quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Medalha Hawker Osprey III - Centro de Aviação Naval

Esta medalha em bronze evoca os anos de 1938-1942 em que os Hawker Osprey III marcaram presença no Oriente ao fazerem parte do Centro de Aviação Naval de Macau sendo transportados pelos NRP (navios) Afonso de Albuquerque e Bartolomeu Dias. (1935-1938). Antes existiram outros...
O Hawker (construído no Reino Unido pela Hawker Aircraft Ltd.) era um hidroavião monomotor (Rolls Royce) de flutuadores, ou avião terrestre de trem de aterragem convencional fixo, com patim de cauda, biplano, revestido a tela, com a parte anterior da fuselagem revestida a metal. A cabine era descoberta e dava lugar a uma tripulação composta por piloto e observador. Era destinado a missões de caça e reconhecimento.
Quando, nos primeiros anos da década de trinta, a Marinha de Guerra Portuguesa renovou a frota, adquiriu vários navios de guerra construídos em estaleiros britânicos, entre os quais os avisos de 1ª classe «Afonso de Albuquerque» e «Bartolomeu Dias», equipados com hidroaviões de combate e reconhecimento Hawker Osprey, que eram arriados e içados dos navios através de gruas.
Assim, foram encomendados dois Hawker Osprey Mk III em 1934. O primeiro foi recebido em Maio de 1935, fazendo parte do equipamento do navio «Afonso de Albuquerque» e o segundo em 1936, juntamente com o navio «Bartolomeu Dias». Receberam, respectivamente, os números 71 e 72. A guerra sino-japonesa levantou a necessidade da reactivação do Centro de Aviação Naval (CAN) de Macau que, em Maio de 1938, foi equipado com os dois Hawker Osprey mencionados acima e mais quatro adquiridos pelo Ministério das Colónias. Todos estes aviões - incluindo os ex-embarcados - receberam numeração própria do CAN de Macau, de 1 a 6.
No início de 1940, por acção directa do Comandante do CAN de Macau, foram adquiridos à Fleet Air Arm dois hidroaviões iguais, aumentando o efectivo para oito unidades. Tudo leva a crer que receberam os números 7 e 8 daquele CAN.
Os Hawker Osprey da Aviação Naval (A.N.) estavam inteiramente pintados em alumínio, com base dos flutuadores a preto. A insígnia da Cruz de Cristo, sobre círculo branco, estava colocada no extra-dorso das asas superiores e no intradorso das asas inferiores. As cores nacionais, com o escudo, cobriam todo o leme de direcção. Os números de matrícula estavam pintados em grandes algarismos pretos nos painéis laterais dos motores e ainda na cauda, sob os estabilizadores horizontais, embora em algarismos de pequenas dimensões. Quando ao serviço do CAN de Macau, apresentavam nos lados da fuselagem, imediatamente atrás do bordo de fuga das asas, a Cruz de Cristo sobre um quadrado branco. No leme de direcção, as cores nacionais não tinham o escudo sobreposto. Estas singularidades fugiam às normas adoptadas na época pela A.N.
Os Hawker Osprey foram retirados de serviço em 1941, provavelmente sem terem regressado à metrópole. Há quem refira que esses aviões foram destruídos pela aviação americana em 1941, num ataque que fizeram a Macau, julgando que o território estivesse ocupado pelos japoneses.
In "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX", da autoria de Adelino Cardoso, Ed. Essencial, Lisboa 2000.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Travessa dos Anjos

O troço foi baptizado como Travessa dos Anjos em 1869 e foi durante muito tempo zona de ricas mansões de comerciantes chineses abastados nomeadamente no nro. 37 a mansão Song com as suas características persianas horizontais.
 A Travessa dos Anjos junto à Rua do Campo: década 1970
Henrique de Senna Fernandes escreve a esta propósito no texto "Rua das Mariazinhas" publicado no livro Mong-Há pelo ICM em 1998, começando por recordar memórias da década de 1930
"(...) A Travessa dos Anjos que comunica directamente a Rua do Campo com a Rua de S. Domingos, era no meu tempo da Primária uma via típica de casario chinês, mas atapetada de calçada portuguesa. Paredes de tijolos cinzentos, portas de espaldar, casebres alternando-se com edificações de dois pisos, teia de vielas estreitas escoando para ela, muros cercando pátios interiores com outras tantas residências, formando verdadeiras ilhas que se isolavam, quando o portão se encerrava, às tantas da noite.
Como acontece ainda hoje, era um trilho movimentado e ideal para quem quisesse encurtar caminho. Os peões palmilhavam-no à vontade, embaraçados apenas pelos vendilhões ambulantes, o homem dos tin-tins e pelas aguadeiras de trança comprida que iam buscar água aos poços dos pátios. Uma ou outra lojeca mal amanhada quebrava a nota residencial. Casas de pasto não havia, pois a Rua de S. Domingos ficava mesmo à volta da esquina. A travessa era, em conjunto, um bocado de cidade chinesa encravado no coração da "cidade cristã".

Nalgumas portas, porém, velhinhas se sentavam, vendendo em tabuleiros rebuçados e achares chineses, amendoins e pevides de casca preta ou branca, tacos de cana-de-açúcar, cortados com mestria para serem iguais em comprimento. Eu tinha os meus tabuleiros favoritos. Um pelos achares, outro pelos tacos de cana-de-açúcar e outro pelos amendoins. As velhinhas conheciam-me. Tudo se pagava com cobres ou cens que pesavam incomodamente nas nossas algibeiras, cheirando mal. Uma moeda de prata de vinte avos tinha, pelo menos, vinte a trinta cobres ou pouco mais, conforme o câmbio do dia. A garotada só possuía cobres, uma moeda de prata era excepção e uma nota de uma pataca era sentir-se rei. (...)"

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Retratação pública no século XIX

Retratação pública do redactor e proprietário do jornal de Hong Kong "Daily Press" - Y. J. Murrow - publicada no Boletim do Governo

domingo, 18 de agosto de 2019

Foto-Legenda: Tap Seac ca. 1910

Perspectiva do Campo do Tap Seac na década de 1910, na altura tb conhecido por Campo Coronel Mesquita. Na foto-legenda mostra-se ainda o aspecto actual de alguns dos edifícios. Nota: clicar na imagem para ver em tamanho maior.

sábado, 17 de agosto de 2019

O declínio da indústria dos fósforos

Depois do período áureo das décadas de 1950 e 1960 a indústria da produção de fósforos começou a entrar em declínio no final da década de 1960. 
Vejam-se os valores obtidos com as exportações destes produtos Made In Macau entre 1969 e 1975. 
No blog existem inúmeros posts sobre o tema. Basta utilizar o campo de pesquisa ou as etiquetas. 

1969 ……………………….$ 667 523,00
1970 ……………………….$ 483 800,00
1971 ……………………….$ 572 600,00
1972 ……………………….$ 332 150,00
1973 ……………………….$ 380 129,00
1974 ……………………….$   60,845,00
1975 ……………………….$     8 960,00

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Mil Patacas: 8 Agosto 1988

Sabia que em Lisboa existe o Beco das Mil Patacas? Mas não é disso que vou falar neste post. Estas Mil Patacas são notas. Um milhão e quinhentas mil para ser exacto.
A 8 de agosto de 1988, o Banco Nacional Ultramarino (de Macau) emitiu uma nota de 1000 patacas (imagem acima). Era e continua a ser o valor facial mais elevado das notas de Macau. Mas o que a tornou especial foi a conjugação de alguns factores considerados auspiciosos entre os chineses:
- o número oito em chinês (ba) é semelhante a palavra "enriquecer" (fa; 發), a data da emissão ocorre apenas uma vez em cada século.
Outro facto curioso foi a substituição do habitual brasão de armas de Portugal pelo logótipo do Banco Nacional Ultramarino.
Ficha técnica:
Impressa pela Thomas de La Rue, Gravadores - Londres, Entrada em circulação - 1988, Diplomas legais - Decreto-Lei n.º 68/88/M, de 08/08/1988. Boletim Oficial de Macau n.º 32, de 08/08/1988. Mais detalhes aqui.
Na transferência de soberania, a 20 de Dezembro de 1999, foi feita nova emissão deste valor. Imagem acima com um número de série também auspicioso.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

As 'sobrecargas"...

No mundo da filatelia a sobrecarga é entendida como a imagem ou legenda impressa sobre o selo, podendo ou não alterar a finalidade original da emissão. Nestes exemplos que seleccionei encontramos sobretudo a alteração dos valores faciais. Mas também há casos que reflectem a mudança de regime político, da monarquia para a república.




quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Ronda pelo Ultramar: Macau a Pérola do Oriente

Ronda pelo Ultramar - Macau, a Pérola do Oriente
Director: Nuno de Sousa e Castro Editor: Fernando Laidley
Propriedade: Edições Tapete Mágico - Junho 1961

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Macao en Taxi

Brochura publicada na década de 1990 em França - Macao en taxi - com um resumo da história de Macau e que, no essencial, se pode resumir assim:
"Macao est un petit territoire du sud de la Chine proche de Hong Kong qui était administré par le Portugal jusqu'en décembre 1999. Depuis la rétrocession à la Chine Macao est devenue une Région Administrative Spéciale (RAS) jouissant ainsi d'une grande autonomie et d'une législation particulière. Une des plus grandes particularités du territoire est que le jeu d'argent y est autorisé. Ainsi s'est organisé ces dernières décennies un immense business du jeu et les casinos de la ville attirent chaque année plus de 22 millions de visiteurs venus principalement de Chine et de Hong Kong.
Macao est alors connue pour être le "Las Vegas chinois" mais ça n'est pas là la seule particularité de la ville. Avec plus de 400 ans de présence dans la région les portugais ont laissés de nombreuses traces de leur passage dont le centre historique de Macao classé au patrimoine de l'Unesco."

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

O jetfoil "Madeira"

Os jetfoil sucederam aos hydrofoil nas ligações marítimas entre Macau e Hong Kong. O projecto teve início em 1974 e entrou em funcionamento em 1976 com o nome "929" referente ao projecto de embarcação movida a jacto de água para o transporte de passageiros desenvolvido pela Boeing. Literalmente pode ser traduzido por "voando sobre as águas".

Esta fotografia/postal mostra o Jetfoil "Madeira" (da Boeing) em Puget Sound (vendo-se ao fundo o Monte Rainier) em Seattle, Washington (EUA) durante os testes antes da entrega ao cliente final a 7 de Fevereiro de 1975, a Far East Hydrofoil de Hong Kong que operava as ligações marítima com Macau. 
O "Madeira" tinha como velocidade máxima os 45 nós (83km/h) e capacidade para transportar 284 passageiros. Ao contrário de outros entregues nesta altura (Flores, S. Jorge, Açores, por exemplo...), o "Madeira" não era em segunda mão. Foi construído de raiz pela Boeing Marine Systems in Renton, Washington, sendo mesmo o primeiro a ser entregue ao cliente da série produzida neste ano de estreia da empresa. Foi retirado do serviço em 2013 depois de um acidente. O "Santa Maria" foi o segundo jetfoil a chegar a Macau ainda em 1975.


Boeing Jetfoil "Madeira" being tested on Puget Sound prior to delivery in 1975 to Far East Hydrofoil of Hong Kong for the Hong Kong to Macau run. This Jetfoil was retired in 2013 after an accident.
The Jetfoil is an advanced design hydrofoil that employs fully submerged foils, automatic stabilization and control, and gas turbine powered waterjet propulsion to achieve high speed, rough sea operations. Introduction into regular passenger services during 1975 followed 7 months of extensive underway builders trials. 

domingo, 11 de agosto de 2019

Pátio (Páteo) do Godão

Este desenho de Thomas Watson (1815-1860) tem como legenda "José Maria's Go Down - Inner Harbour - Macao". Em português "godown" significa godão, palavra do crioulo português proveniente do termo malaio "gudang" que significa armazém, espaço amplo situado no piso térreo de uma habitação, como o desenho documenta. A lembrar esses tempos idos ficou o topónimo "Pátio do Godão" arruamento (só com uma entrada) que fica  junto à Rua do Almirante Sérgio, no Porto Interior.
Placa toponímica actual: foto de Nela Silva

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Troço da rua de António Basto

Pequeno troço da Rua de António Basto. À esquerda a Rua de Silva Mendes e à direita a Av. Sidónio Pais. Em cima na década de 1960 e em baixo no século XXI. Esta zona fica junto à Casa Memorial de Sun Iat Sen.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Macau por Manuel Antunes Amor


Manuel Antunes Amor (1881-1940), foi professor do ensino primário nas colónias portuguesas do Oriente e “cinegrafista” amador. Começou a filmar em Macau (1922) e depois na Índia portuguesa. Em 1924, de licença de férias em Portugal, apresentou o seu primeiro documentário do território em Lisboa e no Porto. Antes, em Maio de 1922, o mesmo filme tinha sido exibido no território (no cinematógrafo). O registo destinava-se à Exposição do Rio de Janeiro. Manuel Antunes Amor era na altura Inspector de Instrução Primária do Estado da Índia. Dessa passagem por Macau resultará ainda um artigo de Manuel Antunes Amor, publicado na “Ilustração Portugueza”, n.º 896, 1923, com várias fotografias do território e onde escreve:
“Quem não conhecer Macau de visu, não poderá fazer idéa das belezas naturais que ornam aquela nossa pérola do Extremo Oriente. Gozando duma prosperidade, hoje inegualada por qualquer outra das nossa colonias, mercê dos milhões de patacas auferidos pelo Estado, com os monopólios do fabrico do opio, do jogo do fan-tan, das loterias do san-pio e p´u-pio, do sal, etc (...) 
O seu segundo documentário é já do final da década de 1920 dando uma entrevista à revista Cinéfilo, publicada no nº 98, de 5 de Julho de 1930.
As imagens acima (Av. Almeida Ribeiro) são de um documentário (sem som) de 1935 intitulado "Macau cidade progressiva e monumental" com a duração de 6 minutos. Nas imagens podem ver-se Baía da Praia Grande, avenidas principais, riquexós, edifícios públicos e Leal Senado, Portas do Cerco, jogo do "Clu-Clu" pelo Ano Novo, jardins das Obras Públicas e Gruta de Camões, Porto Interior, movimento do Porto.
Sobre Macau Manuel Antunes Amor produziu e realizou os seguintes títulos: 
Macau (1924) e Macau (1928); Porto de Macau (1935); Macau - Aspectos Pitorescos (1935) e Macau - Cidade Progressiva e Monumental (1935).

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

George Vitalievich Smirnoff: 1903-1947


Smirnoff e a mulher
George Vitalievich Smirnoff, também conhecido como Yuri (nome russo para George) nasceu em Vladivostoque em 1903. Em plena revolução, aos 12 anos teve de fugir para Harbin, na Manchúria. Será aqui que estuda e se torna arquitecto. Com o avanço das tropas japonesas, Smirnoff, já casado, foge com a família para o Norte da China. Em Tsingtao trabalha como arquitecto tendo concebido mais de uma centena de projectos. Na altura a cidade era uma zona de veraneio e nos tempos livres Smirnoff entretém-se a pintar e chega a vender alguns quadros.
Em 1938 ele a família são novamente obrigados a fugir do avanço japonês e rumam até Hong Kong. Até que em Dezembro de 1941 a então colónia britânica é invadida pelos japoneses. Três anos mais tarde ele e a família partem para Macau, cidade já imensamente povoada de refugiados e onde reside no Páteo das Seis Casas. 
Os empregos são escassos e será a pintura a ter um papel chave para a sobrevivência naqueles anos difíceis. O arquitecto tornado pintor confidenciara certa vez ao seu velho amigo Padre Albert Cooney, que "não sabia o suficiente para ser bom, mas sabia já demais para ser mau". Quem repara nele e nas suas obras é Pedro Lobo (director dos Serviços de Economia) que via governo de Macau lhe encomenda uma série de 63 aguarelas sobre o território.
Palácio do Governo e Jardim Lou Lim Ioc
As obras, produzidas entre 1944 e 1945, passaram a fazer parte do espólio do então Museu Luís de Camões e actualmente estão no Museu de Arte de Macau., que lhe garantem a subsistência. Em Macau Smirnoff ainda se dedica a ensinar desenho e a fazer cenários para peças de teatro. A única exposição que ali fez data de 1945, no Colégio de S. Luís, na Rua da Praia Grande, juntamente com os seus alunos (o macaense Luís Demée, mais tarde pintor, foi um deles), pouco antes de regressar a Hong Kong onde a 6 de Fevereiro de 1947 se suicida. Está sepultado no cemitério de Happy Valley. Em Macau tem nome de rua.
Os chineses chama-se "Sam Pá Chai" ao Seminário de S. José em cima numa fotografia da década 1920 (acima) e em baixo uma aguarela de George Smirnoff na década 1940

George Vitalievich Smirnoff was born on 27 October 1903. Also known as Yuri (russian name for George). Born in 1903, in the coastal town of Vladivostock, in Siberia, he started his nomadic existence early. When he was barely twelve, the waves of the Russian Revolution hit his homeland and obliged him to flee to Harbin, in Manchuria.
During his adolescent years in Harbin, he proved to be an excellent student, winning a number of prizes helping to secure his entry to the Department of Architecture in the city's University. But the Japanese policy of territorial expansion included the invasion of Manchuria and the young architect, recently married, was compelled to flee once again, this time to Tsingtao, a summer resort north of Shanghai. Here he settled as an architect, responsible for drawing up projects and plans for two-hundred residences. Smirnoff took advantage of the seasonal architectural bustle of this small town; mainly happening during the four summer months, by spending the remaining months of the year painting. Naturally eclectic, he rapidly mastered the palette techniques with a talent which enabled him to sell some of his paintings and be encouraged in his endeavour.
But soon the conquering Japanese Army sweept China, and the Smirnoff family had to gather their belongings once again and move to Hong Kong where George got a job in a local architectural practice. In December 1941 they were trapped in the British colony by the rapid Japanese southern advance, only three years later managing to find refuge in Macao. But by then the city was swarming with refugees and jobs were scarce. This time, George Smirnoff's survival depended on his painting.
In Macao, he and his family lived at Páteo das Seis Casas (see photos). To earn Money he gave drawing classes and designed theatrical sets. In 1944 on behalf of the Government of Macao, Dr. Pedro Lobo placed with the artist an order for a series of watercolours depicting views of the colony, thus providing him with a steady revenue. Smirnoff produced a series of sixty-three urban landscapes, which presently belong to the heritage of the Museu Luís de Camões (Luís de Camões Museum). He exhibited for the first time in Macao, in December 1945 in the Colégio de S. Luís (St. Louis's College), in Praia Grande, in a joint show together with his apprentices. The Macanese Luís Demée who later became a painter, was one of them.
George Smirnoff died on 6th February 1947 and was buried at the Happy Valley Cemetery, Hong Kong.
Páteo das Seis Casas (Freguesia de S. Lourenço) in 1991 (above) and in 21st century

terça-feira, 6 de agosto de 2019

"Oldest European Colony In Asia and Its People"

Na página 7 da edição de 5 de Março de 1905 o jornal "The Times Dispatch", de Richmond, Virgina, nos EUA, publica um artigo intitulado "Oldest European Colony In Asia and Its People". Seguem-se alguns exertos:

By Alleyne Ireland, F.R.G.S., Author of "Tropical Colonisation," etc. 
When the visitor in Hongkong gots tired of the rush and hurry of that thriving excrescence of the China coast; when the constant firing of salutes in honor of the daily advent of warships grates on his nerves; (...) the wise manlunches at the Hongkong Club, takes a rickshaw down the water front to the wharf of the Hongkong, Canton & Macao Steamship Company and embarks on one of the comfortable boats which leave in the early afternoon and land you in Macao in time for dinner in the same evening. (...)
The trip from Hongkong to Macao occupies about four hours. (...) Macao is a city of dreams, offering to the curious visitor thw spectacale of ancient forts and churches, decayed ramparts and all the relics of past greatness. (...)
Macao dates back to the sixteenth century. Is the oldest European colony in Asia and in its ruined churches and forts the present day traveler sees the remains of a system of colonization in which the priest and the soldier wero tho guiding spirits, and the man of commerce merely an adjunct. (...)
Macao is a favourite resort of honeymooners; and the cyni may discern in a week's sojourn there every degree of Illusion or disillusion to which that peculliar state is popularly supposed to tend itself. The most striking feature in the general view of Macao, which you obtain front the verandah of the Hotel Boa Vista, is the local skyscraper which does duty as a pawnbroker's establishment. It is a building of some seven or eight stories, and looks not unlike as rudimentary storage warehouse. It has rows of narrow; windows, and ingress is obtained through a very small door. (...)
The pawnbroker's establishment plays a very Important part in Chinese life. (...) The principal, if not the only industries, which flourish in Macao, are the Chinese fan-tan gambling business and the government lottery. (...)

Nas ilustrações a fachada de uma "Chinese gambling house in Macao" e "A lady musician of Macao".
1905年美國維珍尼亞州報紙報導亞洲最古老殖民地 澳門

domingo, 4 de agosto de 2019

Aclamação de D. Pedro V e incêndio no bazar no L'Illustration de 15 Março 1856

Na edição de 15 de Março de 1856 o jornal "L'Illustration jornal universele" - imagem abaixo - dava conta das celebrações em Macau da aclamação do rei D. Pedro V com uma ilustração da "iluminação do palácio do consulado brasileiro em Macau" e uma outra com a legenda "Vista da Praia Grande" preservada do grande incêndio que atingira o território em Janeiro desse ano. 
“A Illustração Luso-Brasileira” de 1856, num artigo assinado por Carlos Caldeira e com a mesma ilustração, informava assim: “Em 4 de Janeiro pelas duas horas da tarde, manifestou-se fogo no centro do bazar, ou bairro chinez, numa loja ou botica, como lá se dizem. O vento forte, que soprava rijo, espalhou-se rapidamente: às 5 horas rondou para leste, e algum tempo depois voltou ao norte, o que fez com que as chamas avançassem em todas as direcções. O incêndio durou até às 11 do dia seguinte. Arderam umas 1500 casas entre grandes e pequenas, incluindo mais de 600 lojas. As propriedades e valores perdidos sobem a mais de um milhão de patacas, ou para cima de 1000 contos. Houve também alguma perda de vidas."
A 16 de Setembro de 1855, quando fez 18 anos, Pedro V (1837-1861) - filho de Maria II e Fernando II - foi aclamado rei tendo ascendido ao cargo dois anos antes. Dedicou-se com afinco ao governo de Portugal sendo apelidado de "o Esperançoso" e "o Muito Amado", foi o Rei de Portugal e Algarves de 1853 até sua morte.
Em Macau existe um teatro com o nome D. Pedro V, edifício construído em 1860, o primeiro teatro de estilo ocidental na China.