quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

A nota de 10 patacas e a Praia Grande de Wilhelm Heine

 



O pintor alemão Peter Bernhard Wilhelm Heine foi um dos 'ilustradores'* da expedição do comandante Perry ao Japão com escala, entre outros portos, em Macau. Fez várias ilustrações do território: templo de A-Ma, Ruínas de S. Paulo, etc... e a baía da Praia Grande. Esta última foi reproduzida no verso de uma nota de 10 patacas (emissão de 1984) e que se pode ver acima. 
Em baixo está uma ilustração também de Wihelm Heine. É muito parecida mas não é igual...

A narrativa da expedição de um esquadrão americano aos mares da China e ao Japão: realizada nos anos de 1852, 1853 e 1854, sob o comando do comodoro M.C. Perry, Marinha dos Estados Unidos, por ordem do Governo dos Estados Unidos
Várias ilustrações de Macau estão incluídas nos 4 volumes publicados em 1856 com o título "Narrative of the Expedition of an American Squadron to the China Seas and Japan Performed in the years 1852, 1853, and 1854, under the Command of Commodore M. C. Perry".
* o outro foi o fotógrafo de daguerreótipos Eliphalet M. Brown, Jr.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Macau na "Chine" de H. Cordier

Macao est situé par 22° 11' de latitude Nord et III °13' de longitude Est de Paris, sur une péninsule rocheuse dépendant de l'île et du district chinois de Hiang chan, à l'entrée occidentale de la rivière de Canton. Au large, au Sud-Est se trouvent'les îles de Macarera et Typa; le bras de mer qui les sépare de terre est désigné sous le nom de Typa road D, ou de Chap Tze Men (Che tsen men). 
A l'Ouest s'étend l'île de Toui Mien Chan, ou de Patera, désignée aussi sous le nom de Lappa ou de Kong pa; le port intérieur est formé entre cette île et Macao. Au fond de la baie sur la côte de Hiang-chan, s'élève la ville entourée de murailles, Kien chan, désignée par les Portugais sous le nom de Casa Branca. 
La création de Macao par les Portugais qui lui donnèrent le nom de Cidade do nome de Deos de Macao est fixée par les uns à 1549, par d'autres à 1557. 
Depuis 1582, les Portugais payaient aux autorités chinoises une redevance de 500 tels par an qui fut abolie depuis l'assassinat du gouverneur Amaral en 1849. En outre, il y avait une double douane à Macao: l'une chinoise, l'autre portugaise. Aucun vaisseau étranger, en dehors des Portugais et des Espagnols de Manille, n'était autorisé par les Chinois à venir faire le commerce à Macao; les Portugais étaient même obligés de payer pour leurs navires le droit d'ancrage et de mesurage. 
Leur avantage sur les nations étrangères était de n'avoir à payer aux douanes du Céleste Empire que la même taxe que les marchandises chinoises. Le traité duIei décembre 1887 entre la Chine et le Portugal a réglé la situation de Macao qui a perdu son importance commerciale, depuis l'ouverture de Hong Kong. (...)
In Chine vol. 1, pág. 73 - H. Cordier

Henri Cordier (1849-1925) foi linguista, historiador, etnógrafo, autor, editor e orientalistas. Nasceu nos EUA mas mudou-se para França em 1852 onde foi presidente da Société de Géographie em Paris. Em 1869, com apenas 20 anos partiu para Xangai, onde trabalhou num banco inglês em Xangai e publicou artigos em jornais locais. Em 1872, foi nomeado bibliotecário da filial do Norte da China da Royal Asiatic Society. Nesse período, publicou dezenas de artigos no Shanghai Evening Courier, North China Daily News e no Journal of North China Branch da Royal Asiatic Society. 
Em 1876, foi nomeado secretário de um programa do governo chinês para estudantes chineses na Europa. Em Paris, entre 1881 e 1925 foi professor da l'École spéciale des Langues orientales (actual Instituto de Línguas e Civilizações Orientais/ L'Institut national des langues et civilizations orientales. 
Embora não dominasse a língua chinesa catalogou cerca de 70.000 obras sobre a China até 1921. Foi ainda o editor fundador do T'oung Pao, o primeiro jornal internacional de Estudos Chineses e, com Gustaaf Schlegel, ajudou a criar o jornal sinológico T'oung Pao em 1890.
Entre as inúmeras obras que deixou destaco o "Bibliotheca Sinica", cujo primeiro volume foi publicado em 1878.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Foral de Macau

Apesar de os portugueses se terem estabelecido na zona do Sul da China por volta de 1555/7 o Senado (forma de poder local) - só surgiria em 1583. Será a pedido do Senado que a Carta de Privilégios é concedida a Macau a 10 de Abril de 1586 pelo vice-rei da Índia, D. Duarte de Meneses e a ratificação pelo então monarca ibérico, D. Filipe I de Portugal (II de Espanha) ocorre em 1595. 
Macau fica assim com o título de “Povoação do Nome de Deus do Porto de Macau na China”. Nesta mesma data o Vice-Rei D. Duarte de Meneses passou um alvará, dando à Câmara de Macau poderes e faculdades para prover os seus oficiais por triénio e os de Escrivão de Juízes ordinários e dos órfãos em vida, excepto o ofício de Tabelião do público e judicial, por ser de provimento do Rei.
Macau ca. 1640. Desenho da autoria de Vicente Pacia feito na década 1940

D. João IV mandou acrescentar, muito mais tarde, em 1654, o epíteto "Não há outra mais leal", devido à forma como as gentes de Macau enfrentaram o período do domínio espanhol entre 1580 e 1640.
O dístico sobre o arco que dá acesso à escadaria de granito, no átrio do Leal Senado, em Macau, diz o seguinte: "Cidade do Nome de Deus, não há outra mais leal. Em nome d’El- rei nosso senhor Dom João IV mandou o capitão geral d’esta praça João de Souza Pereira pôr este letreiro em fe da muita lealdade que conheceu nos cidadãos d’ella em 1654." 
A partir de 1685, aparece como Nobre Cidade de Macau e, em 1810, a partir do Rio de Janeiro, onde a corte se encontrava exilada, o príncipe D. João (futuro D. João VI) assinou uma carta, concedendo o título de "Leal‟ à Câmara Municipal macaense que, a partir de então, e até à passagem da soberania do território, em 1999, passou a designar-se Leal Senado de Macau.
O documento do foral de Macau encontra-se na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, Códice 247, da Divisão de Documentação Escrita, Secção do Poder Executivo com o título "Foral, Regalias e Privilégios Concedidos à Cidade de Macau, na China, 1596-1756." 
Faz parte da muita documentação levada de Portugal por D. João VI, aquando da transferência da Família Real para o Brasil (Rio de Janeiro) no período entre 1808 e 1821. 

Segue-se um excerto:
Conta este Livro de cento oitenta e seis meias folhas de papel de Holanda, contando desta, até à última em que está outro termo igual a este, todas numeradas, e rubricadas pelo Juiz Ordinário Vicente de Mata e o seu meio sinal que é Mata, para nele se tresladar o foral desta Cidade, regalias, e privilégios que sua Magestade que Deus guarde tem concedido a ela, desde a sua primeira fundação até ao presente, e os mais que adiante lhe conceder, para bem do que fiz este termo em que o dito Senhor se assinou comigo Manuel Pires de Moura Alferes, e Escrivão da Câmara desta Cidade de Macau do Nome de Deus na China aos vinte de Dezembro de mil setecentos e vinte anos. 
[Vicente da Mata] 
Treslado do Alvará de Sua Magestade pelo qual confirma os privilégios da Cidade.

Macau em 1840 por George Edward Madeley (1798-1858)

Eu o Rei faço saber aos que este alvará virem que por alguns respeitos que me a isso movem hei-de por bem de fazer mercê à nova Cidade de Macau nas partes da China de lhe confirmar os privilégios que o Vice-Rei Dom Duarte de Meneses lhe concedeu em meu nome, pelo que mando ao meu Vice-Rei, ou Governador das partes da Índia que agora é, e ao adiante fôr, que cumpram este Alvará como nele se contêm, o qual valerá como carta, e não passará pela Chancelaria, sem embargo das ordenações no 2.o Livro, em contrário, e vai por duas vias, Diogo de Sousa o fez em Lisboa a três de Março de noventa e cinco. Pedro Gomes de Abreu o fez escrever,- Rei- da Silva, faz Vossa Magestade mercê da nova cidade de Macau nas partes da China de lhe confirmar os privilégios que Dom Duarte de Meneses, lhe concedeu em nome de Vossa Magestade, e que este valha como carta, e não passe pela Chancelaria,- Registado Pedro Gomes da Abreu, fica assentado, e pagou nada. Sebastião Dias. Cumpra-se esta Provisão do Rei meu senhor inteiramente como se nela contêm, – Luís da Gama o fez em Goa 10 de Abril 1596: e isto senão entenderá na apresentação do cargo de Juiz dos orfãos sem expressa declaração, e mercê de Sua Magestade, o Vice-Rei – Cumpra-se este alvará do Rei meu senhor como nele se contêm; e isto não se entenderá nos cargos de Juiz, Escrivão dos orfãos, sem expressa provisão, ou ordem de Sua Magestade, e isto para me conformar com uma Instrução sua que trouxe no ano de 96: Luís da Gama o fez em Goa 24: de Abril de 1596: O Conde Vice-Rei. Cumpra-se esta Provisão do Rei nosso senhor como se nela contêm, Nuno de Mendonça- o qual alvará eu João Amado Escrivão da Câmara o subscrevi, e me assinei com os oficiais da mesa aos vinte dias de Outubro de seiscentos e onze. João Amado. 

Senhores 
Diz a Cidade de Macau que o Vice-Rei lhe tem feito merçê dos privilégios de que goza a Cidade de Évora, os quais estão na Câmara desta Cidade. PARA A.V.S. Ms. lhe faça M. mandar-lhes dar o treslado em forma autêntica para o mandar confirmar a Goa. E.R.M. Sý, como pede. Câmara a dez de Março 90. Os Juízes, e Vereadores, e mais Oficiais da Câmara desta Cidade de Santa Cruz de Cochim e &amp. Fazemos saber a todos os Corregedores, Ouvidores, Juízes, Justiças, Oficiais, e Pessoas a que o treslado dos privilégios de que esta Cidade goza for apresentado e o conhecimento dele com direito pertencer, em como a nós foi apresentada a petição atrás escrita da Cidade de Macau, pela qual nos pedia os privilégios concedidos à Cidade de Évora de que esta Cidade goza em forma autêntica, o que visto por nós lhes mandamos passar o treslado dos ditos privilégios assim, e da maneira que nesta Câmara estão e se incorporou neste Livro e é todo o seguinte. 
A quantos esta certidão autorizada por ser a ela E em toda a parte dever de dar crédito virem. O Doutor Dinis Rodrigues Cavaleiro da ordem de Xpõ Juiz de Fora com alçada por o Rei nosso senhor nesta muito nobre, e sempre leal Cidade de Évora, &ª
Rui Dias Cotrim, e Sebastião da Cunha, e Paio Rodrigues de Vila Lobos Fidalgos, e Vereadores em ela, e Rui Nogueira Cavaleiro, e Procurador, fazemos saber que por Fernão Pires morador em a Cidade Santa Cruz de Cochim na Índia como Procurador da dita Cidade nos foi dito, que o dito senhor tem outorgado, e feita merçê à dita Cidade de todos os privilégios, e liberdades, que esta dita Cidade tem, e que a ser desejavam seguir o regimento, e ordenança que se tem na governança dela, pedindo-nos que lhe quiséssemos mandar dar o treslado delas, ou por apontamentos de feição, que fizessem fé o que a dita Cidade tem, e do que se usa, e pratica nela. E visto seu requerimento, e por nos parecer justo lhe mandamos dar o treslado que adiante vai escrito sob nossos sinais, e selo da dita Cidade do que ela tem, e se nela usa; E porque de algumas coisas outras que têm em particular, que não podem servir para outra parte senão somente em a dita Cidade, pareceu escusado. E das que vão são ao adiante escritas. (...)

Nota: Existe na Sociedade de Geografia de Lisboa uma Cópia do livro "Foral de Macau" mandado extrair por João José da Silva, Juiz de Direito da Comarca de Macau, em 1888.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

"Macau vista por dentro": reedição 2020

No próximo dia 10 de Dezembro será realizado no auditório do Instituto Internacional de Macau (IIM) em Macau o lançamento da reedição do livro “Macau Vista por Dentro”.
A edição original é de 1983 e o autor José Joaquim Monteiro (1913-1988), mais conhecido por J. J. Monteiro, o poeta-soldado que chegou a Macau em 1937. 
J. J. Monteiro foi um autor que interpretou em versos a história, a memória, o património, os usos e costumes, as festividades e outras manifestações culturais de Macau.
No lançamento da primeira edição, o Pe. Benjamin Videira Pires descreveu o livro e as poesias do autor como sendo de indiscutível qualidade, nos géneros lírico, épico, humorístico e narrativo. 
Algumas das obras do autor:

“A Minha Viagem para Macau” (1939) 
“A História De Um Soldado” (1940, 1952, 1963 e 1983)
“De Volta a Macau” (1957 e 1983)
“Macau Vista Por Dentro” (1983, 2020) 
 Anedotas, Contos e Lendas, de J. J. Monteiro (1989).

Curiosidade: é autor da letra de uma música intitulada "Cidade de Macau".

Excertos do livro "Macau Vista por Dentro":

"Quanto à bibinca de rábano,
Depois de estar preparada
Fica uma massa compacta
E é-nos servida à talhada…

Faz-se com rábano ou nabo,
Farinha de arroz, presunto,
Cebola, carne de porco
E um pedacinho de unto.

Bicho-bicho são também
Pequenos bolinhos fritos;
Leva sal, farinha e ovos
E açúcar aos quadraditos.

Fula-fula é um bolinho
De arroz seco e amendoim.
Bolo-menino: uma espécie
De bolacha ou coisa assim.

Chá gordo é refeição lauta
Que alguns costumam a dar,
(Passada a hora do chá)
Horas antes do jantar.

domingo, 29 de novembro de 2020

"Hospital Sam Januário"

Em Novembro de 1872, há 148 anos, dava-se início em Macau à construção do "Hospital Sam Januário". Foi uma empreitada ímpar que deixou marcas na paisagem do território como se pode verificar nestas duas imagens que mostram o antes e o depois da construção.

O enorme edifício mais parecia uma palácio do que um hospital. São os próprios arquitectos da época a reconhecer que não era o mais indicado para servir como hospital como se pode verificar no texto que a seguir reproduzo.

Apesar da envergadura da obra a construção demorou apenas cerca de dois anos sendo o hospital inaugurado  em Janeiro de 1874. O projecto é do capitão Henrique A. Dias de Carvalho; e do Barão do Cercal (António Alexandrino de Melo).
A imagem acima é a única que faz parte do artigo. Tem a legenda "Hospital Militar de Macau"

Edifício de utilidade Pública: O Novo Hospital em Macau
São tão poucos os edificios publicos construidos em Portugal neste seculo que apresentem pela sua bem delineada planta aspecto grandioso e agradavel perspectiva e sobretudo offereçam as condições reunidas ás mais apropriadas de sua especial destinação que nos surprehendeu sobremaneira quando recebemos do distincto governador de Macau o ex sr Visconde de S Januario, digno socio da Real Associação dos Architectos e Archeologos Portuguezes, uma photographia tirada d'um hospital militar que por iniciativa e sob a illustrada inspecção de s. exa. foi construido no presento anno n'aquella colonia portugueza.
Examinamos com satisfação o prospecto de tão magnifica fabrica e posto que nos ufanassemos de se haver executado tão longe da metropole um edificio d'esta ordem, (pois alem da sua reconhecida utilidade e merecimento architectonico, faz tambem honra á nação a que pertence e attrahe merecida gloria ao esclarecido promotor d'este grande melhoramento o qual era ha muito reclamado para beneficio da humanidade e credito do governo) parecia-nos quasi impossivel ter se podido executar n'esta epocha tão vasto edificio com as condições essenciaes de bem entendida distribuição de grandioso aspecto assás esbelto notando se lhe sobretudo bastarte novidade na sua geral configuração.
Não é de certo um typo architectonico que possa servir de modelo para estudo d'arte, nem tão pouco ser citado como offerecendo o caracter mais proprio para um hospital, não obstante, não se podem recusar elogios á feliz intelligencia de quem compoz o conjuncto das suas fachadas, muito embora ellas lembrem um pouco as construcções orientaes e ao mesmo tempo apresentem reminiscencia das edificações britannicas, talvez por estar n'aquella região e na proximidade das possessões inglezas, todavia essa construcção mixta foi calculada para produzir agradavel effeito ainda que independente da sua determinada applicação.
Nesta imagem já da década 1940 pode ver-se que os torreões 'desapareceram' e admito que possa ter sido na sequência do tufão de Setembro de 1874.

Sendo pois considerado sob este ponto de vista reconhece-se muito merecimento na sua composição architectonica e tem novidade esta recente construcção. Foi bem entendida a collocação de dispôr em varios pavilhões as suas enfermarias pois não só lhe proporcionou terem mais luz e ar ficando separadas por pateos abertos na sua extremidade opposta evitando a accumulação dos doentes o que está reprovado pela sciencia, mas egualmente facilitou dar se lhe um aspecto mais pittoresco porque a saliencia de seus diversos corpos sobre o prolongamento da fachada produzindo as projecções das sombras sobre ella motiva um agradavel contraste e lhe faz realçar muito mais as divisões principaes do edificio.
No torreão do lado esquerdo estava o relógio

Foi excellente a idea de se aproveitarem os dois torreões das extremidades para se collocarem sobre elles dois mirantes e, com quanto pareça estarem deslocados em um hospital similhantes accessorios, todavia a elevação d esses corpos contribue muito para lhes fazer mais vistosa a fachada do edificio e attrahir a attenção do publico para desfrutar o bello effeito causado pela novidade do conjuncto d'esta construcção.
Felicitamos pois o illmo. sr capitão Dias de Carvalho pela intelligente distribuição do plano assim como receba encomios o exmo. sr barão de Cercal pelo encantador aspecto com que delineou os alçados do hospital de S Januario o que fará sem duvida lembrar com maior reconhecimento aos habitantes de Macau qual a solicitude do esclarecido governador o exmo. sr visconde de S Januario por ter dotado aquella cidade com um tão necessario melhoramento publico.
Achâmos curioso fazer alguns extractos da excellente memoria publicada pelo sr capitão Carvalho em que descreve a distribuição d'este hospital havendo-se inspirado para traçar a sua planta, do afamado hospital de S Raphael da Belgica, e tambem nos dá informações do modo como os operarios chinas executam estas obras. Tanto em relação aos costumes d'aquella região como pela maneira original de se contratarem com elles as construcções n'aquelle paiz.
O edificio tem de extensão 205 covados chinas (75 metros, 37 cent) e de largura 100 covados  (37 metros). No torreão do lado esquerdo está a capella e por cima o observatorio metereologico; no que fica à direita estão as salas de conferencias alojamento do director e o mostrador do relogio. Entre estes dois torreões é o edificio abarracado ficando dividido no centro por um corpo saliente com um andar nobre o qual serve para a sala das sessões, gabinete do director e secretaria, sendo destinado o seu pavimento inferior para o vestibulo da entrada principal, casa da guarda e quarto do porteiro. Os quartos dispostos d'este primeiro plano servem para enfermarias dos officiaes, casa de banhos, pharmacia e arrecadações. Abrem estes quartos para uma extensa galeria do comprimento total do edificio. Na rectaguarda d'esta galeria estão dispostos cinco corpos perpendiculares á fachada do edificio com 24 metros 61 cent de comprimento e de largura 8 metros, 57 cent. D'estes corpos, os tres centraes são para enfermarias de 20 doentes tendo se lhes dado 40 metros de ar para cada pessoa .Todas estas enfermarias têem quartos annexos para banhos, arrecadações e privadas. 
Os dois corpos extremos estão divididos no meio por um corredor, que liga com a galeria, servindo um d'elles para presos doentes, quarto para alienados, sala de operações, arrecadações, cosinha; o outro corpo é destinado para quartos dos officiaes inferiores, enfermeiros, banhos.
Todos os alojamentos teem caixilhos e portas janellas independentes um dos outros para obter sufficiente luz a ventilação. Do edificio, na sua frente principal, ficando elevado d'este lado acima do terreno 6 covados (7 metros 8) poderam aproveitar todo o espaço inferior para servir de armazens havendo junto ao edificio o jardim do hospital que tem a fórma de ferradura occupando area de 1 500 metros quadrados e sendo rodeado por uma espaçosa estrada de 15 metros de largura. Uma balaustrada com 300 metros aformoseia e separa o edificio da estrada do Visconde de S Januario. Despendeu-se com toda a construcção d'esta obra a quantia de 16 000 000 réis, incluindo aqueductos, pontes, pavilhões necessarios para completar esta moderna construcção.
Architecto J. da Silva in Boletim de architectura e de archeologia , nº 3, Lisboa 1874.
Boletim da Província de Macau e Timor, nº 47, 16 Novembro 1872

sábado, 28 de novembro de 2020

Reverendo Charles Robert Hager

A autoria desta fotografia da baía da Praia Grande é atribuída a Charles Robert Hager e foi tirada por volta de 1890-1900. Pode também dar-se o caso de se apenas uma fotografia que ele comprou e que ficaria nos arquivos pessoais sendo-lhe atribuída a autoria.
O Reverendo Dr. Charles Robert Hager (1851-1917), de origem suiça mas nascido nos EUA, foi um dos mais notáveis missionários protestantes na China (cujo pioneiro foi Robert Morrison) no final do século 19 e início do século 20. Foi enviado para Hong Kong em 1883 pelo American Board of Commissioners for Foreign Missions (ABCFM)/Conselho Americano de Comissários para Missões Estrangeiras. 
Hager ficaria conhecido por ter baptizado* o Dr. Sun Yat-sen, o primeiro presidente e fundador da República da China. Foi ainda fundador e o primeiro responsável da Igreja Congregacional da China em Hong Kong.

*Nasceu a 12 de Novembro de 1866 numa família de camponeses na pequena aldeia de Choy Heng (Cuiheng), no distrito de Heong-Sán (Xiangshan, actual Zhongshan), província de Liangguan (Guangdong e Guangxi), situada a cerca de 50 quilómetros a Norte de Macau, sob o nome de Sun Wen Dixiang. O pai trabalhava como alfaiate em Macau tendo regressado à sua aldeia antes do nascimento do filho, segundo o Monsenhor Manuel Teixeira.
Foi quando Sun Wen estudava na Escola Diocesana da Igreja Anglicana em Hong Kong, que foi baptizado pelo missionário protestante Dr. Charles R. Hager tendo recebido o nome de Sun Yat-sen.

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

O "Pagode dos Rochedos"

Auguste-Nicolas Vaillant (1793-1858) foi um oficial da marinha francesa que passou por Macau em 1837 durante uma viagem à volta do mundo. Registou em diário esses dias e dois anos depois publicou as memórias na "Revue des Deux Mondes", em Paris. 
É dessa publicação que retiro um excerto (traduzido) sobre uma visita que Vaillant fez ao templo de A-Ma também conhecido por outras designações: Ma Kok Miu, Templo de T'in Hau, etc...
"Um dos passeios mais agradáveis nos arredores de Macau é ao Pagode dos Rochedos. Acabo de passar lá várias horas. Aí encontramos uma amostra da arquitectura sagrada chinesa que entusiasmou frequentemente os viajantes estrangeiros e que não é desdenhada pelos mais finos conhecedores do Celeste Império. O objectivo a que se propõe a estética chinesa encontra-se aqui atingido com sucesso, já que a obra de arte se combina intimamente com os elementos naturais, pelo que rochas, árvores, pórticos, frisos e telhados esculpidos se enquadram como se fizessem parte da mesma construção. (...)
The Pagoda of the Rocks at Macao. Dore. ca. 1870

O Pagode dos Rochedos é consagrado à deusa Ma-Tsou-Po. Situa-se perto da povoação de Macau sobre uma das colinas da montanha em que termina o península. Cheguei lá através de um caminho que se encontra à saída da cidade e que conduz ao mar. Fica perto de uma aldeia de cabanas de bambu à borda de água. À minha direita, uma vintena de tancás*, paradas perto da margem, pressionam-se umas às outras e as tancareiras chamam à atenção de quem passa com gritos confusos e gestos animados. À minha esquerda, blocos de granito estão revestidos de caracteres gigantescos. Longas bandeiras flutuam nos mastros dos pavilhões. Entre duas rochas bizarras, um pórtico, de uma forma ligeira, desenha sobre um fundo de folhagens as curvas do seu telhado encimado por um junco de porcelana: é a entrada do pagode. 
Entrei e fiquei logo espantado com aquele conjunto original de árvores, de rochas, de quiosques, de telhados sobre os quais a porcelana e o granito representam barcos, cornos de búfalos, caudas de dragões, encimados por globos de várias cores. Admirei as portas e as janelas abertas no meio dos jardins, feitas em muros esculpidos, umas ovais, outras redondas, como se fossem os caixilhos da paisagem. 
Os edifícios do pagode estão construídos sobre a montanha no meio de figueiras, árvores seculares e rochas que se mantêm estranhamente de pé em difíceis equilíbrios. O edifício principal exibe uma grande sala com colunas esculpidas, painéis entalhados, pintados e revestidos de inscrições, lanternas suspensas e, sobre um altar, ao fundo, vê-se a deusa acompanhada de diversas figuras, umas furiosas, de sabre na mão e olhar terrível, outras de longas barbas que se estendem até aos ventres arredondados, sorriso nos lábios e expressão de uma pacífica bondade.
Ilustração incluída na obra All Around the World, ca. 1880

Diante do altar são vários os grandes vasos cheios de uma fina areia em que os fiéis colocam paus perfumados acesos semelhantes aos que utilizam para acender o tabaco dos cachimbos. (...) Tudo respira fantasia, delicadeza, elegância, mas nada mais. Nota-se nas cores, nas esculturas, nos ornamentos, um talento de detalhe e mesmo uma graça original. Os chineses que aqui chegam, sentem-se em casa. Eles sorriem, queimam bilhetes de papel, acendem as varetas perfumadas e tudo está dito. Trata-se, nesta vida regulada, de uma função cumprida como se estivessem a beber chá.
Passei, em seguida, a outra sala em que se encontrava uma grande mesa carregada de peixes cor de rosa, patos, bananas e doces: eram as oferendas dos fiéis aguardando a honra de serem comidas pelos bonzos. No pátio vêem-se vendedores de frutas e legumes, cozinhas suspensas em canas de bambu, numa das extremidades, a fornalha e a marmita, na outra, as provisões. Mais músicos tocando as suas flautas e cornetas ou crianças esfarrapadas a jogarem cartas pelo chão. 
Não pude deixar de admirar o jardim e a paisagem à medida que subia a colina, passeando por entre as árvores e as rochas. Daqui vê-se a a entrada do porto interior, os juncos de guerra com os seus pavilhões coloridos e os juncos comerciais cuja proa tem a forma de cabeça de peixe com dois olhos pintados de cada lado. Mais ao longe, vislumbra-se o pico da Ilha Verde e os cumes graníticos da montanha da ilha de Tuy-Lien.

* tancar/tancá/sampana - pequena embarcação típica da Ásia, de fundo chato, sem quilha, de pouco calado, movida a um ou dois remos, geralmente tripulada por mulheres (tancareiras); para abrigo dos tripulantes a embarcação é parcialmente coberta por um toldo o que em conjunto com a forma da embarcação ganha um formato que se assemelha a um ovo; refira-se que em chinês os dois caracteres - 蜑家 - que formam a palavra significam isso mesmo: ovo-casa ou casa em forma de ovo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

"Selos e outras fórmulas de franquia"

Publicado no Boletim do Governo em Dezembro de 1931 este Aviso da Repartição dos Correios e Telégrafos tornava público que Von Hon Heng, proprietário do restaurante Fat Siu Lau (nº 64 da Rua da Felicidade) estava autorizado "a vender selos e outras fórmulas de franquia".
Mais informações sobre o restaurante neste post.
 

Um "reclame" curioso de 1888

"Reclame
Um indivíduo dos seus quarenta annos, de boa posição tanto social como ollicial, de genio alegre e vivo, gosando de uma reputação a toda a prova, tendo uma renda mensal rasoavel, pretende casar, e deseja para sua companheira uma senhora nova, de família respeitável, em boa posição de fortuna, que seja viva e alegre, que saiba tocar o piano e que não saiba dançar danças de roda nem tão pouco o lanceiro inglez. Quem pretende e está nos casos, dirija se em carta fechada pelo correio, posta restante, com os iniciaes J.P.O.W."
Este "reclame" curioso foi publicado numa edição do jornal O Correio Macaense em 1888.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

The diary of a Russian lady: reminiscences of Barbara Doukhovskoy (2ª parte)

January 13th. 
We went about all day in palanquins, seeing the sights of Macao. Nearly all the streets bear clerical names: "Rua Padre Antonio", "Calçada de bon Jesus", "Travessa de San Agosto". Macao is a very pretty town. The houses are generally not more than one storey high, most of them painted blue, pink, or yellow, with green shutters, and terraces instead of roofs, all having overhanging balconies reaching out to one another in friendly wise across the narrow streets, which swarm with Chinamen, who, contrary to their fellow-countrymen in Canton, look very peaceful. One of the particular features of the streets of Macao is the abundance of Portuguese priests, wearing long black beards, and women enveloped from head to foot in black mantillas. The natives of Macao are not attractive-looking. They are a race of half-castes - Portuguese father and Chinese mother, resembling orang-outangs, with their prominent jaws.
Fun suggested that we should visit a silk manufactory, where about six-hundred Chinese women were employed. Their Superintendent, a fat Portuguese dame, with a cigarette between her lips, forbad our gentlemen to pass before the rows of workwomen. After showing us through a dozen rooms, Fun brought us into a large hall where numbers of Chinese coolies, in Adam-like dress except the rag-vine-leaf, were occupied in boiling silk cocoons.
We were carried from the manufactory to the frontier of Macao and China. Our porters clambered up the stony ladder-staircases bearing the name of streets, which are all two yards broad, veritable corridors paved with sharp stones, with grass growing between them. We passed through the Chinese quarters of the town, where all the fronts of the houses have recesses containing grotesque-looking idols with twisted legs, the gods of prosperity, before which incenses are burnt.
Here we are on the frontier called "Porta Portuguese" Chinese soldiers guard the boundary. After having set foot on Chinese ground, we were carried back to Macao by a winding staircase-like path, and passed before the grotto of Luis Camoens, the celebrated Portuguese poet of the sixteenth century, exiled in the year 1556 for his daring liberal ideas. The great poet, who had been shipwrecked in these inhospitable seas, gained the shore of this newly-founded Portuguese colony, and took refuge in a grotto situated in a chaotic assemblage of rocks, in the hollow of a dale, where a monument has been erected to his memory. The site is
desolate and wild, looking upon the Chinese Empire and the ocean, where there is no land before the icy polar regions. Camoens lamented here his life of exile, and glorified his country in verse. By the side of the monument, on a large stone, a book is sculptured in the rock, bearing the names of all the works of the great poet. 
Before returning to the hotel, we went to a Chinese photographer to have our group taken in palanquins. Our carriers were quite amusingly afraid of the aparatus, it being against the teaching of their religion to have their pictures taken, especially together with white-faced men. They paused, undecided what to do, to fly or to remain, and the next moment they suddenly disappeared; look where we would, we could in no manner discover them, and had our group taken sitting in palanquins placed on the ground.
Macao is a sort of Monte Carlo of the East, where the principal industry is play. All the numerous gambling saloons are kept by Chinamen. After dinner Fun took us to one of these play-houses, where a risky game named "fantan" goes on. We sat over the gambling tables on the top of a gallery where the game is carried on also. Our gambling neighbours put their stakes into a basket which was dropped down into the hall by the means of a long cord. We saw a venerable white-bearded Chinese croupier take a handful of counters which he placed on the middle of the table and began to count them with a long rod. I also tried my fortune and lost a dollar. Things are done here very unceremoniously; our croupier feeling hot, undressed and remained almost without clothes!
I wanted very much to see opium-smokers, and Fun led us by a queer old back-street to a bamboo barrack where a score of half-naked Chinamen lay on the floor in different stages of intoxication produced by the effect of opium, with ghastly smiles, their faces expressing the ecstatic delight of extraordinary bliss; the "haschish" carrying them away into paradisaical dreams. Beside each smoker a small cocoa-oil lamp was burning, to light their long pipes saturated with opium. After two or three puffs, the smokers fell into ecstacies, and swoon away showing the white of the eyes and looking altogether horrible. The smoke in the room blinded me and my head swam from the nasty smell of the opium.

13 de Janeiro
Passamos o dia todo em palanquins, vendo os pontos turísticos de Macau. Quase todas as ruas têm nomes clericais: "Rua Padre Antonio", "Calçada de Bom Jesus", "Travessa de San Agosto". Macau é uma cidade muito bonita. As casas geralmente não têm mais de um piso, a maioria delas é pintado de azul, rosa ou amarelo, com venezianas verdes e terraços em vez de telhados, todos com varandas pendentes que se estendem entre si de forma amigável através das ruas estreitas, que fervilham de chineses que, ao contrário de seus compatriotas em Cantão, parecem muito pacíficos. Uma das particularidades das ruas de Macau é a abundância de padres portugueses, com longas barbas negras, e mulheres envolvidas da cabeça aos pés em mantilhas pretas. Os naturais de Macau não têm uma aparência atraente. Eles são uma raça de mestiços - pai português e mãe chinesa, parecidos com orangotangos, com mandíbulas proeminentes. Fun sugeriu que visitássemos uma fábrica de seda, onde trabalhavam cerca de seiscentas mulheres chinesas. A encarregada, uma senhora portuguesa gorda, com um cigarro entre os lábios, proibiu os homens de passarem frente às trabalhadoras. Depois de nos mostrar uma dúzia de divisões, Fun nos levou a um grande salão onde vários cules chineses, em trajes parecidos com os de Adão, excepto a folha de trepadeira, estavam ocupados em casulos de seda fervente.
Fomos transportados da fábrica para a fronteira com a China. Quem nos transportava fê-lo por escadas de pedra que levam o nome de ruas, todas com dois metros de largura, verdadeiros corredores pavimentados com pedras afiadas, com erva crescendo entre elas. Passamos pelos bairros chineses da cidade, onde todas as fachadas das casas têm reentrâncias contendo ídolos de aspecto grotesco com pernas retorcidas, os deuses da prosperidade, diante dos quais incensos são queimados. 
Aqui estamos nós na fronteira chamada "Porta Portuguesa" (Porta do Cerco). Soldados chineses guardam a fronteira. Depois de pisar em solo chinês, fomos transportados de volta a Macau por um caminho sinuoso em forma de escada e passamos perante a gruta de Luís Camões, o célebre poeta português do século XVI, exilado no ano de 1556 pelas suas ousadas ideias liberais. O grande poeta, que naufragou nestes mares inóspitos, chegou às margens desta recém-fundada colónia portuguesa, e refugiou-se numa gruta situada num caótico aglomerado de rochas, na cavidade de um vale, onde está um monumento erguido em sua memória. O local é desolado e selvagem, olhando para o Império Chinês e o oceano, onde não há terra antes das regiões polares geladas. Camões lamentou aqui sua vida de exílio e glorificou o seu país em versos. Ao lado do monumento, sobre uma grande pedra, está esculpido um livro na rocha, com os nomes de todas as obras do grande poeta.
Antes de regressar ao hotel, fomos a um fotógrafo chinês para fazermos uma fotografia de grupo com os palanquins. Os nossos carregadores tinham medo do aparelho, sendo contra a sua religião tirar fotos, especialmente ao lado de homens brancos. Eles pararam, indecisos sobre o que fazer, sair ou permanecer, e de repente desapareceram; procurámos por todo o lado e nada pelo que nos sentámos no chão junto aos palanquins.
Macau é uma espécie de Monte Carlo do Oriente, onde o jogo é a principal indústria. Todos os numerosos salões de jogos são mantidos por chineses. Depois do jantar, Fun levou-nos a uma dessas casas, onde acontece um jogo arriscado chamado "fantan". Sentámo-nos numa mesa e ao nosso lado apostadores colocaram as suas apostas numa cesta que foi içada  com recurso a uma longa corda. Vimos um venerável crupier chinês de barba branca pegar um punhado de contadores que colocou no meio da mesa e começou a contá-los com uma longa vara. Também tentei minha fortuna e perdi um dólar. Aqui é tudo informal; o crupier sentindo calor, despiu-se e ficou quase sem roupa!
Queria muito ver fumadores de ópio, e Fun conduziu-nos por uma estranha rua secundária até um barracão de bambu onde vinte chineses semi-nus jaziam no chão em diferentes estágios de intoxicação produzida pelo efeito do ópio, com sorrisos medonhos, seus rostos expressando o deleite extáctico de uma felicidade extraordinária; o "haxixe" levando-os para sonhos paradisíacos. Ao lado de cada fumador, uma pequena lamparina de óleo de cacau estava acesa, para acender seus longos cachimbos saturados de ópio. Depois de duas ou três inalações, os fumadores caíram em êxtase e desmaiaram, mostrando o branco dos olhos e parecendo totalmente horríveis. A fumaça na sala cegou-me e a minha cabeça girou com o cheiro nojento do ópio.
January 14th. 
Today we visited the seminary of San Paulo, built by the Jesuits. When we entered the cathedral, a young Irish monk, in the brown habit of the Franciscan order, girded with a thick cord, came towards us, breviary in hand, clinking his sandals on the flag-stones. He took my husband and his companions to show them over the seminary; he said that ladies are not admitted within the walls of the seminary, and I had to remain in the cathedral with Maria Michaelovna. We went over the church and read all the inscriptions, after which we became a little bored and were pleased when our gentlemen came back, accompanied this time by the prior of the seminary, a grey-bearded Portuguese padre, round-faced and benevolent, who happened to be less Puritan than his young colleague, and invited me to come and drink a glass of Malaga in the refectory, but I refused point-blank this time.
We were back at the hotel just in time for the table d'hdte. After dinner we went to the pier, where we admired the phosphorescence of the sea, produced by the myriads of animalcules with which the ocean is infested at certain periods. The evening was fine and the air very mild.
When we passed before the Governor's abode, a sort of pavilion surrounded by a small garden named "Villa Flora" we seated ourselves on a broad stone parapet and listened to the band playing in the "patio" of the villa. How jolly it was to throw etiquette to the winds, and feel like simple mortals! 

14 de Janeiro
Hoje visitámos o seminário de São Paulo, construído pelos Jesuítas. Quando entramos na catedral, um jovem monge irlandês, com o hábito marrom da ordem franciscana, cingido por uma corda grossa, veio em nossa direcção, breviário na mão, batendo as sandálias nas pedras. Levou o meu marido e seus companheiros para mostrar-lhes o seminário; segundo eles disse as senhoras não são admitidas dentro das paredes do seminário, e eu tive que permanecer na catedral com Maria Michaelovna. Fomos até a igreja e lemos todas as inscrições e já estávamos a ficar aborrecidas quando quando os nossos homens voltaram, desta vez acompanhados pelo prior do seminário, um padre português de barba grisalha, rosto redondo e benevolente, que por acaso era menos puritano do que seu jovem colega, e me convidou para ir beber um copo no refeitório, mas recusei à queima-roupa desta vez. Voltamos ao hotel bem a tempo do jantar. Depois da refeição fomos ao cais, onde pudemos admirar a fosforescência do mar, produzida pelas miríades de animais com que o oceano é infestado em determinados períodos. A noite estava boa e o ar muito ameno. Quando passamos diante da residência do Governador, uma espécie de pavilhão rodeado por um pequeno jardim chamado "Villa Flora", sentámo-nos num amplo parapeito de pedra e avistámos a banda que tocava no "pátio" da vila. Foi tão bom abdicarmos das regras de etiqueta e sentir-mo-nos como simples mortais!

January 15th. 
This afternoon my husband called upon the Governor, who returned his visit an hour later; as to me, I exchanged visiting-cards with his wife. 

15 de Janeiro. 
Esta tarde o meu marido visitou o governador, que retribuiu a visita uma hora depois; quanto a mim, troquei cartões de visita com a esposa do governador.

January 16th. 
This morning we left for Hong-Kong on the boat Scha. Our steamer tugged a barge loaded with cases of opium, for the sum of forty thousand Mexican dollars. The cargo will be transhipped afterwards on to another boat bound for the Sandwich Islands and San Francisco. Our steamer is escorted by a detachment of Portuguese soldiers. After three hours' sail we arrived at Hong-Kong."

Esta manhã partimos para Hong-Kong no barco Scha. O nosso navio puxou uma barcaça carregada de caixas de ópio, no valor de quarenta mil dólares mexicanos. A carga será posteriormente transbordada para outro barco com destino às Ilhas Sandwich e São Francisco. O nosso navio é escoltado por um destacamento de soldados portugueses. Após três horas de navegação, chegamos a Hong-Kong. 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

The diary of a Russian lady: reminiscences of Barbara Doukhovskoy (1ª parte)

The Diary of a Russian Lady - Reminiscenses of Barbara Doukhovskoy (nee Princesse Galitzine)
Lived through but not forgotten 
London, John Long Limited, 1917

"Diário de uma Senhora russa - Reminiscências de Barbara Doukhovskoy (princesa Galitzine)" é a tradução do título deste livro publicado em Londres em 1917. 

Barbara Fedorovna (1854-1913) era filha do Príncipe Theodore Galitzine. Casou a 11 de Abril de 1876 com Serge(i) Mikhailovich Doukhovskoy, um militar (general) e alto cargo político, chegando a ser governador-geral de uma região da Sibéria.
O diário relata a vida antes e depois do casamento, incluindo várias viagens, nomeadamente à Europa (Exposição Mundial de Paris em 1900), América, Japão, etc. 
Para o livro partes do diário - termina com a morte do marido - foram editadas. Tem anotações por dia e mês mas o ano não é fornecido, deduzindo-se a partir de alguns factos.
Barbara e Sergei viveram em Tashkent, a "Paris da Ásia central" (quarta maior cidade russa na época, depois de Moscovo, S. Petersburgo e Kiev), actual Toshkent, no Uzbequistão, não muito longe da China.
Em 1899, durante uma licença de 8 meses do marido, Sergei, os dois viajam pela Ásia. Partem de Vladivostok em Dezembro, primeiro em direcção ao Japão (Nagasaki), depois Shangai, Hong Kong, Cantão e Macau onde passam quatro dias de Janeiro.
No prefácio, assinado por Constantin Sloutchevsky, um dos poetas russos mais famosos do final do século 19 explica-se que o diário foi escrito nunca a pensar numa edição em livro. "As circunstâncias colocaram a autora no centro de eventos notáveis. Permanecendo fiel ao princípio de não interferir nos negócios do marido, ela se torna, no entanto, a contragosto, a espectadora de factos particularmente interessantes: a guerra, a sociedade russa do final do século 19, a vida exótica nas colónias estrangeiras e as paisagens da Rússia remota como a as regiões do rio Amour na Sibéria Oriental."
Constantin, que era amigo do marido de Bárbara, realça ainda "o talento inato da autora, a sua educação, capacidade de observação" e adianta que algumas partes do diário foram publicadas - sob o título "Fragmentos do diário de uma mulher russa em Erzeroum" - em jornais russos, mas nunca na totalidade. A autora aceitou publicar o livro na condição das receitas servirem fins de caridade.

Excertos (original e tradução ) relativos à estadia em Macau - páginas 468 a 471 - tendo ficado hospedados no hotel Hing Kee:

January 11th.
This morning we took our passage to Macao on an English steamer named The White Cloud. I turned my back to Canton with great pleasure. I think China is a frightful country and wish I had never set foot in it. After eight hours of crossing, the Portuguese peninsula came to view. We saw about a  hundred cannons on the high forts, protecting Macao from the side of the sea. Two hundred years have gone by since the shores of Macao, the oldest European Colony in the Orient, were first visited by Europeans; in 1720* the Portuguese landed and took possession of it in the name of their Sovereign. The front of the town bears the inscription in Portuguese: Cita de no me de Dios, nas ha outra mas leal. (City in the name of God, there does not exist a more loyal one.)
On the quay men besieged us with their cards and prospectuses, each of them trying to lead us into the hotel that they were charged to represent. We took a Chinese interpreter called Fun, who spoke a few words of English, and promised to show us all the sights of Macao. He took us to the Hotel Hing-Kee, standing on the marine esplanade called "Praia-Grande", here a military band plays every evening. The hotel is built Portuguese fashion, with a gallery running around the four sides of the "patio" leading into the various rooms. The gallery is divided in several parts by wooden partitions communicating by doors which we opened, appropriating thus the whole gallery. Outside the air is mild, but it is very cold indoors; we were obliged to have a fire. In front of our hotel a boat, belonging to the Portuguese Customs, is moored; the opposite shore belongs to China.
Hotel Hing Kee na Praia Grande. Imagem não incluída no livro

11 de Janeiro. 
Esta manhã fizemos a viagem até Macau num navio inglês chamado The White Cloud. Virei as costas a Cantão com grande prazer. Acho que a China é um país terrível e gostaria de nunca lá ter posto os pés. Após oito horas de navegação, a península portuguesa apareceu. Vimos cerca de uma centena de canhões nos fortes altos, protegendo Macau do lado do mar. Já se passaram duzentos anos desde que a costa de Macau, a mais antiga colónia europeia no Oriente, foi visitada pela primeira vez por europeus; em 1720 os portugueses desembarcaram e tomaram posse dela em nome do seu soberano. A fachada da vila apresenta a inscrição em português: Cidade do Nome de Deos, não há outra mas leal
No cais, vários homens aproximaram-se de nós com os seus cartões e folhetos, cada um tentando nos levar ao hotel que deveriam estar a representar. Optámos por um intérprete chinês chamado Fun, que falava algumas palavras em inglês e prometia nos mostrar todas as atracções de Macau. Levou-nos para o Hotel Hing-Kee, na esplanada marítima chamada "Praia-Grande" e onde uma banda militar toca todas as noites. O hotel foi construído à moda portuguesa, com uma galeria a percorrer os quatro lados do "pátio" que conduz às várias salas. A galeria está dividida em várias partes por divisórias de madeira que comunicam por portas que abrimos, apropriando-se assim de toda a galeria. Lá fora o ar é ameno, mas dentro faz muito frio; fomos obrigados a fazer uma fogueira. Em frente ao nosso hotel está atracado um barco da alfândega portuguesa; a margem oposta pertence à China.

* data errada; a chegada dos portugueses a Macau remonta aos primeiros anos do século 16 e o 'estabelecimento' desde 1557.
Continua...

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Plano del rio el qual se navegan con embarcaciones menores entre Macao y Canton

Este "Plano del rio el qual se navegan con embarcaciones menores entre Macao y Canton" é um mapa manuscrito datado de 1792 e faz do espólio da Biblioteca Nacional de Portugal.
"levantada por Manuel de Agote, primer sobrecarga de la Rl. Cª. de Filipinas ded. a M. D'Guignes por su Magestade Christianissima y corresponsavel de la Academia de Ciencias de Paris em Canton y Macao. 1792".
O mapa tem 163 x 83 cm e é da autoria de Manuel de Agote y Bonechea (1755-1803). Andou pela região entre 1787 e 1796 enquanto responsável máximo pela Real Companhia das Filipinas.
Na "Advertência" incluem-se as coordenadas da latitude de Macau 22º 12' 44, valor muito próximo da actual era do GPS: 22° 09' 48.30'' N

domingo, 22 de novembro de 2020

Cabo Submarino: do telegráfico ao ótico

Actualmente é através de um cabo submarino - fibra óptica - que Macau está ligado ao mundo ao nível das telecomunicações. Mas já em meados no século 19 essa ligação foi começada, na altura ao serviço da telegrafia: "cabo telegraphico subamarino". 
Anúncio de 1874
1870
1 Agosto - Jules Despecher propõe o lançamento e exploração de um cabo telegráfico submarino entre Macau e Hong Kong.
1880
Abril - Contrato entre o Governo de Macau e a Eastern Extension, Australasia China Telegraph Company (fundada em 1873) para ligação do território a Hong Kong através de cabo telegráfico submarino.
1884
13 Fevereiro - Lançamento do cabo telegráfico submarino da Eastern Extension, Australasia China Telegraph Company, entre Hong Kong e Macau, pelo navio Sherard Osborn, concluído em 17 do mesmo mês. O sistema é constituído por um condutor de cobre coberto por gutta percha, numa extensão de 35 milhas náuticas (65 quilómetros).
14 Março - Contrato entre o Governo português e a companhia Eastern Extension Australasia and China Telegraph Company, Ltd. para o lançamento de um cabo telegráfico submarino entre Macau a Hong Kong, "ligando- se n’esta última cidade com a rede geral telegraphica submarina. A companhia obriga-se a estabelecer um outro cabo telegráfico entre Macau e a ilha de Taipa".
Pelo Boletim da Província nº 25 de 21 de Junho de 1884, ficamos a saber que o Governo está autorizado a contratar com a Eastern Extension Australasia and China Companhy a colocação e exploração de um cabo telegráfico submarino entre Macau e Hong Kong (prazo de 40 anos), ligando-se nesta última cidade com a rede geral telegráfica submarina. Previa-se ainda a colocação de outro cabo entre Macau e Taipa.
1885
Entrada em funcionamento de novos cabos telegráficos submarinos: Carcavelos a Vigo, em Espanha; Moçambique (designação do território que compreendia uma área próxima das atuais províncias de Sofala e Manica do Estado moçambicano) a Zanzibar (Arquipélago ao largo da costa da Tanzânia); Moçambique a Lourenço Marques; Lourenço Marques a Durban, na África do Sul e Macau a Hong Kong.
1894
5 Junho - Colocação do cabo telegráfico submarino entre a cidade de Macau e a ilha de Taipa.
Repartição do Cabo Submarino em Macau.
Foto de Man Fook no final do século XIX. Arquivo IICT

Directório de 1912: Eastern Extension Australasia and China Telegraph Co.
no nº 9 da praia Grande

1922
8 Novembro - Novo contrato entre o Governo português, através do Ministério das Colónias, e a Marconi’s Wireless Telegraphy Company conferindo-lhe o exclusivo da instalação e exploração de uma rede telegráfica entre a Metrópole e os Açores, Madeira, Cabo Verde, Angola, Moçambique,
S. Tomé e Príncipe, com possível extensão a Macau, Estado Português da Índia e Timor. Por este contrato, que só começou a ter execução prática a partir de 1926, e após a constituição da CPRM em 1925, a companhia portuguesa alarga a exploração da TSF a todo o império colonial. Em 1966, é renovado o contrato de concessão e aquela companhia passará a deter o monopólio da exploração de cabos submarinos.
Repartição do Cabo Submarino junto à Calçada da Paz e a Travessa do Bom Jesus
(a caminho da Penha)

1981
20 Agosto - Assinatura de um contrato de concessão, atribuindo à Cable and Wireless a exploração do serviço público de telecomunicações
1999
Entra em funcionamento o sistema de cabos óticos submarinos SEA-ME-WE com um comprimento total de 39.000 quilómetros de que a CPRM – Companhia Portuguesa Rádio Marconi foi co-proprietária, ligando a Alemanha, Portugal (Sesimbra), Macau (que assim passou a ter acesso direto à rede internacional de cabo submarino), Austrália e Japão. Países onde amarram os cabos do sistema, por ordem alfabética: Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Bélgica, Brunei, China-República Popular, Chipre, Coreia do Sul, Djibouti, Egito, Emiratos Árabes Unidos, Filipinas, França, Grã-Bretanha, Grécia, Hong Kong, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Macau, Malásia, Marrocos, Myanmar, Omã, Paquistão, Singapura, Sri Lanka, Tailândia, Turquia e Vietname.

sábado, 21 de novembro de 2020

GPM Novembro 1956: curiosidades

Douglas Steane, vencedor do GPM de 1956, ao volante do Mercedes-Benz Type 190 SL Touring Cart com o número 6 e Walter Sulke, o representante da marca em Hong Kong. 
O protótipo desde modelo - 1900 cc / 105 cv / 4 cilindros / gasolina - foi apresentado publicamente em 1954 e a produção em série começou em 1955.
Depois do segundo lugar na prova do ano anterior, Doug, sargento do exército britânico estacionado em Hong Kong, ficou em primeiro na 3ª edição do GPM ao fazer 77 voltas em 5 horas e 24 minutos.
A vantagem do Mercedes 190 SL foi de tal ordem que à 34ª volta já tinha duas voltas de avanço sobre o Ferrari Mondial. Nessa volta o Mercedes chegou a sofrer um acidente junto ao Quartel de S. Francisco, foi reparado e reentrou em pista com uma volta de avanço sobre o Ferrari.
Para a corrida de domingo - um dia de chuva - num total de 18 carros, ocuparam os primeiros lugares da grelha os seguintes pilotos tendo em conta os tempos obtidos no dia anterior: Mercedes 190SL de Douglas Steane n.º 6 (3m 46s), Ferrari Mondial de Mário Lopes da Costa, n.º 16 (3m 49s) - ficou em 2º - e Austin Healey M. de Robert Ritchie n. 21 (3m 52s).

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

"China Station" - Revista Autosport Dezembro 1957

A propósito da 67ª edição do Grande Prémio de Macau que se realiza este fim de semana...
Edição de 6 de Dezembro de 1957 da revista britânica Autosport com destaque de capa para a 4ª edição do Grande Prémio de Macau.
 "China Station - Mercedes Benz 300 SL wins fourth Macau Grand Prix".
George Baker ao volante de um Ferrari 500 Mondial Spyder Scaglietti series II garantiu a polepsotion mas o vencedor em 1957 foi o britânico Arthur Pateman. No ano anterior o lugar mais alto do pódio foi também de um Mercedes, o 190 SL, pilotado por Douglas Steane. Amanhã publico um post sobre essa edição.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Resultados do Passatempo 12º Aniversário

Agradecendo desde já a participação de todos, apresento a lista dos 12 vencedores do passatempo do 12º aniversário. Em breve vão receber em casa um livro sobre a história de Macau.
"Blogue Macau Antigo é um novo ar fresco ma literatura e na divulgação de Macau que já foi português."
Arnaldo Teixeira Santos

"O blogue Macau Antigo traz recordações a todos os que já passaram e viveram por Macau, trazendo-lhes muitos sentimentos desses tempos."
Pedro Miguel Tavares de Oliveira

"É bom contar com uma página que todos os dias nos conta algo de novo, interessante e até deslumbrante sobre um lugar mágico que une ocidente e oriente, passado e futuro, como é Macau".
Marco Paulo Dias Luís

"Um blogue 'à altura' da história multi-secular de Macau."
Idalina Silva

"Uma forma inovadora de 'ensinar' história"
Fernando Santos

"Ficar a saber todos os dias um pedaço da história de Macau é uma maravilha."
Helena Sampaio

"Um blogue que diariamente tem novidades e se mantém activo ao fim de 12 anos de actividade só pode ter qualidade. Neste caso, muita!"
Manuel Afonso

"Há um provérbio chinês que diz que para se compreender o presente é preciso entender o passado. Este blogue faz jus à máxima."
Cristina Norberto

"Sem saudosismos bacocos e com muita seriedade assim se 'faz' um blogue há 12 anos."
Vítor Pereira

"Eis um blogue à altura de uma história única no mundo."
Emanuel Crespo

"Tanto e tão bom... nem sempre é fácil mas até agora o blogue Macau Antigo não me desiludiu, antes pelo contrário."
Ana Marta

"Entusiasmo e determinação é que sinto nos 12 anos de leitura deste projecto que bem merecia mais apoios das instituições com responsabilidades na divulgação da história de Macau."
Cláudio Amaral