Yip rethought his involvement in racing and ended most of his other activities in order to concentrate on F1.
With Sid Taylor and Julian Randles he established Theodore Racing Ltd. and recruited Tony Southgate and team manager Jo Ramirez. The new car was dubbed the TY01 and was driven by Tambay at the start of 1981. In the mid-season Tambay was lured away by Ligier and Yip gave the drive Marc Surer. The same car was developed in 1982 and it became obvious that small teams could not easily survive in the turbo era. Yip merged Theodore with Ensign and used the Nigel Bennett-designed Ensign N183 design as a Theodore. The team hired Johnny Cecotto and Roberto Guerrero but at the end of that season the team shut down and Mo Nunn moved to America, where he enjoyed great success as a race engineer through the 1980s and into the 1990s and eventually set up a successful team of his own in CART.
Yip had long run a team each year at the Macau GP and in 1983 was behind the switch from Formula Atlantic rules to Formula 3. The result was a huge success and Theodore Racing has won the event many times, notably with Ayrton Senna.
Yip faded into retirement as a car enthusiast in the late 1980s and finally sold his share of his company in Macau to his brother-in-law.
In 2003, Teddy Yip died at the age of 96.
Yip started racing for fun in the 1950s at the wheel of a Jaguar XK120. In 1962 he and several partners (one of them was his own brother-in-law, Stanley Ho) formed the Sociedade de Turismo e Diversoes de Macau with a monopoly to run all casino operations and many other leisure activities in Macau, including the local lotteries, ferries and hotels. Teddy Yip along with Stanley Ho (the brother of his wife Susie Ho) and their two other partners (Yip Hon and Henry Fok), then established the Casino Lisboa. Sociedade de Turismo e Diversoes de Macau turned Macau into a major tourist center. Yip was the force behind the Macau Grand Prix which is today one of the biggest motor racing events in the world outside Formula 1.
In the early 1970s Yip met Dubliner Sid Taylor and agreed to sponsor Vern Schuppan in Formula 5000. This led to Yip backing Schuppan in Formula 1 with Team Ensign in 1974. There followed further involvement in America with Schuppan and then support of Alan Jones in the US Formula 5000 series in 1976. That year he established Theodore Racing. It was run by Taylor and entered an Ensign for Patrick Tambay in F1. After a difficult year in 1977, Yip commissioned Ron Tauranac to build him a Formula 1 car. The car was difficult and Eddie Cheever failed to qualify in both Brazil and Argentina but then Keke Rosberg took over and won the International Trophy at Silverstone in the wet, although he qualified for only one GP in South Africa. The car was abandoned in the mid-season. In America, Yip supported Dan Gurney's Eagle team.In 1979, Yip helped to fund Ensign but the car was not a success. The car was driven by Derek Daly, Patrick Gaillard, and Marc Surer but there were no points scored. At the end of 1978 and through 1979 Teddy also funded a British F1 programme with Wolfs WR3, WR4 and WR6 for David Kennedy who finished runner up in the series. His British F1 programme also ran Desiré Wilson in Wolf WR4 to a famous win at Brands Hatch in 1980.
Kennedy moved to Shadow in 1980 with, initially, Stefan Johansson and later Geoff Lees as team mate but the team was chronically underfunded and using a very poorly engineered DN11 chassis. After a few races Yip took over ownership from founder Don Nicholls and introduced a DN12 chassis which also proved a failure. In June after a brace of non-qualifications at the French Grand Prix in Paul Ricard Yip closed down the Shadow team. Yip rethought his involvement in racing and ended most of his other activities in order to concentrate on F1.With Sid Taylor and Julian Randles he established Theodore Racing Ltd. and recruited Tony Southgate and team manager Jo Ramirez. The new car was dubbed the TY01 and was driven by Tambay at the start of 1981. In the mid-season Tambay was lured away by Ligier and Yip gave the drive Marc Surer. The same car was developed in 1982 and it became obvious that small teams could not easily survive in the turbo era. Yip merged Theodore with Ensign and used the Nigel Bennett-designed Ensign N183 design as a Theodore. The team hired Johnny Cecotto and Roberto Guerrero but at the end of that season the team shut down and Mo Nunn moved to America, where he enjoyed great success as a race engineer through the 1980s and into the 1990s and eventually set up a successful team of his own in CART.
Yip had long run a team each year at the Macau GP and in 1983 was behind the switch from Formula Atlantic rules to Formula 3. The result was a huge success and Theodore Racing has won the event many times, notably with Ayrton Senna.
Yip faded into retirement as a car enthusiast in the late 1980s and finally sold his share of his company in Macau to his brother-in-law.
In 2003, Teddy Yip died at the age of 96.
domingo, 22 de novembro de 2009
Culinária Macaense: 100 especialidades
Na opinião do autor, estava em risco a continuidade da tradição culinária macaense, que combina elementos do Oriente e Ocidente, numa fusão que afirma ser “única”. Por isso, decidiu dedicar-se a seu estudo, do qual resulta a obra apresentada na passada sexta-feira.
O livro “Culinária Macaense – 100 Especialidades” foi lançado na sexta-feira em Macau, durante um jantar dedicado à culinária macaense. Com edição trilingue – em chinês, português e inglês -, o livro reúne uma centena de receitas locais, a maioria caseiras e pouco conhecidas, seleccionadas a partir de um vasto espólio que João António Ferreira Lamas recolheu para ajudar a manter viva a velha “cozinhaçã macaísta”.
O livro “Culinária Macaense – 100 Especialidades” foi lançado na sexta-feira em Macau, durante um jantar dedicado à culinária macaense. Com edição trilingue – em chinês, português e inglês -, o livro reúne uma centena de receitas locais, a maioria caseiras e pouco conhecidas, seleccionadas a partir de um vasto espólio que João António Ferreira Lamas recolheu para ajudar a manter viva a velha “cozinhaçã macaísta”.
O livro partiu de um convite da Direcção dos Serviços de Turismo, que convidou o nonagenário para fazer uma espécie de antologia do seu livro de receitas “A Culinária dos Macaenses”, que teve duas edições em Portugal em 1995 (esgotada) e em 1997. Ali estão recolhidas cerca de 600 receitas, das quais Lamas escolheu agora as que lhe pareceram ser “as receitas mais características de Macau”, dado que muitas daquelas patentes na anterior antologia são “muito próximas das chinesas ou portuguesas”.
Engenheiro de formação, João António Ferreira Lamas interessou-se pela Ásia por influência do seu trisavó paterno, comerciante de Lisboa com negócios no Extremo Oriente. Apesar de nunca ter residido em Macau, o seu interesse aumentou por via do casamento com Ercília Nolasco da Silva, uma macaense radicada em Lisboa. Na capital portuguesa, frequentou casas de famílias macaenses e começou a “adorar a comida que degustava em casa da família da mulher”.
Aquando da sua primeira visita ao território, em 1971, o autor apercebeu-se que praticamente já não se fazia comida macaense, “a não ser a dos chás-gordos [misto de chá e de jantar, servido de pé em dias festivos, com iguarias salgadas e doces, frias e quentes] no Palácio do Governo e no Leal Senado, devido à saída continuada de famílias tradicionais macaenses do território a partir da II Guerra Mundial”. “Não havia um único restaurante que a confeccionasse a cozinha local típica e, mesmo nas casas macaenses, isso tinha sido quase esquecido”, declarou.
Com a aproximação da transição de poderes, Ferreira Lamas começou a antever que a comida macaense “poderia deixar de ser conhecida” e achou que era “uma pena” perde-se o registo de tal tradição. Dedicou-se então ao estudo das suas origens e da sua evolução ao longo dos tempos, e, como membro da direcção da Casa de Macau em Lisboa, fez um pedido para que os sócios lhe dessem receitas macaenses. Conseguiu recolher 800, das quais publicou 600 no já referido “A Culinária dos Macaenses”.
Para este apaixonado pela comida da Macau, o facto de “uma minoria étnico-cultural de um pequeno enclave localizado num gigantesco território ter criado uma culinária própria” consubstancia “um caso único no mundo”. O seu livro pretendeu desmentir uma ideia feita segundo a qual a comida macaense era igual à comida chinesa. “Tem muitas influências chinesas, mas também de outros lados. A comida macaense é das mais heterogéneas que conheço. Uma das razões que a fazem muito diferente da chinesa é porque os portugueses que aqui se fixaram não gostavam da comida chinesa. Fernão Mendes Pinto, por exemplo, dizia que a comida chinesa era pestilenta. Faziam comidas com base na portuguesa. Ora, como os portugueses andaram por todo o mundo e os navegadores que aportavam a Macau já tinham passado pela Índia e pela Malásia, houve uma mistura de condimentos e modos de cozinhar”, contou ao PONTO FINAL o autor.
Na lista de iguarias incluídas em “Culinária Macaense – 100 Especialidades” encontram-se várias formas de cozinhar o “adem” (expressão antiga para designar o pato), o “cozido macaense”, o diabo (que mistura de carnes de porco, vaca e carneiro), ou a sopa de lacassá (uma sopa de aletria de arroz, com balichão, tempero originário da Malásia, que é feito à base de camarão minúsculo e leva folhas de louro, sal, cravinho, pimenta preta em grão e vinho). No domínio dos doces, onde culinária macaense é riquíssima, estão incluídos o alua (massa fina frita recheada com coco ralado, jagra, amêndoa moída, pinhões cortados e manteiga) e o farte (massa fina frita recheada com coco ralado, pinhões, amêndoa, biscoitos moídos, cravinho em pó e manteiga).
Artigo da autoria de Paulo Barbosa publicado a 16-11-2009 no jornal Ponto Final
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
De antigo porto de abrigo a capital mundial do jogo
No dia 19 de Dezembro de 2009 assinalam-se os 10 anos da transferência da Administração portuguesa de Macau para a China, pondo fim a mais de 450 anos de presença de Portugal no território.
Ruínas de S. Paulo em 1967 (cima) - Rua do Campo (baixo)
De porto de abrigo a capital mundial do jogo, Macau transformou-se num destino asiático que, dez anos após a transferência da administração, conjuga a singularidade da história portuguesa e a modernidade dos espaços que transformaram a região.Longe vão os tempos em que a cidade serviu de abrigo aos navegadores portugueses no Oriente e longe vai também a época em que Macau era pouco mais do que um destino de jogo para alguns estrangeiros e muito uma "aldeia" de fim-de-semana para divertimento dos turistas de Hong Kong.
A China mudou e Macau, tal como Hong Kong, regressou à "mãe-pátria". A explosão económica do continente, uma maior abertura ao exterior e a atracção pelo jogo trouxe à realidade o mito da "árvore das patacas", muitas vezes utilizado pelos portugueses para exemplificar as melhores condições de vida oferecidas no então território sob administração portuguesa.Meio adormecida após a transição em 1999, a Região Administrativa Especial de Macau acordou com o lançamento do concurso para as licenças de jogo e modernizou edifícios, hotéis e casinos.
Com o passar dos meses as ruas encheram-se de gente e a cidade foi "dominada" por turistas atraídos pelos casinos. O jogo chamou mais de 20 companhias internacionais a uma licença de operação e os visitantes de Hong Kong foram substituídos em importância pelos do continente. Nas lojas, falar inglês já não é essencial porque o mandarim ou o cantonense dominam as conversas de negócios.
Entre o abrir e fechar da torneira do turismo chinês para Macau, criaram-se também novas oportunidades do outro lado da fronteira com acordos económicos.A cidade manteve a sua autonomia mas integra agora uma lógica regional de desenvolvimento, potenciando capacidades da triangulação com Hong Kong e com as províncias do continente.
Veio também a directriz de Pequim nomeando a cidade como o elo de ligação da China aos países de língua portuguesa com vista ao crescimento do comércio bilateral. A Igreja Católica em Macau serve de ponte entre a Santa Sé e a igreja oficial chinesa.
As pedras da calçada à portuguesa ocupam agora mais espaço do que antes de 1999, os candeeiros de estilo antigo, mas "made in China", misturam-se nos monumentos que são património da Humanidade reconhecido pela UNESCO.Entre a correria da nova era de desenvolvimento, Macau continua a ser um ponto de encontro e na rua, nas escolas e nos cafés cruzam-se várias nacionalidades, culturas e sabores.
Ser português ou chinês é uma vantagem para efeitos de fixação de residência e muito do desenvolvimento que hoje se vive fica a dever-se às bases deixadas por Portugal como o sistema jurídico e a educação gratuita reforçada pela administração chinesa até ao final do liceu.
Texto de José Costa Santos e Patrícia Neves, da Agência Lusa a 20-11-2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Polícia Marítima e Fiscal
A Polícia Marítima e Fiscal era uma força de segurança militarizada, cuja acção se desdobrava no cumprimento das missões de policiamento marítimo e de fiscalização aduaneira, na áera de jurisdição marítima do Território e nos locais de ligação deste com o exterior.Tal como sucedia com a Capitania dos Portos de Macau, também é incerta a data em que foi criada a força destinada a fazer cumprir as leis e as instruções respeitantes ao exercício da autoridade marítima.A primeira referência inequívoca sobre esta matéria é a portaria régia de 3 de Março de 1841 que estabelece o Regulamento da Polícia da Cidade e do Porto de Macau…Desde então, o apoio ao exercício da autoridade marítima foi feito através de uma corporação que passou por várias alterações na sua designação, estrutura e funções. As mais significativas foram as de 1862 e 1868.
Em 1862 o Governador Izidoro Guimarães criou uma Secção de Polícia de Macau, denominada Polícia do mar do Porto de Macau, integrada no Corpo de Polícia de Macau... 'nascia' a PMF
Em 1868, por iniciativa do Governador Sérgio de Sousa, a Secção da Polícia do mar passou a denominar-se Polícia do Porto de Macau, ficando desligada da Polícia da cidade.Com esta nova organização, o seu comando passou a ser exercído pelo Capitão do porto de Macau, enquanto “o quartel da Polícia do porto de Macau continua sendo a bordo da lorcha Amazona”.Muitos anos mais tarde estava constituído o Corpo da Polícia Marítima e Fiscal de Macau, subordinado ao Capitão do Porto de Macau e que englobava a Polícia Marítima e a Polícia Fiscal. Em 14 de Dezembro de 1957 foram extintas aquelas duas Polícias e criada a Polícia Marítima e Fiscal (PMF).
Em 1862 o Governador Izidoro Guimarães criou uma Secção de Polícia de Macau, denominada Polícia do mar do Porto de Macau, integrada no Corpo de Polícia de Macau... 'nascia' a PMFEm 1868, por iniciativa do Governador Sérgio de Sousa, a Secção da Polícia do mar passou a denominar-se Polícia do Porto de Macau, ficando desligada da Polícia da cidade.Com esta nova organização, o seu comando passou a ser exercído pelo Capitão do porto de Macau, enquanto “o quartel da Polícia do porto de Macau continua sendo a bordo da lorcha Amazona”.Muitos anos mais tarde estava constituído o Corpo da Polícia Marítima e Fiscal de Macau, subordinado ao Capitão do Porto de Macau e que englobava a Polícia Marítima e a Polícia Fiscal. Em 14 de Dezembro de 1957 foram extintas aquelas duas Polícias e criada a Polícia Marítima e Fiscal (PMF).
No dia 1 de Janeiro de 1976 a PMF foi integrada nas Forças de Segurança de Macau e em 1 de Janeiro de 1991, pela entrada em vigor da Lei de Segurança Interna, o cargo de Comandante da PMF passou a ser exercido pelo Capitão dos Portos de Macau por inerência.
Texto de António Cambeta que serviu 25 dos 44 anos de existência da PMF. "Durante esses vastos anos, o signatário exerceu imensas tarefas, a primeira e pouco tempo de ter entrado na Coorporação foi chefiar a Secção de Frete Corrido, tendo passado depois para a contabilidade dos Serviços de Marinha, como dactilógrafo, e lá esteve uns anitos.
Embarcou nas vedetas da classe C aquando agente de 2a. classe, prestou serviço no terminal marítimo do Porto Exterior.Como agente de 1a. classe prestou serviço nas ilhas da Taipa e de Coloane, no Posto Fiscal, no terminal marítimo do Porto Exterior, embarcou numa lancha da classe C como patrão e numa lancha rápida, tendo exercido o cargo de Fiel dos Serviços de Marinha, interinamente e Fiel da PMF. Já com o posto de sub-chefe exerceu funções no Posto de Coloane, Posto Fiscal, terminal marítimo do Porto Exterior, Chefe do Sector 4, Areia Preta, encarregado de uma zona de barracas na zona do Lamau, encarregado da limpeza na zona entre a ponte 34 e a ponte 23, instrutor do primeiro grupo de intruendos que vieram incorporar a PMF, fez parte da Comissão de Praias e embarcou como patrão numa lancha da classe C, sendo também massagista e treinador da equipa de bolinha (futebol de 7) e de futebol de 11, da Obra Social dos Serviços de Marinha a que pertencia também a PMF.
Como Chefe, chefiou o Sector 2 Terminal Marítimo do Porto Exterior, Sector das Ilhas da Taipa e Coloane, embarcou por duas vezes na lancha de fiscalização Bravo 1, classe Albatroz, chefiou o Posto Fiscal, desempenhou as funções de Adjunto do Comandante da Divisão Policial e Fiscal de Macau, tendo por fim sido Comandante da mesma Divisão.
Conheceu 11 Comandantes da PMF tendo sido louvado inúmeras vezes e recebido do Governo de Macau duas altas conderações, uma a Dedicação e Mérito e uma de Mérito Profissional. Em Agosto de 1992, a seu pedido passou à reforma, tinha na altura 48 anos de idade."
Túneis subterrâneos do antigo Quartel da Guia
A Fortaleza do Monte da Guia tem um formato trapezoidal, a cerca de 90 metros acima do nível do mar (o ponto mais elevado do Território). A sua construção foi concluída em 1622 (tendo sido ampluada em 1638). No seu interior estavam as dependências de serviço: Quartel de Tropa, Paiol, torre de vigia e cisterna. Ocupa uma área de 800 metros quadrados.
No seu interior destacam-se a Capela de Nossa Senhora da Guia, erguida por volta de 1622, e o Farol da Guia, o primeiro farol do Extremo Oriente, construído em 1865.
Dentro da fortaleza, perto do Farol e da Capela, existe uma rede de túneis subterrâneos que, à época da Segunda Guerra Mundial, tinham a função de proteger a guarnição dos ataques aéreos. Serviam também de instalações militares com os seus próprios geradores de energia eléctrica, salas de descanso e depósitos de combustíveis e de mantimentos. O túnel mais comprido tem 456 metros e o mais curto apenas 47. Desde 1975 (ano da partida da guarnição militar portuguesa) parte destes túneis podem ser visitados, uma vez que a área deixou de ser classificada como zona de reserva militar. Até então, só no dia 25 de Agosto (dia de "Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior") e no dia do Culto dos Antepassados (ou também chamada, em chinês, de "Chong Yeong") é que era permitido a entrada de fiéis para a Capela, dedicada a Nossa Senhora da Guia.
Na fortaleza, próximo do Farol, existe um poste onde é içado o aviso de aproximação de tufões. Antigamente, os avisos da aproximação das tempestades eram feitos pelo toque do sino da torre da capela.
No seu interior destacam-se a Capela de Nossa Senhora da Guia, erguida por volta de 1622, e o Farol da Guia, o primeiro farol do Extremo Oriente, construído em 1865.
Dentro da fortaleza, perto do Farol e da Capela, existe uma rede de túneis subterrâneos que, à época da Segunda Guerra Mundial, tinham a função de proteger a guarnição dos ataques aéreos. Serviam também de instalações militares com os seus próprios geradores de energia eléctrica, salas de descanso e depósitos de combustíveis e de mantimentos. O túnel mais comprido tem 456 metros e o mais curto apenas 47. Desde 1975 (ano da partida da guarnição militar portuguesa) parte destes túneis podem ser visitados, uma vez que a área deixou de ser classificada como zona de reserva militar. Até então, só no dia 25 de Agosto (dia de "Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior") e no dia do Culto dos Antepassados (ou também chamada, em chinês, de "Chong Yeong") é que era permitido a entrada de fiéis para a Capela, dedicada a Nossa Senhora da Guia.
Na fortaleza, próximo do Farol, existe um poste onde é içado o aviso de aproximação de tufões. Antigamente, os avisos da aproximação das tempestades eram feitos pelo toque do sino da torre da capela.
Estátua de Jorge Álvares: 1954
Governador discursa
Director das Obras Públicas discursa
No dia da inauguração em 1954
Ca. de 1959 (cima) - Década de 1960 (baixo)
Os portugueses iniciaram os seus contactos com a China em 1513, quando Jorge Álvares, por determinação do primeiro capitão de Malaca, Rui de Brito Patalim, se dirigiu às costas da China em viagem exploratória, tendo aportado à ilha de Tamão (actual Lin-Tin).Este feito, o primeiro contacto português com a China, foi alvo de uma homenagem em forma de estátua em 1954. A idei aterá partido do Ministro do Ultramar que em 1952 visitou Macau.
A inauguração ocorreu "num dia de sol radioso (...). Momentos antes da chegada do Sr. Governador da Província, almirante Joaquim Marques Esparteiro, rodeavam o monumento o Rev. Chantre Morais Sarmento, em represnetação do prelado da diocese, Dr. Alberto Jorge, deputado à Assembleia Nacional, coronel Cyrne Pacheco, comandante militar da Província, capitão-tenente Aguiar Basto, comandante da Força Naval, representante do poder judicial, autoridades civis e militares, muitas senhoras, corpo consular acreditado em Macau, membros das comunidades chinesas e estrangeiros dos mais categorizados e inúmeras pessoas".
Estiveram ainda presentes a esposa do Governador, D. Laurinda, e a filha, "senhorinha" Maria Helena, o director das Obras Públicas, Engº José dos Santos Baptista, e o presidente do Leal Senado, António Magalhães Coutinho.
Foi construída em Portugal e enviada para Macau a bordo do navio "Índia". Aquando da inauguração, a sua localização (que nunca se alterou até hoje) era das mais nobres de Macau, na então denominada Av. Dr. Oliveira Salazar (o nome mudou para Av. da Amizade após o 25 de Abril de 1974), em plena Praia Grande.
Estiveram ainda presentes a esposa do Governador, D. Laurinda, e a filha, "senhorinha" Maria Helena, o director das Obras Públicas, Engº José dos Santos Baptista, e o presidente do Leal Senado, António Magalhães Coutinho.
Foi construída em Portugal e enviada para Macau a bordo do navio "Índia". Aquando da inauguração, a sua localização (que nunca se alterou até hoje) era das mais nobres de Macau, na então denominada Av. Dr. Oliveira Salazar (o nome mudou para Av. da Amizade após o 25 de Abril de 1974), em plena Praia Grande.
Excerto do discurso do Governador de Macau no dia da inauguração:
"Aberto concurso no Ministério do Ultramar, foi o projecto do pedestal e da estátua confiando ao escultor português Euclides Vaz, a qual é esculpida num monólito de mármore de lioz. A estátua chegou a Macau em fins de Maio passado, a bordo do paquete Índia, tendo a Repartição das Obras Públicas elaborado o projecto de localização e montagem do monumentoe posto o concurso a obra, a qual foi adjudicada ao empreiteiro chinês Vá San. A estátua foi eregida da Avenida Salazar, no largo fronteiro ao palácio das Repartições, local que, pode dizer-se, é a sala de visitas de Macau."
Livro dos Privilégios
O mais importante núcleo documental de Macau encontra-se no arquivo do Leal Senado. Compõe-se este arquivo de 236 códices, que abrangem o período de 1630 a 1924. Entre eles está o chamado "Livro dos Privilégios".
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Macau foi palco da assinatura do primeiro tratado sino-americano
Anos 40 (em cima) e anos 90 (em baixo)
Macau foi palco das primeiras trocas comerciais entre a China e os Estados Unidos, que definiram e marcaram a evolução da diplomacia entre os dois países, com a assinatura do primeiro tratado, a 3 de Julho de 1844.A actual Região Administrativa Especial da China teve, nos séculos XVIII e XIX, um papel decisivo no intensificar das relações entre o Ocidente e a China, servindo de entreposto comercial quando era o único estabelecimento europeu na costa chinesa, já que as leis do Império proibiam a entrada de mulheres e estrangeiros, explicou em declarações à agência Lusa a historiadora Leonor Seabra.
Na primeira metade do século XIX, a China era já o terceiro maior parceiro comercial dos Estados Unidos, depois de Inglaterra e Cuba, e a Guerra do Ópio, que opôs Inglaterra e China, abriu um novo capítulo das relações Ocidente/Oriente.
Através da assinatura de um tratado, em 1842, a China comprometeu-se a pagar uma indemnização a Inglaterra, de 21 milhões de dólares, a abolir o monopólio do comércio, a abrir cinco portos ao comércio internacional (Cantão, Xiamen, Fuzhou, Ningbo e Xangai), a ceder Hong Kong, a trocar correspondência e a estabelecer taxas alfandegárias fixas.
"Seguiu-se a corrida de outras potências ocidentais ao novo mercado que se abria na China, como os Estados Unidos e França, que queriam as mesmas regalias que os ingleses", realçou a especialista em História de Macau.
Os Estados Unidos enviaram Caleb Cushing a Macau, em 1844, para concluir o acordo com a China e entregar uma carta do presidente John Tyler ao imperador chinês Daoguang. O representante do imperador - Qiying - estabeleceu residência em Macau no templo budista de Kun Iam Tong, no sopé da colina de Mong Há, onde foi assinado o primeiro tratado sino-americano, a 3 de Julho de 1844, numa mesa de pedra de um dos átrios do templo, que ainda hoje pode ser visitada.
"Com este tratado, os americanos obtiveram todos os privilégios dos britânicos, excepto a cedência de um território e a indemnização", constata Leonor Seabra ao realçar que, mesmo depois da ocupação de Hong Kong pelos ingleses, os americanos continuaram a usar Macau como base para os seus negócios na China.
O templo de Kun Iam Tong foi construído no século XII em homenagem à deusa da Misericórdia e é hoje um dos locais de culto budistas mais antigos e maiores de Macau, sendo uma das principais atracções turísticas do território.
A mesa de pedra que marcou o início das relações comerciais e diplomáticas entre uma das maiores potências do Ocidente e aquela que é actualmente uma das maiores economias mundiais em ascensão está rodeada por duas árvores consideradas símbolos dos amantes e da felicidade conjugal.
Excerto de notícia da Agência Lusa de 14-11-2009
Uma Viagem de Volta ao Mundo, Incluindo uma Embaixada de Muscat e Siam em 1835, 1836, e 1837
"Em 1832, Andrew Jackson, presidente dos EUA, agindo com base no parecer do Secretário da Marinha, Levi Woodbury, enviou Edmund Roberts como "agente especial do governo", com poderes para negociar tratados de amizade e comércio com os países da Ásia. O objectivo era expandir o comércio entre estes países e os Estados Unidos. Entre o início de 1832 e Maio de 1834, Roberts circunavegou o globo. No decorrer de sua viagem, ele negociou tratados com o Sultão de Mascate (Omã) e com o Rei do Sião (Tailândia). Após seu regresso aos Estados Unidos e a ratificação dos tratados pelo Senado, Roberts foi mandado de volta, em 1835, a Mascate e ao Sião para a troca das ratificações. Esta obra, escrita pelo cirurgião do navio que levava Roberts, é um relato da segunda viagem. Além de Mascate e do Sião, outros países visitados durante a viagem e descritos nesta obra incluem: Brasil, Tanzânia, Índia, Sri Lanka, Indonésia, China, Vietname, México, Perú e Chile. O próprio Roberts não viveu para completar sua missão. Morreu em Macau em 12 de junho de 1836."
in Biblioteca Digital Mundial
Segundo o Monsenhor Manuel Teixeira foi colocado um epitáfio escrito em inglês que traduziu para o português: "Restos mortais do cavalheiro Edmundo Roberts, especial diplomata e agente dos Estados Unidos junto de algumas Cortes Asiáticas, o qual faleceu em Macau a 12 de Junho de 1836, na idade de 50 anos. Planeou e executou até ao fim sob instruções do seu governo, tratados de amizade e comércio entre os Estados Unidos e as Cortes de Muscate e do Sião. Erecta à memória do cavalheiro Edmundo Roberts, de Portsmouth New Hampshire, pelos cidadãos dos Estados Unidos residentes em Cantão, 1836".
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Memórias das Decorações Festivas do Dia Nacional da China
Lei Tin Iok é um fotógrafo bastante conhecido em Macau. Tratam-no por "Velho Tin". Tem quase 90 anos de idade e fotografou Macau durante meio século.
"Entre 1949 e 1970, a fim de comemorar o Dia Nacional, os arcos decorativos construíam-se em algumas grandes ruas de Macau. Quando se acendiam as luzes, o grupo de representação recreativa e artistica comecava a actuar debaixo do arco decorativo e todos se mostravam muito animados, realcando uma elegancia impressionante nas actividades realizadas no Dia Nacional. Estes arcos decorativos construídos para o Dia Nacional eram sofisticados e imponentes e constituíam as características culturais da respectiva comemoração desta Região. Estas imagens preciosas ficaram, do modo de possível, na lente da máquina fotográfica do Velho Tin, as quais testemunharam o orgulho dos arcos decorativos do Dia Nacional celebrado em Macau e reflectiram o patriotismo dos compatriotas desta pequena cidade."
"Entre 1949 e 1970, a fim de comemorar o Dia Nacional, os arcos decorativos construíam-se em algumas grandes ruas de Macau. Quando se acendiam as luzes, o grupo de representação recreativa e artistica comecava a actuar debaixo do arco decorativo e todos se mostravam muito animados, realcando uma elegancia impressionante nas actividades realizadas no Dia Nacional. Estes arcos decorativos construídos para o Dia Nacional eram sofisticados e imponentes e constituíam as características culturais da respectiva comemoração desta Região. Estas imagens preciosas ficaram, do modo de possível, na lente da máquina fotográfica do Velho Tin, as quais testemunharam o orgulho dos arcos decorativos do Dia Nacional celebrado em Macau e reflectiram o patriotismo dos compatriotas desta pequena cidade."
Texto do Museu de Arte de Macau
Rua Visconde Paço de Arcos
Frente ao Teatro LidoEscola Comercial Pedro Nolasco - 1961
O edifício novo desta escola - onde actualmente funciona a Escola Portuguesa de Macau - só foi inaugurado em 1966.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
António Augusto Menano
Escritor e pintor. Nasceu em Coimbra em 6 de Maio de 1937. Viveu sempre na Figueira da Foz, excepto em 1957/59 (Coimbra), 1960 e 1962/63 (Lisboa), e de 1988 a 1992 (Macau). Entre 1982 e 1988 foi vereador da Câmara Municipal da Figueira da Foz, onde entre 1993 e 1997 chefiou os Serviços Culturais.Visitou muitos países da Ásia, esteve no Brasil, na Colômbia, Cuba e nos Estados Unidos da América. Conhece a generalidade da Europa e a Tunísia. Em todas estas derivações visitou museus, galerias de arte, estúdios de pintores, monumentos, além de ter contactado com as populações.
Escritor com 16 livros publicados, está representado em 15 antologias. Tem poemas traduzidos em chinês.
Colaborou em publicações de Angola, Brasil, Espanha, Macau, Moçambique e Portugal. Ganhou 3 prémios nacionais de poesia: Sebastião da Gama, Oliva Guerra e Fânzeres; e teve menções honrosas nos Prémios Fernando Pessoa, Bocage e Universitária Editora.
Expôs em Portugal, Macau, França. Espanha e Estados Unidos, estando representado no S. T. de Justiça, Fundações Bissaya Barreto e Cupertino de Miranda, SPA, Instituto Português do Oriente, Câmaras Municipais de Coimbra, Montemor-o-Velho, Figueira da Foz e em outras colecções públicas e privadas.
Foi seleccionado para o Prémio Nacional de Pintura Júlio Resende, 1997. Escreveram sobre a sua pintura Arsénio Mota, Baptista Bastos, Margarida Marques Matias, Manuel Bontempo, Telo de Morais, entre outros.
Silveira Machado (2º post)
Açoriano de 1918, chegou a Macau em 1933 para estudar no seminário de S.José. Mas cedo desistiu, cumpriu o serviço militar e, depois, ingressou na função pública. Mais tarde professor, desde muito cedo teve queda para a poesia e para os jornais, tendo sido fundador do semanário O Clarim e também do Círculo Cultural de Macau. Para a história deixa alguns títulos:
Macau: Sentinela Do Passado - Secção De Propaganda e Turismo 1956
Rio das Pérolas (poemas)
Macau, mitos e lendas (contos)
Duas instituições macaenses
Macau na memória do tempo
O outro lado da vida
Padre Francisco (Xico) Maria Fernandes: 1935-2005
Depois de uma longa enfermidade, suportada com exemplar resignação cristã e certo estoicismo para não preocupar os superiores, colegas e amigos, entregou a sua bela alma a Deus, este abnegado sacerdote e lutador incansável pela libertação da sua Pátria, Timor-Leste!Morreu precisamente na bela cidade Macau, onde terminou o curso filosófico-teológico no Seminário de S. José, em Julho de 1962 e, desde 1990 trabalhou como pároco na Sé Catedral, assistente de refugiados timorenses e exerceu outras funções ligadas à Diocese.
Descendente de famílias nobres, Francisco Maria Fernandes nasceu em Lacló no dia 24 de Maio de 1935. A sua mãe pertencia a nobreza de Lacló e o pai era régulo de Clacuc, um dos reinos mais antigos de Timor.
Após a invasão nipónica, na companhia de outros jovens, iniciou a sua instrução primária no Colégio de Beato Nuno Álvares Pereira. Tínhamos apenas nessa altura um exemplar do ABC e outro da Cartilha de João de Deus para cerca de 100 crianças. Mas Francisco Maria Fernandes não precisava do livro, pois já se entretinha a ler jornais portugueses que de vez em quando chegavam a Soibada.
Em 1948 sentindio-se chamado para o sacerdócio entrou para o Seminário de Nossa Senhora de Fátima.
Bondoso, caritativo, alegre, desportista, de atitude modesta, acolhedora, afável e comunicativa, era estimado pelos superiores, professores e colegas. Os condiscípulos apelidavam-no de pombinha sem fel.
Inteligente, aplicado e muito metódico, tendo como educadores Jesuítas ou Sacerdotes Seculaes de elevadíssima craveira intelectual e largos anos de experiência pedagógica universitária, não desperdiçou os anos da sua formação literária e filosófico-teológica. Mas distinguiu-se sobretudo na Matemática em que se dispensava sempre a provas orais com altas classificações. Recebeu duas vezes o prémio “Dr. Leitão” atribuído aos melhores alunos em Ciência Naturais ou Físico-Quimicas do ensino seundário de Macau.
Ordenado sacerdote em 1963 por D. Jaime Garcia Goulart, começou as suas actividades como coadjutor e mais tarde professor e superior das escolas e missões católicas mais importantes da Diocese de Díli. Dinâmico e levado pelo intenso zelo de espalhar a doutrina de Cristo, percorria de carro, motocicleta,a cavalo ou mesmo a pé montanhas, planíceis e vales de sucos e povoações mais remotas das missões a seu cargo. Aonde quer que chegasse conquistava rapidamente a amizade de todos, sobretudo dos mais humildes que depositavam nele grande confiança, o amavam e o chamavam simplesmente “amo Chico”. Um seu antigo aluno do colégio de Nuno Álvares Pereira, em Soibada, resume assim o valioso trabalho do Padre Fernandes:
“Estou muito triste com a notícia. Para a nossa família, o Padre Chico como Superior do colégio de Nuno Alvares Pereira deu muita atenção às crianças da minha idade naquele tempo e trabalhou muito na pregação da fé cristã para o povo de Soibada (SAMORO), Laclubar, Funar e Fato-Maquerec. Choro a sua morte”
Como timorense de sólida formação sociológica e com conhecimento profundo da Doutrina Social da Igreja Católica, o jovem sacerdote não se alheava aos problemas economico-sociais da sua terra. Por isso, a par do seu múnus missionário, ouvia com muita atenção as autoridades tradicionais, os instruídos, os anciãos e quem quisesse falar com ele sobre as suas respectivas preocupações e sonhos, para depois lhes expôr os seus pontos de vista e apresentar sugestões a fim de melhorarem a situação em que as populações viviam. Ainda hoje alguns dos que o recebiam o recordam com muitas saudades.
Com a nova situação criada em Timor pelo Movimento de 25 de Abril de 1974, em obediência à determinação do bispo da Diocese, o Padre Francisco Maria Fernandes e os seus colegas não se imiscuíam directamente em política. No entanto, como cidadão timorense ele nunca deixou de expressar publicamente o que opinava necessário para uma indpendência realista e sem atropelos, salvaguardando sempre os valores portugueses que enriqueciam a cultura timorense.
Em Agosto de 1975 – como ele próprio afirmou numa entrevista a um jornal católico indonésio – perseguido em Ainaro pelas forças da FRETILIN, teve que se refugiar na cidade fronteiriça de Atambua e sofrer na companhia de milhares dos seus compatriotas.
Foi importante a sua actividade. Prestou contínua assistência religiosa aos refugiados colocados em diversas aldeias daquela cidade e, coadjuvado por António de Sousa Nascimento, António José Quintão, Adelino dos Santos Tinoco e outros, transformou o seu quarto de dormir na resdiência episcopal de Atambua numa secretaria secreta onde recebia a visita diária dos seus conterrâneos que lhe entregavam dados, documentos e fotografias para obtenção de passaportes. Enviou tudo para a Embaixada da Holanda em Jakarta, ao tempo encarregado dos interesses de Portugal.
Exigiu inúmeras vezes junto dos oficiais superiores indonésios que fossem posto em liberdade todos os refugiados presos sem razão.
Escreveu cartas a Macau, solicitando ajuda monetária para aquisição de géneros alimentícios e medicamentos às populações de Fatu-Mean e Fatu-Lulik as quais estavam abandonadas pelas próprias autoridades indonesias sem qualquer assistência médica ou alimentar, tendo já algumas crianças morrido à fome e de doença.
A sua influência junto dos refugiados foi tão grande que, para se livrarem dele, os indonésios o incluiram na lista dos primeiros retornados. Ciente deste plano maquiavélico, no dia do embarque, o Padre Chico escondeu-se debaixo da cama do Senhor Bispo de Atambua e só saiu da residência episcopal ao terceiro dia.
O apoio, a corajosa defesa dos refugiados timorenses contra abusos de que estavam a ser vítimas e o trabalho intensivo por ele realizado para os que queriam ser repatriados para Portugal tornaram o Padre Francisco Maria Fernandes um verdadeiro herói não apenas dos milhares de refugiados em Atambua como também de Timor e Portugal. Um antigo refugiado sintetizou bem o que foi o Padre Fernandes para os refugiados nestas palavras: “sinto pena de perder um grande amigo, grande defensor dos direitos dos refugiados, quando estivemos em Atambua durante 9 meses em 1975, e lutador pela independência de Timor. Paz a sua alma e eterno descanso”. Um outro ex-refugiado, referindo-se ao Padre Fernandes afirma comovido “para mim, ele foi mais que sacerdote. Foi um amigo, um pastor que não largava os milhares de ovelhas que éramos todos nós os refugiados. Mas o Padre Chico não procurava honras nas suas acções. Fazia tudo às caladas e com uma humildade exemplar”.
Chegado a Portugal, em Setembro de 1976, o Padre Francisco Maria Fernandes continuou a dar assistência religiosa e a ajudar os seus conterrâneos. Mais uma vez com a coperação do seu colega Padre Dr. Apolinário Guterres e coadjuvado por António de Nascimento e outros contactou as autoridades portuguesas no sentido de conceder certas facilidades de atendimento e colocação aos timorenses. Percorreu sem cessar as cidades ou os locais onde estivessem os refugiados timorenses.
Na sequência da chegada de refugiados timorenses a Portugal organizou-se uma reunião geral em que participaram não só os refugiados, como também os estudantes e outros timorenses, tendo sido criada a Comissão de Refugiados de Timor de que o Padre Fernandes foi eleito Presidente.
Mas o seu pensamento estava mais voltado para os compatriotas que na Pátria distante sofriam sob os algozes das tropas invasoras ou, de todas as formas, lutavam heroicamente, no mato, nas cidades e vilas pela libertação do país. Suspirava e referia-se com mágoa aos compatriotas em Timor. Confiando na Providência Divina, organizou uma romagem a Fátima onde os refugiados ofereceram à Virgem um mapa de Timor-Leste feito de terra, recolhida de muitas localidades do país pelo Padre Dr Apolinário Guterres e levada secretamente por António de Sousa Nascimento, cuja bagagem se tinha escapado por milagre da rigorosa vistoria dos funcionários alfandegários e polícia indonésios à hora de partida.
Na companhia do seu colega, Dr Apolinário Guterres e dois conterrâneos, participou em Nova Iorque e Washington nalguns foruns para denunciar e informar a comunidade internacional dos crimes de genocídio e violação dos direitos fundamentais do homem perpetrados pelas tropas indonésias contra o povo de Timor. A este propósito permito-me citar aqui o que escreveu Monsenhor Jorge Barros Duarte:
“A par das formações políticas, responsáveis pela acção diplomática da “diáspora”timorense, merece ainda uma especial menção a Comissão dos Refugiados Timorenses, cujo presidente, o Pe. Francisco Maria Fernandes, tem sido incansável e tem sabido com notável diplomacia e inteligência, desenvolver uma intensa campanha de sensibilização a favor do povo de Timor, junto de entidades oficiais australianas, junto do Departamento do Estado americano, do Fereign Office, Parlamento Europeu, repesentações diplomaticas afro-asiáticas nas Nações Unidas, Comissão dos Direitos Humanos, Partidos políticos australianos, americanos, britânicos e portugueses, não esquecendo contactos com organizações humanitárias, como a Amnistia Internacional e com entidades religiosas como o Arcebispo da Cantuária e o Patriarca de Lisboa”.
A acção que vinha desenvolvendo em prol do povo do seu país e a participação em foruns internacionais fizeram-no sentir a necessidade de actualizar ou desenvolver o que aprendera nos três anos de Filosofia e Sociologia para melhor defender os direitos dos seus martirizados compatriotas. Por isso, uma vez na Austrália, como capelão da comunidade da lingua portuguesa em Perth, para além do seu apostulado, matriculou-se na Universidade de Murdoch, onde se formou em Ciências Político-Sociais, tendo em seguida tirado o Mestrado na mesma cadeira.
Durante a sua estadia em Perth, prestou valiosos serviços à comunidade timorense. Foi durante anos um dos programadores de “A Voz de Timor”e tomou parte activa em diversos foruns internacionais sobre a questão de Timor-Leste realizados nesta cidade.
Em 1989, acedendo ao convite de um dos seus antigos professores Rev. Dr. D. Arquimino da Costa, Bispo de Macau, partiu para aquela cidade, tendo-nos dito, antes do seu embarque, estas palavras:
“A minha ida a Macau e o trabalho que ali vou desenvolver na Diocese são uma forma de eu retribuir o muito que recebi do Seminário e a melhor maneira de mostrar a minha amizade e gratidão para com D. Arquiminio da Costa, meu ilustre professor. Mas onde quer que esteja, o meu pensamento, as minhas orações e algumas acções estarão voltadas para a nossa Pátria”.
O Padre Francisco Fernandes cumpriu o que disse à partida. Pois desde a sua chegada até a hora em que Deus o chamou para a eternidade, foi um sacerdote zeloso e exemplar na Diocese de Macau e um incansável representante de Timor, nos desvelos para com os seus conterrâneos mais necessitados, na cultura e História da Igreja Timorenses, enfim, naquilo que caracteriza o que há de mais nobre do bom povo de Timor-Lorosae.
Pe. Júlio Augusto Massa: 1922-
O P.e Júlio Augusto Massa, filho de Joaquim Maria Massa e de Loopoldina Amália Martins, nasceu em Freixo de Espada-à-Cinta, distrito de Bragança, em 11 de Maio de 1922.
Entrou no Seminário de S. José de Macau em 15 de Maio de 1935. Foi ordenado sacerdote em 1946. Logo após a ordenação foi nomeado professor de Filosofia do Seminário e do Liceu. Em 1948, foi secretário da Sta. Casa da Misericórdia.
Quatro anos depois, partiu para a Europa a fim de continuar os estudos. Esteve em Roma, Madrid e Salamanca onde defendeu tese de doutoramento em Filosofia e se graduou em Ciências Sociais.
De regresso a Macau, passou a leccionar Filosofia e Latim no Seminário Diocesano. Em l de Janeiro de 1957 foi nomeado director do «Boletim Eclesiástico de Diocese de Macau», cargo que exerceu durante cinco anos.
Durante os anos de 1960, 61 e 62 foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia. Em 1964 foi nomeado Procurador à Câmara Corporativa, tendo deixado este lugar 5 anos depois. Em 1962 e 1964 foi nomeado Governador do Bispado durante a ausência do Prelado, que se deslocou a Roma para tomar parte no Concílio Ecuménico Vaticano II.
Exerceu ainda o cargo de Assistente Eclesiástico da Mocidade Portuguesa Masculina e professor de Moral no Liceu Nacional Infante D. Henrique e o de professor contratado no mesmo Liceu, durante o ano lectivo de 1974-1975.
Interinamente exerceu os cargos de director do «O Clarim» (1948) e vogal representante da Diocese na Assistência Pública.
Entrou no Seminário de S. José de Macau em 15 de Maio de 1935. Foi ordenado sacerdote em 1946. Logo após a ordenação foi nomeado professor de Filosofia do Seminário e do Liceu. Em 1948, foi secretário da Sta. Casa da Misericórdia.
Quatro anos depois, partiu para a Europa a fim de continuar os estudos. Esteve em Roma, Madrid e Salamanca onde defendeu tese de doutoramento em Filosofia e se graduou em Ciências Sociais.
De regresso a Macau, passou a leccionar Filosofia e Latim no Seminário Diocesano. Em l de Janeiro de 1957 foi nomeado director do «Boletim Eclesiástico de Diocese de Macau», cargo que exerceu durante cinco anos.
Durante os anos de 1960, 61 e 62 foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia. Em 1964 foi nomeado Procurador à Câmara Corporativa, tendo deixado este lugar 5 anos depois. Em 1962 e 1964 foi nomeado Governador do Bispado durante a ausência do Prelado, que se deslocou a Roma para tomar parte no Concílio Ecuménico Vaticano II.
Exerceu ainda o cargo de Assistente Eclesiástico da Mocidade Portuguesa Masculina e professor de Moral no Liceu Nacional Infante D. Henrique e o de professor contratado no mesmo Liceu, durante o ano lectivo de 1974-1975.
Interinamente exerceu os cargos de director do «O Clarim» (1948) e vogal representante da Diocese na Assistência Pública.
Faleceu em Portugal já nada década de 1990.
The Thunders
The Thunders from Macau won a pop music contest organized by HKTVB in 1968 which took them to stardom as well as a recording contract with EMI. The winning song “She’s in Hong Kong”, an original composition by band member Rigoberto do Rosário Jr., was released on an SP which sold out immediately. More hit makers followed including “A minha tristeza”, “Summer Fun” and “Macau Terra Minha (my hometown)”. The group disbanded in 1971 shortly after it completed a very successful sting at the famous Mocambo.
The Thunders: Herculano Airosa “Alou” (keyboard), Armando Sales Ritchie (bass), Rigoberto do Rosário Jr. “Api” (lead), Domingos Rosa Duque “Lelé” (rhythm), Manuel Costa (drums & percussion)
The Thunders: Herculano Airosa “Alou” (keyboard), Armando Sales Ritchie (bass), Rigoberto do Rosário Jr. “Api” (lead), Domingos Rosa Duque “Lelé” (rhythm), Manuel Costa (drums & percussion)
Lyrics - She's in Hong Kong
After a long search I’ve made around the world
I met a girl in Hong Kong
She’s the nicest girl in this world
So to her I’ll belong
I had many girls from other countries
I had many girls from other countries
But none of them were my right one
The one I love is staying in Hong Kong
So I sing a song, a happy love song.
Now I have someone to call
Now I have someone to call
Now I have a true love to fall
She’s everything good for me
And my love for heris bigger than the sea
I got no words to tell her‘
I got no words to tell her‘
Cause I’m happy as could beI really have fallen for her
As you all can see
Rigoberto Rosário Jr.
Artista multifacetado, este macaense é carinhosamente chamado de "Api" pelos familiares e amigos. As suas artes vão da música à pintura. As suas obras podem ser apreciadas no Salão de Artes da Casa de Macau de São Paulo. A inspiração vem da sua terra natal, Macau, e a sua gente.
Rigoberto do Rosário Jr. (Api), nasceu em Macau em 1949. O seu grande sonho de infância era ser músico, e assim foi. de forma autodidacta.Talvez o reconheçam como vocalista do lendário grupo The Thunders (1966), o grupo que compôs e gravou diversos sucessos, incluindo a canção "Macau", a homenagem mais famosa à terra natal. Para além de músico é designer e ilustrador. Está há muitos anos radicado no Brasil.

"Filhos da Terra"
Segundo Ana Maria Amaro, "Os filhos da terra constituem um grupo sui generis que se isolou em Macau, fruto de pressões de índole social e económica.Do ponto de vista antropobiológico, os filhos da terra constituem um grupo de luso-asiáticos com fundo genético muito rico, cujo estudo científico, em amostragem representativa, nunca foi feito; estudo que, aliás, hoje deve ser difícil, se não impossível, de realizar devido à forte abertura à sociedade chínesa, já esboçada nos fins do século passado.
No entanto, do ponto de vista cultural, como exemplo típico de convergência de culturas, o grupo dos filhos da terra continua a manter padrões hibridados ou francamente originais, que lhe conferem víncada originalidade. São a culinária tradicional, o falar da terra, os trabalhos de costurinha e o de batê saia, certos passatempos e os doces nominhos de casa, que Bocage imortalizou no seu soneto a Beba.
Pensar Macau sem pensar nos filhos da terra, portugueses do Oriente, por vezes tão injustamente ignorados, é esquecer os não só quatro séculos de história social do território, mas também a herança mais nobre e a jóia mais valiosa, que os portugueses de quinhentos legaram aos seus vindouros."
António Estácio
A Deusa A-Má
Em tempos que já lá vão
Em tempos que já lá vão
Houve um dia um tufão
Foi um grande temporal
Muitos barcos se afundaram
Muitos barcos se afundaram
Pois poucos aguentaram
A força do vendaval.
Numa pobre embarcação
Numa pobre embarcação
Decidira o capitão
Certa jovem transportar,
E quando o barco aportou
Em santa se transformou
Lançando um divino olhar.
Nessa pequena enseada
Nessa pequena enseada
Numa encosta abrigada
Ergue-se o templo de A Má,
Lugar de culto e oração
Para a população,
E o mais velho que há.
Aliás, em seu redor,
Aliás, em seu redor,
Voltado ao Porto Interior,
Foi que Macau nasceu,
Tendo desde a fundação
Tido logo a protecção
Que a deusa lhe concedeu.

António Júlio Emerenciano Estácio nasceu na Guiné-Bissau. Engenheiro técnico agrário, residiu e trabalhou em Macau de 1972 a 1998. Entre os diversos cargos e funções exercidas em Macau, foi vice-presidente da Câmara Municipal das Ilhas, vogal do Conselho Consultivo do Governador, do Conselho do Ambiente, técnico-chefe dos Serviços Florestais e Agrícolas de Macau, Presidente da Associação de Patinagem de Macau.
Publicou no total 9 livros técnicos, entre os quais, Flora da Ilha da Taipa, Monografia e Carta Temática de Macau, Flora da Ilha de Coloane, Dinâmica de Zonas Verdes da cidade de Macau, Jardins e Parques de Macau.
Do lado dos "não técnicos" escreveu um de poesia, "Na Roda de Amigos" e outro de contos, "Histórias Vividas e Contadas".
Publicou no total 9 livros técnicos, entre os quais, Flora da Ilha da Taipa, Monografia e Carta Temática de Macau, Flora da Ilha de Coloane, Dinâmica de Zonas Verdes da cidade de Macau, Jardins e Parques de Macau.
Do lado dos "não técnicos" escreveu um de poesia, "Na Roda de Amigos" e outro de contos, "Histórias Vividas e Contadas".
Curiosidades de Macau Antiga, por Luis G. Gomes
Este livro faz parte da Colecção "Notícias de Macau" editado em 1952. É o 6º volume. Quanto aos anteriores, os 3 primeiros são coletâneas de artigos de Manuel Silva Mendes, o 4º Contos Chineses e o 5º, Lendas Chinesas de Macau.
Origem do Nome de Algumas RuasPoucas são as pessoas que se dispõem a cirandar pela parte velha desta cidade, visto que nenhum interesse desperta no seu espírito indiferente as evocações daquelas transitadas épocas, em que o piso irregular das congostas e travessas era animado pela cadenciada marcha dos liteireiros, conduzindo em vistosas librés formosas damas toucadas de finíssimas saraças e empertigadamente recostadas em vistosos almadraques, finamente bordados com doirados canutilhos e espelhenta lantejoulas, dos seus luxuosos palanquins; quando as janelas das suas espaçosas habitações solarengas se escancaravam para nelas se assomarem os rostos assustadiços de sedutoras donzelas atraídas por algum desabrido estrupido de bem quarteado e fogoso corcel, galopado por donairoso cavaleiro; ou, quando, por estreitas vielas desfilavam os espalhafatosos cortejos de arrogantes mandarins.
Passada a febril época de intensa actividade comercial e esgotadas as grandes fortunas de fácil aquisição, caíram as ruas desta cidade, num curto período de marasmo, para tornarem a animar-se sob o rodar de magnificentes carruagens dos seus abastados moradores, outra vez enriquecidos, no efémero período da fictícia prosperidade advinda. do tráfico de emigrantes.
Vergastada, depois, novamente pela. adversidade, e desta vez quão duramente, assistiu a cidade o desmoronar das suas falsas grandezas; e, então, as suas apalaçadas residências foram, uma a uma, caindo nas mãos de credores chineses, para que o produto de irremíveis hipotecas que as oneravam, pudessem continuar a manter o luxuoso viver dos seus arruinados proprietários, que não estavam acostumados a viver com parcimónia.
Entretanto, há cinco ou seis décadas se tanto, principou o camartelo do modernismo a derrubar e a destruir, já em nome da salubridade pública, já invocando regras de estética urbanística, grande parte da cidade medieval. As enviesadas ruas da parte nobre da antiga cidade, por onde os caleches dificilmente transitavam sem que os tapadoiros das suas rodas esboroassem as paredes das casas, viram então, as grandes lastras de granito do seu pavimento, substituídas por um revestimento de alvo cimento; as betesgas, os pátios e os becos da parte pobre, um verdadeiro ludreiro em dias chuvosos, foram calcetados àportuguesa. E, por toda a cidade, os velhos solares e outras casas de habitação, foram cedendo lugar a novos edifícios, alguns com fachadas interessantes, mas todos desprovidos de conforto.
Nos amplos salões de algumas das velhas mansões que ainda. se encontram de pé e onde outrora os seus sobrados rangeram com o peso de elegantes e formosos pares que se entretinham em animados cotilhões, turbulentas quadrilhas ou em mesurados minuetes, que constituíram as principais diversões dos serenins da. alta sociedade local, em diferentes épocas, vivem hoje, em sistema quase falansteriano, grupos de vinte ou trinta familias chinesas. As suas janelas tão rasgadas, mas tão adequadas a este clima, parecem que riem sardonicamente da imbecilidade de quantos passam actualmente por baixo delas, completamente indiferentes à sua passada opulência.
Mas, apesar da sanha destruidora, há no entanto, ainda alguns bairros na velha Macau, onde se pode disfrutar um pitoresco ciclorânico e que, por isso, vale a pena serem visitados, principalmente aqueles onde a vida gorgulha febril, mas miserável e funambulescamente, com trágicos recantos de fome e onde aparecem faces exageradamente acararnadas e lábios vivamente tingidos de vermelho,
pois são neles que podem ser observados certos costumes, tradições e superstições do povo
chinês, que ainda não perderam o intrigante atractivo do seu exotismo oriental.
Muito desses sítios, porém, já não são conhecidos pelos seus nomes primitivos, pois, desusaram-se com a transformação da sua fisionomia original, outros, não obstante as alterações impostas, por não se sabe quão voluntariosos edis, capricham em reter, pelo menos, em chinês, as designações por que primitivamente foram baptizados pelo vulgo.
Assim, há um trecho da cidade gue ainda é conhecido pelos chineses com o nome de Tcheok-Tchâi-Un, em local hoje dos mais populosos e sobrecarregado de casas encostadas umas às outras e separadas por uma apertada. rede de ruas. Entre nós, é este sitio conhecido por Horta da Mitra e abrangia todo o terreno que ia desde a antiga rua de Pák-T'âu-Sán-Kâi (Rua Nova dos Cabeças-Brancas, isto é, dos Parses), actualmente denominada de Rua Nova-à-Guia, até ao Ho-Lán-Un, (Jardim dos Holandeses), ou seja o bairro Uó-LÔng, sendo limitado ao norte pela Calçada do Gaio, na altura. por onde passava a muralha que noutros tempos cercava a antiga cidade. Todo este terreno foi outrora ocupado por uma extensa e densa mata e, como há trezentos anos, a cidade era ainda pouco povoada, no intuito de se fomentar o seu desenvolvimento populacional, foi permitido a um grupo de imigrantes chineses de apelidos Mâk, Tch'iu e Léong estabelecerem-se ali. Este minúsculo núcleo inicial conseguiu transformar, com o tempo, o local, numa aldeiazinha e os seus componentes viviam da venda da lenha que podavam na mata e cujas altas e frondosas árvores que a cercavam estavam sempre cobertas de pássaros que alegravam o basquete com a sua chilreada, dando ao sitio um aspecto de parque. Foi por este motivo que os chineses deram ao local o nome de Tchèok-Tchâi-Un que quere dizer "Jardim de Passarinhos".
Outro local, cujo nome em chinês ainda perdura, é a área de Sá-Kóng, vacábulo este que significa "boião de areia" e assim fora chamado porque a sua configuração aparentava um enorme boião e porque toda aquela depressão formada na falda. do Kâm-Kôk-Sán, ou "Monte do Vale de Oiro", no cume do qual se encontra hoje o forte de Móng-Há, era toda coberta. de areia. Era aqui que se enterravam os cultivadores indigentes da.s antigas aldeiolas de Móng-Há e de Lóng-T'in, quando vinham a falecer.
Quanto a ruas, dentre muitas, citamos a da I-On-Kái e a de Tái-Pôu-Lám cujas primitivas denominações, em chinês, ainda não deixaram de ser usadas.
A I-On-Kái deve o seu nome ao facto de ter sido fundado nesta rua o primeiro clube chinês denominado I-On-Kông-Si (Sociedade de Amizade e Bem-estar), tendo sido seus fundadores os mais ricos negociantes desta terra, dentre os quais figuravam os dos apelidos Lôu, Uóng e Hó. Era frequentado por chineses de alta categoria, tanto de Macau como das cidades convizinhas, que ali se reuniam para se divertirem em ceiatas ou ao jogo, bem como para tratarem dos seus negócios, que discutiam deitados nas duras camas de pau-preto, enquanto fumavam o seu ópio servidos pelas mais esbeltas
p' éi-pá-tchâi do bairro. Apesar do nome desta rua ter sido alterado para Fôk-Lông-Sân-Hóng (Travessa das Felicidades), os chineses continuam a. designá-la pelo seu primitivo nome de I-On-Kái.
Quanto ao de Tái-Pôu-Lám, que é o troço da Rua de S. Domingos, que vai desde o ponto em que começa a Rua da Palha até ao Cinema Capitol, foi outrora uma via de prédios baixos. Por isso, era. todo o dia batida por uma chapada de sol vivo que arrancava chispas de fogo do seu piso escaldante, sufocando, queimando e cegando com a sua reverberação quem por lá passasse. Para evitar que as plantas dos seus pés fossem mordidas pela causticante brasa daquele abominável pavimento, os chineses de pés descalços, viam-se obrigados a atravessá-lo de corrida. Dai o nome de Tái-Pôu-Lám como quem diz, "a largos passos" . Vem a propósito dizer-se que a Rua de S. Domingos se chama em chinês, Pán-Tchéong-T'óng-Kái, isto é, a Rua do Templo de Tábuas; sendo a origem desta denominação causada. pelo facto de o primitivo templo ter sido construído em madeira. Esta igreja é, porém, também conhecida entre os chineses, pelo nome de Mui-Kuâi-T'óng, o Templo das Rosas.

Escola Leng Nam (1963)
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Herculano Estorninho: 1921-1994
Herculano Estorninho, uma das maiores expressões do meio artístico macaense, nasceu a 1 de Abril de 1921 e é considerado um dos grandes pintores de Macau do século XX. A sua afeição ao mundo exterior está bem vincada na obra artística que deixou descrita pelo próprio, como "um dom de Deus".
Os seus trabalhos estão representados nos quatro cantos do mundo. Em coleções particulares de Macau, França, Itália, Japão, Brasil, Timor Leste, Filipinas, Estados Unidos, Austrália, Suécia, Alemanha, Madeira e Portugal. Seus quadros estão expostos nos Palácios de Belém e de São Bento, em Portugal, e na Casa de Macau em Lisboa, que foi a primeira sala portuguesa a exibir os seus trabalhos, em Setembro de 1971.
Aos 73 anos de idade, passou para a eternidade. No entanto, a sua obra perdura no seio da cultura portuguesa. Fica a memória de uma "árvore" que - tal como as muitas que retratou na suas telas - "morreu de pé".
Os seus trabalhos estão representados nos quatro cantos do mundo. Em coleções particulares de Macau, França, Itália, Japão, Brasil, Timor Leste, Filipinas, Estados Unidos, Austrália, Suécia, Alemanha, Madeira e Portugal. Seus quadros estão expostos nos Palácios de Belém e de São Bento, em Portugal, e na Casa de Macau em Lisboa, que foi a primeira sala portuguesa a exibir os seus trabalhos, em Setembro de 1971.
Aos 73 anos de idade, passou para a eternidade. No entanto, a sua obra perdura no seio da cultura portuguesa. Fica a memória de uma "árvore" que - tal como as muitas que retratou na suas telas - "morreu de pé".
Travessa Maria Lucinda, Macau
Serviços Meteorológicos (ainda na Guia)Aguarelas
Aguarela sobre papel - 1980
Igreja de Santo Agostinho Vista do Calçada do Gamboa
George Smirnoff (1903 – 1947)
A pintura a aguarela é um medium artístico muito flexível, que permite grande riqueza de gradações e intensidade expressiva. A aguarela surgiu da necessidade de registar informação topográfi ca e esteve na origem da coloração de mapas. Após o século XVIII, os ingleses desenvolveram a arte de pintura em aguarela, que se tornou uma disciplina distinta e servia para descrever cenários naturais e seus personagens, tendo-se assim vulgarizado por todo o mundo. Para os pintores que gostavam de viajar, a aguarela, de utilização simples, era de facto muito conveniente. As pinturas a aguarela surgiram em Macau nos seus primórdios sobretudo em mapas e gravuras topográfi cas. A partir de meados do século XVI, a pequena aldeia de pescadores de Macau tornou-se gradualmente um posto de intercâmbio entre a cultura, o comércio e a religião do Ocidente e do Oriente.
Igreja de Santo Agostinho Vista do Calçada do GamboaGeorge Smirnoff (1903 – 1947)
Aguarela sobre papel - 1945
Viajantes, comerciantes, poetas e missionários da Europa e da China, todos tinham de passar por esta terra única, uma miragem da Europa mediterrânica com laivos orientais, em pleno solo chinês. Os mapas e desenhos topográfi cos tornaram-se o veículo ideal para os estrangeiros perceberem Macau e os seus arredores. Os ventos marinhos criaram não apenas uma oportunidade dourada para o comércio e um ambiente natural agradável, como também atraíram à cidade muitos artistas, que descreveram o estilo inconfundível de Macau antigo utilizando diversos suportes, tais como a caligrafi a, o desenho a lápis, a pintura a óleo, a gravura e a aguarela. Tanto em termos de quantidade como de qualidade, os trabalhos que mostram à geração actual as impressões do Macau antigo são quase todos em aguarela.
O pintor inglês George Chinnery estudou na Academia Real de Arte da Grã-Bretanha, o que lhe deu uma base sólida em termos de formação artística. Chinnery chegou a Macau no início do século XIX e, aqui faleceu vinte e sete anos depois. Durante esse período produziu muitos desenhos cativantes, para além de pinturas a óleo e aguarelas. Os seus alunos – Thomas Watson e Marciano António Baptista, bem como outros pintores chineses e estrangeiros a quem infl uenciou, como Auguste Borget – também nos legaram paisagens encantadoras de Macau.
Aguarela sobre papel - 1945
Com o dealbar do século XX, a aguarela desenvolveu-se rapidamente em Macau. Durante a segunda guerra mundial, o artista russo George Vitalievich Smirnoff refugiou-se em Macau e o pintor macaense Luís Luciano Demée soube aprender rapidamente com ele. A sua técnica consistia em pinceladas vivas, produzindo aguarelas que descreviam os cenários românticos da cidade bem como o movimentado porto de meados da década de 40 e do pós-guerra. A arte popularizou-se imenso nas décadas de 50 e 60. Em Abril de 1956, os artistas Tam Chi Sang, Lok Cheong, Ng Hei U, Chio Vai Fu e Guan Wanli fundaram a “Associação de Pesquisa Artística de Macau”(actualmente a Associação de Artistas de Macau). Esta associação contribuiu imenso para a promoção da criatividade artística em Macau, organizando muitas exposições de vulto e realizando inúmeros cursos de formação artística para fomentar o talento dos artistas locais.
Aguarela sobre papel - 1963
Em 1962, Frederick Joss, Tam Chi Sang e Herculano Estorninho criaram a “Associação Artística Arco-Íris” que revolucionou o panorama artístico local. Em Fevereiro de 1964, cerca de dez artistas, incluindo os já mencionados e ainda Adolfo C. Demée, Oseo Acconci e Walter Ding, realizaram uma “Exposição dos Artistas do Arco-Íris”, na galeria do Leal Senado de Macau (actual Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais), onde se exibiram muitas aguarelas que causaram sensação.
Aguarela sobre papel - 1982
Nas décadas de 70 e 80, Macau urbanizou-se rapidamente e o desenvolvimento das artes deveu-se ao esforço colectivo de Kam Cheong Leng, Tam Chi Sang, Pun Sio Ieng, Tam Van Iao e Chio Vai Fu, bem como de instituições privadas.Foi nesta época que surgiu uma nova geração de artistas, incluindo Lai Ieng, Lio Man Cheong, Pun Lon San, Lok Hei, Ng Wai Kin, Poon Kam Ling, Poon Kam Ha Elsa, Poon Kam Pek, Io Fong, Luk Tin Chi, Sio In Leong, Choi Su Weng e Wong Io Wa que tinham de comum entre si o facto de adorarem a técnica de aguarela pelas suas cores esbatidas. Houve vários outros artistas locais que não só se distinguiram no desenho e na pintura a óleo como foram exímios aguarelistas. A técnica da aguarela desenvolveu-se e foi sendo transmitida de geração em geração, sendo ainda hoje muito praticada em Macau.
Texto do Museu de Arte de Macau
Antes das fotografia... era a pintura
Antes do aparecimento da fotografia, a pintura era a única maneira de registar imagens para a posteridade. Desde há muito que os artesãos do Ocidente sempre procuraram uma forma adequada de reproduzir o que é visto a olho nu.
Nesta busca da pintura realística a China não foi tão inovadora, embora os artistas chineses de há muito seguissem a norma tradicional de “reter a aparência física dos sábios, ilustrando os seus grandes feitos e virtudes”, que originou obras-primas notáveis como, por exemplo, “Qingming Shanghe Tu”, (Cena Ribeirinha na Festa dos Antepassados), do pintor Zhang Zeduan (1085-1145). Como tal não deve constituir surpresa a menção de obras de artistas ocidentais, ao falarmos da pintura histórica de Macau do século XIX, que descrevia as paisagens costeiras, a vida e os costumes do Sul da China.
E foi aqui que chegou, vindo da Índia, em 1825, no 5º ano do período Daoguang da dinastia Qing, o pintor britânico George Chinnery (1774-1852). Durante a sua estadia de 27 anos, sempre com base em Macau, ele retratou de forma subtil mas vívida em desenhos, aguarelas e pinturas a óleo, as paisagens, cenas e costumes da região do delta do Rio das Pérolas, na segunda metade do século XIX. O conjunto da sua obra constitui um tesouro único, não só pelo seu elevado valor artístico como sobretudo por constituir a memória de um período único da História da China. Durante a sua longa estadia em Macau, Chinnery encorajou vários pintores como Thomas Watson (1815-1860), Marciano António Baptista (1826-1896), e também um pintor de origem chinesa, Lamqua, também conhecido por Kwan Kiu Cheong (1801-1854).
Guangzhou era o único porto chinês autorizado a comerciar com os estrangeiros, até 1842, no 22º ano do período de Daoguang, quando a China e a Grã-Bretanha assinaram o tratado desigual de Nanjing. Este ambiente comercial muito especial deu origem a um mercado de pinturas para exportação, centrado nas principais 13 feitorias estrangeiras (Hongs) de Guangzhou, mas que se estendeu também a Macau e, mais tarde, a Hong Kong. As pinturas de exportação, que incluíam trabalhos a óleo, aguarelas, guaches e pintura em vidro, surgiram em meados do século XVIII, atingiram o seu apogeu em meados do século XIX e começaram a declinar pouco antes do século XX, quando a fotografia se tornou popular. Mas durante muitos anos os mercadores e visitantes compraram estas pinturas que mostravam paisagens e costumes chineses, para as oferecerem como recordação de viagem aos amigos e familiares no ocidente.
Pintores ocidentais de visita à China, bem como pintores chineses locais, recebiam muitas encomendas para este tipo de trabalhos. É durante este período que se destacam os famosos pintores britânicos, George Chinnery (1774-1852) e Thomas Watson (1814-1860), além do francês Auguste Borget (1808-1877), do macaense Marciano António Baptista (1826-1896) além de muitos outros que produziram inúmeras obras sobre as paisagens costeiras da China, Macau e Delta do Rio das Pérolas. Muitas das suas obras tornaram-se amostras de pintura de exportação, sendo objecto de estudo, imitação e reprodução pelos artistas chineses. Na época, havia muitas fábricas de pinturas em Guangzhou, concentradas nas ruas Tongwen e Jingyuan, na zona das 13 feitorias, onde os estrangeiros estavam autorizados a residir. Havia emprego para muitos pintores e aprendizes que, em estilo de linha de montagem, produziam pinturas a granel sobre figuras, paisagens, hábitos e costumes. Como se tratava de facto de obras de feitura colectiva, em regra não eram assinadas, ostentando apenas o nome da fábrica de pintura. Embora estas pinturas seguissem muitas vezes as preferências temáticas dos pintores, as exigências do cliente ou os imperativos do mercado, o seu estilo é em regra subtil na descrição, realista de conteúdo e muito vívido na apresentação. Estas obras descrevem-nos pormenores da vida diária do povo, das maneiras de vestir, das actividades comerciais e cívicas de todos os estratos sociais desse tempo, oferecendo uma imagem clara e informativa para o estudo da história moderna de Macau, Guangzhou e outras regiões costeiras da China. Estas pinturas constituem por isso importantes registos históricos, que devem ser explorados nos estudos sobre o intercâmbio artístico entre a China e o Ocidente, as relações diplomáticas e até a maneira como certas cidades se desenvolveram.
Texto do Museu de Arte de Macau
Sampana e Tancareira de Macau de George Chinnery (1774-1852)Lápis, desenho à pena a tinta castanha, e aguarela sobre papel
Tendinhas de Venda de Comida junto à Igreja de S. Domigos, Macau
Auguste Borget (1808 - 1877) - Lápis e aguarela sobre papel Ca. 1839
Gravuras panorâmicas do século 19
Pintor desconhecido Gravador desconhecido Ponta-seca
Desde meados do século XVI, Macau, com uma cultura única de abertura, tornou-se um entreposto internacional na região Este da Ásia. Como cidade de harmonia e tolerância, abrigou diferentes estilos de vida, línguas, artes e religiões, cada qual com o seu significado e espaço próprios neste pequeno canto do mundo. O seu panorama magnífico atraiu e inspirou muitos pintores ocidentais que, além de expressarem emoções próprias, mostraram nas suas pinturas o estilo peculiar de Macau. Nos seus primeiros tempos, Macau foi a porta de entrada dos ocidentais na China.
Desenho de William Heine gravado por P.S. Duval & Co.,Nova Iorque
Em Setembro de 1792, os ingleses enviaram um emissário para as celebrações do aniversário do imperador Qing Gaozong, com o objectivo inconfessado de negociar um tratado comercial com a China. O embaixador inglês George Macartney, faz-se ao mar num navio da marinha real, equipado com 64 canhões e provisões suficientes para o Oriente. Fazia-se acompanhar por um séquito de cerca de cem homens de ofícios diversos como músicos, intérpretes, cartógrafos, artistas, carpinteiros, soldados e criados.
A fotografia ainda não existia por isso foram os artistas que foram desenhando tudo o que viam, para manter um registo visual da viagem. A tripulação chegou a Macau em Junho de 1793 e, um mês depois, Macartney chegava a Pequim, onde era recebido, a 18 de Agosto, pelo imperador Qing Gaozong no Palácio Imperial de Verão, em Yiehe (Rehe). Como Macartney desconhecia o protocolo chinês, ofendeu inadvertidamente o imperador que, no entanto, o tratou com cortesia. Contudo, o imperador recusou o seu pedido de abrir mais portos ao comércio. Em Setembro desse ano, Macartney viajou para o Sul da China e deixou Guangzhou em Dezembro, de regresso à Europa. Esta foi a primeira missão diplomática da Inglaterra à China, em que o emissário registou os pormenores da sua experiência de viagem, tendo os artistas desenhado inúmeros locais e pessoas, que depois mostraram aos seus compatriotas. Esta informação fez aumentar a curiosidade dos ocidentais e deu origem a um número crescente de obras sobre a dinastia Qing. Em 1843 foi publicado em Londres o livro Império Chinês, que continha numerosas gravuras, incluindo paisagens, arquitectura e cenas do quotidiano do mostrando hábitos e costumes do povo chinês.
Os quadros mostram diferentes cenários tradicionais chineses durante o século XIX, recriando a elegância e o quotidiano prazenteiro e despreocupado característico do charme singular da Baía da Praia Grande; a beleza da paisagem da área costeira do Monte da Guia. Nas gravuras pode observar-se também as manifestações religiosas da população em frente às Ruínas de S. Paulo e a alegria da ópera chinesa perto do Templo de A-Ma.
A partir de um texto do Museu de Arte de Macau
Bairros de Macau, por Chan Hin Io (fotógrafo)
Rua do Almirante Sérgio: Aberta há mais de um século
Travessa de Hó Lo Quai, Avenida de Almeida Ribeiro: Hoje em dia transportam sobretudo os turistas
Rua da Tercena: Hoi Tat Chi, reformado de 81 anos, manteve o negócio durante 65 anos. A loja existiu durante mais de meio século

Mercado Almirante Lacerda: Este homem carrega carne de porco pela manhã e é estivador à noite
Rua da Alfândega: O Dr. Lam, de 77 anos, cresceu numa família ligada à medicina tradicional chinesa e gere a clínica com sua filhaTravessa de Hó Lo Quai, Avenida de Almeida Ribeiro: Hoje em dia transportam sobretudo os turistas
Rua da Tercena: Hoi Tat Chi, reformado de 81 anos, manteve o negócio durante 65 anos. A loja existiu durante mais de meio século

Io Kei – Loja de Cocos
Rua da Tercena: Chao Io, de 74 anos, iniciou o seu negócio em 1955. Nos casamentos cantonenses, é costume oferecer-se um par de cocos como sinal de boa sorte, pois a palavra “coco” em cantonense é homófona de “netos e avós
Pinturas históricas do século 19
Praia Grande - Artista chinês anónimo - Óleo sobre tela - Cerca de 1880
Praia Grande - Artista chinês anónimo - Óleo sobre tela - Cerca de 1880
Praia Grande -Artista chinês anónimo Aguarela e guache sobre papel - Cerca de 1840
Porto Interior - Artista chinês anónimo - Aguarela e guache sobre papel - Cerca de 1840Origens
A província de Cantão (Guandong) tem uma longa história de contactos comerciais com países banhados pelo Mar Mediterrâneo. A influência da cultura ocidental na China, proveniente de intercâmbios comerciais marítimos, data da dinastia Tang (618-906). Desde esse período, tanto em paragens para oeste da China como nesta nação, obras de arte produzidas no Ocidente não só permaneceram em confronto com obras de arte originárias do ‘Grande Império’, como também permearam nas culturas e produções artísticas dessas civilizações. A fundação de Macau no século dezasseis e a consequente chegada a este território de missionários Jesuítas, como Matteo Ricci (1552-1610) e Giovanni Cola (1560-1626), motivaram uma rápida e crescente divulgação de obras literárias e filosofias ocidentais na China, originando uma aproximação sem precedentes entre as mentalidades da Europa e do ‘Grande Império’.
Macau desenvolveu-se à sombra de padrões artísticos importados do Ocidente que, gradualmente, se infiltraram na China, em muito contribuindo para tal, a presença dos missionários Jesuítas em Pequim (Beijing), e as obras de arte produzidas por estes para a corte e os imperadores da dinastia Qing. As obras dos missionários católicos residentes na capital do império provocaram efectivamente novas sendas estilísticas nos arreigados moldes da tradicional produção artística chinesa.
O édito de 1757 do governo Qing que proibiu todas e quaisquer actividades comerciais marítimas ao longo da extensa costa do império da China, com excepção de Cantão (Guangzhou), ocasionou a exclusiva concentração de mercadores estrangeiros nesta cidade portuária e na província de Guandong.
As obras pictóricas produzidas a partir de meados do século dezoito por visitantes e artistas ocidentais que visitavam, e por vezes permaneciam, nessas paragens do sul da China, tinham, como temas principalmente panorâmicas ribeirinhas e do litoral costeiro da região, assim como cenas típicas dos seus habitantes nativos. Tais desenhos, aguarelas, guachos, pinturas e ilustrações, eram ciosamente procurados pelos viajantes e mercadores estrangeiros de então, que as levavam para as suas terras pátrias como recordações de estadias em paragens longínquas.
Desenvolvimento
A pintura de exportação começou ser apreciadas e coleccionadas durante os meados do século dezassete, e atingiu seu ponto culminante de interesse e procura nos meados do século XIX. Estas ilustrações eram executadas numa variedade de media sendo os mais correntes e populares, o óleo, a aguarela, o guacho, e um método bastante sui generis de pintura a óleo sobre o reverso de placas de vidro — que rapidamente se extinguiu com o advento da fotografia. Durante estes dois séculos, o artista que mais se evidenciou pela qualidade e quantidade das suas obras pictóricas, que tiveram como principal tema o território e as gentes de Macau, foi o britânico George Chinnery (1774-1852). Chinnery, que residiu durante vinte e sete anos neste enclave português no sul da China, foi o artista ocidental que mais influenciou a produção de óleos e aguarelas ‘de exportação’ feitas por artistas chineses regionais.
Lamqua, Tinqua e Youqua — só para mencionar os de maior vulto — foram dos artistas chineses, contemporâneos de Chinnery, os que maior sucesso obtiveram, produzindo múltiplas composições num modo deliberadamente semelhante ao do mestre britânico.
As obras pictóricas que tiveram como temática Macau, Hong Kong, Guangzhou e a província de Guangdong, produzidas pelo francês Auguste Borget (1808-1877) — durante a sua breve estadia no sul da China —, pelo médico escocês Thomas Watson (1814-1860) — nos seus longos anos de residência em Macau —, e pelo macaense Marciano Baptista (1826-1896) — radicado em Hong Kong —, proporcionaram os pintores regionais chineses com novas fontes de inspiração, não só no tratamento dos temas como nas técnicas e nos media empregues.
Características
A crescente procura de panorâmicas e vistas destas paragens e gentes da China executadas por artistas nativos da região motivou a abertura de estúdios na área dos entrepostos mercantis ditos ‘Ocidentais’ (ou ‘Hongs’) em Guangzhou. Nestes estúdios, composições de temas estereotipados eram rapidamente ‘montados’ por assistentes e discípulos dos mais conceituados pintores chineses ditos ‘de exportação’, especificamente encarregues, segundo as suas aptitudes particulares, de pintar determinadas zonas das totalidades das superfícies pictóricas.
Após a Primeira Guerra do Ópio (1840-1843), Xangai foi declarada como um porto ‘aberto’ ao livre comércio internacional e, de 1845 a 1849, os Estados Unidos da América, a França e o Reino Unido fundaram ‘concessões’ nesta cidade. À imagem dos seus antecessores de Guangzhou, novos artistas chineses ditos ‘de exportação’ proliferaram em Xangai produzindo inúmeras obras de arte de características memorialistas para atender à abundante procura por parte de um crescente número de residentes e visitantes estrangeiros.
Obras de tónica expressiva notoriamente ocidental executadas por pintores estrangeiros que se estabeleceram em Guangzhou, Hong Kong e Macau durante esse período tornaram-se imediatamente alvos do interesse dos jovens pintores ‘progressistas’ chineses que, emulando tais fórmulas pictóricas, imbuiram as suas obras de um ‘naturalismo’ nunca antes visto na pintura tradicional da civilização do ‘Grande Império’, modulando os espaços e volumes dos seus temas num tratamento de luz-e-sombra.
Mais singelos, a maior parte dos pintores chineses ditos ‘de exportação’ valorizavam o conteúdo das suas obras de arte no perfeccionismo técnico dos temas populares com maior procura, repetitivamente seleccionados a partir das mais conceituadas obras dos seus mestres-patrões chineses, na maior parte dos casos meramente autenticando o produto final com a sigla do estúdio a que pertenciam. Não sendo os ávidos compradores de composições pictóricas executadas pelos estúdios e por artistas chineses ditos ‘de exportação’ coleccionadores de elevado nível intelectual ou distintos apreciadores de arte, os seus critérios de qualidade não contribuiram para uma evolução estilística dos que, ainda que talentosos, criavam sistematicamente este tipo de composições.
Valor
É no entanto interessante observar a dicotomia histórica entre o ‘realismo’ — indistintamente professado pelos pintores chineses ditos ‘de exportação’ — e o ‘naturalismo’ — objecto de pesquisa dos progressistas anti-tradicionalistas — de artistas contemporâneos e conterrâneos. Note-se finalmente que, tal como o cariz das obras pictóricas ocidentais influenciou a pintura e as artes ilustrativas chinesas, também as pinturas ditas ‘de exportação’ executadas na China e por chineses, ao serem difundidas e apreciadas no Ocidente, em muito contribuiram para um maior conhecimento desta nação e foram elementos catalizadores na Europa de novas modas, géneros, estilos e padrões culturais.
Texto do Museu de Arte de Macau
Thomas Watson
Pavilhão no templo A-Ma
A caminho do templo A-Ma
Porto Interior ca. 1850Thomas Watson chega a Macau, vindo da Escócia, em 1845, com o objectivo de aqui exercer medicina. Para além da pintura, ficou conhecido como o médico que cuidou de George Chinnery, de quem foi aluno e amigo.
Estilisticamente, os seus desenhos revelam uma forte influência de Chinnery, no entanto, Watson não era um mero imitador e desenvolveu o seu próprio estilo, embora sem nunca atingir a perfeição do seu mestre.
As suas aguarelas, desenhos a tinta a lápis, de lugares e edifícios de Macau há muito desaparecidos, sobretudo as vistas do terraço da sua casa na Praia Grande, atestam uma vida de serena felicidade. Quando partiu para Hong Kong, em 1856, deixava para trás alguns dos anos mais felizes da sua vida no Extremo Oriente, como mais tarde confessou.
Texto do Museu de Arte de Macau
Marciano António Baptista: 1826-1896
Porto Interior ca. 1875
Forte S. Tiago da Barra ca. 1875Marciano António Baptista nasceu em Macau em 1826. Estudou no Seminário de S. José e cedo conheceu o pintor inglês George Chinnery, do qual se tornou aluno.
Tal como os outros seguidores de George Chinnery, primeiro seguiu o estilo de pintura do seu mestre, mas depois desenvolveu o seu próprio estilo. Em 1850, M. A. Baptista e a sua esposa saíram de Macau e instalaram-se em Hong Kong. Este artista utiliza poucas cores nas suas pinturas, preferindo o azul e o vermelho, e algumas vezes o verde e castanho. A sua pincelada eram claramente de estilo chinês, mas em combinação com técnicas ocidentais da perspectiva linear e coloração.
domingo, 8 de novembro de 2009
Centros de assistência pertencentes à Diocese ou dirigidos por pessoal missionário em 1974
Santa Infância, Infantários e Orfanatos
1. Santa Infância
2. Infantário Ave Maria
3. Instituto Helen Liang
4. Infantário de Na. Sra. do Carmo
5. Infantário Santa Rosa de Lima
6. Infantário São Paulo
7. Casa de Assistência (e de Beneficência)
9. Lar de Na. Sra. de Fátima
Asilos para os velhos(as) e inválidos(as)
1. Casa (Asilo) de S. Francisco Xavier
2. Casa do Imaculado Coração de Maria
3. Asilo de Na. Sra. do Carmo
4. Santa Maria
5. Asilo Betânia
6. Asilo São Luís
7. Lar de Caridade (Casa de S. José)
8. Asilo de Na. Sra. da Misericórdia
9. Asilo para mulheres idosas
Centros de Assistência Social e Estabelecimentos Hospitalares
1. Asilo de São José
2. Centro de Socorro Social Pio XII
3. Dispensário da Imaculada Conceição
4. Dispensário São Paulo
5. Dispensário Sta. Maria Mazzarello
Outros Centros
1. Gafaria de Ká Hó
2. Casa de Divina Providência
3. Secretariado dos Serviços Diocesanos de Assistência Social
4. Casa Ricci (Centros dos Serviços Sociais)
1. Santa Infância
2. Infantário Ave Maria
3. Instituto Helen Liang
4. Infantário de Na. Sra. do Carmo
5. Infantário Santa Rosa de Lima
6. Infantário São Paulo
7. Casa de Assistência (e de Beneficência)
9. Lar de Na. Sra. de Fátima
Asilos para os velhos(as) e inválidos(as)
1. Casa (Asilo) de S. Francisco Xavier
2. Casa do Imaculado Coração de Maria
3. Asilo de Na. Sra. do Carmo
4. Santa Maria
5. Asilo Betânia
6. Asilo São Luís
7. Lar de Caridade (Casa de S. José)
8. Asilo de Na. Sra. da Misericórdia
9. Asilo para mulheres idosas
Centros de Assistência Social e Estabelecimentos Hospitalares
1. Asilo de São José
2. Centro de Socorro Social Pio XII
3. Dispensário da Imaculada Conceição
4. Dispensário São Paulo
5. Dispensário Sta. Maria Mazzarello
Outros Centros
1. Gafaria de Ká Hó
2. Casa de Divina Providência
3. Secretariado dos Serviços Diocesanos de Assistência Social
4. Casa Ricci (Centros dos Serviços Sociais)
Infantário «Ave Maria»
Foi inaugurado na Rampa do P. Vasconcelos a 10 de Junho de 1966, ficando a cargo das Religiosas Missionárias do Perpétuo Socorro, que vieram do México.
Numa lápide da parede da entrada do edifício lê-se a seguinte inscrição: «Para este Infantário pertencente à Delegação local da O. M. E. N. (Obra das Mães pela Educação Nacional) e à Provedoria de Assistência Pública, contribuiu generosamente com o donativo de 500 contos a fundação Gulbenkian da ilustre Presidência do Doutor Azeredo Perdigão. Macau, 10-5-1966».
A 17 desse mês foram ali admitidas as 4 primeiras crianças, idas do Asilo da S. Infância.
O Infantário destinava-se a crianças de ambos os sexos dos 2 aos 7 anos de idade, devendo então passar para o Infantário «Helen Liang».
Numa lápide da parede da entrada do edifício lê-se a seguinte inscrição: «Para este Infantário pertencente à Delegação local da O. M. E. N. (Obra das Mães pela Educação Nacional) e à Provedoria de Assistência Pública, contribuiu generosamente com o donativo de 500 contos a fundação Gulbenkian da ilustre Presidência do Doutor Azeredo Perdigão. Macau, 10-5-1966».
A 17 desse mês foram ali admitidas as 4 primeiras crianças, idas do Asilo da S. Infância.
O Infantário destinava-se a crianças de ambos os sexos dos 2 aos 7 anos de idade, devendo então passar para o Infantário «Helen Liang».
Infantário do Menino Jesus
Foi construído num terreno cedido pelo Governo, junto da Avenida Almirante Lacerda, no sopé da Colina de Mong-há e inaugurado a 8-5-1957. A planta é da autoria do eng. José Maria Paulo Rodrigues e a construção importou em 43.000 patacas pagas pela Catholic Welfare.
Tinha capacidade para 100 crianças, ficando a cargo das Madres Canossianas. O Infantário era dotado dum magnífico parque para recreio das crianças. O Infantário destinava-se a receber durante o dia as crianças das mães que iam às suas ocupações, sendo-lhes fornecidas refeições gratuitas. Em 1975 foi transformado em Casa Mortuária.
Tinha capacidade para 100 crianças, ficando a cargo das Madres Canossianas. O Infantário era dotado dum magnífico parque para recreio das crianças. O Infantário destinava-se a receber durante o dia as crianças das mães que iam às suas ocupações, sendo-lhes fornecidas refeições gratuitas. Em 1975 foi transformado em Casa Mortuária.
Casa Social de S. José
Foi inaugurada a 8 de Maio de 1957 no bairro do istmo da Ilha Verde, anexo à escola de S. Teresinha do Menino Jesus, inaugurada em 2-1-1957, 'gastando-se na sua construção 45 000 patacas, provenientes da Catholic Welfare americana.
Essa Casa Social ficou a cargo da Diocese, destinando-se aos pobres desse bairro. O fim é proporcionar, nos dias de descanso, jogos, revistas, cinema, etc. aos operários daquele centro populacional, distribuído pelas 200 casas ali construídas pela Catholic Welfare e entregues à Diocese; serve ainda para nela se realizarem as festas desse bairro.
A casa foi imediatamente equipada com seis máquinas de costura para as raparigas aprenderem a costurar e ainda para adaptarem as peças de roupa enviadas pela Catholic Welfare para uso das crianças.
Essa Casa Social ficou a cargo da Diocese, destinando-se aos pobres desse bairro. O fim é proporcionar, nos dias de descanso, jogos, revistas, cinema, etc. aos operários daquele centro populacional, distribuído pelas 200 casas ali construídas pela Catholic Welfare e entregues à Diocese; serve ainda para nela se realizarem as festas desse bairro.
A casa foi imediatamente equipada com seis máquinas de costura para as raparigas aprenderem a costurar e ainda para adaptarem as peças de roupa enviadas pela Catholic Welfare para uso das crianças.
Macau: cidade de refúgio à perseguição religiosa
A Guerra do Pacífico (1941-1945) e a ocupação da China pelos comunistas, fizeram de Macau o centro de refúgio de todos os foragidos da tormenta e da perseguição religiosa que se seguiu.
A 25 de Fevereiro de 1943, depois de mil peripécias, chegaram aqui quatro Canossianas de Waichow, as quais haviam sido esbulhadas, há mais dum ano, da sua Missão. Elas conseguiram fugir das mãos dos soldados chineses que, após a queda de Hong Kong, pretendiam interná-las no centro da China, enviando-as para o Norte. Mas chegaram inopinadamente as tropas japonesas, que as conduziram a Cantão e dali a Macau.
Os Padres das Missões Estrangeiras de Milão vieram de Hong Kong para Macau, ficando uns alojados no Seminário e outros na casa da Confraria de N. Senhor dos Passos, anexa à igreja de S. Agostinho de cujo serviço religioso ficaram incumbidos.
Os Jesuítas de Hong Kong, vieram para Macau, onde abriram na Praia Grande o Colégio de S. Luís Gonzaga para os.refugiados de língua inglesa.
A 22 de Setembro de 1949, partiram para as Filipinas 10 noviços jesuítas e 51 seminaristas do seminários diocesano de Tsing-Tsian, dirigido pelos jesuítas, os quais se haviam refugiados na Vila Flor em Macau a 22 de Janeiro desse ano.
Vieram também as Ursulinas que tomaram conta do Infantário de N. Sra. do Carmo na Taipa.
As irmãs de S. Paulo de Chartres instalaram-se na Estrada de D. João Paulino e abriram ali, em Janeiro de 1950, o Pensionato Infantil de S. José para crianças de menos de 4 anos de idade.
Os Irmãos Maristas, vindos em 1950, alojaram-se na Casa de Campo do Seminário de S. José, na Ilha Verde. Durante três anos viveram ali numerosos estudantes com os seus professores. Terminanados os estudos, partiram, em Julho de 1953, para Malaca e Penang, ficando lá apenas quatro Irmãos, que partiram no mês seguinte.
Em Abril de 1949, vieram de Hankow sete Franciscanos com 76 alunos do seu Seminário Regional de Boaventura; que se instalaram primeiro no Colégio de S. José anexo ao Seminário depois no edifício da Vila Flora, à Guia. Ordenaram-se em Macau 38, saindo todos de cá em Agosto de 1954.
Os Salvatorianos estabeleceram o seu seminário na Estrada da Vitória. Este edifício foi depois comprado pelas Padres Redentoristas que aqui se refugiaram e ali abriram o Colégio do Perpétuo Socorro em Setembro de 1955. Em 1967, este Colégio foi comprado pela Sociedade do Amor Divino, pois os Redentoristas espanhóis abandonaram Macau; em 1975, foi confiado às Filhas de N. Senhora Auxiliadora (Salesianas),
A 21 de Novembro de 1948, chegaram aqui 5 Padres Carmelitas Descalços, vindos de Pequim, da Missão de Hupeh, com sede em Hwang-Chow, instalando-se no Seminário.
Um padre lazarista chegou aqui com 8 noviços, ficando no Instituto Salesiano.
A 18 de Fevereiro de 1949, vieram da Missão de Xangai 4 Padres Jesuítas, 25 estudantes juniores, 4 filósofos, 11 noviços e 2 coadjutores que depois seguiram para as Filipinas.
A «Religião e Pátria» de 20-1-1949, p. 69, dizia: «Temos já neste Seminário (de S. José) representantes dos missionários de metade da China».
A 27 de Abril de 1949, chegaram ainda 14 seminaristas filósofos do Seminário Regional de Pequim, ficando no Colégio de S. José anexo ao Seminário.
Em 28 de Abril de 1945, vieram 78 refugiades do Convento Francês de S. Paulo de Chartres de Hong Kong. Este convento foi bombardeado e destruído pelos americanos a 15 de Abril, no momento em que o P. Fitzgerald, jesuíta irlandês, fazia uma prática às Irmãs. Uma parede de cimento armado caiu, esmagando as raparigas e às Irmãs, que se achavam nessa sala, anexa à da prédica.
O P. Fitzgerald veio para Macau e ficou na residência paroquial de S. Lourenço, de que eu era pároco. Lembro-me muito bem dos seus olhos de espanto, e do terror que lhe ensombrava o rosto todas as vezes que um avião sobrevoava Macau.
Entre essas 78 refugiadas havia velhas, inválidas, cegas, mudas, 20 meninas e 11 meninos.
As Irmãs instalaram-se na Casa de Regeneração da Missão de Fátima, regressando a Hong Kong num navio de guerra inglês, a 16 de Março de 1946.
Vieram ainda os Maryknoll--Padres e Madres--incluindo o Bispo Paschang.
Como os japoneses mandaram fechar as escolas inglesas de Hong Kong, várias Canossianas vieram para Macau a juntar-se ao corpo docente do Colégio do S. Coração.
O mesmo fizeram os Salesianos.
Macau foi para todos os foragidos da tormenta a beata pacis visio--«feliz visão de paz».
Bombardeamento de Macau
A 16 de Janeiro de 1945, várias levas de bombardeiros americanos lançaram bombas incendiárias sobre os depósito de gazolina do Porto Exterior e metralharam vários pontos estratégicos de Macau. Estava lá instalado o Museu da Marinha organizado pelo Comandante Carmona, o qual foi incendiado com a gazolina.
Resultado: cinco mortos e vários feridos.
Pedro José Lobo fora o negociador para a venda da gazolina do depósito do Porto Exterior aos japoneses em troca de arroz para sustentar a população, como se venderam tantas outras coisas para o mesmo fim.
Às 11 h. a. m. devia ele executar essa transação; mas os americanos, pouco antes da hora marcada, caíram com os seus bombardeiros sobre o depósito e lá se foi toda a gazolina em chamas. Pedro Lobo fugiu no seu automóvel, que foi perseguido e metralhado e só não foi também aos ares em chamas, porque se atirou em terra e assim se salvou. Os americanos tinham a sua rede de espionagem bem montada. (...)
A 25 de Fevereiro de 1943, depois de mil peripécias, chegaram aqui quatro Canossianas de Waichow, as quais haviam sido esbulhadas, há mais dum ano, da sua Missão. Elas conseguiram fugir das mãos dos soldados chineses que, após a queda de Hong Kong, pretendiam interná-las no centro da China, enviando-as para o Norte. Mas chegaram inopinadamente as tropas japonesas, que as conduziram a Cantão e dali a Macau.
Os Padres das Missões Estrangeiras de Milão vieram de Hong Kong para Macau, ficando uns alojados no Seminário e outros na casa da Confraria de N. Senhor dos Passos, anexa à igreja de S. Agostinho de cujo serviço religioso ficaram incumbidos.
Os Jesuítas de Hong Kong, vieram para Macau, onde abriram na Praia Grande o Colégio de S. Luís Gonzaga para os.refugiados de língua inglesa.
A 22 de Setembro de 1949, partiram para as Filipinas 10 noviços jesuítas e 51 seminaristas do seminários diocesano de Tsing-Tsian, dirigido pelos jesuítas, os quais se haviam refugiados na Vila Flor em Macau a 22 de Janeiro desse ano.
Vieram também as Ursulinas que tomaram conta do Infantário de N. Sra. do Carmo na Taipa.
As irmãs de S. Paulo de Chartres instalaram-se na Estrada de D. João Paulino e abriram ali, em Janeiro de 1950, o Pensionato Infantil de S. José para crianças de menos de 4 anos de idade.
Os Irmãos Maristas, vindos em 1950, alojaram-se na Casa de Campo do Seminário de S. José, na Ilha Verde. Durante três anos viveram ali numerosos estudantes com os seus professores. Terminanados os estudos, partiram, em Julho de 1953, para Malaca e Penang, ficando lá apenas quatro Irmãos, que partiram no mês seguinte.
Em Abril de 1949, vieram de Hankow sete Franciscanos com 76 alunos do seu Seminário Regional de Boaventura; que se instalaram primeiro no Colégio de S. José anexo ao Seminário depois no edifício da Vila Flora, à Guia. Ordenaram-se em Macau 38, saindo todos de cá em Agosto de 1954.
Os Salvatorianos estabeleceram o seu seminário na Estrada da Vitória. Este edifício foi depois comprado pelas Padres Redentoristas que aqui se refugiaram e ali abriram o Colégio do Perpétuo Socorro em Setembro de 1955. Em 1967, este Colégio foi comprado pela Sociedade do Amor Divino, pois os Redentoristas espanhóis abandonaram Macau; em 1975, foi confiado às Filhas de N. Senhora Auxiliadora (Salesianas),
A 21 de Novembro de 1948, chegaram aqui 5 Padres Carmelitas Descalços, vindos de Pequim, da Missão de Hupeh, com sede em Hwang-Chow, instalando-se no Seminário.
Um padre lazarista chegou aqui com 8 noviços, ficando no Instituto Salesiano.
A 18 de Fevereiro de 1949, vieram da Missão de Xangai 4 Padres Jesuítas, 25 estudantes juniores, 4 filósofos, 11 noviços e 2 coadjutores que depois seguiram para as Filipinas.
A «Religião e Pátria» de 20-1-1949, p. 69, dizia: «Temos já neste Seminário (de S. José) representantes dos missionários de metade da China».
A 27 de Abril de 1949, chegaram ainda 14 seminaristas filósofos do Seminário Regional de Pequim, ficando no Colégio de S. José anexo ao Seminário.
Em 28 de Abril de 1945, vieram 78 refugiades do Convento Francês de S. Paulo de Chartres de Hong Kong. Este convento foi bombardeado e destruído pelos americanos a 15 de Abril, no momento em que o P. Fitzgerald, jesuíta irlandês, fazia uma prática às Irmãs. Uma parede de cimento armado caiu, esmagando as raparigas e às Irmãs, que se achavam nessa sala, anexa à da prédica.
O P. Fitzgerald veio para Macau e ficou na residência paroquial de S. Lourenço, de que eu era pároco. Lembro-me muito bem dos seus olhos de espanto, e do terror que lhe ensombrava o rosto todas as vezes que um avião sobrevoava Macau.
Entre essas 78 refugiadas havia velhas, inválidas, cegas, mudas, 20 meninas e 11 meninos.
As Irmãs instalaram-se na Casa de Regeneração da Missão de Fátima, regressando a Hong Kong num navio de guerra inglês, a 16 de Março de 1946.
Vieram ainda os Maryknoll--Padres e Madres--incluindo o Bispo Paschang.
Como os japoneses mandaram fechar as escolas inglesas de Hong Kong, várias Canossianas vieram para Macau a juntar-se ao corpo docente do Colégio do S. Coração.
O mesmo fizeram os Salesianos.
Macau foi para todos os foragidos da tormenta a beata pacis visio--«feliz visão de paz».
Bombardeamento de Macau
A 16 de Janeiro de 1945, várias levas de bombardeiros americanos lançaram bombas incendiárias sobre os depósito de gazolina do Porto Exterior e metralharam vários pontos estratégicos de Macau. Estava lá instalado o Museu da Marinha organizado pelo Comandante Carmona, o qual foi incendiado com a gazolina.
Resultado: cinco mortos e vários feridos.
Pedro José Lobo fora o negociador para a venda da gazolina do depósito do Porto Exterior aos japoneses em troca de arroz para sustentar a população, como se venderam tantas outras coisas para o mesmo fim.
Às 11 h. a. m. devia ele executar essa transação; mas os americanos, pouco antes da hora marcada, caíram com os seus bombardeiros sobre o depósito e lá se foi toda a gazolina em chamas. Pedro Lobo fugiu no seu automóvel, que foi perseguido e metralhado e só não foi também aos ares em chamas, porque se atirou em terra e assim se salvou. Os americanos tinham a sua rede de espionagem bem montada. (...)
Nota: texto datado de ca. 1974 sem que tenha conseguido identificar o autor.
Santa Casa da Misericórdia
Macau foi durante os primeiros três séculos da sua existência uma terra democrática por excelência. E -ó ironia das coisas- foi com o advento do liberalismo, que esse regime democrático se afundou para não mais se erguer. Durante três quartos de século (1553-1623) não houve aqui governador; e quando este apareceu era um simples Peng-Táu, ou seja comandante militar.
O Senado, eleito anualmente, era o órgão da administração. A S. Casa da Misericórdia, mais velha que o Senado uns 15 anos, não recebeu, antes deu lições democráticas a este. As eleições eram inteiramente livres e à mesa eleita é que estava confiada a assistência pública.
A Misericórdia existia em todo o espaço português, quer metropolitano, quer ultramarino. A de Lisboa, fundada pela rainha D. Leonor sob a inspiração do bispo Contreiras, tinha o seu regulamento, que foi o modelo de todos os outros.
Macau possuía um regulamento próprio; mas quando em 1626 os irmãos examinaram os compromissos das Misericórdias da Lisboa e de Goa, acharam que o seu era «muito diminuto, confuso e indigesto» e então resolveram reformá-lo. Em Janeiro de 1627, foram eleitos 12 adjuntos que com os outros irmãos resolveram adoptar o de Goa, mas com ligeira modificação, conforme «a qualidade e usança da terra». Hoje diríamos, «conforme os condicionalismos da terra».
Quais eram esses condicionalismos?
A vida económica e financeira dependia única e exclusivamente do comércio, de tal forma que, segundo o dizer pitoresco dum bispo desta diocese, «tudo em Macau comerciava, inclusive os mortos, pois os legados pios eram ordinariamente deixados com a condição de andaram a risco de mar.
Que quer dizer risco de mar? As instituições públicas, quer civis quer religiosas, e os indivíduos particulares empregavam o seu dinheiro no comércio marítimo com lucros bastante compensadores. Estes eram tão elevados que muita gente contraía empréstimos com 20 e 25% de juro para colocar esse dinheiro a risco. Ora este risco era muito real, pois o naufrágio duma nau de prata ou o seu apresamento pelos holandeses, um assalto de piratas a um barco, uma viagem desastrosa significava a ruína de muitos, reduzindo os ricos à miséria.
Os chefes de família andavam embarcados, deixando as suas casas abandanadas por 6 a 8 meses cada ano. Quando o barco se perdia, entrava nesses lares a viuvez e a orfandade com todo o seu cortejo de misérias físicas e morais.
Estes condicionalismos chamaram desde o início a atenção da democracia macaense por meio do seu democrático Senado. Foi este, que, nos direitos da cidade, consignou percentagem para a Misericórdia, o Convento de S. Clara e Ordens Religiosas. Fundaram-se os cofres dos Pobres, do Senado, do Cabido, etc., para acudir a esses casos desesperados. Muita gente deixava legados à S. Casa para com os juros socorrer os pobres e os órfãos, para dotes de casamento de raparigas pobres e ainda para missas, festas, funerais, cera e azeite para a lâmpada do SSmo. etc.
Povo essencialmente religioso, providenciava não só às necessidades materiais, mas também às espirituais da comunidade.
Foi para isso que a Misericórdia instituiu os seus fundos, segundo escreveu o nosso saudoso amigo Dr. José Caetano Soares: «Quer dizer, a idea de criar fundos de previdência a que os moradores pudessem recorrer por meio de empréstimos, era não só reconhecida, como até apoiada por todos, e desde que o Senado, órgão principal da administração assim dava o exemplo, lógico seria, que proceder análogo fôsse também adoptado na Misericórdia, tanto mais que cedo os recursos acusaram relativo desafôgo, devido em parte à percentagem anualmente consignada nos direitos da cidade, mas na maior parte, a legados e outas doações particulares.
Ora, se quanto à Misericórdia, o sistema, mesmo em princípio não deixava, já então, de ser reputado extremamente perigoso, na prática, dada a maneira como durante algum tempo ia ser aplicado, com honestidade e cautela dignas do maior elogio, grande soma de benefícios trouxe de facto à Instituição, que nos fins do século XV possuía já em giro para cima de 50.000,(tael, unidade de peso equivalente a 37,5 gr. de prata fina, ou seja na moeda local de hoje, $1,55).
Verdade é, que à dedicação e escrúpulo com que os assuntos da Misericórdia eram assim tratados, não podia ser estranha a cuidadosa escolha de ordinário feita nas eleições das Mesas, constituí das quase sempre pela gente mais abastada e presididas em geral por individualidades de categoria, no lugar de Provedor, sendo frequentes os Capitães Gerais e os Bispos.
É deste conjunto de circunstâncias em extremo favoráveis, que grande desenvolvimento advem naturalmente aos serviços, a abranger em dentro em pouco: assistência a doentes dos 2 sexos no «Hospital dos Pobres», protecção a infância na «Casa dos Expostos», asilo para lázaros, assistência domiciliária com dinheiro e géneros aos velhos e desvalidos, recolhimento para órfãos e desamparadas, além de tantos actos e funções meramente de culto, o que era seguramente menos importante.
Ainda à influência e auxílio da Misericórdia ficou a terra a dever o fisico da cidade, contratado pelo senado, mas ao dispor de quem desde logo ia ser pôsto o hospital e a competente farmácia».
Ljungsted, no seu Historical Sketch pp. 40-41, escreve acerca da S. Casa:
«Dona Leonor, esposa do rei D. João II, fundou em Lisboa em 1458 uma Irmandade de misericórdia, conhecida pelo nome de «Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia». O alicerce da Santa Casa da Misericórdia, em Macau, foi lançado em 1596, e o seu primeiro provedor foi Melchior Carneiro, governador do Bispado de Macau. Auxiliar os indivíduos cujos meios de subsistência eram mui pequenos e insuficientes para manter uma família numerosa, socorrer os doentes pobres de certa respeitabilidade e aqueles que com relutância sairiam à rua para pedir esmola, sustentar órfãos e enjeitados-- tais são os sagrados deveres que esta digna sociedade professa cumprir. Em todos os paises onde os portugueses se estabelecem, logo que eles têm uma igreja, pensam em formar instituições iguais àquela de que falamos.
Em 1617 foram formuladas novas regras para a sua administração e em 1649 foram elas confirmadas por D. João IV, que tomou a Santa Casa da Misericórdia sob a sua imediata protecção. Em conformidade com o compromisso de 1627, os membros colectivos nomeiam eleitores, os quais escolhem um provedor, um secretário e tesoureiro, com dez vogais para formar uma Mesa de treze. Os indivíduos assim escolhidos têm liberdade de regeitar o cargo ou de aceitar as suas respectivas funções pelo tempo de um ano, que ter mina a 3 de Julho. O provedor, com o apoio da maioria da Mesa, toma certas resoluções; mas em alguns casos, tais como a eleição de novos membros, precisa-se da reunião da assembleia geral. Há cerca de 15 anos só os portugueses ou os seus descendentes podiam ser admitidos; mas desde 1821, seguiu-se o sistema contrário.
A Mesa reune-se duas vezes cada semana numa sala espaçosa, não longe da sua igreja dedicada a Nossa Senhora da Misericórdia. Os membros desta irmandade não estão obrigados a contribuir para a formação de fundos produtivos; eles tratam apenas da administração. Certos artigos volumosos do comércio são sujeitos ao pagamento de um imposto aduaneiro adicional de 1%, sendo metade deste rendimento recebida pelo tesoureiro no fim do ano; a outra metade vai, como dissemos, para o mosteiro de Santa Clara. Em 1833 esse rendimento subiu a 3.806 taéis; além disso, a Mesa administra todas as somas que são deixadas (à Santa Casa) para fins bem definidos por escrito por pessoas vivas ou defuntas.
Executar conscienciosamente a vontade do testador ou doador é um dever inviolável de todos os homens honestos, mas é ainda uma vantagem para uma associação caritativa. Porém há queixas amargas dum comportamento contrário:--«O provedor dissipa e esbanja o dinheiro deixado pelos testadores em benefício das suas almas, e os legatários são privados dos seus bens».
Aceitam-se riscos de mar sem prudência, e por uma criminosa cumplicidade na cobrança perdem-se tanto o capital como os juros. Uma irmandade que quiser esforçar-se para se ilibar destas acusações, deve cumprir a sua obra de sustentar crianças e órfãos; de salvar da morte, em troca de insignificâncias dadas aos desgraçados pais, as crianças chinas; de auxiliar os pobres, que forem membros respeitáveis da comunidade, com socorros periódicos em dinheiro ou arroz, bem como com medicamentos nos casos de doença».
As crianças enjeitadas confiadas às Canossianas
Em 1876, a Sta. Casa confiou os Expostos às Filhas de Caridade Canossianas, que tomaram conta deles, a princípio no próprio edifício dos Expostos e, mais tarde, no Asilo da Sta. Infância, em Sto. António.
Os termos do acordo, redigido pela superiora, foram os seguintes: 1º Que a contribuição anual da Santa Casa não será menor de 750 patacas anuais, só para sustento e vestuário. Qualquer despesa extra ficará a cargo da Sta. Casa.
2.º Que a Comissão Administrativa se obriga a receber de volta as enjeitadas, se por qualquer eventualidade as religiosas canossianas se retirarem de Macau, ou quando as enjeitadas, uma vez chegadas a idade de se emanciparem, quizerem voltar à Santa Casa, ou se esta Administração faltar ao pagamento devido da anual contribuição.
3.º--Que a contribuição não será diminuída, no caso de alguma morrer ou ser colocada a servir.
4.º--Com a dita contribuição obriga-se esta congregação a sustentar não menos de 20 enjeitadas, deixando toda a faculdade de substituir outras, que sejam, porém, de bons costumes.
5.º--Em caso de doença o custo dos medicamentos será à custa da Santa Casa e se o mal for contagioso será permitido enviá-la ao Hospital da Misericórdia.
6.º--A congregação obriga-se a dar educação gratuita às enjeitadas, segundo a condição delas, isto é, instrução catequística, estudo simplesmente elementar, trabalhos de agulha e manuais.
Julga-se inútil pôr aqui que as enjeitadas... devem vir providas das coisas necessárias para uso próprio».
A 8-9-1876, os expostos da S. Casa da Misericórdia foram transferidos para a Casa de Beneficência das Irmãs Canossianas.
Uma grande benfeitora da S. Casa e dos Conventos
Marta Merop é a protagonista dum romance de Austin Coates, intitulado «City of Broken Promises»--«A Cidade das Promessas Quebradas», ou seja, Macau.
Na introdução desse romance, que pretende ser histórico, lê--se:--«Tendo por teatro a antiga colónia portuguesa de Macau na costa da China do Sul, durante o período áureo da Companhia das Índias Orientais e do comércio do chá, City of Broken Promises conta a história duma das mais famosas mulheres nos anais de Macau.
Chinesa de nascimento, abandonada nos degraus duma igreja poucos dias depois de vir ao mundo, Marta Merop foi vendida para a prostituição na idade de treze anos. Analfabeta, sem nada de seu, e obrigada pelas rígidas convenções dos tempos a permanecer perpetuamente emparedada em casa do seu dono, tornou-se a mulher mais rica da costa da China e a maior benfeitora pública de Macau.
Como ela conseguiu isto, é o que nos conta esta autêntica novela dos primórdios do comércio ocidental com a China em que nenhuma mulher europeia podia entrar na China e em que a Companhia das Índias Orientais proibia aos seus empregados casar com mulheres indígenas. Nas condições ambivalentes de Macau multi-racial, Austin Coates reconstrói vividamente os anos cruciantes da vida de Marta, de 1780 a 1795, durante os quais ela foi a amante dum oficial da Companhia das Índias Orientais de descendência anglo-holandesa, Thomas Kuyek van Merop, filho do primeiro presidente da Companhia Lloyd e primo de Jeremias Bentham».
O livro de Coutes é um romance empolgante; mas tudo o que diz acerca da sua heroína nada tem de verdadeiro, senão a sua existência. Acresce que ela não era amante, mas legítima esposa de Thomas Merop.
Marta declara no seu testamento que casara à face da Igreja com o inglês Merop. Este morreu cedo. Adoecendo gravemente em Macau, embarcou num navio, que o conduziu a Londres, onde faleceu.
Sendo riquíssimo, deixou grandes somas de dinheiro às suas duas irmãs e a dois primos e a Mr. Rous, Administrador dos seus negócios em Londres. No seu testamente declara :-- «A minha querida esposa Marta da Silva deixo a soma de dez mil libras e a minha casa na Rua do Hospital e toda a mobília. Se ela mudar de ideias de passar a vida em Macau e vier para a Europa, deve receber mais três mil libras.
Ela não mudou de ideias e passou toda a vida em Macau, onde faleceu na sua casa, na Rua do Hospital, a 8 de Março de 1828, sendo sepultada na capela-mor de Convento de S. Francisco. No seu testamento, lavrado a 3 do mesmo mês, diz: «Declaro que sou moradora e natural desta Cidade do Nome de Deus na China, filha de Pai e Mãe gentios. Item declaro que fui casada com Thomas Merop ora defuncto in facie Ecclesiae, segundo manda a Santa Madre Igreja. Item declaro que deste Matrimonio não tive filho algum».
O Senado, eleito anualmente, era o órgão da administração. A S. Casa da Misericórdia, mais velha que o Senado uns 15 anos, não recebeu, antes deu lições democráticas a este. As eleições eram inteiramente livres e à mesa eleita é que estava confiada a assistência pública.
A Misericórdia existia em todo o espaço português, quer metropolitano, quer ultramarino. A de Lisboa, fundada pela rainha D. Leonor sob a inspiração do bispo Contreiras, tinha o seu regulamento, que foi o modelo de todos os outros.
Macau possuía um regulamento próprio; mas quando em 1626 os irmãos examinaram os compromissos das Misericórdias da Lisboa e de Goa, acharam que o seu era «muito diminuto, confuso e indigesto» e então resolveram reformá-lo. Em Janeiro de 1627, foram eleitos 12 adjuntos que com os outros irmãos resolveram adoptar o de Goa, mas com ligeira modificação, conforme «a qualidade e usança da terra». Hoje diríamos, «conforme os condicionalismos da terra».
Quais eram esses condicionalismos?
A vida económica e financeira dependia única e exclusivamente do comércio, de tal forma que, segundo o dizer pitoresco dum bispo desta diocese, «tudo em Macau comerciava, inclusive os mortos, pois os legados pios eram ordinariamente deixados com a condição de andaram a risco de mar.
Que quer dizer risco de mar? As instituições públicas, quer civis quer religiosas, e os indivíduos particulares empregavam o seu dinheiro no comércio marítimo com lucros bastante compensadores. Estes eram tão elevados que muita gente contraía empréstimos com 20 e 25% de juro para colocar esse dinheiro a risco. Ora este risco era muito real, pois o naufrágio duma nau de prata ou o seu apresamento pelos holandeses, um assalto de piratas a um barco, uma viagem desastrosa significava a ruína de muitos, reduzindo os ricos à miséria.
Os chefes de família andavam embarcados, deixando as suas casas abandanadas por 6 a 8 meses cada ano. Quando o barco se perdia, entrava nesses lares a viuvez e a orfandade com todo o seu cortejo de misérias físicas e morais.
Estes condicionalismos chamaram desde o início a atenção da democracia macaense por meio do seu democrático Senado. Foi este, que, nos direitos da cidade, consignou percentagem para a Misericórdia, o Convento de S. Clara e Ordens Religiosas. Fundaram-se os cofres dos Pobres, do Senado, do Cabido, etc., para acudir a esses casos desesperados. Muita gente deixava legados à S. Casa para com os juros socorrer os pobres e os órfãos, para dotes de casamento de raparigas pobres e ainda para missas, festas, funerais, cera e azeite para a lâmpada do SSmo. etc.
Povo essencialmente religioso, providenciava não só às necessidades materiais, mas também às espirituais da comunidade.
Foi para isso que a Misericórdia instituiu os seus fundos, segundo escreveu o nosso saudoso amigo Dr. José Caetano Soares: «Quer dizer, a idea de criar fundos de previdência a que os moradores pudessem recorrer por meio de empréstimos, era não só reconhecida, como até apoiada por todos, e desde que o Senado, órgão principal da administração assim dava o exemplo, lógico seria, que proceder análogo fôsse também adoptado na Misericórdia, tanto mais que cedo os recursos acusaram relativo desafôgo, devido em parte à percentagem anualmente consignada nos direitos da cidade, mas na maior parte, a legados e outas doações particulares.
Ora, se quanto à Misericórdia, o sistema, mesmo em princípio não deixava, já então, de ser reputado extremamente perigoso, na prática, dada a maneira como durante algum tempo ia ser aplicado, com honestidade e cautela dignas do maior elogio, grande soma de benefícios trouxe de facto à Instituição, que nos fins do século XV possuía já em giro para cima de 50.000,(tael, unidade de peso equivalente a 37,5 gr. de prata fina, ou seja na moeda local de hoje, $1,55).
Verdade é, que à dedicação e escrúpulo com que os assuntos da Misericórdia eram assim tratados, não podia ser estranha a cuidadosa escolha de ordinário feita nas eleições das Mesas, constituí das quase sempre pela gente mais abastada e presididas em geral por individualidades de categoria, no lugar de Provedor, sendo frequentes os Capitães Gerais e os Bispos.
É deste conjunto de circunstâncias em extremo favoráveis, que grande desenvolvimento advem naturalmente aos serviços, a abranger em dentro em pouco: assistência a doentes dos 2 sexos no «Hospital dos Pobres», protecção a infância na «Casa dos Expostos», asilo para lázaros, assistência domiciliária com dinheiro e géneros aos velhos e desvalidos, recolhimento para órfãos e desamparadas, além de tantos actos e funções meramente de culto, o que era seguramente menos importante.
Ainda à influência e auxílio da Misericórdia ficou a terra a dever o fisico da cidade, contratado pelo senado, mas ao dispor de quem desde logo ia ser pôsto o hospital e a competente farmácia».
Ljungsted, no seu Historical Sketch pp. 40-41, escreve acerca da S. Casa:
«Dona Leonor, esposa do rei D. João II, fundou em Lisboa em 1458 uma Irmandade de misericórdia, conhecida pelo nome de «Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia». O alicerce da Santa Casa da Misericórdia, em Macau, foi lançado em 1596, e o seu primeiro provedor foi Melchior Carneiro, governador do Bispado de Macau. Auxiliar os indivíduos cujos meios de subsistência eram mui pequenos e insuficientes para manter uma família numerosa, socorrer os doentes pobres de certa respeitabilidade e aqueles que com relutância sairiam à rua para pedir esmola, sustentar órfãos e enjeitados-- tais são os sagrados deveres que esta digna sociedade professa cumprir. Em todos os paises onde os portugueses se estabelecem, logo que eles têm uma igreja, pensam em formar instituições iguais àquela de que falamos.
Em 1617 foram formuladas novas regras para a sua administração e em 1649 foram elas confirmadas por D. João IV, que tomou a Santa Casa da Misericórdia sob a sua imediata protecção. Em conformidade com o compromisso de 1627, os membros colectivos nomeiam eleitores, os quais escolhem um provedor, um secretário e tesoureiro, com dez vogais para formar uma Mesa de treze. Os indivíduos assim escolhidos têm liberdade de regeitar o cargo ou de aceitar as suas respectivas funções pelo tempo de um ano, que ter mina a 3 de Julho. O provedor, com o apoio da maioria da Mesa, toma certas resoluções; mas em alguns casos, tais como a eleição de novos membros, precisa-se da reunião da assembleia geral. Há cerca de 15 anos só os portugueses ou os seus descendentes podiam ser admitidos; mas desde 1821, seguiu-se o sistema contrário.
A Mesa reune-se duas vezes cada semana numa sala espaçosa, não longe da sua igreja dedicada a Nossa Senhora da Misericórdia. Os membros desta irmandade não estão obrigados a contribuir para a formação de fundos produtivos; eles tratam apenas da administração. Certos artigos volumosos do comércio são sujeitos ao pagamento de um imposto aduaneiro adicional de 1%, sendo metade deste rendimento recebida pelo tesoureiro no fim do ano; a outra metade vai, como dissemos, para o mosteiro de Santa Clara. Em 1833 esse rendimento subiu a 3.806 taéis; além disso, a Mesa administra todas as somas que são deixadas (à Santa Casa) para fins bem definidos por escrito por pessoas vivas ou defuntas.
Executar conscienciosamente a vontade do testador ou doador é um dever inviolável de todos os homens honestos, mas é ainda uma vantagem para uma associação caritativa. Porém há queixas amargas dum comportamento contrário:--«O provedor dissipa e esbanja o dinheiro deixado pelos testadores em benefício das suas almas, e os legatários são privados dos seus bens».
Aceitam-se riscos de mar sem prudência, e por uma criminosa cumplicidade na cobrança perdem-se tanto o capital como os juros. Uma irmandade que quiser esforçar-se para se ilibar destas acusações, deve cumprir a sua obra de sustentar crianças e órfãos; de salvar da morte, em troca de insignificâncias dadas aos desgraçados pais, as crianças chinas; de auxiliar os pobres, que forem membros respeitáveis da comunidade, com socorros periódicos em dinheiro ou arroz, bem como com medicamentos nos casos de doença».
As crianças enjeitadas confiadas às Canossianas
Em 1876, a Sta. Casa confiou os Expostos às Filhas de Caridade Canossianas, que tomaram conta deles, a princípio no próprio edifício dos Expostos e, mais tarde, no Asilo da Sta. Infância, em Sto. António.
Os termos do acordo, redigido pela superiora, foram os seguintes: 1º Que a contribuição anual da Santa Casa não será menor de 750 patacas anuais, só para sustento e vestuário. Qualquer despesa extra ficará a cargo da Sta. Casa.
2.º Que a Comissão Administrativa se obriga a receber de volta as enjeitadas, se por qualquer eventualidade as religiosas canossianas se retirarem de Macau, ou quando as enjeitadas, uma vez chegadas a idade de se emanciparem, quizerem voltar à Santa Casa, ou se esta Administração faltar ao pagamento devido da anual contribuição.
3.º--Que a contribuição não será diminuída, no caso de alguma morrer ou ser colocada a servir.
4.º--Com a dita contribuição obriga-se esta congregação a sustentar não menos de 20 enjeitadas, deixando toda a faculdade de substituir outras, que sejam, porém, de bons costumes.
5.º--Em caso de doença o custo dos medicamentos será à custa da Santa Casa e se o mal for contagioso será permitido enviá-la ao Hospital da Misericórdia.
6.º--A congregação obriga-se a dar educação gratuita às enjeitadas, segundo a condição delas, isto é, instrução catequística, estudo simplesmente elementar, trabalhos de agulha e manuais.
Julga-se inútil pôr aqui que as enjeitadas... devem vir providas das coisas necessárias para uso próprio».
A 8-9-1876, os expostos da S. Casa da Misericórdia foram transferidos para a Casa de Beneficência das Irmãs Canossianas.
Uma grande benfeitora da S. Casa e dos Conventos
Marta Merop é a protagonista dum romance de Austin Coates, intitulado «City of Broken Promises»--«A Cidade das Promessas Quebradas», ou seja, Macau.
Na introdução desse romance, que pretende ser histórico, lê--se:--«Tendo por teatro a antiga colónia portuguesa de Macau na costa da China do Sul, durante o período áureo da Companhia das Índias Orientais e do comércio do chá, City of Broken Promises conta a história duma das mais famosas mulheres nos anais de Macau.
Chinesa de nascimento, abandonada nos degraus duma igreja poucos dias depois de vir ao mundo, Marta Merop foi vendida para a prostituição na idade de treze anos. Analfabeta, sem nada de seu, e obrigada pelas rígidas convenções dos tempos a permanecer perpetuamente emparedada em casa do seu dono, tornou-se a mulher mais rica da costa da China e a maior benfeitora pública de Macau.
Como ela conseguiu isto, é o que nos conta esta autêntica novela dos primórdios do comércio ocidental com a China em que nenhuma mulher europeia podia entrar na China e em que a Companhia das Índias Orientais proibia aos seus empregados casar com mulheres indígenas. Nas condições ambivalentes de Macau multi-racial, Austin Coates reconstrói vividamente os anos cruciantes da vida de Marta, de 1780 a 1795, durante os quais ela foi a amante dum oficial da Companhia das Índias Orientais de descendência anglo-holandesa, Thomas Kuyek van Merop, filho do primeiro presidente da Companhia Lloyd e primo de Jeremias Bentham».
O livro de Coutes é um romance empolgante; mas tudo o que diz acerca da sua heroína nada tem de verdadeiro, senão a sua existência. Acresce que ela não era amante, mas legítima esposa de Thomas Merop.
Marta declara no seu testamento que casara à face da Igreja com o inglês Merop. Este morreu cedo. Adoecendo gravemente em Macau, embarcou num navio, que o conduziu a Londres, onde faleceu.
Sendo riquíssimo, deixou grandes somas de dinheiro às suas duas irmãs e a dois primos e a Mr. Rous, Administrador dos seus negócios em Londres. No seu testamente declara :-- «A minha querida esposa Marta da Silva deixo a soma de dez mil libras e a minha casa na Rua do Hospital e toda a mobília. Se ela mudar de ideias de passar a vida em Macau e vier para a Europa, deve receber mais três mil libras.
Ela não mudou de ideias e passou toda a vida em Macau, onde faleceu na sua casa, na Rua do Hospital, a 8 de Março de 1828, sendo sepultada na capela-mor de Convento de S. Francisco. No seu testamento, lavrado a 3 do mesmo mês, diz: «Declaro que sou moradora e natural desta Cidade do Nome de Deus na China, filha de Pai e Mãe gentios. Item declaro que fui casada com Thomas Merop ora defuncto in facie Ecclesiae, segundo manda a Santa Madre Igreja. Item declaro que deste Matrimonio não tive filho algum».
Marta Merop amava a sua terra de Macau, à qual legou toda a sua fortuna e amava também Portugal. Basta dizer que, quando a 18 de Outubro de 1805, se fez em Macau uma subscrição para auxiliar o Governo Português, o governador de Macau contribuiu com 500 patacas ao passo que Marta deu mil.
A S. Casa da Misericórdia quis manifestar o seu perpétuo reconhecimento a esta sua insigne benfeitora, mandando colocar o seu retrado, a corpo inteiro, na sala das sessões.
José Tomás de Aquino, em carta dirigida à Mesa Directora da S. Casa, pedia desculpa quanto à demora dos retratos de Francisco Xavier Roquete, que legou $62.000 a essa instituição e de Marta da Silva Merop; os quais foram executados pelo retratista china Vo Qua, «mas sob o meu contorno e direcção», diz ele.
Foi esta senhora uma das mais ricas, senão a mais rica, que teve esta cidade e, sem dúvida, a sua mais generosa benfeitora. Ainda hoje a S. Casa e o Colégio de S. Rosa de Lima continuam a beneficiar da sua generosidade.
Bem merecia que o seu nome figurasse numa via pública, como figura o de Francisco Xavier Roquete na «Travessa do Roquete».
Asilo de órfãs
Ljungstedt escreve: «A irmandade da Misericórdia pensou desde o princípio em instituir um estabelecimento desta espécie, mas não encontrou meios para o tornar durável. Em 1726 fundou-se uma instituição temporária para trinta viúvas e órfãs que foram aí recolhidas e sustentadas; as órfãs eram instruídas para serem mães de família. Uma das órfãs--a mais necessitada--era anualmente escolhida para receber um dote nupcial, que consistia em meio por cento sobre os direitos de importação, que o Leal Senado punha de parte para esse fim. Esse meio por cento subiu a 406 taéis, mas em 1726 210 chegava apenas a 60 taéis. Desde essa época ficou suspensa a instituição até 1782, quando a irmandade da Misericórdia fez uma proposta para estabelecer um novo asilo de acordo com o Leal Senado, proposta esta que foi aceita. Deu o Senado quatro mil taéis e o nome de Recolhimento de Santa Rosa de Lima 211. Este capital aumentado com generosos donativos e legados, é dado a juros a risco de mar. Conforme o produto desses juros regulava-se o número de meninas, que podiam ser admitidas. Nenhuma era admitida sem o consentimento o bispo que é quem nomeava um capelão (pois há um capela na casa), um inspector, e uma mulher de boa reputação para regente da comunidade. Uma mestra ensina a religião, ler, escrever e obras de agulha. As meninas cujos pais podem pagar pelo sustento, alojamento etc., são também admitidas quando há lugares vagos e o bispo não faz objecções. As órfãs ai educadas podem, com o seu consentimento, aceitar o lugar de mestras em qualquer família, bem como propostas de casamento (quando se apresenta uma proposta conveniente). Em tal caso era concedido um dote, mas a quantia desse dote dependia das receitas e da boa vontade do bispo.
A S. Casa da Misericórdia quis manifestar o seu perpétuo reconhecimento a esta sua insigne benfeitora, mandando colocar o seu retrado, a corpo inteiro, na sala das sessões.
José Tomás de Aquino, em carta dirigida à Mesa Directora da S. Casa, pedia desculpa quanto à demora dos retratos de Francisco Xavier Roquete, que legou $62.000 a essa instituição e de Marta da Silva Merop; os quais foram executados pelo retratista china Vo Qua, «mas sob o meu contorno e direcção», diz ele.
Foi esta senhora uma das mais ricas, senão a mais rica, que teve esta cidade e, sem dúvida, a sua mais generosa benfeitora. Ainda hoje a S. Casa e o Colégio de S. Rosa de Lima continuam a beneficiar da sua generosidade.
Bem merecia que o seu nome figurasse numa via pública, como figura o de Francisco Xavier Roquete na «Travessa do Roquete».
Asilo de órfãs
Ljungstedt escreve: «A irmandade da Misericórdia pensou desde o princípio em instituir um estabelecimento desta espécie, mas não encontrou meios para o tornar durável. Em 1726 fundou-se uma instituição temporária para trinta viúvas e órfãs que foram aí recolhidas e sustentadas; as órfãs eram instruídas para serem mães de família. Uma das órfãs--a mais necessitada--era anualmente escolhida para receber um dote nupcial, que consistia em meio por cento sobre os direitos de importação, que o Leal Senado punha de parte para esse fim. Esse meio por cento subiu a 406 taéis, mas em 1726 210 chegava apenas a 60 taéis. Desde essa época ficou suspensa a instituição até 1782, quando a irmandade da Misericórdia fez uma proposta para estabelecer um novo asilo de acordo com o Leal Senado, proposta esta que foi aceita. Deu o Senado quatro mil taéis e o nome de Recolhimento de Santa Rosa de Lima 211. Este capital aumentado com generosos donativos e legados, é dado a juros a risco de mar. Conforme o produto desses juros regulava-se o número de meninas, que podiam ser admitidas. Nenhuma era admitida sem o consentimento o bispo que é quem nomeava um capelão (pois há um capela na casa), um inspector, e uma mulher de boa reputação para regente da comunidade. Uma mestra ensina a religião, ler, escrever e obras de agulha. As meninas cujos pais podem pagar pelo sustento, alojamento etc., são também admitidas quando há lugares vagos e o bispo não faz objecções. As órfãs ai educadas podem, com o seu consentimento, aceitar o lugar de mestras em qualquer família, bem como propostas de casamento (quando se apresenta uma proposta conveniente). Em tal caso era concedido um dote, mas a quantia desse dote dependia das receitas e da boa vontade do bispo.
Nota: texto datado de 1974; não consegui identificar o autor.
Assistência social: 1569 - 1945
As datas mais importantes:
1569. D. Belchior Carneiro instituiu a Santa Casa e dois Hospitais para socorrer os pobres.
Durante 400 anos, inúmeros benfeitores deixaram legados à Santa Casa, para os órfãos e viúvas e para dotes de casamento das donzelas pobres.
1648. O P.e Cardim refere que os Jesuítas davam esmolas na escadaria de S. Paulo a 1 500 pessoas (Macau e a sua Diocese, III, 176).
1793. D. Marcelino José da Silva queixa-se de que, devido à pobreza, os pais entregavam as crianças, filhas e esposas aos estrangeiros, para receberem dinheiro; fundou para elas o Recolhimento de S. Maria Madalena.
Em toda a história de Macau, os portugueses compravam aos chineses as meninas (criações), sobretudo em tempos de fome (M. e D., II, 287).
1806. D. Fr. Francisco de N. Sra. da Luz Chacim fundou, a 30 de Agosto, o Cofre dos Pobres, para alívio da miséria que então alastrava.
1843. O Pe. Joaquim José Leite, reitor do Seminário, instituiu, a 19 de Novembro, a Associação dos Benfeitores da Caridade (uma espécie de Conferência de S. Vicente de Paulo), com o fim de extinguir a mendicidade; começou com $3 000,00 de um depósito existente no Seminário para Obras Pias.
1858. Asilo para os pobres chineses, fundado pelo Clero de Macau, num terreno circundante à igreja de S. Lázaro, cedido pela Santa Casa, cuja alma foi o caritativo sacerdote goês, Manuel Francisco do Rosário e Almeida, que percorria as ruas de Macau com um saco a pedir esmolas, ficando famoso «o saco do Pe. Almeida»; é o Asilo de S. José que ainda existe.
1869. Fundação da associação chinesa de beneficência Tong-Sin-Tong que tem exercido uma acção assistencial que muito honra a Comunidade Chinesa, que a instituiu; foi reorganizada por portaria n.º 31 de 21 de Fevereiro de 1803, que aprovou os seus estatutos, que se propunham «distribuir medicamentos próprios de cada estação, sob a forma de pílulas e pós, curar gratuitameute os enfermos, fazer prelecções, distribuir livros e fazer outras obras boas». Já Mendes Pinto nos fala das Sin-Tong, dispersas por toda a China, cujos membros eram tidos «à conta de homens honrados que são como entre nós os Irmãos da Misericórdia».
1871. Fundação do Hospital Keng-Wu, o de maior movimento em Macau.
1874. A 1 de Dezembro do ano de 1871, foi lançada a pedra angular do Hospital Militar de S. Januário, que ficou concluído em Dezembro de 1873 e cuja inauguração oficial se realizou a 8 de Janeiro de 1874.
1885. Fundação do Asilo da S. Infância pelas Religiosas Canossianas.
1900. A S. Casa da Misericórdia fundou o Asilo das Inválidas, cujo edifício foi reedificado em 1925; no mesmo ano de 1900 fundou o Albergue das Indigentes.
1903. O Pe. Dr. António José Gomes, cujo centenário de nascimento ocorreu em 1974, fundou, a 13 de Novembro, o Pão dos Pobres de S. António, que nestes 71 anos vem socorrendo milhares de necessitados.
1938. A 21 de Maio, é criada a Comissão de Assistência e Beneficência, que foi reorganizada a 31 de Março de 1947 e transformada na Comissão Central de Assistência Pública que dirige todas as obras assistenciais do Estado, distribuindo milhões de patacas, anualmente, aos assistidos.
1941-1945. Macau tornou-se um asilo de refugiados, morrendo de inanição 100 por dia.
Além de mais de 100 000 chineses, vieram uns 8 000 portugueses de Hong Kong e a todos se procurou ajudar. Até o multimilionário, Sir Robert Ho Tung, aqui se acolheu, sendo-lhe fornecidas latas de leite para seu sustento, pois a comida escasseava.
Já em 1924, se haviam abrigado, em Tói San, milhares de refugiados, para os quais foram construídas centenas de barracas; hoje, é o Bairro Tamagnini Barbosa, com a paróquia e Igreja de Fátima, escolas, dispensário, lar, etc. O incêndio nesse bairro, no fim de 1974 despertou um movimento extraordinário de caridade.
Durante 400 anos, inúmeros benfeitores deixaram legados à Santa Casa, para os órfãos e viúvas e para dotes de casamento das donzelas pobres.
1648. O P.e Cardim refere que os Jesuítas davam esmolas na escadaria de S. Paulo a 1 500 pessoas (Macau e a sua Diocese, III, 176).
1793. D. Marcelino José da Silva queixa-se de que, devido à pobreza, os pais entregavam as crianças, filhas e esposas aos estrangeiros, para receberem dinheiro; fundou para elas o Recolhimento de S. Maria Madalena.
Em toda a história de Macau, os portugueses compravam aos chineses as meninas (criações), sobretudo em tempos de fome (M. e D., II, 287).
1806. D. Fr. Francisco de N. Sra. da Luz Chacim fundou, a 30 de Agosto, o Cofre dos Pobres, para alívio da miséria que então alastrava.
1843. O Pe. Joaquim José Leite, reitor do Seminário, instituiu, a 19 de Novembro, a Associação dos Benfeitores da Caridade (uma espécie de Conferência de S. Vicente de Paulo), com o fim de extinguir a mendicidade; começou com $3 000,00 de um depósito existente no Seminário para Obras Pias.
1858. Asilo para os pobres chineses, fundado pelo Clero de Macau, num terreno circundante à igreja de S. Lázaro, cedido pela Santa Casa, cuja alma foi o caritativo sacerdote goês, Manuel Francisco do Rosário e Almeida, que percorria as ruas de Macau com um saco a pedir esmolas, ficando famoso «o saco do Pe. Almeida»; é o Asilo de S. José que ainda existe.
1869. Fundação da associação chinesa de beneficência Tong-Sin-Tong que tem exercido uma acção assistencial que muito honra a Comunidade Chinesa, que a instituiu; foi reorganizada por portaria n.º 31 de 21 de Fevereiro de 1803, que aprovou os seus estatutos, que se propunham «distribuir medicamentos próprios de cada estação, sob a forma de pílulas e pós, curar gratuitameute os enfermos, fazer prelecções, distribuir livros e fazer outras obras boas». Já Mendes Pinto nos fala das Sin-Tong, dispersas por toda a China, cujos membros eram tidos «à conta de homens honrados que são como entre nós os Irmãos da Misericórdia».
1871. Fundação do Hospital Keng-Wu, o de maior movimento em Macau.
1874. A 1 de Dezembro do ano de 1871, foi lançada a pedra angular do Hospital Militar de S. Januário, que ficou concluído em Dezembro de 1873 e cuja inauguração oficial se realizou a 8 de Janeiro de 1874.
1885. Fundação do Asilo da S. Infância pelas Religiosas Canossianas.
1900. A S. Casa da Misericórdia fundou o Asilo das Inválidas, cujo edifício foi reedificado em 1925; no mesmo ano de 1900 fundou o Albergue das Indigentes.
1903. O Pe. Dr. António José Gomes, cujo centenário de nascimento ocorreu em 1974, fundou, a 13 de Novembro, o Pão dos Pobres de S. António, que nestes 71 anos vem socorrendo milhares de necessitados.
1938. A 21 de Maio, é criada a Comissão de Assistência e Beneficência, que foi reorganizada a 31 de Março de 1947 e transformada na Comissão Central de Assistência Pública que dirige todas as obras assistenciais do Estado, distribuindo milhões de patacas, anualmente, aos assistidos.
1941-1945. Macau tornou-se um asilo de refugiados, morrendo de inanição 100 por dia.
Além de mais de 100 000 chineses, vieram uns 8 000 portugueses de Hong Kong e a todos se procurou ajudar. Até o multimilionário, Sir Robert Ho Tung, aqui se acolheu, sendo-lhe fornecidas latas de leite para seu sustento, pois a comida escasseava.
Já em 1924, se haviam abrigado, em Tói San, milhares de refugiados, para os quais foram construídas centenas de barracas; hoje, é o Bairro Tamagnini Barbosa, com a paróquia e Igreja de Fátima, escolas, dispensário, lar, etc. O incêndio nesse bairro, no fim de 1974 despertou um movimento extraordinário de caridade.
Igreja de N. Sra. das Dores, Coloane
É feita à moda duma tenda de campanha, devendo-se o projecto e a construção ao empreiteiro e artista Oseo Acconci.
Sendo o clima de Macau húmido e quente e atendendo a que a igreja se destina aos leprosos, rasgaram-se nela 15 portas, uma no alçado principal e sete em cada um dos alçados laterais. O altar fica ao lado e não no fundo da igreja.
A fachada com a sua rosácea e frontão esguio é encimada por um artístico crucifixo, oferecido pelo escultor siciliano Francisco Messina, medindo 2m50 de altura e pesando 180 quilos.
A antiga igreja foi transformada em sala de leitura e recreio, sendo retirados dela a torre sineira, o altar e os adornos respectivos.
Para a construção da igreja contribuiu o Papa Paulo VI com uma oferta pessoal, a que se juntou outra da S. Congregação da Propaganda Fide, num total de cerca de 50 mil patacas; esta soma foi engrossada pelos «Amigos dos Leprosos» de Bolonha, o Colégio de S. José de Albano de Roma; a paróquia salesiana de S. Maria de Roma ofereceu os sinos; e vários benfeitores romanos doaram o sacrário e a Via Sacra. O resto, ou seja, mais de metade do total, foi coberto pela Diocese de Macau.
A igreja foi benzida a 24 de Julho de 1966 por D. Paulo José Tavares, bispo de Macau, sendo nesse dia rezada uma missa concelebrada.
Sendo o clima de Macau húmido e quente e atendendo a que a igreja se destina aos leprosos, rasgaram-se nela 15 portas, uma no alçado principal e sete em cada um dos alçados laterais. O altar fica ao lado e não no fundo da igreja.
A fachada com a sua rosácea e frontão esguio é encimada por um artístico crucifixo, oferecido pelo escultor siciliano Francisco Messina, medindo 2m50 de altura e pesando 180 quilos.
A antiga igreja foi transformada em sala de leitura e recreio, sendo retirados dela a torre sineira, o altar e os adornos respectivos.
Para a construção da igreja contribuiu o Papa Paulo VI com uma oferta pessoal, a que se juntou outra da S. Congregação da Propaganda Fide, num total de cerca de 50 mil patacas; esta soma foi engrossada pelos «Amigos dos Leprosos» de Bolonha, o Colégio de S. José de Albano de Roma; a paróquia salesiana de S. Maria de Roma ofereceu os sinos; e vários benfeitores romanos doaram o sacrário e a Via Sacra. O resto, ou seja, mais de metade do total, foi coberto pela Diocese de Macau.
A igreja foi benzida a 24 de Julho de 1966 por D. Paulo José Tavares, bispo de Macau, sendo nesse dia rezada uma missa concelebrada.
Igreja S. Francisco Xavier, Coloane
A 23 de Dezembro de 1864, os habitantes de Coloane pediram ao Governo de Macau protecção contra os piratas. O Governador José Rodrigues Coelho do Amaral (1863-1866) enviou-lhes logo uma força de 10 polícias. Como os soldados chinas, que lá estavam, quisessem continuar, foram presos, sendo então essa ilha ocupada pela primeira vez pelos portugueses. Os piratas, ao entanto, continuaram a molestar os habitantes.
Se a ocupação militar data de 1864, a missão eclesiástica só lá penetrou em 1903. As Filhas de Caridade Canossianas, a quem foi confiada a nova missão, abriram lá uma escola para meninas em 27 de Setembro desse ano e fundaram o Asilo de N. Senhora do Rosário com uma capela anexa. Mas, dois anos mais tarde, essa missão teve de encerrar as suas portas devido à insegurança pública. Foi só em 1910 que os piratas foram definitivamente expulsos da ilha.
Mais tarde, construiu-se a capela e a residência anexa de S. Francisco Xavier em substituição das humildes construções, onde primitivamente se ministrava o ensino religioso.
Se a ocupação militar data de 1864, a missão eclesiástica só lá penetrou em 1903. As Filhas de Caridade Canossianas, a quem foi confiada a nova missão, abriram lá uma escola para meninas em 27 de Setembro desse ano e fundaram o Asilo de N. Senhora do Rosário com uma capela anexa. Mas, dois anos mais tarde, essa missão teve de encerrar as suas portas devido à insegurança pública. Foi só em 1910 que os piratas foram definitivamente expulsos da ilha.
Mais tarde, construiu-se a capela e a residência anexa de S. Francisco Xavier em substituição das humildes construções, onde primitivamente se ministrava o ensino religioso.
Primeira Ponte Macau-Taipa
A ponte Macau-Taipa foi inaugurada em 5 de Outubro de 1974, levando cinco anos a construir. O comprimento total é de 1,7 milhas, ou seja, cerca de 3 Km. com faixa de rodagem de 7,20 m de largura, além dos passeios, perfazendo o total de cerca de 10 metros, com a rasante que se eleva a 35 metros, ou seja uns 100 pés sobre as águas do mar, na zona de canal de navegação. Macau ficou assim ligado à Taipa por meio da ponte e a Coloane por meio do istmo.
Igreja de N. Senhora do Carmo, Taipa
O Eng. Constantino José de Brito apresentou, em 29 de Agosto de 1882, a Joaquim José da Graça, Governador de Macau (1879-1883) o orçamento para a construção duma igreja na Taipa, cujo local fora por ele mesmo escolhido. Foi a pedido do bispo D. Manuel Bernardo de Sousa Enes (1873-1883) que o Governador Graça ordenou a construção da igreja. Aprovado o orçamento, Brito lançou mãos à obra, ficando a igreja concluída em 1885 e sendo inaugurada no Domingo, 20 de Setembro desse ano.
A igreja mede 29 metros de comprimento, 9 de largura no corpo da igreja e 6 na capela-mor. A residência paroquial, à esquerda, consta de sala, casa de jantar, 2 quartos, dispensa, cozinha e casa de banho. Os altares são três: o altar-mor era destinado à exposição do SSmo. Sacramento; quanto aos altares laterais, um era dedicado ao apóstolo do Oriente, S. Francisco Xavier e outro a S. Joaquim.
Hoje, o altar-mor é dedicado a N. Sra. do Carmo e os laterais ao S. Coração de Jesus e a S. José.
Em 1880, a Taipa tinha 3230 habitantes, sendo cristãos apenas 35. Foi para eles que se levantou a igreja.
A igreja mede 29 metros de comprimento, 9 de largura no corpo da igreja e 6 na capela-mor. A residência paroquial, à esquerda, consta de sala, casa de jantar, 2 quartos, dispensa, cozinha e casa de banho. Os altares são três: o altar-mor era destinado à exposição do SSmo. Sacramento; quanto aos altares laterais, um era dedicado ao apóstolo do Oriente, S. Francisco Xavier e outro a S. Joaquim.
Hoje, o altar-mor é dedicado a N. Sra. do Carmo e os laterais ao S. Coração de Jesus e a S. José.
Em 1880, a Taipa tinha 3230 habitantes, sendo cristãos apenas 35. Foi para eles que se levantou a igreja.
Capela do Hospital de S. Rafael
O primeiro bispo de Macau, D. Melchior Carneiro, fundou em 1568 dois hospitais, segundo ele refere em carta de 20 de Novembro de 1575: «Logo que cheguei a esta Ilha, mandei fazer dois hospitais, tanto para Gentios como para Cristãos, como também uma Companhia da Misericórdia, que é como a de Caridade em Roma» 208. O Pe. Cristóvão da Costa, S. J., em carta datada de Malaca a 2-12-1569, diz que no ano anterior tivera notícia que D. Melchior fundara um hospital, «que ele mandou fazer para a cura dos leprosos, dos quais há muitos naquele país 209.
Chama-se Hospital dos Pobres e tinha um compartimento para leprosos; mais tarde os leprosos passaram para um lazareto fora das Portas da Cidade com uma ermida anexa, chamada de N. Senhora da Esperança, que hoje é a igreja paroquial de S. Lázaro.
O Hospital dos Pobres devia ter também uma capela anexa para uso dos doentes. O nome de S. Rafael foi-lhe dado vários séculos depois; ainda em 1834 Ljungstedt lhe chama Hospital Civil para o distinguir do Militar, que era um anexo do Civil.
Em 1747, sendo Provedor da S. Casa Luís Coelho, foi reconstruído este hospital; em 1842, foi ele reedificado desde os fundamentos por donativos de vários benfeitores, incluindo estrangeiros, solicitados pelo Provedor da S. Casa Filipe José de Freitas. O edifício foi aumentado com um andar, colocando-se sobre a porta principal um nicho com a estátua de S. Rafael e as palavras Medicina Dei. Foi assim que o Hospital Civil ou dos Pobres passou a ser chamado Hospital de S. Rafael.
Sofreu ainda duas reconstruções: em 1912-1913 e em 1938--1939. Em 1975, foi ocupado pelos refugiados de Timor, cessando assim as suas funções.
Chama-se Hospital dos Pobres e tinha um compartimento para leprosos; mais tarde os leprosos passaram para um lazareto fora das Portas da Cidade com uma ermida anexa, chamada de N. Senhora da Esperança, que hoje é a igreja paroquial de S. Lázaro.
O Hospital dos Pobres devia ter também uma capela anexa para uso dos doentes. O nome de S. Rafael foi-lhe dado vários séculos depois; ainda em 1834 Ljungstedt lhe chama Hospital Civil para o distinguir do Militar, que era um anexo do Civil.
Em 1747, sendo Provedor da S. Casa Luís Coelho, foi reconstruído este hospital; em 1842, foi ele reedificado desde os fundamentos por donativos de vários benfeitores, incluindo estrangeiros, solicitados pelo Provedor da S. Casa Filipe José de Freitas. O edifício foi aumentado com um andar, colocando-se sobre a porta principal um nicho com a estátua de S. Rafael e as palavras Medicina Dei. Foi assim que o Hospital Civil ou dos Pobres passou a ser chamado Hospital de S. Rafael.
Sofreu ainda duas reconstruções: em 1912-1913 e em 1938--1939. Em 1975, foi ocupado pelos refugiados de Timor, cessando assim as suas funções.
Capela do Carmelo do Bom Jesus
Escrevendo em 1744, Frei José de Jesus Maria, na Azia Sinica e Japonica, Vol. I, p. 206, menciona a «Hermida do Bom Jesus da Penha, que ultimamente, à sua custa edificou a esta milagrosa Imag~e Francisco Xavier Doutel hom~e Fidalgo, hoje Governador das Ilhas de Timor» 1; construiu também ali uma Via Sacra, que encontrou certa oposição da parte do Prelado da Diocese.
Doutel era natural de Bragança, donde veio para Macau em 1698 e aqui casou com Francisca Pereira, proprietaria do Monte do Bom Jesus. Em 1831, esse monte pertencia a Inácia Vicência de Paiva, filha de Domingos Marques e de Maria Francisca dos Anjos Ribeiro Guimarães, e casada com o capitalista Francisco José da Paiva.
Mais tarde, o Monte do Bom Jesus veio parar às mãos do Comissário das Alfândegas Chineses em Macau, que ali tinha as estrebarias dos seus cavalos, havendo lá um grande poço.
Em 1923, o Comissário vendeu o Monte do Bom Jesus à Diocese de Macau, tendo o bispo D. José da Costa Nunes incumbido dessa aquisição o Reitor do Seminário de S. José, P. Francisco Bonito Bragança.
As Carmelitas vieram de Hong Kong para Macau a 22 de Outubro de 1941, estabelecendo-se na «Vila Flora», na Guia.
Com um donativo duma senhora, compraram um terreno em Mong-há, onde pretendiam construir o seu mosteiro; mas a 8 de Dezembro rebentou a Guerra do Pacífico e nada se pôde fazer.
Em 1949, o Bispo D. João de Deus Ramalho ofereceu-lhes o Monte do Bom Jesus em troca do terreno de Mong-há e elas aceitaram. A 21 de Janeiro de 1950, confiaram a construção do seu mosteiro ao construtor civil Oseo Acconci. Quando este se estava construindo, viram-se as paredes dum enorme poço, que pertencera a Inácia de Paiva, e depois ao Comissário das Alfândegas. O mosteiro foi inaugurado a 2 de Abril de 1951, sendo a respectiva Capela dedicada a N. Senhora do Carmo. A antiga, ali construída aí por 1740, era dedicada ao Bom Jesus e foi ela que deu o nome ao monte.
Doutel era natural de Bragança, donde veio para Macau em 1698 e aqui casou com Francisca Pereira, proprietaria do Monte do Bom Jesus. Em 1831, esse monte pertencia a Inácia Vicência de Paiva, filha de Domingos Marques e de Maria Francisca dos Anjos Ribeiro Guimarães, e casada com o capitalista Francisco José da Paiva.
Mais tarde, o Monte do Bom Jesus veio parar às mãos do Comissário das Alfândegas Chineses em Macau, que ali tinha as estrebarias dos seus cavalos, havendo lá um grande poço.
Em 1923, o Comissário vendeu o Monte do Bom Jesus à Diocese de Macau, tendo o bispo D. José da Costa Nunes incumbido dessa aquisição o Reitor do Seminário de S. José, P. Francisco Bonito Bragança.
As Carmelitas vieram de Hong Kong para Macau a 22 de Outubro de 1941, estabelecendo-se na «Vila Flora», na Guia.
Com um donativo duma senhora, compraram um terreno em Mong-há, onde pretendiam construir o seu mosteiro; mas a 8 de Dezembro rebentou a Guerra do Pacífico e nada se pôde fazer.
Em 1949, o Bispo D. João de Deus Ramalho ofereceu-lhes o Monte do Bom Jesus em troca do terreno de Mong-há e elas aceitaram. A 21 de Janeiro de 1950, confiaram a construção do seu mosteiro ao construtor civil Oseo Acconci. Quando este se estava construindo, viram-se as paredes dum enorme poço, que pertencera a Inácia de Paiva, e depois ao Comissário das Alfândegas. O mosteiro foi inaugurado a 2 de Abril de 1951, sendo a respectiva Capela dedicada a N. Senhora do Carmo. A antiga, ali construída aí por 1740, era dedicada ao Bom Jesus e foi ela que deu o nome ao monte.
Grande Prémio, 1985
Catálogo oficial de 1985. Na capa pode ver-se Senna e o Berger. Os principais pilotos inscritos na prova de F3 em 1985 foram: Mike Thackwell, E. Pirro, M, Gugelmin, M. Brundle, R. Guerrero, J. Dumfries, J. Nielsen, J. Lammers, R. Arnoux, Jo Gartner, C. Danner, K. Nissen, P.H. Raphanel, R. Cheever, Adrian Campos e M. Apicella. Esta prova acabaria por ser ganha por Maurício Gugelmin num Ralt RT30 VW. "Uma Aventura em Macau"
Livro de Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães com ilustrações de Arlindo Fagundes para o chamado público infanto-juvenil. A primeira edição é de 1995 com o nº 35 da Colecção "Uma Aventura" que já vendeu "mais de 6 milhões de exemplares".

"Macau fica na China. E na China é tudo diferente. Quando o grupo é seleccionado para esta longa viagem fica delirante. À chegada as coisas complicam-se porque nenhum deles fala chinês, não conseguem comunicar e perdem-se no emaranhado de ruas labirínticas repletas de painéis tão vermelhos e tão dourados que acabam por se tornar assustadores. Quem lhes vale é Tang, um rapaz simpático que se prontifica a servir de guia.Tudo parecia bem encaminhado quando começam a ser perseguidos por um bando vestido à oriental que os ataca sem motivo e os bombardeia com o número 14, que na China é considerado número de azar, sinal de morte certa," pode ler-se no site da editora Editorial Caminho.
Macau, 1910
Secagem do peixe
Praia Grande
Vista da Praia Grande
Ruínas de S. Paulo
Chegada da faina
Cultivo de morangosImagens do espólio da Biblioteca de Omaha, Nebraska, EUA; eram vistas nestes aparelhos
The Stereo Travel Company was a small company on Long Island, New York that produced mostly boxed sets. They were a "late" stereoview publisher, issuing the majority of their views after 1905. They were also known as the Globe Stereoscopic Company.
The Stereo Travel Company was a small company on Long Island, New York that produced mostly boxed sets. They were a "late" stereoview publisher, issuing the majority of their views after 1905. They were also known as the Globe Stereoscopic Company. sábado, 7 de novembro de 2009
Casal Braga e filha Carol, 1927 *
José Maria (Jack) Braga lived in Macau and Hong Kong for most of his life. Aware that the long-established Portuguese colonial culture in which he had grown up was fast vanishing, he began to record it in a large collection (consisting of some six thousand monographs and a wealth of other materials), that was acquired by the National Library of Australia in 1966.
* ver também o post sobre Jack Braga http://macauantigo.blogspot.com/2009/05/jose-maria-jack-braga-1897-1988.html
Teatro Qing Ping por Vicente Pacia
Bernardino Senna Fernandes
Porcelana decorada com esmaltes da família rosa e brasão Senna Fernandes
China, período Qing, reinado de Guangxu (1875-1908)
Comp.: 51 cm
CCCM, Lisboa, inv.1537
Travessa com brasão de armas pertencente à família Senna Fernandes.
Bernardino Senna Fernandes – 1º Barão, 1º Visconde, 1º Conde de Senna Fernandes, fidalgo-cavaleiro da Casa Real e Major Honorário do Exército – esteve em Macau, onde se distinguiu como grande homem de negócios e proprietário.

Jazigo do Conde Bernardino Senna Fernandes em Macau
"Nomes" do século 19
Eis alguns 'nomes' que podem ser lidos em mapas de Macau do final do século 19
Praia do Tanque dos Mainatos
Bahia do Bispo
Chácara da Viscondessa
Mesquita de Mouros
Quartel da Polícia Marítima
Matadouro
Monte do Bom Jesus
Ponte dos Vapores da Carreira de Cantão
Ponte da Carreira de Cantão
Ponte da Carreira Hong Kong
Quartel do Batalhão Nacional
Hospício dos Lázaros
Praça da Victória
Egreja de Sta Clara e Collegio de Meninas
Grémio Militar
Quartel do Batalhão de Infantaria do Ultramar
Bateria Razante 1º de Dezembro
Fortaleza de S. Jerónimo
Praia de Cacilhas
Fortaleza de D. Maria
Jardim e Palácio da Flora
Mesquita e horta dos Mouros
Portas do Cêrco: arco triumphal commemorando a tomada do Passaleão aos chinas em 25 Agosto 1849
Pagode de Lin Fou
Povoação do Patane
Hospital China
Cemitério dos Christãos novos
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Lara Reis (novos dados)
Lara Reis nasceu (Leiria) e faleceu em Macau, a 14 de Janeiro de 1950. Doou a sua moradia, Sol Poente, na Av. da República, à Santa Casa da Misericórdia - hoje é a sede da Cruz Vermelha - para clínica anti-cancerosa. Existe uma lápide no edifício que assinala a doacção do Rotary em 1951.
Chegou a Macau em 1919 sendo nomeado professor do 7º grupo do Liceu por decreto de 3 de Junho desse ano. Tomou posse a 28/29 de Outubro. E 1938 manifestou vontade de dar aulas no Liceu de Goa o que veio a acontecer em 1942. Em 1945 regressou a Macau no paquete "Colonial", quando foram restabelecidas as ligações com o exterior após a 2ª Guerra Mundial.
Veio a Portugal pela última vez em 1949. Já doente regressa a Macau... para morrer na sua 'verdadeira' terra.


O "Colonial" foi construído em 1909 sob o nome Assyria . Em 1929 foi comprado pela CCN e rebaptizado de "Colonial". Foi desmantelado em 1950. Tinha 8.309 ton., era um dos vapores de passageiros da frota da CCN.
A Companhia Colonial de Navegação foi criada em 1922 pela Sociedade Agrícola de Ganda, Companhia do Amboim de Angola e Ed. Guedes Lda. para explorar o serviço de ligações marítimas entre a Metrópole e as suas colónias, principalmente as africanas.
Em Fevereiro de 1974, a CCN juntou-se à Empresa Insulana de Navegação para formar a Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos (CPTM).
Em Fevereiro de 1974, a CCN juntou-se à Empresa Insulana de Navegação para formar a Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos (CPTM).
A Companhia Colonial de Navegação tinha os navios com as chaminés amarelas e verdes. Companhia Nacional de Navegação tinha os navios com chaminés pretas.
Saudades de Macau - José L.R. Estorninho
The following reflections by José L. R. Estorninho is an adaptation of a piece that was published in the 'Casa de Macau Australia Newsletter', issue June 2007.
Memórias de José L. R. Estorninho a partir de um texto seu publicado em Junho de 2007 na Newsletter da Casa de Macau da Austrália.
To remember is to live. It is with fond memories that I put down some recollections of my childhood and of Macau. I lived in the block of houses in Rua da Praia Grande, an area of the city renowned for its ambience and the quality of life we enjoyed in those days. I remember for example, towards the end of the 50s and 60s, Rua da Praia Grande was the stage for many of the important happenings that took place in Macau. It was a place where everyday life manifested itself, from the highest to the humblest origins in the territory.
It was a place where we could enjoy beautiful views - watching sailing junks anchored in the bay, tranquilly framed by the shade of the large leafy trees, and yet at the same time it was a place that was bustling with colour and life. I can remember it to this day even though I was still a child at the time - anyone who lived there could never forget.
I remember pleasant men with their tricycles and rickshaws in front of our houses;the fishermen with their rods sitting on the embankment wall of the bay or in bamboo huts with their nets in front of the “Bom Parto” fort.I remember the coffee vendor “On Kei”; the grocer “A Hoi”; the “ngau nam min”; the fried “ngau lei sou”, and the “iau chá kuai” with “pak chuk”, “mak ngá tong” and “chu cheong fan”; “kau chang kou”; “tau fu fá”; “chá tau fu and van tan”; “ham ioc chong”; the woman selling bread and sweet cakes; fruits; and the man selling gasoline and the newspaper sellers, the “tin-tin” men who went around collecting newspaper and other items; and I remember, too, the men with their mobile carts selling ice cream. I remember the students and their senior missionaries of the Ricci School;
It was a place where we could enjoy beautiful views - watching sailing junks anchored in the bay, tranquilly framed by the shade of the large leafy trees, and yet at the same time it was a place that was bustling with colour and life. I can remember it to this day even though I was still a child at the time - anyone who lived there could never forget.
I remember pleasant men with their tricycles and rickshaws in front of our houses;the fishermen with their rods sitting on the embankment wall of the bay or in bamboo huts with their nets in front of the “Bom Parto” fort.I remember the coffee vendor “On Kei”; the grocer “A Hoi”; the “ngau nam min”; the fried “ngau lei sou”, and the “iau chá kuai” with “pak chuk”, “mak ngá tong” and “chu cheong fan”; “kau chang kou”; “tau fu fá”; “chá tau fu and van tan”; “ham ioc chong”; the woman selling bread and sweet cakes; fruits; and the man selling gasoline and the newspaper sellers, the “tin-tin” men who went around collecting newspaper and other items; and I remember, too, the men with their mobile carts selling ice cream. I remember the students and their senior missionaries of the Ricci School;
I remember father Moreira of S. Lourenço parish, who used to travel on foot down all those steps from his church, together with his assistant, down past the slope next to the Government Palace , carrying a cross, incense and holy water to come and bless our houses at Easter.
I remember the Pousada de Macau where the sweet smell of their famous traditional cooking would assail every passer-by, and their cooks in their white aprons, carefree and happy while they took time to rest outside in a free moment.
I remember the big typhoons that would come regularly in the hot summer months, devastating everything in their paths with strong winds which blew against our houses and whipped up great waves against the bay walls.
I remember the raising and the lowering of the Portuguese National flag and the guards of the colonial army from Mozambique at the Government Palace with their red Fez and mauser rifles with drawn bayonets - they were later replaced by the military police.
I remember the daily passage of the classic “Princess”, the dark limousine that used to carry the then governors of Macau to work.I remember the military parades to celebrate the National day on 10th June with substantial support of the population of Macau.
I remember the ferries “Tak Shin”, “Fat Shan” and the “Tai Loi” which would sound their loud horns to announce their arrival at Barra, the entrance to Inner Harbour.I remember the fireworks on 1st October to celebrate China’s National day followed by the nationalists on 10th October; I remember Chinese New Year, the dragon boat races; the foot races and the cycling races; and the Our Lady of Fatima procession to Penha Hill.
I remember the 123 incidents.
I remember the big typhoons that would come regularly in the hot summer months, devastating everything in their paths with strong winds which blew against our houses and whipped up great waves against the bay walls.
I remember the raising and the lowering of the Portuguese National flag and the guards of the colonial army from Mozambique at the Government Palace with their red Fez and mauser rifles with drawn bayonets - they were later replaced by the military police.
I remember the daily passage of the classic “Princess”, the dark limousine that used to carry the then governors of Macau to work.I remember the military parades to celebrate the National day on 10th June with substantial support of the population of Macau.
I remember the ferries “Tak Shin”, “Fat Shan” and the “Tai Loi” which would sound their loud horns to announce their arrival at Barra, the entrance to Inner Harbour.I remember the fireworks on 1st October to celebrate China’s National day followed by the nationalists on 10th October; I remember Chinese New Year, the dragon boat races; the foot races and the cycling races; and the Our Lady of Fatima procession to Penha Hill.
I remember the 123 incidents.
I remember the racing cars of the Macau Grand Prix and their drivers, the smell of burning oil and tyres from their cars and the ear shattering yet eloquent noises from their racing engines which permeated the whole area every year in November.
And finally, I remember Christmas, and the presents I would receive every year when I went to visit my old and good friend Rangel in house number 13 who sadly passed away last year.
And finally, I remember Christmas, and the presents I would receive every year when I went to visit my old and good friend Rangel in house number 13 who sadly passed away last year.
Saudades de Macau 

Porque recordar é viver, é com muitas saudades que venho aqui com algumas recordações da minha infância, assim como de Macau. Vivia eu então num dos quarteirões na Rua da Praia Grande, numa zona da cidade considerada priviligiada pelo ambiente e qualidade que desfrutávamos naqueles tempos. Recordo-me, como exemplo nos finais dos anos 50 e 60, onde era praticamente, ali na Rua da Praia Grande, onde se desenrolava a mudança e o palco dos maiores acontecimentos de Macau. Era também, por onde se vivia o quotidiano do dia a dia, desde as pessoas mais humildes à autoridade máxima do território.
Os acontecimentos mais importantes de Macau passavam muitas vezes quase, inevitavelmente, a escassos metros das nossas casas, e mesmo frente às nossas janelas. Parecia que tudo acontecia incrivelmente perto à nossa volta como se de um “écran” enorme, e um filme ao vivo se tratasse. Era realmente uma zona muito agradável para se viver, onde as nossas casas podiam desfrutar com uma bela vista para o mar, e os juncos de vela que na altura se ancoravam e atracavam junto àquela baía, com as suas àrvores frondosas, emprestavam um ar e ambiente calmo, mas que oferecia ao mesmo tempo, movimento e colorido à vida para quem ali morava.
Sendo, eu na altura ainda miúdo, mas também testemunho: Pois, para quem lá viveu nunca haverá de esquecer.
Recordo-me dos simpáticos homens dos triciclos ou “riquexó”, frente às nossas casas; e os homens com as canas de pesca, junto às muralhas da baía; ou a barraca de pesca, defronte à fortaleza do Bom Parto. Recordo-me das tendas de café “On Kei”, da mercearia “A Hói”; do “Ngau Nám Min”, e dos fritos “ngau lei sou e iau chá kuai” com “pák chuk”; dos “mak ngá tóng” e “chu cheong fan”; do “kau chang kou”; do “tau fu fá”; do “chá tau fu e van tan”; do “hám ioc chong”; a mulher dos pães doces e salgados; das frutas; o homem de “petróleo”, e o distribuidor de jornais; o homem dos “tin-tins” para recolha dos jornais e outros objectos; recordo-me, também, dos homens com os carrinhos ambulantes que vendiam sorvetes e gelados.
Recordo-me dos alunos e o missionário superior da escola Ricci; recordo-me do padre Moreira da paróquia de S.Lourenço, que fazia o percurso a pé até ao nosso bairro, depois da longa descida das escadarias da sua igreja, e da rampa, ao lado do Palácio do Governo, acompanhado por seu ajudante, empunhados de uma cruz e de incensos, e água benta para benzer as nossas casas, por altura da Páscoa.
Recordo-me da Pousada de Macau, que para quem lá passava era apanhado pelo forte cheiro da sua famosa e conhecida cozinha tradicional por onde se esfumava junto ao tardoz da garagem, com os seus cozinheiros de batina branca, despreocupados e bem dispostos se descansavam nos banquinhos durante as suas horas livres. Recordo-me dos grandes tufões que apareciam sistematicamente, nos meses quentes de Verão, e que assolavam fortemente com ondas e rajadas de ventos, as muralhas da baía e as nossas casas.
Recordo-me do hastear e arrear da bandeira nacional e as sentinelas do Palácio do Governo pela tropa colonial, de “cofió” de cor encarnada na cabeça, com as espingardas “mauser” munidos de sabre-baioneta - sendo mais tarde a guarda de honra ao governador substituída pela polícia militar. Recordo-me da passagem diária do clássico “Princess” um “limousine” de cor mista escura que servia diariamente para a deslocação dos então Governadores de Macau. Recordo-me da parada militar do dia 10 de Junho, com a população de Macau a assistir em peso. Recordo-me dos barcos-vapor “Tak Shin”, “Fat Shan” e “Tai Loi”, e os seus “buzinões” que emitiam nas suas carreiras entre Macau e Hong Kong, ao entrarem na barra. Recordo-me do fogo de artifício do dia 01 de Outubro, com a iluminação e as bandeirinhas engalanadas ao longo da Baía; do dia dos nacionalistas chineses, no dia 10 de Outubro; e do Ano Novo Chinês; das regatas de Barcos-Dragão; das corridas pedestres e do ciclismo; da procissão da Nossa Senhora de Fátima para a Penha.
Recordo-me dos incidentes de 123.
Recordo-me dos carros com os seus participantes do Grande Prémio de Macau, e do cheiro do óleo deixado pelos motores com o seu barulho ensurdecedor mas de som eloquente dos escapes livres, que empregnavam toda a zona, todos os anos no mês de Novembro, anunciando a sua chegada ao passar defronte às nossas casas.
Recordo-me, enfim, do Natal e das prendas de que ia recebendo todos os anos, quando ía visitar à casa nº13, do meu velho e bom amigo Rangel, a quem tristemente deixou-nos para sempre no ano passado.






















































































































