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sábado, 13 de junho de 2026

"Landing Place St Antonio Macao"

Esta ilustração é rara e tem a legenda "Landing Place St. Antonio Macao", ou seja "Cais em Santo António, Macau". 
Na imagem pode ver-se uma pequena embarcação a aproximar-se de um 'pavilhão' com arquitectura chinesa e ao fundo a igreja de Santo António. É muito provavelmente do século 18 tal como o mapa abaixo que permite perceber o quanto o Porto Interior - antes das obras de aterros - estava tão perto da igreja de Santo António que fica junto ao Jardim Luís de Camões.
Em linha recta a perspectiva mostrada corresponde 
à actual Rua do Tarrafeiro numa extensão de cerca de 500 metros.

terça-feira, 26 de maio de 2026

"Chal fundo e chal Grande"

De acordo com o Glossário do Dialecto Macaense e outros registos do português na Ásia:
Chal (ou Chale): É um termo de origem indo-portuguesa (do marata chāl ou guzerate chāl). Designa um edifício comprido e estreito, geralmente dividido em várias habitações ou compartimentos independentes, frequentemente ocupado por artífices ou trabalhadores.
Em contextos urbanos antigos (como em Bombaim ou partes de Goa e Macau), os chals eram estruturas comunitárias com um corredor ou varanda comum.
Detalhe de "Planta Topographica da Cidade de Macáo. Levantada em 1831 e Reformada em 1838 por Candido Antonio Ozorio", oficial de infantaria e engenheiro.

Neste mapa referem-se o "Chal fundo" e o "Chal Grande". Outras referências neste detalhe do mapa:
a) Casa de D. Antónia
b) Campo de Santo António
c) Gruta de Camões
d) Horta do Pereira
e) Igreja de Santo António
f) Tarrafeiro
k) Horta da Companhia (holandesa)
j) Casa da Companhia (holandesa)
u) Cemitério britânico
h) Hospital britânico
V) Povoação de Patane
H) Chal fundo

quinta-feira, 21 de maio de 2026

"Copia de parte da carta das alfandegas chinezas de Cantão"

Datada de 20 de Abril de 1908 esta "Carta das Alfândegas Chinesas de Cantão" faz parte do espólio do Arquivo Municipal de Ponte de Lima e tem uma nota manuscrita da autoria de João Feliciano Marques Pereira (1863-1909). Aliás, todas as anotações são dessa data feitas por JFMP.
Segundo ele trata-se de uma "Copia de parte da carta das alfandegas chinezas de Cantão, intitulada "Sketch map of the Chu-kiang or Pearl River, etc, by Thomas Marsh Brown, Imperial Customs, Canton station."
E acrescenta:
"Este mappa é importantissimo para a questão da delimitação das fronteiras de Macau, na parte relativa á ilha da Lapa, visto que, a-pezar de limitar a nossa linha de limites para oeste do meridiano das Nove Ilhas e de pôr fóra da nossa jurisdicção uma parte da costa meridional da Ilha da Taipa, Grande parte das de Colo-an, Tai-vong-cam (Montanha) e Sio-vong-cam (D. João), mette dentro da nossa jurisdicção a margem e a vertente da ilha da Lapa fronteira á cidade de Macau.A copia é fiel da carta chineza, que possuo, levando a mais só, em côr verde, as indicações que accrescentei, como esclarecimento.

Da Legenda ou "References" convêm extrahir o seguinte:
🔴 ...... "denotes villages, large and small"
🚩 ...... "points out those places, on this map, where H.E. the Superintendent of Customs has stations."
✡️ ...... "denotes those stations round Hongkong and Macao where there are war junks, or steamers stationed to collect the duty and war tax on opium—also shows the shore stations"

João Feliciano Marques Pereira nasceu em Macau a 17 de Maio de 1863, filho de Belarmina Inocência de Miranda, natural de Macau, e de António Feliciano Marques Pereira, natural de Lisboa. 
Ainda jovem, foi para Lisboa onde prosseguiu os estudos no Colégio Luso-Brasileiro e depois no Curso Superior de Letras. Ali, foi discípulo do prestigiado Adolfo Coelho e concluiu o doutoramento com distinção. 
A sua trajectória profissional foi marcada pelo serviço ao Estado. Começou por desempenhar funções no Ministério dos Negócios Estrangeiros, transitando em 1888 para o Ministério da Marinha e Ultramar. Em 1897 tornou-se secretário particular do Conselheiro Barros Gomes, então Ministro da Marinha. No campo político, representou o círculo de Macau como Deputado no Parlamento português. 
Morreu a 7 de Junho de 1909, com apenas 46 anos, enquanto ainda exercia o seu mandato legislativo. 
Seguindo os passos do pai, João Feliciano foi uma figura central na preservação da memória histórica luso-chinesa. Em 1899, fundou a revista “Ta-Ssi-Yang-Kuo: Archivos e Annaes do Extremo-Oriente Português” (publicada até 1903), cujo título homenageava a publicação homónima fundada pelo seu progenitor no ano do seu nascimento. Como jornalista e cronista, utilizou o pseudónimo Fernão Lopes para assinar crónicas ultramarinas no Jornal do Comércio. Colaborou também activamente com a Revista Colonial e Marítima e dirigiu diversas outras publicações técnicas e literárias. Em 1906, com a criação da Escola Colonial, assumiu a cátedra como professor efetivo de Legislação e Administração Ultramarinas. 
O seu mérito intelectual foi amplamente reconhecido através de diversas honrarias: 
Oficial da Ordem de S. Tiago: Pelo seu contributo científico, literário e artístico.
Sociedades Científicas: Foi membro honorário da Real Sociedade Asiática de Paris, vogal da Real Associação de Arquitectos e Arqueólogos Portugueses e sócio correspondente do Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano.
Comissões Técnicas: Em 1904, integrou a comissão oficial responsável por estudar o regime fiscal e de monopólios de Macau.

domingo, 3 de maio de 2026

Recreação moderna de um mapa do século 18

Versão moderna e colorida, trata-se de uma "tradução visual" baseada no famoso mapa chinês "Aomen Tu" (Mapa de Macau) encontrado em crónicas da época, como o Aomen Jilüe (Monografia de Macau), publicado originalmente em meados do século XVIII (c. 1751), mas cujos levantamentos começaram décadas antes.
Em baixo do lado direito tem uma a indicação:
1731 年的澳門半島圖如蓮花之芯(邢榮發修復原圖並加上顏色)
O mapa da Península de Macau em 1731, como o coração de uma flor de lótus, restaurado e colorido por Xing Rongfa (historiador).

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Novas notas de 500 e 1000 patacas

Já está em circulação uma nova série de notas de 1.000 e 500 patacas, completando assim a mais recente emissão do BNU-Macau que nos últimos dois anos contemplou também as notas de 10, 20, 50 e 100 patacas.
Imagens do BNU - Macau
Tal como nas anteriores, também nestas o design tem como inspiração a história reproduzindo mapas que mostram a forma como o território se transformou com os aterros. 
As novas notas incluem características de segurança que incluem padrões cintilantes que mudam de cor ao inclinar a nota, filamentos de segurança de metal e marcas de água em forma de flor de lótus. Foram ainda incorporadas características para invisuais, como marcas tácteis e marcas em braille.
Em tons de verde a nota de 500 patacas tem na frente uma flor de lótus bem como as fachadas antiga e nova do edifício da sede do Banco Nacional Ultramarino. No verso a flor de lótus, uma árvore e uma mapa de Macau em 1986. Seguindo o mesmo design a nota de 1000 patacas é em tons laranja mudando o mapa que é de 2022.
O BNU foi o primeiro banco emissor de papel-moeda em Macau, logo no início do século 20 e é actualmente um dos bancos emissores para o Governo da RAEM. As notas da primeira emissão entraram em circulação em 19 de Janeiro de 1906 e tinham os valores de 1, 5, 10, 20, 50 e 100 patacas.
PS: A emissão mais recente do Bando da China segue a mesma lógica. No caso da de 500 patacas na frente está o edifício sede do banco e no verso o templo de A-Ma. A nota de 1000 patacas apresenta um junco chinês no verso.

domingo, 18 de janeiro de 2026

"Carte Particuliere de l'entrée de la riviere de Canton"

Em baixo, detalhes de uma carta náutica de origem francesa elaborada no século 18, cujo original - acima - está arquivado na Biblioteca Nacional de França.
Intitulada "Carte Particuliere de l'entrée de la riviere de Canton" é uma carta náutica essencial para a navegação naqueles tempos em redor de Macau denominando-se o rio como "Cantão".
Apresenta-se a "Isle de Macao" e Xiangshan que tem como legenda como “Onmooue”, a partir da pronúncia cantonense de Aomen (Ou Mun) 澳門. 
A Península de Macau é designada como “Ville de Macao” (Cidade de Macau) e “Macane”, uma denominação rara, mesmo no século 18. Mostram-se ainda as ilhas da Taipa, Coloane, Lapa, Montanha, etc...
Algumas das legendas em francês:
Ville de Macao, ou Macane: cidade de Macau com o desenho a mostrar pequenos edifícios com telhados vermelhos, indicando o assentamento urbano.
Enbouchure de la Rivière: "Foz do Rio", referindo-se ao Rio das Pérolas.
I.le St. Pedro: deve ser um erro já que na época na época já era conhecida por ilha dos Padres; corresponde à Ilha da Lapa (Wanzai), situada a oeste da península de Macau.
I.le Montania ou mansanne: Ilha da Montanha (Hengqin), uma das maiores ilhas da região ao sul de Macau. Na época existiam a Pequena e Grande Hengqin.
I.le mafilecam: corresponde hoje à ilha de Xiao Hengqin (a parte norte da Ilha da Montanha) 小橫琴; em tempos antigos também foi designada por D. João; ao lado estão representadas as ilhas Pequena e Grande da Taipa; a designação é tanto mais estranha porquanto na época esta ilha já era conhecida como Macarera/Macarira/Mackkareera e as duas ilhas da Taipa por Typa Kabrado/Quebrado ou Kai Ko Ong.
I.le oukam: ilha de Coloane.
Les neuf pierres: "As nove pedras" (conhecidas hoje como Jiuzhou Liedao/Loochoo Islands),  na verdade "nove ilhas/ilhéus", perigosas para a navegação a nordeste de Macau.
Pierres d’araquin: Outro conjunto de rochedos ou baixios junto à península de Macau e que muitas das vezes só eram visíveis à superfície na maré baixa. Nomes antigos indicam Pedra Areca.
A carta (54x74cm) tem uma meia rosa-dos-ventos de 32 pontas com uma flor-de-lis indicando o norte. A escala é em léguas. O relevo é representado de forma pictórica indicando-se ainda medidas de profundidade, dado essencial para permitir a navegação em segurança. o pontilhado nas costas representa zonas de areia ou baixios (pouco profundas).

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

"Macao" no mapa do "Reino do Annam" ou Tonquim

Capa do livro publicado em Roma em 1650 que é um relato missionário jesuíta sobre Tunchino (Tonquim), zona norte do actual Vietname.
RELAZIONE De' felici successi della Santa Fede PREDICATA DA' PADRI DELLA Compagnia di GIESV NEL REGNO DI TVNCHINO, ALLA SANTITA' DI N. S. PP. INNOCENZIO DECIMO. DI ALESSANDRO DE RHODES AVIGNONESE Della medesima Compagnia, e Missionário Apostolico della Sacra Congregatione de Propaganda Fide.
In ROMA, Per Giuseppe Luna. L'anno del Giubileo 1650. Con licenza de' Superiori. Donum Auctoris.

RELAÇÃO Dos felizes sucessos da Santa Fé PREGADA PELOS PADRES DA Companhia de JESUS NO REINO DO TONQUIM, À Santidade de Nosso Senhor Papa INOCÊNCIO DÉCIMO. POR ALEXANDRE DE RHODES, AVINHONES Da mesma Companhia, e Missionário Apostólico da Sagrada Congregação de Propaganda Fide.
Em ROMA, Por Giuseppe Luna. No ano do Jubileu de 1650. Com licença dos Superiores. Oferta do Autor.
O livro inclui este mapa onde o foco é o Reino do Annam/Tonquim. É considerado na época um dos registos cartográficos mais importantes do Sudeste Asiático. "Macao" está assinalado no canto inferior direito.
Missionário da Cochinchina, o padre jesuíta francês Alexandre de Rhodes (1591-1660) viveu largos anos em Macau, território que serviu de base para as viagens missionários que fez na região.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Macau num mapa da costa da província de Guangdong

Em cima Macau num excerto de um mapa maior de origem chinesa intitulado 廣東沿海統屬圖, ou seja, Mapa geral da costa da Província de Guangdong. Indica como data de produção 嘉慶二十四年, o 24.º ano do reinado de Jiaqing (Dinastia Qing), isto é, 1819.
No topo está na escrita tradicional, lida da direita para a esquerda: 門澳 (Mén Ào), ou seja, 澳門 (Àomén) cuja tradução é Porta da Baía, isto é, Macau.
Ao centro - entre as representações de vários edifícios - estão os caracteres chineses 三巴寺 que significam Templo/Igreja de São Paulo. 三巴 é a transliteração de Sanba/S. Paulo, a antiga Igreja da Madre de Deus (cujas ruínas são hoje o ex-líbris de Macau).
O texto seguinte - caracteres chineses na vertical no canto inferiro direito - descreve algumas rotas marítimas e distâncias: 三巴起由外海至崖門約有一百五六十里大小船至新會縣七十里
A tradução é:
"A partir de São Paulo [Macau], seguindo pelo mar exterior até Yamen [Porta das Falésias], são cerca de 150 a 160 li. Para barcos de todos os tamanhos chegarem ao condado de Xinhui (a partir de Yamen), são 70 li."
Nota: Macau ocupa uma área importante no sul do condado de Xiangshan. Pode ver-se a Porta do Cerco (fronteira terrestre) ainda na versão da construção chinesa, as muralhas da cidade e a representação de alguns edifícios dentro da muralha. Um deles é a Igreja Mater Dei. Interpreto esta inclusão por ser uma referência visual em termos de navegação costeira. Fora da muralha está representado um edifício que poderá ser uma referência ao templo de A-Ma.
"Li" é a antiga unidade chinesa de distância; 1 Li corresponde a cerca de 500 metros. Assim, indica-se que de Macau a Yamen/actual Jiangmen (崖門-Porta das Falésias) no distrito de Xinhui (Jiangmen) era uma distância de cerca de 90 km. Dali para chegar ao centro urbano do Condado de Xinhui (新會縣) a distância era de 42 km.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Fortificações militares no "Plan of the City and Harbour of Macao" (1840)

Fortificações militares assinaladas no "Plan of the City and Harbour of Macao" de W. Bramston e J. Wyld, impresso em Londres em 1840. O mapa inclui em esquema as principais fortificações. Ao centro da baía está assinalado o Fortim de S. Pedro (C) que ficava em frente da residência do governador.
A) Fortaleza da Barra B) Fortaleza do Bom Parto C) Fortim de S. Pedro D) Fortaleza de S. Francisco; E) Fortaleza do Monte; F) Fortaleza da Guia.


sexta-feira, 28 de novembro de 2025

"Atlas de bolso sobre Portugal continental e províncias ultramarinas"

Designer, pedagogo, editor e tipógrafo amador em Portugal, Paulo de Cantos (1892-1979) produziu em 1938 um "Atlas de bolso sobre Portugal continental e províncias ultramarinas", com um forte pendor pedagógico e de divulgação do nacionalismo da época. Tem como sub-título "O que todo o português deve conhecer". O Atlas publicado pela Livraria Povoense (Póvoa de Varzim) inclui mapas de Portugal continental e das províncias ultramarinas.
Esta obra apresenta um pequeno mapa estilizado de Macau, acompanhado de um texto explicativo. O mapa é elaborado em estilo minimalista e abstracto, utilizando formas geométricas simples e uma paleta de cores limitada (predominantemente laranja e creme). Delimita as principais características geográficas de Macau, como a Península de Macau, a Ilha Verde, as Ilhas da Taipa e a Ilha de Coloane, bem como o Mar de Macau circundante. Os nomes dos lugares são apresentados em tipografia clara e legível.
Acima do mapa, o título está impresso em uma fonte sans-serif moderna: "Macau - A mais antiga colónia europeia do Extremo Oriente".* O mapa está emoldurado por uma borda tracejada, enfatizando ainda mais seu propósito esquemático e didáctico.
Transcrição do texto que forma verticalmente a palavra Macau:
Mar de Macau, ao S. O. da Ásia, banha esta Colónia. (Oferecida pela China no séc. de 500, por os portugueses a libertarem da pirataria.)
Área: 10 km2 para 1.000.000 de almas distribuídas pela península de Macau, Ilha Verde, 2 ilhas de Taipa, e de Coloane; 5 rincões.
Clima: saudável, húmido, muita chuva só no verão regulada por monções, muitas vezes tufónicas.
Artefactos: chá, ópio, charões, louças, fogos de artifício.
Uma gruta relíquia serviu a Camões para compor os imortais Lusíadas. Macau, nobre tradição de Portugal, ostenta os costumes pitorescos da China e beneficia da colonização Europeia. Possue igrejas e pagodes.

* O título "Macau: a mais antiga colónia europeia no Extremo-Oriente" é uma cópia da obra de Jaime do Inso, publicada em Macau em 1929.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Protected buildings, protected areas and buffer zones

A 15 de Julho de 2025 celebrou-se o 20.º aniversário da inscrição do Centro Histórico de Macau na Lista do Património Mundial da UNESCO. 
Ilustração: mapa da candidatura assinalando as zonas protegidas e áreas envolventes de protecção.
Historic Center of Macao: "Protected buildings, protected areas and buffer zones"
The State Administration of Cultural Heritage of the People’s Republic of China, "The Historic Monuments of Macao. Nomination for Inscription on the World Heritage List. Supplementary Document", whc.unesco.org, 2004.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

“Província de Macau, Sólor e Timor”

Com o decreto publicado a 20 de Setembro de 1844 era criada a “Província de Macau, Sólor e Timor”, passando estes territórios a ser independentes do “Estado da Índia”. A sede do governo ficava em Macau, tendo o arquipélago nas Pequenas Sundas um governador subalterno residente em Díli.
Em 1856 o Governo de Timor e Solor volta a fazer parte, até 1863, do Estado da Índia. Em 1866 Macau e o território português da Ilha de Timor passam a constituir uma só província denominada "Província de Macau e Timor", com a capital em Macau. Esta situação iria manter-se até 1896 quando o governo de Timor deixa de estar subordinado a Macau.
A. d'Oliveira. Companhia Nacional Editora ca. 1895 


Vejamos então o decreto de 1844:

 Tendo reconhecido que a dependencia em que se acham do Governo Geral do Estado da India os Estabeleci mentos de Macau eo de Solôr e Timor é desvantajosa e grave mente prejudicial pelo embaraço e confusão que produzem nas ope rações governativas dos mesmos Estabelecimentos as deliberações daquelle Governo Geral ora tardias e inopportunas como dictadas de tão longa distancia e sujeitas ao retardamento de monções an nuaes ora inexequiveis por não conformes com as Determinações do Meu Governo directamente transmitidas ás Authoridades dos referidos Estabelecimentos por assim o exigir o bem do serviço e Tendo ou tro sim reconhecido que a organisação interna dos mesmos Estabe lecimentos carece de algumas modificações pelas quaes entrem no systema por que são regidas as outras Possessões Ultramarinas por todos estes motivos Hei por bem ouvido o Conselho de Ministros eo d Estado segundo a Carta de Lei de dous de Maio de mil oito centos quarenta e tres Decretar o seguinte Artigo 1 A Cidade de Macau e os Estabelecimentos de Solór e Timor com todas as suas dependencias e territorios a que tem 

direito a Coroa portugueza formarão uma Provincia que se denomi nará Provincia de Macau Timor e Solôr independente quanto ao seu Governo do Geral do Estado da India Art 2 o O Governador da dita provincia será considerado na mes ma classe e cathegoria que o Decreto de sete de Dezembro de mil oitocentos trinta e seis assignou ao Govornador das Ilhas S Thomé e Principe Art 3 o O sobredito Governador residirá em Macau e terá um Governador subalterno em Solôr e Timor Art 4 Junto do mesmo Governador haverá um Conselho de Governo composto dos Chefes das Repartições Judicial Militar Fis cal e Ecclesiastica e de mais dous Conselheiros que serão o Presi dente do Leal Senado eo Procurador da Cidade tendo o mesmo Conselho as mais attribuições que no Decreto de sete de Dezembro competem aos Conselhos dos Governadores Geraes Art 5 Os Governadores tanto o da Provincia como o Subal terno tendo como Regulamento os Decretos de sete de Dezembro de mil vitocentos trinta e seis eo de vinte e oito de Setembro de mil oitocentos trinta e oito cumprirão as determinações das Leis vigentes e as Ordens e Instrucções que se tiverem dado pe łas Repartições competentes aos dous Governos de Macau e de Solor e Timor em tudo que se não oppozer ás disposições deste Decreto Sunico O actual Governador de Macau eo de Solôr e Timor continuarão a servir os seus Empregos o primeiro na cathegoria de Governador independente da Provincia eo segundo de Subalterno deste como está determinado no artigo dezoito do Decreto de sete de Dezembro de mil oitocentos trinta e seis Art 6 Para a Administração da Fazenda Publica da Provin cia se instalará logo em Macau uma Junta segundo o Decreto de dezeseis de Janeiro de mil oitocentos trinta e sete e terá por Presi dente o Governador da Provincia e serão Vogaes o Juiz de Direito o Escrivão o Thesoureiro eo Contador da mesma Junta da Fazenda Um Decreto regulamentar designará as attribuições e mais especia lidades deste Corpo Collectivo 1 o Esta Junta de Provincia terá uma Delegação ou Ad junto em Timor que lhe será em tudo sujeita composta do Gover nador como Presidente de um Escrivão da Fazenda e de um Thesou reiro affiançado 2 o O Leal Senado de Macáu logo que a dita Junta estiver instalada fará entregar lhe por inventario todos os fundos da Fazenda Publica que existirem em ser e bem assim todos os livros papeis contas e esclarecimentos sobre dividas activas e passivas e quaes quer outros que tenham relação com a Fazenda Publica e de tudo o Senado a competente ressalva 3 Similhantemente serão entregues ao Adjunto de Timor todos os fundos livros e papeis que tiverem relação com a Fazenda Publica passando se igual ressalva a quem as entregar Art 7 O Leal Senado de Macáu continuará em todas as suas regalías que não são alteradas por este Decreto competindo lhe todas as attribuições que pelo Codigo Administrativo têem as Camaras Mu nicipaes eo Procurador da Cidade gosará de todas as que a com municação com as Authoridades chinas torna necessarias Art 8 O Juiz de Direito de Macáu com as attribuições dos antigos Ouvidores menos no que respeita á superintendencia das Alfandegas tem jurisdicção para todos os effeitos judiciaes em toda a Comarca comprehensiva hoje de Solôr e Timor onde haverão Jui zes Ordinarios Sunico O mesmo Juiz de Direito de Macáu o continuará a ser dos Orfãos com a administração do Cofre delles de que terá uma chave outra o Thesoureiro que será sempre pessoa muito abo nada e afiançada ea terceira um Escrivão do Juizo ou dos Orfãos se para os negocios destes houver Escrivão especial Art 9 Continuará a pertencer ao Districto da Relação de Goa a Provincia de Macau Timor e Solôr bem como continuará a exis tir em Macáu a Junta de Justiça tudo na forma do Decreto de sete de Dezembro de mil oitocentos trinta e seis que regulou a Ad ministração de Justiça para as Provincias Ultramarinas além do Cabo da Boa Esperança Art 10 Fica revogada toda a Legislação contraria ao pre sente Decreto O Ministro e Secretario de Estado dos Negocios da Marinha e Ultramar o tenha assim entendido e faça executar Paço de Belem vinte de Setembro de mil oitocentos quarenta e quatro RAINHA Joaquim José Falcão 

terça-feira, 6 de maio de 2025

Emissão do BNU com referências históricas

No início de 2025 o BNU de Macau colocou a circular novas notas que incluem no design referências históricas, neste caso mapas antigos (do século 17 ao séc. 20). Segundo o banco, o design das notas "foi inspirado na história e evolução de Macau, mostrando o mapa do território durante diferentes eras e gerações". Com diferentes valores faciais, cada nota "conta uma história relacionada com a transformação da cidade, reflectindo a herança cultural única e o significado histórico que Macau representa".
Referência a 1635

Referência a 1780

Referência a 1869

Referência a 1949

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Exacta & accurata delineatio cum orarum maritimarum (...)

Em baixo assinalei as duas localizações de "Macao" neste mapa de 1596: "Exacta & Accurata Delineatio cum Orarum Maritimarum tum etjam locorum terrestrium quae in Regionibus China, Cauchinchina, Camboja sive Champa, Syao, Malacca, Arracan & Pegu (...)"
O documento - também conhecido por Itinerário - foi desenhado por Arnold Floris van Langren e gravado pelo seu irmão Hendrik. Faz parte da obra de Jan Huygen van Linschoten, "Voyage ofte Schipvaert naer Oost ofte Portugaels Indien (...)" publicado em Amsterdão por C. Claesz em 1595-96.
Linschoten regista "Macao", no norte da foz do Rio Cantão, ao sul de "Lampacao" e "Bonna Ventura."
Texto de Günter Schilder (2003) - tradução/adaptação:
Este mapa cobre todo o Extremo Oriente, de Java ao Japão. Uma escala de graus é fornecida ao longo das bordas superior e inferior, indicando a latitude em intervalos de 5°. Um cartucho no canto superior direito contém um título bilingue resumindo os territórios aqui representados: 'A representação ou ilustração verdadeira de todas as costas e terras da China, Cochinchina, Camboja, Sião, Malaca, Arracan e Pegu, bem como de todas as ilhas adjacentes, grandes e pequenas, juntamente com os penhascos, recifes, areias, partes secas e baixios; tudo retirado das cartas marítimas e rotas marítimas mais precisas em uso pelos navegadores portugueses actualmente'. 
Um cartucho no meio, ao longo da borda superior, contém barras de escala em milhas holandesas e espanholas e, abaixo delas, o nome do gravador com o ano e a data do desenho. Os mares contêm desenhos de navios e monstros marinhos, bem como duas rosas dos ventos totalmente desenhadas.
Este mapa de 1595 é um dos primeiros mapas gravados que apresentam o conhecimento português deste área com bastante precisão. A metade esquerda do mapa das Molucas de Petrus Plancius, de 1592, serviu de modelo para a representação das Filipinas, grande parte do atual arquipélago indonésio e as ilhas situadas entre elas até ao Trópico de Câncer. Ao compor o mapa, Plancius utilizou mapas manuscritos do cosmógrafo e cartógrafo português Bartolomeu Lasso. Assim como o mapa do Itinerário, Lasso também mostra toda a ilha de Sumatra e uma parte maior do continente, desde a Baía de Bengala até à costa da China, a uma latitude de 27°N
Assim, o mapa no Itinerário estende-se mais para oeste, mas alcança muito menos para leste do que o mapa de Plancius. Ele não mostra os numerosos grupos de ilhas no Oceano Pacífico. (...)
Hendrik Floris van Langren fez uma representação do Japão, que se tornou obsoleta nesse mesmo ano já que um novo mapa do Japão foi publicado em 1595 no Theatrum Orbis Terrarum. Luis Teixera disponibilizou o desenho original a Abraham Ortelius em 1591 ou no início de 1592. O mapa no Itinerário também mostra uma parte maior do interior chinês do que a mostrada no mapa impresso das Molucas por Plancius. Podemos supor aqui que essa extensão foi baseada no exemplo do mapa da China de Ortelius de 1584. Esse mapa foi composto com a ajuda de informações de Jorge de Barbuda, um português a serviço de Filipe II da Espanha."

domingo, 6 de abril de 2025

Divers voyages et missions du P. Alexandre de Rhodes en la Chine et autres royaumes de l'Orient

Continuando o post de ontem, aqui ficam alguns excertos do livro de Alexandre de Rhodes (1591-1660), publicado em Paris em 1653 - que inclui o mapa referido ontem: "Divers voyages et missions du P. Alexandre de Rhodes en la Chine et autres royaumes de l'Orient, avec son retour en Europe par la Perse et l'Arménie"
Rhodes chega a Macau a 29 de Maio de 1623 (partirá em Dezembro de 1624 com destino à região do actual Vietname) e segundo escreve no livro já sabia da derrota holandesa em Junho do ano anterior.
"(...) enfin le 29 May de l'année 1623 nous arriuâmes au port de Macao en la Chine, quatre ans & demy apres mon départ d Europe. (...)
O capítulo 14 (pág. 57) intitula-se "A minha estadia de um ano em Macau, cidade da China controlada pelos portugueses".
Tradução/Adaptação de alguns excertos que incluem, por exemplo, referências ao colégio de S. Paulo e à igreja Mater Dei:
"Tendo chegado a este belo Reino, a minha primeira estadia foi em Macau, onde fiquei retido durante um ano, durante o qual usei todas as minhas forças para me familiarizar com a língua japonesa, para onde esperava ir o mais rapidamente possível. Macau é um porto e uma cidade na China onde os portugueses construíram e fortificaram com a autorização do Rei da China a quem pagam todos os anos vinte e duas mil coroas de tributo. Há cerca de cem anos, desde que esta permissão lhes foi dada, um dos principais Fundadores foi o valente Pierre Veillo que pela sua caridade mereceu que São Francisco Xavier lhe prometesse que teria o coração da sua morte. Era uma faixa de terra perto do mar onde existiam piratas atacando toda a província do Cantão, a mais próxima do mar.
Os chineses, para se libertarem destes brigantes, chamaram os portugueses em seu auxílio e permitiram-lhes ocupar este posto se conseguissem expulsar estes maus vizinhos. Os portugueses, que não tiveram outra alternativa senão pôr os pés na China, foram armados contra esta tropa de ladrões, afugentaram-nos facilmente, começaram a construir como os chineses lhes tinham permitido, no entanto, pelo tratado não podiam construir fortificações e fizeram-no.
Ergueram aqui um lugar muito bom onde colocaram duzentas peças de canhão e desde então vivem em sigilo. A cidade não é grande, mas é bonita e construída à maneira europeia, melhor do que na China, onde todas as casas têm apenas um andar. O tráfego comercial em Macau era muito grande e os portugueses enriqueceram em pouco tempo, mas desde as perseguições no Japão e a ruptura com os espanhóis que controlam as Filipinas, tudo diminuiu porque foi o comércio destas duas ilhas que lhes deu tudo de melhor que tinham.
A nossa companhia possui aqui um grande colégio que pode ser comparado aos mais belos da Europa, pelo menos a Igreja é uma das mais magníficas que já vi em toda a Itália na época de São Pedro de Roma. Aprendemos lá todas as ciências que ensinamos em todas as nossas grandes academias. É lá que se formam esses grandes trabalhadores que enchem todo o Oriente com as luzes do Evangelho. De lá vieram tantos mártires que coroam a nossa província, eu a chamo de muito feliz por causa do que ela tem essa glória que só no Japão conta 97 gloriosos confessores do Santo Nome de Jesus Cristo que sentiram com seu sangue a fidelidade que haviam prometido ao seu querido mestre."
Mapa incluído no livro de 1651:
"Histoire du royaume de Tunquin, et des grands progrez que la prédication de l'Evangile y a faits en la conversion des Infidelles. Depuis l'année 1627 jusques à l'année 1646"

Expulso do Vietname em 1630, Rhodes regressaria a Macau e em 1645 iniciou a viagem de regresso a Roma onde chegou em 1649. Estará na origem da criação em 1659 da Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris. No ano seguinte foi enviado à Pérsia onde viria a morrer.

sábado, 5 de abril de 2025

Mapa desenhado pelos padres da Companhia de Jesus

Mapa intitulado: "Royavme d'Annan Comprenant Les Royavmes de Tvmkin et De La Cocinchine Designé par les Peres de la Compagnie de Iesus a Paris"
"Reino de Aname, incluindo os reinos de Tonquim e Cochinchina desenhado pelos Padres da Companhia de Jesus em Paris"
O documento foi impresso em Paris por Pierre Mariette ca. 1650. O autor da gravura é Jean Pruthenus Somer.
Annam/Anam/Anã são os vários nomes de um antigo reino que existiu na parte central do actual Vietname, também designado por reino anamita. Tonquim, é parte mais setentrional - a Norte - do Vietname. Cochinchina corresponde ao Sul do país, e o nome foi dado pelos portugueses no século 16: Cochim" (Kuchi) era o nome usado em língua malaia para designar toda a região.
O mapa foi impresso cerca de 1650 e publicado pela primeira vez em 1653 na obra "Divers voyages et missions en la Chine et autres royaumes de l'Orient, avec son retour en Europe par la Perse et l'Arménie", de Alexandre de Rhodes (1591-1660), missionário jesuíta frrancês. 
O mapa faria ainda parte, já no século 18, do vol. 14 do "Atlas Geographique Contenant Les Cartes générales et particulières d'Asie, d'Affrique et d'Amérique. 
O mapa é baseado no reconhecimento em primeira mão do missionário jesuíta Alexandre de Rhodes, que estabeleceu a primeira missão católica em Tonquim entre 1627 e 1645. Antes de Rhodes, o Golfo e o Reino de Tonquim eram amplamente desconhecidos dos europeus. Exploradores portugueses e jesuítas estabeleceram relações com o Reino de Champa (perto da moderna Da Nang), mas não se aventuraram mais a Norte devido às tensões políticas entre o Vietname do Norte e do Sul.
Não sendo o objectivo principal do mapa, Macau já era sobejamente conhecido na época  e surge representado no canto superior direito.
O mapa inclui inúmeras anotações em texto. Numa delas pode ler-se: "Tour fort haulte que l'on voit de loing en la Mer." / “Torre muito alta que pode ser vista de longe no mar.” Nour surge a frase "Isle de Sanchoan Tombeau de s. Francois Xavier" / "Ilha de Sanchoão Túmulo de S. Francisco Xavier". A península de "Macao" inclui uma representação gráfica que remete para a existência de uma cidade fortificada/com muralhas.

domingo, 16 de março de 2025

Captação e distribuição de água potável

No início do século 20 a captação e distribuição de água potável era uma dos maiores problemas do território e o crescimento populacional fez com que tivessem de ser tomadas medidas. Eis em resumo alguns dos principais eventos sobre este tema.
Em 1905 o general José Emílio Castel-Branco é nomeado em comissão de serviço para proceder a estudos sobre captação de água potável.
Em 1919 o coronel Adriano Augusto Trigo assume a Direcção dos Serviços de Obras Públicas e tem como principal missão solucionar o problema do abastecimento de água potável. O projecto incluía a construção de um reservatório na Colina da Guia e outro na Flora para captação de águas pluviais, prevendo também a captação de águas subterrâneas. São ainda construído 7 fontanários. As obras seriam concluídas em 1925,
A 8 de Agosto de 1928 foi iniciado o concurso para arrematação em hasta pública, no Senado, do exclusivo do Serviço de abastecimento de água potável à cidade de Macau. 
A 12 de Setembro de 1928, por escritura pública, o Leal Senado da Câmara de Macau concede à Water Works Company o primeiro exclusivo do serviço de abastecimento de água à cidade mas vicissitudes várias levam a empresa a desistir.
"Planta de Cidade de Macau mostrando o plano geral das obras de exploração, captação e distribuição de água potável" (década 1920)

Em 1929 é constituída a Companhia Loc Wo que abastece com água potável apenas os bairros de Mong-Há, do Patane e do Bazar Chinês. 
A 22 de Janeiro de 1930 é constituída a Companhia das Águas de Macau, S.A.R.L. e em 4 de Junho de 1932 é assinado o contrato do exclusivo entre a C.A.M., S.A.R.L e o Leal Senado.
Em Dezembro de 1934 a empresa rescinde o contrato e o Leal Senado assume a responsabilidade da captação e distribuição de água.
A 13 de Julho de 1935 é constituída a Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau, Limitada (SAAM), empresa inglesa que também assume a designação The Macao Water Supply Company, Limited. Assina contrato do exclusivo do abastecimento de água à cidade, com o Leal Senado, por um prazo de 60 anos. A grande obra é o reservatório do Porto Exterior (que ainda hoje existe) concluído em 1936. 
Estava resolvido uma grande parte do problema, mas não seria suficiente para a autonomia do abastecimento, verificando-se inúmeras faltas de água ao longo dos tempos. Só a partir de 1983 a questão ficaria totalmente resolvida quando o abastecimento de água ao território passa a ser assegurado pela China.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

"Plan de la ville et du port de Macao" analisado ao detalhe

Este mapa foi publicado pela primeira vez no livro "Le Petit Atlas Maritime, recueil de cartes et plans des quatre parties du monde" da autoria de Jacques Nicolas Bellin (1703-1772) e publicado em Paris em 1764. É a gravura nº 57 do Volume 3 (inscrito na canto superior direito) de um total de 5 volumes. 
A obra teve várias edições em vários países. A imagem acima é da versão holandesa, neste caso, a cores.
Tem como título:
Plan de la ville et du port de Macao / par N.B., ingr. de la Marine ; J. V. Schley direx
Mapa da cidade e do porto de Macau / por N.B., engenheiro da Marinha*; J. V. Schley**
Gedeelte vant einland Makao (Parte da ilha de Macao)
* Refere-se a Nicolas Bellin.
**Jakob van der Schley (1715-1779 Amsterdam) foi desenhador e gravador holandês que fez a gravura do mapa original de J. Nicolas Bellin.
O mapa da cidade e do porto de Macau - o Porto Interior é apresentado como sendo o porto da cidade - em meados do século 18 tem indicações topográficas/relevo, nomeadamente das colinas, apresenta a área edificada (cidade cristã e uma povoação chinesa) bem como as muralhas e as fortificações com um detalhe considerável. Mostra também a localização do templo de A-Ma (pagode chinoise).
O mapa feito feito à escala de "2400 Toises" (unidade de medida anterior ao sistema métrico: 1 toesa equivalia a 1,9 metros) tem legendas em holandês e francês e uma em português. Em alguns casos as legendas não são rigorosas. Por exemplo, a Fortaleza do Monte é descrita como como sendo Fortaleza de Nossa Senhora da Montanha (deve ler-se Fortaleza de s. Paulo do Monte); no caso da Fortaleza de S. Tiago da Barra acrescenta-se que tem ao lado um forte com o nome de S. Filipe, um erro.
Estão ainda representadas das fortalezas de S. Francisco (não se menciona o nome apenas que se trata de uma "bateria"), Bomparto (Notre Dame de Bomparto) e Nossa Senhora de Guia (esta legenda está no mapa em português).
Pode ainda ver-se parte da Ilha das Padres (Ilha da Lapa); na Ilha Verde refere-se existir uma "casa da companhia de jesus"; não se refere a Porta do Cerco mas menciona-se a "muralha que separa a terra dos portugueses da dos chineses;" refere-se ainda a "Casa Branca", residência do mandarim. Entre as escassas informações para a navegação menciona-se a profundidade do rio: 5 a 6 braças (11 a 13 metros). A "Penha" é referida apenas com o símbolo de uma cruz.
Na parte inferior do mapa pode ler-se:
Grondtekening der Stad en Haven van Macao, door N.B., Ingenieur des Franssen Zeevaards.
Planta da Cidade e do Porto de Macau, por N.B., Engenheiro de Navegação Francês.
Nota: O mapa seria reproduzido em inúmeras obras.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

"The Quarrel between Great Britain and China"

Excerto de um longo artigo intitulado "The Quarrel between Great Britain and China" (Guerra do Ópio) publicado numa edição de 1840 do The Monthly Chronicle:
"We insert for the illustration of this article a map of the bay of Canton, exhibiting all the positions connected with the trade of that city. The map contains also a plan of the city and suburbs of Canton and a plan of the town and harbor of Macao. The two latter are reduced from plans contained in a Historical Sketch of the Portuguese settlements in China published in Boston in 1836 by Sir Andrew Llungstedt, a work containing much curious information. The plan of Canton of which this is a reduced copy is stated to be a fac simile of one of the best native maps of the city with the exception of the lettering which in the original is in Chinese. On the native map the name of the city is written Kwang tung Sang ching which means the capital of the Province of Kwang tung or Canton. The natives usually call it Sang ching or the capital of the province. It stands on the north bank of the Choo Keang or Pearl river about forty miles from the Bocca Tigris or mouth of the river and about ten miles from the island of Whampoa where foreign ships usu ally discharge. The relative position of these places and of Macao Lintin, Hong Kong, Toong koo and other important points will be seen by reference to the map of the Bay of Canton which is compiled from the most authentic charts."

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

The healthiest residence in Southeast Asia

Macao, pronounced Macow, a seaport and Portuguese settlement, China, prov. Quang tong, irregularly built on a high peninsula that terminates the island of Macao to the S and joined to it by a narrow isthmus N from the town. lat 22 10 30 N long 113 32 E.
It occupies a slope gradually descending to the sea backed by a range of lofty hills and having an extensive campo or plain stretching E.
It is nearly surrounded with water and is open to the sea breezes on every side. The houses occupied by the foreign population are large roomy and open and the shops are numerous There are several R. Catholic churches, a senate house in the middle of the town and both a Portuguese and a Chinese custom house; several schools and a female orphan asylum. The quay, or 'Praya Grande', is commodious, forms a pleasant drive and is protected by a battery; several others wall stretching across the isthmus where a guard of Chinese crowning the adjacent heights.
Good water is abundant and the markets are well supplied with meat, poultry, fish, vegetables and fruits of various kinds. The harbour is formed between the peninsula on which the town stands and the large island Twee lien shan to the W; it is narrow at the entrance but has 20 and 21 ft at low water close to Fort St Jago*situated on the E point and from hence along the E shore to the town the depths continue nearly the same.
Macao is considered the healthiest residence in SE Asia. Near it, in a beautiful garden is the grave** of the Portuguese poet Camoens who here composed the Lusiad. The settlement is ruled by a governor aided by an elective senate composed of two judges and three aldermen who preside alternately for a month. The Chinese inhabitants are governed by magistrates of their own.
The settlement is about 8 miles in circuit and its limits landward are defined by a barrier wall stretching across the isthmus where a guard of Chinese is stationed to prevent foreigners from trespassing on the Inner Land.
The Portuguese settled at Macao about the year 1556 when the Emperor of China granted them permission to reside on a rock or peninsula by their stipulating to pay tribute or ground rent and duties on their merchandize a concession said to have been obtained in reward for their having cleared the coast of pirates who infested the mouth of the Canton river. Pop. of the peninsula or settlement nearly 30,000, mostly Chinese. 
in The Imperial Gazetteer: A General Dictionary of Geography, Physical, Political, Statistical  and Descriptive. Walter Graham Blackie, 1855.
* Forte de S. Tiago da Barra
** Gruta de Camões