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domingo, 6 de setembro de 2026

Lai Kei Sorvetes (禮記雪糕): desde 1933

Fundada em 1933 por Kong Lai-king, a Lai Kei Sorvetes ainda existe tendo uma loja no nº 12 da Av. Conselheiro Ferreira de Almeida que mantém a decoração do espaço há décadas.
Os produtos caseiros - refrescos, sorvetes e doces - começaram por ser vendidos apenas nas ruas de Macau. O jovem Kong Lai-king (esquerda), fundador da Lai Kei Ice, era também o autor dos anúncios da sorveteria.

As famosas sanduíches de gelado (conhecidas pela embalagem de papel com a ilustração vintage da imagem), o gelado de coco e o gelado de feijão vermelho são alguns dos produtos imagens de marca da Lai Kei.
Transcrição e tradução (lido da dta. para a esq./de cima para baixo) da embalagem acima:
禮記 (Lai Kei) / Lai Kei (em caligrafia)
雪糕專家 (Especialistas em Gelados)
雪糕雪條 週年冇賣 (Gelados e picolés: Promoção de Aniversário)
家 (Fabricação própria)
美味可口 (Saboroso e delicioso)
熟水製造 (Feito com água fervida)

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cruzamento da Rua Cinco de Outubro com a Av. de Almeida Ribeiro

Tudo indica que esta fotografia é da década 1930/40. Mostra o cruzamento da Rua cinco de Outubro com a Av. de Almeida Ribeiro.
À direita destaca-se o letreiro de Wong Chan Kei Ca Quinquilharia e Cambista.
Por baixo em chinês (Tradicional) 黃珍記總行 , ou seja, Sede da companhia Wong Chan Kei.
Já o letreiro à direita em maior destaque é o Veng Heng Cambista. Logo abaixo os 4 caracteres chineses dizem o mesmo. Segue-se 找換金銀找兌保商 que se pode traduzir como "Câmbio de ouro e prata, transações comerciais garantidas".
Ainda do lado esquerdo, no pilar estão os caracteres 祥珍茶莊 que anunciam a Loja de Chá Cheung Jan (Xiangzhen). Uma placa rectangular suspensa ao fundo indica o mesmo.

Detalhe de um recibo da década 1930 da Wong Chan Kee no nº 122 da rua 5 de Outubro.
 

domingo, 12 de julho de 2026

Mercado Vermelho/紅街市

Desenhado em 1934 pelo arquitecto macaense Júlio Alberto Basto, o que viria a ficar conhecido como Mercado Vermelho, foi construído para dar resposta ao crescente aumento populacional nomeadamente para zonas longe do centro da cidade. O local escolhido era então bastante amplo e com poucos edifícios.
Trata-se de um edifício típico do estilo art deco. Tem três pisos, desenho simétrico, uma torre do relógio ao centro e uma torre de vigia em cada esquina. Entrou em funcionamento em Julho de 1936.
Desenho/Planta de 1934

De acordo com a arquitecta Ana Tostões o edifício "
representa a primeira construção claramente devedora das correntes do movimento moderno internacional" e "desenvolve‐se em três pisos, definindo o quarteirão a partir das quatro torres situadas em cada esquina. Desenhado segundo dois claros eixos de simetria, com a torre do relógio no centro, enquadrando a entrada principal, e as restantes em cada esquina. A entrada principal é marcada por uma ampla abertura, que se conjuga com o corpo da torre do relógio, mais alta e recuada em relação ao plano da fachada. A estrutura em betão, formada pelo sistema de pilar‐viga, é assumida como gramática formal marcando o ritmo, desenhando-se as aberturas das janelas nos espaços intersticiais da estrutura portante."
Apesar de ser conhecido desde cedo como "Mercado Vermelho" 紅街市 (Hung Kai Si em cantonense) devido à cor dos tijolos, o nome formal foi Mercado Municipal da Avenida Horta e Costa. Fica localizado na esquina desta avenida com a  Avenida Almirante Lacerda.
Oficialmente receberia a designação: Mercado Municipal Almirante Lacerda (提督街市), uma homenagem a Hugo de Lacerda Castelo Branco (Almirante Lacerda), figura proeminente em Macau, responsável por importantes obras portuárias e aterros na zona no início do século XX.
O Mercado Vermelho está inscrito na Lista do Património de Macau sendo classificado como "edifício de valor arquitectónico".
O mercado abriu ao público em Julho de 1936
Na altura da construção o mercado é referido como estando localizado na Av. Horta e Costa.
Jornal A Voz de Macau em Julho de 1936

Na edição de 7.7.1936 o jornal A Voz de Macau refere que o edifício seria inaugurado em breve:
"O edificio, com dois pavimentos, afóra o terraço, construção em cimento armado, é amplo, majestoso, podendo dizêr-se que é o melhor existente em tôdo o Extremo Oriente. Os seus compartimentos, muito claros, são espaçosos e higienicos, havendo um espaço destinado a frigorifico e junto á escada que conduz ao pavimento superior um outro espaço reservado a elevadôr."


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Companhia "Tai-Sang" dos vapores de carreira Macau-Hongkong

Anúncio de 1939 da Companhia "Tai-Sang" - 泰商 - dos vapores de carreira Macau-Hongkong.
Companhia "Tai-Sang" dos vapores de carreira Macau-Hongkong

Os vapôres "Kau-Tung" e "Macau", com explendidas acomodações, dotados com as mais aperfeiçoadas e higienicas acomodações e tendo um pessoal esmerado fazem as carreiras entre esta cidade e Hongkong, com o seguinte horario, e por preços muito convidativos:

Vapor "Macau"
De Hongkong para Macau Ás 8.15 horas
De Macau para Hongkong Ás 16 horas.

Vapor "Kau-Tung"
De Hongkong para Macau Ás 14,30 horas.
De Macau para HongkongÁs 3.30 horas da madrugada

1a. classe = $3.00; ida e volta = $5.00; 2a. classe = $2.00; 3a. classe = $1.40.
Os passageiros do deck pagam $0,70, e no porão $0,30.

As passagens de Macau para Hongkong são pagas em notas chinêzas só nas 2a., 3a. classes e no porão, e de Hongkong para Macau em notas europeias.

Quaisquer informações são prestadas pelo telefone No. 2353 a bordo dos referidos vapores,ou pelo telefone da Companhia "Tai-Sang", No. 973, Avenida Almeida Ribeiro (Hotel Central, 1.º andar)


Um dos vapores da empresa na ponte-cais nº10

Os vapores Macau (澳門) e Kau-Tung (九江) eram gémes. Foram construídos em 1903 e tinham1.665 toneladas. Transportavam carga e centenas de passageiros, incluindo no "porão", o bilhete com o preço mais baixo.
Note-se a regra de pagamento: passagens baratas podiam ser pagas em "notas chinesas" (da província de Guangdong), mas as classes altas ou viagens a partir de Hong Kong exigiam "notas europeias" (como os dólares de Hong Kong emitidos por bancos britânicos ou as patacas de Macau), reflectindo a complexidade monetária da região antes e durante a Segunda Guerra Mundial.
A empresa tinha o escritório no 1º andar do Hotel Central.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

"Bebida para o Verão"

No Verão de 1933 uma das cervejas que se podia beber em Macau era a Dreher Trieste. Havia ainda a Sakura, Asahi, etc...
DREHER BEER
Cerveja italiana
A melhor qualidade de bebida para verão
À venda nas lojas:«Tai Song Lee» e «Macao Store»
Unicos Agentes:The Italian Agency 
2, Connaught Road Central, HONGKONG

O rótulo da garrafa no anúncio apresenta a inscrição "Dreher Beer" e indica a sua origem em "Trieste", a cidade italiana onde a marca se estabeleceu a partir de 1869. Contudo as origens da Dreher remontam ao final do século XVIII e estão profundamente ligadas à própria evolução das cervejas modernas do tipo lager na Europa Central. Em 1796 Franz Anton Dreher - mestre cervejeiro de origem suábia - adquiriu a pequena cervejaria Klein-Schwechat, localizada perto de Viena de Áustria.
Em 1841 o seu filho, Anton Dreher, assumiu o negócio e revolucionou a indústria mundial. Após viajar e estudar técnicas em Inglaterra e na Alemanha, combinou o método britânico de maltagem com a levedura de baixa fermentação. O resultado foi a criação da Vienna Lager, a primeira cerveja lager clara e brilhante do mundo, o que lhe valeu o título de "Rei da Cerveja".
Devido ao enorme sucesso e à necessidade de expandir a produção, em 1862 Anton Dreher comprou uma cervejaria no distrito de Kőbánya, em Budapeste. A excelente qualidade da água subterrânea daquela região húngara permitiu consolidar a Dreher como uma das maiores produtoras de cerveja do Império Austro-Húngaro.
Em 1869 o filho de Anton Dreher (Anton Dreher Jr.) expandiu o império familiar em direcção ao mar Adriático, comprando uma cervejaria na cidade portuária de Trieste (a do rótulo). Trieste pertencia ao Império Austro-Húngaro na altura, mas viria a integrar o território italiano após a Primeira Guerra Mundial.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Até parece mentira

Em 1933 o Ministério das Colónias (Portugal) publica o Decreto n.º 27:195 "determinando que no frontispício dos Boletins Oficiais de todas as colónias e respectivos suplementos, seja impresso, entre a palavra «Boletim» e a palavra «Oficial» o escudo nacional, que não poderá ser substituído pelo brasão da colónia ou quaisquer outros emblemas."

Esse mesmo decreto seria publicado no Boletim Oficial da Colónia de Macau nº 52 (Dezembro de 1933) mas curiosamente não é seguida a determinação, aparecendo o brasão da Colónia de Macau. Seria publicado um novo boletim de forma a corrigir o erro... 

terça-feira, 3 de março de 2026

Instalações da Estação Radiotelegráfica de Dona Maria II

A Estação Radiotelegráfica de Dona Maria II representa o início da era das telecomunicações modernas em Macau. Inaugurada formalmente a 12 de Junho de 1924, a estação foi instalada no topo da colina de Dona Maria II - junto ao forte com o mesmo nome - para garantir uma melhor propagação das ondas de rádio. 

Inicialmente operada pela Radio Communication Co. do Oriente, a sua entrada em funcionamento permitiu a desactivação da antiga estação de São Francisco, centralizando as comunicações sem fios do território num equipamento mais avançado para a época.
Um dos momentos mais emblemáticos da sua história ocorreu precisamente no dia da inauguração, quando o Governador de Macau, Rodrigo Rodrigues, utilizou as instalações para comunicar com os aviadores portugueses Brito Paes e Sarmento de Beires. Os pilotos encontravam-se então em Kowloon (Hong Kong), na fase final da histórica travessia aérea entre Lisboa e Macau, e a ligação rádio serviu para coordenar a recepção triunfal dos aviadores no território. 
 Torres de Transmissão da Estação Radiotelegráfica Dona Maria. 
Fotógrafo Mei Iun 

Pouco tempo depois, em Fevereiro de 1926, o Governo de Macau adquiriu formalmente todos os equipamentos e antenas da empresa privada, transformando a estação num serviço público essencial.

Ao longo dos anos 30, a estação foi o pilar da radiodifusão local, servindo de base para o que viria a ser o Rádio Clube de Macau. O local não era apenas um centro técnico, mas também um ponto de importância estratégica e militar. A infraestrutura sofreu danos severos durante a Segunda Guerra Mundial, quando a fortaleza foi bombardeada pela aviação norte-americana em Janeiro de 1945, num ataque que visava alvos estratégicos na região. Actualmente a fortaleza é um monumento preservado e um ponto turístico.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Enciclopedia Universal Ilustrada Europeo-Americana (1930)

MACAO. Geog. 
Colonia portuguesa de la costa S. de China (prov. de Kwang-tung) en la desembocadura del Cantón, á 101 km. al SE. de Cantón y á 60 km. al O. de Hong-Kong, en una pequeña península, unida con la isla de Hiang-shan por medio de un pequeño istmo. Las murallas que existían en toda la long. de la frontera, y en cuyas puertas había antiguamente centinelas chinos, están totalmente derruídas. En la península, además de la ciudad de Macao, hay tres ald., á saber: Mong-ha, Patane y Lappa. También pertenecen al dominio portugués las islas Taipa y Colovane [Coloane]. Su extensión total es de 11,75 km², con 78.627 h., de ellos 3.898 portugueses y algunos españoles é ingleses que lo sano del clima atrae de Hong-Kong. Macao perteneció, hasta 1844, al gobierno general de Goa, y forma, desde 1896, un solo gobierno. El comercio, monopolizado por los chinos, es muy importante.

MACAO. (Llamada en portugués Cidade do Santo Nome de Dios de Macao.) 
Geog. Ciudad de la costa meridional de China, correspondiente á la prov. de Kwang-tung y sit., aproximadamente, á los 22º 20' N., al OSO. de Hong-Kong y á unos 100 km. de Cantón. Forma parte de la colonia portuguesa del mismo nombre y se levanta á orill. del estuario del río de Cantón ó de las Perlas, en el extremo S. de una península, cortada por numerosos esteros, que la convierten en isla. La ciudad propiamente dicha cuenta 74.866 h., de los que 3.919 son blancos, entre ellos 3.780 portugueses; 60.057 chinos, y 154 pertenecen á diversas naciones. Se divide en dos barrios, el chino y el europeo, y está rodeada de colinas con fuertes de poca importancia. En el barrio europeo, bien edificado, aunque con muchas pendientes, hay buenas casas con jardines, un paseo llamado Praia Grande, el hospital, el Senado, cinco templos, entre ellos la catedral de San Pablo; varias capillas y un muelle semicircular que mide más de 1 km. En un jardín cercano á la iglesia de San Antonio se encuentra una gruta donde, según la tradición, terminó Camoens sus Lusiadas. El barrio chino es sucio y de calles estrechas, pero muy animado y comercial. La rada, defendida por algunos islotes, tiene muy poco fondo, de manera que los buques de gran porte tienen que anclar á 9 ó 10 km. de la ciudad. El comercio, antes muy importante, ha decaído; se reduce casi todo al de tránsito y está, en su mayor parte, en manos de los chinos. En 1910 se exportaron por él mercancías consistentes en añil, arroz, azúcar, té, seda, etc., evaluadas en 6.707.360 escudos, y se importaron por valor de 7.322.040.

in Enciclopedia Universal Ilustrada Europeo-Americana, 1930
Inclui uma fotografia tirada da colina da Guia sobre a Fortaleza do Monte e Porto Interior


Tadução/Adaptação

MACAU. Geogr. 
Colónia portuguesa da costa sul da China (província de Kwang-tung) na foz do Cantão, a 101 km ao SE de Cantão e a 60 km ao O de Hong Kong, numa pequena península, unida à ilha de Hiang-shan por meio de um pequeno istmo. As muralhas que existiam em toda a extensão da fronteira, e em cujas portas havia antigamente sentinelas chinesas, estão totalmente destruídas. Na península, além da cidade de Macau, há três aldeias, a saber: Mong-ha, Patane e Lapa. Também pertencem ao domínio português as ilhas da Taipa e Coloane. Sua extensão total é de 11,75 km², com 78.627 habitantes, dos quais 3.898 portugueses e alguns espanhóis e ingleses que o clima saudável atrai de Hong Kong. Macau pertenceu, até 1844, ao governo geral de Goa e forma, desde 1896, um só governo. O comércio, monopolizado pelos chineses, é muito importante.


MACAU. (Chamada em português Cidade do Santo Nome de Deus de Macau.) 
Geogr. Cidade da costa meridional da China, correspondente à província de Kwang-tung e situada, aproximadamente, aos 22º 20' N., ao OSO de Hong Kong e a cerca de 100 km de Cantão. Faz parte da colônia portuguesa de mesmo nome e ergue-se à margem do estuário do rio de Cantão ou das Pérolas, no extremo sul de uma península, cortada por numerosos esteiros, que a convertem em ilha. A cidade propriamente dita conta com 74.866 habitantes, dos quais 3.919 são brancos (entre eles 3.780 portugueses); 60.057 chineses, e 154 pertencem a diversas nações. Divide-se em dois bairros, o chinês e o europeu, e está rodeada de colinas com fortes de pouca importância. No bairro europeu, bem edificado, embora com muitas ladeiras, há boas casas com jardins, um passeio chamado Praia Grande, o hospital, o Senado, cinco templos, entre eles a catedral de São Paulo; várias capelas e um cais semicircular que mede mais de 1 km. Num jardim próximo à igreja de Santo António encontra-se uma gruta onde, segundo a tradição, Camões terminou os seus Lusíadas. O bairro chinês é sujo e de ruas estreitas, mas muito animado e comercial. A enseada, defendida por alguns ilhéus, tem pouca profundidade, de modo que os navios de grande calado têm de ancorar a 9 ou 10 km da cidade. O comércio, anteriormente muito importante, entrou em declínio; reduz-se quase todo ao de trânsito e está, na sua maior parte, nas mãos dos chineses. Em 1910, exportaram-se por ali mercadorias consistentes em aniz, arroz, açúcar, chá, seda, etc., avaliadas em 6.707.360 escudos, e importaram-se valores de 7.322.040.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Quadro do pessoal da Polícia de Segurança Pública: 1937

Publicado no Boletim Oficial nº 29 a 17.7.1937 o diploma nº 533 estabelece no Art. 15.º O quadro do pessoal da Polícia de Segurança Pública de Macau.
O efetivo total da corporação é composto por diversas categorias distribuídas por várias secções. O Comando conta com 1 Comandante (Capitão ou tenente do exército metropolitano com curso da arma), 3 Oficiais subalternos (tenentes do exército metropolitano), 1 Amanuense chinês, 2 Chefes, 4 Sub-chefes, 71 Agentes, 3 Apalpadeiras e 1 primeiro-cabo reformado.
Na Secretaria, encontram-se 1 Escrevente, 1 Chefe e 2 Agentes. O Conselho é constituído por 2 Sargentos, 1 Chefe, 2 Sub-chefes e 2 Agentes. A maior concentração de pessoal está nas Esquadras, Central, Secção Móvel e Secção de Trânsito, que somam 4 Sargentos, 1 Chefe, 17 Sub-chefes, 378 Agentes e 10 Serventes. A Secção Fiscal dispõe de 2 Chefes, 4 Sub-chefes, 90 Agentes e 2 Apalpadeiras. Por fim, a Secção das Ilhas integra 1 Sargento, 2 Sub-chefes e 24 Agentes.
No total geral o quadro fixa-se em: 1 Comandante, 3 Oficiais subalternos, 1 Escrevente, 1 Amanuense chinês, 7 Sargentos, 7 Chefes, 29 Sub-chefes, 567 Agentes, 5 Apalpadeiras, 10 Serventes e 1 primeiro-cabo reformado.
Observações e Notas do Quadro:
O Comandante será um "Capitão ou tenente do exército metropolitano, com o curso da arma".Já os "oficiais subalternos" serão "Tenentes do exército metropolitano".
As categorias de Escrevente e Amanuense chinês serão extintas conforme as vagas ocorram. No Conselho, existe um encarregado da arrecadação entre as patentes de Chefe e Sub-chefe. Relativamente aos Agentes das Esquadras, o número inclui uma ordenança e quatro impedidos do serviço pessoal; na Secretaria e no Conselho, estão previstas, respetivamente, duas e uma ordenança.
É especificado que o pessoal assinalado no Comando (Amanuense, Chefes, Sub-chefes, Agentes, Apalpadeiras e o cabo reformado) presta serviço no Comissariado, nas Polícias Administrativa e de Investigação Criminal enquanto não houver recrutamento directo para essas unidades. Por último, nota-se que as Apalpadeiras estão incluídas no número de auxiliares de 4.ª classe.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Nanquim: "Novo cinema sonoro"

 

Uma notícia de 10 de Julho de 1933 informava que estava para breve a inauguração de "um cinema sonoro no último andar" do mercado municipal do Tarrafeiro e que iria exibir "filmes chinêzes". Na verdade viria a ficar na Rua da Ribeira do Patane. Para além de cinema também funcionou para a realização de espectáculos de "auto-china". O nome é uma homenagem à cidade chinesa de Nanking, na altura a capital da China. 
Segundo Henrique de Senna Fernandes "o teatro Nanquim, que pretendeu, no princípio, ser um cinema de estreia, reduziu-se a cinema de bairro, com filmes em reprise." Na época existiam outros cinemas como o Vitória e o Capitol.
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Nesta fotografia pode ver-se o cinema Nam King no cruzamento da Rua da Ribeira do Patane com a Rua de Cinco de Outubro. Viria a fechar na década 1950. O edifício foi demolido na década 1990.
No letreiro superior em português "CASA TOMAR CHA TAT YENG HOU" e em chinês 一定好茶樓日夜茶市, especifica "Serviço de chá dia e noite".
Por baixo o letreiro com o nome NANKING e em chinês 南京大戲院 cuja tradução à letra é  "Grande Teatro Nanjing".

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Poço público no Largo do Senado

Até meados do século 20 as fontes e os poços (públicos e privados) foram cruciais para garantir o abastecimento de água potável. Num relatório de 1905 informa-se que na freguesia de Santo António havia 59 poços públicos e particulares, na da Sé 50 poços públicos e 407 particulares e em S. Lourenço 19 poços públicos e 121 particulares.
" (...) a água para consumo é fornecida na sua maior parte por pôços, espalhados um pouco por toda a cidade e dentro das habitações, e que, segundo um estudo recentemente feito, deveriam ser quasi todos atulhados por inconvenientes para a saude publica."
Álvaro de Melo Machado in Coisas de Macau, 1913
Nas imagens o poço público localizado no Largo do Senado que existiu até ao primeiro quartel do século 20 sendo substituído por um fontanário.
“Não há em Macau nenhum curso d´agua. Todas as aguas do consumo provem dos poços, mais ou menos profundos, que existem em grande profusão e em toda a parte. As fontes da Inveja, da Flora e Solidão, provenientes da infiltracção das chuvas na colina da Guia, e a Bica de Lilau, situada na base da Penha, fornecem agua potavel a um numero limitado de habitantes. Na estiagem o povo serve-se da agua da Lapa trazida em barcaças.”
J. Antonio Filipe de Moraes Palha in Macau e a Saúde Pública: elementos historicotopograficos, climaticos, demograficos e nosograficos, 1917

Curiosidade: 
Existiam também inúmeros poços privados. Para facilitar a tarefa dos bombeiros em caso de incêndio na entrada dos edifícios privados que tinham poço, ao lado do número de polícia, tinha de ser colocado também o símbolo - P. 井- (poço em português e em chinês). Ainda hoje podem ser vistos...

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

"Atlas de bolso sobre Portugal continental e províncias ultramarinas"

Designer, pedagogo, editor e tipógrafo amador em Portugal, Paulo de Cantos (1892-1979) produziu em 1938 um "Atlas de bolso sobre Portugal continental e províncias ultramarinas", com um forte pendor pedagógico e de divulgação do nacionalismo da época. Tem como sub-título "O que todo o português deve conhecer". O Atlas publicado pela Livraria Povoense (Póvoa de Varzim) inclui mapas de Portugal continental e das províncias ultramarinas.
Esta obra apresenta um pequeno mapa estilizado de Macau, acompanhado de um texto explicativo. O mapa é elaborado em estilo minimalista e abstracto, utilizando formas geométricas simples e uma paleta de cores limitada (predominantemente laranja e creme). Delimita as principais características geográficas de Macau, como a Península de Macau, a Ilha Verde, as Ilhas da Taipa e a Ilha de Coloane, bem como o Mar de Macau circundante. Os nomes dos lugares são apresentados em tipografia clara e legível.
Acima do mapa, o título está impresso em uma fonte sans-serif moderna: "Macau - A mais antiga colónia europeia do Extremo Oriente".* O mapa está emoldurado por uma borda tracejada, enfatizando ainda mais seu propósito esquemático e didáctico.
Transcrição do texto que forma verticalmente a palavra Macau:
Mar de Macau, ao S. O. da Ásia, banha esta Colónia. (Oferecida pela China no séc. de 500, por os portugueses a libertarem da pirataria.)
Área: 10 km2 para 1.000.000 de almas distribuídas pela península de Macau, Ilha Verde, 2 ilhas de Taipa, e de Coloane; 5 rincões.
Clima: saudável, húmido, muita chuva só no verão regulada por monções, muitas vezes tufónicas.
Artefactos: chá, ópio, charões, louças, fogos de artifício.
Uma gruta relíquia serviu a Camões para compor os imortais Lusíadas. Macau, nobre tradição de Portugal, ostenta os costumes pitorescos da China e beneficia da colonização Europeia. Possue igrejas e pagodes.

* O título "Macau: a mais antiga colónia europeia no Extremo-Oriente" é uma cópia da obra de Jaime do Inso, publicada em Macau em 1929.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Ilusionista Mme. Dauphin-Desmonde

Entre 5 e 13 de Novembro de 1930 esteve em Macau para uma série de espectáculos, Dauphin-Desmonde, "a maior ilusionista, faquir e clarividente do mundo". Foi assim que se apresentou nos anúncios publicados na imprensa da época. Apesar disso, os espectáculos realizados do Club de Macau (Teatro D. Pedro V) e no Teatro chinês Cheng Peng não tiveram grande afluência do público com o Jornal de Macau a concluir que "foi infeliz nas suas exibições nesta cidade". 

domingo, 26 de outubro de 2025

A aviadora inglesa Mrs. Bruce

Em 1930, a britânica Mildred Mary Petre - Victor Burce (1895-1990) iniciou um voo solo ao redor do mundo aos comandos do avião Blackburn Bluebird IV, que ela baptizou de "Bluebird". O voo, que partiu da Inglaterra em 25 de Setembro de 1930, tinha como objectivo estabelecer um novo recorde e torná-la a primeira mulher a voar sozinha ao redor do mundo. E assim foi. Após muitas peripécias - certos percursos não foram feitos a voar - chegou a Nova York no início de Fevereiro de 1931 após uma viagem de 19,000 milhas.
In 1930, british Mrs. Victor Bruce (Mildred Mary Petre) began a solo round-the-world flight in her Blackburn Bluebird IV aircraft, which she named "Bluebird". The flight, which started from England on September 25, 1930, aimed to set a new record and made her the first woman to fly around the world alone. After several challenges, she managed to complete the flight - 19,000 miles - reaching New York in early February 1931.

Na etapa de Hanoi a Hong Kong, "Mrs. Bruce" sobrevoou o Porto Exterior de Macau às 13h45 de 9 de Novembro de 1930 - um domingo - segundo o Jornal de Macau na edição de 11.11.1930. Seguiu rumo a Tóquio onde chegou a 24 de Novembro, ao fim de 25 dias de viagem. Dali atravessou o Pacífico abordo de um navio rumo ao Canadá, de onde prosseguiu a viagem.

On the leg from Hanoi to Hong Kong, "Mrs. Bruce" flew over Macau Outer Harbour at 1:45 p.m. on November 9, 1930 - a Sunday - according to newspaper Jornal de Macau in its November 11, 1930 edition. On 24 November 1930, having covered 10,330 miles (16,620 km) in 25 flying days, she reached Tokyo and after crossed the Pacific aboard the Empress of Japan to Vancouver.

Curiosidades:

- No livro The Bluebird's Flight, de 1931, Mrs. Bruce explica que sobrevoou não só o Porto Exterior como também a zona do hipódromo - escreve "racecourse" - na zona da Areia Preta, junto às Portas do Cerco, local que tinha sido referenciado como hipótese de aterragem em caso de emergência.

- A revista The Aeroplane na edição de Janeiro de 1931 publicou uma fotografia de Mrs. Bruce em Hong Kong.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Um automóvel "para venda": 1935

A Voz de Macau 7.9.1935
Anúncio da época ao Ford Tudor Sedan

PS: Um Studebacker de "cinco asssentos", também usado, custava na época 500 patacas, de acordo com outro anúncio publicado na mesma edição.

domingo, 31 de agosto de 2025

"Géographie de la Chine"

Em 1929 era publicada a primeira edição de "Géographie de la Chine" em Zikawei (actual Xujiahui), Xangai. Trata-se de um atlas da autoria do padre jesuíta René Jouon impresso na Imprimerie de l'Orphinat de T'ou-Se-We Com 68 páginas inclui 35 mapas e inúmeras ilustrações
A segunda edição é de 1930 e em 1932 já ia na terceira edição (com mais páginas).Em 1937 foi publicada a 4ª e última edição, em alguns casos referida como "Géographie commerciale de la Chine". No prefácio pode ler-se "Cet ouvrage est le fruit de 13 années d'enseignement au Collège Saint-Ignace de Zikawei qui a pour but d'aider nos étudiants chinois ainsi que les lecteurs francais dans l'étude et la connaissance de la Chine." (
Jouon foi um conferencista ou professor jesuíta no St. Ignatius College, uma parte da Catedral Jesuíta de Zikawei ou da moderna Xujiahui em Xangai.

A história da Igreja de Santo Inácio de Xangai começa no início do século XX, quando a cidade portuária chinesa de Xangai era um próspero centro financeiro com uma comunidade ativa de instituições financeiras estrangeiras.
Durante o século XX, o distrito de Zikawei, em Xangai, tornou-se um enclave católico que acolhe muitas das instituições culturais dirigidas por jesuítas, incluindo um centro de sinologia dedicado ao estudo da língua e cultura chinesas. Para melhor servir as necessidades de uma população católica em expansão, os jesuítas decidiram construir uma catedral no coração de Zikawei. O projeto foi assumido pelo arquiteto inglês William Doyle, que optou por um desenho gótico. A construção ocorreu entre 1906 e 1910. Ainda existe sendo conhecida como: Catedral de Santo Inácio - Cathedral of Saint Ignatius of Loyola - Xu-Jia-Hui Catholic Cathedral - 圣 依 纳 爵 主 教 座 堂

Conteúdos:
Forme et limites de la Chine
Bornes de la Chine
Chaines de Montagnes de la Chine
Principales Productions de la Chine
Les Six Nouvelles Provinces de la Chine
Les Capitales des Provinces
Province du Ho-Pe
Mines de Houille de Kailan
Province du Chan-Si
Province du Chen-Si
Province du Kan-Sou
Province du Chan-Tong
Province du Ho-Nan
Province du Kiang-Sou
Province du Ngan-Hoei
Province du Hou-Pe
Province du Se-Tch'oan
Province du Tche-Kiang
Province du Fou-Kien
Province du Kiang-Si
Province du Hou-Nan
Province du Koei-Tcheou
Province du Koang-Tong
Territoire de Koang Tcheou Wan [with] Macao
Province du Koang-Si
Province du Yun-Nan
Province du Liao-Ning
Province du Ki-Lin
Province du He-Long-Kiang
Province du Sin-Kiang
La Mongolie Exterieure
Le Tibet
Les 46 Principaux Ports Ouverts en Chine
Le Triangle Canton-Macao-Hongkong et le nouveau port libre de Chongchan
Les Chemins de Fer de la Chine
Shanghai a Marseille par les "Messageries Maritimes, M.M."
Grandes Lignes de Navigation Partant de Shanghai
Carte de la "China Merchants' Steam Navigation" et de la "China Navigation Co."
Les Nouvelles Lignes de Chemins de Fer de la Chine, au sud du Yang-tse-kiang
Les Nouvelles Lignes de Chemins de Fer de la Chine, au nord du Yang-tse-kiang
Toutes les Lignes de Chemins de Fer de la Manchourie
L'encerclement des lignes japonaises par les nouvelles lignes chinoises
Le "Long-Hai" (Lunghai)
Carte du Plus Grande Shanghai
Shanghai, le Centre du Commerce de la Chine
L'Aviation en L'Asie
Les bonnes Routes de la Chine
Missions Catholiques en Chine
L'Indochine
Les Indies Neerlandaises
Shanghai en 1932