quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Discover Macau por Todd Crowell

The first time I visited Macau was to find a smuggler. Nothing as exciting as opium, gold or indentured coolies, three Macau exports before it became a gambling emporium, of course. No, my flat mate in Hong Kong wanted to bring his treasured Burmese cats into Hong Kong and he could not abide being separated from them for the six-month quarantine then in effect in the British colony.
With the help of some of his friends in the then Portuguese enclave (not a “colony”, Chinese territory under Portuguese administration) we found the animal smuggler in a shop off of the main street, Avenida de Almeida Ribeira. For a sum he was quite willing to accept the cats and smuggle them into Hong Kong on a junk.
That was the beginning of a 20-year fascination with Hong Kong’s smaller neighbor across the Pearl River Delta. Looking back I am amazed at how much Macau has changed in that time. When I first went to Macau to look for an animal smuggler, the Senate Square, the heart of old Macau, looked decidedly run down. Not today. Cars have been banned and the square has been lovingly restored. Portuguese craftsmen were brought in to make a wavy white pavement out of limestone and basalt that gives it a definite Mediterranean look.
For fourteen years (1987-2001) the australian Todd Crowell worked as a Senior Writer for Asiaweek, the leading English-language newsmagazine, published in Hong Kong by Time Warner. This position gave him a perch from which to observe the tumultuous events of modern history in East Asia, from the Tiananmen Massacre of 1989 to the handover of Hong Kong in 1997. He has published three books: Farewell, My Colony: Last Years in the Life of British Hong Kong (1998); Tokyo: City on the Edge (2001) and Discover Macau: a Guide and History, (2002) and, as a ghost writer, The Story of Legend, about China’s largest computer company. More recently he wrote Explore Macau: A Walking Guide and History.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Centenário da Criação do Conselho de Turismo

No Boletim Oficial de 5 de Abril de 1919 é publicada a Portaria Provincial nº57 que aprova a Organização dos Serviços de Turismo sendo criado um Conselho de Turismo “junto da administração dos Portos de Macau” composto por nove elementos nomeados pelo governador Artur Tamagnini de Sousa Barbosa

domingo, 10 de novembro de 2019

Domingo, 15 Novembro de 1959

A 15 de Novembro de 1959, um domingo, Ron Hardwick, piloto de Hong Kong, ao volante de um Jaguar XKSS vencia a 6ª edição do GP de Macau com 60 voltas ao Circuito da Guia. Foi uma vitória fácil com mais de 4 minutos de vantagem sobre os opositores.
Em Novembro de 1994 Ron deu uma entrevista a Al Campbell do South China Morning Post onde recordou os momentos de glória na prova motorizada macaense.
Ron Hardwick cringes when asked about the whereabouts of the Jaguar XKSS that he drove to victory in the 1959 Macau Grand Prix.

'I don't know where it is, I wish I still had that car,' said Hardwick shaking his head.
'Before the race it was forecast by so-called race experts that the Jaguar was too big, too clumsy, too everything for Macau but it did alright. I bought it from K. F. Chang before the '59 race for $18,000 and I sold it for $20,000 figuring there was no way that it could win at Macau again but it did.
'It was a good car and it would be worth a fortune today. It was one of only 13 XKSS' made by Jaguar before a fire at the factory destroyed the entire line. I tell you though, the Jaguar wouldn't have won in the '60 race if I had been allowed to enter my Cooper Climax.
'That car had a 1.5 litre engine, the same as they were using on the Formula One circuit in Europe and the organisers of Macau knew it would have given me an advantage so they disallowed it.' Listening to Hardwick reminisce about the early days of the Macau GP rattling off names of such characters as Teddy Yip, Albert Poon, Grant Wolfkill and George Baker, he said the event has drastically moved away from the original concept set-up by race founder Paul Dutoit.
'It used to be a race for locals and people in the region but now it's gone far beyond that - it's all professionals now. Macau then was something that all the drivers used to look forward to as a time to see friends, socialise and then compete in the race which for many of us was our only race of the year. Nowadays it's different. The drivers don't know each other and it's all a business.
'A lot of people in those days thought that we were really something, but compared to now those cars and that type of racing was like your grandmother going down the street to do shopping.
'All we had were street cars with maybe one or two modifications and before the race about all we did was have a tune-up and a valve grind for preparation.' Hardwick, a retired Cathay Pacific pilot, said he fell into racing almost by accident. Born and raised in Hong Kong, Hardwick, the son of a British Army captain, said he had raced motorcycles around the then undeveloped New Territories.
After buying a Triumph TR2 to drive around Europe on holiday, the service manager for Far East Motors Eddie Carvalho, winner of the initial 1954 Grand Prix, entered his car in the race without telling him.
'Eddie was a crazy guy and it was just like him to do that and at the time they were scraping to get as many people down to Macau as possible. I had been racing in a few hill climbs with the Hong Kong Motor Sport Club and done alright so I thought why not.' After finishing out of the running in the '55 race with a blown engine and missing the 1956 GP due to work commitments, Hardwick's luck in Macau started to change with the purchase of a 1957 AC Ace Bristol sports car. Over the next two years he would go on to two consecutive second-place finishes.
With his newly acquired Jaguar, Hardwick got off to a terrific start in the 1959 GP leading the pack until disaster struck at the foot of San Francisco Hill. Climbing up Hospital Hill, Hardwick noticed the race officials and members of the crowd frantically waving flags to get him to stop. An overcrowded pedestrian footbridge had collapsed onto the track injuring 21 people. The race was stopped for 90 minutes to clear the twisted bridge and assorted debris.
When the race resumed, Hardwick again got off to a great start pulling away from the rest of the pack pursued by Australian Bill Wyllie. By the halfway mark of the race, Hardwick had a comfortable lead and went on to finish a lap ahead of Wyllie. With victory almost certain, Hardwick went out with a bang in lowering the lap record by more than seven seconds. After four attempts Hardwick had finally won at Macau.

sábado, 9 de novembro de 2019

"Macau" no Boletim Geral das Colónias: Novembro 1929

Há 90 anos, a edição de Novembro de 1929 do Boletim Geral das Colónias (publicado em Portugal) foi dedicada em exclusivo a Macau.
A publicação começou por se denominar "Boletim da Agência Geral das Colónias" quando foi criada em 1924. Era o órgão oficial da acção colonial portuguesa e tinha por missão ”fazer propaganda do nosso património colonial, contribuindo por todos os meios para o seu engrandecimento, defesa, estudo das suas riquezas e demonstração das aptidões e capacidade colonizadora dos portugueses”Em 1935 passou a designar-se "Boletim Geral das Colónias" e em 1951 mudou outra vez o nome para "Boletim Geral do Ultramar". acompanhando assim a própria alteração da nomenclatura oficial.
Nesta edição dedicada a Macau incluem-se diversos artigos. Por exemplo, um de Artur Tamagnini Barbosa, governador (O Governo de Macau) e outro sobre a indústria da pesca, da autoria de César Gomes do Amaral, capitão dos portos de Macau.
“É uma das mais importantes (a indústria da pesca) se não a mais importante desta Colónia. Ocupando milhares de homens e representando um volume comercial de perto de 5,5 milhões de patacas, esta indústria faz de Macau o principal centro piscatório do Sul da China. Maior poderia ser a sua importância, se não fôra a pirataria, que flagela a zona marítima compreendida, entre os deltas de Si- Kiang e Chu-Kiang, precisamente a região mais abundante em peixe. Quantas vezes as pobres embarcações de pesca são abordadas por bandos de piratas armados que as despojam de tudo que possa transformar-se em dinheiro! Frequentemente travam-se lutas renhidas entre atacantes e atacados, mas em geral fica vencido o pescador, dada a sua inferioridade em meios de defesa e ataque.
O caos administrativo chinês também contribui poderosamente para a diminuição dos rendimentos desta indústria, em virtude das acções violentas e exorbitantes por parte das autoridades chinesas, que, a título de contribuição, obrigam as embarcações a pagar pesados impostos pelo pescado e o sal que transportam para a salga do peixe. Contudo, apesar destas causas que entravam um maior e possível desenvolvimento da indústria piscatória em Macau, o facto é que ela constitui, ainda assim, uma das principais fontes de riqueza da Colónia e uma receita importante para o cofre da Fazenda Provincial.
- O Governo de Macau, por Artur Tamagnini Barbosa, Governador de Macau.
- Padroado Português no Extremo Oriente, por J. da Costa Nunes.
- Vésperas do Ano Novo Chinês, por D. Maria Ana Acciaioli Tamagini.
- A aclamação del Rei D. João IV em Macau, (subsídios históricos e biográficos) por Frazão de Vasconcelos.
- Aspectos e problemas de Macau, por João dos Santos Monteiro.
- Climatologia de Macau, por Morais Palha.
- À maneira de conto, por Félix Horta.
- Uma página para a História de Macau, por Jaime do Inso.
- Traços Impressionistas de Macau, por Bella Sidney Woolf.
- Alguns dados estatísticos sobre a colónia portuguesa de Xangai (referidos a 31 de Março de 1918), por Francisco de Paula Brito Júnior. 
- A Gruta de Camões, por Humberto de Avelar. 
- Alguns dados estatísticos sobre a colónia de Macau (lista dos governadores de Macau e datas de posse, inquérito sobre a população de Macau e suas dependências).
- Lugares selectos da Biblioteca Colonial Portuguesa (O comércio de Macau de 1863 e o princípio de associação como base do progresso) – editorial do semanário macaense TA-SSY-YANG-KUO, n.º 18, de 4 de Fevereiro de 1864.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Maria 'Speedy' Ribeiro

Comemorou no mês passado 94 anos a primeira mulher a participar no Grande Prémio de Macau, logo na edição inaugural em 1954, sendo também a primeira mulher a ganhar uma prova no evento, em 1956.
Falo de Maria Fernanda de Menezes Ribeiro (Maria Fernanda Nolasco da Silva, nome de baptismo). Nasceu em Macau em 1924 e mudou-se na década de 1960 para a Austrália onde ainda vive desde então, tal com os cinco filhos que teve com Fernando Alberto de Menezes Ribeiro (nascido em Portugal em 1922 mas logo que dois anos foi para Macau com quem casou em Macau em 1945.
Em 1954, na Prova de velocidade-regularidade Maria ficou em 2º lugar com 85 pontos ao volante de um Vauxhall.
Na edição de 1956, a Prova de Senhoras, num total de três participantes, Maria Fenanda "fez uma brilhante prova" de acordo com o título de primeira página do jornal "Notícias de Macau" ficando em primeiro lugar ao volante de um Fiat1000TV com o número 43.

Do livro "The family history and photobiography of Fernando and Maria Fernanda de Menezes Ribeiro" escrito por Peter Grills retirei um excerto sobre a faceta 'desportiva' de Maria:
"Maria Fernanda says that from a very young age she had been fascinated by cars. This was very unusual for a girl in Macau in the 1930s, when even adult women rarely drove. She says she learnt to drive by sitting next to her father's chauffeur and watching. Soon he would let her steer the car from beside him, while he worked the gears and pedals. Certainly by the age of 12 she was able to drive. We know this because of the escapade related above, when, as Maria Fernanda recounts, she was seen driving on her own by the Macau Chief of Police. After that she was more circumspect about driving the car until she got her licence at 17.
It was not until some years later, after the family had moved to Hong Kong, however, that she began her involvement in competitive motor sport. In 1954, both Maria Fernanda and Fernando began competing in time trials in Macau, using Maria Fernanda's father's car, a Vauxhall Velox. Also about that time Fernando was involved in the establishment of the Hong Kong Vespa Club, and again both of them competed in club events – sometimes with eight-year-old Margarida riding as pillion passenger in novelty events.
Maria Fernanda's more serious involvement in motor racing began in 1956, when she competed in – and won – the first women's race at the Macau Grand Prix event. Driving a dealer-sponsored Fiat 1100 sedan, Fernanda beat women driving more fancied sports cars such as MGAs.
This did not just happen, though – for weeks before the event, which was on a hilly street-based course around the outer harbour and reservoir of Macau, Maria Fernanda practised driving around the course at speed in the early mornings. This became a regular sight, and Fernanda recalls driving by the army barracks as she practised, and being cheered on by the troops. On the race day itself, a family friend recalls that Fernando was more nervous than Maria Fernanda, and as he watched the race he was heard whispering 'Fernanda, be careful, remember the children' each lap as she drove past them. She was careful, and she went on to win. But even then, her mischievous side came out, and the Hong Kong newspaper of the next day records how, at the end of the race 'Hordes of photographers and officials rushed to the line. She drove up at speed, braking inches from them, sending the lot scurrying.'
Maria Fernanda also competed in 1958 and was hot favourite to win; however, by then the event had become better known internationally, and an American lady came from Okinawa, driving a Triumph TR3, and Maria Fernanda came second, still driving the Fiat 1100 sedan. (...)"

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

"Hotel de Boa Vista": "Places of Interest"

Na imagem está a reprodução de uma folha de papel timbrado do "Hotel de Boa Vista". O documento é da primeira década do século 20. De forma manuscrita surgem vários "Places of Interest" (Locais de Interesse) em termos turísticos. Na época o hotel Boa Vista (renomeado em 1936 como Bela Vista) era um dos principais hotéis de estilo ocidental em Macau. 
Na publicidade de então apelidava-se como sendo "the most selected hotel in the far east".
Actualmente é a residência oficial do Cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong.
Entre os locais da lista de atracções turística estão: The Cathedral (Sé), The Façade of St. Paul (Ruínas de S. Paulo), The Camões Garden (Jardim Camões), The Public Garden (Jardim S. Francisco), The Praya Grande, The Barrier (Porta do Cerco), The Private Chinese House, The Opium Factory (Fábrica do Ópio), The Firecracker Factory (Fábrica de Panchões), The Tobacco Factory (Fábrica de Tabaco), The Gambling House (Casa de Jogo), The Old Chinese Temple (pode ser o templo de A-Ma ou o de Kun Iam Tong), The Republic Avenue (Avenida da República).

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Jaguar XKSS

Há 60 anos, a 15 de Novembro de 1959, Ron Hardwick ao volante de um Jaguar XKSS vencia a 6ª edição do GP de Macau com 60 voltas ao Circuito da Guia e mais de 4 minutos de avanço sobre o segundo classificado. O mesmo modelo com pequenas alterações viria a vencer a prova no ano seguinte (conduzido por Martin Redfern), por apenas 6 segundos de vantagem sobre o Porsche 550 Spider RS de Grant Wolkill.
Martin Redfern foi o vencedor do GP de 1960
Jaguar XKSS757 com o número 4 na recta da meta
Na zona do circuito junto ao Porto Exterior

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Arsenio “Dodgie” Laurel: 1931-1967

Arsenio “Dodgie” Laurel from Philipines was the first two-time winner of the Macau Grand Prix after finishing first in the 1962 and 1963 race (60 laps) always at the weel of a Lotus 22. He died during the Macau Grand Prix on November 19, 1967, at the age of 35. The first pilot who died during Macau Grand Prix.

Arsenio “Dodgie” Laurel, das Filipinas, foi o primeiro piloto da ganhar dois anos consecutivos o Grande Prémio de Macau depois de terminar em primeiro lugar nas corridas de 1962 e 1963 (60 voltas), sempre no salto de um Lotus 22. Seria também o primeiro piloto a morrer durante uma prova do GP de Macau. Foi 19 de Novembro de 1967, aos 35 anos. 

domingo, 3 de novembro de 2019

A história do 'soldado' Lee (Chico)

A 3 de Setembro de 1963 o jornal The Canberra Times publica na página 29 um artigo com o título” Only Chinese In Macao Guard Is Boy Of 11”. Conta a história de um rapaz chinês de apenas 11 anos que foi 'adoptado' pelas tropas portuguesas estacionados no aquartelamento de Mong Há em 1963. Em primeiro lugar apresento o texto original em inglês, seguido da tradução para português.
MACAO (A.A.P.-Reuter) -  He is only 11 years old and just under four feet tall, yet lie stands guard over the Prison in Macao, notorious not so many years ago as a stronghold of Chinese secret societies. What is still more unusual is that Lee See-Poon is the only Chinese in the Portuguese Army.
It all began about 10 months ago when his mother worked as an amah (servant) to help support the family because his carpenter father was down with tuberculosis. Her employer was the commanding officer of the Fourth Infantry Company which recently moved to Macao to relieve the city's garrison African troops from Angola and Mozambique. Lee, whose name is by coincidence Chinese for Lisbon, caught his eye when he accompanied his mother to work.
The officer and his men decided to "adopt" him. The result was that diminitive Lee found himself one step better than most Portuguese soldiers. He was made a second corporal and now wears a single gold stripe to show his rank. Officers and men chip in every month to pay for his clothes and food as well as some pocket money.
In Barracks Lee now eats and sleeps in the barracks at Mong Ha fortress, which overlooks the frontier with the Chinese People's Republic, and says he enjoys the army life and comradeship. "Where else can a boy play soldier to his heart's content?" he ask'/. "With the men here, I am a real soldier and they treat me as such."
Affectionately known among the men as "Chico" Lee is not strictly subject to army discipline. He himself takes things very seriously, rising with the men, doing exercises and performing duties of the day, which for him include sweeping the fortress grounds.  
At times, he goes off with another corporal to stand guard over Macao's civilian prison. He has with him an old Winchester rifle and he says in all seriousness: "If the prisoners try to escape, I shall shoot them." His Portuguese comrades do not like to hurt him by telling the truth: the rifle is so ancient it cannot be fired. The Army has assigned a man to teach Lee Portuguese. He has had three years' Chinese schooling but now he knows how to read and write more Portuguese than Chinese.
Drinks Beer  
In his spare time, Lee likes playing football with the men. He shows himself as much of a man as they by drinking bottles of beer but says he does not touch wine which he finds intoxicating.
As his fellow soldiers say, Lee has an old head on his young shoulders and knows that one cannot earn much money in the army. "I think when I get older I will want to learn a trade. My ambition is to go to Portugal and study in a school there," he says.
Lee my get the chance to do just that. The fourth Company is thinking about "demobbing" Lee and sponsoring his studies in Portugal.
Tem apenas 11 anos e pouco menos de um metro e meio de altura, mas ainda guarda a prisão de Macau, notória não há tantos anos como um baluarte das sociedades secretas chinesas. O que é ainda mais incomum é que Lee See-Poon é o único chinês no Exército Português. Tudo começou cerca de 10 meses atrás, quando sua mãe trabalhou como amah (servente) para ajudar a apoiar a família porque seu pai, carpinteiro, estava com tuberculose.
O seu 'patrão' é o comandante da Quarta Companhia de Infantaria, que recentemente se mudou para Macau. Lee, cujo nome em chinês é, por coincidência, o início da palavra Lisboa, chamou a atenção do comandante quando ele acompanhou a sua mãe para trabalhar. O oficial e os seus homens decidiram "adoptá-lo". O resultado foi que Lee Lee até ficou em melhor situação face à maioria dos soldados portugueses. Foi nomeado segundo cabo e mostra com orgulho as insígnias da sua patente. Oficiais e restantes soldados contribuem todos os meses com algum dinheiro pagar as roupas e alimentos do cabo Lee. No quartel de Mong Ha Lee come e dorme com vista para a fronteira com a República Popular da China e diz que gosta da vida do exército e da camaradagem. "Que mais pode um miúdo quere do que poder brincar aos soldados desta maneira?" ele pergunta. "Entre os homens eu sou um verdadeiro soldado e eles tratam-me como tal". Carinhosamente conhecido entre os tropas homens como "Chico" Lee não está sujeito à disciplina do exército. Mas ele próprio leva a vida de militar muito a sério, levantando-se na alvorada, fazendo exercícios e cumprindo as tarefas do dia, o que para ele inclui varrer o chão da fortaleza. Às vezes, sai com outro cabo para vigiar a prisão civil de Macau e leva consigo uma velha carabina Winchester. Sobre essa missão diz com toda a seriedade: "Se os prisioneiros tentam escapar, eu mato-os". Os militares que o acompanham, entram na brincadeira para não o desapontar, mas na verdade a arma é tão antiga que já não funciona.
Para não descurar a educação de Lee o exército arranjou um professor que lhe ensina português. Lee já tem três anos de escolaridade chinesa, mas agora sabe ler e escrever mais português do que chinês. Nos tempos livres Lee gosta de jogar futebol com os camaradas de armas. E também procura acompanhá-los quando bebem cerveja, mas diz que não toca no vinho que considera uma bebida inebriante. Como seus companheiros soldados dizem, Lee tem uma cabeça de adulto sobre os ombros jovens e sabe que não se pode ganhar muito dinheiro no exército. "Quando for mais velho quero aprender um ofício; a minha ambição é ir para Portugal e estudar", diz. E Lee pode muito bem vir a ter essa possibilidade. O comandante de Mong Há admite desmobilizar Lee e patrocinar os seus estudos em Portugal.

sábado, 2 de novembro de 2019

Macau num mapa da antiga 4ª classe

Mapa da década 1950-60 usado no ensino primário em Portugal. Para além de serem assinalados os vários fortes e fortalezas de Macau e as ilhas é curiosa - inventada mesmo... - a denominação "Mar de Macau" para as águas que banham a península e as ilhas da Taipa e Coloane.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Grande Prémio: curiosidade de 1954

No mês em que se realiza mais uma edição do Grande Prémio de Macau, tal como prometido, dá-se início a uma série de posts alusivos à prova realizada pela primeira vez em 1954.
Na estreia do Grande Prémio, a 30 e 31 de Outubro de 1954, várias zonas do Circuito da Guia eram em terra batida e paralelepípedo (calçada à portuguesa), como estas imagens testemunham.

Nesta fotografia onde R. Pennels, num Healey 100, persegue o Triumph TR2 de Ed. Carvalho pode ver-se o quanto a poeira afectava a condução dos pilotos.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Macau n"Os Grandes Enigmas da Segunda Guerra Mundial

Em "Os Grandes Enigmas da Segunda Guerra Mundial", de Bernard Michal (2015), o capítulo dedicado a "Wong Kong Kit: o 'gangster' de Macau", é um dos 23 enigmas analisados. Mais precisamente o 17º pretendendo-se descobrir a identidade de um gangster sinistro que percorre as ruas de uma cidade cheia de refugiados e crianças com fome... Wong Kong Kit, assim é o seu nome. 
Excerto: "Entre todos, o mais sinistro bandoleiro que deu pelo nome de Wong Kong Kit, o qual, secundado por sua mulher, ditou leis em Macau durante alguns anos..."
O autor recorre essencialmente ao testemunho deixado por Monsenhor Manuel Teixeira.
Wong Kong Kit tinha o seu "quartel-general" numa moradia na Avenida Coronel Mesquita e residência na Av. Ouvidor Arriaga, defendida por sacos de areia e metralhadoras. Segundo Monsenhor Manuel Teixeira “Wong Kong Kit foi o verdadeiro Clyde de Macau durante a II Guerra Mundial. Era um sujeito de voz activa que tinha um complemento directo na pessoa de sua Madame Bonnie ilustre costureira, cujas mãos sanguinárias em vez de manusearem a agulha em delicadíssimos bordados empunhavam dois revólveres, que ela podia disparar tanto da esquerda para a direita como da direita para a esquerda. (…) Estes dois “gangsters” apareceram por encanto na nossa fronteira e estabeleceram a sua firma Bonnie and Clyde sob a superintendência da gendermeria japonesa (…) qual o negócio? Espionagem, pressão contra o governo português, fiscalização de arroz importado da China, impondo uma taxa sobre ele. Quais os meios com que contava? Ele transitava pelas ruas em 2 automóveis com 8 homens armados de pistola “Mauser” e revólver de calibre não inferior a 38. Tinha apoio da gendarmeria japonesa sob o comando do coronel Sawa”.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Aviso à "navegação" em 1870

Capitania do Porto de Macau
O capitão do porto faz saber aos capitães dos navios que estiverem surtos ou se acharem no rio de Macau durante o espaço de tempo que medeia entre os dias 15 de Junho e 15 de Outubro que deverão ter os seus navios com os mastros e vergas de joanetes arriados ao convez durante a sua estada no porto e recommenda-lhes particular cuidado em conservarem as suas amarrações claras e os ferros da roça promptos a largar bem como em tomarem todas as precauções convenientes para maior segurança dos seus navios logo que haja indicios de máo tempo. 
Capitania do Porto de Macau, 29 de Maio de 1870 

Chama-se a attenção dos capitães de navios para as seguintes disposições do regulamento do porto:
1º Logo que os barómetros comecem a descer e que esta descida seja acompanhada de signaes atmosféricos indicadores de temporal o capitão do porto mandará içar no pontão da policia do mar e no fortim de S. Pedro a bandeira convencionada branca com um quadro vermelho no centro dando o pontão um tiro de peça.
2º Sendo de noite em lugar da bandeira serão içados perpendicularmente dois faróes de luz natural; Estes se içarão no mastro do pontão e no fortim no laes da verga dos signaes firmados também com um tiro.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Dois "postais máximos" de 1953

Postal máximo ou máximo postal é uma peça filatélica constituída por três elementos, em que todos eles se referem ao motivo do selo aposto no cartão. A saber: cartão-postal, selo e carimbo.
No primeiro caso (à esq) temos uma vista da Fortaleza do Monte a partir da calçada (traseiras) - actual Estrada do Visconde de S. Januário - de acesso ao Hospital S. Januário permitindo descortinar o casario da freguesia de S. Lázaro em redor da Calçada do Monte.
No segundo caso (em baixo), vê-se o Largo do Senado com a configuração da década de 1950: estátua do Coronel Mesquita, edifício Ritz, a praça de táxis e ainda o edifício dos CTT.
Os selos usados são relativos a uma emissão de 1948 denominado "Motivos Locais".
Esta série de postais máximos de 1953 não se esgota nestes dois exemplos e o resto pode ser visto aqui.
Para ver outros exemplos de "postais máximos" aqui no blogue basta utilizar o campo de pesquisa: em cima do lado esquerdo.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Herculano Estorninho: exposição em 1966

Reprodução do jornal Notícias de Macau de 9 de Outubro de 1966 relativa è exposição "Realizações dos Planos de Fomento e Obras Públicas" que esteve patente no ginásio da Escola Comercial 'Pedro Nolasco'."

Legenda imagem da esq.: Integrada nas comemorações do XL Aniversário da Revolução Nacional, foi solenemente inaugurada pela Primeira Autoridade da Província, no passado dia 5, aniversário da República Portuguesa, esta interessantíssima exposição.
Legenda imagem da dta: Logo no limiar do recinto, vê-se esta síntese da exposição, monumento simbólico e sugestivo, da autoria do artista macaense Herculano Estorninho.
Legenda da foto acima:
A maior atracção da visita foi-nos proporcionada por este belo conjunto de maquetas da península de Macau e das ilhas da Taipa e de Coloane, outro trabalho artístico de Herculano Estorninho. Ocupando uma grande área. no centro da galeria, reproduzem, em escala de 2 cm por 10 metros, o actual território da província, em alto relevo e a cores, figurando nelas as obras realizadas nos últimos 40 anos e as projectadas num futuro próximo, com as tão desejadas ligações Macau-Taipa (ponte) e Taipa-Coloane (istmo). Vistas, no seu conjunto, pela sua disposição artística e pelo sistema da sua iluminação, oferecem ao visitante um efeito surpreendente, inédito e particularmente sugestivo. Na execução deste e doutros trabalhos, intervieram artífices da PSP e desenhadores dos Planos de Fomento. Na direcção geral, temos a registar os nomes dos srs. Tenente-coronel Galvão de Figueiredo e Tenente Correia Marques. 
Reprodução de notícia da capa do jornal Ponto Final de 29 de Abril de 1994 data da morte do macaense Herculano Estorninho, "um dos artistas mais conceituados de Macau".
Nota: scans enviados pelo filho de Herculano, Zito Estorninho.
Informações adicionais neste post:

domingo, 27 de outubro de 2019

Taipa Grande e Taipa Pequena

A posse da Taipa pelo Governo de Macau acontece por volta de 1845 e seria ocupada por ordem do governador Ferreira do Amaral  (bandeira portuguesa hasteada pela primeira vez a 9 de Setembro de 1847).
Em chinês designa-se Tâm Tchai o que significa Pequeno Lago. Na verdade, até ao início do século XX eram duas ilhas, pelo que se denominavam Taipa Grande (ou Taipa Quebrada) e Taipa Pequena, estando separadas por uma estreita língua de mar. Os sucessivos assoreamentos viriam a ligar as duas ilhas, ligação esta consolidada por aterros já em meados do século XX.
 Mapa de 1870
Mapa de 1912 
Mapa de 1941
Mapa de 1991

sábado, 26 de outubro de 2019

Contrato de electricidade (Melco): 1940

Contrato de fornecimento de electricidade pela companhia Melco - Macao Electricity Lighting Co. Ltd - para um restaurante na Rua da Felicidade (r/c e primeiro andar). 
O valor ascende a 770 patacas, muito dinheiro... para o ano de 1940... e inclui uma "ventoinha de 16 polegadas".

Ainda no século XXI é possível encontrar 'testemunhos' dos tempos antigos da Melco

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

It's Countdown Time for Macao: 2ª parte

Nota: continuação do post de ontem.
Artigo da edição de 16 de Setembro de 1990 do New York Times intitulado "It's Countdown Time for Macao" da autoria de Robert Elegant.
The prospect of Macao has altered radically. The central district is now palisaded with high-rise apartment and office buildings. A little lower than Hong Kong's spires, they are even more fancifully decorated. A Latin taste for lush adornment has drawn fanciful circles and scrolls over the lintels of the doors and windows of the new high-rises, which are obligatory for any state in East Asia seeking to demonstrate its go-ahead character.

The colors of the buildings - electric greens and blues splashed beside great blocks of pastel pinks and beiges - make the tiny territory look from a distance rather like a vast abstract painting. The effect is curiously enhanced by the abrupt appearance, as in a collage, among the high-rises of churches, forts and villas in the styles of centuries past.
A more modern neighborhood is, nonetheless, also a fly in amber. Officially the street - broad for cramped Macao - is called Conselheiro Ferrerira de Almeida. But the Macanese are proud of its other name: Restoration Row. Along that street stand old buildings snatched from the wreckers' hand and restored to their original dignity. Old in this case means the 1920's, that confident era when great private mansions were built with proud arches, carved pediments framing flat roofs, and high windows as well as interior courtyards. Those buildings now house the national archives, a library and the Education Department, but they are redolent of the spacious existence lived not so very long ago by the wealthy of Macao. Although the bronze statue of Joao Ferreira do Amaral, the governor who made Macao independent by driving out Chinese officials, still dominates the esplanade in front of the Lisboa Hotel, the returning Chinese rulers have, not remarkably, given notice that the monument will come down when they take over.
Behind that doomed hidalgo rears the lemon yellow hotel, crowned by a great globe studded with luminous spikes. The Lisboa, built in the 1960's, was the first of the modern hotels. It presents Macao's most extravagant cabaret, modeled on the strip shows of the Crazy Horse Saloon in Paris. The showgirls are all Australian, American and European Caucasians with not an Asian among them, which says something about the extracurricular taste of the overwhelmingly Asian and male audiences.
The center of the Lisboa is the two-story casino, one of the six authorized in Macao. In addition to the eight ways to lose money in casinos, including one-armed bandits, here called ''hungry tigers,'' there is jai alai, greyhound racing, horse racing and, once a year, the Macao Grand Prix, which attracts drivers and bettors from all over Asia.
The gamblers, who today contribute a third of Macao's gross domestic product of about $3 billion, will still be the chief source of revenue in 1999. If, of course, the puritanical Chinese authorities allow gambling, which they officially abhor as a debilitating national vice.
For tourists and gamblers a half-dozen hotels are rising to supplement the 3,000-odd rooms now available. The most optimistic project, ''a luxury five-star hotel,'' costing almost $60 million, is scheduled to open at Black Sands Bay on the island of Coloane in April 1992.
The Society for Tourism and Diversion, which controls not only gambling, but also all access to Macao, is building the resort hotel in association with a Japanese firm. Yet six large villas still stand unsold and vacant on the bluff overlooking neighboring Bamboo Bay. The asking price is Macao patacas 500,000 (about $63,000), almost a giveaway. Memories of the massacre in Beijing's Tiananmen Square a year and a half ago are still very strong.
Despite development of beach villas and hotels, all blessedly on a small scale, Coloane still has a bucolic air. The island is only 2.8 square miles in all, but, somehow, feels spacious as well as rural and serene. It also presents a curious religious melange. In the small Chapel of St. Francis Xavier, the bones of his right arm are on display. The nearby Tam Kung Temple exhibits a four-foot-long whalebone carved into a dragon boat like those that race once a year to commemorate the suicide of Chu Yuan, a revered prime minister who lived before Christ.
About 50 acres of Coloane are devoted to aviaries and botanical gardens. Like the old gentlemen strolling along the Esplanade to give their pet birds in their bamboo cages an airing, those gardens smack of an earlier and less frenetic day. In the walk-in aviaries one sees the great variety of birds who still survive the pressure of humanity in booming Asia, including the Palawan peacock and the crested white pheasant.
Coloane is like that, one of the few places where one can easily get away from the unabating tumult and raw ambition that accompany Asia's emergence as a major economic power. One past excellence is, however, preserved everywhere Chinese live, except, sadly, in mainland China itself: good food. By comparison with its bigger neighbor, Hong Kong, Macao is not particularly distinguished for its cuisine. But considered alone and unshadowed by Hong Kong, its restaurants are very good.
The Fat Siu Lau, Portuguese despite its Chinese name, serves excellent roast squab, as well as powerful peasant stews of beans and meats. At a half-dozen restaurants the seafood, all locally caught, is excellent, and the prices are superb: clawless lobster (langoustine) for $8 to $10; great bowls of shrimp for $6 to $8; and, say, $8 for an American sirloin steak. Robust Portuguese wines are also extremely reasonable.
The best all-around eating I found was at the Mandarin Oriental Hotel - Chinese and Continental restaurants are complemented by the ingenious cuisine of the Cafe Girasol (Sunflower). Half a dozen Asian cuisines, and half a dozen European, are combined by the chef, whose splendid Sunday brunch buffet is $13 a head.
One dinner at The Dynasty began with an extraordinary dish that displayed the almost infinite adaptability of Chinese cuisine: sharks fins in a sauce of cream and vodka with caviar. Another was a classic called ''fried milk'': egg white and cream with crab meat and crab coral that is soft as velvet on the tongue.
The subtle Cantonese cuisine, of course, dominates the local restaurants. But there are also restaurants specializing in Japanese, Korean, Italian, Shanghai and Vietnamese food. Also, inevitably, McDonald's.
The big arch of the Barrier Gage, which separates Macao from China, was once guarded by splendidly erect black soldiers from Angola. Today there are no guards on the Portuguese side. Travelers come and go subject only to normal immigration and customs checks.
The chief peril is now the constant procession of yellow Nissan dump trucks roaring across the border loaded with construction material for China, where labor-short Macao is building factories. The snarl of their exhausts may be a paean of hope that Macao will endure after 1999, altered but still, somehow, the same with the lotus-eaters in its resorts besieging its casinos by night.
Where to stay, eat or gamble
Rates at these first-class hotels include taxes. 
Mandarin Oriental Hotel, Avenida da Amizade; telephone 567-888. A pleasant modern hotel, tastefully furnished, with a view of the bridge to Taipa; 438 rooms, with doubles from $147.
Pousada de Sao Tiago, Avenida da Republica, Fortaleza de Sao Tiago da Barra; 78111. A centuries-old renovated fortress full of atmosphere; 23 rooms, doubles from $192.
Hotel Lisboa, Avenida da Amizade; 577666. 750 rooms. A big, modern hotel; doubles from $95.
Macao Casino, in the Lisboa Hotel, Avenida da Amizade. The largest casino in Macao, open 24 hours.
Floating Casino, Rua das Lorchas. On a boat on the inner harbor.
Jai Alai Casino, Palacio de Pelota Basca, Porto Exterior. On the outer harbor near the ferry terminal. Open 24 hours.
These are some of Macao's better restaurants. Prices include 10 percent government and 5 percent service taxes.
Fat Siu Lau, 64 Rua da Felicidade; 573585. Portuguese dishes from $7. Dynasty, the Mandarin Oriental Hotel, Avenida da Amizade; 567888. Mandarin Chinese dishes, with dim sum from $3.50, main courses from $13. The Grill, at the Mandarin Oriental Hotel. International cuisine, with soups from $4, main courses from $23. At the Cafe Girasol in the same hotel, the menu is an eclectic mix; all-you-can-eat Sunday brunch is $15. Grill Fortaleza, Pousada de Sao Tiago, Avenida da Republica, Fortaleza de Sao Tiago da Barra; 78111. Portuguese dishes from $15.
Macao Government Tourist Office, 1 Travessa do Paiva

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

It's Countdown Time for Macao: 1ª parte

Na edição de 16 de Setembro de 1990 o New York Times publica um artigo intitulado "It's Countdown Time for Macao" da autoria de Robert Elegant. É um excelente resumo do que era o território quase a entrar na última década do século 20. Faltavam 9 anos para a transferência de soberania de Portugal para a China.

Knowing that both are doomed to extinction - at least in their present form - tiny Portuguese Macao is making a determined bid to take over Hong Kong's luster as a tourist mecca, particularly after the last two remaining foreign-ruled territories in China return to Beijing's rule, before the end of this century. There is a chance, albeit a remote chance, that Macao may succeed.
Hong Kong has attracted tourists first as a shopping paradise and second as the gateway to China. But prices are now high, and travel to China has shrunk to a tenth of its volume before the atrocity in Tiananmen Square in June 1989. Otherwise, Hong Kong is a concrete, steel and mirror jungle of towering buildings, hardly the languorous paradise travelers expect in the subtropics.
Macao is not eschewing the high-rises - which include hotels that rival Hong Kong's. But it is also developing the resorts Hong Kong has never succeeded in featuring. An international airport - after 54 years with no international flights, indeed no airport at all - is designed to gain traffic and feed the resorts rising on the territory's two offshore islands, Taipa and Coloane. The airport is to open in 1993.
Besides, Macao will, Beijing willing, continue to offer the two traditional diversions that attract tourists from new rich Asian countries: gambling and girls. Although its immediate postwar abandon has diminished, Macao is still a city of sin.
In the minute Portuguese enclave on the southern edge of China, the past, however, is more important than the present or, perhaps, the future.
Minuscule Macao, which was taken by Portugal in 1557, was not merely the first European colony in China. It was Europe's and, later, America's first gateway to East Asia: Japan and Taiwan, as well as China itself.
Macao is also to be the last foreign colony in China. It will revert to Beijing's control in 1999, two years after Hong Kong does. Macao's glories are in the past. But what glories they were. In the 16th century, St. Francis Xavier, the Apostle to the East, made his epic voyages from Macao. In the 17th century, Portuguese battalions marched north from the colony to help the Ming Dynasty fight the invading Manchus - in vain. A few concrete remnants of the grandeur are still visible: the Monte Fort, whose guns drove off the Dutch invasion of 1522, and the grotto where Luis Cameoes, Portugal's national poet, is reputed to have worked on his epic poem, ''The Lusiad.'' The inevitable museums are a little threadbare and a little sad.
Amid the growth of modern high-rises, it is very hard to recreate in my mind the squalid, yet mysterious, tangle of lanes and alleys through which I followed George at a discreet distance on my early visits to Macao. George, a raffish Macanese, knew every opium dive and gambling joint in the colony. Opium was illegal, yet officially tolerated. Gambling was not only legal, but officially encouraged as well.
Forty years ago, when I first saw Macao, it had already been obsolete for a century. The emergence of energetic, pushy British Hong Kong had reduced it to a lethargic and charming backwater. Hardly seven square miles in all, it has always looked like a second-rank Mediterranean fishing port, rather than an imperial outpost.
Having during World War II won its reputation as ''the Lisbon of the Orient,'' a hive of intrigue and sin, Macao clung zealously to its evil ways. Its chief source of revenue was gold smuggling, its second gambling or, sometimes, the other way round.
Gamblers have long come to Macao, and their numbers are still increasing. More than six million visitors will enter Macao this year -an overwhelming number for a territory with less than half a million residents. Of these, 4.5 million will come from Hong Kong. Of the remaining 1.5 million, about a third will come from Japan, Korea and Taiwan, demonstrating the growing trend toward intra-Asian tourism.
In the 1950's, Macao also profited from general smuggling: refugees from China into Hong Kong and embargoed goods from Hong Kong into China. More prosaically, its chief manufactures were matches and firecrackers.
The second Macao International Fireworks Contest will be held from Sept. 27 to Oct. 5, lighting up the sky over the Praia Grande, the waterfront esplanade, with cascades of light that silhouette the heroic equestrian statue of Joao Ferreira do Amaral, the most tumultuous and colorful of the Portuguese governors who ruled the territory. Winners of the first contest were Japanese, Portuguese and Chinese factories; presaging the territory's eclipse, Macao fireworks have been driven out of the market by Chinese cheap labor.
Yet a century and a half of decline has now been arrested - temporarily perhaps. Macao is frenziedly building and expanding. Yellow construction cranes bob busily over new high-rises and over the beaches of its still bucolic outer islands as it prepares to be a fitting bride - or sacrifice - to China in 1999.
Among other baubles to please its new master, Macao is building an international airport. It will possess two complete sets of immigration and customs checks: one for passengers coming to Macao, the other for those going directly to China. It is a well-thought-out design to entice Asian travelers to come to Macao on direct flights, bypassing crowded Hong Kong.
Aside from those renewed ambitions and the end of gold trafficking (which became pointless after Richard Nixon let the price of gold float freely in 1971), the essentials of Macao are unchanged. The chief sources of income - and amusement - are still gambling and girls.
''The big spenders come down from Taiwan or Japan and take the presidential suites, which can cost as much as $2,000 a night,'' a concierge in a glossy hotel explained. ''But they're never in those suites. They're always in the casinos, which're open 24 hours a day.''
The symbol on its publications reaffirms Macao's continuity with the past. Not, however, the continuity of sin, but the continuity of piety. For its services in propagating the faith in the Far East, Macao was centuries ago honored with the title, ''The Holy City of the Name of God.''
Its symbol today is the Church of St. Paul, which was built in the early 17th century by the Society of Jesus. Striking out from Macao, the Jesuits were the first Europeans to penetrate Ming Dynasty China. Today only the five-story-high facade of their church remains. The facade of St. Paul's, the building stripped away by fire, has watched over Macao in much its present form since the year 1635. It impresses today with its power, as well as its sanctity, as it did then. Beneath the cross on the peak, four tiers of niches are filled with statues cast in bronze by the first cannon foundry in Asia.
The monumental flight of stairs leading down from St. Paul's is now used chiefly by tourists. At its foot lies a small plaza fringed with curio shops.
Lean Japanese marching behind triangular pennants and well-nourished Americans in baseball caps are, however, not noticeably drawn by the rather new antiques. Yet shops in the old quarters, as well, remarkably, as some of the hotels, still offer interesting, though not particularly valuable artifacts: porcelain made for export in past centuries, handicrafts of both Chinese and Indian origin, and, quite recently, Han and Ming Dynasty objets d'art newly looted from old tombs and allowed to leave the country by corrupt officials.
In the bright dawns of the 1950's, the first sight from the decks of the night ferry that took more than six hours to traverse the 40 miles from Hong Kong was of dark-green hillsides studded with villas painted pastel pinks, greens and blues. A Mediterranean port dominated by the bishop's palace looked down on the muddy Pearl River flowing intact for many miles through the white-capped South China Sea.
Today visitors peer through the spray-spattered windows of a jetfoil, which takes less than an hour from Hong Kong, or a hydrofoil, which takes an hour and a quarter. During their swift passages no one can stand on deck. (continua)

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Gamboa: rua, travessa e calçada

António José de Gamboa nasceu em Lisboa a 26 de Agosto de 1754. Foi para Macau cerca de 1775, onde se estabeleceu no comércio de algodão e ópio. 
Por volta de 1790 era considerado um dos homens mais ricos do território, uma fortuna com origem nos negócios, especialmente o ópio* que transportava em navios próprios. 
Foi Procurador do Leal Senado entre 1793 e 1795 e irmão da Santa Casa da Misericórdia, eleito a 1 de Novembro de 1795. 
Casou três vezes e teve três filhos. 
Não se conhece a data exacta da morte que terá ocorrido entre o final de 1795 e o início de 1797.
Em Macau existe uma rua (na foto), uma calçada e uma travessa com o seu nome.

*Na época o comércio do ópio era ilegal mas tolerado pelas autoridades. Para além dos portugueses, também existiam comerciantes chineses, macaenses e ingleses.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Selo de verba

O selo de verba (tal como o papel selado, as estampilhas e os selos fiscais) foi umas das formas utilizadas pelo Estado, neste caso a Província de Macau, na cobrança do imposto de selo, sobre os bilhetes dos cinemas, teatros, concertos, exposições e outras diversões. Na imagem o carimbo do "selo de verba" no verso de um bilhete do cinema Apollo.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

"Paris-Tokio via Moçambique" (1936), de Guerra Maio

Livro de Guerra Maio editado em 1936 com um capítulo dedicado a Macau

José da Guerra Maio foi jornalista no Comércio do Porto, Diário de Lisboa e na Gazeta dos Caminhos de Ferro, posição que deixou para ir dirigir a Agência de Turismo, em Paris, da Sociedade de Propaganda de Portugal.
Em 1922, foi nomeado 2.º delegado da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta. Entre as décadas de 1930 e 1950 foi secretário na delegação de Paris da Câmara Portuguesa do Comércio. Deixou escritos alguns livros, entre eles este "Paris-Tokio via Moçambique" editado em 1936. Morreu a 10 de Junho de 1967.
O livro de 238 páginas recorda uma viagem de seis meses à volta do mundo mas que inicialmente estava para ser apenas entre Portugal e Moçambique. A partida de Lisboa ocorreu em Outubro de 1933.
Guerra Maio, tal como a maior parte dos turistas da época, viajou de barco até Macau. Nos guias turísticos desta época Macau era assim descrita: "All guide books to China agree that a visit to Macao should be included in any tour of South China. The reason is clear for in Macao one finds a new atmosphere, 'the spell of southern Europe', of the sunny mediterranean. (...) Its natural beauty and the quaint buildingd are another attraction, while its equable climate, the comparatively moderate cost of living with its security and confort combine to make Macao an ideal place for a quiet holiday."
A viagem ao "império colonial" de Guerra Maio tinha por objectivo inicial visitar apenas as colónias portuguesas da África oriental e ocidental e foi feita por vários jornalistas e cineastas franceses. Guerra Maio comandava as operações enquanto secretário da Câmara de Comércio de Portugal em Paris.
A partida ocorreu em Lisboa em Outubro de 1933 tendo o grupo de jornalistas recebido a visita a bordo do "Moçambique" do Ministro das Colónias. No final da viagem a maioria dos jornalistas regressou a Lisboa a bordo do vapor Quanza a partir de Lourenço Marques, "mas Christian de Caters e eu resolvemos levar mais longe a nossa curiosidade, visitando a Índia e foi tal a impressão que nos fez aquela nossa colónia que resolvemos conhecer Macau - e depois dali ao Japão, a viagem já não era um interesse mas uma necessidade".
Sobre Macau, Guerra Maio reservou as páginas 147 a 156. A estadia era para ser de apenas 48 horas mas prolongou-se por oito dias.
"O "Cont Verde" em que acabo de embarcar em Bombaim para Macau"  é o navio italiano que o leva até Hong Kong onde à chegada avista um navio da carreira local com bandeira portuguesa, o Wing Wo (imagens abaixo). 
Já em Macau é recebido no cais do Porto Interior pelo ajudante de campo do governador, o capitão Cruz Ribeiro e o chefe dos serviços económicos, Pedro Lobo.

Em Macau Guerra Maio tem encontros com diversas personalidades, incluindo o governador Bernardes de Miranda, que ocupava o cargo há pouco mais de um ano. A conversa é reproduzida quase na íntegra no livro. Falam das condições de vida da população (construção de bairros sociais e abastecimento de água), das grandes obras (aterros da Praia Grande e porto exterior, do caminho de ferro que ficou pelo caminho e da estrada até Cantão)...
Guerra Maio regista ainda ter testemunhado a celebração de um casamento chinês, do que Macau tem para oferecer aos turistas, nomeadamente das corridas de cavalos e galgos), de um jantar de comida chinesa e de uma ida ao teatro (auto china)
Depois da visita a Macau, dá-se o regresso a Hong Kong onde Guerra Maio não se encontra com o cônsul de Portugal (Sr. Rosa) porque está doente mas na companhia do chanceler (Sr. Soares) fica a par das instituições portuguesas de renome como o Club de Recreio e da vida da comunidade lusa que ronda as mil almas. A viagem até ao Japão é feia a bordo do Asama Marú, da N.Y.K., cuja primeira escala foi Shangai. Do Japão seguiu para o Canadá (Vancouver). Daí prosseguiu em comboio (Canadian Pacific) seguindo depois até Nova Iorque a bordo do Bremen. Daí atravessa o Atlântico rumo a Paris na parte final da viagem que o leva de volta a Portugal.
Ao todo, a viagem durou cerca de seis meses. Começou a bordo do navio "Moçambique". Teve paragens em S. Tomé, Angola, Rodésia, Zambézia, Moçambique, África do Sul, Goa, Índia, Macau, Japão, Canadá, EUA e França. De Paris rumou até Portugal de comboio (Atlântico Expresso). De todos os locais por onde passou, confessa no livro que "a mais poderosa impressão" que guardou foi a visita a Macau.