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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Templo Pou Tai Un (菩提禪院) na Taipa

Este postal ilustrado da década 1980 mostra o Templo Pou Tai Un (菩提禪院) na ilha da Taipa.
Década 1980

Do final da década de 1980 recupero este texto inserido numa brochura em português e chinês sobre os templos da Taipa:
"Se quiser passar um dia agradável, venha à Taipa pela ponte velha e antes de chegar ao hotel Hyatt, vire à direita e no fim desta estrada, Lou Lim Ieok, está o templo. Construído em 1925, é um mosteiro budista com um templo dedicado aos Três Budas Preciosos e a Kun Iam. De visita obrigatória, nele se encontram Jardins com estátuas, viveiros de carpas e um conjunto de santuários ou lugares de oração onde se confraternizam os deuses do panteão indu, taoista e budista chinês. Neste lugar, com mesas e bancos espalhados pelos jardins, fazem-se belos piqueniques e  come-se boa comida vegetariana dos monges que ainda aí vivem num andar destinado a mosteiro, no pavilhão central. Neste pavilhão, de varandas e beirados ricamente trabalhados encontra-se no andar superior uma estátua, diga de ser vista, de mais de 9 metros de altura, do fundador do budismo, Saquiamuni, o Buda Iluminado que pode ver e compreender todo o universo."
菩提園   
如果你想愉快地過一天,請由舊澳氹大橋到氹仔來菩提園吧!當到達凱悅酒店前應往右轉,再走進盧廉若馬路的盡頭就可以見到菩提園。它建於一九二五年,內有供奉三尊珍貴佛像和觀音像的殿堂,是遊人必到的一座佛教禪院。院內設有一些鑲有石像、養有鯉魚的池塘的庭園,並有一列供參拜中國佛教、道教和印度教等諸神用或唸經用的空間。這裡的庭園均備有枱、櫈,可讓遊人在此野餐,又或品嚐僧侶所做的美味素菜,他們都住在中央寺院的禪房內。在這座經精工修建並附有陽台和屋檐的中央寺院的最高一層內,有一尊高九米、十分值得參觀的佛教始祖釋迦牟尼像,他是一位能看透及洞悉整個宇宙的智者。
Na década 1990

Lá dentro está uma estátua dedicada ao Buda Saquiamuni. Feita de bronze tem a altura de 5,4 metros e um peso de 6.5 toneladas
Altar a estátua de Buda no Templo de Pou Tai Un
氹仔菩提園大佛像

No "Roteiro das Ilhas – Ilha da Taipa. Câmara Municipal das Ilhas", de 1996, pode ler-se:
"O templo chamava-se originalmente mansão (ou jardim) Pou Tai e foi construído pela família Lo em 1927.Um dos seus membros chamava-se Lo Pou San, e era então um dos pintores mais famosos da província de Guangdong, da Escola de Pintura de Lignan, morando na mansão com a sua mãe. O espaço total da mansão foi registado oficialmente em 1933 com uma área tão espaçosa que incluía ainda uma parte da terra onde ficava a Fábrica de Panchões “Him Son” e a terra onde ficava o edifício contíguo da “Wa Seng”. Depois da morte de Lo Pou San, seu filho Lo Vai Chong mudou de residência para Hong Kong e vendeu os terrenos da mansão Pou Tai, que foram comprados por cinco entidades. No dia 16 de Julho de 1964, uma destas entidades, Mestre-Monge Sik Chi Un, comprou a parte principal da mansão, que incluía um pequeno templo que se chamava Palácio Lok Chou, e a maior parte do jardim com a área de 3330 m2.
O mestre Sik Chi Un introduziu o ramo do budismo Cheng Tou (Terra Limpa/Pura) em Macau. Nasceu na província de Zhejiang na China. Tornou-se monge no templo Chiu Heng na cidade de Hangzhou em 1928, e começou a difundir a doutrina budista, pregando no distrito de Zhongshan na província de Guangdong durante alguns anos. No período da guerra entre o Japão e a China, mudou-se para Macau e estabeleceu o ramo Budista Chi Sam. No mosteiro Pou Tai encontram-se actualmente deuses do Budismo e do taoísmo."

domingo, 9 de agosto de 2026

Rotunda Tenente P. J. da Silva Loureiro / 盧伯德圓形地

A Rotunda Tenente P. J. da Silva Loureiro fica junto à Fortaleza da Taipa e não é por acaso...
盧伯德圓形地
盧伯德: Transliteração fonética de Loureiro
圓形地: significa terreno circular/rotunda


Filho de José da Silva de Loureiro (1745-1820) e de Genoveva Flora Joaquina da Cunha (1753-1833) ambos nascidos e falecidos em Ponta Delgada, Pedro José da Silva Loureiro nasceu em Ponta Delgada (Açores) a 29 de Junho de 1792.
Chegou pela primeira vez a Macau, como guarda marinha, acabando por fazer quase toda a sua carreira militar no Oriente. Em 1824 foi promovido a 2.º tenente da Armada e a 1.º tenente em 1853, sendo reformado em capitão de fragata da Armada de Goa.
Foi durante alguns anos capitão do porto de Macau sendo encarregado pelo Governador Ferreira do Amaral de construir o Forte da Taipa, facto que marcou a ocupação definitiva daquela ilha. Foi também comerciante, sendo eleito almotacé da Câmara em 1827. Casou em Macau (S. Lourenço) a 12-04-1826 com Ana Rosa Inocência do Espírito Santo Pereira de Almeida. Tiveram 16 filhos. Quatro deles, Luís, Pedro, Francisco e Eduardo frequentaram o Seminário de S. José em 1840.
Morreu a 16 de Setembro de 1855 de "uma apoplexia fulminante". Era 1.º tenente da armada. Foi sepultado no Cemitério de S. Miguel.
Notícia no Boletim da Província de Macau, Timor e Solor a 22 de Setembro de 1855:
Necrologia.
No dia 16 do corrente ás 5 horas da manhã falleceu o 1o. Tenente da Armada Pedro José da Silva Loureiro, Capitão do Porto de Macau. Uma apoplexia fulminante o roubou a este mundo, e cobrio em um instante de pesado luto a sua extremosa e inconsolavel familia.
Era um portuguez estabelecido ha muitos annos em Macau onde o prendeu o amor, que sempre consagrou a sua carinhosa e triste esposa.
Excellente pai, empregou todos os meios ao seu alcance para educação de seus filhos, objecto de seus disvellos e do seu orgulho, e morreu aos 63 annos de idade, legando-lhes essa riquesa que nenhuma das vicissitudes do mundo pode jamais tirar.
Numeroso concurso de pessoas entre os quaes se viam as mais notaveis da Provincia, tanto nacionaes como estrangeiras, acompanharam o enterro ao cemiterio de S. Miguel, e uma guarda do Batalhão de Artilheria com a banda de musica do mesmo corpo, e commandada por um official de patente igual á do fallecido, lhe fez as honras funebras do estilo.
Foi sepultado as 6 horas da tarde.
Deos lhe conserve a alma em sua santa gloria, e seu corpo descance em paz.
Na edição de 6 de Outubro desse ano na mesma publicação a família publica:
D. ANNA ROSA LOUREIRO e suas filhas e filho agradecem a todas as pessoas, a quem o não tenham feito mais particularmente, a bondade, que tiveram, de assistir no funeral de seu muito presado esposo e pai Pedro José da Silva Loureiro, e esperam que esta falta de lembrança se considere unicamente devida ao estado de afflicção e desgosto em que ficaram por tam triste e inesperado acontecimento.
Macao 6 de Outubro de 1855.
Fortaleza da Taipa no séc. 21

A primeira filha do casal, Genoveva Rosa Joaquina do Espírito Santo Loureiro (1827-?) casou na capela da Residência do Governador com Isidoro Francisco Guimarães (1808-1863), governador de Macau (1851-1863), capitão de mar-e-guerra, do Conselho de S. M. F., e visconde da Praia Grande de Macau.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Antes e agora: antiga Escola da República nº 3 na Taipa

 100 anos separam estas imagens 

Nota: as primeiras escolas públicas nas ilhas da Taipa e de Coloane remontam a 1882

sábado, 28 de março de 2026

Panchões da "Yick Loong" no centenário da empresa

Chinês (da direita para a esquerda): 益隆炮竹廠 (Yì Lóng Pào Zhú Chǎng)


 Yick Loong, Iec Long e Yick Lung são alguns dos nomes para a mesma fábrica de panchões.
Tinha fábrica na Taipa e em Macau, na Estrada da Areia Preta. A sede ficava em Macau na rua Miguel Aires. Tinha ainda uma sucursal em Hong Kong.
Iec Long (益隆): Significa "Prosperidade Benéfica".
A Iec Long foi a maior e mais emblemática fábrica de panchões de Macau, operando entre os anos 20 e os anos 80 do século 10 na Vila da Taipa, época em que esta foi uma das principais indústrias do território.
Duas versões da mesma marca
Nestas duas etiquetas destaque para o facto de estarem escritas maioritariamente em português.
Fundada em 1925/25 fábrica funcionou até 1984.
O espaço na Taipa tem vindo a ser recuperado.
PS: existem inúmeras publicações sobre este tema pelo que sugiro a utilização do campo de pesquisa.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Postal "Esculturas Contemporâneas": década 1990

Projectado pela artista Dorita Castel Branco (1936-1996), este "conjunto escultórico" foi inaugurado em  Dezembro de 1985. Consiste num paredão, no cimo do qual está um miradouro. O monumento de 300 metros de altura é composto por 6 muralhas com 12 lajes que constituem um enorme painel onde os altos-relevos temáticos abordam diferentes aspectos da vida quotidiana e costumes locais.

Postal de 9 de Outubro de 1999

"(...) a obra foi encomendada pelo Governador Almeida e Costa à escultora Dorita Castel Branco, para representar a amizade luso-chinesa. Macau vivia então um tempo de “vacas magras” pelo que os milhões gastos na encomenda criaram grande polémica, até porque para a acomodar, foi necessário destruir parte da colina até então verdejante. A “Tribuna”, então semanário, divulgou os primeiros desenhos da escultora, e o “Jornal de Macau” chamou-lhe “os calhaus da Taipa”, nome que ficou na comunidade portuguesa e fez com que estivesse abandonado durante alguns anos. Com a chegada do Governador Rocha Vieira, o monumento passou a ter destaque, através de uma iluminação adequada." 
Texto de José Rocha Dinis, director do JTM, num editorial de 23-02-2009
Foto de Lei U Veng

"As Esculturas de Relevo de Taipa, com autoria da escultora portuguesa Dorita Castel-Branco, foram inspiradas na Grande Muralha da China. Este monumento representa a vivência da população de Macau ao longo de cerca de quatro séculos e meio e os pontos de interesse do Território. Utilizando o jogo de luzes, a autora provoca uma sensação tridimensional."
Texto do ICM
 Postal de 1994 a partir de uma fotografia de Ho Kuok Man
A escultura na colina da ilha da Taipa, no final da ponte.

Texto de um roteiro turístico da década 1980:
"(...) O monumento em ziguezague consiste em seis trabalhos de alto-relevo. O mais alto é um astrolábio. A vida quotidiana, a indústria e os costumes de Macau são os temas principais desta obra escultórica. Vêem-se ainda representados em alto relevo os pontos históricos e turístico mais famosos e do leão de Macau: as Ruínas da Igreja de S. Paulo, o Casino do Hotel Lisboa e Monte da Guia. Faz ainda alusão aos meios de transporte mais utilizados antigamente em Macau, como os triciclos, os sampan, os juncos e os barcos de formato ocidental. Os elementos decorativos do monumento representam, para além da animação das festas tradicionais coma as danças do dragão e do leão e a queima de panchões, duas meninas com trajes tradicionais a dançar em frente do Templo de A Má, mostrando aspectos culturais e as festas que animam a população de Macau. Quanto ao Miradouro, dispõe de uma escadaria para subir até ao alto, donde se podia (na altura da inauguração) desfrutar uma panorâmica da península de Macau e era o local privilegiado para ver as duas pontes (então existentes) que fazem a ligação entre Macau e Taipa."

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Recibo da Yick Loong Fireworks Company: 1971

Recibo em papel timbrado da Yick Loong Fireworks Company, fábrica de panchões na Taipa.
Cabeçalho (Impresso em Vermelho)
O cabeçalho está escrito em chinês tradicional (lido da direita para a esquerda) e inglês.
Chinês: 益隆炮竹公司用箋
Transliteração: Yik Loong Pau Chuk Gung Si Yung Chin
Tradução: Papel de carta da Empresa de Panchões Yick Loong.
Menciona a sede em Macau, a fábrica na Taipa e a filial em Hong Kong.

Conteúdo Manuscrito (Pincel)
O texto está escrito em caligrafia cursiva chinesa. A leitura das colunas verticais faz-se da direita para a esquerda:
Coluna 1: 莊續傲 (Zhuang Xu Ao - Provavelmente um nome ou referência de conta).
Coluna 2: 帳事信知施紅赤掛皮殼灯并 (Uma nota técnica sobre mercadorias, mencionando "invólucros" e "lanternas/iluminação").
Coluna 3: 此致 (Expressão formal similar a "Atenciosamente").
Coluna 4: 均益壳廠 皿 (Endereçado à Fábrica de invólucros Kwan Yick).

3. Data (Extrema Esquerda)
A data utiliza o calendário sexagenário chinês e o calendário lunar:
辛亥年 八月 廿五日 - Ano de Xinhai, 8º mês lunar, dia 25.

Um carimbo azul pequeno indica "1971". No ciclo de 60 anos, o ano Xinhai corresponde a 1971. Portanto, a data é 15 de Outubro de 1971.

sábado, 20 de dezembro de 2025

"José Cabral, um herói português na II Guerra Mundial"

Publicado em 2023 o livro "O Piloto de Casablanca" é da autoria de José António Barreiros, advogado e ex- Secretário Adjunto do Governador de Macau para a Administração e Justiça, entre 1987 e 1988.  Advogado criminalista, é autor de vários livros sobre essa área jurídica. e tem também investigado e publicado livros sobre "a guerra secreta em Portugal no período 1939-1945." O livro aqui referido é uma biografia de José Cabral (1897-1984) que em Macau
foi o primeiro comandante (era na altura 1º tenente) do Centro de Aviação Naval (pertencia à Marinha de Guerra Portuguesa), inaugurado a 10 de Novembro de 1927 na Taipa. O hangar para abrigo dos hidroaviões ficava na antiga praia de N. Sra. da Esperança  (ver fotos abaixo). A base tinha três aeronaves Fairey III, incluindo o Santa Cruz - em que Gago Coutinho e Sacadura Cabral fizeram a histórica travessia do Atlântico - e que actualmente está no Museu de Marinha, em Lisboa.
Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, quando voar era uma aventura arriscada, a ligação aérea entre Lisboa, Tânger e Casablanca, celebrizada num dos mais emblemáticos filmes de Hollywood, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, era exclusivamente assegurada por Portugal, enquanto país neutro no conflito. O piloto que fazia essa rota, por vezes em condições de grande perigo, chamava-se José Cabral e era um comandante de marinha, corajoso e audaz. Graças a esta figura notável da aviação naval, com contactos nos serviços secretos britânicos e norte-americanos, refugiados de guerra salvaram-se da ameaça nazi e diplomatas e militares das forças Aliadas cumpriram missões na operação de desembarque no Norte de África, o princípio do fim do III Reich.
Cabral viria a ser galardoado com a mais alta distinção concedida pelos EUA a militares estrangeiros, mas cairia no esquecimento no país onde nasceu. Resgatando a sua memória, José António Barreiros recorda a vida, a bravura e as missões clandestinas deste herói português.

Referência do autor nas páginas do livro "O Piloto de Casablanca"
ao apoio que prestei com recurso ao blogue Macau Antigo e arquivo pessoal

Nascido em 1897 José Cabral iniciou os estudos em Lisboa no início da década de 1910. Em 1916 entrou para a Escola Naval onde se dedicou à Aviação Naval. Desde cedo pretendeu servir na Aviação Marítima de Macau o que veio a acontecer em 1929 sendo colocado no Centro de Aviação, na ilha de Taipa. Na época a China já vivia em grandes as tensões do que viria a ser a guerra civil entre as forças nacionalistas e comunistas. Cabral participou em missões de salvamento e segundo Barreiros recebeu "condecorações" pelas operações de salvamento de pilotos franceses caídos na China. Regressaria a Portugal em 1932.
Foto publicada na revista Macau, Agosto 1992

No livro "Aviação em Macau, um Século de Aventuras" (1990) Luís Andrade de Sá escreve:
"Esteve três anos no território e escreveu no relatório o que fora a sua actividade na Colónia: quase 500 voos, num total de 218 horas e 15 minutos. Os aviões , só podiam ser usados em certas condições, com a maré cheia ou quando a água tivesse pelo menos sete pés de profundidade; o pessoal europeu da Aviação Naval não ultrapassava a meia dúzia com ele e com o sargento, ajudante de carpinteiro, Joaquim Carpeta; havia ainda seis loucanes e um guarda africano, um cavalo e algumas cabras que querendo em liberdade, insistiam em destruir as árvores e plantas do jardim da Taipa, perante o desespero e indignação da Comissão Municipal das Ilhas e a bonomia do comandante da Aviação Naval que não via como pôr termo a tal abuso".

domingo, 30 de novembro de 2025

"Explosion of a Portuguese frigate"

O irmão de Francisco Maria Bordalo (1821-1861) - ver post de ontem - Luíz Maria Bordalo, também oficial da Marinha portuguesa, foi uma das vítimas de uma das maiores tragédias humanas em Macau e um dos maiores desastres navais a envolver a marinha portuguesa. Ocorreu a 29 de Outubro de 1850  - era dia de aniversário do rei D. Fernando II e estava Francisco Maria Bordalo a caminho de Macau - quando por razões ainda hoje desconhecidas ocorreu a explosão no paiol da fragata D. Maria II - ancorada ao largo da Taipa - que continha 300 barris de pólvora. Morreram mais de 200 pessoas. A maioria pertencia à guarnição da D. Maria II. Dos 224 elementos da tripulação morreram 188 e os que se salvaram, apenas 36, foi graças ao facto de estarem em terra (hospitalizados ou destacados) e um grumete, o único que sobreviveu entre os feridos transportados para o hospital de Macau. Consta que apenas foram encontrados 71 cadáveres - os únicos sepultados - tendo os restantes desaparecido. Da lista de vítimas mortais constam ainda três marinheiros franceses presos e cerca de 40 chineses que estavam a bordo da fragata ou em embarcações próximas que foram atingidas pela força da explosão.
Em Portugal, cerca de dois meses depois, o jornal "O Patriota" escreve na edição de 28.12.1850: "Hontem espalhou-se uma noticia que tem causado profunda e geral consternação (…) Há jornaes que a dizem ocorrida em Macau, outros a referem como acontecendo em Calcutá, na India Inglesa. (…)" 
A notícia termina referindo haver esperança que a notícia fosse falsa. Mas não era... E o tema  volta na edição de 30.12.1850 escrevendo que "Por outras notícias parece que mesmo da fragata D. Maria alguém escapou".
A dimensão da tragédia foi amplamente noticiada na imprensa mundial, com especial enfoque na de língua portuguesa, incluindo no Brasil ao longo de 1851. O jornal "O Patriota" dedicou grande parte da edição de 30 de Janeiro de 1851 ao acontecimento publicando em duas páginas relatos oficiais, cartas de testemunhas e os nomes das vítimas. 

"Finalmente chegaram de Macau noticias officiaes e miudas do desastre acontecido á fragata D. Maria II. Infelicidade para o paiz, e para tantas familias! Mas cumpre que aquellas que só tem que lamentar a perda de seus chefes ou de alguns dos seus membros, tenham informações exactas a esse respeito. Por isso, com o officio do sr. Isidoro Francisco Guimarães Junior*, copiamos do Diario de hontem as relações que acompanham o mesmo officio. Fica manifesto que não pereceu ninguem estranho á fragata. Copiamos tambem do Boletim official de Macau sobre a impossibilidade de explicar aquelle infeliz acontecimento. Damos igualmente a nossos leitores a parte principal de uma carta particular que trata do mesmo acontecimento; e abonamos a intelligencia e a por nós conhecida boa fé da pessoa que a escreveu. A tudo isto ajuntamos um resumido extracto de outras cartas, tambem escriptas em Macau por homens que sabem ver as cousas; neste extracto se pinta o estado daquella cidade, e se indica a origem dos seus males. Lamentamos amargamente tanta desgraça! Todas as noticias, tanto officiaes como particulares, são conformes em attestar que a guarnição americana da corveta Marion fez todos os esforços possiveis para salvar os infelizes que podessem ser salvos. O governo de Macau escreveu e publicou officialmente uma carta dos mais expressivos agradecimentos ao commandante daquella corvetta."
* Era na altura capitão-tenente e comandante da corveta D. João 1º, estacionada em Macau. Viria a ser pouco tempo depois governador de Macau.
“Explosão da Fragata D.ª Maria 2.ª  em Macao no anno de 1850”
título desde óleo sobre tela -33x54cm -  de autor anónimo (provavelmente chinês)
Espólio do Museu Marítimo de Hong Kong

Copia de uma carta de Macau datada de 24 de Novembro de 1850 também publicada n'O Patriota a que juntei algumas notas. Não está assinada, mas o autor foi Carlos José Caldeira (1811-1882), que viveu em Macau entre Setembro de 1850 e Dezembro de 1851, e escreveu relato idêntico no livro que publicou em Lisboa em 1852 intitulado "Apontamentos d'uma viagem de Lisboa a China e da China a Lisboa".

"Eu achava me no dia 29 do mez passado a jantar com o bispo*, quando a explosão abalou todo o palacio, ouvindo se o estrondo como de um forte tiro de canhão. Em poucos momentos, olhando para a Taipa ou ancoradoiro, conhecemos a causa e os tristes effeitos. Sahi logo, e fui dos primeiros a chegar a bordo da curveta americana, onde estavam os dez desgraçados salvos pelos escaleres della; e dos quaes vi morrer dois; soffriam todos horrivelmente. A curveta americana nada soffreu; julga se que quem a salvou foi a proximidade em que se achava da fragata, por ficar exactamente debaixo do arco da curva que descreveu a explosão. Peças de 18** voaram por cima da curveta, com a felicidade de não a tocarem. Disseram me alguns officiaes americanos que um momento antes da explosão viram a fragata elevar se quasi seis pés ***fóra d agua. Tal foi a resistencia que apresentou o paiol e a forte structura do navio!

Gravura publicada no Diário Illustrado a 11.10.1873

A causa desta grande desgraça, isto é, o modo como chegou o fogo ao paiol da polvora, ficará para sempre desconhecido. Os que sobreviveram nenhum esclarecimento deram e só diziam que, estando cada um nos seus misteres, accordaram depois como de um letargo, ja a bordo da curveta americana. Com tudo, entre as varias hypotheses que lembram, a mais provavel parece a de ter sido lançado o fogo ao paiol pelo fiel d artilheria João Antonio, individuo de pessimo caracter e conducta e que naquelle mesmo dia fora asperamente reprehendido pelo commandante depois da salva ao meio dia. Embebedava-se, e dizem, que alguna vez soffrendo castigos, se lhe ouviram ameaças deste successo. Seria cousa bem curiosa a policia procurar a origem de um boato que correu em Lisboa da queima e perda da fragata do qual se fazia menção em uma carta escripta d ahi em Agosto pelo irmão do official Bordalo e por este aqui recebida e mostrada. Esta circumstancia é notavel; talvez o malvado fiel a alguem para Portugal tivesse communicado suas dannadas intenções.
Além da perda deste bello navio e de tantas vidas, havia talvez a bordo delle o valor de trinta a quarenta mil patacas em objectos e dinheiro dos officiaes e de comissões. Particularmente me affectou a morte do Assis e do Bordalo. Naquelle dia tinha o Assis tido o pensamento de jantarmos juntos a bordo da fragata, com o Sequeira Pinto, Guimarães e outros; e por algum inconveniente que teve tinha este jantar ficado para algum dos dias imediatos. Foi a providencia que nos salvou; provavelmente aquella hora por lá estariamos se lá tivessemos ido jantar.
Esta semana houve aqui outro acontecimento tambem desastroso. Um portuguez desta cidade casou se; achou a noiva impura e arrancou lhe a confissão de que o padrasto della era o culpado. Com toda a serenidade procurou a este na sua propria habitação e disparou una pistola n'um ouvido; deixando o nas agonias da norte, sahiu e na escada carregou outra vez a mesma pistola e deu outro tiro na sua propria cabeça morrendo immediatamente Parece que esta terra esta agora fadada para desastres!!!"

* Carlos José Caldeira era primo D. Jerónimo José da Matta, bispo de Macau entre 1845 e 1862; o palácio/residência episcopal era anexa à Sé.
** peso da bala disparada, neste caso, canhão de 18 libras (8,16 Kg).
*** quase 2 metros.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Jardim Municipal da Taipa / Jardim do Carmo

Construído em 1924, o actual Jardim Municipal da Taipa era no início conhecido por Jardim do Carmo, já que se situa em frente à Igreja de Nossa Senhora do Carmo, na Avenida de Carlos da Maia. 
A marca identitária deste jardim é um fontanário em forma de cruz fazendo lembras as pétalas de uma flor.  A imagem abaixo mostra isso mesmo e contém a inscrição "1924".
Actualmente uma pérgula situada sobre o fontanário tem várias trepadeiras como a madressilva-do-japão (Lonicera japonica). 
No ponto mais alto do jardim está desde 1999 uma estátua de Luís de Camões.

sábado, 7 de junho de 2025

Casa de Penhores Pou Sun / Pou San

Classificado como "edifício de interesse arquitectónico", a Casa de Penhores Pou Sun (tb conhecida por Xin Bao) fica no nº 1 da Travessa da Felicidade/Rua Correia da Silva (Governador de Macau*), na Taipa. Em registos da primeira metade do século 20 surge referida com o nome "Pou San". Como era típico destes estabelecimentos tinha uma torre prestamista. Emprestava dinheiro a juros sobre bens penhorados.
Pormenores do aspecto actual após restauro do edifício de três pisos
當舖 - Pawn Brokers
Postal ilustrado edição ICM década 1980. Foto Eduardo Tomé.

* Henrique Monteiro Correia da Silva nasceu em Macau a 8 de Dezembro de 1878. Filho do 1.º conde de Paço de Arcos - Carlos Eugénio Correia da Silva, na altura Governador de Macau - é também conhecido como Henrique Paço d'Arcos. Oficial da Marinha de Guerra portuguesa, foi Governador de Macau entre 1919 e 1923. Morreu em Lisboa a 2 de Novembro de 1935.

domingo, 22 de dezembro de 2024

Fort de L'entrée de la Typa

Fort de L'entrée de la Typa / Forta à entrada da Taipa é o título desta gravura de Himely feita a partir de um desenho de B. Lauvergne.

Detalhe da gravura com o forte à entrada da rada da taipa em primeiro plano e ao fundo uma muralha ao longo da colina que tem no topo vários edifícios. tudo indica tratar-se da ermida e convento da Penha.

Barthelemy Lauvergne esteve em Macau no âmbito de uma viagem à volta do mundo feita entre 1836 e 1837 pela corveta francesa La Bonite. A legenda pode dar a entender que se trata da fortaleza da Taipa mas esta só foi construída em 1846 pelo que Lauvergne não a poderia ter desenhado.
O excerto abaixo é sobre informações úteis em termos de navegação junto a Macau e, claro, refere a rada e ancoradouro da Taipa, muito utilizado pelas embarcações de maior calado que rumava a Macau. Estava mais abrigado em termos de correntes e vento e a profundidade das águas era maior. Para os comandantes menos experientes aconselhava-se a contratação de de um 'piloto' local, ou seja, procurar em Macau um marinheiro experimentado.

Position géographique de la ville de Macao
La ville de Macao que les Chinois appellent Ou Moon est située par 22 10 30 N et 113 32 de longitude E 111 12 m ou d après des montres marines à dix huit milles dans l'E de Canton et à douze milles à I'O de la grande Ladrone. Il ya plusieurs forts sur les montagnes environnant la ville qui est irrégulièrement bâtie sur une haute péninsule terminant l'île de Macao au S. et qui se joint à celle ci par un isthme étroit situé au N. de la ville.
Cet établissement sain et agréable, le seul que les Européens possèdent dans l'empire chinois, est entièrement sous la domination du vice roi de Canton, car quoique le gouvernement de la ville soit cédé aux Portugais elle n'en est pas moins dépendante de la Chine puisque c'est de là qu'elle tire les vivres ou tous les autres objets nécessaires à ses habitans.
C'est ici qu on se procure les pilotes de la rivière et chacun d'eux reçoit du mandarin résident un laissez passer dans lequel on mentionne la force du bâtiment ainsi que la nation à laquelle il appartient et cette pièce est remise à l officier commandant le fort de la bouche du Tigre.

Port
Le port de Macao compris entre la péninsule et la grande île de Twee Lien Shan, à l'Oest étroit à l'entrée mais à basse mer on trouve dix huit ou dix neuf pieds d eau à toucher le fort Sant Tiago situé à la pointe de l'E et de là on a encore la même profondeur en suivant la côte de l'E jusqu à la ville Route pour y entrer.
Un navire voulant entrer dans le port peut passer par le Typa où de mer basse il trouvera onze pieds d'eau dans la bonne route qui conduit du Typa à l entrée du port mais on aura seulement neuf ou dix pieds dans le grand espace compris entre Kai Kong et Macao. Le chenal est sur la ligne droite qui passe par le mouillage du Typa et l'entrée du port et pour éviter Pedro Meo, rocher cou vert situé à environ un quart de mille dans l'E de la pointe NE de Mackkareera il faudra garder la pointe NE de Montanha ouverte à l'E de Mackkareera ou se rapprocher un peu plus que mi chenal de Kai Kong D ici l'on gouvernera directement sur l'entrée du port car il n y a plus d'autre danger que la roche de Pan Lung Shee située sur la côte E du chenal la pointe extérieure du grand Mal Low Chow est à l O 16 S de cette roche et la pointe du fort Sant tiago en est à un demi mille dans le N 41 O Le grand Mal Low Chow est des deux îlots placés au SO de l entrée du port celui qui se trouve le plus en dehors.
La pointe NE de Montanha par la pointe E de Mackka reera conduit à ranger la partie O de Pan Lung Shee et un navire ne s approchera pas trop de ce danger en ne venant pas à l E de la ligne droite tirée de la pointe O de Kai Kong à celle du fort Sant lago.
En entrant dans le port il faut contourner à très peu de distance la pointe Sant Iago et se tenir fort près de la côte E en se rendant au mouillage vis à vis de la ville. Avec la permission du gouverneur un navire désemparé peut être réparé et caréné dans ce port et dans ce cas on lui enverra un pilote qui l y conduira de la rade ou du Typa mais tout navigateur qui se conformera aux instructions précédentes ou qui sera muni de l'excellent plan de P. Heywood publié en 1809 par MM Laurie et Whittle pourra en toute sûreté donner dans le Typa sans prendre de pilote.
Excerto de Annales maritimes et coloniales - Volume 4 - 1825

terça-feira, 2 de abril de 2024

O fim das corridas de cavalos

Foto do Macau Jockey Club 2024

"O hipódromo de Macau acolheu no passado sábado as suas últimas corridas de cavalos e fechou as portas de forma definitiva, pondo fim a uma tradição de mais de 40 anos". O excerto é de uma notícia do jornal Ponto Final de 2 de Abril último. O fim noticiado refere-se às corridas no hipódromo da Taipa - imagem abaixo - porque na verdade as corridas de cavalos em Macau são muito mais antigas.
Hipódromo da Taipa: em construção e já finalizado

Em baixo um registo de uma corrida que teve lugar a 14 de Dezembro de 1941 (domingo), a Chung Shan Handicap (corridas em que era acrescido peso para os cavalos correrem em igualdade de circunstâncias)  e outro referente a 15 de Março de 1934 (domingo), The Macao Derby. 
Nesta época o hipódromo ficava na zona da Areia Preta junto à Porta do Cerco cuja inauguração ocorreu em Abril de 1927
Sobre as décadas de 1920 a 1940 consultar este post.

domingo, 20 de março de 2022

Pedro José da Silva Loureiro: 1792-1855

O texto abaixo foi retirado do vol. 13 do Boletim Cultural da Câmara Municipal do Porto,  publicado em 1950. Excepto as referências entre parêntesis e a notícia do jornal O Macaista Imparcial.
P. J. Silva Loureiro: retrato a óleo pintado em Macau

Filho de José da Silva Loureiro e de sua mulher D Genoveva Rosa Joaquina da Cunha. Nasceu na Freguesia de São Pedro de Ponta Delgada a 29.VII.1792 e faleceu em Macau às 05h05 de 16.IX.1855 tendo sido sepultado no Cemitério de São Miguel daquela Cidade.
Foi para Macau no posto de Guarda Marinha a 5.V.1824 por serviços prestados à Pátria foi promovido a 2º Tenente da Armada Nacional e Real. Promovido à efectividade do posto de 1º Tenente Graduado por Decreto de 19.X.1853 (ver transcrição abaixo) ascendeu ao posto de Capitão de Fragata e foi Capitão dos Portos de Macau (desde 1847 até à morte).
Casou em Macau onde também foi categorizado negociante com D. Ana Rosa Inocência do Espírito Santo Pereira de Almeida de quem teve 16 filhos. (...)
Pedro José da Silva Loureiro a 17.IX.1823 foi um dos signatários do protesto reconhecendo o Bispo Chacim como unica Authoride Legitima e Governador da Cidade de Macau. À biografia de Pedro José interessa o folheto raro e curioso intitulado "Representação do Major de Cavallaria José Xavier de Moraes Resende nomeado Commandante do Batalhão do Princepe Regente da Cidade de Maca o contra o Governador da dita Cidade Adrião Accacio da Silveira Pinto Documentada e seguida de varias outras Representações contra o regimen despotico do mesmo Governador", impresso em Lisboa no ano de 1840. Três anos antes esteve preso vários meses no território - onde também foi vereador do Senado - por envolvimento numa sublevação da guarnição macaense.*
Nele se mostra que Pedro José da Silva Loureiro foi um dos signatários da representação ao Governador Geral dos Estados da Índia datada de Macau 10.VIII.1839 e das queixas aos Senhores Deputados da Nação Portuguesa datada de Macau 30.IX.1839. (...)
Segundo refere o Pe. Manuel Teixeira o Governador de Macau Ferreira do Amaral de trágica e gloriosa memória mandou construir no ano de 1847 uma fortaleza na Ilha da Taipa arvorando lá a bandeira nacional e dotando a de uma guarnição militar destinada a proteger aquele fundeadouro. A fortaleza foi edificada sob a direcção do então 2º Tenente Pedro José da Silva Loureiro que em Oficio de 14.1.1848 foi louvado por Amaral "pelo bem que dezempenhou a commissão alheia do seu emprego na edificação da Caza Forte na Taipa bem assim a economia com que ella foi edificada e a clareza com que as contas foram aprezentadas."

Carta (de 1854) Patente Promovendo Pedro José da Silva Loureiro à efectividade do Posto de Primeiro Tenente Graduado da Extinta Matinha de Goa, D. Fernando Rei Regente dos Reinos de Portugal Algarves etc 
em Nome d EL REI Faço saber aos que esta Minha Carta Patente virem que Sua Magestade A Rainha A Senhora D. Maria Segunda, Minha muito Amada e Prezada Espoza de saudoza memoria, Attendendo ao que Lhe representou Pedro José da Silva Loureiro, Primeiro Tenente Graduado da extincta Marinha de Goa, servindo de Capitão do porto de Macáo, 
Houve por bem por Decreto de dezenove de Outubro do anno passado Promovêl o á effectividade do referido Posto de Primeiro Tenente na mesma collocação em que se achava em attenção à sua antiguidade e bom serviço sem comtudo poder pertencer ao Quadro effectivo da Armada com o qual Posto haverá o Soldo que lhe compete e gosará de todas as honras liberdades isenções e franquezas que direitamente lhe pertencerem
Pelo que Ordeno ao Ministro e Secretario de Estado dos Negocios da Marinha e do Ultramar lhe mande dar posse do dito Posto e jurando primeiro cumprir as suas obrigações o deixe servir e exercitar e os Officiaes Maiores e mais Cabos de Guerra da Armada e Exercito e mais pessoas a quem pertencer o seu conhecimento o tenhão e reconheção por tal 
Primeiro Tenente da extincta Marinha de Goa e os Officiaes e soldados que lhe forem subordinados lhe obedeção em tudo o que tocar ao Real Serviço tão inteiramente como devem e são obrigados e o Soldo referido se lhe assentará nos Livros respectivos para lhe ser pago a seus tempos devidos 
Em firmeza do que lhe Mandei passar a presente e sellada com o Sello Grande das Armas Reaes Dada nesta Cidade de Lisboa aos quatro de Janeiro de mil oitocentos cincoenta e quatro, Rey Regente (...)

*Em baixo a notícia d' O Macaista Imparcial, edição de 12.7.1837

domingo, 8 de agosto de 2021

As Casas-Museu da Taipa

Texto de um mapa turístico da Taipa:
“As Casas-Museu da Taipa constituem uma vila típica característica da arquitectura macaense de matriz portuguesa, de tom esverdeado, e são consideradas uma das relíquias patrimoniais e culturais das Ilhas. As Casas-Museu da Taipa foram construídas em 1921 e serviam de residência aos funcionários superiores das ilhas, nomeadamente famílias macaenses. 
Na década de 80 do séc. XX, os Serviços de Turismo de Macau recuperou-as, e em finais dos anos 90, foram alvo de profundas obras de restauro devido ao seu valor arquitectónico, transformando-as em espaços museológicos, pela seguinte ordem: Casa Macaense, Casa das Ilhas, Casa das Regiões de Portugal, Casa de Exposições e Casa de Recepções. As Casas-Museu da Taipa foram inauguradas ao público em 5 de Dezembro de 1999, e são actualmente administradas pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais.”
Na década 1930/40
Aguarela de 2001 por Io Fong 姚豐