terça-feira, 21 de maio de 2019

Casa das Duas Filhas - Home of Two Daughters

Está patente na Galeria At Light, Pátio do Padre Narciso nº1 (Macau), a exposição "Home of Two Daughters/Casa das Duas Filhas: Photos os José Vicente Jorge's Family/Fotos da Família de José Vicente Jorge.

Na imagem do cartaz da exposição estão Henriqueta e Maria, a mãe de Graça Pacheco Jorge e a mãe de Pedro Barreiros... as filhas mais novas de José Vicente Jorge. A mostra reúne imagens e testemunhos de uma influente família macaense, atravessando várias gerações e contribuindo para melhor entender o território ao longo das épocas, desde meados do século XIX até meados do século XX.
Curiosamente, o Pátio do Padre Narciso fica nas traseiras do Palácio do Governo, não muito longe da casa da família, já demolida, na Rua da Penha.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

João Fernandes: 1937-2019

Morreu vítima de doença prolongada João Fernandes, antigo director do Jornal de Macau, fundado em Macau em 1982.
Em 1998 o Jornal de Macau fundiu-se com a Tribuna de Macau dando origem ao Jornal Tribuna de Macau.
João Fernandes frequentou o ensino secundário em Lisboa. Esteve em Paris (1959-1960), onde fez um curso de Civilização Francesa na Sorbonne. De regresso a Lisboa, fez traduções literárias e publicou, sob pseudónimo, um livro policial e outro de ficção científica. Ao mesmo tempo colaborou, de uma forma dispersa, em páginas literárias. Em 1974 fixa-se em Angola, onde, depois de alguns meses como redactor de O Comércio de Luanda, transita para a revista Notícia, de que será, sucessivamente, redactor, chefe de redacção, director-adjunto e director.
Abandona Luanda em 1975, rumo ao Brasil, onde permaneceu até 1976, prestando colaboração como redactor do Estado de São Paulo. De novo em Lisboa, vai para chefe de redacção do jornal O Dia e mantém uma coluna no jornal O Diabo. Foi adjunto de um ministro do Governo Sá Carneiro por um período curto de meia dúzia de meses. Em 1982, João Fernandes instala-se em Macau onde funde e dirige o diário Jornal de Macau. A partir de 1990 passa a ser vogal do Conselho Consultivo do Governo de Macau. Em 1996 publica um livro intitulado Macau aos Quadradinhos, uma compilação dos textos de sua autoria que se publicam como editorial do jornal que dirige.
De seguida um artigo do JTM que recorda o nascimento do Jornal de Macau e a história de João Fernandes em Macau.
Veio para dar um parecer técnico e acabou por fundar o “Jornal de Macau”
Carlos Assumpção é a figura por detrás do nascimento do “Jornal de Macau”. O presidente da AL, líder da Associação de Defesa dos Interesses de Macau, pretendia relançar o “Notícias” e contactou João Fernandes para vir a Macau elaborar um relatório sobre as condições existentes, a nível económico. O parecer não foi favorável mas o jornalista dava uma solução. E acabou por ser ele o convidado a fundar um novo jornal
A ideia de criar um diário em Macau partiu de Carlos Assumpção, que constituiu uma sociedade que fundou o “Jornal de Macau”. João Fernandes foi o homem que Assumpção escolheu para director. Mas, inicialmente, o jornalista que então estava n’ ”O Dia”, foi convidado a vir a Macau apenas para estudar o terreno e verificar se “havia condições a nível económico para lançar um jornal”, que se pretendia que fosse o “Notícias”, e que havia sido extinto em 1975.
“Disse no parecer técnico que não havia condições, mas aconselhava a que, se quisessem mesmo assim avançar, comprassem uma tipografia de modo a poder rentabilizar o negócio com a impressão de outros materiais”, explica João Fernandes, actualmente com 75 anos. Tinha sido Carlos Assumpção, na altura já presidente da Assembleia Legislativa, depois de aconselhado por Pedro Lobo, a ir a Lisboa falar com o jornalista. João Fernandes já tinha passado alguns dias em Macau, a primeira vez em 1969, pelo Notícias de Angola.
A ideia de comprar uma tipografia “agradou ao Carlos d’Assumpção que depois me fez o convite para vir lançar o jornal. Ofereceu-me casa e carro e eu disse que quando tivesse a tipografia me contactasse, e assim foi”. Coincidindo com um período em que tinha vontade de sair de Lisboa, aceitou. Chegou em Julho 1982, “ano do Macaco”, recorda com humor, acompanhado por um jovem jornalista, Bueno de Matos, que regressou a Portugal quando se faziam os números “zero”, de teste, por causa de problemas de saúde da mulher, que lá tinha ficado.
Por ocasião dos 20 anos do Jornal Tribuna de Macau recordou num texto os primeiros meses que “foram dedicados a preparar as novas instalações na Calçada do Tronco Velho”. Mas ao mesmo tempo, o jornalista procurava “adquirir conhecimentos sobre Macau, para os quais Carlos d’Assumpção se mostrou precioso e de uma enorme paciência”. “Passei horas a ouvi-lo na sua vivenda ‘skyline’ até às cinco da manhã e iniciei com ele uma amizade e admiração que se prolongou enquanto foi vivo”, recordou.
Depois de várias tentativas nos números “zero”, muitas falhadas, em que tentava mostrar ser possível produzir um jornal de manhã para estar pronto nesse mesmo dia à tarde, disse a Carlos d’Assumpção que estava preparado. A data, conta agora, de saída do jornal foi 28 de Outubro e tem uma razão de peso: “consultaram um mestre em feng shui que disse que 28 era um dia forte para o jornal sair”, conta João Fernandes.
No texto dos 20 anos do JTM refere essa primeira edição: “E saiu. Ligeiramente atrasado (passavam uns minutos das 17 horas...) mas saiu. E saiu durante mais 16 anos. Acho que nesse tempo nem sequer me cheguei a aperceber que também se editara, quase simultaneamente, o semanário “Tribuna” (...). Não tinha nem tempo para me coçar”.
Entretanto, para o jornal foi buscar um jornalista que já conhecia de Angola e que estava no “Expresso”, César Camacho e que ficou durante quatro anos.
O médico Alfredo Ritchie fez parte da sociedade fundadora do “Jornal de Macau” e recorda como foram esses tempos, em que num momento, de “uma pequena folha de couve, passou a haver jornais profissionais”.
“Foi constituída uma sociedade com cerca de 20 pessoas e em que os sócios maioritários eram o Dr. Carlos Assumpção e o seu irmão José, depois havia o Pedro Lobo, Henrique de Senna Fernandes, Morais Alves, Arnaldo Couto, o Coronel Mesquita Borges, José Chan, o meu pai, Lourenço Ritchie, o “Jozico” (ou Herculano Rocha), o José Manuel Rodrigues e Manuel Santos, entre outros”, recorda.
Numa altura em que não havia canais de televisão, sem contar com o sinal de Hong Kong, e com a “Gazeta Macaense” e “O Clarim”, o “Jornal de Macau” veio trazer sobretudo novidades de Portugal. “Estávamos um bocadinho afastados das notícias de Portugal e naquela altura queríamos seguir com mais atenção o que se passava...”.
Sobre João Fernandes, lembra uma marca: “o célebre quadradinho”. “Ele tinha uma particularidade: uma grande capacidade de síntese, em menos de 100 palavras, no canto superior direito do jornal, na primeira, em jeito de editorial, dava a sua ideia marcante”, recorda o médico.
Os diferendos com o Governador Almeida e Costa “marcaram muito o jornal”. Segundo recorda Alfredo Ritchie, “até aquela altura havia uns resquícios da revolução de Abril”, com dois polos opostos, a ADIM (Associação de Defesa dos Interesses de Macau), mais à direita, e liderada por Carlos Assumpção, e o CDM (Centro Democrático de Macau), de Jorge Neto Valente, e que acabaram por se aproximar porque “o adversário passou a ser o mesmo, o Governador”. Foi nessa altura que “o Dr. Assumpção e Jorge Neto Valente fizeram uma ‘cimeira’ no Hotel Royal em que esteve presente o João Fernandes, o Rocha Dinis, Morais Alves, entre outros e se fizeram também as pazes”, pormenoriza o médico.
Já a fusão dos jornais, mais tarde, “tem muito que ver com a morte do Dr. Assumpção”. De acordo com o antigo sócio, “o jornal tinha algum prejuízo, salvo erro, e a sociedade que até então estava para suportar o jornal começou a dissolver-se, muitas pessoas desinteressaram-se”.
Por outro lado, a consciência de que se estava a chegar ao final de um período, com a transição, também pesou na decisão de juntar os títulos.
Em 1999, João Fernandes, que estava então na administração do JTM, decide regressar. “Já tinha 62 anos e pensei que já era tempo de desistir. Acordei com o Rocha Dinis que viria por uns períodos de tempo, para ele ir para Portugal. Eu fui o primeiro mas acabei por não regressar porque tive um AVC”.
Agora, é com “orgulho” que João Fernandes vê o jornal que ajudou a fundar alcançar os 30 anos. Também o período passado em Macau “foi óptimo”. “Guardo momentos muito bons, fomos muito bem acolhidos, as coisas correram-nos bem e viajei muito”, sintetiza o jornalista.
Artigo de Hélder Almeida, in JTM, 1.11.2012

domingo, 19 de maio de 2019

A "parte velha da cidade" por Luís Gonzaga Gomes


Poucas são as pessoas que se dispõem a cirandar pela parte velha desta cidade, visto que nenhum interesse desperta no seu espírito indiferente as evocações daquelas transitadas épocas, em que o piso irregular das congostas e travessas era animado pela cadenciada marcha dos liteireiros, conduzindo em vistosas librés formosas damas toucadas de finíssimas saraças e empertigadamente recostadas em vistosos almadraques, finamente bordados com doirados canutilhos e espelhentas lantejoulas, dos seus luxuosos palanquins; quando as janelas das suas espaçosas habitações solarengas se escancaravam para nelas se assomarem os rostos assustadiços de sedutoras donzelas atraídas por algum desabrido estrupido de bem quarteado e fogoso corcel, galopado por donairoso cavaleiro; ou, quando, por estreitas vielas desfilavam os espalhafatosos cortejos de arrogantes mandarins. 
Passada a febril época de intensa actividade comercial e esgotadas as grandes fortunas de fácil aquisição, caíram as ruas desta cidade, num curto período de marasmo, para tornarem a animar-se sob o rodar de magnificentes carruagens dos seus abastados moradores, outra vez enriquecidos, no efémero período da fictícia prosperidade advinda. do tráfico de emigrantes.Vergastada, depois, novamente pela adversidade, e desta vez quão duramente, assistiu a cidade o desmoronar das suas falsas grandezas; e, então, as suas apalaçadas residências foram, uma a uma, caindo nas mãos de credores chineses, para que o produto de irremíveis hipotecas que as oneravam, pudessem continuar a manter o luxuoso viver dos seus arruinados proprietários, que não estavam acostumados a viver com parcimónia.
Entretanto, há cinco ou seis décadas se tanto, principou o camartelo do modernismo a derrubar e a destruir, já em nome da salubridade pública, já invocando regras de estética urbanística, grande parte da cidade medieval.
As enviesadas ruas da parte nobre da antiga cidade, por onde os caleches dificilmente transitavam sem que os tapadoiros das suas rodas esboroassem as paredes das casas, viram então, as grandes lastras de granito do seu pavimento, substituídas por um revestimento de alvo cimento; as betesgas, os pátios e os becos da parte pobre, um verdadeiro ludreiro em dias chuvosos, foram calcetados à portuguesa. E, por toda a cidade, os velhos solares e outras casas de habitação, foram cedendo lugar a novos edifícios, alguns com fachadas interessantes, mas todos desprovidos de conforto.
Nos amplos salões de algumas das velhas mansões que ainda se encontram de pé e onde outrora os seus sobrados rangeram com o peso de elegantes e formosos pares que se entretinham em animados cotilhões, turbulentas quadrilhas ou em mesurados minuetes, que constituíram as principais diversões dos serenins da. alta sociedade local, em diferentes épocas, vivem hoje, em sistema quase falansteriano, grupos de vinte ou trinta familias chinesas. As suas janelas tão rasgadas, mas tão adequadas a este clima, parecem que riem sardonicamente da imbecilidade de quantos passam actualmente por baixo delas, completamente indiferentes à sua passada opulência.
Mas, apesar da sanha destruidora, há no entanto, ainda alguns bairros na velha Macau, onde se pode disfrutar um pitoresco ciclorânico e que, por isso, vale a pena serem visitados, principalmente aqueles onde a vida gorgulha febril, mas miserável e funambulescamente, com trágicos recantos de fome e onde aparecem faces exageradamente acararnadas e lábios vivamente tingidos de vermelho, pois são neles que podem ser observados certos costumes, tradições e superstições do povo chinês, que ainda não perderam o intrigante atractivo do seu exotismo oriental.
Muito desses sítios, porém, já não são conhecidos pelos seus nomes primitivos, pois, desusaram-se com a transformação da sua fisionomia original, outros, não obstante as alterações impostas, por não se sabe quão voluntariosos edis, capricham em reter, pelo menos, em chinês, as designações por que primitivamente foram baptizados pelo vulgo.
Assim, há um trecho da cidade gue ainda é conhecido pelos chineses com o nome de Tcheok-Tchâi-Un, em local hoje dos mais populosos e sobrecarregado de casas encostadas umas às outras e separadas por uma apertada. rede de ruas. Entre nós, é este sitio conhecido por Horta da Mitra e abrangia todo o terreno que ia desde a antiga rua de Pák-T’âu-Sán-Kâi (Rua Nova dos Cabeças-Brancas, isto é, dos Parses), actualmente denominada de Rua Nova-à-Guia, até ao Ho-Lán-Un, (Jardim dos Holandeses), ou seja o bairro Uó-LÔng, sendo limitado ao norte pela Calçada do Gaio, na altura. por onde passava a muralha que noutros tempos cercava a antiga cidade. Todo este terreno foi outrora ocupado por uma extensa e densa mata e, como há trezentos anos, a cidade era ainda pouco povoada, no intuito de se fomentar o seu desenvolvimento populacional, foi permitido a um grupo de imigrantes chineses de apelidos Mâk, Tch’iu e Léong estabelecerem-se ali. Este minúsculo núcleo inicial conseguiu transformar, com o tempo, o local, numa aldeiazinha e os seus componentes viviam da venda da lenha que podavam na mata e cujas altas e frondosas árvores que a cercavam estavam sempre cobertas de pássaros que alegravam o basquete com a sua chilreada, dando ao sitio um aspecto de parque. Foi por este motivo que os chineses deram ao local o nome de Tchèok-Tchâi-Un que quere dizer “Jardim de Passarinhos”.
Outro local, cujo nome em chinês ainda perdura, é a área de Sá-Kóng, vacábulo este que significa “boião de areia” e assim fora chamado porque a sua configuração aparentava um enorme boião e porque toda aquela depressão formada na falda. do Kâm-Kôk-Sán, ou “Monte do Vale de Oiro”, no cume do qual se encontra hoje o forte de Móng-Há, era toda coberta. de areia. Era aqui que se enterravam os cultivadores indigentes da.s antigas aldeiolas de Móng-Há e de Lóng-T’in, quando vinham a falecer.
Quanto a ruas, dentre muitas, citamos a da I-On-Kái e a de Tái-Pôu-Lám cujas primitivas denominações, em chinês, ainda não deixaram de ser usadas.
A I-On-Kái deve o seu nome ao facto de ter sido fundado nesta rua o primeiro clube chinês denominado I-On-Kông-Si (Sociedade de Amizade e Bem-estar), tendo sido seus fundadores os mais ricos negociantes desta terra, dentre os quais figuravam os dos apelidos Lôu, Uóng e Hó. Era frequentado por chineses de alta categoria, tanto de Macau como das cidades convizinhas, que ali se reuniam para se divertirem em ceiatas ou ao jogo, bem como para tratarem dos seus negócios, que discutiam deitados nas duras camas de pau-preto, enquanto fumavam o seu ópio servidos pelas mais esbeltas p’ éi-pá-tchâi do bairro. Apesar do nome desta rua ter sido alterado para Fôk-Lông-Sân-Hóng (Travessa das Felicidades), os chineses continuam a designá-la pelo seu primitivo nome de I-On-Kái.
Quanto ao de Tái-Pôu-Lám, que é o troço da Rua de S. Domingos, que vai desde o ponto em que começa a Rua da Palha até ao Cinema Capitol, foi outrora uma via de prédios baixos. Por isso, era todo o dia batida por uma chapada de sol vivo que arrancava chispas de fogo do seu piso escaldante, sufocando, queimando e cegando com a sua reverberação quem por lá passasse. Para evitar que as plantas dos seus pés fossem mordidas pela causticante brasa daquele abominável pavimento, os chineses de pés descalços, viam-se obrigados a atravessá-lo de corrida. Dai o nome de Tái-Pôu-Lám como quem diz, “a largos passos” .
Vem a propósito dizer-se que a Rua de S. Domingos se chama em chinês, Pán-Tchéong-T’óng-Kái, isto é, a Rua do Templo de Tábuas; sendo a origem desta denominação causada pelo facto de o primitivo templo ter sido construído em madeira. Esta igreja é, porém, também conhecida entre os chineses, pelo nome de Mui-Kuâi-T’óng, o Templo das Rosas.
Luís Gonzaga Gomes em Curiosidades de Macau Antiga, 1952

sábado, 18 de maio de 2019

Map of the East-Indies and the Adjacent Countries; with the Settlements, Factories and Territories, explaining what Belongs to England, Spain, France, Holland, Denmark, Portugal etc...

Autoria: Herman Moll. Data: ca. 1720 
A colored map of the East-Indies and the Adjacent Countries; with the Settlements, Factories and Territories, explaining what Belongs to England, Spain, France, Holland, Denmark, Portugal etc...
Mapa colorido (existe tb a preto e branco) das Índias Orientais e dos Países Adjacentes; com os Assentamentos, Fábricas e Territórios, explicando o que pertence a Inglaterra, Espanha, França, Holanda, Dinamarca, Portugal, etc... da autoria de Herman Moll. 
No caso, destaco o território de Macau (no mapa "Macao").

Colored example of Herman Moll's large format map of India and Southeast Asia, including China and the Philippines, one of the most decorative and sought after maps of the region published in the 18th Century and the first large scale map of the region published in England. 
Exemplar a cores do mapa em grande formato de Herman Moll da Índia e do Sudeste Asiático, incluindo a China e as Filipinas; é um dos mapas mais decorativos e procurados da região publicado no século XVIII e o primeiro mapa em grande escala da região publicado em Inglaterra.

The present map depicts the East Indies from the Persian border to New Guinea and the southern part of Japan, including India, Ceylon, Southeast Asia, most of China, present Indonesia, the Philippines, etc. It is augmented by insets featuring a plan of Bantam (a major port in Dutch-controlled Java); a view of Goa (the principal Portuguese base in India); a view of Surat (an English trading post in India); a plan of Madras, India (a major English base); as well as a plan of Batavia (the capital of the Dutch East Indies, today known as Jakarta). Richly annotated, the map illustrates the extent of European influence and trade, at the height of colonial influence throughout this critical region.
O mapa retrata as Índias Orientais da fronteira persa até a Nova Guiné e a parte sul do Japão, incluindo Índia, Ceilão, Sudeste Asiático, a maior parte da China, Indonésia, Filipinas, etc. É complementada por inserções com um plano de Bantam (um importante porto em Java controlado pelos holandeses); uma visão de Goa (a principal base portuguesa na Índia); uma visão de Surat (entreposto comercial britânico na Índia); um plano de Madras, na Índia (uma grande base inglesa); bem como um plano de Batavia (a capital das Índias Orientais Holandesas, hoje conhecida como Jacarta). Ricamente anotado, o mapa ilustra a extensão da influência e do comércio europeu, no auge da influência colonial em toda aquela região.
The map was the most popular and authoritative general cartographic representation of South and East Asia published during this period when the activities of the East India Company (EEC) had risen to the forefront of the economic life of the British Empire. The EEC, whose arms appear in the far right of the map, was a private syndicate that was granted a charter by Queen Elizabeth I in 1600, that henceforth allowed it a monopoly on all English trade with the East Indies. By 1720, the EEC's activities accounted for 15% of Britain's total imports. Its activities were focused on the Indian Subcontinent, with its immense wealth in precious gems, gold, textiles, tea and saltpeter (the key element for making gunpowder). 
Este mapa era a representação cartográfica mais popular e credível do sul e do leste da Ásia, publicada durante aquele período, quando as actividades da Companhia das Índias Orientais (CIO) ascenderam ao topo da vida económica do Império Britânico. A CIO, cujas armas (brasão) aparecem na extremidade direita do mapa, era um sindicato privado que recebeu autorização da rainha Elizabeth I em 1600, para o monopólio de todo o comércio inglês com as Índias Orientais. Em 1720, as actividades da CIO representavam 15% do total das importações da Grã-Bretanha. As actividades estavam focadas no subcontinente indiano, em especial nas pedras preciosas, ouro, tecidos, chá e salitre (o elemento chave para a fabricação de pólvora).

Herman Moll (c. 1654-1732), who was famously known as one of the era's most commercially savvy mapmakers, devised the map as a celebration of the EEC's success, in an effort not only to appeal to public interest, but to gain the patronage of the Company's wealthy investors. Fittingly, the map is 'humbly dedicated' to the EEC's directors. 
Herman Moll, que ficou conhecido como um dos cartógrafos mais experientes da época, criou o mapa como uma celebração do sucesso da CIO, num esforço não apenas para atrair o interesse público, mas para obter o patrocínio dos ricos investidores da empresa. Apropriadamente, o mapa é "humildemente dedicado" aos directores da CIO.

Herman Moll (c. 1654-1732) was one of the most important London mapmakers in the first half of the eighteenth century. Moll was probably born in Bremen, Germany, around 1654. He moved to London to escape the Scanian Wars
Herman Moll (c. 1654-1732) foi um dos mais importantes cartógrafos de Londres na primeira metade do século XVIII. Nasceu provavelmente em Bremen, na Alemanha, por volta de 1654, estabelecendo-se depois em Londres.
Existe uma outra versão deste mapa (imagem acima), datada de 1729 e intitulada: A Map of the Continent of the East-Indies & Containing the Territories, Settlements, and Factories of the Europeans. Explaining what belongs to England, France, Holland, Portugal etc.


sexta-feira, 17 de maio de 2019

Santa Casa da Misericórdia de Macau: 1569-2019

A Santa Casa da Misericórdia de Macau comemora este ano 450 anos de existência. Ou seja, foi criada em 1569, cerca de uma década depois do 'assentamento' dos portugueses em Macau. De acordo com os estatutos: "A Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Macau, ou, Santa Casa da Misericórdia de Macau, (...) fundada em mil quinhentos e sessenta e nove pelo Bispo D. Belchior Carneiro, é uma instituição de utilidade pública, de forma associativa." A "Irmandade existe para dar expressão organizada ao dever moral de solidariedade e de justiça social, dentro do espírito católico e de caridade cristã, que enforma as Misericórdias Portuguesas, para prosseguir, entre outros, os seguintes objectivos, mediante a concessão de bens e a prestação de serviços: a) Apoio à família; b) Apoio à integração social e comunitária; e c) Protecção dos cidadãos na velhice e invalidez e em todas as situações de carência ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho."
 Emissão filatélica de 1969 alusiva ao 4º centenário da SCM de Macau
Até 30 de Junho está patente no Albergue da SCM em Macau uma exposição alusiva ao 450º aniversário.
 Emissão filatélica de 1984: "Edifícios e Monumentos"

Cosinha económica
Na secção competente inserimos um annuncio da Santa Casa da Misericórdia, pelo qual se vê que vai funcionar desde o 1º do próximo mês de Maio a projectada cosinha economica. 
Segundo o mesmo annuncio, custarão $5 mensaes as refeições de 1ª classe, e $3 as de 2ª. As refeições serão distribuídas na casa nº 2 da Rua do Pato, atraz do edificio do hospital de S. Raphael, ás 9 da manhã e ás 4 da tarde.
Somos informados que na primeira semana serão fornecidas pela cozinha económica as refeições que constam do seguinte menu:
Domingo
Almoço: Arroz, bife de vacca com molho, ovos estrelados, verdura.
Jantar: Sopa, arroz, galinha guisada, vacca estufada, verduras.
Segunda-Feira
Almoço: Arroz, peixe fresco, bife em fígado, verdura.
Jantar: Sopa, arroz, pés de porco guisados, caril de vacca, verdura.
Terça-Feira
Almoço: Arroz, vacca guisada com batatatas e tomates, ovos, verdura.
Jantar: Sopa, arroz, rolete de vacca, porco a vinha d’alhos, verdura.
Quarta-Feira
Almoço: Arroz, peixe caboz guisado, bife de vacca, verdura.
Jantar: Sopa, arroz, pés de vacca guisados, porco frito verdura.
Quinta-Feira
Almoço: Arroz, caril de vacca, ovos estrelados, verdura.
Jantar: Sopa, arroz, cabidela de pato, vacca guisada, verdura.
Sexta-Feira
Almoço: Arroz, refogado peixe frescoa escabeche, ovos, verdura.
Jantar: Sopa de camarão, arroz refogado, bacalhau, omeletas, verdura.
Sabbado
Almoço: Arroz, vacca guisada com batatatas, ovos, verdura.
Jantar: Sopa, arroz, porco guisado com batatas, sarrabulho, verdura.
Nota: As refeições de 2ª classe são as mesmas, menos um prato e a sopa.
Dizem-nos mais que os pratos serão abundantes, de modo que uma refeição dupla dê
comida sufficiente para tres adultos.

Notícia publicada no jornal Eco Macaense de 12.4.1896

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Narrativa da fundação das cidades e villas do reino, seus brazões d´armas... 1890

Archivo Historico de Portugal: narrativa da fundação das cidades e villas do reino, seus brazões d´armas, etc” joi uma jornal publicado entre 1889 e 1890. Saíram duas séries de 52 números: a primeira, de Setembro de 1889 a Abril de 1890; a segunda, de Maio a Novembro de 1890. Ao longo dos 15 meses de edição fora abordadas 104 vilas e cidades. Macau surge na edição nº 39 da 2ª série em 1890.
Segue-se um excerto do longo artigo de três páginas.
"Nas costas da China, e no golpho onde se lança o rio Tigre, surge do seio do mar uma ilha montanhosa, chamada pelos chins Negao-Men. Tem dez léguas de comprimento. Na extremidade oriental d'esta ilha está edificada a cidade de Macau.
A historia d`esta nossa possessão é tão honrosa para Portugal, que a adquiriu, como para o imperio da China, que lhe cedeu esse territorio. Da parte dos portuguezes significa um serviço importante, de leaes amigos, prestado à China em occasião de apuro. Da parte dos chins representa um acto de gratidão nacional por esse serviço.
Na primeira metade de seculo XVI, estando recentes as nossas primeiras relações com o celeste imperio, foram as costas d´este paiz infestadas por piratas, que commettendo roubos e horriveis carnificinas, espalhavam o terror por todos os mares e portos do imperio. O numero e a audacia dos piratas zombaram do poder do imperador Khang.Hi, tornando-lhe inuteis todos os seus esforços. O mal cresceu a ponto, que ameaçou acabar inteiramente com o commercio da China. Foi n'estas críticas circunstamcias que os portuguezes se resolveram a perseguir os piratas; e com tal denodo o fizeram,, que em pouco tempo os anniquilaram completamente.
Em recompensa d'este immenso serviço concedeu-lhes o imperador Khang-Hi uma porção de território na ilha Negao-Men, pra ahi estabelecerem uma feitoria. (...)
Em breves annos se estendeu pela praia uma longa fileira de casas e armazéns de agradavel aspecto, sobresahindo alguns formosos edificios publicos; e fez-se rosto ao mar com um extenso caes de cantaria. Coroaram-se os montes sobranceiros com alguns conventos e fortes. Arborisaram-se as encostas e plantaram-se hortas e jardins em redor da povoação. D'esta arte, ao aceno do genio portuguez, se ergueu quasi de improviso, d'entre rochas e areias, a cidade do Santo Nome de Deus de Macau, que teve pelo começo anno de 1557. (...)

Praia Grande no século 19 (ilustração na incluída no artigo)
Os fundadores de Macau tinham sabido crear, pela uma actividade e energia, uma situação prospera para a colonia. Mas os seus descendentes amollecidos pelo clima e pelos sosos da riqueza, foram trocando os habitos activos da Europa pela indolencia e apathia das raças asiaticas. Achando nos chins bons operarios, habeis corretores, e caixeiros intelligentes, foram pouco a pouco descançando n´elles, encarregando-os de quasi tudo quanto era trabalho. A remuneração liberal d´esses serviços foi attrahindo à cidade, primeiramente a classe laboriosa da parte chineza da ilha, e mesmo do continente, depois innumeraveis vadios e malfeitores. D´este modo a população chineza de Macau em pouco tempo excedeu muito a portugueza. (…)
O aspecto da cidade, vista do porto, é mui formoso e pittoresco. Está edificada em amphitheatro sobre uma extensa bahia. Parte d´ella, sentada à beira do mar, ostenta numa longa fileira de casas construidas ao uso da Europa, resplandecentes de alvura, e algumas com seus adornos architectonicos. Outra parte eleva-se sobre uma collina pedregosa, mediando entre ambas os palmares e mais arvores dos quintaes e jardins. Finalmente coroam-se os montes sobranceiros à cidade com fortalezas, conventos e templos, que contrastam com as negras rochas graníticas, que lhe servem de base. (…)
Os trajos variados, e na maior parte de côres garridas, da população chineza, que percorre as ruas e anima os caes; a diversidade de embarcações, que estanceam no porto, muitas de fôrmas singulares e exquisitas, empavesadas de flamulas e bandeiras multicores; e enfim os resplendores do sol, e a poreza da atmosphera em dias claros, dando brilho e realce a tudo isto, completam um quadro qure surprehende e encanta os viajantes. (…) A cidade de Macau tem por brasão as armas reaes em escudo de prata, e em volta lê se o seguinte: Cidade do nome de Deyus não ha outra mais leal. A etymologia do nome de Macau vem de duas palavras chinezas, Ama e Cau. A primeira designa o idolo de um pagode, que ali havia desde tempos remotos. A segunda quer dizer porto. Começando o portuguezes a chamar ao sitio Amacau logo que ahí estabeleceram, deram à cidade com pouca differença o mesmo nome."



quarta-feira, 15 de maio de 2019

Robert Morrison discussing texts with three Chinese scholar

O missionário escocês Robert Morrison falando com três alunos chineses é o título desde quadro de autor anónimo datado de ca. 1830.
The Scottish missionary, Rev. Robert Morrison, discussing texts with three Chinese scholars. Paint by unidentified artist, circa 1830.
Robert Morrison (1782-1834) was the first Protestant missionary in China. Arriving in Macao in 1807 he translated the Bible into Chinese and produced the first Chinese Dictionary. He died in Guangzhou (Canton) in 1834 and was buried in the Old Protestant Cemetery in Macao.

terça-feira, 14 de maio de 2019

"China's Portuguese City"

Em 1935 o jornalista norte-americano Sam R. Leedom efectuou uma viagem à volta do mundo e dando conta dos sítios por onde passou no jornal californiano The Fresno Bee (EUA). Ao passar por Macau registou estas imagens que seriam publicadas na edição de 3 Março 1935.
In 1935 American journalist Sam R. Leedom undertook a round the world reporting trip for the Californian newspaper, The Fresno Bee. He stopped off in Macao around March that year and sent back some photos…
Legenda: "At the left is a picture of all that remains of the Cathedral São Paulo at Macao. Bronze statues still stand in the niches. At the right is a typical  scene in the city, where the streets are sleep, narrow and cobbled. Photos sent by Sam R. Leedom."
"À esquerda é uma foto de tudo o que resta da Catedral de São Paulo em Macau. Estátuas de bronze ainda estão nos nichos. À direita uma cena típica da cidade, onde as ruas são quase desertas, estreitas e em calçada."

segunda-feira, 13 de maio de 2019

domingo, 12 de maio de 2019

Divertimentos em meados do século 19


Em várias edições do Boletim da Província de Macau e Timor (o Boletim Oficial) relativas a 1867 e 1868 encontram-se dois anúncios que testemunham algumas das formas como eram ocupados os tempos livres em meados do século 19. O anúncio acima informa que a "rápida embarcação" de nome PicNic está disponível para ser alugada para quem deseje pescar ou simplesmente passear. Os interessados deveriam procurar mais informações no "Oriental Hotel", na Praia Grande.


Este anúncio era também publicado em inglês
Por essa altura, também na Praia Grande, W. Gardner, anunciava ter instalado duas "Máquinas de Banhar expressamente para conveniência da communidade e visitantes de Macao, e tendo completado todos os arranjos necessários para satisfazer o público, espera merecer a protecção de todas as pessoas desejosas de entrar no saudável e vigoroso divertimento dos banhos de mar". 
As informações e venda de bilhetes eram feitas no "Hotel de Macao" localizado na Praia Grande a poucos metros da água (imagem acima). Os preços variavam entre as 0,25 patacas (um banho) e as 20 patacas no caso de "um bilhete de estação para uma família". O tempo máximo de cada banho era 20 minutos.
Praia de Ostend, Bélgica, ca. 1900
Estas "máquinas de banho" ou "bathing machines" estiveram muito em voga desde o final do século 18 e durante o século 19. Eram pequenas cabines de madeira normalmente instaladas sobre rodas, onde cabia uma ou mais pessoas. Podiam ser fixas ou então amovíveis sendo puxadas por cavalos. Eram especialmente destinadas às mulheres que assim podiam ter privacidade. Numa época em que o bronzeado era algo que ninguém desejava, estas instalações permitiam aos banhistas protegerem-se do sol. Por esta altura surgiram também os primeiros estudos que apontavam para os benefícios para a saúde dos banhos de mar.
Reza a história que a 'engenhoca' foi criada no Reino Unido por Benjamin Beale, de Margate, por volta de 1750 e depressa se alastrou a vários países.

William Gardner foi o nome 'cristão' adoptado por Wilhelm Gahar, nascido em 1834 em Estrasburgo. Gardner foi o gestor do Oriental Hotel até Agosto de 1869 quando o edifício ficou destruído num incêndio. Depois disso mudou-se para Hong Kong onde passou gerir uma taberna, a Hamburg Tavern.

sábado, 11 de maio de 2019

Ordem à Força Armada nº 57 - 1868

Quartel do Governo da Província de Macau e Timor 

Macau, 31 de Dezembro de 1868. Ordem à Força Armada nº 57 
Manda S Ex o Almirante Governador declarar a satisfação de que se acha possuido pela disciplina e instrucção que observou no Batalhão de Linha de Macau durante os dias 27, 28, 29 e 30 do corrente mez em que o referido batalhão esteve acampado, para exercicios e manobras, na Porta do Cerco, louvando por este modo o respectivo commandante, officiaes e praças de prêt. Tendo hontem tomado parte nos exercicios о chefe da estação naval com alguns dos officiaes e praças de marinhagem da corveta Sá da Bandeira além da guarnição da canhoneira Camões e sendo os simulacros do ataque naval, e do desembarque, dirigidos e executados à satisfação de S. Exa, manda também louvar a todos os officiaes e praças de marinhagem que tomaram parte nos referidos exercicios. Finalmente manda ainda S. Exa. louvar as praças da Estação Naval e as do Corpo de Policia, e Policia do Porto, pelo zelo com que se houveram no serviço que lhes tem cabido de vigiarem a cidade, o bazar e as fortalezas.
Gregorio José Ribeiro, Secretario do Governo

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Cyclopædia of Geography: 1856

"A Cyclopædia of Geography, descriptive and physical, forming a new general gazetteer of the world and dictionary of pronunciation (...) é da autoria de James Bryce foi publicado em Inglaterra no ano de 1856. Na letra M desta Enciclopédia de Geografia encontramos um pequeno texto sobre Macau que inclui uma ilustração curiosa com a legenda "Chinese house at Macao" e que se assemelha a um templo chinês. Segue-se o texto original em inglês e uma tradução feita por mim.
Alguns dados não estão correctos, nomeadamente a data de 1586 como sendo o início do 'assentamento' dos portugueses que ocorreu em 1555/57. Um dado interessante no texto é a referência a uma muralha e à primeira versão Porta do Cerco que no texto diz-se ter sido construída em 1573.


Macao, a seaport and settlement of the Portuguese in the prov. of Quang tong (Canton), on a peninsula of the isl. Macao, on the SW of estuary of the river Canton and 70 m. S.S.E. of Canton; lat 22 11 N lon 113 32. The peninsula 2,5 miles long, by 1 broad, is joined to the island by a low sandy isthmus, about 200 yds in breadth, on which a wall, built 1573 indicates the bound beyond which a foreigner may not pass.
This peninsular spot was ceded in 1586 to the Portuguese, as a recompense the aid they gave in ejecting a pirate from a neighbouring Island. They possess the right of self government and the right of trading is nominally restricted to their shipping; but a Chinese mandarin governs the town in name of the emperor, and trading vessels belonging to nations often gain entrance.
The harbour, which is ill adapted for vessels of great burden, is defended on the N. and W. by six forts. The town is built on the slope of a range of hills, somewhat triangularly disposed, of which harbour occupies the hypothenuse.
The shore is an embanked and terraced parade, above which, in regular but narrow streets, houses of Chinese and European structure are curiously mingled. The Portuguese senate-house, some Chinese temples, the collegiate church of St Joseph and 11 other churches form the chief architectural ornaments of the place. Tradition reports that in a cave in this town Camoens wrote the greater part of the Lusíad. The college of St Joseph, a royal grammar School and an orphan asylum supply education. Population about 50,000.
Macau, porto marítimo e povoado dos portugueses na província de Quang tong (Cantão), numa península da ilha de Macau, no SO do estuário do rio Cantão, situado a 70 milhas S.S.E. de Cantão; Latitude 22 11 N Longitude 113 32.
A península, com 2,5 milhas de comprimento por uma milha de largura, une-se à ilha por um istmo de baixio arenoso com aproximadamente 200 jardas de largura, onde existe um muro, construído em 1573, e que indica o limite além do qual os estrangeiros não podem passar. Este território foi cedido em 1586 aos portugueses, como recompensa pela ajuda que deram em expulsar um pirata de uma ilha vizinha. Os portugueses tem direito de autogoverno e direito de fazer comércio; mas é um mandarim chinês que governa a cidade em nome do imperador; os navios estrangeiros normalmente têm acesso ao porto. O porto não se adapta a navios de grande carga e é defendido a Norte e Oeste por seis fortes. A cidade é construída ao longo das encostas de uma série de colinas, um tanto triangularmente dispostas, sendo o porto a hipotenusa. 
A costa é um desfile de terraços, acima da qual, em ruas regulares mas estreitas, casas de características chinesas e europeias misturam-se de forma curiosa. O Senado português, alguns templos chineses, a igreja do colégio de S. José e outras 11 igrejas formam os principais símbolos arquitetónicos do lugar. A tradição relata que numa caverna desta cidade Camões escreveu a maior parte de "Os Lusíadas". O colégio de São José, uma escola real de gramática e um asilo de órfãos fornecem a educação. População de 50.000.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Guerra do Pacífico: depoimento de Ana Maria Amaro

“O mais tocante que ouvi contar em Macau sobre a "Guerra do Pacifico" foi no asilo da Horta da Mitra (Hô Lan Ûn) onde se encontravam senhoras portuguesas de Xangai chegadas, pelo menos em dois surtos de imigração. A primeira chegada que nos foi relatada sucedeu por ocasião da invasão de Xangai pelos japoneses durante a guerra Sino-Japonesa. A segunda teve lugar durante a Guerra do Pacifico, estas senhoras recordavam atrocidades e histórias dramáticas que tinham vivido. (...) A comunidade luso-descendente de Macau deu abrigo a alguns destes refugiados e seus parentes. Outros não encontraram familiares próximos que pudessem recebe-los. Uma das senhoras tinha perdido o marido que vira ser morto nas ruas de Xangai e o seu único filho que desapareceu durante a fuga e do qual nunca mais teve notícias. Também em Macau não encontrou parentes próximos. (...)

Sugestão de leitura
Relativamente ao impacto desta chegada de refugiados incluindo pessoas de várias nacionalidades, principalmente muitos chineses, calcula-se que fizeram subir a população de Macau a cerca de meio milhão, principalmente depois da ocupação de Hong Kong pelos japoneses. Foi esta pressão demográfica e bloqueamento de algumas vias de acesso pelas tropas japonesas que levou á grave crise económica que Macau sofreu com falta de viveres e uma feroz especulação de preços. É sobre esta especulação que se contavam histórias citando-se nomes, histórias que não se podem contar porque não devem ser contadas.
Morria-se de fome nas ruas todos os dias a polícia recolhia cadáveres de desconhecidos, havia pessoas apenas de passagem em trânsito para qualquer ponto onde pudessem continuar a viver. A maioria principalmente dos que tinham menos posses ficavam, morriam ou acabavam por ser presos por delitos menores. A falta de arroz que encarecia constantemente foi o que mais afectou a cidade. Contava-se que havia perto das ruínas de São Paulo um matadouro de carne humana. Eram atraídos jovens, principalmente mulheres, com sedutoras ofertas de trabalho. Eram ali mortas e a sua carne destinava-se a ser vendida. Verdade? Mito urbano? Um exemplo de uma história verdadeira é o pequeno texto "A mãe" que consta do meu livro “Aguarelas de Macau, cenas de rua, histórias de vida”.
Monsenhor Manuel Teixeira e o Professor Charles Boxer, que foi prisioneiro japonês em Hong Kong e a quem torturaram a mão direita deformando-a, contaram-nos algumas dessas histórias e penso que também as publicaram. A informação oral é imensa. Da nossa memória apagaram-se alguns pormenores talvez porque muitas cenas foram rejeitadas por dolorosas demais.
Do ponto de vista cultural o maior impacto de toda esta imigração fez-se sentir nos traços culturais das famílias mais conservadoras de Macau. Muitas peças de mobília antiga e os famosos tabuleiros de chonca que as avós usavam para entreter as crianças ou as famílias aproveitavam para jogar e passar o tempo por altura dos tufões quando ficavam trancadas em casa á luz de velas. Toda essa madeira servia para combustível que para aquecer, quer para cozinhar. Com a chegada de luso descendentes de Xangai e de Hong Kong com usos e valores "modernos" por influência dos ingleses a cultura tradicional que se mantivera ao longo do século XX foi considerada "antigonsa" e abandonados velhos padrões como traje (uso do dó), certos preconceitos femininos, tornando-se as raparigas "garridonas". Começando a perder-se a partir daí grande para da identidade cultural dos luso descendentes filhos da terra”.
Depoimento inédito recolhido por João Botas em 2010. Professora catedrática, Ana Maria Amaro é autora de uma vasta obra sobre Macau. Viveu no território na década de 1960. Morreu em 2015.
As senhoras refugiadas de Xangai que a professora Ana Maria Amaro encontrou no asilo da Horta da Mitra da Santa Casa na década de 1960 numa visita em que levou um grupo de alunos a conviver com as senhoras tendo cantado e dançado para elas músicas tradicionais portuguesas.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

População: primeiro decénio do século 18

(...) O autor do «Oriente Conquistado», Pe. Francisco de Sousa S. J., que no primeiro decénio do século XVIII escrevia em Goa e bem informado a sua obra, faz a seguinte afirmação: «As famílias portuguesas (de Macau) serão hoje 150; o número de todas as almas cristãs 19.500 (dezanove mil e quinhentas), das quais 16.000 (dezasseis mil) são mulheres. Vivem dentro da cidade 1.000 (mil) gentios, oficiais e comerciantes (Oriente Conquistado, II Parte, Conquista IV, d. II)
A conclusão a tirar é fácil: Macau contava 20.500 habitantes, dentre os quais 19.500 eram cristãos. Entre estes uns 18.500 eram chineses. Macau era por conseguinte toda cristã uma vez que apenas uns 5% (cinco por cento) não haviam abraçado ainda o cristianismo. Os evangelizadores da população e os seus apóstolos principais haviam sido os Padres da Companhia de Jesus.
Século e meio depois ou seja em meados do século XIX, dificilmente a cidade do Santo Nome de Deus albergaria seis mil moradores (6.000). Decaíra, com efeito, muitíssimo do seu antigo esplendor e por outro lado os mandarins de Cantão oprimiam-na com tributos, com imposição da sua vontade, leis, e sobretudo com numerosas afrontas. Tal era, pois, o estado da cidade, consequência funesta da diminuição de autoridade e perda do prestígio, dos governadores e senado macaense. Foi precisa a energia militar do governador Ferreira do Amaral em 1846-1849 para fazer outra vez livre a colónia e redimi-la de caprichos estranhos.
in "Macau, mãe das missões no extremo oriente"

terça-feira, 7 de maio de 2019

"China: Costa de Leste Macau com as Ilhas e Costas Adjacentes"

Mapa "China: Costa de leste Macau com ilhas e costas adjacentes" é um mapa impresso pela "Lithografia da Imprensa Nacional". Trata-se de uma réplica - feita por J. F. M. Palha - de um mapa original da autoria de W. A. Read publicado em 1865-6.
Estamos perante um mapa bastante curioso a vários níveis. Inclui duas ilustrações (Guia e baía da Praia Grande), curvas de nível, indicação das marés, indicação dos 15 "edifícios principaes" do território, mostra ainda a ilha da Taipa (e não a de Coloane), as principais ruas são assinaladas com a respectiva legenda e são ainda indicadas as coordenadas da Fortaleza do Monte.

Ilustração do Farol - inaugurado em 1865 - e Fortaleza da Guia

Ilustração da Baía da Praia Grande

Detalhe da zona da Porta do Cerco tendo assinalado uma "trincheira"

Lista dos "Edifícios Principaes em Macau" e a ilha da Taipa

 
Em baixo o mapa original com o título "China East Coast Macau with the Islands and Neighbouring Shores".
Tendo por base o mapa acima referido foi feito um outro - não inclui a ilha da Taipa - em 1894 (imagem abaixo)  denominado "Map of The Peninsula of Macao, 1865-6". Esta foi desenhado/copiado por Frederick Charles Danvers, autor do livro "The Portuguese in India: Being a History of the Rise and Decline of their Eastern Empire", Vol. II, publicado em Londres em 1894.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Recordando Ayrton Senna

A 1 de Maio último assinalaram-se os 25 anos passados sobre a morte de Ayrton Senna (1960-1994), o piloto de automóveis brasileiro três vezes campeão do mundo e considerado por muitos um dos melhores de sempre na história da modalidade.

Em 1983, na estreia da Fórmula 3 no Grande Prémio de Macau, a vitória foi do piloto brasileiro, que também se estreava em circuitos citadinos, e conduziu um dos três carros (Ralts Toyota) da equipa Theodore Racing de Teddy Yip.

Macau foi uma prova talismã para Ayrton Senna na F3 que logo depois viria a estrear-se na Fórmula 1, a prova rainha da competição automóvel.

Citação de Ayrton Senna sobre o Circuito da Guia:
“I think it is a very challenging circuit. You’ve got very straight line speed. I think the fastest ever in F3, around 150mph, then suddenly you have to go really slow on the tight bends on top of the hill. You are not allowed for a little mistake at all, otherwise, you crash.”


"Acho que é um circuito muito desafiante. Permite muita velocidade em linha recta. Acho que o mais rápido de sempre em F3, cerca de 150 mph (241kmh), e de repente tem de se ir muito devagar nas curvas apertadas no topo da colina. Não permite qualquer pequeno erro pois se acontecer acabamos por ter um acidente"

Na soma das duas mangas (15 voltas cada), Ayrton Senna ficou em 1º com o tempo total de 1h 11m 34.96s. Em abaixo Senna na recta da meta com o carro nº 3.