quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Bateria rasante 1º de Dezembro

Ca. 1910
A primitiva fortaleza de S. Francisco tinha um plano irregular, a fim de seguir os contornos da base de apoio onde estava localizada. A fortaleza sofreu alterações depois de 1775, e a mesma posteriormente edificada em 1864 tinha uma forma mais regular. Em 1872 foi desenvolvida uma fortificação costeira situada abaixo da fortaleza de S. Francisco, designada por Bateria 1.º de Dezembro, para controlar, assim, tanto a navegação entre Macau e a Taipa, como a aproximação do Porto Interior. O nome advém de ter sido nesse dia que se iniciou a construção. Fez-se também uma ligação subterrânea entre a fortaleza e a bateria. Tudo isto desapareceu nos primeiros aterros da Praia Grande na década de 1920. Ficou o muro junto ao quartel de S. Francisco que ainda hoje pode ser visto.
Ca. 1880/90


Adolfo Loureiro, no livro No Oriente, de Nápoles à China, escreve assim um testemunho da época: 19 de Setembro de 1883 - "(...) Empreguei o dia em diligências para activar os estudos, e depois de jantar dirigi-me a pé à bateria 1º de Dezembro, fortaleza que foi construída e artilhada pelo visconde de S. Januário com duas ou três Krupps que varrem ao lume de água a passagem entre Macau e a Ilha da Taipa. Goza-se dali uma vista esplêndida. Para um lado a costa recortada de restingas e rochedos graníticos; para o outro a graciosa curva da Praia Grande a terminar na Fortaleza do Bom Porto, ou Bom Parto, e, ao longe, a fechar o horizonte, uma série de ilhas, apresentando um perfil dentelado e pitoresco. A formosa enseada e todo o mar, onde cruzam numerosas lanchas chinesas iluminadas pela luz avermelhada do sol poente, rematam o harmonioso quadro."
Mais detalhes aqui






terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Emissão de selos: 1898


 


O primeiro selo postal comemorativo foi emitido em 1898 - há 120 anos - com aquando das comemorações dos 400 anos da Viagem de Vasco da Gama, mostra as datas 1498-1898 e a caravela...


Este postal é precisamente de Abril de 1898 e quem o escreveu - de Macau para o Canadá - faz referência ao 4º centenário do caminho marítimo pela a Índia por Vasco da Gama. 


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Farol da Guia na imprensa estrangeira: 1865

Guia Lighthouse, dating from 1865, is the first modern western style lighthouse on the Chinese coast. Some news about that in December 1865 on foreign newspapers: Edinburgh Gazette e London Gazette.
Construído em 1865, o Farol da Guia é o primeiro farol moderno e de estilo ocidental na costa chinesa. Notícias sobre o início do funcionamento do Farol da Guia em dois jornais estrangeiros: Edinburgh Gazette e London Gazette.


"Edinburgh Gazette", 22 de Dezembro de 1865

Notice to Mariners. (No. 68.) China - South Coast. 
Revolving Light at Fort Guia, Macao. 
Information has been received at the Admiralty, that the Portuguese Government have established a light at Fort Guia, on the peninsula of Macao, south coast of China. The light is a revolving white light, placed at an elevation of about 330 feet above the mean level of the sea,.and in clear weather should be seen from a distance of 20 miles. The tower stands in about, lat. 22º 12'N., long. 113° 33' 30" east of Greenwich.
By command of their Lordships, Geo. Henry 'Richards, Hydrographer. Hydrographic.Office, Admiralty, London, 7th December, 1865.
This notice affects the following Admiralty' Charts: - China, General, No. 1262; Sheets, 1, 3; 4, Nos. 2212, 2660, 2661; Canton River, Sheet 5, No. 1739; Macao, No. 1290; Hainan Island to Macao, No. 1246: Canton River and Western Branches, No. 2563; and China Sea Index. No. 1270.

in "The London Gazette", 19 de Dezembro de 1865.

domingo, 9 de dezembro de 2018

"Annuncios": 10 Dezembro 1863

"Annuncios" publicado no Ta-Ssi-Yang-Kuo: semanario macaense d'interesses publicos locaes, litterario e noticioso, de 10 de Dezembro de 1863, edição nº 10 no primeiro ano da publicação. 

A tradução literal do título Ta-Ssi-Yang-Kuo é: "Grande Reino do Mar do Oeste". 
O primeiro número deste jornal publicou-se a 8 de Outubro de 1863. 
O fundador foi José Gabriel Fernandes, natural de Goa, e o director, António Feliciano Marques Pereira. 
Figuraram como redactores, entre outros, António Feliciano Marques Pereira, José Gabriel Fernandes, Pereira Rodrigues, Castro Sampaio, Osório Cabral de Albuquerque e José da Silva e Meireles de Távora.
Após 134 números o jornal cessou a actividade no final de Abril de 1866.

PS: O filho de António Feliciano Marques Pereira, João Feliciano Marques Pereira, inspirado neste mesmo título, viria a publicar com dedicatória à memória do seu pai, a revista “Ta-Ssi-Yang-Kuo, em 1899-1900.
J. da Silva era o editor em 1863 do jornal impresso na Travessa do Governador, nº 2
(clicar nas imagem para ver em tamanho maior)

sábado, 8 de dezembro de 2018

"Macau Antigo" em desenhos de Rita Figueira Pereira



Mais uma forma de assinalar o 10º aniversário do blogue Macau Antigo com agradecimentos à Rita Figueira Pereira.
Trabalho da autoria de Rita Figueira Pereira a quem pedi para a partir de fotos com motivos de Macau aplicar a sua arte e engenho... 
"Geralmente desenho com uma caneta ou com um pincel, à vista, normalmente ao vivo, nunca o faço por fotos, pois gosto de ter as três dimensões. Depois pinto com umas canetas de feltro e por vezes (não o faço a todos) passo-os no computador num programa que mistura as cores."

 Casas-Museu da Taipa

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Calendário Brasões dos Concelhos de Portugal

Calendário muito peculiar editado em Portugal em 1987 pela Edições Cromogal - Cromos Desportivos e Culturais Lda. 
Trata-se de um exemplar da colecção "Brasões dos Concelhos de Portugal" (total de 307). O 'concelho de Macau surge inserido na "Província" de Macau. Da colecção faz ainda parte um outro 'cromo' relativo a Taipa e Coloane.
Quanto a Macau, fica-se a saber que a população é de 343 mil habitantes, algumas atracções turísticas* (Ermida da Penha, Ruínas de S. Paulo, Igreja de Santo Agostinho, Leal Senado, Palácio do Governo, Fortalezas da Barra e do Monte, Portas do Cerco, Museu, Gruta e Jardim de Camões, diversos templos chineses, floating casino), o dia feriado (24 de Junho), o nº de freguesias (5), a área ocupada pela cidade (cerca de 5 Km2) e que o orago (patrono/padroeiro) é Santo António.
O brasão apresentado é do Leal Senado. (ver 
* curiosamente não se referem outras igrejas nem, por exemplo, a Fortaleza e Ermida da Guia.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Le Dragon Blessé / The Wounded Dragon


"Le Dragon Blessé: Impressions de voyage en Extrême-Orient" é um livro de 1936 da autoria de Francis de Croisset (1877-1937), um belga naturalizado francês que visitou a China, o Japão e Macau em 1934.
O livro teve uma edição em inglês com o título The Wounded Dragon. Neste relato de viagem o autor regista as suas impressões sobre uma viagem ao Oriente tendo visitado, entre outras, as cidades de Cantão, Nankin, Shangai, Pequim, Japão e Macau.
Do índice fazem parte: "Canton - Macao - Shanghai - Nankin - Impressions de Mandchukuo - Hsin King - Traversee du Japon". 
Macau é descrito pelo autor como "Un Monte-Carlo d'Extrême-Orient" e "la Babylone de tous les plaisirs". Ao todo são dedicadas 10 páginas ao território sobre uma estadia de fim de semana "Macau en effet, m'enchante. Ces't une ahurissante et charmante petite ville", confessa o autor que não deixa de registar que "tout le monde joue a Macao". O jogo e as diversões nocturnas encantam Francis que uma noite fica até às 6 da manhã num salão de diversões a ouvir uma banda de filipinos a tocar blues...Francis diz que a sua cicerone no território foi uma macaense de apelido Fonseca, professora que falava quatro línguas.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Macau no Museu dos Fósforos de Tomar: 2ª parte

As sete salas do Museu dos Fósforos em Tomar 'estão divididas' por países e podem encontrar-se praticamente todos os temas: história, política e literatura mundiais, música, arte, ciência, tecnologia, desporto, religião, etc... 
O museu continua ampliando o seu acervo com a compra de novas caixas e também com recurso a doações. Actualmente, possui mais de 80.000 objetos, caixas, cartazes e rótulos de fósforos. Estima-se que o total de fósforos ronde os 2 milhões...
A vitrina dedicada a Macau situa-se logo numa das primeiras salas. Ao todo são cerca de 200 caixas de fósforos - de vários tamanhos - em exposição.
É curioso verificar que em termos de nomes escolhidos - portugueses, ingleses e chineses) para as marcas de caixas de fósforos há de tudo a um pouco; desde personagens do cinema (Superman, Mickey...), templos (Ma Kok Miu), monumentos (Ruínas de S. Paulo), Animais (dove, ram...), cultura chinesa (double eight, 77, 66...)
Marcas: Ace, OK, Hero, Rose, Três Flores, Happy, Joker, Mickey, Lighthouse, Zebra, Double Circle, Monumento, 77, Double Eight, 66, Four Aces, The Spoon, ABC, KK, Mermaid, Victory, Three Deer, Superman, The Doll, Borboleta, Visitor, Touro, Lucky, Grasshopper, Sputnik, Ma Kok Miu, Five Rams, Three Arrows, Dog, Triangle, Dove, Red Leaf, Motorcar, Pals, etc...
Marcas para exportação:
Palladium, Moçambicanos, Casa Mussane, Tam Tam, ZAH, Salvado, Happy Beira, Pamelo, GDLM Grupo Desportivo Lourenço Marques, Silva, JFS, Mata-Bicho, Justiça, etc...
São pelo menos seis o número de fábricas de fósforos que existiram em Macau:
1. Tai Kwong
2. Hong Kong Match Factory (Macau) Ltd
3. Heong Kong Tung Kei
4. Cheong Ming/Meng
5. Man Koc
6. Tung Heng/Hing
Para além do mercado interno, as caixas de fósforos produzidas em Macau destinavam-se também à exportação, sobretudo para Hong Kong, China, Filipinas, Tailândia, Singapura e, à época, as colónias portuguesas de Angola e Moçambique.
Sugestões de leitura: 
- "Catálogo das etiquetas de caixas de fósforos de Macau" de Rui de Matos e tradução de Shao Hengzhang. Porto, 1999.
- Catálogo da exposição (Esplendor Centenário) de rótulos de caixas de fósforos antigas realizada nas Casas Museu da Taipa de 30 Dezembro 2005 a 26  Fevereiro 2006. Este catálogo foi editado pelos Serviços Culturais e Recreativos do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. A exposição apresentava mais de 1000 exemplares de rótulos de caixas de fósforos produzidos na China (do final da Dinastia Qing até ao advento da República) e rótulos das caixas de fósforos produzidos em Macau das décadas de 20 à 50 do século XX.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Macau no Museu dos Fósforos de Tomar: 1ª parte

Está localizada em Tomar, no Convento de S. Francisco, uma das maiores colecções mundiais de fósforos. O feito deve-se a Aquiles da Mota Lima, um tomarense que começou a sua colecção pessoal em 1953 durante uma visita a Inglaterra para assistir à coroação da rainha Isabel II.
Nessa viagem foi ainda à Holanda, Bélgica, França e Espanha, países de onde trouxe inúmeros exemplares. Na ida para Inglaterra conheceu uma senhora norte-americana que já fazia colecção e pediu-lhe que comprasse todas as caixas bonitas que encontrasse.

Aquiles dedicou-se ao estudo e colecção de caixas e carteiras de fósforos tornando-se um reputado filumenista (do grego phílos, «amigo»+latim lumen, «luz; lume»)
Nos primeiros tempos começou por guardar os fósforos numa garagem. Mais tarde mandou construir na sua propriedade um edifício com 17×5,5 metros à prova de fogo. A colecção já contava com 113 expositores.
Esta aventura durou perto de 30 anos até que todo o acervo foi doado à cidade de Tomar em 1980 para em troca ser construído um museu. Aquiles morreria em 1984 sem o museu inaugurado.
A sua filha Maria Helena - tinha 26 anos quando o pai iniciou a colecção - foi desde a morte do pai a guardiã dos milhares de items e continua a ser. Na minha visita ao museu, em Outubro de 2018 tive o privilégio de a encontrar e trocamos algumas palavras. Mal lhe falei em Macau, depressa retorquiu, "segunda sala do lado direito." Prometi doar os que tivesse por casa e não encontrasse nos expositores.
Em Março de 1989 o museu foi finalmente aberto ao público no Convento de São Francisco com 43 mil caixas e 16 mil etiquetas de fósforos de 127 países, tudo organizado pela filha de Aquiles. As mais antigas datam do início do século 19. (continua)
A primeira peça da colecção
In Portugal, there is a museum full of matchboxes, it's called the Museu dos Fósforos. It’s a magnificent collection started by Aquiles da Mota Lima in 1953. It has a total of more than 43,000 matchboxes from 127 countrys.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O título "Leal" do Senado

Só em 1810 o Senado passou a usar o título de "Leal" atribuído pelo Príncipe Regente D. João VI. Em cima, a Carta Régia  escrita a 13 de Maio de 1810 no Rio de Janeiro. 

domingo, 2 de dezembro de 2018

Anúncio de pintor: 1863

Em 1863 o pintor Ly-Chim anunciava nas páginas do Boletim do Governo que estava disponível para pintar retratos, navios e paisagens. Para isso deveriam contactá-lo na rua de Santa Cruz.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Vencedores do passatempo 10º aniversário "Macau Antigo"


Estes sãos os leitores - apresentação de forma aleatória - do blogue Macau Antigo que vão receber em casa um livro na sequência da participação no passatempo alusivo ao 10º aniversário deste projecto. Parabéns!
“Um blogue muito bom que nos esclarece muito bem sobre esta nossa antiga colónia com todos os pormenores. “
Isabel Maria Ribeiro Fernandes
Azambuja

“O blogue Macau Antigo disponibiliza um acervo extraordinário que a todos enriquece e maravilha e, por isso, merece os maiores elogios e parabéns.”
Alexandra Paula Soares Correia Fernandes Guimarães
Cascais

“Blogue Macau Antigo, a antiguidade de Macau, um registo para a posteridade!”
Júlio Pereira Proença
Foz do Arelho

“Os meus cumprimentos pelo seu incansável trabalho e pesquisa sobre as muitas facetas do Macau antigo para conhecimento das gerações futuras, assim como aos curiosos ou estudiosos dos nossos dias. Bem haja!”
Ambrósio Tang
Macau

“Gosto pois dá a conhecer uma cultura, que não nos deixa indiferentes. Parabéns.”

Maria da Graça Águas
Pera

"Macau Antigo: tão constante no presente de Macau".
Célia Reis
Torres Vedras

"É sempre com muito gosto e curiosidade que recebo cada post do blogue Macau Antigo. Conheço e enriqueço os meus conhecimentos sobre um território único e diferente dos demais, uma simbiose entre Portugal e a China, entre Oriente e Ocidente, que esperemos perdure por outros tantos séculos. O blogue Macau Antigo é uma dessas ligações que tenho a Macau, que apesar de ainda não ter visitado me fascina desde sempre."
Marco Paulo Dias Luís
Torres Vedras

“Visitar o blogue "Macau antigo" é como ir um museu sobre a história :)”
Angela Viegas
Almancil

“Tive o privilégio de viver em Macau durante uma década, de ver os ainda vivos vestígios da sua particular cultura e modo de viver, tive também o privilégio de falar com os “antigos” que encarnavam essa mesma cultura. Actualmente visitar Macau é doloroso. O “ Macau Antigo” desempenha um papel insubstituível na preservação dessa memória tão preciosa, e tão inexplicavelmente ignorada por Portugal e aparentemente incompreendida pela China. Pela memória também se vive, e quanto mais cuidada, mais vívida será.”
João Pedro Vale Teixeira
Lisboa

"Macau Antigo: há 10 anos a manter viva a História de Macau"
Pedro Caeiro
Macau

“Visito este blog não há muito tempo; interessou-me porque o meu pai passou a sua juventude em Macau (1935-47) e eu passei a minha a ouvir algumas das histórias lá vividas... Através do blog tive conhecimento do livro "Macau - os anos da guerra" (que adquiri e gostei de ler, especialmente por corresponder ao período em que essas histórias que eu ouvi se passaram). Uma frase sobre este blog? Nada a dizer!... A sua qualidade e o seu interesse são indiscutíveis (os seus 10 anos de existência atestam isso mesmo). Interesse não apenas para quem "gosta" de Macau mas também para quem "gosta" de história(s). Espero que tenha o tempo e a energia necessários para continuar a partilhar a(s) história(s) de e sobre Macau, que, estou certa, ainda há muitas mais para contar. Obrigada por partilhar.”
Margarida Poças
Reguengo do Fetal

"Macau Antigo, um blogue que é uma referência sobre Macau.”
Arnaldo António Teixeira de Oliveira Santos
Santo Tirso

"Queria aproveitar para dar os parabéns pelo blogue que eu sigo desde praticamente o início e que me faz admirar a sua dedicação e o seu compromisso neste trabalho tão bem conseguido e completo! Como um macaense, tenho de lhe agradecer! Espero que continue por muito mais tempo esta excelente obra, que é bastante reconfortante para macaenses como eu que vive fora de Macau, neste caso em concreto em Portugal."
Roberto Maher Chau
Maia

“Macau antigo, o lugar que nos trás a história e memórias desta, para muitos ainda, nossa terra.”
João André Sequeira
Macau

"Macau Antigo há 10 anos a contar a história de Macau na blogosfera.”
Octávio Gordo
Macau 

"Mgoi sai!"
Catarina Cadavez
Lisboa

“Uma fonte viva: segura, inesgotável e indispensável para a história de Macau... uma louvável e abnegada partilha de conhecimento e saber...”
Margarida Cunha
Macau

“Uma plataforma de referência na divulgação das tradições e património de Macau e que tem contribuído muito positivamente para a preservação das memórias do quotidiano, do conhecimento do que foi e do que é Macau, sem o qual dificilmente se constrói um presente e um futuro com respeito pela identidade e costumes da terra e das suas gentes.”
Nuno da Motta Veiga Carvalho Alves
Macau

“Parabéns! Dez anos não é nada fácil e obrigado pela contribuição no estudo da história de Macau. Sou um chinês de Macau, com a língua materna chinesa. Adoro a história de Macau e por causa disso eu iniciar a aprender português. Estou feliz que este blogue presta um bom meio para eu aprender e conhecer, quer o português quer a história de Macau. “
Ka Seng Sin
Macau

“Parabéns pelos 10 anos! Mais dez esperam por você a escrever e mostrar a história do presente na próxima década. Parabéns!"
Paulo Moreira
Macau

“Passados 30 anos tenho muitas saudades de Macau que vou colmatando com o blog.”
Maria Manuela Sá 
Odivelas

“O blog Macau Antigo é um baú de memórias, um verdadeiro Património Cultural. “
Manuel Magalhães
Reino Unido

“Macau Antigo um blogue com histórias por desvendar; Macau Antigo um blogue de história e cidadania; Macau Antigo: um blogue e as estórias por dentro da história da cidade.”
Maria José Freitas
Macau

“O blogue Macau Antigo faz-nos viajar a tempos idos e imaginar o que foi Macau e as suas gentes.”

Andreia Soares
Macau


“Conheço este blogue só recentemente quando eu pesquisei sobre a história de algumas igrejas de Macau. Que pena que não conhecia mais cedo. Gosto de ler o seu blogue e todas as histórias pequenas sobre Macau. Muito obrigada pela boa obra!"
Rebecca Ho

Macau

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Etiqueta de bagagem: 1964

Agências de Turismo de Macau
Macau Tours Agency Booking Center
Etiqueta de bagagem com o símbolo do Leal Senado
O título "Cidade do Nome de Deus de Macau, Não Há Outra Mais Leal", foi concedido pelo rei D. João IV, em 1654, depois de Portugal ter conseguido a restauração da sua independência (1 Dezembro de 1640), após 60 anos de domínio espanhol (1580-1640). Durante este período Macau manteve-se leal ao rei português, que na altura estava exilado no Brasil.
Na insígnia oficial estão as armas reais portuguesas coroadas, os emblemas das descobertas (esfera armilar e Cruz de Cristo) e dois anjos.

Estadia na (pensão) Vila Tai Yip, 1964


Propriedade do comendador Kou Ho Neng, a Tai Yip ficava situada na Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues. Tinha tinha 13 quartos duplos todos com ar condicionado, piscina e restaurante de comida portuguesa. Num anúncio desse ano de 1964 pode ler-se que “os preços são os mesmos para uma ou duas pessoas" e oscilavam entre as 50 e as 90 patacas.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Macau por Jean D'Albrey (1898)

"‎Du Tonkin au Havre - Chine - Japon - Iles Hawaii - Amérique‎" é um livro da autoria de Jean D'Albre, publicado em Paris em 1898.
Deste primeiro volume fazem parte as impressões de viagem por paragens tão diferentes como "Hong Kong, Canton, Macao, Japon, Iles Hawaii, Californie, San José, Los Angelès, Lousiane, Nouvelle-Orléans, Washington. New York, Niagara".
Da página 81 à 96 está Macau. À chegada ao território, oriundo de Cantão, Jean refere que a "primeira impressão" com que fica é "encantadora" de uma cidade que se apresenta como que um anfiteatro. Destaca o branco das casas "com persianas (janelas) verdes e telhados vermelhos ao longo da Praia Grande e ainda os fortes e as igrejas nos pontos mais altos. A perspectiva de quem, como ele, chega de barco... é que Macau exala "um ar de alegria revigorante".
Vejamos então o texto original...


"C'est donc aprés avoir cinglé droit au Sud pendant six à sept heures qu'on commence à percevoir à droite du bateau la côte orientale de la petite presqu'ile ou s'élève la colonie portugaise de Macao. La premiére impression est charmante. toute la ville est lá devant nous qui s'élève en amphithéatre. Entre les tons bleus de la mer e du ciel, le soleil fait joyeusemment flambayers dans une admirable netteté de détail, les blanches façades des maisons aus contrevents verts et aus tuiles rouges comme les aimait Rousseau. Au sommet de la croupe, des forts et des églises découpent leurs silhouettes dans l'espace. Au bord de l'eau, courent sur une longueur de deux kilométres les coquettes habitations d'un quait tout neuf. Toute la scéne respire un air de vivifiante gatté. (...)"


Jean D'Albrey fica hospedado no hotel "HingKee", "l'unique hotel de Macao (...) ansi nommé du nom de son proprietaire, un digne Chinois, est vaste et confortable, organisé sur le même pied que les hôtels de Hongkong. Journaus, salon, billards, piano, électricité, chambres bien tenues, lits irréprochables, bonne cuisine et prix modérés. Tout cela sans y être contraint par la concurrence. Cést vraiment méritoire." 

Este turista do final do século XIX fica impressionado com a festa da Imaculada Conceição - "tout Macao à cette heure est à la cathédrale oú dés lors je me rends en hâte" - e dedica vários parágrafos a descrever não só a procissão como também os cultos da religião católica profundamente enraízados na sociedade macaense.
Visita ainda as ruínas de S. Paulo: "Il ne reste en bon état de consérvation (...); derriére ce portique, ce ne sont plus que décombres et fragments de murs noircis entremêlés de ronces. Le couvent qui était auprés de l'église a aussi disparu. Il faut contempler ces ruines le soir, au clair de lune, quand elles se profilent en noir sur le ciel sombre, en haute de leur monticule, et que l'obscurité les amplifie". 

A visita a Macau não ficaria completa sem a passagem - obrigatória na época - pelo "Jardin de Camoens", recordando o autor a história do poeta maior das letras lusas e acrescentando a história da oferta de compra feita pela "mission française de Canton" mas que o governo de Macau recusou "et avec de raison", conclui.