segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Pinturas históricas do século 19

Praia Grande - Artista chinês anónimo - Óleo sobre tela - Cerca de 1880 Praia Grande - Artista chinês anónimo - Óleo sobre tela - Cerca de 1880
Praia Grande -Artista chinês anónimo Aguarela e guache sobre papel - Cerca de 1840
Porto Interior - Artista chinês anónimo - Aguarela e guache sobre papel - Cerca de 1840

Origens  
A província de Cantão (Guandong) tem uma longa história de contactos comerciais com países banhados pelo Mar Mediterrâneo. A influência da cultura ocidental na China, proveniente de intercâmbios comerciais marítimos, data da dinastia Tang (618-906). Desde esse período, tanto em paragens para oeste da China como nesta nação, obras de arte produzidas no Ocidente não só permaneceram em confronto com obras de arte originárias do ‘Grande Império’, como também permearam nas culturas e produções artísticas dessas civilizações. A fundação de Macau no século dezasseis e a consequente chegada a este território de missionários Jesuítas, como Matteo Ricci (1552-1610) e Giovanni Cola (1560-1626), motivaram uma rápida e crescente divulgação de obras literárias e filosofias ocidentais na China, originando uma aproximação sem precedentes entre as mentalidades da Europa e do ‘Grande Império’.  
Macau desenvolveu-se à sombra de padrões artísticos importados do Ocidente que, gradualmente, se infiltraram na China, em muito contribuindo para tal, a presença dos missionários Jesuítas em Pequim (Beijing), e as obras de arte produzidas por estes para a corte e os imperadores da dinastia Qing. As obras dos missionários católicos residentes na capital do império provocaram efectivamente novas sendas estilísticas nos arreigados moldes da tradicional produção artística chinesa.  
O édito de 1757 do governo Qing que proibiu todas e quaisquer actividades comerciais marítimas ao longo da extensa costa do império da China, com excepção de Cantão (Guangzhou), ocasionou a exclusiva concentração de mercadores estrangeiros nesta cidade portuária e na província de Guandong.   
As obras pictóricas produzidas a partir de meados do século dezoito por visitantes e artistas ocidentais que visitavam, e por vezes permaneciam, nessas paragens do sul da China, tinham, como temas principalmente panorâmicas ribeirinhas e do litoral costeiro da região, assim como cenas típicas dos seus habitantes nativos. Tais desenhos, aguarelas, guachos, pinturas e ilustrações, eram ciosamente procurados pelos viajantes e mercadores estrangeiros de então, que as levavam para as suas terras pátrias como recordações de estadias em paragens longínquas.
Desenvolvimento  
A pintura de exportação começou ser apreciadas e coleccionadas durante os meados do século dezassete, e atingiu seu ponto culminante de interesse e procura nos meados do século XIX. Estas ilustrações eram executadas numa variedade de media sendo os mais correntes e populares, o óleo, a aguarela, o guacho, e um método bastante sui generis de pintura a óleo sobre o reverso de placas de vidro — que rapidamente se extinguiu com o advento da fotografia.   Durante estes dois séculos, o artista que mais se evidenciou pela qualidade e quantidade das suas obras pictóricas, que tiveram como principal tema o território e as gentes de Macau, foi o britânico George Chinnery (1774-1852). Chinnery, que residiu durante vinte e sete anos neste enclave português no sul da China, foi o artista ocidental que mais influenciou a produção de óleos e aguarelas ‘de exportação’ feitas por artistas chineses regionais.   
Lamqua, Tinqua e Youqua — só para mencionar os de maior vulto — foram dos artistas chineses, contemporâneos de Chinnery, os que maior sucesso obtiveram, produzindo múltiplas composições num modo deliberadamente semelhante ao do mestre britânico.   
As obras pictóricas que tiveram como temática Macau, Hong Kong, Guangzhou e a província de Guangdong, produzidas pelo francês Auguste Borget (1808-1877) — durante a sua breve estadia no sul da China —, pelo médico escocês Thomas Watson (1814-1860) — nos seus longos anos de residência em Macau —, e pelo macaense Marciano Baptista (1826-1896) — radicado em Hong Kong —, proporcionaram os pintores regionais chineses com novas fontes de inspiração, não só no tratamento dos temas como nas técnicas e nos media empregues.
Características  
A crescente procura de panorâmicas e vistas destas paragens e gentes da China executadas por artistas nativos da região motivou a abertura de estúdios na área dos entrepostos mercantis ditos ‘Ocidentais’ (ou ‘Hongs’) em Guangzhou. Nestes estúdios, composições de temas estereotipados eram rapidamente ‘montados’ por assistentes e discípulos dos mais conceituados pintores chineses ditos ‘de exportação’, especificamente encarregues, segundo as suas aptitudes particulares, de pintar determinadas zonas das totalidades das superfícies pictóricas.   
Após a Primeira Guerra do Ópio (1840-1843), Xangai foi declarada como um porto ‘aberto’ ao livre comércio internacional e, de 1845 a 1849, os Estados Unidos da América, a França e o Reino Unido fundaram ‘concessões’ nesta cidade. À imagem dos seus antecessores de Guangzhou, novos artistas chineses ditos ‘de exportação’ proliferaram em Xangai produzindo inúmeras obras de arte de características memorialistas para atender à abundante procura por parte de um crescente número de residentes e visitantes estrangeiros.  
Obras de tónica expressiva notoriamente ocidental executadas por pintores estrangeiros que se estabeleceram em Guangzhou, Hong Kong e Macau durante esse período tornaram-se imediatamente alvos do interesse dos jovens pintores ‘progressistas’ chineses que, emulando tais fórmulas pictóricas, imbuiram as suas obras de um ‘naturalismo’ nunca antes visto na pintura tradicional da civilização do ‘Grande Império’, modulando os espaços e volumes dos seus temas num tratamento de luz-e-sombra.   
Mais singelos, a maior parte dos pintores chineses ditos ‘de exportação’ valorizavam o conteúdo das suas obras de arte no perfeccionismo técnico dos temas populares com maior procura, repetitivamente seleccionados a partir das mais conceituadas obras dos seus mestres-patrões chineses, na maior parte dos casos meramente autenticando o produto final com a sigla do estúdio a que pertenciam. Não sendo os ávidos compradores de composições pictóricas executadas pelos estúdios e por artistas chineses ditos ‘de exportação’ coleccionadores de elevado nível intelectual ou distintos apreciadores de arte, os seus critérios de qualidade não contribuiram para uma evolução estilística dos que, ainda que talentosos, criavam sistematicamente este tipo de composições.
Valor  
É no entanto interessante observar a dicotomia histórica entre o ‘realismo’ — indistintamente professado pelos pintores chineses ditos ‘de exportação’ — e o ‘naturalismo’ — objecto de pesquisa dos progressistas anti-tradicionalistas — de artistas contemporâneos e conterrâneos.   Note-se finalmente que, tal como o cariz das obras pictóricas ocidentais influenciou a pintura e as artes ilustrativas chinesas, também as pinturas ditas ‘de exportação’ executadas na China e por chineses, ao serem difundidas e apreciadas no Ocidente, em muito contribuiram para um maior conhecimento desta nação e foram elementos catalizadores na Europa de novas modas, géneros, estilos e padrões culturais.
Texto do Museu de Arte de Macau

Thomas Watson

Pavilhão no templo A-Ma
A caminho do templo A-Ma
Porto Interior ca. 1850
Thomas Watson chega a Macau, vindo da Escócia, em 1845, com o objectivo de aqui exercer medicina. Para além da pintura, ficou conhecido como o médico que cuidou de George Chinnery, de quem foi aluno e amigo.
Estilisticamente, os seus desenhos revelam uma forte influência de Chinnery, no entanto, Watson não era um mero imitador e desenvolveu o seu próprio estilo, embora sem nunca atingir a perfeição do seu mestre.
As suas aguarelas, desenhos a tinta a lápis, de lugares e edifícios de Macau há muito desaparecidos, sobretudo as vistas do terraço da sua casa na Praia Grande, atestam uma vida de serena felicidade. Quando partiu para Hong Kong, em 1856, deixava para trás alguns dos anos mais felizes da sua vida no Extremo Oriente, como mais tarde confessou.
Texto do Museu de Arte de Macau

Marciano António Baptista: 1826-1896

Porto Interior ca. 1875
Forte S. Tiago da Barra ca. 1875
Forte D. Maria II ca. 1875
Marciano António Baptista nasceu em Macau em 1826. Estudou no Seminário de S. José e cedo conheceu o pintor inglês George Chinnery, do qual se tornou aluno.
Tal como os outros seguidores de George Chinnery, primeiro seguiu o estilo de pintura do seu mestre, mas depois desenvolveu o seu próprio estilo. Em 1850, M. A. Baptista e a sua esposa saíram de Macau e instalaram-se em Hong Kong. Este artista utiliza poucas cores nas suas pinturas, preferindo o azul e o vermelho, e algumas vezes o verde e castanho. A sua pincelada eram claramente de estilo chinês, mas em combinação com técnicas ocidentais da perspectiva linear e coloração.

domingo, 8 de novembro de 2009

Centros de assistência pertencentes à Diocese ou dirigidos por pessoal missionário em 1974

Santa Infância, Infantários e Orfanatos

1. Santa Infância
2. Infantário Ave Maria
3. Instituto Helen Liang
4. Infantário de Na. Sra. do Carmo
5. Infantário Santa Rosa de Lima
6. Infantário São Paulo
7. Casa de Assistência (e de Beneficência)
9. Lar de Na. Sra. de Fátima
Asilos para os velhos(as) e inválidos(as)
1. Casa (Asilo) de S. Francisco Xavier
2. Casa do Imaculado Coração de Maria
3. Asilo de Na. Sra. do Carmo
4. Santa Maria
5. Asilo Betânia
6. Asilo São Luís
7. Lar de Caridade (Casa de S. José)
8. Asilo de Na. Sra. da Misericórdia
9. Asilo para mulheres idosas

Centros de Assistência Social e Estabelecimentos Hospitalares

1. Asilo de São José
2. Centro de Socorro Social Pio XII
3. Dispensário da Imaculada Conceição
4. Dispensário São Paulo
5. Dispensário Sta. Maria Mazzarello
Outros Centros
1. Gafaria de Ká Hó
2. Casa de Divina Providência
3. Secretariado dos Serviços Diocesanos de Assistência Social
4. Casa Ricci (Centros dos Serviços Sociais)

Infantário «Ave Maria»

Foi inaugurado na Rampa do P. Vasconcelos a 10 de Junho de 1966, ficando a cargo das Religiosas Missionárias do Perpétuo Socorro, que vieram do México.
Numa lápide da parede da entrada do edifício lê-se a seguinte inscrição: «Para este Infantário pertencente à Delegação local da O. M. E. N. (Obra das Mães pela Educação Nacional) e à Provedoria de Assistência Pública, contribuiu generosamente com o donativo de 500 contos a fundação Gulbenkian da ilustre Presidência do Doutor Azeredo Perdigão. Macau, 10-5-1966».
A 17 desse mês foram ali admitidas as 4 primeiras crianças, idas do Asilo da S. Infância.
O Infantário destinava-se a crianças de ambos os sexos dos 2 aos 7 anos de idade, devendo então passar para o Infantário «Helen Liang».

Infantário do Menino Jesus

Foi construído num terreno cedido pelo Governo, junto da Avenida Almirante Lacerda, no sopé da Colina de Mong-há e inaugurado a 8-5-1957. A planta é da autoria do eng. José Maria Paulo Rodrigues e a construção importou em 43.000 patacas pagas pela Catholic Welfare.
Tinha capacidade para 100 crianças, ficando a cargo das Madres Canossianas. O Infantário era dotado dum magnífico parque para recreio das crianças. O Infantário destinava-se a receber durante o dia as crianças das mães que iam às suas ocupações, sendo-lhes fornecidas refeições gratuitas. Em 1975 foi transformado em Casa Mortuária.

Casa Social de S. José

Foi inaugurada a 8 de Maio de 1957 no bairro do istmo da Ilha Verde, anexo à escola de S. Teresinha do Menino Jesus, inaugurada em 2-1-1957, 'gastando-se na sua construção 45 000 patacas, provenientes da Catholic Welfare americana.
Essa Casa Social ficou a cargo da Diocese, destinando-se aos pobres desse bairro. O fim é proporcionar, nos dias de descanso, jogos, revistas, cinema, etc. aos operários daquele centro populacional, distribuído pelas 200 casas ali construídas pela Catholic Welfare e entregues à Diocese; serve ainda para nela se realizarem as festas desse bairro.
A casa foi imediatamente equipada com seis máquinas de costura para as raparigas aprenderem a costurar e ainda para adaptarem as peças de roupa enviadas pela Catholic Welfare para uso das crianças.

Macau: cidade de refúgio à perseguição religiosa

A Guerra do Pacífico (1941-1945) e a ocupação da China pelos comunistas, fizeram de Macau o centro de refúgio de todos os foragidos da tormenta e da perseguição religiosa que se seguiu.
A 25 de Fevereiro de 1943, depois de mil peripécias, chegaram aqui quatro Canossianas de Waichow, as quais haviam sido esbulhadas, há mais dum ano, da sua Missão. Elas conseguiram fugir das mãos dos soldados chineses que, após a queda de Hong Kong, pretendiam interná-las no centro da China, enviando-as para o Norte. Mas chegaram inopinadamente as tropas japonesas, que as conduziram a Cantão e dali a Macau.
Os Padres das Missões Estrangeiras de Milão vieram de Hong Kong para Macau, ficando uns alojados no Seminário e outros na casa da Confraria de N. Senhor dos Passos, anexa à igreja de S. Agostinho de cujo serviço religioso ficaram incumbidos.
Os Jesuítas de Hong Kong, vieram para Macau, onde abriram na Praia Grande o Colégio de S. Luís Gonzaga para os.refugiados de língua inglesa.
A 22 de Setembro de 1949, partiram para as Filipinas 10 noviços jesuítas e 51 seminaristas do seminários diocesano de Tsing-Tsian, dirigido pelos jesuítas, os quais se haviam refugiados na Vila Flor em Macau a 22 de Janeiro desse ano.
Vieram também as Ursulinas que tomaram conta do Infantário de N. Sra. do Carmo na Taipa.
As irmãs de S. Paulo de Chartres instalaram-se na Estrada de D. João Paulino e abriram ali, em Janeiro de 1950, o Pensionato Infantil de S. José para crianças de menos de 4 anos de idade.
Os Irmãos Maristas, vindos em 1950, alojaram-se na Casa de Campo do Seminário de S. José, na Ilha Verde. Durante três anos viveram ali numerosos estudantes com os seus professores. Terminanados os estudos, partiram, em Julho de 1953, para Malaca e Penang, ficando lá apenas quatro Irmãos, que partiram no mês seguinte.
Em Abril de 1949, vieram de Hankow sete Franciscanos com 76 alunos do seu Seminário Regional de Boaventura; que se instalaram primeiro no Colégio de S. José anexo ao Seminário depois no edifício da Vila Flora, à Guia. Ordenaram-se em Macau 38, saindo todos de cá em Agosto de 1954.
Os Salvatorianos estabeleceram o seu seminário na Estrada da Vitória. Este edifício foi depois comprado pelas Padres Redentoristas que aqui se refugiaram e ali abriram o Colégio do Perpétuo Socorro em Setembro de 1955. Em 1967, este Colégio foi comprado pela Sociedade do Amor Divino, pois os Redentoristas espanhóis abandonaram Macau; em 1975, foi confiado às Filhas de N. Senhora Auxiliadora (Salesianas),
A 21 de Novembro de 1948, chegaram aqui 5 Padres Carmelitas Descalços, vindos de Pequim, da Missão de Hupeh, com sede em Hwang-Chow, instalando-se no Seminário.
Um padre lazarista chegou aqui com 8 noviços, ficando no Instituto Salesiano.
A 18 de Fevereiro de 1949, vieram da Missão de Xangai 4 Padres Jesuítas, 25 estudantes juniores, 4 filósofos, 11 noviços e 2 coadjutores que depois seguiram para as Filipinas.
A «Religião e Pátria» de 20-1-1949, p. 69, dizia: «Temos já neste Seminário (de S. José) representantes dos missionários de metade da China».
A 27 de Abril de 1949, chegaram ainda 14 seminaristas filósofos do Seminário Regional de Pequim, ficando no Colégio de S. José anexo ao Seminário.
Em 28 de Abril de 1945, vieram 78 refugiades do Convento Francês de S. Paulo de Chartres de Hong Kong. Este convento foi bombardeado e destruído pelos americanos a 15 de Abril, no momento em que o P. Fitzgerald, jesuíta irlandês, fazia uma prática às Irmãs. Uma parede de cimento armado caiu, esmagando as raparigas e às Irmãs, que se achavam nessa sala, anexa à da prédica.
O P. Fitzgerald veio para Macau e ficou na residência paroquial de S. Lourenço, de que eu era pároco. Lembro-me muito bem dos seus olhos de espanto, e do terror que lhe ensombrava o rosto todas as vezes que um avião sobrevoava Macau.
Entre essas 78 refugiadas havia velhas, inválidas, cegas, mudas, 20 meninas e 11 meninos.
As Irmãs instalaram-se na Casa de Regeneração da Missão de Fátima, regressando a Hong Kong num navio de guerra inglês, a 16 de Março de 1946.
Vieram ainda os Maryknoll--Padres e Madres--incluindo o Bispo Paschang.
Como os japoneses mandaram fechar as escolas inglesas de Hong Kong, várias Canossianas vieram para Macau a juntar-se ao corpo docente do Colégio do S. Coração.
O mesmo fizeram os Salesianos.
Macau foi para todos os foragidos da tormenta a beata pacis visio--«feliz visão de paz».
Bombardeamento de Macau
A 16 de Janeiro de 1945, várias levas de bombardeiros americanos lançaram bombas incendiárias sobre os depósito de gazolina do Porto Exterior e metralharam vários pontos estratégicos de Macau. Estava lá instalado o Museu da Marinha organizado pelo Comandante Carmona, o qual foi incendiado com a gazolina.
Resultado: cinco mortos e vários feridos.
Pedro José Lobo fora o negociador para a venda da gazolina do depósito do Porto Exterior aos japoneses em troca de arroz para sustentar a população, como se venderam tantas outras coisas para o mesmo fim.
Às 11 h. a. m. devia ele executar essa transação; mas os americanos, pouco antes da hora marcada, caíram com os seus bombardeiros sobre o depósito e lá se foi toda a gazolina em chamas. Pedro Lobo fugiu no seu automóvel, que foi perseguido e metralhado e só não foi também aos ares em chamas, porque se atirou em terra e assim se salvou. Os americanos tinham a sua rede de espionagem bem montada. (...)
Nota: texto datado de ca. 1974 sem que tenha conseguido identificar o autor.

Santa Casa da Misericórdia

Macau foi durante os primeiros três séculos da sua existência uma terra democrática por excelência. E -ó ironia das coisas- foi com o advento do liberalismo, que esse regime democrático se afundou para não mais se erguer. Durante três quartos de século (1553-1623) não houve aqui governador; e quando este apareceu era um simples Peng-Táu, ou seja comandante militar.
O Senado, eleito anualmente, era o órgão da administração. A S. Casa da Misericórdia, mais velha que o Senado uns 15 anos, não recebeu, antes deu lições democráticas a este. As eleições eram inteiramente livres e à mesa eleita é que estava confiada a assistência pública.
A Misericórdia existia em todo o espaço português, quer metropolitano, quer ultramarino. A de Lisboa, fundada pela rainha D. Leonor sob a inspiração do bispo Contreiras, tinha o seu regulamento, que foi o modelo de todos os outros.
Macau possuía um regulamento próprio; mas quando em 1626 os irmãos examinaram os compromissos das Misericórdias da Lisboa e de Goa, acharam que o seu era «muito diminuto, confuso e indigesto» e então resolveram reformá-lo. Em Janeiro de 1627, foram eleitos 12 adjuntos que com os outros irmãos resolveram adoptar o de Goa, mas com ligeira modificação, conforme «a qualidade e usança da terra». Hoje diríamos, «conforme os condicionalismos da terra».
Quais eram esses condicionalismos?
A vida económica e financeira dependia única e exclusivamente do comércio, de tal forma que, segundo o dizer pitoresco dum bispo desta diocese, «tudo em Macau comerciava, inclusive os mortos, pois os legados pios eram ordinariamente deixados com a condição de andaram a risco de mar.
Que quer dizer risco de mar? As instituições públicas, quer civis quer religiosas, e os indivíduos particulares empregavam o seu dinheiro no comércio marítimo com lucros bastante compensadores. Estes eram tão elevados que muita gente contraía empréstimos com 20 e 25% de juro para colocar esse dinheiro a risco. Ora este risco era muito real, pois o naufrágio duma nau de prata ou o seu apresamento pelos holandeses, um assalto de piratas a um barco, uma viagem desastrosa significava a ruína de muitos, reduzindo os ricos à miséria.
Os chefes de família andavam embarcados, deixando as suas casas abandanadas por 6 a 8 meses cada ano. Quando o barco se perdia, entrava nesses lares a viuvez e a orfandade com todo o seu cortejo de misérias físicas e morais.
Estes condicionalismos chamaram desde o início a atenção da democracia macaense por meio do seu democrático Senado. Foi este, que, nos direitos da cidade, consignou percentagem para a Misericórdia, o Convento de S. Clara e Ordens Religiosas. Fundaram-se os cofres dos Pobres, do Senado, do Cabido, etc., para acudir a esses casos desesperados. Muita gente deixava legados à S. Casa para com os juros socorrer os pobres e os órfãos, para dotes de casamento de raparigas pobres e ainda para missas, festas, funerais, cera e azeite para a lâmpada do SSmo. etc.
Povo essencialmente religioso, providenciava não só às necessidades materiais, mas também às espirituais da comunidade.
Foi para isso que a Misericórdia instituiu os seus fundos, segundo escreveu o nosso saudoso amigo Dr. José Caetano Soares: «Quer dizer, a idea de criar fundos de previdência a que os moradores pudessem recorrer por meio de empréstimos, era não só reconhecida, como até apoiada por todos, e desde que o Senado, órgão principal da administração assim dava o exemplo, lógico seria, que proceder análogo fôsse também adoptado na Misericórdia, tanto mais que cedo os recursos acusaram relativo desafôgo, devido em parte à percentagem anualmente consignada nos direitos da cidade, mas na maior parte, a legados e outas doações particulares.
Ora, se quanto à Misericórdia, o sistema, mesmo em princípio não deixava, já então, de ser reputado extremamente perigoso, na prática, dada a maneira como durante algum tempo ia ser aplicado, com honestidade e cautela dignas do maior elogio, grande soma de benefícios trouxe de facto à Instituição, que nos fins do século XV possuía já em giro para cima de 50.000,(tael, unidade de peso equivalente a 37,5 gr. de prata fina, ou seja na moeda local de hoje, $1,55).
Verdade é, que à dedicação e escrúpulo com que os assuntos da Misericórdia eram assim tratados, não podia ser estranha a cuidadosa escolha de ordinário feita nas eleições das Mesas, constituí das quase sempre pela gente mais abastada e presididas em geral por individualidades de categoria, no lugar de Provedor, sendo frequentes os Capitães Gerais e os Bispos.
É deste conjunto de circunstâncias em extremo favoráveis, que grande desenvolvimento advem naturalmente aos serviços, a abranger em dentro em pouco: assistência a doentes dos 2 sexos no «Hospital dos Pobres», protecção a infância na «Casa dos Expostos», asilo para lázaros, assistência domiciliária com dinheiro e géneros aos velhos e desvalidos, recolhimento para órfãos e desamparadas, além de tantos actos e funções meramente de culto, o que era seguramente menos importante.
Ainda à influência e auxílio da Misericórdia ficou a terra a dever o fisico da cidade, contratado pelo senado, mas ao dispor de quem desde logo ia ser pôsto o hospital e a competente farmácia».
Ljungsted, no seu Historical Sketch pp. 40-41, escreve acerca da S. Casa:
«Dona Leonor, esposa do rei D. João II, fundou em Lisboa em 1458 uma Irmandade de misericórdia, conhecida pelo nome de «Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia». O alicerce da Santa Casa da Misericórdia, em Macau, foi lançado em 1596, e o seu primeiro provedor foi Melchior Carneiro, governador do Bispado de Macau. Auxiliar os indivíduos cujos meios de subsistência eram mui pequenos e insuficientes para manter uma família numerosa, socorrer os doentes pobres de certa respeitabilidade e aqueles que com relutância sairiam à rua para pedir esmola, sustentar órfãos e enjeitados-- tais são os sagrados deveres que esta digna sociedade professa cumprir. Em todos os paises onde os portugueses se estabelecem, logo que eles têm uma igreja, pensam em formar instituições iguais àquela de que falamos.
Em 1617 foram formuladas novas regras para a sua administração e em 1649 foram elas confirmadas por D. João IV, que tomou a Santa Casa da Misericórdia sob a sua imediata protecção. Em conformidade com o compromisso de 1627, os membros colectivos nomeiam eleitores, os quais escolhem um provedor, um secretário e tesoureiro, com dez vogais para formar uma Mesa de treze. Os indivíduos assim escolhidos têm liberdade de regeitar o cargo ou de aceitar as suas respectivas funções pelo tempo de um ano, que ter mina a 3 de Julho. O provedor, com o apoio da maioria da Mesa, toma certas resoluções; mas em alguns casos, tais como a eleição de novos membros, precisa-se da reunião da assembleia geral. Há cerca de 15 anos só os portugueses ou os seus descendentes podiam ser admitidos; mas desde 1821, seguiu-se o sistema contrário.
A Mesa reune-se duas vezes cada semana numa sala espaçosa, não longe da sua igreja dedicada a Nossa Senhora da Misericórdia. Os membros desta irmandade não estão obrigados a contribuir para a formação de fundos produtivos; eles tratam apenas da administração. Certos artigos volumosos do comércio são sujeitos ao pagamento de um imposto aduaneiro adicional de 1%, sendo metade deste rendimento recebida pelo tesoureiro no fim do ano; a outra metade vai, como dissemos, para o mosteiro de Santa Clara. Em 1833 esse rendimento subiu a 3.806 taéis; além disso, a Mesa administra todas as somas que são deixadas (à Santa Casa) para fins bem definidos por escrito por pessoas vivas ou defuntas.
Executar conscienciosamente a vontade do testador ou doador é um dever inviolável de todos os homens honestos, mas é ainda uma vantagem para uma associação caritativa. Porém há queixas amargas dum comportamento contrário:--«O provedor dissipa e esbanja o dinheiro deixado pelos testadores em benefício das suas almas, e os legatários são privados dos seus bens».
Aceitam-se riscos de mar sem prudência, e por uma criminosa cumplicidade na cobrança perdem-se tanto o capital como os juros. Uma irmandade que quiser esforçar-se para se ilibar destas acusações, deve cumprir a sua obra de sustentar crianças e órfãos; de salvar da morte, em troca de insignificâncias dadas aos desgraçados pais, as crianças chinas; de auxiliar os pobres, que forem membros respeitáveis da comunidade, com socorros periódicos em dinheiro ou arroz, bem como com medicamentos nos casos de doença».
As crianças enjeitadas confiadas às Canossianas
Em 1876, a Sta. Casa confiou os Expostos às Filhas de Caridade Canossianas, que tomaram conta deles, a princípio no próprio edifício dos Expostos e, mais tarde, no Asilo da Sta. Infância, em Sto. António.
Os termos do acordo, redigido pela superiora, foram os seguintes: 1º Que a contribuição anual da Santa Casa não será menor de 750 patacas anuais, só para sustento e vestuário. Qualquer despesa extra ficará a cargo da Sta. Casa.
2.º Que a Comissão Administrativa se obriga a receber de volta as enjeitadas, se por qualquer eventualidade as religiosas canossianas se retirarem de Macau, ou quando as enjeitadas, uma vez chegadas a idade de se emanciparem, quizerem voltar à Santa Casa, ou se esta Administração faltar ao pagamento devido da anual contribuição.
3.º--Que a contribuição não será diminuída, no caso de alguma morrer ou ser colocada a servir.
4.º--Com a dita contribuição obriga-se esta congregação a sustentar não menos de 20 enjeitadas, deixando toda a faculdade de substituir outras, que sejam, porém, de bons costumes.
5.º--Em caso de doença o custo dos medicamentos será à custa da Santa Casa e se o mal for contagioso será permitido enviá-la ao Hospital da Misericórdia.
6.º--A congregação obriga-se a dar educação gratuita às enjeitadas, segundo a condição delas, isto é, instrução catequística, estudo simplesmente elementar, trabalhos de agulha e manuais.
Julga-se inútil pôr aqui que as enjeitadas... devem vir providas das coisas necessárias para uso próprio».
A 8-9-1876, os expostos da S. Casa da Misericórdia foram transferidos para a Casa de Beneficência das Irmãs Canossianas.
Uma grande benfeitora da S. Casa e dos Conventos
Marta Merop é a protagonista dum romance de Austin Coates, intitulado «City of Broken Promises»--«A Cidade das Promessas Quebradas», ou seja, Macau.
Na introdução desse romance, que pretende ser histórico, lê--se:--«Tendo por teatro a antiga colónia portuguesa de Macau na costa da China do Sul, durante o período áureo da Companhia das Índias Orientais e do comércio do chá, City of Broken Promises conta a história duma das mais famosas mulheres nos anais de Macau.
Chinesa de nascimento, abandonada nos degraus duma igreja poucos dias depois de vir ao mundo, Marta Merop foi vendida para a prostituição na idade de treze anos. Analfabeta, sem nada de seu, e obrigada pelas rígidas convenções dos tempos a permanecer perpetuamente emparedada em casa do seu dono, tornou-se a mulher mais rica da costa da China e a maior benfeitora pública de Macau.
Como ela conseguiu isto, é o que nos conta esta autêntica novela dos primórdios do comércio ocidental com a China em que nenhuma mulher europeia podia entrar na China e em que a Companhia das Índias Orientais proibia aos seus empregados casar com mulheres indígenas. Nas condições ambivalentes de Macau multi-racial, Austin Coates reconstrói vividamente os anos cruciantes da vida de Marta, de 1780 a 1795, durante os quais ela foi a amante dum oficial da Companhia das Índias Orientais de descendência anglo-holandesa, Thomas Kuyek van Merop, filho do primeiro presidente da Companhia Lloyd e primo de Jeremias Bentham».
O livro de Coutes é um romance empolgante; mas tudo o que diz acerca da sua heroína nada tem de verdadeiro, senão a sua existência. Acresce que ela não era amante, mas legítima esposa de Thomas Merop.
Marta declara no seu testamento que casara à face da Igreja com o inglês Merop. Este morreu cedo. Adoecendo gravemente em Macau, embarcou num navio, que o conduziu a Londres, onde faleceu.
Sendo riquíssimo, deixou grandes somas de dinheiro às suas duas irmãs e a dois primos e a Mr. Rous, Administrador dos seus negócios em Londres. No seu testamente declara :-- «A minha querida esposa Marta da Silva deixo a soma de dez mil libras e a minha casa na Rua do Hospital e toda a mobília. Se ela mudar de ideias de passar a vida em Macau e vier para a Europa, deve receber mais três mil libras.
Ela não mudou de ideias e passou toda a vida em Macau, onde faleceu na sua casa, na Rua do Hospital, a 8 de Março de 1828, sendo sepultada na capela-mor de Convento de S. Francisco. No seu testamento, lavrado a 3 do mesmo mês, diz: «Declaro que sou moradora e natural desta Cidade do Nome de Deus na China, filha de Pai e Mãe gentios. Item declaro que fui casada com Thomas Merop ora defuncto in facie Ecclesiae, segundo manda a Santa Madre Igreja. Item declaro que deste Matrimonio não tive filho algum».
Marta Merop amava a sua terra de Macau, à qual legou toda a sua fortuna e amava também Portugal. Basta dizer que, quando a 18 de Outubro de 1805, se fez em Macau uma subscrição para auxiliar o Governo Português, o governador de Macau contribuiu com 500 patacas ao passo que Marta deu mil.
A S. Casa da Misericórdia quis manifestar o seu perpétuo reconhecimento a esta sua insigne benfeitora, mandando colocar o seu retrado, a corpo inteiro, na sala das sessões.
José Tomás de Aquino, em carta dirigida à Mesa Directora da S. Casa, pedia desculpa quanto à demora dos retratos de Francisco Xavier Roquete, que legou $62.000 a essa instituição e de Marta da Silva Merop; os quais foram executados pelo retratista china Vo Qua, «mas sob o meu contorno e direcção», diz ele.
Foi esta senhora uma das mais ricas, senão a mais rica, que teve esta cidade e, sem dúvida, a sua mais generosa benfeitora. Ainda hoje a S. Casa e o Colégio de S. Rosa de Lima continuam a beneficiar da sua generosidade.
Bem merecia que o seu nome figurasse numa via pública, como figura o de Francisco Xavier Roquete na «Travessa do Roquete».
Asilo de órfãs
Ljungstedt escreve: «A irmandade da Misericórdia pensou desde o princípio em instituir um estabelecimento desta espécie, mas não encontrou meios para o tornar durável. Em 1726 fundou-se uma instituição temporária para trinta viúvas e órfãs que foram aí recolhidas e sustentadas; as órfãs eram instruídas para serem mães de família. Uma das órfãs--a mais necessitada--era anualmente escolhida para receber um dote nupcial, que consistia em meio por cento sobre os direitos de importação, que o Leal Senado punha de parte para esse fim. Esse meio por cento subiu a 406 taéis, mas em 1726 210 chegava apenas a 60 taéis. Desde essa época ficou suspensa a instituição até 1782, quando a irmandade da Misericórdia fez uma proposta para estabelecer um novo asilo de acordo com o Leal Senado, proposta esta que foi aceita. Deu o Senado quatro mil taéis e o nome de Recolhimento de Santa Rosa de Lima 211. Este capital aumentado com generosos donativos e legados, é dado a juros a risco de mar. Conforme o produto desses juros regulava-se o número de meninas, que podiam ser admitidas. Nenhuma era admitida sem o consentimento o bispo que é quem nomeava um capelão (pois há um capela na casa), um inspector, e uma mulher de boa reputação para regente da comunidade. Uma mestra ensina a religião, ler, escrever e obras de agulha. As meninas cujos pais podem pagar pelo sustento, alojamento etc., são também admitidas quando há lugares vagos e o bispo não faz objecções. As órfãs ai educadas podem, com o seu consentimento, aceitar o lugar de mestras em qualquer família, bem como propostas de casamento (quando se apresenta uma proposta conveniente). Em tal caso era concedido um dote, mas a quantia desse dote dependia das receitas e da boa vontade do bispo.
Nota: texto datado de 1974; não consegui identificar o autor.

Assistência social: 1569 - 1945

As datas mais importantes:
1569. D. Belchior Carneiro instituiu a Santa Casa e dois Hospitais para socorrer os pobres.
Durante 400 anos, inúmeros benfeitores deixaram legados à Santa Casa, para os órfãos e viúvas e para dotes de casamento das donzelas pobres.
1648. O P.e Cardim refere que os Jesuítas davam esmolas na escadaria de S. Paulo a 1 500 pessoas (Macau e a sua Diocese, III, 176).
1793. D. Marcelino José da Silva queixa-se de que, devido à pobreza, os pais entregavam as crianças, filhas e esposas aos estrangeiros, para receberem dinheiro; fundou para elas o Recolhimento de S. Maria Madalena.
Em toda a história de Macau, os portugueses compravam aos chineses as meninas (criações), sobretudo em tempos de fome (M. e D., II, 287).
1806. D. Fr. Francisco de N. Sra. da Luz Chacim fundou, a 30 de Agosto, o Cofre dos Pobres, para alívio da miséria que então alastrava.
1843. O Pe. Joaquim José Leite, reitor do Seminário, instituiu, a 19 de Novembro, a Associação dos Benfeitores da Caridade (uma espécie de Conferência de S. Vicente de Paulo), com o fim de extinguir a mendicidade; começou com $3 000,00 de um depósito existente no Seminário para Obras Pias.
1858. Asilo para os pobres chineses, fundado pelo Clero de Macau, num terreno circundante à igreja de S. Lázaro, cedido pela Santa Casa, cuja alma foi o caritativo sacerdote goês, Manuel Francisco do Rosário e Almeida, que percorria as ruas de Macau com um saco a pedir esmolas, ficando famoso «o saco do Pe. Almeida»; é o Asilo de S. José que ainda existe.
1869. Fundação da associação chinesa de beneficência Tong-Sin-Tong que tem exercido uma acção assistencial que muito honra a Comunidade Chinesa, que a instituiu; foi reorganizada por portaria n.º 31 de 21 de Fevereiro de 1803, que aprovou os seus estatutos, que se propunham «distribuir medicamentos próprios de cada estação, sob a forma de pílulas e pós, curar gratuitameute os enfermos, fazer prelecções, distribuir livros e fazer outras obras boas». Já Mendes Pinto nos fala das Sin-Tong, dispersas por toda a China, cujos membros eram tidos «à conta de homens honrados que são como entre nós os Irmãos da Misericórdia».
1871. Fundação do Hospital Keng-Wu, o de maior movimento em Macau.
1874. A 1 de Dezembro do ano de 1871, foi lançada a pedra angular do Hospital Militar de S. Januário, que ficou concluído em Dezembro de 1873 e cuja inauguração oficial se realizou a 8 de Janeiro de 1874.
1885. Fundação do Asilo da S. Infância pelas Religiosas Canossianas.
1900. A S. Casa da Misericórdia fundou o Asilo das Inválidas, cujo edifício foi reedificado em 1925; no mesmo ano de 1900 fundou o Albergue das Indigentes.
1903. O Pe. Dr. António José Gomes, cujo centenário de nascimento ocorreu em 1974, fundou, a 13 de Novembro, o Pão dos Pobres de S. António, que nestes 71 anos vem socorrendo milhares de necessitados.
1938. A 21 de Maio, é criada a Comissão de Assistência e Beneficência, que foi reorganizada a 31 de Março de 1947 e transformada na Comissão Central de Assistência Pública que dirige todas as obras assistenciais do Estado, distribuindo milhões de patacas, anualmente, aos assistidos.
1941-1945. Macau tornou-se um asilo de refugiados, morrendo de inanição 100 por dia.
Além de mais de 100 000 chineses, vieram uns 8 000 portugueses de Hong Kong e a todos se procurou ajudar. Até o multimilionário, Sir Robert Ho Tung, aqui se acolheu, sendo-lhe fornecidas latas de leite para seu sustento, pois a comida escasseava.
Já em 1924, se haviam abrigado, em Tói San, milhares de refugiados, para os quais foram construídas centenas de barracas; hoje, é o Bairro Tamagnini Barbosa, com a paróquia e Igreja de Fátima, escolas, dispensário, lar, etc. O incêndio nesse bairro, no fim de 1974 despertou um movimento extraordinário de caridade.

Igreja de N. Sra. das Dores, Coloane

É feita à moda duma tenda de campanha, devendo-se o projecto e a construção ao empreiteiro e artista Oseo Acconci.
Sendo o clima de Macau húmido e quente e atendendo a que a igreja se destina aos leprosos, rasgaram-se nela 15 portas, uma no alçado principal e sete em cada um dos alçados laterais. O altar fica ao lado e não no fundo da igreja.
A fachada com a sua rosácea e frontão esguio é encimada por um artístico crucifixo, oferecido pelo escultor siciliano Francisco Messina, medindo 2m50 de altura e pesando 180 quilos.
A antiga igreja foi transformada em sala de leitura e recreio, sendo retirados dela a torre sineira, o altar e os adornos respectivos.
Para a construção da igreja contribuiu o Papa Paulo VI com uma oferta pessoal, a que se juntou outra da S. Congregação da Propaganda Fide, num total de cerca de 50 mil patacas; esta soma foi engrossada pelos «Amigos dos Leprosos» de Bolonha, o Colégio de S. José de Albano de Roma; a paróquia salesiana de S. Maria de Roma ofereceu os sinos; e vários benfeitores romanos doaram o sacrário e a Via Sacra. O resto, ou seja, mais de metade do total, foi coberto pela Diocese de Macau.
A igreja foi benzida a 24 de Julho de 1966 por D. Paulo José Tavares, bispo de Macau, sendo nesse dia rezada uma missa concelebrada.

Igreja S. Francisco Xavier, Coloane

A 23 de Dezembro de 1864, os habitantes de Coloane pediram ao Governo de Macau protecção contra os piratas. O Governador José Rodrigues Coelho do Amaral (1863-1866) enviou-lhes logo uma força de 10 polícias. Como os soldados chinas, que lá estavam, quisessem continuar, foram presos, sendo então essa ilha ocupada pela primeira vez pelos portugueses. Os piratas, ao entanto, continuaram a molestar os habitantes.
Se a ocupação militar data de 1864, a missão eclesiástica só lá penetrou em 1903. As Filhas de Caridade Canossianas, a quem foi confiada a nova missão, abriram lá uma escola para meninas em 27 de Setembro desse ano e fundaram o Asilo de N. Senhora do Rosário com uma capela anexa. Mas, dois anos mais tarde, essa missão teve de encerrar as suas portas devido à insegurança pública. Foi só em 1910 que os piratas foram definitivamente expulsos da ilha.
Mais tarde, construiu-se a capela e a residência anexa de S. Francisco Xavier em substituição das humildes construções, onde primitivamente se ministrava o ensino religioso.

Primeira Ponte Macau-Taipa

A ponte Macau-Taipa foi inaugurada em 5 de Outubro de 1974, levando cinco anos a construir. O comprimento total é de 1,7 milhas, ou seja, cerca de 3 Km. com faixa de rodagem de 7,20 m de largura, além dos passeios, perfazendo o total de cerca de 10 metros, com a rasante que se eleva a 35 metros, ou seja uns 100 pés sobre as águas do mar, na zona de canal de navegação. Macau ficou assim ligado à Taipa por meio da ponte e a Coloane por meio do istmo.

Igreja de N. Senhora do Carmo, Taipa

O Eng. Constantino José de Brito apresentou, em 29 de Agosto de 1882, a Joaquim José da Graça, Governador de Macau (1879-1883) o orçamento para a construção duma igreja na Taipa, cujo local fora por ele mesmo escolhido. Foi a pedido do bispo D. Manuel Bernardo de Sousa Enes (1873-1883) que o Governador Graça ordenou a construção da igreja. Aprovado o orçamento, Brito lançou mãos à obra, ficando a igreja concluída em 1885 e sendo inaugurada no Domingo, 20 de Setembro desse ano.
A igreja mede 29 metros de comprimento, 9 de largura no corpo da igreja e 6 na capela-mor. A residência paroquial, à esquerda, consta de sala, casa de jantar, 2 quartos, dispensa, cozinha e casa de banho. Os altares são três: o altar-mor era destinado à exposição do SSmo. Sacramento; quanto aos altares laterais, um era dedicado ao apóstolo do Oriente, S. Francisco Xavier e outro a S. Joaquim.
Hoje, o altar-mor é dedicado a N. Sra. do Carmo e os laterais ao S. Coração de Jesus e a S. José.
Em 1880, a Taipa tinha 3230 habitantes, sendo cristãos apenas 35. Foi para eles que se levantou a igreja.

Capela do Hospital de S. Rafael

O primeiro bispo de Macau, D. Melchior Carneiro, fundou em 1568 dois hospitais, segundo ele refere em carta de 20 de Novembro de 1575: «Logo que cheguei a esta Ilha, mandei fazer dois hospitais, tanto para Gentios como para Cristãos, como também uma Companhia da Misericórdia, que é como a de Caridade em Roma» 208. O Pe. Cristóvão da Costa, S. J., em carta datada de Malaca a 2-12-1569, diz que no ano anterior tivera notícia que D. Melchior fundara um hospital, «que ele mandou fazer para a cura dos leprosos, dos quais há muitos naquele país 209.
Chama-se Hospital dos Pobres e tinha um compartimento para leprosos; mais tarde os leprosos passaram para um lazareto fora das Portas da Cidade com uma ermida anexa, chamada de N. Senhora da Esperança, que hoje é a igreja paroquial de S. Lázaro.
O Hospital dos Pobres devia ter também uma capela anexa para uso dos doentes. O nome de S. Rafael foi-lhe dado vários séculos depois; ainda em 1834 Ljungstedt lhe chama Hospital Civil para o distinguir do Militar, que era um anexo do Civil.
Em 1747, sendo Provedor da S. Casa Luís Coelho, foi reconstruído este hospital; em 1842, foi ele reedificado desde os fundamentos por donativos de vários benfeitores, incluindo estrangeiros, solicitados pelo Provedor da S. Casa Filipe José de Freitas. O edifício foi aumentado com um andar, colocando-se sobre a porta principal um nicho com a estátua de S. Rafael e as palavras Medicina Dei. Foi assim que o Hospital Civil ou dos Pobres passou a ser chamado Hospital de S. Rafael.
Sofreu ainda duas reconstruções: em 1912-1913 e em 1938--1939. Em 1975, foi ocupado pelos refugiados de Timor, cessando assim as suas funções.

Capela do Carmelo do Bom Jesus

Escrevendo em 1744, Frei José de Jesus Maria, na Azia Sinica e Japonica, Vol. I, p. 206, menciona a «Hermida do Bom Jesus da Penha, que ultimamente, à sua custa edificou a esta milagrosa Imag~e Francisco Xavier Doutel hom~e Fidalgo, hoje Governador das Ilhas de Timor» 1; construiu também ali uma Via Sacra, que encontrou certa oposição da parte do Prelado da Diocese.
Doutel era natural de Bragança, donde veio para Macau em 1698 e aqui casou com Francisca Pereira, proprietaria do Monte do Bom Jesus. Em 1831, esse monte pertencia a Inácia Vicência de Paiva, filha de Domingos Marques e de Maria Francisca dos Anjos Ribeiro Guimarães, e casada com o capitalista Francisco José da Paiva.
Mais tarde, o Monte do Bom Jesus veio parar às mãos do Comissário das Alfândegas Chineses em Macau, que ali tinha as estrebarias dos seus cavalos, havendo lá um grande poço.
Em 1923, o Comissário vendeu o Monte do Bom Jesus à Diocese de Macau, tendo o bispo D. José da Costa Nunes incumbido dessa aquisição o Reitor do Seminário de S. José, P. Francisco Bonito Bragança.
As Carmelitas vieram de Hong Kong para Macau a 22 de Outubro de 1941, estabelecendo-se na «Vila Flora», na Guia.
Com um donativo duma senhora, compraram um terreno em Mong-há, onde pretendiam construir o seu mosteiro; mas a 8 de Dezembro rebentou a Guerra do Pacífico e nada se pôde fazer.
Em 1949, o Bispo D. João de Deus Ramalho ofereceu-lhes o Monte do Bom Jesus em troca do terreno de Mong-há e elas aceitaram. A 21 de Janeiro de 1950, confiaram a construção do seu mosteiro ao construtor civil Oseo Acconci. Quando este se estava construindo, viram-se as paredes dum enorme poço, que pertencera a Inácia de Paiva, e depois ao Comissário das Alfândegas. O mosteiro foi inaugurado a 2 de Abril de 1951, sendo a respectiva Capela dedicada a N. Senhora do Carmo. A antiga, ali construída aí por 1740, era dedicada ao Bom Jesus e foi ela que deu o nome ao monte.

Grande Prémio, 1985

Catálogo oficial de 1985. Na capa pode ver-se Senna e o Berger. Os principais pilotos inscritos na prova de F3 em 1985 foram: Mike Thackwell, E. Pirro, M, Gugelmin, M. Brundle, R. Guerrero, J. Dumfries, J. Nielsen, J. Lammers, R. Arnoux, Jo Gartner, C. Danner, K. Nissen, P.H. Raphanel, R. Cheever, Adrian Campos e M. Apicella. Esta prova acabaria por ser ganha por Maurício Gugelmin num Ralt RT30 VW.
Em 1988 Maurício Gugelmin entrou para a F1 na equipa March Leyton House para quem pilotou até 1991, e em 1992 fez a sua última época na F1 pela Jordan. Correu de 1993 a 2001 na Fórmula Indy e na CART até se retirar das pistas.

"Uma Aventura em Macau"

Livro de Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães com ilustrações de Arlindo Fagundes para o chamado público infanto-juvenil. A primeira edição é de 1995 com o nº 35 da Colecção "Uma Aventura" que já vendeu "mais de 6 milhões de exemplares".
"Macau fica na China. E na China é tudo diferente. Quando o grupo é seleccionado para esta longa viagem fica delirante. À chegada as coisas complicam-se porque nenhum deles fala chinês, não conseguem comunicar e perdem-se no emaranhado de ruas labirínticas repletas de painéis tão vermelhos e tão dourados que acabam por se tornar assustadores. Quem lhes vale é Tang, um rapaz simpático que se prontifica a servir de guia.Tudo parecia bem encaminhado quando começam a ser perseguidos por um bando vestido à oriental que os ataca sem motivo e os bombardeia com o número 14, que na China é considerado número de azar, sinal de morte certa," pode ler-se no site da editora Editorial Caminho.

Macau, 1910 (detalhe)




Macau, 1910

Secagem do peixe
Praia Grande
Vista da Praia Grande
Ruínas de S. Paulo
Chegada da faina
Cultivo de morangos
Pesca artesanal

Imagens do espólio da Biblioteca de Omaha, Nebraska, EUA; eram vistas nestes aparelhos The Stereo Travel Company was a small company on Long Island, New York that produced mostly boxed sets. They were a "late" stereoview publisher, issuing the majority of their views after 1905. They were also known as the Globe Stereoscopic Company.

sábado, 7 de novembro de 2009

Casal Braga e filha Carol, 1927 *

Imagem do espólio da Biblioteca Nacional da Austrália
José Maria (Jack) Braga lived in Macau and Hong Kong for most of his life. Aware that the long-established Portuguese colonial culture in which he had grown up was fast vanishing, he began to record it in a large collection (consisting of some six thousand monographs and a wealth of other materials), that was acquired by the National Library of Australia in 1966.

Teatro Qing Ping por Vicente Pacia

Desenho de Vicente Pacia (1880-1940), artista que viveu em Macau e foi contemporâneo de Jack Braga que era quem lhe dava 'indicações' sobre o que desenhava, nomeadamente mapas e paisagens de Macau dos séculos 18 e 19.
Imagem do espólio da Biblioteca Nacional da Austrália

Bernardino Senna Fernandes

Porcelana decorada com esmaltes da família rosa e brasão Senna Fernandes
China, período Qing, reinado de Guangxu (1875-1908)
Comp.: 51 cm
CCCM, Lisboa, inv.1537
Travessa com brasão de armas pertencente à família Senna Fernandes.
Bernardino Senna Fernandes – 1º Barão, 1º Visconde, 1º Conde de Senna Fernandes, fidalgo-cavaleiro da Casa Real e Major Honorário do Exército – esteve em Macau, onde se distinguiu como grande homem de negócios e proprietário.

Jazigo do Conde Bernardino Senna Fernandes em Macau

"Nomes" do século 19

Eis alguns 'nomes' que podem ser lidos em mapas de Macau do final do século 19

Praia do Tanque dos Mainatos
Bahia do Bispo
Chácara da Viscondessa
Mesquita de Mouros
Quartel da Polícia Marítima
Matadouro
Monte do Bom Jesus
Ponte dos Vapores da Carreira de Cantão
Ponte da Carreira de Cantão
Ponte da Carreira Hong Kong
Quartel do Batalhão Nacional
Hospício dos Lázaros
Praça da Victória
Egreja de Sta Clara e Collegio de Meninas
Grémio Militar
Quartel do Batalhão de Infantaria do Ultramar
Bateria Razante 1º de Dezembro
Fortaleza de S. Jerónimo
Praia de Cacilhas
Fortaleza de D. Maria
Jardim e Palácio da Flora
Mesquita e horta dos Mouros
Portas do Cêrco: arco triumphal commemorando a tomada do Passaleão aos chinas em 25 Agosto 1849
Pagode de Lin Fou
Povoação do Patane
Hospital China
Cemitério dos Christãos novos

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Lara Reis (novos dados)

Lara Reis nasceu (Leiria) e faleceu em Macau, a 14 de Janeiro de 1950. Doou a sua moradia, Sol Poente, na Av. da República, à Santa Casa da Misericórdia - hoje é a sede da Cruz Vermelha - para clínica anti-cancerosa. Existe uma lápide no edifício que assinala a doacção do Rotary em 1951.
Chegou a Macau em 1919 sendo nomeado professor do 7º grupo do Liceu por decreto de 3 de Junho desse ano. Tomou posse a 28/29 de Outubro. E 1938 manifestou vontade de dar aulas no Liceu de Goa o que veio a acontecer em 1942. Em 1945 regressou a Macau no paquete "Colonial", quando foram restabelecidas as ligações com o exterior após a 2ª Guerra Mundial.
Veio a Portugal pela última vez em 1949. Já doente regressa a Macau... para morrer na sua 'verdadeira' terra.
O "Colonial" foi construído em 1909 sob o nome Assyria . Em 1929 foi comprado pela CCN e rebaptizado de "Colonial". Foi desmantelado em 1950. Tinha 8.309 ton., era um dos vapores de passageiros da frota da CCN.
A Companhia Colonial de Navegação foi criada em 1922 pela Sociedade Agrícola de Ganda, Companhia do Amboim de Angola e Ed. Guedes Lda. para explorar o serviço de ligações marítimas entre a Metrópole e as suas colónias, principalmente as africanas.
Em Fevereiro de 1974, a CCN juntou-se à Empresa Insulana de Navegação para formar a Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos (CPTM).
A Companhia Colonial de Navegação tinha os navios com as chaminés amarelas e verdes. Companhia Nacional de Navegação tinha os navios com chaminés pretas.

Saudades de Macau - José L.R. Estorninho

The following reflections by José L. R. Estorninho is an adaptation of a piece that was published in the 'Casa de Macau Australia Newsletter', issue June 2007.

Memórias de José L. R. Estorninho a partir de um texto seu publicado em Junho de 2007 na Newsletter da Casa de Macau da Austrália.


To remember is to live. It is with fond memories that I put down some recollections of my childhood and of Macau. I lived in the block of houses in Rua da Praia Grande, an area of the city renowned for its ambience and the quality of life we enjoyed in those days. I remember for example, towards the end of the 50s and 60s, Rua da Praia Grande was the stage for many of the important happenings that took place in Macau. It was a place where everyday life manifested itself, from the highest to the humblest origins in the territory.
It was a place where we could enjoy beautiful views - watching sailing junks anchored in the bay, tranquilly framed by the shade of the large leafy trees, and yet at the same time it was a place that was bustling with colour and life. I can remember it to this day even though I was still a child at the time - anyone who lived there could never forget.
I remember pleasant men with their tricycles and rickshaws in front of our houses;the fishermen with their rods sitting on the embankment wall of the bay or in bamboo huts with their nets in front of the “Bom Parto” fort.I remember the coffee vendor “On Kei”; the grocer “A Hoi”; the “ngau nam min”; the fried “ngau lei sou”, and the “iau chá kuai” with “pak chuk”, “mak ngá tong” and “chu cheong fan”; “kau chang kou”; “tau fu fá”; “chá tau fu and van tan”; “ham ioc chong”; the woman selling bread and sweet cakes; fruits; and the man selling gasoline and the newspaper sellers, the “tin-tin” men who went around collecting newspaper and other items; and I remember, too, the men with their mobile carts selling ice cream. I remember the students and their senior missionaries of the Ricci School;
I remember father Moreira of S. Lourenço parish, who used to travel on foot down all those steps from his church, together with his assistant, down past the slope next to the Government Palace , carrying a cross, incense and holy water to come and bless our houses at Easter.
I remember the Pousada de Macau where the sweet smell of their famous traditional cooking would assail every passer-by, and their cooks in their white aprons, carefree and happy while they took time to rest outside in a free moment.
I remember the big typhoons that would come regularly in the hot summer months, devastating everything in their paths with strong winds which blew against our houses and whipped up great waves against the bay walls.
I remember the raising and the lowering of the Portuguese National flag and the guards of the colonial army from Mozambique at the Government Palace with their red Fez and mauser rifles with drawn bayonets - they were later replaced by the military police.
I remember the daily passage of the classic “Princess”, the dark limousine that used to carry the then governors of Macau to work.I remember the military parades to celebrate the National day on 10th June with substantial support of the population of Macau.
I remember the ferries “Tak Shin”, “Fat Shan” and the “Tai Loi” which would sound their loud horns to announce their arrival at Barra, the entrance to Inner Harbour.I remember the fireworks on 1st October to celebrate China’s National day followed by the nationalists on 10th October; I remember Chinese New Year, the dragon boat races; the foot races and the cycling races; and the Our Lady of Fatima procession to Penha Hill.
I remember the 123 incidents.
I remember the racing cars of the Macau Grand Prix and their drivers, the smell of burning oil and tyres from their cars and the ear shattering yet eloquent noises from their racing engines which permeated the whole area every year in November.
And finally, I remember Christmas, and the presents I would receive every year when I went to visit my old and good friend Rangel in house number 13 who sadly passed away last year.
Saudades de Macau
Porque recordar é viver, é com muitas saudades que venho aqui com algumas recordações da minha infância, assim como de Macau. Vivia eu então num dos quarteirões na Rua da Praia Grande, numa zona da cidade considerada priviligiada pelo ambiente e qualidade que desfrutávamos naqueles tempos. Recordo-me, como exemplo nos finais dos anos 50 e 60, onde era praticamente, ali na Rua da Praia Grande, onde se desenrolava a mudança e o palco dos maiores acontecimentos de Macau. Era também, por onde se vivia o quotidiano do dia a dia, desde as pessoas mais humildes à autoridade máxima do território.
Os acontecimentos mais importantes de Macau passavam muitas vezes quase, inevitavelmente, a escassos metros das nossas casas, e mesmo frente às nossas janelas. Parecia que tudo acontecia incrivelmente perto à nossa volta como se de um “écran” enorme, e um filme ao vivo se tratasse. Era realmente uma zona muito agradável para se viver, onde as nossas casas podiam desfrutar com uma bela vista para o mar, e os juncos de vela que na altura se ancoravam e atracavam junto àquela baía, com as suas àrvores frondosas, emprestavam um ar e ambiente calmo, mas que oferecia ao mesmo tempo, movimento e colorido à vida para quem ali morava.
Sendo, eu na altura ainda miúdo, mas também testemunho: Pois, para quem lá viveu nunca haverá de esquecer.
Recordo-me dos simpáticos homens dos triciclos ou “riquexó”, frente às nossas casas; e os homens com as canas de pesca, junto às muralhas da baía; ou a barraca de pesca, defronte à fortaleza do Bom Parto. Recordo-me das tendas de café “On Kei”, da mercearia “A Hói”; do “Ngau Nám Min”, e dos fritos “ngau lei sou e iau chá kuai” com “pák chuk”; dos “mak ngá tóng” e “chu cheong fan”; do “kau chang kou”; do “tau fu fá”; do “chá tau fu e van tan”; do “hám ioc chong”; a mulher dos pães doces e salgados; das frutas; o homem de “petróleo”, e o distribuidor de jornais; o homem dos “tin-tins” para recolha dos jornais e outros objectos; recordo-me, também, dos homens com os carrinhos ambulantes que vendiam sorvetes e gelados.
Recordo-me dos alunos e o missionário superior da escola Ricci; recordo-me do padre Moreira da paróquia de S.Lourenço, que fazia o percurso a pé até ao nosso bairro, depois da longa descida das escadarias da sua igreja, e da rampa, ao lado do Palácio do Governo, acompanhado por seu ajudante, empunhados de uma cruz e de incensos, e água benta para benzer as nossas casas, por altura da Páscoa.
Recordo-me da Pousada de Macau, que para quem lá passava era apanhado pelo forte cheiro da sua famosa e conhecida cozinha tradicional por onde se esfumava junto ao tardoz da garagem, com os seus cozinheiros de batina branca, despreocupados e bem dispostos se descansavam nos banquinhos durante as suas horas livres. Recordo-me dos grandes tufões que apareciam sistematicamente, nos meses quentes de Verão, e que assolavam fortemente com ondas e rajadas de ventos, as muralhas da baía e as nossas casas.
Recordo-me do hastear e arrear da bandeira nacional e as sentinelas do Palácio do Governo pela tropa colonial, de “cofió” de cor encarnada na cabeça, com as espingardas “mauser” munidos de sabre-baioneta - sendo mais tarde a guarda de honra ao governador substituída pela polícia militar. Recordo-me da passagem diária do clássico “Princess” um “limousine” de cor mista escura que servia diariamente para a deslocação dos então Governadores de Macau. Recordo-me da parada militar do dia 10 de Junho, com a população de Macau a assistir em peso. Recordo-me dos barcos-vapor “Tak Shin”, “Fat Shan” e “Tai Loi”, e os seus “buzinões” que emitiam nas suas carreiras entre Macau e Hong Kong, ao entrarem na barra. Recordo-me do fogo de artifício do dia 01 de Outubro, com a iluminação e as bandeirinhas engalanadas ao longo da Baía; do dia dos nacionalistas chineses, no dia 10 de Outubro; e do Ano Novo Chinês; das regatas de Barcos-Dragão; das corridas pedestres e do ciclismo; da procissão da Nossa Senhora de Fátima para a Penha.
Recordo-me dos incidentes de 123.
Recordo-me dos carros com os seus participantes do Grande Prémio de Macau, e do cheiro do óleo deixado pelos motores com o seu barulho ensurdecedor mas de som eloquente dos escapes livres, que empregnavam toda a zona, todos os anos no mês de Novembro, anunciando a sua chegada ao passar defronte às nossas casas.
Recordo-me, enfim, do Natal e das prendas de que ia recebendo todos os anos, quando ía visitar à casa nº13, do meu velho e bom amigo Rangel, a quem tristemente deixou-nos para sempre no ano passado.

Hospital S. Rafael: anos 50

Macau visto por Michael Rogge: 1950-60
















Imagens 'feitas' (c/autorização) a partir dos filmes realizados por Michael Rogge

Macau em 1927





quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"Directório de Macau"


Antes de passar a chamar-se "anuário", o que de mais importante acontecia em Macau num determinado era resumido no "directório".
O da imagem é de 1935 e 'diz' ser o 4º ano de publicação. No entanto, existem registos da sua existência desde, pelo menos, 1879.
Para além dos principais acontecimentos da vida do Território, foram também publicados anuários específicos relativos, por exemplo, da dados estatísticos sobre a população, comércio, turismo...

Macau, 1898

Comemorações - junto à Sé - do 4º centenário da viagem de Vasco da Gama à Índia (1498-1898)

Largo S. Lourenço...

Casa das 16 colunas (à esquerda) e Consulado inglês (em frente)

Selecção Militar de Macau - anos 50

Paquete "Timor" (1950-1974)


O paquete "Timor" com tropas para a Índia e Macau, 20 de Fevereiro de 1958
As tropas formando para embarcarem no paquete "Timor"
O paquete "Timor" a afastar-se do cais dando início à viagem para a Índia e Macau, 20 de Fevereiro de 1958
Fotografias de Viana do Couto

História do Grande Prémio

Dr Philip Newsome - in the photo with Nigel Mansel - has been photographing and documenting the Macau Grand Prix since his first visit to the former Portuguese enclave in 1985. He has written three definitive books on the history of the event and in the process has compiled an exhaustive collection of Grand Prix-related photographs and memorabilia. The photos ont his post belong to Dr. Philip Newsome.
1991
Troféu ACP - anos 60
Anos 60
American George Baker in the V8-engined "Beast." Baker was an ex-fighter pilot who chewed on a cigar while piloting this fearsome device. The layout of the circuit has changed little down the years
1954
Anos 90

Processo de Transferência de Soberania

O Presidente da República Ramalho Eanes num encontro com o Director do Conselho Consultor do Partido Comunista Central Chines, Deng Xiaoping, no ano de 1985, em Pequim. Ambas as partes, portuguesa e chinesa, atingiram consenso, após negociação, sobre a questão de Macau.

O Primeiro Ministro, Cavaco Silva, quando discursava na Cerimonia da Assinatura da Declaração Conjunta Luso-Chinesa. A Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre a questão de Macau foi assinada em Pequim em 1987.
O Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês realizou 37 reuniões, durante os 12 anos do período de transição, manteve conversações e trocou informações sobre as questões da transição de Macau. O Grupo manteve-se activo até ao dia 1 de Janeiro de 2000.
O Presidente da República, Jorge Sampaio, no encontro com o Presidente Chinês, Jiang Zemin, durante a sua visita oficial à China em 1997.
O último Governador de Macau da presneça portuguesa, Rocha Vieira e o 1º Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau, Edmundo Ho.

Canhoneira "Macau" (em inglês)

The Macau was a Portuguese river gun boat of 95 tons displacement launched in 1909 and stationed in China. The Macau was powered by one Yarrow boiler providing a top speed of 12 knots and carried a complement of 24. She was armed with two 6 pdr guns and three machine-guns.
Nota: existe outro post em português sobre o mesmo tema http://macauantigo.blogspot.com/2009/04/nrp-macau-lancha-canhoneira-1909-1943.html

Praia Grande, antigo ex-libris

Para mim, a baía da Praia Grande sempre foi o verdadeiro ex-libris de Macau. Muito mais dos que a fachada/ruínas da Igreja de S. Paulo. Até ao início do século XX manteve a sua forma original de autêntica baía. Este recorte viria a ser alterado com a sucessão de aterros. Hoje praticamente não existe. E é pena.
No início abrangia a rua com o mesmo nome que ia da Fortaleza do Bom Parto ao Convento de S. Francisco (demolido em 1861 dando lugar ao quartel com o memso nome que ainda hoje existe).
Nesta rua, montra da cidade, ficavam os mais belos exemplares (e alinhados) de edifícios da arquitectura europeia. São de destacar o Palácio do Governo (aquirido em 1881 à família do Barão do Cercal), as vivendas de famílais abastadas (em especial da Companhia Inglesa das Índias Orientais), a antiga residência dos governadores, que chegou a ser conhecida por Palácio das Repartições (demolido nos anos 50), o Hotel Riviera (demolido em 1971 e que antes se chamava New Macao Hotel), o Grémio Militar (fundado em 1870 tendo entretanto adoptado o nome de Clube Militar) e o Jardim Público, o primeiro de Macau... Nota ainda para o nº 75 onde viveu Camilo Pessanha.
Os aterros também acabaram com os dois fortins que protegiam a baía: o de S. Pedro, de S. João e 1º de Dezembro.
Até a natureza, nas suas iras, se encarregou de mudar a face da baía da Praia Grande. Os tufões do final do século 19, em especial o de 1874, causam inúmeros prejuízos e provocaram o desmoronamento de edifícios mais frágeis.

Pousada e Capela de S. Tiago da Barra

The Fortaleza da Barra was one of the fortresses built in the 17th century by the Portuguese to defend Macau against hostile European nations and local pirates. One hundred years later a chapel was built within its walls and dedicated to Saint James, the patron saint of the Portuguese garrison. Today, much of the fortress and the Chapel have been preserved as part of the Pousada de São Tiago.
The small Chapel, erected in the Barra Fort in 1740, was dedicated to St. James, the saint adapted by the Portuguese army, and the statue above the altar depicted St. James in military uniform. He wears high boots and the soldiers at the fort believed that at night he would leave the Chapel and patrol the ramparts, to inspect his troops. In the morning, legend says, there would be mud on his boots, so a soldier was assigned to polish them each day. On one occasion, it is said a lazy soldier was hit on the head by the saint. To this day, his feast is celebrated at the Chapel on the 25th of July every year. In 1978, the Chapel was restored and the statue of St. James cleaned and painted. As in the past, it became an integral part of the main building, adjoining the reception area and cocktail lounge.
Fortaleza de São Tiago da Barra - também conhecida como Forte da Barra, foi erguida em 1629 no local de uma primitiva bateria, com a função de defesa do ancoradouro interior. Sobre as colinas no extremo sul da península de Macau, constituía-se numa cidadela dentro da cidade. As suas muralhas tinham com seis metros na base, 3,3 no topo, elevando-se a 30 pés de altura. A sua importância estratégica era de tal ordem que nos séculos XVII e XVIII o seu comandante era nomeado diretamente pelo soberano em Portugal e não estava sujeito ao Governador de Macau. O forte passou a contar com uma capela sob a invocação de São Tiago, patrono dos militares, a partir de 1740, quando foi reforçada e ampliada. A sua plataforma principal media 113m x 42m, albergando doze canhões de calibre 24, e quatro de calibre 50, uma cisterna com capacidade para 3.000 litros e instalações para o comandante e 60 soldados. Mais acima na colina havia uma casa da guarda, seis canhões calibre 24 e, ao nível do solo, armazéns para munições e abastecimentos e uma casa espaçosa. Como as demais estruturas defensivas, caiu em ruínas ao longo dos séculos até que, durante a Segunda Guerra Mundial os antigos canhões foram vendidos para adquirir arroz para alimentar os refugiados de Hong Kong e da China.
Ao longo dos anos o forte foi gradualmente demolido para construção de estradas e a partir de 1976 deixou de ser utilizado pela Polícia Marítima. O Departamento de Turismo do Governo de Macau recuperou-o e requalificou-o como pousada, a "Pousada de São Tiago", inaugurada em 1982. Os visitantes podem conhecê-la e visitar a capela em seu interior, onde se destacam a imagem da Virgem e a do padroeiro. Segundo uma lenda local, a estátua do santo patrulhava o forte de noite, pelo que de manhã as botas estavam enlameadas, havendo um soldado destacado para as limpar. Um dia o soldado ter-se-ia esquecido de o fazer, tendo sido atingido na cabeça pela espada do santo.

Profissões








IV Grande Prémio de Macau

A edição numero 4 do GP realizou-se no dia 17 de Novembro de 1957 e contou com a inscrição de 19 pilotos, dos quais alinharam à partida 16. Entre os favoritos destacou-se a presença do Mercedes 300 SL de Pateman, do AC Bristol de Hardwick e do Ferrari 500 Mondial Spyder Scaglietti série II de George Baker, que havia pertencido ao tenente Mário Lopes da Costa, com a qual alinhou no Grande Prémio Macaense em 1955 e 1956.
Com uma interessante luta inicial entre o 500 Mondial e o 300 SL, a corrida viu à 35ª volta o Ferrari de Baker parar com uma biela partida. A partir daqui o duelo seria entre Pateman e Hardwick no pequeno e ágil AC Bristol. Apesar de um breve ida às boxes para verificar um possível derrame de óleo, Pateman venceu a corrida, completando as 77 voltas (330 milhas) em 4h34m e 37 segundos, constituindo este um tempo recorde para esta prova. Hardwick ficou em 2º lugar a uma volta. A prova foi presenciada por cerca de 25 000 espectadores.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Missa das 11 horas

"No Largo [da Sé], todo rodeado de casas assobradadas, ainda adormecidas, escutavam-se os primeiros pregões do vendedor de pão fresco e o encarregado da iluminação pública apagava os últimos candeeiros de petróleo. Havia poucos madrugadores na missa. Só algumas mulheres de do, correndo as contas do rosário ou debruçadas sobre o confessionário, e ainda grupos que iriam passar o domingo em piqueniques, na terra-china, ou à Praia da Boa Vista, à Areia Preta, ou à Praia de Cacilhas, famosa pela transparência das suas águas. O chique era a missa das onze horas e depois o passeio à Rua Central onde os mouro-mouros tinham os seus estabelecimentos, pejados das últimas novidades da moda, e dali se descia a Calçada de Stº. Agostinho, mais conhecida pela Travessa das Onze Horas, para a Praia Grande".
Henrique de Senna Fernandes. «Uma Pesca ao Largo de Macau» in Nam Van.

«A sahida da missa». Fotografia da "Illustração Portugueza" de 28 de Dezembro de 1908.

domingo, 1 de novembro de 2009

"A Opinião Pública em Macau"

José Augusto dos Santos Alves escreveu "A opinião pública em Macau: a imprensa Macaense na terceira e quarta décadas do séc. XIX. Uma edição da Fundação Oriente no ano 2000.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Gov. silvério Marques visita o Liceu em 1961 - Parte I


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Excerto de um filme/documentário de Augusto Cabrita (1923-1993) intitulado "Macau".. uma curta metragem filmada em 16 mm.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Gov. Silvério Marques de visita ao Liceu Nacional Infante D. Henrique em 1961 - Parte 2

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Série de Postais Antigos - editados pelo ICM em 1985











The Land of the boxers, 1903

Macau na viragem do século 19 para o século 20... eis um retrato de Macau feito pelo capitão Gordon Casserly do Exército indiano. O capítulo X foi dedicado a Macau.

In the portuguese colony of Macao - pages 231-255

Forty miles from Hong Kong, hidden away among the countless islands that fringe the entrance to the estuary of the Chukiang or Pearl River, lies the Portuguese settlement of Macao. Once flourishing and prosperous, the centre of European trade with Southern China, it is now decaying and almost unknown — killed by the com- petition of its young and successful rival. Long before Elizabeth ascended the throne of England the venturesome Portuguese sailors and merchants had reached the Far East. There they carried their country's flag over seas where now it never flies. An occasional gunboat represents in Chinese waters their once powerful and far-roaming navy. In the island of Lampacao, off the south-eastern coast, their traders were settled, pushing their com- merce with the mainland. In 1557 the neigh- bouring peninsula of Macao was ceded to them in token of the Chinese Emperor's gratitude for their aid in destroying the power of a pirate chief who had long held sway in the seas around. The Dutch, the envious rivals of the Portuguese in the East, turned covetous eyes on the little colony which speedily began to flourish. In 1622 the troops in Macao were despatched to assist the Chinese against the Tartars. Taking advantage of their absence, the Governor of the Dutch East Indies fitted out a fleet to capture their city. In the June of that year the hostile ships appeared off Macao and landed a force to storm the fort The valiant citizens fell upon and defeated the invaders ; and the Dutch sailed away baffled. Until the early part of the nineteenth century the Portuguese paid an annual tribute of five hundred taels to the Chinese Government in acknowledgment of their nominal suzerainty. In 1848, the then Governor, Ferreira Amaral, refused to continue this payment and expelled the Chinese officials from the colony. In 1887, the independence of Macao was formally admitted by the Emperor in a treaty to that effect. But the palmy days of its commerce died with the birth of Hong Kong. The importance of the Portuguese settlement has dwindled away. Macao is but a relic of the past. Its harbour is empty. The sea around has silted up with the detritus from the Pearl River until now no large vessels can approach. A small trade in tea, tobacco, opium, and silk is all that is left. The chief revenue is derived from the taxes levied on the numerous Chinese gambling-houses in the city, which have gained for it the title of the Monte Carlo of the East. Macao is situated on a small peninsula connected by a long, narrow causeway with the island of Heung Shan. The town faces southward and, sheltered by another island from the boisterous gales of the China seas, is yet cooled by the re- freshing breezes of the south, from which quarter the wind blows most of the year in that latitude. Victoria in our colony, on the other hand, is cut off from them by the high Peak towering above it; and its climate in consequence is hot and steamy in the long and unpleasant summer. So Macao is, then, a favourite resort of the citizens of Hong Kong. The large, flat-bottomed steamer that runs between the two places is generally crowded on Saturdays with inhabitants of the British colony, going to spend the week-end on the cooler rival island. The commercial competition of Macao is no longer to be dreaded. But this decaying Portu- guese possession has recently acquired a certain importance in the eyes of the Hong Kong author- ities and our statesmen in England by the fears of French aggression aroused by apparent en- deavours to gain a footing in Macao. Attempts have been made to purchase property in it in the name of the French Government which are sus- pected to be the thin end of the wedge. Although the colony is not dangerous in the hands of its present possessors, it might become so in the power of more enterprising neighbours. Were it occu- pied by the French a much larger garrison would be required in Hong Kong. Of course, any attempt to invade our colony from Macao would be difficult ; as the transports could not be convoyed by any large warships owing to the shallowness of the sea between the two places until Hong Kong harbour is reached. One battleship or cruiser, even without the assistance of the forts, should suffice to blow out of the water any vessels of sufficiently light draught to come out of the port of Macao. If any specially constructed, powerfully armed, shallow-draught men-o*-war — which alone would be serviceable — were sent out from Europe, their arrival would be noted and their purpose suspected. Still an opportunity might be seized when our China squadron was elsewhere engaged and the garrison of Hong Kong denuded. On the whole, the Portuguese are preferable neighbours to the aggressive French colonial party, which is con- stantly seeking to extend its influence in Southern China. In 1802 and again in 1808 Macao was occupied by us as a precaution against its seizure by the French. When garrison duty in Hong Kong during the damp, hot days of the summer palled, I once took ten days' leave to the pleasanter climate of Macao. I embarked in Victoria in one of the large, shallow- draught steamers of the Hong Kong, Canton, and Macao Steamboat Company, which keeps up the communication between the English and Portuguese colonies and the important Chinese city by a fleet of some half-dozen vessels. With the exception of one, they are all large and roomy craft from 2,000 to 3,000 tons burden. They run to, and return from. Canton twice daily on week-days. One starts from Hong Kong to Macao every afternoon and returns the following morning, except on Sundays. Between Macao and Canton they ply three times a week. The fares are not exorbitant — from Hong Kong to Macao three dollars, to Canton five, each way ; between Macao and Canton three. The Hong Kong dollar in 1901 was worth about IS. lod. The steamer on which I made the short passage to Macao was the Heungshan (1,998 tons). She was a large shallow-draught vessel, painted white for the sake of coolness. She was mastless, with one high funnel, painted black ; the upper deck was roomy and almost unobstructed. The sides between it and the middle deck were open; and a wide promenade lay all round the outer bulkheads of the cabins on the latter. Extending from amid- ships to near the bows were the first-class state- rooms and a spacious, white - and - gold - panelled saloon. For ard of this the deck was open. Shaded by the upper deck overhead, this formed a delight- ful spot to laze in long chairs and gaze over the placid water of the land-locked sea at the ever- changing scenery. Aft on the same deck was the second-class accommodation. Between the outer row of cabins round the sides a large open space was left.

O vapor SS Heungshan de quase 2 mil toneladas entrando no Porto de Macau

This was crowded with fat and prosperous- looking Chinamen, lolling on chairs or mats, smoking long-stemmed pipes with tiny bowls and surrounded by piles of luggage. Below, on the lower deck, were herded the third- class passengers, all Chinese coolies. The com- panion-ways leading up to the main deck were closed by padlocked iron gratings. At the head of each stood an armed sentry, a half-caste or Chinese quartermaster in bluejacket-like uniform and naval straw hat He was equipped with carbine and revolver ; and close by him was a rack of rifles and cutlasses. All the steamers plying between Hong Kong, Macao, and Canton are similarly guarded; for the pirates who infest the Pearl River and the net- work of creeks near its mouth have been known to embark on them as innocent coolies and then suddenly rise, overpower the crew and seize the ship. For these vessels, besides conveying specie and cargo, have generally a number of wealthy Chinese passengers aboard, who frequently carry large sums of money with them. The Heungshan cast off from the crowded, bustling wharf and threaded her way out of Hong Kong harbour between the numerous merchant ships lying at anchor. In between Lantau and the mainland we steamed over the placid water of what seemed an inland lake. The shallow sea is here so covered with islands that it is generally as smooth as a mill-pond. Past stately moving junks and fussy little steam launches we held our way. Islands and mainland rising in green hills from the waters edge hemmed in the narrow channel. In about two and a half hours we sighted Macao. We saw ahead of us a low eminence covered with the buildings of a European-looking town. Behind it rose a range of bleak mountains. We passed along by a gently curving bay lined with houses and fringed with trees, rounded a cape, and entered the natural harbour which lies between low hills. It was crowded with junks and sampans. In the middle lay a trim Portuguese gunboat, the Zaire, three-masted, with white superstructure and funnel and black hull. The small Canton- Macao steamer was moored to the wharf. The quay was lined with Chinese houses, two- or three - storied, with arched verandahs. The Heungshan ran alongside, the hawsers were made fast, and gangways run ashore. The Chinese pas- sengers, carrying their baggage, trooped on to the wharf. One of them in his hurry knocked roughly against a Portuguese Customs officer who caught him by the pigtail and boxed his ears in reward for his awkwardness. It was a refreshing sight after the pampered and petted way in which the Chinaman is treated by the authorities in Hong Kong. There the lowest coolie can be as im- pertinent as he likes to Europeans, for he knows that the white man who ventures to chastise him for his insolence will be promptly summoned to appear before a magistrate and fined. Our treat- ment of the subject races throughout our Empire errs chiefly in its lack of common justice to the European. Seated in a ricksha, pulled and pushed by two coolies up steep streets, I was finally deposited at the door of the Boa Vista Hotel. This excellent hostelry — which the French endeavoured to secure for a naval hospital, and which has since been purchased by the Portuguese Government — was picturesquely situated on a low hill overlooking the town. The ground on one side fell sharply down to the sea which lapped the rugged rocks and sandy beach two or three hundred feet below. On the other, from the foot of the hill, a pretty bay with a tree-shaded esplanade — called the Praia Grande — ^stretched away to a high cape about a mile distant. The bay was bordered by a line of houses, prominent among which was the Governor s Palace. Behind them the city, built on rising ground, rose in terraces. The buildings were all of the Southern European type, with tiled roofs, Venetian-shuttered windows, and walls painted pink, white, blue, or yellow. Away in the heart of the town the gaunt, shattered fagade of a ruined church stood on a slight eminence. Here and there small hills crowned with the crumbling walls of ancient forts rose up around the city. Eager for a closer acquaintance with Macao, I drove out that afternoon in a ricksha. I was whirled first along the Praia Grande, which runs around the curving bay below the hotel. On the right-hand side lay a strongly built sea-wall. On the tree-shaded promenade between it and the road- way groups of the inhabitants of the city were enjoying the cool evening breeze. Sturdy little Portuguese soldiers in dark-blue uniforms and k^pis strolled along in two and threes, ogling the yellow or dark-featured Macaese ladies, a few of whom wore mantillas. Half-caste youths, resplendent in loud check suits and immaculate collars and cuffs, sat on the sea-wall or, airily puflfing their cheap cigarettes, sauntered along the promenade with languid grace. Grave citizens walked with their families, the prettier portion of whom affected to be demurely unconscious of the admiring looks of the aforesaid dandies. A couple of priests in shovel hats and long, black cassocks moved along in the throng. The left side of the Praia was lined with houses, among which were some fine buildings, including the Government, Post and Telegraph Bureaus, commercial offices, private residences, and a large mansion, with two projecting wings, the Governor s Palace. At the entrance stood a sentry, while the rest of the guard lounged near the doorway. At the end of the Praia Grande were the pretty public gardens, shaded by banyan trees, with flower-beds, a bandstand, and a large building beyond it — the Military Club. Past the gate of the Gardens the road turned away from the sea and ran between rows of Chinese houses until it reached the long, tree-bordered Estrada da Flora. On the left lay cultivated land. On the right the ground sloped gently back to a bluff hill, on which stood a light- house, the oldest in China. At the foot of this eminence lay the pretty summer residence of the Governor, picturesquely named Flora, surrounded by gardens and fenced in by a granite wall. Con- tinuing under the name of Estrada da Bella Vista, the road ran on to the sea and turned to the left around a flower -bordered, terraced green mound, at the summit of which was a look-out whence a charming view was obtained. From this the mound derives the name of Bella Vista. In front lay a shallow bay. To the left the shore curved round to a long, low, sandy causeway, which connects Macao with the island of Heung Shan. Midway on this stood a masonry gateway, Porta Cerco, which marks the boundary between Portuguese and Chinese territory. Hemmed in by a sea-wall, the road continued from Bella. Vista along above the beach, past the isthmus, on which was a branch road leading to the Porta, by a stretch of cultivated ground, and round the peninsula, until it reached the city again. After dinner that evening, accompanied by a friend staying at the same hotel, I strolled down to the Public Gardens, where the police band was playing and the ** beauty and fashion" of Macao assembled. They were crowded with gay pro- menaders. Trim Portuguese naval or military officers, brightly dressed ladies, soldiers, civilians, priests and laity strolled up and down the walks or sat on the benches. Sallow-complexioned children chased each other round the flower-beds. Opposite the bandstand stood a line of chairs reserved for the Governor and his party. We met some ac- quaintances among the few British residents in the colony ; and one of them, being an honorary member of the Military Club situated at one end of the Gardens, invited us into it. We sat at one of the little tables on the terrace, where the ^lite of Macao drank their coffee and liqueurs, and watched the gay groups promenading below. The scene was animated and interesting, thoroughly typical of the way in which Continental nations enjoy outdoor life, as the English never can. Hong Kong, with all its wealth and large European population, has no similar social gathering-place ; and its citizens wrap themselves in truly British unneighbourly isolation. The government of Macao is administered from Portugal. The Governor is appointed from Europe; and the local Senate is vested solely with the muni- cipal administration of the colony. The garrison consists of Portuguese artillerymen to man the forts and a regiment of Infantry of the Line, relieved regularly from Europe. There is also a battalion of police, supplemented by Indian and Chinese constables — the former recruited among the natives of the Portuguese territory of Goa on the Bombay coast, though many of the sepoys hail from British India. A gunboat is generally stationed in the harbour. The troubles all over China in 1900 had a disturbing influence even in this isolated Portu- guese colony. An attack from Canton was feared in Macao as well as in Hong Kong; and the utmost vigilance was observed by the garrison. One night heavy firing was heard from the direction of the Porta Cerco, the barrier on the isthmus. It was thought that the Chinese were at last descending on the settlement. The alarm sounded and the troops were called out. Sailors were landed from the Zaire with machine-guns. A British resident in Macao told me that so prompt were the garrison in turning out that in twenty minutes all were at their posts and every position for defence occupied. At each street-corner stood a strong guard ; and machine-guns were placed so as to prevent any attempt on the part of the Chinese in the city to aid their fellow-countrymen outside. However, it was found that the alarm was occasioned by the villagers who lived just outside the boundary, firing on the guards at the barrier in revenge for the con- tinual insults to which their women, when passing in and out to market in Macao, were subjected by the Portuguese soldiers at the gate. No attack followed and the incident had no further conse- quences. At the close of 1901 or the beginning of 1902, more serious alarm was caused by the con- duct of the regiment recently arrived from Portugal in relief Dissatisfied with their pay or at service in the East, the men mutinied and threatened to seize the town. The situation was difficult, as they formed the major portion of the garrison. Eventu- ally, however, the artillerymen, the police battalion, and the sailors from the Zaire succeeded in over- awing and disarming them. The ringleaders were seized and punished, and that incident closed. The European-born Portuguese in the colony are few and consist chiefly of the Government officials and their families and the troops. They look down upon the Macaese — as the colonials are called — with the supreme contempt of the pure-blooded white man for the half-caste. For, judging from their complexions and features, few of the Macaese are of unmixed descent. So the Portuguese from Europe keep rigidly aloof from them and unbend only to the few British and Americans resident in the colony. These are warmly welcomed in Macao society and freely admitted into the exclusive official circles. On the day following my arrival, I went in uniform to call upon the Governor in the palace on the Praia Grande. Accompanied by a friend, I rickshaed from the hotel to the gate of the court- yard. The guard at the entrance saluted as we approached ; and I endeavoured to explain the reason of our coming to the sergeant in command. English and French were both beyond his under- standing ; but he called to his assistance a function- ary, clad in gorgeous livery, who succeeded in grasping the fact that we wished to see the aide-de- camp to the Governor. He ushered us into a waiting-room opening off the spacious hall. In a few minutes a smart, good-looking officer in white duck uniform entered. He was the aide-de-camp, Senhor Carvalhaes. Speaking in fluent French, he informed us that the Governor was not in the palace but would probably soon return, and invited us to wait. He chatted pleasantly with us, gave us much interesting information about Macao, and proffered his services to make our stay in Portu- guese territory as enjoyable as he could. We soon became on very friendly terms and he accepted an invitation to dine with us at the hotel that night. The sound of the guard turning out and presenting arms told us that the Governor had returned. Senhor Carvalhaes, praying us to excuse him, went out to inform his Excellency of our presence. In a few minutes the Governor entered and courteously welcomed us to Macao. He spoke English ex- tremely well ; although he had only begun to learn it since he came to the colony not very long before. After a very pleasant and friendly interview with him we took our departure, escorted to the door by the aide-de-camp. On the following day I paid some calls on the British and American residents and then went down to the English tennis-ground, which is situated close to Bella Vista. Here, in the afternoons, the little colony of aliens in Macao generally assemble. The consuls and their wives and families, with a few missionaries and an occasional merchant, make up their number. Close by the tennis-courts, in a high- walled enclosure shaded by giant banyans, lies the English cemetery. That night a civilian from Hong Kong, Mr. Ivan Grant-Smith, and I had an unpleasant adventure which illustrates the scant respect with which the aegis pf British power is regarded abroad. We are prone to flatter ourselves that the world stands in awe of our Empire's might, that the magic words, ** I am an English citizen ! " will bear us scatheless through any danger. The following instance — by no means an isolated one — of how British subjects are often treated by the meanest officials of other States may be instructive. We had dined that evening at the house of one of the English residents in Macao. The dinner, which was to celebrate the birthday of his son, was followed by a dance ; so that it was after one o'clock in the morning before we left to walk back to the hotel, about a mile away. Leaving the main streets, we tried a short cut along a lonely road hemmed in by high garden walls. The ground on one side sloped up, so that the level of the enclosures was but little below the top of the wall fronting the road. As we passed one garden some dogs inside it, roused by our voices, climbed on the wall and began to bark persistently at us. In the vain hope of silencing* them, Grant-Smith threw a few stones at the noisy animals. They barked all the more furiously. A small gate in the wall a little distance farther on suddenly opened and a half-dressed Portuguese appeared. I had happened to stop to light a cigar, and my companion had gone on ahead. The new- comer on the scene rushed at him and poured forth a torrent of what was evidently abuse. My friend very pacifically endeavoured to explain by gestures what had happened ; but the Portuguese, becoming still more enraged, shouted for the police patrol and blew a whistle loudly. An Indian constable ran up. The infuriated citizen spoke to him in Portuguese and then returned inside his garden, closing the gate. The sepoy seized Mr. Grant-Smith by the shoulder. I asked him in Hindustani what my friend had done. The constable replied that he did not know. I said, "Then why do you arrest the sahib?" " Because that man " — pointing to the garden — "told me to do so." " Who is he ? " I demanded, naturally concluding that we must have disturbed the slumbers of some official whom the sepoy recognised. To my astonishment he replied — " I do not know, sahib. I never saw him before." As Grant-Smith was ignorant of Hindustani and the Indian of English, I was forced to act as inter- preter. **Then," said I, "as you don't know of what the sahib is guilty or even the name of his accuser, you must release him." ** I cannot, sahib. I must take him to the police- station." Another Indian constable now came on the scene. I explained matters to him and insisted on his entering the garden and fetching out the com- plainant. He went in, and in a few minutes returned with the Portuguese hastily clad. He was in a very bad temper at being again disturbed ; for, thinking that he had comfortably disposed of us for the night, he had calmly gone to bed. We all now proceeded to a small police-station about a mile away, passing the hotel on the road. Furious at the unjust arrest and irritated at the coolness of the complainant and the stupidity of the sepoy, my friend and I were anxious to see some superior authority. We never doubted that a prompt release and apology, as well as a reprimand to the over-zealous constable, would immediately follow. British subjects were not to be treated in this high- handed fashion ! Arrived at the station, we found only a Portuguese constable, with a Chinese policeman lying asleep on a guard-bed in the corner. The accuser now came forward and charged my companion with ** throwing stones at a dwelling-house," as the Indians informed me. Using them to interpret, I endeavoured to explain the affair to the Portuguese constable. He simply shrugged his shoulders, wrote down the charge, and said that the prisoner must be taken to the Head Police Office for the night. He added that, there being no charge against me, I was not concerned in the matter, and could go home. However, as my unfortunate friend required me as interpreter, I had no intention of abandoning him, and accompanied him when he was marched off to durance vile. The Portuguese policeman at first wished to send him under the charge of the Chinese constable, whom he woke up for the pur- pose ; but we explained that if such an indignity were offered us we would certainly refuse to go quietly with the Chinaman and might damage him on the way. He then allowed the Indian sepoys, who were very civil, to escort us. My luckless companion was then solemnly marched through the town until the Head Police Office was reached, over two miles away. It was a rambling structure in the heart of the city, with ancient buildings and tree-shaded courts. Down long corridors and across a grass-grown yard we were led into a large office. A half-open door in a partition on the left bore the inscription, ** Quarto del Sargento." On the right, behind a large screen, a number of Portuguese policemen lay asleep on beds. The sepoys roused a sergeant, who sat up grumbling and surveyed us with little friendliness. The scene was rather amusing. My friend and I in correct evening dress, as haughtily indignant as Britishers should be under such circumstances, the Indian sepoys standing erect behind us, the surly complainant, whom the light of the office lamps revealed to be a very shoddy and common individual, the half-awakened police- men gazing sleepily at us from their beds, would have made a capital tableau in a comedy. The sergeant rose and put on his uniform. Seating himself at a table in the office he read the charge. Without further ado he ordered a bed to be brought down and placed for the prisoner in the empty '* Quarto del Sargento." He then rose from the table and prepared to retire. I stopped him and demanded that our explanation should be listened to. I told him, through the interpreters, that if the ridiculous charge against my friend was to be pro- ceeded with, he could be found at the hotel. There was no necessity for confining him for the night, as he could not leave Macao without the knowledge of the authorities. The sergeant curtly replied that as there was no complaint against me I had better quit the police-station as soon as possible. If I wished to give evidence for my friend, I could attend at the magistrate's court in the morning and do so. I informed him that I was an officer in the British Army, and demanded to see a Portu- guese officer. He replied that he was a sergeant, and quite officer enough for me. His manner throughout was excessively overbearing and offen- sive. I then threatened to appeal to the British Consul. I am afraid that this only amused the Portuguese policemen, who had left their beds to come into the office and listen to the affair. They laughed amusedly; and the sergeant, smiling grimly, bade the interpreting sepoy tell me that he did not care a snap of his fingers for our Consul. I then played my trump card. I demanded that a message should be immediately conveyed to the aide-de- camp of the Governor, to the effect that one of his English friends with whom he had dined the previous night had been arrested. The effect was electrical. As soon as my speech had been trans- lated to them, all the Portuguese policemen became at once extremely civil. The sergeant rushed to a telephone and rang up the police officer on duty. I caught the words "ufficiales Inglesos" and *'amigos del Senhor Carvalhaes." After a long conversation over the wire he returned smiling civilly, saluted, and said that my companion could leave the station at once. Would he have the supreme kindness to attend at the magistrate's court at ten o'clock in the morning ? If he did not know where it was, a constable would be sent to the hotel to guide him. We marched out with the honours of war. With profuse courtesy we were escorted out of the police- station, a sentry shouldering arms to us as we passed; and the sergeant accompanied us to the outer gate, where he parted from us with an elaborate salute. We reached the hotel about 3.30 a.m. Before nine o'clock I presented myself at the palace, where I interviewed Senhor Carvalhaes and recounted the whole affair to him. He was indignant at the conduct of the police. He told me that we need not attend the court, as he would settle the matter himself Later on my friend and I saw the British Consul, whom we knew personally, and told him all that had happened. He said that he could not have helped us in the least had we appealed to him. Some time previous an English colonel, in company with several ladies, had been arrested by the police for not removing his hat when a religious procession passed. As this officer happened to be a Roman Catholic, his action was not meant to be disrespectful. He was not released until the British Consul had interviewed the Governor. By a curious coincidence I met this colonel some months later in Seoul, the capital of Corea. That afternoon Grant- Smith and I were invited to the Portuguese Naval Tennis Club ground near Flora, the Governor's summer residence. Carvalhaes, who was present, came to me and told me that the affair was setded. The trumpery charge had been dismissed; and the Indian con- stable who had arrested Grant-Smith had been punished with six weeks' imprisonment. As the unfortunate sepoy had only done what he con- sidered his duty and had been very civil throughout, as well as helping me considerably by interpreting, I begged that the punishment should be transferred from him to the discourteous Portuguese sergeant On my representations the Indian was released; but I doubt if the man of the dominant caste received even a reprimand. Our adventure was now common property. We were freely chaffed about the arrest by the Portu- guese officers and the British residents present at the Tennis Club. The wife of the Governor laugh- ingly bade one of the English ladies bring up the ** prisoner " and present him to her. When one reflects that this quaint and old-world little Portuguese colony is only forty miles from Hong Kong with its large garrison, our treatment by its insolent subordinate officials does not say much for the respect for England's might which we imagine is felt throughout the world. I had another experience of an arrest in Japan. The spy mania is rife in that country; and no photo- graphing is permitted in the fortified seaports or in large tracts of country '* reserved for military pur- poses." In the important naval station of Yuko- suka, an hour s journey by train from Yokohama, an American gentleman and I were taken into custody by a policeman for merely carrying a camera which, knowing the regulations, we had been careful not to use. We found afterwards that our ricksha coolies had given information. I was fortunately able to speak Japanese sufficiently well to explain to our captor that we had no intention of taking surreptitious photographs of the warships in the harbour. I pointed out that as most of these vessels had been built in England it was hardly necessary for a Britisher to come to Japan to get information about them. Our little policeman — with the ready capacity of his countrymen for see- ing the feeblest joke — was immensely tickled. He laughed heartily and released us. But shortly after- wards an Italian officer, on his way to attend the Japanese military manoeuvres, innocently took some photographs of the scenery near Shimoneseki. He was promptly arrested and subsequently fined forty yen {jC4) for the offence. A few days later an Englishman at Moji was taken into custody for the same crime. Moral : do not carry a camera in Japan ; content yourself with the excellent and cheap photographs to be obtained everywhere in that country of delightful scenery. To return to Macao. Its greatly advertised attraction is the famous Chinese gambling-houses, from the taxes on which is derived a large portion of the revenues of the colony. Most visitors go to see them and stake a dollar or two on the fan-tan tables. I did likewise and was disappointed to find the famed saloons merely small Chinese houses, the interiors glittering with tawdry gilt wood carving and blazing at night with evil-smelling oil lamps. On the ground floor stands a large table, at the head of which sits the croupier^ generally a very bored-looking old Chinaman. Along the sides are the players, who occasionally lose the phlegmatic calm of their race in their excitement On the ** board" squares are described, numbered i, 2, 3, and 4. On them the money is staked. The croupier places a handful of ''cash/' which are small coins, on the table and covers them with an inverted bowl. The number of them is not counted, as he takes them at random from a pile beside him. As soon as all the stakes are laid down, he lifts the bowl and with a chopstick counts the coins in fours. The number left at the end, which must be one, two, three, or four, represents the winning niunber. The bank pays three times the stake deposited, less ten per cent., which is kept as its own share of the winnings. In a gallery overhead sit European visitors and more important Chinamen who do not wish to mix with the common herd around the table. Their stakes are collected by an attendant who lowers them in a bag at the end of a long string, and the croupier places them where desired. Fan- tan is not exciting. The counting of the coins is tedious and the calculations of the amounts to be paid out to the winners takes so long that the game becomes exceedingly wearisome. Other attractions of Macao are the ruins of the old cathedral of San Paulo, built in 1602 and de- stroyed by fire in 1835, of which the facade still remains in good preservation ; and the Gardens of Camoens, with a bust of the famous Portuguese poet placed in a picturesque grotto formed by a group of huge boulders. Camoens visited Macao, after voyaging to Goa and the East by way of the Cape of Good Hope. In the basements of some of the older houses in Macao are the Barracoons, relics of the coolie traffic suppressed in 1874. They are large chambers where the coolies, to be shipped as labourers to foreign parts, were lodged while awaiting exporta- tion. Among other points of interest near the city is the curious natural phenomenon known as the Ringing Rocks. They are reached by boat to Lappa. They consist of a number of huge granite boulders, supposed to be of some metallic forma- tion, picturesquely grouped together, which, when struck, give out a clear bell-like note, which dies away in gradually fainter vibrations. Altogether Macao is well worthy of a visit. The contrast between the sleepy old-world city, which looks like a town in Southern Europe, and bustling, thriving Hong Kong, all that is modern and business-like, is very striking. For the moneymaker the English colony ; for the dreamer Macao.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Espólio do Governador Gabriel Teixeira no AHU

Em Dezembro de 2007, foi feita ao AHU pelo Senhor José Luís Vieira de Castro Teixeira, doação de documentação do espólio de seu pai, capitão-de-mar-e-guerra Gabriel Maurício Teixeira, que foi Governador de Macau entre 1940 e 1946 e governador-geral de Moçambique entre 1946 e 1958.
O espólio é constituído, essencialmente, por álbuns fotográficos, pastas de correspondência, relatórios, mensagens e impressos da Junta de Investigações do Ultramar, como se pode ver na relação provisória adiante transcrita.
Documentos relativos a Macau:
1. Álbum fotográfico das documentações dos centenários da fundação e restauração de Portugal em Macau.
2. Mensagem ao governador de Macau Gabriel Teixeira pelos membros da Comunidade Asiático-Britânica em 1945.
3. Homenagem da Comunidade Francesa de Macau.
4. Mensagem da Comunidade Asiático-Britânica em 1944.
5. Mensagem da Comunidade Indiana ao Governador de Macau Comandante Gabriel Teixeira.
6. Mensagem da Comunidade Irlandesa em Macau.
7. Mensagem da Comunidade Holandesa ao Governador de Macau.
8. Mensagem da Comunidade Filipina ao Governador de Macau.
9. Carta da Associação Confuciana de Macau.
10. Mensagem da Comunidade Portuguesa de Hong Kong refugiada em Macau.
11. Mensagem da Comunidade Britânica de Macau.
12. Mensagem da Comunidade Russa refugiada em Macau.
13. Pasta contendo diversos documentos “cartas, relatórios, etc.…” relativos ao período em que o Comandante Gabriel Teixeira foi Governador de Macau.
14. Álbum relativo às comemorações do centenário da fundação e restauração de Portugal em 1940

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Historiador português investiga diáspora macaense em Xangai

A História daqueles que partiram
Um historiador português está a fazer um trabalho de investigação sobre o primeiro grande movimento migratório da comunidade macaense. É uma viagem aos meados do século XIX e a Xangai, numa tentativa de perceber as características da comunidade que lá se instalou e das repercussões para a terra de onde partiu.
É uma abordagem da História em que o povo adquire mais importância do que os habituais protagonistas políticos. Mais do que relatos de vitórias e conquistas, são as estórias das pessoas que interessam a Alfredo Gomes Dias, historiador português que se dedica ao estudo de Macau há mais de duas décadas. Depois de uma série de estudos e livros publicados sobre diferentes temas, o investigador está agora no encalço dos movimentos migratórios dos meados do séc. XIX, aqueles que deram origem à diáspora macaense.“Estou a estudar a primeira fase da diáspora, que corresponde à saída para as regiões mais próximas: Hong Kong e Xangai”, explicou Gomes Dias ao PONTO FINAL.
A abordagem é feita nas perspectivas demográfica e social. Embora inclua o movimento migratório para a antiga colónia britânica, o estudo (feito para a tese de doutoramento) analisa detalhadamente a comunidade de Xangai, desde que foi fundada, nos finais de 1840, até à seu término, que aconteceu com a proclamação da República Popular da China, em 1949. Sobre a metodologia do trabalho, Alfredo Gomes Dias explica que tem “acesso quantitativo às pessoas que emigraram, através dos registos dos consulados”. É a partir destes dados que está “a tentar reconstruir o fluxo migratório, complementado com outras fontes no que toca à descrição das cidades e dos seus recenseamentos”.
A tese vai ainda incluir uma análise sobre o impacto que a emigração teve na própria sociedade macaense. “Há fenómenos sociais que ocorreram em Macau na segunda metade do século XIX que têm origem no fenómeno migratório e que, até agora, nunca foram abordados nessa perspectiva”, defende.
A diáspora macaense em Xangai enquanto tema da tese surgiu “um pouco por acaso”, conta. “Inicialmente, a ideia era fazer um estudo centrado no porto de Macau. Comecei a fazer alguma investigação no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), associada às questões da cidade e da demografia”. Durante esta pesquisa, encontrou os livros de registo do consulado de Xangai, “material abundante” sobre a diáspora. E assim decidiu pelo caminho do estudo das emigrações. Gomes Dias espera ter o trabalho concluído até ao final deste ano. “Estou a terminar a investigação empírica, o levantamento dos dados. A partir de Novembro e complementando com mais algumas leituras, estarei apto para começar a escrever a tese”, explicou, de passagem por Macau.
O trabalho, que está a ser feito no departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, surge na sequência daquela que tem vindo a ser, nos últimos anos, a abordagem do académico: a História Social, a “História das pessoas”. “Esta minha aproximação ao movimento migratório e à diáspora é uma forma de tentar fazer uma História mais aproximada do povo, que muitas vezes é esquecido”, enquadra. Sobre a disparidade dos factos históricos locais consoante as fontes, o investigador minimiza o problema. “A história tem um lado subjectivo que depende sempre de quem a escreve, quer seja português, chinês ou francês. O que se passa com Macau não é diferente.” A grande dificuldade dos historiadores ocidentais prende-se com o acesso às fontes chinesas, mas até mesmo neste aspecto o cenário tem vindo a melhorar. “Temos cada vez mais acesso a textos escritos por autores chineses, que têm a sua versão, e que nos permite ir aproximando as nossas versões daquilo que é o olhar chinês.”
in jornal Ponto Final de 13.10.2008 - artigo da autoria de Isabel Castro

Foto do álbum de Maria Augusta de Gascia e Figueiredo, de Shanghai, lembrando os tempos passados em Shanghai/China nos anos 30. Photos from her album remember the old days passed in Shanghai/China in the 30's. Divulgação/published by Projecto Memória Macaense www.memoriamacaense.org

Sob o Signo da Transição - Macau no Século XIX

Livro de Alfredo Gomes Dias editado pelo Instituto Português do Oriente em 1998.
Professor da Escola Superior de Educação de Lisboa, Alfredo Gomes Dias estudou História na Faculdade de Letras de Lisboa.
O interesse por Macau surgiu em 1986, época em que o território “estava muito presente nos jornais, por causa do processo das negociações que levaram ao acordo sobre a transferência”. As notícias foram ao encontro da curiosidade que o historiador já tinha sobre Macau. E foi assim que deixou África enquanto tema de investigação e passou a olhar para o Oriente. O primeiro estudo foi dedicado à Guerra do Ópio. “Desde então nunca mais deixei Macau, apenas fui saltando de temas e de estudos.”

Jornal O Independente: 1868-1898

Este jornal começou por ser um "quinzenário político e noticioso". A sua edição foi suspensa por diversas vezes. Teve também vários formatos e direcções. A redacção ficava no nº 1 da Rua Central. Apesar de uma vida atribulada, foi editado durante praticamente 30 anos.

Presença inglesa em Macau nos séculos XVII e XVIII

Rogério Puga, que há pouco tempo regressou de Macau (onde era porofessor na Universidade local) para Portugal, é presença assídua aqui no blog.
O segundo livro do historiador acaba de ser editado e intitula-se “Presença inglesa e as relações anglo-portuguesas em Macau (1635-1793)”. A obra de 207 páginas foi publicada pelo Centro de História de além-Mar (Universidade Nova de Lisboa e Universidade dos Açores) e pelo CCCM com o apoio da Fundação Macau.
“O trabalho de pesquisa para o livro demorou cerca de 4 anos e foi feito em Macau, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos,” explica o autor adiantanto que se trata da “primeira história da presença inglesa em Macau”.
O estudo cruza informação de fontes portuguesas, inglesas e chinesas e revela as vicissitudes e as especificidades da Macau luso-chinesa, mas também da dimensão anglófona do território desde o século XVIII. O trabalho consiste num historial da presença inglesa inicialmente no Oceano Índico, na senda dos portugueses, e posteriormente no Extremo Oriente, mais especificamente em Macau, entre 1635 e 1793, e ainda no Japão, entre 1613-1623, de onde os ingleses tentam estabelecer, em vão, comércio directo com a China.“Após a fundação da Companhia das Índias, em 1600, a Inglaterra inicia o longo processo de expansão comercial e colonial na Ásia, entrando os objectivos comerciais dos mercadores norte-europeus em confronto com os interesses portugueses no Oceano Índico e no Extremo-Oriente, nomeadamente na China e no Japão. A edilidade local de Macau, sobretudo a partir do fim do comércio com Nagasáqui, tenta, a todo o custo, defender o seu monopólio comercial no Império do Meio”, refere o resumo da obra de Puga.A partir de 1700, a presença inglesa torna-se permanente no eixo Macau-Cantão, forçando as administrações lusas e chinesas a adaptarem-se a essa nova realidade, enquanto a economia de Macau se torna gradualmente dependente da presença (indesejada) dos sobrecargas e agentes comerciais ingleses, cujo volume de comércio rapidamente ultrapassa o do trato português, defende o autor. As relações anglo-portuguesas na China Meridional acabam por influenciar a interacção do Senado e do governador de Macau com o mandarinato e forçam os primeiros a defender quer os seus interesses, quer a sobrevivência da cidade em quatro frentes: Goa, Cantão/Pequim, Lisboa e Londres.
Actualmente, Rogério Miguel Puga é investigador auxiliar do Centre for English, Translation, and Anglo-Portuguese Studies (Universidade Nova de Lisboa, Universidade do Porto) e colaborador do Centro de História de Além-Mar e do centro de Estudos Comparatistas (Universidade de Lisboa). Além disso, é docente na Universidade de Macau e colaborador regular no Hoje Macau.
Texto elaborado a partir de uma notícia do jornal Hoje Macau de 27.10.2009

Ponto de encontro

Algum dos leitores de “Macau Antigo” se lembra de Olímpio Jesus dos Santos? Militar em Macau nos anos 50/60?
Responder nos comentários ou a ernestocesar@netcabo.pt

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O fim de uma era *

Alguns dos negócios de Macau vivem quase exclusivamente, ou em grande parte, dos portugueses. E não apenas actividades cuja propriedade é de portugueses, mas também outros, de chineses.
A partida dos portugueses está a reflectir-se em muitos dos negócios chineses de Macau. Ourivesarias, modistas, alfaiates, lojas de mobiliário, antiquários, institutos de beleza, cabeleireiros e supermercados perderam nos últimos meses grande parte dos seus clientes. Nos próximos tempos os números vão decair ainda um pouco mais. Alguns já prevêem o encerramento, outros vão esperar para ver.Gige Cheng é uma das modistas mais procuradas pelas portuguesas. Entre as suas clientes conta com «a fina de flor de Macau», entre juristas senhoras com altas posições na administração pública e mesmo esposas de secretários-adjuntos. Cerca de 80 porcento das suas clientes têm mais de 40 anos e um gosto tradicional.Na sobreloja de uma boutique discreta, perto do mercado de São Francisco, e com a ajuda de uma única costureira, Gige prova, corta e coze tailleurs e vestidos de noite, para uma determinada elite portuguesa. «Quando há visitas presidenciais tenho sempre muito trabalho, há quem encomende dois ou três fatos, um para cada um dos cocktails, almoços e jantares do acontecimento», conta. Na altura da entrevista Gige tinha entre mãos dezenas de vestidos de noite para os festejos da transição. «Tenho uma relação de muitos anos com certas clientes e criei mesmo amizade com algumas», admite. Gige é modista há mais de 20 anos e chegou a ser professora de corte e costura. «Ensinei mesmo algumas portuguesas», relembra. Quando montou o seu negócio as clientes eram metade portugueses, metade chinesas com boa situação económica, mas muitas destas emigraram. A sua clientela ficou então pelos 98 por cento de portuguesas. «Mas neste último ano já perdi quase 80 por cento das regulares», diz. Algumas pedem-lhe para ir para Portugal. Gige tem passsaporte português mas a família está toda em Macau e Hong Kong. A reforma parece-lhe uma escolha mais óbvia. «As roupas de prêt-à-porter são muito baratas e em Zhuhai as modistas trabalham por um preço inferior, se bem que com menos qualidade», revela Gige. Por isso, talvez não lhe reste mais nada a não ser fechar a loja.

Bordados e serviços de Cantão
George Kei, ou Ah Kei, como é mais conhecido, tomou, em Julho de 1999, um dos negócios mais populares entre os portugueses, aquele de Ah Mei, «que, como não tinha visto, teve que voltar para a China». Original de Tsing Tao, terra da melhor cerveja chinesa, George chegou a Hong Kong há 15 anos. Aprendeu inglês e estudou português nos cursos promovidos pelo consulado de Portugal em Hong Kong. «Conhece a minha professora?» pergunta.Era fornecedor de Ah Mei e como tem o seu próprio negócio em Hong Kong resolveu correr o risco nestes últimos tempos da permanência portuguesa em Macau Vende sobretudo toalhas de linho e algodão bordado e serviços de Cantão, que sempre foram muito populares entre os portugueses, que antes da abertura da loja de Ah Mei, iam a Zhuhai, a cidade vizinha a Macau, comprá-los. «O portugueses são os únicos que compram estes produtos de maior qualidade, os estrangeiros, americanos, australianos etc. compram toalhas de poliester e produtos inferiores», revela.«Ontem mesmo a esposa do senhor governador esteve aqui», conta. Mas apesar da popularidade do negócio «o movimento decresceu bastante nestes últimos meses», confessa. Aparecem no entanto muitos turistas portugueses «mas levam produtos leves, nunca levam serviços de louça porque são muito pesados». Ah Kei espera que a loja, na Travessa dos Becos, tenha condições para permanecer aberta até pelo menos ao Ano Novo Chinês, mas não conta permanecer para além de meados do próximo ano.«Vão ficar tão poucos portugueses em Macau que a situação não é muito optimista», explica.

O supermercado dos portugueses
Há mais de 30 anos que o pai de Liu Kong Seng abriu um supermercado no Largo do Senado que se tornou o preferido dos portugueses. Durante as convulsões do «1,2,3», em 1966, o senhor Seng fornecia os portugueses à sucapa, se bem que quase todos os outros estabelecimentos se recusassem a fazê-lo. Neste momento a Seng Cheong tem cinco supermercados, na Taipa e em Macau, e prepara-se para abrir um novo estabelecimento nos Novos Aterros do Porto Exterior «onde moram muitos portugueses», frisa o proprietário.A importação de produtos de Portugal - azeite, azeitonas bacalhau, chouriço - ou de produtos ao gosto luso tem sido um factor de atracção. «Vamos continuar a vender esses produtos, para os macaenses e para os portugueses que cá ficarem», afirma Liu Kong Seng, esperançado que no futuro «mais portugueses venham para Macau, talvez para fazer negócio».Segundo este comerciante, até há alguns meses 75 porcento dos seus clientes eram portugueses, mas essa percentagem desceu para 50 por cento. A abertura de outros supermercados também contribuiu para a que o negócio piorasse mas os portugueses continuam fieis ao Seng Cheong, «não só por causa dos produtos, mas também porque temos um sistema de entrega ao domicílio e os portugueses fazem compras para a semana ou o mês, ao contrário dos chineses que comprar todos os dias», diz o proprietário.

Depilação e tratamentos de beleza
Outro negócio adaptado aos requesitos dos portugueses, neste caso das portuguesas, é o dos salões de beleza que fazem depilação com cera. «Todas as nossa clientes para esse tipo de serviço são portuguesas», diz a proprietária da casa Candy's, Meggie Tam. «Aqui há uns anos fazíamos até 120 mil patacas por mês», informa. «Agora, com a partida das portuguesas não chegamos às 45 mil», diz. Actualmente só metade das clientes são portuguesas e estas já não pedem os tratamentos mais caros, nem compram cremes de beleza. «Antigamente faziam tratamentos de pele completos», diz Meggie, «agora pedem os mais simples e baratos, talvez porque estejam a poupar para voltar a Portugal, onde vão ganhar muito menos do que aqui», diz a esteticista.
Pérolas e ouro a caminho de Portugal
O gerente da ourivesaria Ta Pou, no Hotel Lisboa, admite igualmente que as vendas baixaram bastante por causa da partida dos portugueses, que constituem mais de metade dos seus clientes.«Mas em Novembro e Dezembro o negócio está melhor, por causa do grande prémio e da transferência de soberania», diz William Cheong. Os muitos turistas de Portugal acabam por ir compar ourivesaria à casa que gere, aconselhados por amigos que cá viveram.Apesar de haver bastante concorrência nesta área, a Ta Po atraíu os portugueses porque há mais de 20 anos que se especializou nos gostos destes. «O que procuram mais são pérolas e ouro», explica, « e compram produtos mais baratos que os chineses mas em maior quantidade». Para o ano, William Cheong prevê que o negócio baixe substancialmente. Por isso a Ta Po prepara-se para abriu uma filial em Portugal. «Não sabemos ainda precisamente onde, mas temos lá bons amigos e penso que teremos sucesso», explica o gerente.

Fatos para governadores
Domingos Cheong, ou simplesmente «o senhor Domingos», como é conhecido na comunidade portuguesa, fez nome a cortar fatos para governadores e outros portugueses de nomeada. Entre os governadores contam-se Rocha Vieira, Nobre de Carvalho, Almeida e Costa e Pinto Machado. Mesmo alguns nomes sonantes que só estiveram em Macau de passagem, como Mário Soares, Almeida Santos, ou Adriano Moreira fizeram fatos no senhor Domingos.Alfaiate há mais de 30 anos, confessa que os tempos são maus, não só por causa da partida dos portugueses mas também por causa da crise económica. Nos últimos tempos os clientes portugueses, que constituem metade da sua clientela, têm andado mais preocupados em «compar casa, automóvel, frigorífico e coisas mais importantes do que fatos», diz Domingos Cheong, num português arranhado, desenvolvido ao longo de décadas de contacto com os seus clientes.Já foi a Portugal duas vezes mas parece-lhe muito difícil montar lá negócio. «É preciso é ter esperança», diz, optimista. «Pode ser que para o ano as coisas melhorem». No entanto, Edmundo Ho, o chefe do executivo, não vai continuar a tradição dos seus antecessores. «Ele não manda fazer fatos, não é muito exigente, compra-os já feitos», diz o alfaiate, num certo tom de crítica.

Mobílias e antiguidades
Um outro comércio se tem ressentido da partida dos portugueses: as lojas de antiguidades e de mobiliário chinês antigo. «Perdemos muito negócio nos últimos tempos, devido à partida dos portugueses», diz Rosalina Guia proprietária da loja Cheong Hing. «Antigamente fazíamos mais de 150 mil patacas por mês, mas agora nem chegamos às 100 mil», refere. Antes da transferência de soberania de Hong Kong vendiam bastante aos estrangeiros de Hong Kong. «O que nos salva são ainda esses, mas a partida dos portugueses foi uma grande machadada», diz Rosalina Guia.«Os muitos turistas de Portugal ajudam um pouco mas geralmente só compram coisas pequenas», diz uma empregada da casa Soi Cheong Lorna. «Os chineses não gostam de mobílias usadas ou de antiguidades, só de peças novas e modernas», informa Espi outra vendedora da mesma loja. «Se as coisas continuarem assim talvez a casa tenha de fechar brevemente», continua a filipina. Uma situação que lhe cria a elas e a todas as outras filipinas que trabalham neste ramo problemas de permanência em Macau.«Este ano vendemos 30 por cento menos do que no ano passado devido à partida dos portugueses», diz Sylvia Leung. As vendas baixaram não só em termos de quantidade mas também em termos de qualidade. «Os portugueses compram sobretudo armários, cadeiras, mesas, produtos maiores e mais caros», diz a proprietária da loja Mok Min. «Vamos esperar que continue a haver turistas para o ano, se não vai ser difícil manter o negócio». Os responsáveis por algumas das lojas pensam que a única solução é a exportação. Rosalina Guia afirma que essa parece ser a saída, «mas quando enviamos uma peça para a Europa o preço duplica», explica.Mais um sector da economia de Macau afectado pela partida dos portugueses. Negócios que talvez se tenham de reformular ao gosto local, ou pura e simplesmente deixarão de existir.
* Artigo da autoria da jornalista Clara Gomes publicado na Revista Macau em Dezembro de 1999

Uma vida em Macau *

As suas histórias individuais são mais do que só isso: são pedaços da história de Macau. São portugueses, mas há várias décadas que trocaram o luso solo por uma terra que lhes abriu os braços e que, na maioria dos casos, não desejam abandonar.
Aqui vieram parar pelos mais diferentes motivos: por amor ou casamento, para cumprir o serviço militar, ou então apenas à procura de destino diferente daquele que Portugal lhes reservava.Macau não era a cidade que é hoje. Era uma pequena vila onde todos se conheciam, onde se andava de riquexó, onde se dormia ao som da ventoinha, quando se tinha o privilégio de ter uma, onde ir à praia de Cheoc Wan era uma aventura para todo um fim de semana. A vida era pacata, todos os portugueses sabiam tudo de todos e a sociedade era altamente estratificada e moralista. Quase todos aqueles com que falámos pensam que a vida em Macau melhorou bastante e não são saudosistas em relação ao passado mas admitem que quando a bandeira das cinco quinas descer vão sentir um nó no peito. Alguns como Alberto Alecrim, preferem não assistir ao evento. «Já viste chau min temperado com alecrim?», pergunta, com o humor que lhe é bem conhecido. «Não tenho coração para ver descer a bandeira», diz enquanto sorve um golo de whisky pela chávena do café. Partiu recentemente para Portugal mas não sem a ameaça de cá voltar, tanto mais que a mulher com quem vive há anos aqui permanecerá. Mas terá de evitar o momento em que os chineses que Macau, este secular porto de abrigo, acolheu há uma geração ou duas, de pé descalço, venham gritar «abaixo a humilhação colonialista», um dos slogans já estabelecidos pela Agência Nova China. «São esses, não os chineses de Macau, que agora irão dar vivas à China», pensa o jornalista e animador de rádio que chegou a Macau em 1965. Trabalhou na Emissora nacional colaborou nos jornais e fez parte dos quadros do Gabinete de Comunicação Social até se reformar em 1995. Alecrim fez o serviço militar em Goa onde chegou a estar preso seis meses, após a ocupação indiana. De volta a Portugal pediu a colocação na radio emissora de Angola mas um conhecimento arranjou-lhe emprego na emissora de Macau, «a mais antiga de todas».«Sempre tinha ouvido dizer que Macau era o paraíso», diz Alecrim. Quando chegou não ficou decepcionado se bem que o paraíso já não fosse o que era: já não existiam as pei pa chan e as casas de ópio na Rua da Felicidade nem o Hotel Central, marcos da vida mundana de Macau. Mas a Horta e Costa era ainda uma zona de vivendas, onde as pessoas iam passar férias. Foi ali que foi morar a princípio mas depois mudou-se para a Calçada das Verdades onde pagava 250 patacas de renda. «muito dinheiro, naquela altura em que ganhava 1.134 patacas por mês!»Luis Gonzaga Gomes, «um homem introvertido e autodidata», apresentou-lhe a cidade, em longos passeios.A altura mais conturbada que viveu em Macau foi o «1,2,3» a guerra do chau min como gosta de lhe chamar. Durante cerca de dois meses, no final de 1966, a Revolução Cultural entrou pelas Portas do Cerco adentro. Os portugueses eram expulsos dos autocarros, as mercearias recusavam-se a fornecer-lhes alimentos, os policias eram despidos e agredidos e as manifestações de jovens de livro vermelho na mão sucediam-se. Alecrim, mesmo assim aventurava-se na Praça do Leal Senado, onde viu derrubarem a estátua do coronel Mesquita, para ir até ao edifício dos correios onde ficava a emissora. «Os meus amigos chineses iam-me buscar comida e o Seng Cheong fornecia os portugueses à socapa», conta. O que pensa que salvou a situação foi o facto de os comunistas serem muito organizados. «Se assim não fosse penso que teriam matado toda a gente». A atitude do governador Nobre de Carvalho, chegado em plena crise, foi também importante. «Portugal disse para entregarem isto mas ele, que era um diplomata, resolveu a situação».O 25 de Abril foi outra fase interessante que Alecrim viveu em Macau. Soube do golpe pelo cantor Rui de Mascarenhas, que nessa altura cantava no restaurante Portas do Sol. Depois recebeu os telexes da France Press e da Reuters, que, antes de divulgar, entregou ao então major Lages Ribeiro que controlava a informação oficial. Surgiram então uma série de associações cívicas. Alecrim simpatizava com a ADIM de Carlos Assumpção. «Ninguém é imprescindível mas ele era».Com o seu humor típico, Alecrim não pára de contar histórias de outros tempos e de fazer considerações sobre o papel de governadores e de administradores. «A China nunca nos deu nada, só imigrantes de pé descalço, mas depois de se acordar a transferência, os chineses começaram finalmente a investir», diz sobre um país que acha que sem um regime comunista dificilmente poderia existir. Quanto a Portugal, «nunca mandou um avo para aqui, foi sempre Macau que deu para as outras colónias».Enquanto sorve mais um golo de whisky Alecrim faz planos relativamente aos móveis e outros pertences, que se prepara para embalar para Lisboa, ao fim de uma vida de 35 anos em Macau. Aqui lhe morreu a esposa e um filho, lhe nasceu uma das suas duas filhas e três netos. Em Portugal estará mais perto deles. Mas como a sua companheira fica em Macau, promete voltar brevemente. Talvez o chau min ainda venha a ter alecrim...

Memórias e dominó
No bar da Obra Social da Polícia de Segurança Pública, grupos de idosos jogam ora dominó, ora majong, conforme a cultura. Alguns bebem uma cervejinha ou um chá, conforme o estado de saúde, e conversam. Tratam-se pelas alcunhas que herdaram do serviço militar que os trouxe a Macau antes de ingressarem na polícia. Deixar Macau não parece estar nos planos da maioria. Alguns andam entre Portugal e Macau conforme a estação do ano. Quando lá é Inverno vêm para aqui, onde faz menos frio, mas no Verão refugiam-se da humidade no clima mais temperado do país de onde são naturais. Quase todos concordam que se Portugal é bonito e a comida muito melhor, também é verdade que aqui se gasta menos dinheiro, a vida é mais calma e tudo fica mais perto.A transferência não os assusta, é só mais uma etapa na vida de quem já viu muitas mudanças em Macau.«Eu cá faço vida de turista ando entre cá e lá», afirma José Manuel Duarte também conhecido por «Velhinho». Chegou a Macau em 1962. «Quando cá cheguei, a minha vontade era ir-me embora, isto era só barracas e hortas», diz. Mas não foi. Casou-se e teve filhos, que o ligaram para sempre à terra que a princípio tanto o desiludiu.Adriano Pinto não só casou, como o fez três vezes desde o ano em que chegou, 1949. «E ainda estou para as curvas», ironiza antes de perguntar se conheço o seu filho, o Miro que é cantor. Daniel Pereira que chegou a Macau em 1957 tem quatro filhos e se bem que vá a Portugal todos os anos prefere viver em Macau. «Que faria lá? Ia-me sentar num banco de jardim? Para isso sento-me num banco de jardim aqui», diz, referindo os impostos que em Portugal se pagam sobre as pensões. Daniel Pereira lembra tempos em que em Macau havia menos crimes e mais respeito pela lei e lamenta a mudança dos costumes. «Antigamente se fossemos apanhados a fumar levávamos um grande castigo. Hoje até telefone portátil levam para as rondas...». O guarda reformado não lamenta ter cá feito a sua vida. Se tivesse voltado após a tropa esperava-o a vida dura do campo na zona de Alcácer do Sal onde andava à jorna a 14 escudos por dia.Era também esse o destino do «Espanhol», Bernardino Azevedo, se tivesse regressado. «Esperava-me a enxada, mais nada», admite o polícia que ganhou a alcunha na Guerra Civil de Espanha. Chegou a Macau há 57 anos e foi aqui que aprendeu a ler.

O polícia jardineiro
Origens semelhantes tem o «General», que apesar dos seus 76 anos, 54 em Macau, se conserva activo. Francisco Azevedo toma conta dos deficientes mentais que se encontram no Posto da PSP junto ao canídromo, trata dos equipamentos dos grupos desportivos da polícia e dos jardins de três esquadras. «Dantes também tinha aqui uma horta», observa, apontando para as traseiras do belo edifício do Posto nº2. «Cheguei a oferecer mais de 100 couves portuguesas por alturas do Natal». O «Jardineiro» seria uma alcunha mais bem achada para este policia reformado, mas o bigode retorcido e bem tratado valeu-lhe o cognome militar.Como meio de transporte não prescinde do seu motociclo. É nele que à frente do pelotão, envergando o colete nº1, lidera a maratona de Macau. O «General» fez o serviço militar durante a II Guerra Mundial. Em Junho de 1946 o seu batalhão foi destacado para Macau. Nessa altura ia-se facilmente à China, buscar materiais e até passear. «Em 1947 foi enviada uma delegação militar a Cantão e em 1948 a filha de Chiang Kai Chek veio de visita a Macau, num barco de guerra», relembra o então soldado raso. Porém em 1949, após os comunistas assumirem o poder, fecharam-se as Portas do Cerco. Nessa altura a única rua alcatroada era a Av. Almeida Ribeiro e a Areia Preta era um porto de abrigo. «Só havia pequenos negócios, de peixe salgado, panchões, ou fósforos, algumas lojas que vendiam de tudo e casas de chá», recorda. Transportes, só as carreiras para a China e os riquexós. «Entrei uma vez num mas ao fim de 200 metros saí. Tive pena do homem, a puxar descalço, arreado como um animal», conta. Nunca mais andou de riquexó.Os portugueses eram quase todos militares e os macaenses empregados da administração pública. Os divertimentos eram poucos, segundo o guarda reformado. «No Hotel Central e no Hotel Xavier havia jogo e dança mas só lá entravam os oficiais.»«Um soldado ganhava 30 patacas e um guarda 200», especifica. Quando entrou para a polícia em 1950 começou por receber 245 patacas e fardamento. «Dava para viver mal». Mesmo assim, nesse ano, casou-se com uma senhora chinesa. «A princípio mal conseguíamos falar mas com o tempo ela aprendeu a língua e a cozinha portuguesas». Também ele aprendeu a falar cantonense, em parte nos cursos que eram obrigatórios para os guardas portugueses. Hoje usa a língua com destreza e rapidez, como se fosse um falante nato.Sempre ligado ao desporto, era a Francisco Azevedo que competia cuidar do campo de futebol por trás do Posto nº2, o que fazia ajudado por um grupo de presos, «pakfanistas», deficientes e outros indigentes que estavam a cargo da PSP antes do IASM assumir essa responsabilidade. «Sempre lidei bem com eles e os outros polícias não se importavam com o que lhes acontecesse», justifica. Hoje, trata ainda de um grupo de oito indigentes, que comem e dormem ao lado do jardim da esquadra.Para além do «1,2,3» um dos momentos mais marcantes da história de Macau foi, segundo o «General», o ataque dos chineses na fronteira, em 1952. Quando um soldado de Macau entrou em terra de ninguém para fechar as portas, ao anoitecer, foi atingido numa perna por um tiro do lado chinês. Esvaiu-se em sangue antes de ser socorrido. O governo pediu voluntários para fechar a porta e quando estes o foram fazer os chineses lançaram granadas. «Nessa altura havia cerca de cinco mil soldados em Macau», diz o polícia reformado. A resposta à provocação não tardou «Morreu muita gente do lado de lá sobretudo, civis que viviam em barracas junto à fronteira», relata o «General» que esteve «agarrado» a uma metralhadora no terraço do Posto nº2. Mais tarde houve conversações e Macau pediu uma indemnização para as famílias dos falecidos. «Já nessa altura se falava em entregar Macau, mas os chineses não quiseram», conta.A partida dos portugueses não o assusta. «Sempre tive mais amigos chineses que portugueses». Apesar de não ter filhos, a esposa tem cá a família, nomeadamente a mãe que vive em Cantão e tem mais de cem anos de idade. «Penso que não haverá grandes desacatos. Talvez algumas rixas provocadas pelos pés descalços levados pela propaganda». Mas, até ver, vai ficando, se bem que não prescinda de umas visitas a Santo Tirso onde toda a sua família se dedica à agricultura e horticultura.

Silveira Machado: um Macau divertido
Aos 81 anos Silveira Machado, professor, escritor e poeta conta estórias da história de Macau como ninguém. Sempre charmoso, sobretudo para as senhoras, não é difícil puxar-lhe um conto ou mesmo um poema sobre esta terra que o acolheu há 66 anos.Apesar de aqui ter passado a II Guerra Mundial acha que os piores momentos que aqui viveu foram os do «1,2,3». «Nessa altura já tinha quatro filhos enquanto durante a guerra era solteiro», explica. O pior eram os boatos como aquele sobre o envenenamento do reservatório de água. «Os altifalantes transmitiam informações como por exemplo que os portugueses estavam a roubar o arroz a Macau para enviar para Angola», conta o professor reformado. No entanto, admite que havia portugueses que abusavam do poder, «sobretudo os macaenses e os polícias».Mas, com o seu espírito optimista Silveira Machado arranja até maneira de se lembrar de histórias engraçadas do «1,2,3». Todos os portugueses foram mobilizados e a ele coube-lhe guardar o Banco Nacional Ultramarino. «A maioria nem sabia pegar numa arma», ri-se. Antes da noitada iam buscar um lanchinho e algumas garrafas de vinho a casa e a vigília acabava em paródia. «Dormíamos em cima das secretárias e revezávamo-nos para dormir no gabinete do director do BNU que era o único que tinha alcatifa», recorda com um sorriso.Quanto ao período da grande guerra, acabou por ser «divertido». Era jovem e, graças ao seu pendor noctívago, todos os dias ia dançar e namorar. Mas não se esqueceu do outra face desses tempos. «É aquele lado que nos custa contar... mas lembro-me de ver uma mulher a preparar um rato para comer... outros iam aos excrementos dos animais procurar grãos...», relata com relutância. Porém, nega que se comessem bebés, como já se disse. «Carne humana sim, das pessoas que morriam, mas não se assassinava para comer», diz peremptório. Foi nessa altura que os funcionários públicos começaram a usar camisa larga em vez de fato e gravata e sandálias em vez de sapatos. Não havia nem materiais nem dinheiro para mais.«Nesses tempos a população chinesa de Macau era muito laboriosa; hoje procura fazer dinheiro por artes mágicas», observa, sobre a mudança de costumes trazida pelas vagas de imigrantes. Silveira Machado sempre esteve ligado à cultura e às artes. Fez parte do grupo cénico da Acção Católica dirigido pelo actor profissional José Soveral. E foi um dos fundadores do Clarim. «Os jornais antigamente eram muito diferentes. Havia várias secções, havia críticas de cinema e teatro, contos e poesia», conta. O ambiente era também diferente, havia mais convívio e muitas festas e bailes. Mas nem todos eram bem vindos em qualquer festa. «O Clube Militar era para a elite, o Clube Macau para os tenentes e primeiros oficiais e o Clube 1º de Junho para os sargentos», explica. «Boas festas que em todos eles se faziam», lembra o homem cujo segredo de longevidade é ter privado muito com gente jovem, «para além de nunca ter tido inveja ou sido muito ambicioso».Silveira Machado chegou a Macau em 1933, por mar. Recorda todo o itinerário, o nome dos navios e os rios por onde passou. «O barco de Hong Kong para Macau demorava mais de três horas e parecia uma feira, com vendedores e jogadores». Tinha então 15 anos. O regime severo do Seminário de São José para onde veio estudar não lhe dava grande liberdade mas aos fins de semana ia até à ilha da Lapa ou à China, fazer piqueniques. Tinha 20 anos quando um colega lhe roubou um poema e o distribuiu pela escola. Um poema de amor, claro...«O prefeito disse-me que quem gostava de mulheres não podia ser padre e expulsou-me». Esperava-o o serviço militar. Mas após 40 dias no hospital acabou por ser novamente dispensado. Iniciou-se então na função pública e noutras actividades, como a escrita e o teatro, mais apropriadas a um homem de espírito livre.Ao longo destes anos viu passar por Macau muitos governadores e dirigentes. Guarda boas memórias de Pedro José Lobo, mas pensa que o problema das administrações foi sempre acabarem com o que as anteriores tinham começado, em vez de lhe dar continuação. O governador Carlos Melancia não foi muito mau. «Foi ele que de facto começou o que agora se vê construido», diz.Partir, não está nos seus planos, apesar de ter as filhas em Portugal. «Comprei um andar em Algés, onde caí de paraquedas». É açoriano e tem poucos amigos em Lisboa. «A mentalidade de quem nunca saiu de Portugal é muito diferente», explica Silveira Machado.

Macau, por amor
Nem todos os portugueses que se acolheram a Macau há várias décadas vieram por motivos de trabalho, tropa ou estudos religiosos. Alguns vieram por amor. É caso de Linete Mendes que chegou há 30 anos. Conheceu o marido, João Mendes, em casa da família chinesa deste que vivia na Amadora, onde ela trabalhava num colégio. «Primeiro vim cá ver se gostava», diz. Tal como se tinha apaixonado à primeira vista pelo macaense, apaixonou-se também pela terra deste. «Foram muitas horas de avião até Hong Kong e depois quase quatro de barco», conta. A princípio estranhou alguns dos hábitos chineses, «como os bacios nos restaurantes que afinal serviam apenas para deitar o chá». Mas gostou logo da comida chinesa e da cidade pacata. «À noite íamos de carro passear e comer chau min, na rua». Divertimentos simples de tempos menos complicados. Ao fim de três meses de namoro, casou-se.Tem duas filhas Daniela e Xana que foram ambas miss Macau. Quando eram pequenas não ia muito a festas, mas, aos fins de semana, Coloane era um dos destinos preferidos da família, onde pernoitavam, nas casas de campo de amigos. Ou então levava as miúdas ao jardim, ou ia tomar café e conversar com as amigas para o Hotel Estoril.Aprendeu a cozinhar receitas macaenses e tornou-se perita nalguns pratos, como minci, tacho ou galinha à Macau. Quanto à língua, só fala «chinês de rua» mas tem pena de não a ter aprofundado. «Agora que muitas das minhas amigas macaenses e portuguesas se foram embora podia ter uma relação mais estreita com algumas senhoras chinesas...», lamenta.Quanto a partir, nem pensar. «Gosto muito de estar aqui, gosto do ambiente e dos chineses. No fundo posso dizer que vivi a maior parte da minha vida aqui», reflecte.«Da última vez que fui a Portugal passar férias já estava farta e desejosa de voltar», confessa. Para isso contribui o facto de tudo ser tão distante e dispendioso em Lisboa e também o facto de as filhas e o neto estarem em Macau.E a transição? «Sinto-me um pouco triste por Macau não ser mais nosso, mas não penso que a vida mude muito; vai tudo correr bem», diz, optimista. Apesar da nostalgia, nos dias 19 e 20 de Dezembro vai passear, ver os festejos.«Os chineses sempre me trataram muito bem. Não vejo motivo para que não continuem a tratar os portugueses de uma boa maneira», afirma.Histórias de vidas passadas numa terra acolhedora e generosa.
* Artigo da autoria da jornalista Clara Gomes publicado na Revista Macau em Dezembro de 1999

Jornal "Ponto Final": desde 1991

"Criado em 1991, o PONTO FINAL começou por ser um jornal diário, com páginas em tamanho A4. Teve como primeiro director Herculano Estorninho.Depois de cerca de um ano com este estilo e periodicidade, a publicação foi temporariamente suspensa para dar lugar a um novo conceito. Adoptou-se o formato tablóide e passou a ser um semanário, dirigido primeiro por Pedro Correia e mais tarde por Luís Ortet. Em Fevereiro de 2002, o PONTO FINAL passou a ser publicado de segunda a sexta-feira. Tem actualmente como director Ricardo Pinto."

Maior e Vacinado

Foi um parto doloroso que na realidade aconteceu duas vezes mas, dizem os seus vários pais, valeu a pena. Porque se fez, porque continua a fazer-se. O PONTO FINAL nasceu há 18 anos, filho da irreverência de um grupo de jornalistas. De lá para cá, mudou de formato, de profissionais, de direcção. Na altura em que atinge a maioridade, recordam-se as dores e as alegrias do crescimento. Paulo Aido, Pedro Correia e Luís Ortet contam a história.


Artigo de Isabel Castro publicado a 16-10-2009 no Ponto Final

O jornal que está neste momento a folhear era bastante mais pequeno quando nasceu. Se estava em Macau em 1991 talvez se lembre do acontecimento: por altura da rentrée, saiu para as bancas um jornal A4, um formato invulgar, numa edição experimental, dedicada a Timor.Entre os jornalistas fundadores deste semanário que não ocupava a mesa toda do café estava Paulo Aido, à época jornalista da Rádio Macau. No território desde 1987, tinha vontade de fazer um jornal. Não era o único. Carlos Carvalho, camarada de trabalho na Rádio Macau, partilhava o desejo. Com um grupo de jornalistas, decidiram avançar para uma publicação que, ditava a ideia original, era para ser uma espécie de Time Out, algo que, recorda Aido, não existia na altura por estas bandas.Ao telefone de Lisboa, o jornalista recorda os dias do nascimento do PONTO FINAL, que acabou por nunca chegar a ser uma magazine de cultura porque a oferta era escassa para alimentar um título do género. Mas este conceito inicial “ajuda a explicar o formato” que se adoptou então, aquele jornal pequenino mas irreverente que muitas dores de cabeça causou em Macau. E isto porque se meteu na política, numa altura particularmente sensível. “Fazia mais sentido um semanário de actividade política que abordasse as questões do período de transição que estávamos a viver na altura”, explica Paulo Aido, que esclarece de onde vem essa componente política pura e dura. “Estávamos a viver o período após a saída de Carlos Melancia e a chegada de Rocha Vieira ao poder.”
Quando saiu o número zero, o PONTO FINAL não tinha uma redacção propriamente dita. Dedicado a Timor, território que vivia sob a ocupação indonésia e era tema quente, a edição experimental “foi um teste para a parte gráfica e para a produção de textos”. Começou por ser semanário mas, ultrapassada a fase de acertos e iniciada a publicação regular, transformou-se em diário. “O primeiro director foi Herculano Estorninho, pintor, uma figura muito importante na comunidade macaense”, conta Paulo Aido. “Entendemos que fazia sentido homenagear a comunidade onde estávamos inseridos.” Impertinente e sem papas na língua, o jornal começou desde cedo a “sofrer enormes pressões políticas”. “Procurou, por um lado, ser independente, mas também tinha alguma irreverência. O jornal começou a ser hostilizado pelo Governo, a ponto tal que, na fase final do nosso ‘mandato’, não conseguíamos ter publicidade de nenhuma entidade oficial de Macau”, diz o jornalista. Esta irreverência era muito ao género de O Independente – a atitude do jornal português era fonte de inspiração. Na publicação de Lisboa tinha trabalhado um dos jornalistas do núcleo inicial do PONTO FINAL, Carlos Morais José. “Foi esta publicação em formato A4 que teve repercussões na dinâmica local. Foi um jornal importante, que marcou a diferença na linguagem do jornalismo em Macau. Apareceu com uma nova linguagem, mais directa, mais moderna”, recordava em 2007 o proprietário do Hoje Macau em entrevista ao suplemento português do Tai Chung Pou. Esta linguagem directa e sem pudores fez com que a primeira vida do PONTO FINAL não tivesse sido fácil. “Do ponto de vista económico era impossível sustentá-lo. Trabalhávamos de graça para o jornal”, relata Paulo Aido. As únicas despesas eram as facturas da tipografia, com quem o jornalista negociava adiamentos nos pagamentos. Um “sufoco económico” que não conseguiu ser ultrapassado nem sequer com o apoio dos leitores. “Lançámos uma campanha chamada ‘A liberdade há-de passar por aqui’, uma frase que fomos recuperar de um antigo secretário-adjunto, Magalhães e Silva, do tempo de Melancia”, contextualiza. “Dávamos o número da conta para as pessoas depositarem dinheiro, e houve quem o tivesse feito, incluindo figuras importantes – juízes, por exemplo – que tentaram que aquela voz não se calasse”.

Pressões e histórias
Mas calou-se, ainda que provisoriamente. “Ao fim de algum tempo, Herculano Estorninho teve de abandonar a direcção porque sofreu pressões.” Aido também não passou imune ao “cerco” da altura: “Essa é também a fase em que eu e o Carlos Carvalho fomos despedidos da Rádio Macau.” Apesar das dores de parto, valeu a pena. “Teve um papel importante na altura pela capacidade que tinha de contestar e comentar a actividade governativa do território.” Das manchetes que 18 anos não apagaram da memória, o jornalista evoca a primeira capa do PONTO FINAL A4 versão diário, edição regular: “Foi sobre a concessão de terras do aterro do Porto Exterior. Houve um engano nos valores e o território saiu lesado.” Mas há “muitas outras histórias”. Uma delas volta a ter Timor como tema. “Uma delegação do Instituto Cultural de então, cuja tutela pertencia a Salavessa da Costa, secretário-adjunto do Governo de Rocha Vieira, deslocou-se à Indonésia. A questão de Timor estava muito acesa, pelo que a deslocação foi vista com alguma perplexidade”, comenta. “Essa manchete teve consequências políticas na altura.” Se as relações com as autoridades de então não eram fáceis, já com os leitores criaram-se vínculos que Aido não esquece. Assim como histórias dignas de cinema que aconteciam com as suas fontes, e que são demonstrativas do “clima da altura”. O jornal recebia telefonemas de pessoas que queriam contar histórias. Mas porque era fonte do desassossego governamental, “as pessoas queriam encontrar-se connosco da forma mais disfarçada possível. Combinávamos encontros nos cafés mais escondidos. As pessoas tinham medo de eventuais retaliações”. Depois, houve um momento de ameaças à publicação. Em noites de fecho como aquela em que este artigo é escrito, os jornalistas de então do PONTO FINAL recebiam “telefonemas anónimos e ameaças”. Aido nunca soube quem eram os seus autores. No Verão de 1992, o PONTO FINAL desmaia de asfixia, do tal “sufoco” financeiro em que vivia e que tornava impossível a sua manutenção. Não tardou a que Paulo Aido embarcasse de regresso a Portugal, num Agosto que não significou esquecer Macau. Mais tarde “voltaria” ao território, a páginas já mais crescidas do jornal que ajudou a fundar. Não obstante as atribulações, o PONTO FINAL deu, ao agora editor da TV Guia, o melhor que o jornalismo tem. “Foi um jornal que marcou uma época, cumpriu um objectivo. Ajudou a perceber que vale a pena lutar por um projecto livre na imprensa. Muito modestamente, fomos um pequeno contributo para a própria democratização do território. Criou-se um laço afectivo com os nossos leitores.”

Reanimação e desafios
A publicação do jornal é suspensa durante o Verão e o título muda de propriedade – passa para as mãos de dois advogados, um acontecimento que corresponde a uma tendência da época. Pedro Correia é convidado por Frederico Rato e Francisco Gonçalves Pereira (já falecido) para dirigir o PONTO FINAL e reanima-o em pouco mais de um mês. “Foi um desafio muito estimulante”, diz Correia. “Lancei o jornal como um projecto novo, de raiz, em que se manteve apenas o título. Procurei – e julgo, sem falsas modéstias, tê-lo conseguido – fazer o melhor jornal em língua portuguesa de Macau na forma e no conteúdo. Em moldes profissionais, semelhantes aos de qualquer jornal de Lisboa”, refere o jornalista do Diário de Notícias. O PONTO FINAL tem, mais uma vez, um número zero – que, na realidade, “já equivalia a um número um”. Pedro Correia lembra-se “perfeitamente” da manchete: “Aproveitando as eleições para a Assembleia Legislativa então realizadas, fazíamos uma extensa leitura dos resultados eleitorais e entrevistávamos Ng Kuok Cheong, estrela do novo hemiciclo. O projecto materializou-se exactamente como o tinha idealizado, com uma equipa muito restrita mas muito operacional de excelentes profissionais. E os melhores colunistas da imprensa portuguesa de Macau à época”. Há histórias que, quando se escrevem, nunca se esquecem. Pedro Correia guardou várias desse seu período de Macau, “umas mais sérias, outras mais divertidas”. Optou por uma que integra esta última categoria e que recorda sempre com um sorriso, “a descoberta de que um membro do Governo de então, o brigadeiro Lages Ribeiro, tinha sido figurante no filme ‘O Pai Tirano’”. Mas a “cacha que me deu mais gozo foi a divulgação da lista completa de convidados – três mil, se bem recordo – de Portugal para a cerimónia solene da inauguração do aeroporto internacional de Macau, que o Executivo do general Rocha Vieira rodeava do maior secretismo”.

Respeito e irritação
Maior no formato e publicado semanalmente, o PONTO FINAL continuou a ter um grande impacto junto dos leitores. “O jornal tinha uma liberdade crítica muito grande e passou a ser de leitura obrigatória na comunidade portuguesa logo nas primeiras semanas”, atesta Pedro Correia. “As autoridades encaravam-no com um misto de respeito e irritação.” O Governo era frequentemente criticado “por motivos que iam desde o derrube envergonhado da estátua de Ferreira do Amaral, travestido de ‘arranjo urbanístico’ da rotunda do hotel Lisboa, ao facto de Rocha Vieira, sempre em pose majestática, não conceder uma só entrevista ou conferência de imprensa aos jornalistas de Macau”. As memórias menos boas de Pedro Correia não se afastam em muito das de Paulo Aido. Da Macau de então e do seu trabalho à frente do PONTO FINAL, o jornalista salienta “a instrumentalização do poder judicial pelo poder político, com sentenças condenatórias a jornalistas, acusados de ‘abuso de liberdade de imprensa’ por textos de opinião que nenhum tribunal em Portugal sancionaria”. As boas recordações são feitas de manchetes e de textos que sabe bem escrever mas sobretudo das pessoas que o rodearam. “Nomeadamente as pessoas que trabalharam comigo no PONTO FINAL. Pessoas como os proprietários do jornal. E profissionais que comigo trabalharam, como o Carlos Morais José, o Luís Ortet, o João Carvalho, a Clara Gomes, o José Costa Santos, o Paulo Azevedo, o Paulo Borges, o Ricardo Pinto e o João Paulo Meneses, entre outros.” De Macau Pedro Correia levou ainda “a memória calorosa” do jantar de despedida, antes de regressar a Portugal, que juntou mais de cem pessoas. E que teve a particularidade de contar com “cabeças de lista rivais à Assembleia Legislativa na campanha que então decorria”.

Memórias e pessoas
Pedro Correia deixa a direcção mas não cortou os laços com o PONTO FINAL, mantendo-se como colaborador. Em Julho de 1995, era o jornal dirigido por Luís Ortet, o jornalista assinava um texto da secção “Grande Plano”, que ocupava as páginas 2 e 3 do jornal. “Quem os viu e quem os vê” colocava em destaque um fenómeno político de então, com alguns protagonistas que ainda continuam a fazer a actualidade noticiosa. “Alberto Costa, António Vitorino, Jorge Coelho, Murteira Nabo e Maria do Carmo Romão. Nomes de figuras bem conhecidas no actual elenco do PS. Com uma característica comum: já exerceram funções de responsabilidade em Macau. No tempo em que o Território era considerado um ‘viveiro’ do partido cor-de-rosa”, escrevia Pedro Correia. Paulo Aido publica, no mesmo número, um texto que merece chamada na primeira página – com o título “Calado aos berros” – e que conta a história de um professor de ginástica (de apelido Calado) a quem a Administração devia 100 mil patacas, “uma história que acabou por envolver a mulher do presidente da República”. Como correspondente em Portugal, entrevistou o então Ministro dos Negócios Estrangeiros Durão Barroso, “na véspera de uma visita à China”, bem como antigos Governadores de Macau. Pedro Correia e Paulo Aido eram alguns dos colaboradores do PONTO FINAL dirigido por Luís Ortet, jornalista que começou, também ele, por ser colaborador do jornal, logo no final de 1992. A publicação tinha, nesse reinício, uma “equipa de luxo”.“Apesar de eu já pertencer a uma geração mais velha, o certo é que aprendi muito com todos eles e com o ambiente que se vivia na redacção. Comecei como mero colaborador mas em breve passei a integrar a redacção, assumindo o cargo de chefe de redacção em 1993 e de director em 1994″, sintetiza Luís Ortet. O actual editor da Revista Macau começou a dirigir internamente o jornal na fase da saída de Pedro Correia, em que o director formal da publicação era Henrique Nolasco. “Quando o meu nome surgiu no cabeçalho da publicação, na primeira sexta-feira de Junho de 1994, tinha uma nova equipa a trabalhar comigo”, recorda, destacando o chefe de redacção Paulo Azevedo, que continuou no PONTO FINAL após a saída de Ortet, em Dezembro de 1997. Tal como os seus antecessores, o jornalista lembra, sobretudo, a forma como o jornal se posicionava e as pessoas com quem trabalhou. “Levantou na praça pública diversas questões e, sobretudo, levou a sério o direito à crítica, que era exercido pela pena de diversos colaboradores como Carlos Morais José, o próprio Pedro Correia, António Ramos André e o advogado Sérgio Correia, entre muitos outros.” No PONTO FINAL, acrescenta, trabalhavam jornalistas como Clara Gomes, Paulo Rego, Maria João Leal e Isabel Meneses, além de muitos outros colaboradores. “E há que não esquecer o eterno correspondente do jornal em Portugal, João Paulo Meneses, que começou a ser o correspondente no meu tempo e não há sinais de que algum dia venha a deixar de o ser”, realça. “A ele, sim, o jornal deve bastantes manchetes”, diz Luis Ortet, que recorda ainda “o contributo, na componente gráfica, de nomes como Paulo Pratas, Paulo Borges, Luís Almoster e José Figueiredo”.

Inesquecíveis anos 90
Luís Ortet prefere não ver o PONTO FINAL de uma forma isolada quando chega a altura de olhar para o impacto que teve sob a sua direcção. “O PONTO FINAL desses tempos só foi possível porque vivíamos na década de 90 do século passado, a década do período de transição e da despedida portuguesa de Macau. Vivia-se com uma data escrita no espírito: 20 de Dezembro de 1999″. A comunidade portuguesa era grande, “muitos milhares, efervescente e diversificada”. E variada era também a imprensa de língua portuguesa. “O PONTO FINAL era uma componente de um quadro maior”, diz o jornalista, que realça “o papel importante” dos jornais Tribuna de Macau e Jornal de Macau, de O Clarim, a Gazeta Macaense, o Futuro de Macau e do Macau Hoje. “Creio que o conjunto dos jornais espelhou bem a nossa maneira portuguesa de ver a vida. Só por mero acidente estamos todos de acordo. Gostamos de discordar e de criticar.” Ortet defende que, “de uma maneira global, a Administração portuguesa fez um trabalho positivo em áreas importantes”. O incremento do bilinguismo e a construção de diversas infra-estruturas são os factos que destaca. Porém, “houve aspectos negativos”.“A dificuldade em digerir as críticas era um deles”. Mais uma vez, a vida do PONTO FINAL não era fácil. “Não recebia o subsídio do Governo a que legalmente tinha direito e foi preciso esperar pela chegada da Administração chinesa de Macau para que essa ilegalidade fosse corrigida”, conta, salientando que se trata de um “um pormenor que não deve ser sobrevalorizado”. Do PONTO FINAL Luís Ortet guarda ainda a memória da “experiência gratificante de ter sido parte de uma vivência tão excepcional como foram os anos 90 em Macau e ter participado nela num lugar privilegiado”. E gostou de “ver o jornal continuar e entrar pelo século XXI adentro e afirmar-se nessa conjuntura nova, sem perder a sua independência e o seu sentido crítico”, acrescenta.

Passado, presente, futuro
O jornalista decidiu abandonar a direcção da publicação no final de 1997, no contexto de um regresso a Portugal que foi projectado mas que acabou por nunca se concretizar. “Propus o nome do Ricardo Pinto para me substituir e houve unanimidade.” Ortet justifica a escolha: “Licenciado em Direito, Ricardo Pinto decidiu enveredar pelo jornalismo e fez uma carreira brilhante no canal de televisão da TDM. E já completou uma década à frente do PONTO FINAL. A sua paixão pelo jornalismo é evidente e incurável, e ainda bem”. Em Maio de 1999, o jornal passa a ser gerido por um grupo de jornalistas. Frederico Rato e Francisco Gonçalves Pereira acabam por vender o jornal em 2001 a Ricardo Pinto e Paulo Azevedo, proprietário e responsável da Macau Business, que se manteve na publicação até à altura em que lançou a revista especializada em economia e negócios. Desde então, a propriedade do título não sofreu mais alterações. É de 2001 também o regresso à edição diária. Chegado à maioridade, Luís Ortet diz esperar que o PONTO FINAL “continue a marcar a sua diferença pela sua forma específica de abordar a realidade local”. Pedro Correia tem uma única sugestão a fazer para os próximos anos deste jornal. “Que nunca perca a irreverência. O jornalismo, tal como o concebo, é sempre irreverente”, diz. Paulo Airo espera que continue a existir, “porque faz parte da história de Macau, viveu o período final da administração portuguesa e tem vivido os primeiros anos da administração chinesa”. Voltamos na próxima segunda-feira. Já maiores e vacinados.

domingo, 25 de outubro de 2009

Cenas do quotidiano: anos 60 e 70


















Fotografias de Lei Chiu Vang: parte da exposição e catálogo Visita ao Passado (2004)

sábado, 24 de outubro de 2009

Comissão Militar 1973-1975

António Brito Calado foi mobilizado para Macau como 1º cabo tendo embarcado no navio "Timor" em Outubro de 1973 para cumprir o tempo restante do Serviço Militar. Prestou serviço no Quartel da Guia, o ponto mais elevado de Macau. Regressou a Portugal em Maio de 1975. Salva de tiros no Quartel da Guia
As Ruínas de S. Paulo
Hotel Lisboa
O Livre-Trânsito por causa do Grande Prémio de 1974
Imagens de "Os Loringuenses na Guerra do Ultramar"

Rotary Clube de Macau: desde 1947

The idea of setting up a Rotary Club in Macau was raised for the first time in 1938. However, due to the Pacific War, the idea did not become a reality at that time. In 1946 when Macau and Hong Kong began to recover from the effects of the 2nd World War, the idea of forming a club in Macau was resurrected. Henrique Nolasco Jr., a resident of Macau, was invited to attend the weekly meeting of the Hong Kong Rotary Club. He was very impressed by the fellowship and the ideals of Rotary.
On his return to Macau, urged on by his enthusiasm, meetings were held with the then District Governor (DG) Arthur Woo and others who gave their assistance and advice for setting up a Club. On 11th January, 1947, a dinner was held at the Fat Siu Lau Restaurant at which the 36 founding members appointed their first Board of Directors. The Rotary Club of Macau was thus formed and began functioning as a provisional club. Though still lacking official recognition by Rotary International, the provisional club set its course to fulfill the ideals of Rotary by creating The Welfare Fund of the Rotary Club of Macau which was to help many worthy causes in our community such as Homes for the Destitute and Aged, the Portuguese Red Cross, the inhabitants of Taipa and Coloane, the Canossian Institute, The Salesian Orphanage, Peng Man School, Kiang Wu Hospital, The Tong Sin Tong Association, primary and commercial schools and the S. Rafeal Hosptial Maternity Wing. The Rotary Children's Library was also set up for the primary school children. On 16th June 1947 the Rotary Club of Macau received official recognition from the Rotary International and was chartered as Club No. 6662 with the then District 57. On 12th and 14th March, 1949, Macau had the honour of being the venue of a District Conference which was attended by hundreds of Rotarians from the 12 clubs in the Far East. During the 1950-51 Rotary Year, The Rotary Club of Macau had the privilege of having its Past President Pedro G. Lobato elected District Governor. In this capacity he attended the Rotary International Convention in Detroit, USA.
In 1951, as of result of the concerted efforts of all Rotarians united in the ideal of service, the Rotary Club of Macau opened the Lara Reis Anti-Cancer Clinic. It was located at Sol Poente, the residence of the late Rotarian Fernando Lara Reis who had bequeathed it in his will to the Portuguese Welfare Organization Santa Casa da Misericórdia which subsequently administered the Clinic. In the beginning of the 1951-52 Rotary Year, political changes in China affected all the Rotary Clubs in the area District 57. Only four clubs from District 57 remained Hong Kong, Kowloon, Macau and Taipei. Being too few in number to form a district, they composed an area under an Administrative Advisor nominated by Rotary International. The situation was brought back to normal when District 345, to which Macau belonged, was created several years later. In 1988, District 3450 was formed, with Hong Kong and Macau being a separate district from Taiwan. The Rotary Club of Macau has been the meeting place for a wide cross section of Macau society, encompassing people of various professions and nationalities. A survey of members indicates that the Club's members today are made up of 11 nationalities, who can speak a total of 16 languages. This is why, for many years now, English has been adopted as the working language for the Club meetings and proceeding.
In the 70's, the development of Macau led to growth in the Rotary movement here. New clubs were established, the Rotary Club of Hou Kuong was chartered in 1979, the Rotary Club of Macau Central in 1984, the Rotary Club of Amagao in 1986, the Rotary Club of Guia in 1993 and Rotary Club of Macau Islands in 1997. As mentioned earlier, the Rotary Club of Macau has always shown a strong awareness of the needs of Macau and has contributed much of its capabilities to meet those needs through community projects. In the 60's, assistance was given in building a reservoir at the Ka Ho Leper Colony and in building and setting up of fully equipped vocational training workshops at the Boy's Home which at the time was being run by the Macau Police Force. In the 70's and 80's, the Club was involved in the construction of new shower rooms for the orphan's dormitories at the St. Jos School in Ka Ho. Many smaller projects have also been carried out including the provision of bus shelters, children's playgrounds, donations and scholarships to students in need, subsidies to school canteens, old people's homes and refugee centers, and dental health programme for students. Preserve Planet Earth, which has become Rotary International's motto since 1990, has been implemented in Macau, with our club closely cooperating with local environmental activists, by supporting their purchase of equipment to measure pollution, developing a civic education campaign for keeping the city clean and beautiful and also by organizing tree planting activities. Other community service included a van donated to Caritas for the distribution of meals to elderly people living alone. Vegetarian meals were offered to the blind and elderly people at Chinese New Year when Lai See were also offered. Special equipment was sent to the Concordia School for the hearing impared. The Rotary Club of Macau does not only confine its activities to those in need in Macau, it also plays its part in helping the world at large in the true spirit of Rotary International. The Club has taken an active part in the campaign against famine in Ethiopia, and in disaster relief in Columbia, Bangladesh and China. In 1997, we donated funds through our District to provide water storage facilities in outlying provinces in China that suffer from a short rainy season and a consequent water supply problem.
In 1999-2000, the Rotary Club of Macau together with the Rotary Club of Kowloon North, the Rotary Club of Taipei North, the Ama Rotary Club in Nagoya, and the Macau Catholic Social Services, built three primary schools in remote mountain villages in Du'An, Guangxi province. The 2001-2002 Rotary Year, in a joint project with the Rotary Club of Kowloon North, two more primary schools were built, the Yan Ma and the Jian Qiao primary schools. In addition, the completion of the unfinished building and the construction of new facilities and a dormitory for the Experimental Middle School n Du'An Town had its ceremonial inauguration that August. We have also provided funds for the disaster relief that have been administered through both the Catholic Social Service and through Rotary District 3450. We will continue to make funds available for such emergency relief. Our Club is honoured with 34 Paul Harris Fellow and 4 Benefactors, who have made contributions to the Rotary Foundation, and through which the Rotary Club of Macau has sponsored promising young men and women to further their studies abroad in order to better serve Macau on their return. In 1978, Dr. Alfredo Ritchie was awarded a scholarship to study endoscopy in the USA and on his return, he was pioneer of this technique in Macau and later became the head of the Endoscopy Department in the Macau Government Hospital. Dr. Ritchie became a Rotarian in 1983 and was the President for the 1987-88 Rotary year and 2001-02 Rotary year. Another scholarship was awarded to Dr. Tito Lopes who went to Australia to specialize in geriatrics, a speciality much in demand in Macau. For the Rotary year 2001-02, our Club sponsored Dr. Mok Toi Meng, who went to Melbourne as an ambassadorial scholar and furthered her studies in the field of cardiology. With the increase of females in the professional world, our Club inducted its first female member in 1992 and by this year our Club has 9 active female members. Out of the 9 female members, Stella Kan became the first female President for the Rotary year 1996-97, followed by Synthia Chan as this years President and Fatima Ferreira as President Elect for the year 2004-05. To commemorate our 50th Anniversary, a special post mark and specially designed envelope was introduced to the public on our birthday, 16th June, 1997, in Macau. Another event to mark the 50 years movement in Macau, the Blind-Aid Charity Concert was held on 13th December, 1997, at the Macau Stadium, Taipa, to help blind persons in Macau and China. The concert was co-organized by the Macau Catholic Social Services and the Orbis Charity, with the support of Macau Government. The effort put into this concert by our Club led to the award of The Best Achievement in International Service that year.
For 3 consecutive years since the Rotary year 1999-2000, Rotary Club of Macau has organized Christmas Parties, together with the 3 Centers of the Macau Association for the Mentally Handicapped, where we share during this festive seasons our love and care to these special children and their families. In the Rotary year 2001-02, the 5 Rotary Clubs in Macau with the cooperation of the Blood Transfusion Center, joined together to formed the first Blood Donation Day on 13th January, 2002 where 88 persons donated blood on that single day. Last year, the 2nd Blood Donation Day was held on 23rd March, 2003 where there was an increase in the donors. Hence, this has become an annual event for the 5 Rotary Clubs in Macau and shall continue to be so. Now, Rotary Club of Macau has began its 60th year where we are certainly looking forward to continuing serving and Lend A Hand to the local and international communities in the best Rotary Spirit Service is the commitment we shall always be faithful to.
Texto do site do Rotary Club of Macau - District 3450

Lara Reis: 1892-1950

Fernando de Lara Reis nasceu em Leiria a 28 de Dezembro de 1892. Frequentou o liceu da cidade de 1902 a 1904 e entrou de seguida no Colégio Militar, acabando por seguir carreira das armas. Ingressando depois na aviação militar portuguesa, o que lhe permitiu muito cedo viajar, atingiu ali o posto de capitão. No entanto, devido a um acidente aéreo quando se encontrava em França, durante a 1ª Grande Guerra, viu-se obrigado a mudar de carreira e cedo se reformou. Foi com o desafio de Telo de Azevedo Gomes que rumou a Macau, onde foi nomeado professor efectivo do Liceu de Macau, cargo que exerceu até ao fim da sua vida. Muito estimado e considerado em Macau, desempenhou ali as funções de presidente da Agência de Macau dos Combatentes da Grande Guerra de 1914-1918, tendo dado grande impulso a este organismo a que muito se dedicou.
Colaborou em diversos jornais e revistas, visitou os países estrangeiros, percorrendo todos os continentes, e passando praticamente todas as suas férias em viagem. Das viagens que fez por todo o mundo, mas sobretudo pelo Oriente, deixou extensa memória em volumosos manuscritos que transmitem as suas impressões dos locais e motivos que visitou, desde 1915 a 1949, e que intitulou “Diário de Viagens”, em 26 volumes inéditos. Deixou, também, dois volumes manuscritos intitulados “A minha vida” que testemunham a sua actividade pessoal e o ambiente cultural e social da Macau portuguesa da primeira metade do século XX.
Faleceu em Macau no dia 14 de Janeiro de 1950, com 57 anos. Foi o então tenente médico Dr. Moreira de Figueiredo que, regressando de Macau em finais de 1951, trouxe para Leiria o legado de Fernando de Lara Reis.
A importância do legado
O fundo actualmente à guarda do Arquivo Distrital de Leiria é considerável, assumindo especial relevo os 26 volumes manuscritos e profusamente ilustrados e documentados do seu “Diário de Viagens” e ainda os dois volumes manuscritos biográficos “A minha vida”. Naquele “Diário”, Lara Reis regista com minúcia de jornalista todos os pormenores da sua estadia por todo o mundo e documenta-os com materiais diversos, desde os simples bilhetes dos transportes às ementas do restaurante ou programas de espectáculos, para além de fotografias de circunstância ou bilhetes postais alusivos e recortes de jornal dos locais e da época.Está por fazer a análise detalhada deste monumental registo de viagens, pelo menos com o pormenor que requer. No entanto, uma observação atenta permite desde logo perceber que os registos de Lara Reis são autênticas “reportagens” dos locais visitados e dos episódios associados, o que, de par com a enorme colecção de fotografias ali inseridas ou guardadas em álbuns, deixa aos eventuais leitores um fresco vivo dos mais conhecidos ou insólitos pontos do globo.São realmente importantes os cerca de duas dezenas de caixas e volumosos álbuns de fotografias e de bilhetes postais ilustrados que fez e/ou coleccionou durante as suas viagens ou durante a sua vida académica e sócio-cultural em Macau. A primeira metade do século XX, em Macau e nos mais diversos recantos do Oriente, encontra nestes álbuns autênticos testemunhos do mundo num tempo não muito distante, em termos cronológicos, mas que terá sofrido transformações drásticas de então para cá, podendo encontrar-se ali documentos únicos.Vários livros constituem também este fundo, especialmente com desenhos e gravuras chinesas, alguns com pinturas originais de inegável valor iconográfico. Dois outros livros registam uma excepcional colecção de carimbos orientais, presumivelmente da China.
Correspondência pessoal, inúmeros recortes de imprensa ou mesmo jornais completos da época, sobretudo de Macau, e alguns objectos pessoais, completam este fundo de inegável importância que espera uma oportunidade para uma divulgação à altura do seu conteúdo, não obstante os importantes estudos que Orlando Cardoso e Acácio de Sousa já lhe dedicaram.
Artigo do jornal Região de Leiria de 11 de Agosto de 2006

Macau e o Oriente no espólio de Lara Reis

Este livro de Olrlando da Cruz Cardoso faz parte da Colecção Cadernos de Investigação N.º 2 e foi editado em 1998.
Fernando Lara Reis deixou o seu espólio, constituído por livros de memórias e de viagens, entre outros materiais, a Leiria, a sua cidade natal. Esse espólio encontra-se no Arquivo Distrital de Leiria. Os seus livros de memórias permitem recriar o ambiente no ensino em Macau (foi professor no Liceu) e a sociedade macaense ao longo de três décadas, com a sombra tutelar da China por pano de fundo. O levantamento do espólio de Lara Reis permite um melhor conhecimento da sociedade macaense durante o período que vai dos anos 20 aos anos 50 do nosso século.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Blog Macau Antigo: primeiros 7 meses

Nos primeiros 7 meses de vida do Blog foram colocados centenas de comentários directamente no espaço criado para o efeito. Ao mesmo tempo, recebi no e-mail pessoal outras reacções. Deixo aqui o testemunho dessas pessoas.

"Quero em primeiro lugar felicitar V. Exª. pela sua iniciativa, a qual consideramos um importante contributo para a preservação da memória de Macau."
Maria Alexandra Costa Gomes - Administradora - Fundação Jorge Álvares - Portugal - Outubro 2009

“Parabéns por mais esta iniciativa com o pensamento em Macau. Desejo que, nos teus tempos livres da actividade jornalística, vás conseguindo recolher e colocar neste MACAU ANTIGO, muitas matérias sobre esta terra que bem conheceste. Divulgarei o blog com prazer!"
Hélder Fernando – Macau – Março 2009

“Excelente trabalho! Belo blog! Meus parabéns, mais um feito seu sobre a história e memória de Macau. Na próxima actualização do meu site, irei colocar o link para o seu blog.”
Rogério Luz – Brasil – Março 2009

“I was sent the link to your magnificent Blog on Macau Antigo, where I was born and lived for several years. It brings back so many warm memories. Thank you for publishing those wonderful photos that will bring so much joy to all who have a soft spot for the old Macau.”
Henrique ("Henry" or "Quito") d'Assumpção – EUA – Abril 2009

“Parabéns. Achei muito interessante! Já reencaminhei para pessoal mais velho.”
Pedro Alves – Portugal – Abril 2009

“Os meus parabéns pelo seu blog sobre Macau Antigo.È o voltar ao Macau que eu conheci e que já não existe, o da década de 50 do século passado. O meu obrigado.”
Augusto Veiga – Portugal – Abril 2009

“Parabéns pelo Blog!”
Pedro Lobo – Macau – Abril 2009

“Grandes imagens de Macau!”
João F. Pinto – Macau – Abril 2009

“Um espaço brilhante! Os meus sinceros parabéns! Vou colocar um link do 'Macau Antigo' no meu site.”
Charlie Santos – Brasil – Abril 2009

“Muitos parabéns pelo sucesso deste "blospot" muito interessante e único sobre a nossa querida Macau. E como "macaense" só tenho a dizer MUITO OBRIGADO.”
Rui Francisco – Macau – Abril - 2009

“(...) E obrigada pelo blog, desde pequenina que tenho uma fascinação por Macau antigo por causa das histórias que o meu avô me contava...(...) Obrigada pelo link! Vou juntar aos favoritos.”
Cláudia Dias – Portugal - Abril 2009

“Parabéns pela bela iniciativa e felicidades para o Macau Antigo!”
Nuno Lima Bastos – Macau – Abril 2009

“I am a Macau citizen and love the history of this city. So lucky to find your blog.
I don’t read much Portuguese but I try to guess. Your pictures are so precious....
So anccious to see them every night.”
Keizi – Macau – Maio 2009

"O meu nome é Carlos e sou da cidade da Guarda. Nas minhas demandas pela internet, dei com o seu blog, que desde já felicito por ser espetacular!"
Carlos Fraga - Portugal - Junho 2009

(...) "tive conhecimento deste blog pelo meu amigo Eugénio Reis e resolvi vir dar uma vista de olhos e vi que há algumas fotos do nosso querido e saudoso Lanceiros do Oriente, obrigado pela divulgação do nosso trabalho de há quarenta anos, eu era um dos participantes com a parte desportiva e outras, que saudades e como elas de atenuam nestes nossos encontros, onde encontramos alguns dos nossos camaradas."
João Lavado - Portugal - Junho 2009

"Que bom haver quem se dedique a fazer-nos lembrar coisas de Macau antigo."
Anónimo - Portugal - Agosto 2009

(...) "quero dar-te os meus vibrantes parabéns pelo teu blog Macau Antigo! É uma verdadeira pérola documental sobre a história, o património e a cultura popular de Macau. De fazer inveja a qualquer veleidade cibernáutica do Instituto Cultural de Macau ou do Instituto Português do Oriente. Lê-se como um livro de aventuras. Transmite essa emoção."
António Duarte - Portugal - Agosto 2009

"A minha paixão pela filatelia já tem mais de 30 anos e Macau sempre ocupou um lugar especial, isto sem nunca ter tido a oportunidade de visitar o antigo território português. O seu blog Macau Antigo, que muito me agradou, passará a figurar na minha lista de blogs favoritos."
Luís Melo - Portugal - Setembro 2009

"Tive imenso prazer em o conhecer pessoalmente, já a sua escrita me é bem familiar e me agrada ler e recordar os belos tempos de Macau."
António Cambeta - Macau - Setembro 2009
"Brilhante recolha de informação! Brilhante!"
António Conceição - Macau - Outubro 2009

"Chamo-me Susanna e sou italiana, encontrei em internet o seu blog sobre Macao. Fiquei muito impressionada com a competência e paixão com qual o Senhor descreve esta ilha. Nao há um site igual."
Susanna Pacchiarotti - Itália - Outubro 2009

"Very nice website! My compliments!"
Michael Rogge - Holanda - Outubro 2009

"Este seu trabalho merece ser louvado, pois conseguiu fazer de uma “coisa” que não existe actualmente, um trabalho exemplar."
Rui Ribas - Portugal - Outubro 2009

Associação de Patinagem: desde 1983

Em 1983, em Macau, realizou-se a 1ª Assembleia Geral da Associação de Patinagem de Macau. Assim, um grupo de carolas pelo Hóquei em Patins iniciou a modalidade no território. Do grupo fundador lembro-me destes companheiros que observo na foto, engenheiro Porto, Gentil Noras, Jorge Marques e José Duque. Em 1984, tivemos o privilégio de chefiar a delegação da primeira Selecção de Macau de Hóquei em Patins que disputou, em Paris, o Campeonato do Mundo - Grupo B. Em Lisboa, o seleccionado macaense realizou um estágio de preparação e, na oportunidade, foi recebido pelo saudoso primeiro-ministro, professor Mota Pinto, e pelo embaixador da República Popular da China em Portugal.
Texto e imagens de João Severino publicados no seu blog

"Histórias de Portugal - Macau, A Pérola do Oriente"

Um DVD com 90 minutos de duração da autoria do professor José Hermano Saraiva . Faz parte da série Histórias de Portugal.
O conteúdo, claro está, é sobre "a presença portuguesa em Macau, a pequena península do estuário do Rio das Pérolas. Um exemplo único no mundo da convivência de duas culturas radicalmente diferentes," conforme se lê na sinopse.
Primeiro episódio: "O Ano de Á-Má". Nos meados do séc. XVI chegaram missionários e mercadores portugueses que obtiveram licença para fundear os seus navios numa baía de águas serenas onde já existia um templo consagrado a Á-Má, uma divindade protectora dos navegantes. A expressão "baía de Á-Má", em chinês "Á-Má Gao", estará na origem do nome Macau.
No segundo e terceiro episódios intitulados "O Museu Marítimo de Macau" e "Tangentes Culturais", a gesta portuguesa do Oriente é recordada no cenário natural de um junto chinês, bem como em visitas a alguns dos mais significativos museus locais, entre os quais se destaca, obviamente, o museu marítimo.
Os três episódios deste DVD foram transmitidos pela RTP em 3, 10 e 17 de Janeiro de 1999.

Compal faz sucesso em Macau há mais de 40 anos

Reprodução de uma notícia da Agência Lusa de 23.10.2009
Macau, China, 23 Out (Lusa) - A Compal chegou a Macau há mais de 40 anos pelas mãos de um empresário local e hoje os seus produtos são os mais vendidos entre outras 11 marcas nacionais que a agência Seng Kuong representa na Região Administrativa Especial chinesa.
Nos anos 70, ainda quando Macau estava sob a administração portuguesa, a família de Vittorio Acconci, de origem italiana mas com raízes em Macau, tinha negócios na área da construção civil, acabando por se dedicar à representação de marcas de bens de consumo de diferentes países e regiões, entre os quais Portugal, tendo ainda aberto um restaurante italiano de nome "Toscana".
"Há mais de 40 anos, Vittorio Acconci fez uma viagem a Portugal para visitar os grandes produtores, acabando por trazer na bagagem latas de feijão da Compal e garrafas de vinho Borba", explicou à Agência Lusa a directora comercial da agência comercial Seng Kuong Da Vittorio, Sam In U.
Hoje, a Compal é a marca mais vendida em Macau pela Seng Kuong, que representa ainda no território a Sagres, Nobre, Pedras, Caramulo, Bacalhôa, Vieira de Castro, Maçarico, Ramirez, MF, Borba e Porto.
O "sucesso" da Compal, como Sam In U constata, leva mesmo alguns residentes, como Amy Chan, de 28 anos, a achar que "Compal é uma marca chinesa", uma vez que se depara com a marca nos supermercados desde muito pequena, justificou à Lusa a visitante da Wine & Gourmet.
"Começámos a importar latas de feijão, mas com o avançar dos tempos, a população começou a pedir produtos mais saudáveis e há dez anos passámos a importar sumos de fruta", constatou Sam In U ao salientar que hoje os sumos da Compal são encontrados em hotéis de luxo em Hong Kong, além de nas grandes superfícies e lojas japonesas.
Há menos de dois anos nas prateleiras dos supermercados de Macau, as latas de sardinha e atum Ramirez são os produtos menos vendidos pela agência Seng Kuong no território.
A cerveja Sagres também tem tido algumas dificuldades de afirmação, já que "não consegue competir com a cerveja local ou da China, essencialmente devido ao preço", explicou Sam In U, acrescentando que no que toca ao azeite, a venda em garrafa gera maior confiança do consumidor.
A agência Seng Kuong Da Vittorio tem em exposição na feira Wine & Gourmet Asia, que decorre até domingo em simultâneo com a Feira Internacional de Macau, os produtos portugueses que tem à venda no território, de modo a alargar a sua rede de distribuição.
Entre a dezena de marcas nacionais que procuram novas oportunidades de investimento na feira encontra-se também a Casa do Porco Preto, de Barrancos, que já importa desde 2007 presuntos e enchidos portugueses para Macau, com uma facturação anual na ordem dos 300 mil euros. "Em 2007 conseguimos arranjar um parceiro local e hoje já se encontra o nosso presunto numa série de hotéis, casinos e restaurantes do território", explicou à Lusa o director comercial da Barrancarnes, Eduardo Bernardo, salientando que a meta é agora expandir a rede de distribuição em Hong Kong e para outras regiões da China.
Autor: PNE

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Os primeiros selos

O primeiro selo postal de Macao foi emitido em 1884 com valor facial de 5 réis (preto). Mostra a Coroa Portuguesa.
No ano seguinte, este mesmo selo recebeu sobrecarga e foi usado em Timor.
O primeiro selo postal comemorativo foi emitido em 1898 com valor facial de meio avo aquando das comemorações dos 400 anos da Viagem de Vasco da Gama, mostra as datas 1498-1898 e a caravela...

Igual ao emitido para Macau mas com a sobrecarga de Timor

1º selo postal comemorativo de Macau
1º selo postal: 1884

Macau: visto pela Nasa

Jornal Macau Hoje e Hoje Macau





É mais uma especificidade de Macau. O jornal "Macau Hoje" foi fundado em 1990 e fechou portas cerca de uma década depois. Em Setembro de 2001 surgiu sob o nome de "Hoje Macau".

Vencedores do GP Macau (F3) de 1954 a 2000

Cartazes do 45º Grande Prémio de Macau em 1998

1954 - Eddie Carvalho (Hong Kong), 1955 - Robert Ritchie (Hong Kong), 1956 - Doug Steane (Hong Kong), 1957 - Arthur Pateman (Grã-Bretanha), 1958 - Chan Lye Choun (China), 1959 - Ron Hardwick (Hong Kong), 1960 - Martin Redfern (Hong Kong), 1961 - Peter Heath (Grã-Bretana), 1962 - Arensio Laurel (Portugal), 1963 - Arensio Laurel (Portugal), 1964 - Albert Poo (Hong Kong), 1965 - John MacDonald (Hong Kong), 1966 - Mauro Bianchi (Itália), 1967 - Tony Maw (Malásia), 1968 - Jan Bullell (Cingapura), 1969 - Kevin Bartlett (Austrália), 1970 - Dieter Quester (Austrália), 1971 - Jan Bunsell (Cingapura), 1972 - John MacDonald (Hong Kong), 1973 - John MacDonald (Hong Kong), 1974 - Vern Schuppan (Áustria), 1975 - John MacDonald (Hong Kong), 1976 - Vern Schuppan (Áustria), 1977 - Riccardo Patrese (Itália), 1978 - Riccardo Patrese (Itália), 1979 - Geoff Lees (Grã-Bretanha), 1980 - Geoff Lees (Grã-Bretanha), 1981 - Bob Earl (Estados Unidos), 1982 - Roberto Pupo Moreno (Brasil), 1983 - Ayrton Senna (Brasil), 1984 - John Nielsen (Dinamarca), 1985 - Maurício Gugelmin (Brasil), 1986 - Andy Wallace (Inglaterra), 1987 - Martin Donnelly (Inglaterra), 1988 - Enrico Bertaggia (Itália), 1989 - David Brabham (Austrália), 1990 - Michael Schumacher (Alemanha), 1991 - David Coulthard (Escócia), 1992 - Rickard Rydell (Suécia), 1993 - Jorg Müller (Alemanha), 1994 - Sasha Maassen (Alemanha), 1995 - Ralf Schumacher (Alemanha), 1996 - Ralph Firman (Inglaterra), 1997 - Soheil Ayari (França), 1998 - Peter Dumbreck (Escócia), 1999 - Darren Manning (Inglaterra), 2000 - André Couto (Portugal), único piloto local a vender o GP.

Um F3 de 1979

A 'velhinha' curva do Hotel Lisboa

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Curtisom: final da década de 70

Elementos da banda: Isaías do Rosário (bateria), Armindo (saxofone) ?, irmãos Lagartinho, Nuno (guitarra) e Pedro (baixo), João Senna Fernandes, Violeta do Rosário, João Mendes... e o Rui Ribas (que não tocava nenhum instrumento... mas que acompanhava de perto o grupo).
Ensaiavam perto do Hospital S. Januário... e ao que parece ainda se juntam de vez em quando para recordar velhos tempos... (post em construção)
Fotos de Paula Reis

sábado, 17 de outubro de 2009

História em Banda Desenhada

José Ruy desenhou em 1989 esta História de Macau em banda desenhada.
José Ruy nasceu na Amadora em 9 de Maio de 1930. A sua primeira banda desenhada foi publicada n’O Papagaio, em 21 de Dezembro de 1944 (com a idade de 14 anos). A partir daí, colaborou em quase todas as publicações de BD portuguesas, com destaque para, além do já citado Papagaio, o Mosquito e o Cavaleiro Andante.
Tem exposto o seu trabalho em Portugal e no estrangeiro, e recebeu diversos prémios ao longo da sua carreira, incluindo o Troféu Honra do FIBDA (1990) e a Medalha Municipal de Mérito e Dedicação, da Câmara Municipal da Amadora (1991). Ministrou durante três anos, cursos intensivos de BD no Instituto Médiocurso de Lisboa.
É o artista português com maior número de álbuns produzidos (68 álbuns ilustrados, 39 dos quais em histórias aos quadradinhos até meados de 2001).

Largo do Leal Senado, Junho de 1949

Fotografias da revista Times (EUA)

Imagens de 1997




sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Comandantes do Corpo de Polícia de Segurança Pública de Macau

Desde 15-MAR-1999 Superintendente Geral José Proença Branco
De 07-JAN-1998 a 14-MAR-1999
Tenente-coronel Manuel António Meireles de Carvalho
De 17- SET-1991 a 06-JAN-1998
Coronel Fernando da Silva Pinto Ribeiro
De 01-OUT-1986 a 16-OUT-1991
Coronel António Martins Dias
De 04-OUT-1984 a 01-OUT-1986
Tenente-coronel Raúl Miguel Socorro Folques
De 04-OUT-1982 a 04-OUT-1984
Coronel João Manuel Duarte Moniz Barreto
De 04-NOV-1981 a 08-JUL-1982
Major José Alberto Cardeira Rino
De 03-ABR-1979 a 30-NOV-1981
Tenente-coronel Virgílio de Magalhães
De 09-DEZ-1974 a 05-DEZ-1978 Major Rodrigo Lobo d’Ávila
De 26-NOV-1972 a 01-DEZ-1974
Tenente-coronel António Miguel Rodrigues
De 30-DEZ-1970 a 20-OUT-1972
Major Eduardo C.F.B. Velasco
De 09-SET-1967 a 30-DEZ-1970
Tenente-coronel José Luís de Azevedo Ferreira Machado
De 15-DEZ-1966 a 09-SET-1967
Capitão Henrique Manuel Lages Ribeiro
De 17-FEV-1963 a 14-OUT-1963
Tenente-coronel Carlos Armando da Mota Cerveira, interinamente
De 19-JAN-1963 a 14-DEZ-1966
Tenente-coronel Octávio Galvão de Figueiredo
De 02-OUT-1962 a 17-FEV-1962
Capitão Henrique Manuel Lajes Ribeiro, interinamente
De 13-AGO-1962 a 29-SET-1962
Capitão Henrique Manuel Lajes Ribeiro, interinamente
De 26-JUL-1960 a 03-JAN-1963
Major Segismundo Revés
De 05-DEZ-1960 a 07-AGO-1960
Tenente Henrique Ferreira da Conceição Fontes, interinamente
de 08-DEZ-59 a 07-AGO-1960
Capitão Delfim Nunes, interinamente
De 21-OUT-1957 a 28-MAR-1960
Capitão José Vaz Dias da Silva, definitivamente
De 03-SET-1956 a 20-OUT-1957
Capitão José Vaz Dias da Silva, interinamente
De 22 -JAN-1955 a 02-SET-1956
Capitão João Victor Teixeira Bragança
De 02-SET-1954 a 21-JAN-1955
Tenente Artur da Palma Viçoso
De 13-ABR-1953 a 01-SET-1954
Capitão Júlio Augusto da Cruz
De 21-DEZ-1952 a 12-ABR-1953
Tenente José da Conceição Miguel
De 21-JAN-1948 a 20-DEZ-1952
Capitão Luís Augusto de Matos Paletti
De 27-JUN-1946 a 01-JAN-1948
Capitão Álvaro Marques de Andrade Salgado
De 05-ABR-1946 a 26-JUN-1946
Capitão Eduardo Madureira Proença
De 22-MAR-1946 a 04-ABR-1946
Tenente Reformado Augusto Ferreira
De 17-MAR-1941 a 21-MAR-1946
Capitão Alberto Ribeiro da Cunha
De 28-AGO-1939 a 16-MAR-1941
Capitão Eduardo Madureira Proença
De 01-AGO-1939 a 27-AGO-1939
Tenente Júlio Montalvão da Silva
De 05-MAR-1937 a 31-JUL-1939
Capitão Carlos de Sousa Gorgulho (a)
De 23-JAN-1937 a 04-MAR-1937
Capitão Rodrigo Brandão Guedes Pinto
De 01-MAR-1931 a 22-JAN-1937
Capitão Alexandre dos Santos Majer
De 24-MAI-1930 a 28-FEV-1931
Tenente Gaudêncio da Conceição (b)
De 10-DEZ-1926 a 23-MAI-1930
Capitão Frederico Tamagnini de Sousa Barbosa
DE 21-AGO-1926 a 09-DEZ-1926
Tenente Gaudêncio da Conceição
De 16-NOV-1925 a 20-AGO-1925
Capitão Joaquim Manuel Cortês
De 30-SET-1925 a 15-NOV-1925
Tenente Cândido José Jorge
DE 16-JUL-1924 a 29-SET-1925
Tenente Gaudêncio da Conceição
De 01-MAI-1920 a 15-JUL-1924
Afonso da Veiga Cardosa
De 26-NOV-1918 a 30-ABR-1920
Tenente João Marques
e 12-JAN-1918 a 25-NOV-1918
Capitão Dionísio Fonseca
De 11-Jan-1917 a 11-JAN1918
Comissário Daniel Ferreira Júnior
De 01-JAN-1917 a 10-JAN-1917
Comissário José Francisco de Sales da Silva
De 1915 a 1917
Major João Carlos Craveiro Lopes (c)
1888
Coronel Francisco Augusto Ferreira da Silva
1880
Major Francisco Paula da Luz
1879
Coronel António Joaquim Gracia
1869
Coronel Jerónimo Pereira Leite
1861
Capitão Alvim e Capitão Corte Real, nomeados cmdts da 1ª e 2ª companhias do Corpo de Policia
De 14-OUT-1857 a 29-JUL-1863
Bernardino de Senna Fernandes, nomeado Comandante da Policia do Bazar, com honras de capitão
1841
Tenente-coronel António Pereira, Comandante da Policia de S. Lourenço
1841
Tenente-coronel Joaquim Pedro da Costa Brito, nomeado Comandante da Policia de S. António
1822
Capitão Feliciano Firme Monteiro, do Batalhão do Principe Regente, nomeado Comandante da Policia
1822
José Baptista de Miranda Lima, nomeado Intendente da Policia da cidade
1810
Coronel José Osório de Castro, Comandante do Batalhão do Príncipe Regente
1792
Domingos Mesquita, Capitão de Ordenança da Casa Forte de S. Lázaro
1766
D. João Severim Manuel, Capitão de Ordenança da Casa Forte de S. António
1737
Francisco Marques de Sousa, Capitão de Ordenança do Bairro da Sé e Casa Forte de S. Lázaro
1735
Tomé Vaz Vieira, Capitão de Ordenança do Bairro da Sé
1718
Francisco Mendonça Furtado, Francisco Barradas da Rosa e Manuel Dutra Vieira, nomeados pelo senado como Capitães de ordenança das Casas Fortes de S. Lourenço, Santo António e Sé.

a) Foi posteriormente Governador de S.Tomé e Príncipe, de muito má memória!
b) Foi também Cmdt do Corpo de Bombeiros de Macau.
c) Governador-Geral da Índia Portuguesa (1929-1936); pai do PR Marechal Francisco Higino Craveiro Lopes.
Fonte: MSMartins

Uma farmácia no museu...

O Museu da Farmácia (em Lisboa, na rua Marechal Saldanha, bairro de Santa Catarina) foi inaugurado em 1996 e reúne cronologicamente, material alusivo à história da farmácia. Inclui uma ala que reconstrói cenários em tamanho real de diferentes estabelecimentos farmacêuticos ao longo de diferentes épocas, sendo de destacar a farmácia da Macau.
O espólio é constituído por cerca de 13 mil peças arqueológicas e histórias relativas à prática da farmácia, relativas a diferentes épocas e lugares - objectos provenientes de Roma, Grécia, Mesoptâmia, Arábia, Meso-América, China, Macau, Japão, datados desde a Antiguidade, passando pela Idade Média e Renascimento, pelos séculos XVIII e XIX, até aos nossos dias.
O Museu da Farmácia foi distinguido com os prémios Melhor Museu Português em 96/97/98 (pela Associação Portuguesa de Museologia) e Melhor Projecto Farmacêutico em 99 (pela Revista Farmácia e Distribuição).

Farol da Guia: uma luz no Oriente / o mais antigo da China

Excerto de um artigo de Diogo Fernandes publicado na Revista Nam Van nº 16 – Setembro de 1985

Dos cerca de 40 faróis, farolins, bóias de sinalização que existem na península de Macau e nas suas ilhas, há um que se destaca pela sua história e significado - o Farol da Guia, situado na colina com o mesmo nome.
O farol mais antigo da China, ele continua a ser um ponto de atracção turística, seduzindo, pelo seu passado e presente os muitos viajantes que ali se deslocam. Macau é, sabe-se, uma terra onde se depositam valiosos testemunhos de um passado onde o Oriente e o Ocidente se confundiram e este também é o caso do Farol da Guia, uma prova monumental como o são o Passeio da Bela Vista, as Portas do Cerco, a Praia Grande, a Penha, as Ruínas de S. Paulo, a gruta de Camões, o templo da Barra.
Aceso pela primeira vez em 1865, o Farol da Guia iluminou desde então, ininterruptamente, as costas de Macau, o primeiro, alimentado a petróleo, depois, a óleo de coco e, desde 1909, energia eléctrica.
Um aviso aos navegantes, datado de 2 de Outubro de 1 H65, e assinado pelo Cap. do Porto de Macau, João Eduardo Scarnichia, anunciava:
AVISO AOS NAVEGANTES
«Desde a noute de 24 do mez passado se começou a acender um novo pharol construido na fortaleza de Nossa Senhora da Guia, da cidade de Macau. O pharol está na latitude de 22° 11 'N, e na longitude de 113° 33'E, de Greenwich. A elevação da luz é de 101,5 metros acima do nível do mar, nas mais altas marés de tempo calmo. A torre do pharol mede 13,5 metros da base à cupola, tem a forma octogonal e é pintada de branco. A lanterna é vermelha. A luz é branca e rotatória, fazendo um giro completo em 64" de tempo. Pode ser vista a 20 milhas, em tempo claro. N'esta distancia, a duração da luz é de 6" e a do eclipse de 58".
A 15 milhas, vê-se a luz durante 11" e o eclipse dura 54".
A 12 milhas, o maior clarão de luz dura 12", e o intervalo do eclipse (de 52") é cortado pelo aparecimento, quazi instantâneo, de uma luz mais fraca. A 7 milhas, a duração da grande luz é de 14", e a do eclipse de 50", aparecendo no meio d' este a pequena luz, como fica dito.
Logo que seja possível se publicarão as marcações pelo pharol. para demandar o ancoradouro da rada de Macau. Capitania do Porto de Macau, 2 de Outubro de 1865. João Eduardo Scarnicha, Capitão do Porto»
O primeiro farol funcionava com um candeeiro de petróleo. O autor deste engenhoso maquinismo era um hábil macaense, Carlos Vicente da Rocha, tão curioso era o modelo desse farol que o seu autor o enviou para Lisboa, onde se conservou muito tempo na Sala do Risco. do Ministério da Marinha até que um incêndio o.devorou.
Dez anos após a construção deste farol, precipitou-se sobre Macau o mais violento tufão. Foi o próprio construtor do farol, Carlos Vicente da Rocha, que mandou disparar os tiros, anunciando a aproximação deste tufão de 22 de Setembro de 1874. O farol sofreu várias avarias, tendo de ser reconstruída a sua torre.
Curiosamente, o farol da Guia serviu durante décadas como aviso para a população, e embarcações, da aproximação de tempestades tropicais. Com efeito, através de salvas de canhões ou, como mais recentemente, pelo içar de sinais apropriados, os habitantes de Macau sabiam antecipadamente a passagem dos tufões, acompanhando a sua evolução passo a passo.
Durante 45 anos brilhou este farol no alto da Colina da Guia. O primeiro faroleiro foi um velho soldado chamado Diogo, que se apaixonou pela Guia, passando longas vigílias na contemplação estática do seu farol. E em 29 de Junho de 1910, esse farol cedeu o lugar a outro, de aparelhagem moderna, de rotação, importada de Paris.
Revista Nam Van - publicação do Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau

Os Landins em Macau II

A partir de 1948, os contingentes africanos (da Guiné, Angola e Moçambique) recrutados para Macau, totalizavam, entre praças e cabos, cerca de 500 elementos, e estavam aquartelados na Fortaleza da Guia, em Mong-Há, na Ilha Verde e nas ilhas de Coloane e da Taipa.
Entre as 15 e as 18 horas, isto é, durante o período de licença, os soldados africanos, ou visitavam a Rua da Felicidade, ou passeavam pelas ruas de Macau, nos riquexós (alguns já bastante afectados pela cachaça).
À noite, no quartel, e quando as circunstâncias o permitiam, acendiam uma fogueira, onde uma conversa algarviada tentava evocar, sem desânimo, os horizontes longínquos da terra natal.
Apesar disso, o soldado tentava adaptar-se à vida ocidental. Uma forma de aculturação - e talvez a principal- terá sido a religião já que quase todos estavam baptizados, ou pelo catolicismo, ou por tendências cristãs protestantes. Ambas as tendências tiveram muito sucesso na sua influência junto das tropas africanas.
No que diz respeito aos católicos, havia em todos os quartéis uma delegação da Legião de Maria e na Gruta de Nossa Senhora de Fátima, cantava-se o terço todas as noites. Saliente-se também que alguns africanos chegavam a catequizar os seus conterrâneos.
As suas funções no quartel consistiam, para além dos exercícios militares diários, em trabalhos de faxina e de conservação de estradas.
Apesar das doenças que, muitas vezes faziam abater ao afectivo em tantos soldados africanos, estes ficavam em Macau normalmente durante o período duma comissão de dois anos.
Em 1974 já não existiam referências à sua presença e em 1975 é extinto o Comando Territorial Independente de Macau, apagando-se, assim, todos os traços da mentalidade africana que foi utilizada para diversos propósitos, mas que também nunca abdicou da sua originalidade e tradições.
Artigo de PJL na Revista Nam Van nº 23 - 1986

Os Landins em Macau I

Artigo de de Pedro Dá Mesquita publicado na Revista Nam Van nº 23 - 1 de Abril de 1986
Quis o destino que os landins, povo aliado com os deuses, que o fizeram feiticeiro, se tornasse no exemplo mais acabado de soldado africano ao serviço do exército colonial português.
Estávamos em 1904 e pelo regulamento assinado pelo comissário régio de Moçambique, Mousinho de Albuquerque, todos os homens válidos seriam sujeitos a uma inspecção, a ter lugar de dois em dois anos, para servirem nas companhias expedicionárias e nas companhias de indígenas, estas integradas exclusivamente por elemento landins.

Da passagem de uma vida que se perdia na memória dos tempos, feita pela leitura das estrelas, dos ventos e das nuvens, colocando cada landim numa posição superior e desta superioridade vivendo, a história militar portuguesa coloca estes homens de sorriso permanente e de selváticas paixões, numa alta estima a julgar pelo testemunho do próprio herói do aprisionamento do Gungunhana, que escreveu a dado passo no seu livro «Moçambique» que os landins eram de todas as tropas de negros ao serviço de Portugal as que revelaram «maior instinto guerreiro».
Com tão boas referências, depressa estes homens deixaram a sua terra para servirem em Angola, Timor e Macau, tendo chegado a este último território no ano de 1911, marcando nas cinco décadas seguintes uma presença regular naquele enclave, então colónia portuguesa.
Para quem conhecesse os landins por alturas dos finais do século passado, dificilmente imaginaria que este povo orgulhoso se tornasse alguma vez num soldado disciplinado, temerário, ao serviço de um exército regular.
Armado de escudo, adornado de peles e com zagaias, com as quais desferiam o primeiro golpe em direcção aos rins da vítima, os landins eram uma das etnias mais temidas e conhecidas de todo o Moçambique.
Contam as crónicas que qualquer número de landins, por mais insignificante, que passasse por qualquer aldeia, por mais pobre que ela fosse, quase que por magia
- não fossem eles feiticeiros surgia logo farinha para fabricarem o seu pão favorito, sempre acompanhado por um bom número de cabritos e galinhas
As principais vítimas desta pilhagem permanente era o povo quiteve, que para além de se ver despojado de boa parte dos seus bens, era obrigado a carregar todos os mantimentos dos landins, pois estes nunca tinham «pegado em cargas».
Aliás, conta-se uma história bem curiosa sobre os costumes deste povo que fez um pacto com o céu.
Nas suas permanentes deambulações, os landins conceberam uma forma assaz curiosa de tributação: abriam um furo no alto da cobertura cónica das palhotas circulares, obrigando depois a enchê-Ias até que estas se recusassem a receber mais.
Esta tendência de acumular veio a manifestar-se bem mais tarde em Macau, embora já a nível individual e sob a forma de pré (2 mil escudos em 1950) por todos os
elementos voluntários que estiveram em comissão de serviço no território, ficando célebre um desembarque em Lourenço Marques, em 1932, que vinha de tal forma provido de mercadoria que pagou 18 contos de réis em direitos aduaneiros, e isto não obstante a «vista grossa» por parte dos funcionários da alfândega.
O primeiro par de botas
Providos de uma excelente compleição física - cuja média ultrapassava o metro e setenta de altura - com uma boa capacidade de aprendizagem, com um bom espírito combativo e de tempera­mento alegre, os landins foram considerados as melhores tropas coloniais portuguesas.
Após um recenseamento, eram sujeitos a uma recruta de três a seis meses onde lhes era ministrado o manejo das armas, o aprumo mili­tar e uma instrução mínima. De­pois eram enviados para Angola, Timor e Índia na situação de obrigatoriedade, tendo sido recrutados mais de cem mil entre 1916 e 1918, durante a I Grande Guerra.
O primeiro contigente a embarcar para Macau deixou Lourenço Marques em 11 de Dezembro de 1911 com a 8ª Companhia Indígena, acompanhada de uma secção de bateria mista.
Com um par de botas - as primeiras que calçavam na sua vida - um capacete de ferro, que lhes dava um ar muito mais marcial, e com um uniforme do qual ressaltavam uns largos calções, cerca de duas centenas de landins desembarcaram em Macau nos primeiros dias de 1912, deixando desde logo uma forte impressão, quer na comunidade portuguesa, quer mesmo na chinesa ao realizarem um batuque no qual teve papel importante o manejo das terríveis zagaIas.
Devido ao facto de serem tropas muito bem treinadas e muito disciplinadas, e de serem - segundo Mousinho que as utilizou em primeiro lugar - «umas sentinelas admiráveis» foram colocados nas Portas do Cerco, ponto nevrálgico, sobretudo após a implementação da República Chinesa e onde se tinham registado alguns incidentes.

A coronhada landim
Com fortificações que permitiam a presença de uma companhia, a unidade estacionada nas Portas do Cerco estava sujeita a um trabalho violento, quer no aspecto físico, devido às constantes vigias nas 24 horas do dia, quer pelos incidentes que se repetiam quase diariamente com as tropas colocadas do outro lado da fronteIra.
O dia começava com o retirar dos cavalos-de-frisa pelas 8 horas, que eram colocados a cerca de 30 metros diante das Portas do Cerco, seguindo-se-Ihe o manejo de armas, colocação nos postos e instrução vária. A tarde, os soldados estavam encarregados de diversos melhoramentos nas instalações, encerrando a fronteira pelas 18 horas.
Equipados com espingardas de bom alcance, bazucas, canhões, anti-tanques e várias metralhadoras, as tropas landins colocavam-se em menos de três minutos nos seus postos após soar o alarme, facto que acontecia nas ocasiões mais díspares para manter a eficiência da unidade.
Após a natural apreensão relativamente à recepção que iriam dar aos landins, estes foram bem aceites pelas três comunidades em questão (portuguesa, chinesa el colegas de armas).
Depressa ganharam fama de soldados disciplinados, não só através das inúmeras histórias mas também pelas anedotas que se contavam a seu respeito. Uma delas conta o sucedido com um soldado landim que estava de serviço à residência do governador de Moçambique e deu uma forte coronhada num director dos caminhos
de ferro do Transval, que na ocasião (uma greve) insistiu em transpor uma vedação, e que mais tarde iria provocar certos dissabores ao próprio Mousinho. Instado a defender-se por ocasião de um breve inquérito que ficou arquivado e das razões que o tinham levado a tomar aquela atitude, o soldado limitou-se a responder: - «Faça, alto, palavra de honra, faça fogo».
O prestígio junto das comunidades em Macau foi subindo à medida que eles se iam integrando na vida normal da cidade, sendo vistos nos dias de folga, sempre em grupos, invadindo as lojas centralizadas na Rua Almeida Ribeiro numa azáfama em adquirirem um conjunto mais ou menos fixo de bens: bicicletas, fatos, máquinas fotográficas, arcas em cânfora e outros objectos que afanosamente guardavam como penhor de dois anos de comissão de serviço voluntário em Macau com um bom pré (2 mil escudos em 1950) e isto numa altura em que Macau tinha uma vida mais barata do que em Moçambique ou Portugal.
Por outro lado, um dos passatempos favoritos dos landins ao chegarem a Macau - conforme nos relata o coronel Pedro Barcelos que comandou uma companhia dej landins nas Portas do Cerco entrei Junho de 1951 e Setembro de 19521 - era o de se fazerem transportar nos riquexós, já que parece que «lhes dava um grande prazer o serem levados a custa de braço, pelas ruas de Macau e perante um clima tão extenuante.

A fotografia de rectaguarda
Fora disso e para além de umas visitas esporádicas à rua da Felicidade (ninguém poderia ter escolhido um nome mais sugestivo...), o seu relacionamento foi sempre muito bom, sendo somente de recordar, pelo seu aspecto caricato, um episódio ocorrido em 1931, quando um grupo de dez soldados e 2 cabos landins foi escolhido para representar as forças expedicionárias de Moçambique na exposição colonial de Paris.
Como já dissemos, os landins são dotados de uma excelente estatura física, tendo sido escolhido um deles para servir de soldado tipo para uma fotografia que iria incentivar os seus conterrâneos por altura do recrutamento.
A semelhança do que se fez para o «poster» do recrutamento, foi escolhido um grupo que estava estacionado em Macau, que por tradição recebia os melhores ho
mens; só que na foto em que se via o oficial branco no meio dos soldados o seu tamanho era nitidamente mais baixo do que o dos seus subordinados, o que, de acordo com a mentalidade da época, era visto como uma prova de inferioridade.
A solução encontrada foi simples: preparou-se uma segunda foto, tirada no campo onde se vê uma coluna seguindo na frente os landins e na rectaguarda o guia, dando assim maior corpulência ao europeu.
Mas a vida dos landins não foi só este ritual de compras e de actividade militar, facilmente notado pelo «Bayte», uma saudação tipicamente landim, uma espécie de mistura de sinais que fazem lembrar um aceno e uma continência e que servia como factor de unidade na vida civil, já que todos os antigos soldados se cumprimentavam deste modo, o que dava ainda mais animação as já animadas ruas de Macau.
Na sequência de incidentes fronteiriços o comando militar de Macau achou por bem transferir para uma unidade estacionada na ilha da Taipa a companhia que tinha estado envolvida, não só para desanuviar a situação como também para evitar futuros incidentes com uma unidade já por si excitada.
Até ao final, a companhia limitou-se a fazer missões de observação e de defesa da ilha e a participar, com o acostumado brilho, na cerimónia do 10 de Junho por ocasião do juramento de bandeira de vários recrutas de Macau, onde realizavam exercícios físicos e demonstrações militares, completados com um concerto dado pela orquestra de corda e de um coro formado inteiramente por landins, tudo isto com o mesmo aprumo com que combatiam.
Para definir estes homens alegres damos a voz ao coronel Pedra Barcelos: «o landim é um pragmático, cumpre sempre à risca aquilo que lhe dizem», daí talvez o facto de muitos deles terem dado coronhadas na cabeça de muitos imprevidentes transeuntes, que fugindo ao sol estival numa procura de uma árvore passavam por detrás das guaritas instaladas nas Portas do Cerco...


A revista Nam Van era uma edição do Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau.

Ruínas de São Paulo em 1961

Fotografia tirada da Fortaleza do Monte em 1961... se nesta imagem é bem evidente a imponência do edifício (fachada), imaginem no século XVII, quando foi construído e quando o casario em redor era de menores dimensões... Fotografia de autor desconhecido.

Livraira "Polidor"

Nas décadas de 60/70 existia uma livraria portuguesa em Macau chamada "A Polidor". O patrão era um macaense de apelido Gracias. Tinha jornais e revistas que iam da então Metrópole, Portugal... Ficava no Largo do Leal Senado, no edifício que hoje alberga os Serviços de Turismo.

Largo do Leal Senado, 1950

Desconheço autor da fotografia

1984: centenário do selo postal de Macau

Zona do Tap Seac em 1990


Imagem de J.J. Amarante

Salão de baile do Hotel Central

O Salão de Dança do Hotel Central ficava num dos pisos do hotel inaugurado em 1928... terá sido o primeiro edifício de Macau a possuir elevador . O bilhete apresentado na imagem é de 1960.

Fábricas de Panchões na Taipa

Nos tempos em que a ilha da Taipa era uma vila pacata a sua população vivia essencialmente da indústria de panchões e da pesca (tb em Coloane, como na imagem). Os panchões era mesmo um dos principais produtos de exportação do território para as comunidades chinesas espalhadas pelo mundo. Exisitam várias fábricas de panchões. As mais conehcidas era a Iec Long e a Kwong Hing Tai. Ali fazia-se a mistura de pólvora em recintos cercados por blocos de cimento armado. Uma tarefa perigosa e por diversas vezes aconteciam explosões que faziam mortos e feridos. Actualmente só existe a de Iec Long (abandonada).


Coca-Cola... garrafas na rua

Uma memória dos anos 80 que ainda perdura... na Taipa

Entrevistas com 'história" no JTM


Desde o início de Outubro o Jornal Tribuna de Macau (JTM) - resultou da fusão do diário Jornal de Macau como semanário Tribuna de Macau - publica todas as sextas-feiras uma entrevista com uma personalidade que tendo vivido em Macau está nesta altura por Portugal.
Para quem não pode aceder à edição impressa basta aceder ao site http://www.jtm.com.mo/
O JTM, "um jornal com memória" no ano em que se comemora o 10º aniversário da transferência de soberania do Território.