terça-feira, 12 de maio de 2026

Rotunda Carlos da Maia / Três candeeiros / Sam Dang Chang

No post de hoje abordo mais uma das muitas curiosidades da toponímia local.

Esta imagem no final da década de 1910 retrata a Rotunda Carlos da Maia. A praça recebeu o nome de Carlos da Maia/嘉路米耶圓形地, o primeiro governador de Macau (1912-1914) após a implantação da República em Portugal. No entanto viria a ficar popularmente conhecida em cantonense como Sam Chan Dang e em português como "Rotunda dos Três Candeeiros", alusão ao poste de iluminação colocado no centro que tinha (e ainda tem) três globos de vidro. 
Após obras de renovação em 1999 foi colocado um globo de vidro extra no topo do candeeiro mas a designação não se alterou.
No início do século 20 foram construídos vários edifícios apalaçados em redor da praça - um deles era a Escola República - mas que hoje já não existem.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

"Praya Grande from the North" e "Praya Grande from the South" a lápis e carvão

"Praya Grande from the North."
"Praya Grande from the South" 

Estes dois desenhos a "pencil and crayon" (lápis e carvão) com 20 x 35 cm fazem parte do espólio do Peabody Essex Museum (EUA). Estão referidos no livro "The marine paintings and drawings in the Peabody Museum" - de M. V. and Dorothy Brewington, publicado em 1981 - como tendo sido ofertas ao museu por Richard B. Holman em 1956. A autoria é atribuída a "TA" e datam de cerca de 1887.
TA poderá ser referência a Thomas Allom (1804-1872) uma hipótese que inviabiliza a data aproximada referida no catálogo (ca. 1887). 
Richard B. Holman (1903-1983) foi um conceituado negociante de gravuras raras e desenhos em Boston, colaborador próximo de curadores do Peabody Museum (agora Peabody Essex Museum), como Marion Brewington, que organizou as coleções de arte marítima do museu.

domingo, 10 de maio de 2026

A cerca em volta do Palácio do Governo

Actualmente o Palácio do Governo tem uma cerca na frente e está afastado da Avenida da Praia Grande. Desde o final do século 19, quando o edifício passou a ser Palácio do Governo, essa cerca não existia. Foi colocada no início do século 20, depois foi retirada e novamente colocada.
Década 1910

Década 1960

Década 1970

ca. 2020

sábado, 9 de maio de 2026

"Movimento turístico" em Maio de 1961

Notícia da edição de 21 de Maio de 1961 do Notícias de Macau:
Movimento turístico
Tem aumentado, extraordinàriamente, nos últimos tempos, o número de turistas que, quase todos os dias, visitam esta cidade. Recentemente, entre outros, visitaram Macau numerosos turistas norte-americanos, ingleses, japoneses, italianos, etc. Seria interessante que pelo Centro de Informação e Turismo fossem fornecidos, periòdicamente, à Imprensa elementos estatísticos do movimento turístico, por nacionalidades, podendo a relação ser numérica quanto ao movimento geral e nominal (com indicação, sendo possível dos cargos oficiais ou profissões) quanto às personalidades mais importantes.
Nota: A sugestão apresentada pelo jornal foi aceite e ao longo de posteriores edições desse ano e seguintes, o jornal publicava frequentemente uma notícia sobre os turistas que visitam Macau, mencionando normalmente a nacionalidade; havia ainda especial atenção na indicação de visitas de jornalistas estrangeiros.
Em 1961 existiam 4 agências de turismo:
H. Nolasco & Co. Ltd. — Av. Almeida Ribeiro, 20
Tai Yip. Co. Ltd. — Ponte N.º 12 (Porto Interior)
Agência de Turismo Macau — Av. Dr. Oliveira Salazar
Sociedade de Turismo e Diversões de Macau — Av. Almeida Ribeiro, 2-B.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Bicentenário do nascimento de Marciano Baptista na Revista Macau - Maio 2026

Na edição de Maio 2026 da Revista Macau um artigo sobre o bicentenário do nascimento de Marciano Baptista (1826-1896), o maior vulto da arte macaense do século XIX.
Artigo pág. 58 a 66. Edição na íntegra através do link



quinta-feira, 7 de maio de 2026

Nova iluminação pública em 1949

Entre 1947 e 1950 foi introduzido um novo sistema de iluminação pública denominado "Osira". A nova iluminação pública foi instalada em nove avenidas, oito ruas, dois largos, 2 estradas e uma calçada (Calçada de S. Francisco). Na época o Leal Senado, encarregue das alterações, concluía que "com a introdução deste novo sistema de iluminação, Macau deve ser das cidades mais bem iluminadas do Ultramar".
Tradução/Adaptação de notícia do jornal Va Kio a 4 de Maio de 1949:
"Noite no Porto Interior: A partir de agora as luzes prateadas brilham intensamente; a noite não fica atrás do centro da cidade
A imagem mostra as lâmpadas de mercúrio recentemente instaladas na Avenida Marginal (Porto Interior), apresentando um aspecto magnífico. As autoridades planeiam instalar mais destas luzes a partir deste local, estendendo-se ao longo da estrada até ao Patane. No total, serão instaladas mais de 30 lâmpadas. Quando o projecto estiver concluído, toda a zona da marginal ficará iluminada à noite, tornando-se tão clara como se fosse dia.
Segundo as autoridades: As ruas mais movimentadas de Macau irão receber este tipo de iluminação. Os trabalhos em cada troço da estrada estão a decorrer de forma progressiva. Prevê-se que a instalação esteja totalmente concluída no prazo de dois meses. Pode-se afirmar com certeza que este avanço será um grande impulso para a prosperidade e dinamismo da cidade."

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Artigos de MSM em "folhetins" no Notícias de Macau

"Manuel Silva Mendes
Continuamos hoje com a reprodução dos apreciados artigos que o falecido professor do Liceu, Manuel de Silva Mendes, deixou publicados em diversos periódicos que se editavam nesta cidade e, para que os mesmos possam ser coleccionados duma forma cómoda, fazemos esta reprodução, em folhetins, satisfazendo assim o desejo de muitos dos nossos leitores."
Graças a esta iniciativa do jornal Notícias de Macau foi possível juntar a quase totalidade dos artigos que Manuel da Silva Mendes (1867-1931) publicou na imprensa macaense entre as décadas de 1900 e 1920. O jornal viria a compilar e editar estes artigos - impressos na tipografia do jornal nos números 6 e 8 da Calçada do Tronco Velho - em vários livros ao longo da década de 1950 intitulados "Colectânea de Artigos de Manuel da Silva Mendes"*: 
"De há muito que o - Notícias de Macau pensava em reproduzir, na sua secção da - Revista da Imprensa - , alguns artigos de diversos indivíduos que escreveram em jornais que se publicaram noutros tempos, (...) Decidimos então principiar com a reprodução dos artigos de Manuel da Silva Mendes, distinto professor do Liceu, advogado e homem público que viveu largos anos nesta Colónia e que aqui faleceu, por as suas produções serem as mais abundantes, abrangendo assim grande diversidade de assuntos, além de que grande parte do que escreveu não perdeu de todo a actualidade. (...) "
* na década 1960 seriam publicados mais volumes intitulados "Nova Colectânea de Artigos de Manuel da Silva Mendes".

terça-feira, 5 de maio de 2026

Descrição da Fortaleza, Ermida e Farol da Guia em 1866

Ilustração não incluída na obra referida

N. Senhora da Guia — Começou-se a construir esta fortaleza em setembro de 1637, e concluiu-se em março de 1638. O encarregado da sua construcção foi o capitão de artilheria Antonio Ribeiro Raia.
Tem vinte e quatro peças de artilheria de diversos calibres, sendo vinte de ferro e tres de bronze. Duas destas ultimas estão apeadas, e todas as demais estão montadas. É guarnecida por um pequeno destacamento, commandado por um sargento, o qual interinamente commanda tambem a fortaleza.
Dentro ha uma bonita ermida, dedicada a N. Senhora da Guia, onde annualmente em 5 de agosto se faz uma festa, a que concorrem muitos devotos.
Foi nesta fortaleza, por ser a que está no ponto mais elevado e mais proprio, que o Exmo. governador Coelho do Amaral mandou em 1865 construir, sob sua direcção, uma torre-pharol, em cujo machinismo trabalhou desinteressadamente o macaense o sr. Carlos Vicente da Rocha.
É este o primeiro pharol da China. Está na latitude de 22° 11' N: e na longitude de 113° 33' E. G.
A luz eleva-se 101,5 metros acima da superfície do mar nas mais altas marés em tempo bonançoso.
A torre-pharol, desde a extremidade inferior até á superior, tem 13,5 metros. A lanterna é encarnada, e a luz é branca e de rotação, fazendo um gyro completo em 64 segundos. Quando o tempo está bom, avista-se a vinte milhas de distancia, sendo então de 6 segundos a permanencia da luz, e de 58 a do respectivo eclipse. A quinze milhas, vê-se a luz por espaço de 10 segundos, durando 54 o eclipse. A doze milhas, o maior clarão da luz dura 12 segundos, sendo o eclipse, que é de 52, interceptado por uma luz mais pequena, que apparece para quasi instantaneamente se sumir. Finalmente a sete milhas de distancia, a grande luz dura 14 segundos, durando o eclipse 50, e apparecendo egualmente neste intervallo a pequena luz.
Excerto de "Almanach Luso Chinez de Macau para o anno de 1866"

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Troço da Av. Almeida Ribeiro/San Ma Lou em 1948

Estas duas fotografias de 1948 - tirada junto ao edifício dos CTT vendo-se ao fundo o Largo do Senado e o Hotel Central - têm uma particularidade e naquilo que não mostram: os cartazes publicitários que a partir de 1949 foram uma constante naquela fachada e se mantêm até hoje.

domingo, 3 de maio de 2026

Recreação moderna de um mapa do século 18

Versão moderna e colorida, trata-se de uma "tradução visual" baseada no famoso mapa chinês "Aomen Tu" (Mapa de Macau) encontrado em crónicas da época, como o Aomen Jilüe (Monografia de Macau), publicado originalmente em meados do século XVIII (c. 1751), mas cujos levantamentos começaram décadas antes.
Em baixo do lado direito tem uma a indicação:
1731 年的澳門半島圖如蓮花之芯(邢榮發修復原圖並加上顏色)
O mapa da Península de Macau em 1731, como o coração de uma flor de lótus, restaurado e colorido por Xing Rongfa (historiador).

sábado, 2 de maio de 2026

Memórias de viagens no Fat Shan

Um dos icónicos navios da travessia entre Macau e Hong Kong e meados do século 20 foi o navio Fatshan. Uma viagem que demorava cerca de 4 horas. Aqui ficam alguns testemunhos de quem nele viajou bem com algumas fotografias.
Curiosidade: o nome remete para um local na China continental hoje denominado Foshan.
Embarque no Fat Shan na ponte-cais nº 20 em 1961

Testemunho de William Lawrence:
When we arrived in Hong Kong in 1970, we often spent weekends exploring. One memorable journey was taking a ride on the Fatshan to Macau. This was a journey right out of a book. From the wicker seats to the overnight cabins, it was memorable. More than once, we took her up the river, feeling like colonial explorers. Macau was a Portuguese colony at the time, and sure enough, the little hotels and restaurants served excellent food for a weekend getaway. When the faster boats came along, it sure shortened the trip; however, I missed the statley. kinda’ creaky Fatshan to take me on my holiday.


Luke Gong:
"I took this trip as an 8 year old with my parents in 1964. I remember spending the night on a canvas cot on the trip over from Hong Kong and arriving in the early morning hours."

Christine Mark:
"Loved the Fatshan. We used it often between 1961 and 1965."

John Garbett:
"We went to Macau a number of times in 1972/1973. As you say a wonderful colonial style experience complete with a large Union Jack painte amidships for easy recognition as a British ship. We usually had one of the old fashioned deck cabins where sandwiches etc were brought. On one night just before midnight as we were cueing to disembark in Hongkong I stood just outside the galley window. No exaggeration the stove, wall and table tops were thick, and I do mean thick, with scurrying cockroaches. Never had food aboard Fatshan again."

Law Hin Lau:
"When my class-Mate became son-in-law of famous Macau Merchant Mr. Ho Yin. He was made a Manager in that ship company. He once brought me onboard to see the vessel. On the top deck there were stacks of stacks of lockers for stowing the gold bullions for conveying them from Hong Kong to Macau then further to mainland China. He also showed me the Radio Room as I was also at R/O on ocean-going ships. That old Spark scared me that I might be taking over his job. I told him I only enjoy working on ocean-going vessels but not the river boat like Fat Shan that set his mine at ease."

Karen Campbell:
"When I first arrived in HK, i used to go on it with my parents- loved it and do remember the old wicker chairs. It never seemed quite the same when the hydrofoils started - except quicker of course. Macau was beautiful then"

Em Agosto de 1971 o tufão Rose atingiu Hong Kong e Macau. Na madrugada de 17, o SS Fatshan foi uma das vítimas da tempestade tendo afundado. Morreram 88 pessoas.

Testemunho de Jack Bishop:
"I saw the capsized Fatshan the day after Typhoon Rose on the shore line of Lan Tau Island. A few other ships were damaged during that storm."



sexta-feira, 1 de maio de 2026

Restaurante "Fernando" (Hac Sá): desde 1986

A história deste restaurante na ilha de Coloane (junto à praia de Hac Sa) remonta a 1978 , com umas instalações muito precárias. Começou por ser gerido por Saludes. Entre 1982 e 1986 o trepasse esteve a cargo do sr. Ricardo. A partir de 1986 - faz agora 40 anos - ainda com instalações bastante precárias passou a ser gerido por Fernando Gomes, natural dos Açores (Pico), sendo um dos restaurantes portugueses mais conhecidos do território. 
Frango no churrasco, sardinhas assadas, bacalhau na brasa, ameijoas à moda da casa, o jogo de matraquilhos e a esplanada no ambiente rodeado de árvores são os pontos fortes do "Fernando's" - 法兰度餐厅, que só fecha um dia por ano, a 1 de Maio.
Através da Agência Comercial Pico, Fernando foi quem introduziu a cerveja super bock em Macau, tornando-se 'famosos' os invólucros em esferovite para manter a bebida fria.
Na década de 1990 em alguns guias turísticos estrangeiros já se referia a fama do espaço: "One place not to be missed is the legendary Fernando's, Hac Sa Beach, Coloane" (...) "The good Portuguese food and a casual, beach-side atmosphere" (...) "Everyone in Hong Kong and Macau knows about Fernando's."
E não era para menos... Muitos clientes de Hong Kong vão de propósito a Macau só para tomar uma refeição à boa maneira portuguesa no Fernando de Hác Sá.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Uma avenida dividida em duas

aqui me referi à antiga Avenida Dr. Oliveira Salazar que após o 25 de Abril de 1974 foi renomeada Avenida da Amizade. Mais tarde, um troço entre a rotunda Ferreira do Amaral e a Av. da Praia Grande passou a chamar-se Av. Dr. Mário Soares.

薩拉沙博士馬路
Pinyin (mandarim): Sà lā shā bó shì mǎ lù

Sa La Sha (Salazar), Po Se (Dr.) e Ma Lou (Avenida).

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O novo Centro Católico da Diocese de Macau

No ano em que a Diocese de Macau comemora o 450º aniversário* (fundação em 1676) será inaugurado o novo edifício do Centro Católico em Junho próximo. O edifício é composto por 17 pisos e inspira-se no conceito de "encontro entre Deus e a Humanidade". Foi desenhado em "forma de abraço, com uma cruz no topo para simbolizar a presença de Deus". Uma pintura na fachada inclui a inscrição "come and see" (Vinde e Vede), convidando à entrada do público.
Está localizado no cruzamento da Avenida da Praia Grande com a rua do Campo, no mesmo local onde foi construído o anterior edifício na década 1950. Ali, no nrº 113 da Rua da Praia Grande, estava localizada a biblioteca D. Policarpo, o Centro Diocesano dos Meios de Comunicação Social (criado em 1977) e a Livraria S. Paulo (do lado da Rua do Campo).
As novas instalações vão incluir uma capela, unidade hoteleira, instalações para refeições, salas de aula, salas de conferências e espaços para exposições.

O painel central em primeiro plano ilustra a passagem bíblica do Encontro de Jesus com a Mulher Samaritana no Poço de Jacob (João 4). Há uma legenda discreta no mosaico que identifica a cena em chinês e inglês: "撒瑪黎雅婦人 / Samaritan Woman".
Jesus é representado sentado, com vestes em tons de azul e branco, numa postura de diálogo e acolhimento. A Samaritana está de pé, segurando um cântaro amarelo, simbolizando a "água viva" referida na passagem.
O mural lembra outros existentes em Macau, nomeadamente os da autoria de Francisco Borboa.
Antigo edifício do Centro Católico construído na década 1950

*"Lema das comemorações "De Macau para o Mundo: 450 Anos de Missão e Misericórdia".

terça-feira, 28 de abril de 2026

Cena do quotidiano da Rua de S. Lourenço na década 1960

A imagem é um registo histórico da Macau dos anos 60, capturando a essência da vida de bairro. O cenário é a Rua de São Lourenço, onde a arquitectura de matriz europeia (notória nas janelas de persianas e no edifício ao fundo, o Instituto Salesiano) serve de moldura para uma vivência puramente asiática. Em destaque as estruturas efémeras do comércio de rua, tão típicas da cidade.
A parede do edifício funciona como um "outdoor" orgânico, revelando a penetração de marcas globais e regionais na economia local: Green Spot, Orange Crush, Vitasoy e Sunkist são alguns dos cartazes expostos.
Neste exemplo da natureza híbrida da realidade de Macau sobressai o comércio de rua improvisado servindo refeições rápidas e bebidas (incluindo chá, certamente). No letreiro de fundo vermelho os caracteres em branco indicam 內育电冻冰水, ou seja, venda de bebidas frescas e nutritivas. No armário de vidro à direita estão o que parecem ser pães e bolos. Ao lado uma um expositor dedicado à venda de cigarros, organizados meticulosamente.
Sobre a calçada de paralelepípedos uma mulher usa uma cana de bambú para transportar aos ombros duas latas (possivelmente com água). Por último, ao fundo pode ver-se um antigo marco do correio (vermelho).

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Serviço de Correios no Leal Senado

No início da década de 1920 a Estação dos Correios que existia num pequeno edifício de apenas um piso construído no final do século 19 junto ao Palácio das Repartições - onde está hoje o Hotel Metrópole - foi transferida para uma parte do rés-do-chão do edifício do Leal Senado.
Do lado direito da fachada do edifício podia ler-se em português, francês e inglês:
ESTAÇÃO CENTRAL DOS CORREIOS E TELEGRAFOS / BUREAU DE POSTE CENTRAL / CENTRAL POST OFFICE. Pode também ver-se uma pequena caixa postal receptáculo da correspondência. Destaco ainda o facto de ao centro do edifício do estar instalado um relógio.

Ao lado ainda não tinha sido construído o edifício do Teatro/Cinema Apollo. O novo edifício dos CTT seria construído em frente entre 1929 e 1931 sendo inaugurado no final desse ano.
A província de Macau faz parte da União Postal Universal a que aderiu em 1 de Julho de 1877. Além disso a província mantém acordos particulares internacionais com a República da China, Colónia britânica de Hongkong e Filipinas e serviço especial com o Japão sôbre a permutação de fundos, por serem os países que mais interessam à vida da colónia pela sua proximidade, entretendo-se assim relações mais íntimas, para o melhoramento dos serviços nas permutações postais.
A sua organização interna de acôrdo com as leis internacionais e as exigências que a civilização moderna impõe, data de 11 de Dezembro de 1902, em que foram regulamentados os serviços postais de todas as colónias portuguesas.
Porém sómente em 1912, isto é, dez anos passados até esta data, é que a pouco e pouco se tem tornado efectiva essa organização.
Na capital da província acham-se estabelecidas três estações urbanas.
A Central de Macau onde se acha instalada a Secretaria da Repartição Superior dos Correios e que é o centro principal de todo o movimento postal da Colónia. Está situada no Largo do Leal Senado no prolongamento da Avenida Almeida Ribeiro, a maior artéria da cidade, instalada ainda imprópriamente numa das dependências do dito estabelecimento municipal do Leal Senado da Câmara de Macau, na parte europeia da cidade, próxima da maioria das repartições do Estado. Está-se tratando da sua instalação em edifício apropriado, havendo vários projectos e a devida autorização para a sua construção.
Temos a Estação das Portas do Cêrco, que serve principalmente de serviço de trânsito postal atravez a fronteira, sendo do lado português servida por estafetas nacionais que entregam e recebem todo o tráfico postal permutado entre a China e entre esta grande República e Hongkong.
E por último temos a Estação de Ship-Seng, situada quási no embarcadouro do cais dos vapores de Hongkong. Esta estação apesar de ter apenas sido aberta à exploração em Abril de 1919, é hoje a segunda estação postal da província pelo seu movimento e está destinada a ser um dos grandes centros de tráfico postal pela sua grande importância no tráfico marítimo entre os portos de Macau e os da China e Hongkong, servindo não só grande parte da população marítima como a comercial que, pelas condições da sua excelente situação, dela se aproveitam para as suas rápidas transações. São ali aceites correspondências ordinárias para a China e Hongkong até 15 minutos antes da partida dos vapores e objectos registados, à mesma hora, para Hongkong e Cantão. (...)
Excerto (apenas texto) do Anuário de Macau 1921.

domingo, 26 de abril de 2026

大三巴牌坊 por 李德勝

Li Dezhi / Li Desheng (李得之) é o autor desta obra a tinta da china que mostra as ruínas de S. Paulo (大三巴牌坊). Ainda que sendo receite, foi feita em 2012, remete para tempos bem antigos. Mostra a fachada da antiga igreja Mater Dei (Ruínas de S. Paulo) vista a partir do acesso ao Pátio do Espinho (茨林圍).

Coluna da Direita (Título e Contexto):
Transcrição: 茨林圍望大三巴牌坊。壬辰年蟬聲初聞時。雨歇轉晴。撥溪李得之德勝寫生。
Tradução/Adaptação: "Vista das Ruínas de São Paulo a partir do Pátio do Espinho (茨林圍). No ano de Rénchén (2012), quando se ouvem as primeiras cigarras. A chuva parou e o tempo abriu. Pintado no local por Li Dezhi (nome artístico Desheng)."
Coluna da Esquerda (Descrição da Paisagem):
"曲徑迂迴小巷通,道廊那堂鼎其融。一堵泥墻喧市隔,對門鄰里樂相通。"
Tradução/Adaptação: "O Pátio do Espinho e as Ruínas de São Paulo parecem unir-se numa só estrutura. Caminhos sinuosos e vielas estreitas conectam-se; os corredores e a igreja fundem-se em harmonia. Uma muralha de taipa (terra/barro) isola o barulho da cidade, enquanto vizinhos de portas opostas partilham alegremente a sua convivência."
Esta outra obra do mesmo autor sobre as ruínas de S. Paulo foi feita em 2008.

Os quatro caracteres maiores no topo são escritos num estilo estilizado:
Transcrição: 澳門聖迹 (Àomén Shèngjì)
Tradução/Adaptação: "Sítio Sagrado de Macau".
A coluna de texto mais pequeno indica o momento da criação e o autor:
Transcrição: 戊子年秋月畫於濠江 李德勝
Tradução/Adaptação: "Pintado no mês de outono do ano de Wuzi, em Haojiang (Macau), por Li Desheng."
Nota: O ano de Wuzi (戊子年) no ciclo chinês refere-se, neste contexto contemporâneo, ao ano de 2008. Haojiang (Rio das Ostras) é um nome poético e histórico muito comum para designar a cidade de Macau.

李德勝, também conhecido pelo pseudónimo de Qu Beizhai, nasceu em Xiaolan, Zhongshan, em 1963. Estudou caligrafia e pintura sob a tutela de Pan Dongliang na juventude. Licenciou-se em Educação em Artes Visuais pelo Instituto Politécnico de Macau e é mestre em Ensino e Investigação de Pintura Chinesa pela Academia de Belas Artes de Cantão. Tem exposto com regularidade em Macau e na China continental.