Ao fundo o Hotel Lisboa (esquerda) e do lado direito vista parcial do Ed. Rainha D. Leonor
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quarta-feira, 3 de junho de 2026
terça-feira, 2 de junho de 2026
Placas toponímicas da Rua dos Mercadores
Este é mais um exemplo da especificidade e riqueza da toponímia local em termos históricos. Três diferentes designações em chinês para a mesmo nome em português, a Rua dos Mercadores. Antigamente foi das mais importantes por ser a que permitia a entrada no chamado Bazar chinês a partir do centro histórico da cidade.
Placa 1
Português: RUA DOS MERCADORES
Chinês: 大街
Tradução literal: Rua Principal.
Placa 2
Português: RUA DOS MERCADORES
Chinês: 大街 (營地大街)
Tradução literal: "Rua Principal do Bazar" ou "Grande Rua do Mercado
Placa 3
Português: RUA DOS MERCADORES
Chinês: 買賣街
Tradução literal: Rua de Compra e Venda (Rua do Comércio).
terça-feira, 12 de maio de 2026
Rotunda Carlos da Maia / Três candeeiros / Sam Dang Chang
No post de hoje abordo mais uma das muitas curiosidades da toponímia local.
Esta imagem no final da década de 1910 retrata a Rotunda Carlos da Maia. A praça recebeu o nome de Carlos da Maia/嘉路米耶圓形地, o primeiro governador de Macau (1912-1914) após a implantação da República em Portugal. No entanto viria a ficar popularmente conhecida em cantonense como Sam Chan Dang e em português como "Rotunda dos Três Candeeiros", alusão ao poste de iluminação colocado no centro que tinha (e ainda tem) três globos de vidro.
Após obras de renovação em 1999 foi colocado um globo de vidro extra no topo do candeeiro mas a designação não se alterou.
No início do século 20 foram construídos vários edifícios apalaçados em redor da praça - um deles era a Escola República - mas que hoje já não existem.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Troço da Av. Almeida Ribeiro/San Ma Lou em 1948
Estas duas fotografias de 1948 - tirada junto ao edifício dos CTT vendo-se ao fundo o Largo do Senado e o Hotel Central - têm uma particularidade e naquilo que não mostram: os cartazes publicitários que a partir de 1949 foram uma constante naquela fachada e se mantêm até hoje.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Uma avenida dividida em duas
Já aqui me referi à antiga Avenida Dr. Oliveira Salazar que após o 25 de Abril de 1974 foi renomeada Avenida da Amizade. Mais tarde, um troço entre a rotunda Ferreira do Amaral e a Av. da Praia Grande passou a chamar-se Av. Dr. Mário Soares.
薩拉沙博士馬路
Pinyin (mandarim): Sà lā shā bó shì mǎ lù
Sa La Sha (Salazar), Po Se (Dr.) e Ma Lou (Avenida).
domingo, 19 de abril de 2026
Origens do Fai Chi Kei/筷子基
Hoje em dia a zona de Fai Chi Kei/Patane - perto da antiga Ilha Verde - é uma área residencial de torres altas densamente povoada. O nome remonta à década de 1920 aquando dos inúmeros aterros feitos no âmbitos das "Obras dos Portos".
Fai Chi Kei (em chinês: 筷子基) significa, literalmente, "Aterro dos Pauzinhos". 筷子 (Fai Chi) é o mesmo que os pauzinhos de comer e 基 (Kei) remete para aterro ou dique. Foi esta a fisionomia com que aquela zona ficou na sequência dos referidos aterros na década 1920.
Sendo das zonas mais pobres da cidade era primitivamente povoada de barracas. Não tinha abastecimento de água nem saneamento. Em 1936 foi ali inaugurado o chamado Bairro 28 de Maio*, 14 blocos de dois pisos com 448 fogos numa área de 20.394 metros quadrados. Entretanto as áreas em redor foram sendo aterradas. Já na década de 1970 o arquitecto Manuel Vicente assinou um projecto de dois grandes edifícios (que tb remetem para os referidos pauzinhos) demolidos na década 2010.
* alusão ao 10º aniversário do golpe que implantou a ditadura em Portugal; em 1931 fora construído nas imediações o Bairro Tói Sán/Tamagnini Barbosa.
sábado, 18 de abril de 2026
Rua da Ressureição / 大三巴右街
Com pouco mais de 100 metros de extensão, a Rua da Ressureição está entre as mais pequenas ruas de Macau. Paralela à escadaria de acesso à fachada da antiga igreja Mater Dei, começa do lado esquerdo do primeiro lanço da escadaria - dá acesso à Travessa da Paixão - e termina ao cimo da Calçada de S. Francisco Xavier (que dá acesso ao Pátio do Espinho).
Nesta fotografia da década 1970, para além da placa toponímica com as características da época, podem ver-se as canas de bambú quando ainda eram usadas como estendal de roupa e uma pequena banca de venda de souvenirs para os turistas que visitavam às Ruínas de S. Paulo. Os vários cartazes publicitários indicam que ali se vendiam as respectivas marcas de cigarros e bebidas. Exemplos: Coca-Cola, Pepsi-Cola e Vitasoy (維他奶), marca conhecida de leite de soja.
Em Macau, é muito comum que os nomes das ruas em chinês e português não sejam traduções literais um do outro. Este é mais um caso. Ressurreição refere-se ao conceito cristão da Ressurreição de Jesus mas a designação em chinês é 大三巴右街, que significa "Rua à Direita de São Paulo":
大三巴: lê-se Dàsānbā, nome chinês para São Paulo (transliteração fonética).
右: Significa Direita.
街: Significa Rua.
![]() |
| A Rua da Ressureição no início da década 1950 Assinalado o local da primeira fotografia |
Faz parte dos topónimos de origem religiosa em redor das Ruínas de S. Paulo.
sexta-feira, 27 de março de 2026
Troço da Rua de Camilo Pessanha: década 1950
Os caracteres no topo do edifício à esquerda, lidos da direita para a esquerda - como era tradicional na época - são: 德成大按 (Tak Seng Tai On). Ou seja, a Casa de Penhores Tak Seng On (Virtude e Sucesso). Fundada em 1917, foi uma das maiores e mais ricas casas de penhores da cidade. O edifício não era apenas uma loja, mas uma verdadeira "fortaleza" de armazenamento. A estrutura alta e robusta (estilo torre) servia para proteger os bens empenhados contra roubos e inundações. As paredes eram extremamente grossas e as janelas pequenas por razões de segurança. Actualmente é um museu.
Na rua com calçada/paralelepípedos, em primeiro plano, um carteiro quase passa despercebido na rua bastante movimentada e densamente comercial. Nos neons das lojas destaca-se a "On Kei Hong - Tintas e Vernizes" e "Va-Cheong Fornecedor".
Nota: Ao contrário do que é habitual, Camilo Pessanha teve o seu nome numa rua pouco tempos depois de morrer em 1926. Para o efeito deixou de existir o topónimo Rua do Mastro.
A Rua de Camilo Pessanha começa na Rua das Estalagens e termina na Avenida de Almeida Ribeiro. É nesta última que está uma das fachadas da Torre/Casa de Penhores aqui referida.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Placa toponímica da "Calçada do Monte"
Na actual placa toponímica da "Calçada do Monte" (em português) os caracteres chineses são 大砲台正街.
大 (Dà) significa grande.
砲台 (Pàotái): significa fortaleza ou forte.
斜巷 (Xié xiàng): significa "travessa inclinada"
Pode traduzir-se por "Travessa inclinada da grande Fortaleza", ou seja, a calçada de acesso à Fortaleza do Monte.
Em placas toponímicas mais antigas a designação em português é a mesma mas a designação em chinês é ligeiramente diferente. Inclui os caracteres 大砲台正街 cuja tradução literal para português é: "Rua Principal da Grande Fortaleza".
De facto em tempos antigos este era um dos principais acessos à Fortaleza do Monte. O topónimo remonta a pelo menos 1867, ano em que se encontra referido na edição de 18 de Março do Boletim da Província de Macau e Timor: "Grandes festas tiveram logar nos dias passados no Matapau, Calçada do Monte e Rua Formosa por occasião do casamento de um filho do rico negociante china Senqua. (...)"
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
"Estrada do littoral"
Em Abril de 1884 no "ante-projecto" para o melhoramento do Porto de Macau, o engenheiro Adolpho Loureiro defende a criação de uma estrada litoral que ligasse a zona da Praia Grande com o Porto Interior. Nessa altura a estrada que existia terminava na zona da fortaleza do Bom Parto. O projecto viria a ficar pronto por volta de 1910 passando esse troço de estrada a chamar-se Avenida da República. Já as obras do porto foram feitas por fases. Algumas poucas ainda no final do século 19 no Porto Interior, sendo que a grande empreitada só arrancou já na década de 1920.
| Detalhe de um mapa de 1889 onde assinalei o troço que faltava da "estrada do littoral" |
Estrada do littoral
Toda a peninsula está hoje circumdada de uma estrada littoral muito commoda e pittoresca, com excepção somente da Praia Grande até å fortaleza da barra e porto interior. Julgo conveniente preencher esta lacuna e indico na planta geral a estrada que entendo deve ser construida desde a ponta do Bom Parto até á do Mainato e d'aqui até á barra.
Esta estrada será sustentada por uma muralha ou muro de supporte do lado do mar. Um aterro terminado para o interior em talude de 3:2 e de 16m de largura constituirá a avenida que em continuação da da Praia Grande deve ser levada à fortaleza da barra .
Será talvez util abandonar aquelle forte e estabelecer uma obra militar um pouco acima e com mais valor defensivo do que o d'elle.
A estrada, porém, depois de passada a ponta da Bahia do Bispo, deve ser levada por terreno superior aos prea mares havendo todo o cuidado em conservar as restingas que eriçam aquella parte da costa e que funccionam como um verdadeiro quebra mar que destroe a força da vaga e quebra a ondulação para o interior do porto.
Reputo esta obra muito util mas entendi não dever occupar-me do traçado d'este lanço de estrada cujo estudo e execução deve competir á direcção das obras publicas.
Adolfo Ferreira Loureiro (1836-1911), militar, engenheiro, escritor, poeta e político, bacharel em Matemática em 1856 e em Engenharia Civil em 1859. Entrou na escola do Exército em 1858 tendo seguido a carreira militar. Em 1883 foi em Comissão à Índia Britânica, a Ceilão, Singapura, China e Macau.
Chegou a Macau em 1883, como Capitão de Engenharia e Major do Estado Maior, tendo como missão resolver o problema do assoreamento do porto de Macau. Elaborou o projecto dos aterros do porto interior que foi depois várias veze alterado. Ainda assim, o seu trabalho foi elogiado tendo em 1884 recebido do Leal Senado a honra de ter o seu nome num arruamento executado entre 1882 e 1883, a Estrada de Adolfo Loureiro.
Apoiado pelo Partido Progressista, foi eleito Deputado para Legislatura de 1890, pelo 1.° Círculo Eleitoral de Macau, de que prestou juramento a 15 de Janeiro de 1890, e, na Legislatura de 1890-1892, representou o referido Círculo Eleitoral como Deputado da Legislatura anterior, até ao dia 27 de Maio de 1890.
Foi autor de mais de duas dezenas de publicações de carácter literário e profissional, sendo a mais notável o seu diário de viagem "No Oriente: De Nápoles à China", publicado em Lisboa em dois volumes em 1896 e 1897.
Dessa viagem Adolfo Loureiro deixou ainda 6 álbuns inéditos com 545 fotografias em albuminas originais da viagem: fotografias de portos caminhos de ferro, pontes, monumentos, arte, povos e costumes, paisagens, edifícios, etc. Porventura a sua ideia era também as publicar o que nunca aconteceu.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
Fonte de Nilao: 1843
Anúncio publicado no jornal "Aurora Macaense" em Dezembro de 1843:
AVIZO.
O ABAIXO assignado faz saber ao publico que ha para alugar humas cazas, sitas ao pé de fonte de Nilão, onde servira em outra ora d'Hospital Britannico; quem a quizer poderá derigir-se ao Encarregado
JOZE SIMAO DOS REMEDIOS.
O "Hospital Britanico" que se refere era muito provavelmente este. A "fonte de Niláo" é o nome primitivo do que hoje se conhece por Fonte do Lilau.
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| A zona referida no "Avizo" numa pintura de Chinnery feita entre 1825 e 1852 |
A zona é actulamente conhecida por colina da Penha, termo posterior a 1622, data da construção do forte e da ermida, mas antes era denominado "Nilao".
Um documento revelado por A. da Silva Rego indica:
"Na cidade de Nome de Deos de Macao temos huma ermida consagrada a Nossa Senhora da Penha de França em hum dos montes da cidade, chamado Nilao, edificada pelo Pe. Fr. Estevão de Vera Cruz, prior do convento da mesma cidade em o anno de 1623, em cuja fábrica muito trabalhou gastando do convento (alem das esmolas) trezentos, e tantos taéis de prata."
O comerciante (e historiador) sueco Ljungstedt também revelou um documento de 1795 que indica o termo "Nilao":
"Diz Felipe Correa de Liger Cazado, e m.or nesta Cid.e, que como este N. Sen.º tem entre outras hua terra baldia cita a Orta de D. Anna Correa, e Bica de Nilao, que inda conserva prezentm.te hum posso, que fora feito p.’° Avô do Sup.e, pertende o Sup.e cento e vinte braças de Norte ao Sul, e outras tantas de Leste a Oeste".
Na "Planta Topographica da cidade de Macau" de 1831-38 (capitão Cândido Osório) refere-se na legenda nº 25 a "Bica de Liláo ou Nináo".
Na toponímia actual restam ainda com o nome "Lilau" uma rua, um largo e um beco.
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
Placas da Rua da Emenda
As imagens mostram duas placas toponímicas. A mais recente é feita de azulejos. A mais antiga é de cimento. Para além da diferença dos materiais de construção, estas placas têm outras curiosidades...
O caractere mais à direita significa "Rua"
Nesta placa, mais antiga, a leitura dos caracteres chineses faz-se da direita para a esquerda; assim o caractere que significa "Rua" está à esquerda. O caractere da direita significa justiça/rectidão. Neste caso, e nem sempre acontece, o nome em português e chinês têm o mesmo significado.
Num artigo da autoria de João Guedes publicado no JTM a 14.6.2011 pode ler-se:
"A mudança de regime* levou também a que alguns anos depois a antiga “Rua do Asilo”, rebaptizada de “Eduardo Marques” (último governador monárquico de Macau) tivesse sido mais uma vez alterada. Para os republicanos aquele era um nome a obliterar, embora acima das disputas ideológicas da Metrópole devesse estar em consideração a figura de um governador de uma colónia longínqua, que, justa ou injustamente, é que deveria escolher quem deveria figurar na toponímia local. Neste caso o consenso ocorreu e conduziu a uma conclusão. A edilidade decidiu dividir a via em partes iguais; uma manteve a designação monárquica de Eduardo Marques, a outra passou a designar-se rua da Emenda (!...). Bom acordo e boa saída para o impasse!..."
* implantação da República
quinta-feira, 16 de outubro de 2025
Troço da Rua Dr. Pedro José Lobo em 1979
Entre os néons publicitários destaca-se o da Joalharia Chong Ngai Companhia Limitada/Chinese Arts and Jewellery Company Limited/Chong Ngai Chu Pou Kong Ngai Pan Iao Han Cong Si, fundada em Julho de 1979. Ficava no nº 22-A r/c da rua Dr. Pedro José Lobo/ 南灣羅保博士街.
| Foto de Felix Aeberli em 1979 |
Ao fundo, à esquerda, pode também ver-se o Restaurante Jardim de Jade nos números 35-39. Corresponde ao actual Choi Un Jade Garden. Do lado direito, no nº 30 a Vila Nam Loon (uma pensão) que ainda existe (Nam Long) e o Restaurante Mundo Novo, entre outros estabelecimentos comerciais.
A fotografia tirada em 1979 permite ainda perceber como eram os táxis nas décadas de 1970 a 1990.
| Perspectiva actual |
terça-feira, 23 de setembro de 2025
Um troço da Rua das Lorchas: antes e agora
O postal ilustrado é do final do século 19 e mostra do lado esquerdo um troço que corresponde à actual Rua das Lorchas. O edifício fica no início da actual Travessa 5 de Outubro. Nesta época toda a zona tinha a designação Largo da Caldeira.
O nome caldeira significa neste contexto uma doca para pequenas embarcações que podem ver-se à esquerda na imagem abaixo.
Do lado direito é a actual Rua de 5 de Outubro, topónimo já posterior a 1910, naturalmente. Antes denominava-se Rua Nova Del Rey.
sábado, 20 de setembro de 2025
quarta-feira, 23 de julho de 2025
Placas toponímicas da Rua de Silva Mendes
Antes de serem feitas em azulejos, as placas toponímicas eram de cimento e, em alguns casos, de granito.
O primeiro carater à direita significa rua
A versão em azulejos é mais recente.
Em baixo o mesmo troço ainda antes da rua se denominar Silva Mendes; ou seja, antes da explosão do Paiol da Flora.
quarta-feira, 16 de julho de 2025
Foto-legenda: Troço da Av. de Almeida Ribeiro / San Ma Lou
Vista parcial da Av. de Almeida Ribeiro/San Ma Lou década 1950:
ao fundo a ponte-cais nº16 no Porto Interior
sábado, 12 de julho de 2025
Foto-legenda: Riquexós na Av. da República
Introduzidos no final do século 19 em Macau os riquexós/jinrichshas foram até ao primeiro quartel do século 20 o principal meio de transporte público no território. Na imagem a Avenida da República ainda com poucos anos de existência.
domingo, 29 de junho de 2025
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