Mostrar mensagens com a etiqueta escolas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta escolas. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Fotografia rara de Jack Braga no Seminário de S. José

Jack Braga com seminaristas e padres do Seminário de S. José ca. 1927

As ligações do historiador e erudito luso-descendente José Maria Braga (1897-1988) - conhecido como Jack Braga ao Seminário de São José em Macau são profundas e marcaram o início do seu percurso como um dos maiores investigadores da história da presença portuguesa no Extremo Oriente.
Após a sua família se reinstalar em Macau vinda de Hong Kong no início dos anos 20, José Maria Braga ingressou no corpo docente do Seminário. 
Foi durante vários anos como professor de Inglês, Literatura Inglesa e Inglês Comercial.Impacto na diáspora: Os seus alunos eram jovens macaenses que, graças a esta formação prática em inglês, viriam a alimentar as redes comerciais e a diáspora de Macau para cidades como Hong Kong, Xangai e Cantão.
Foi precisamente nos corredores do Seminário de São José que Jack Braga despertou e consolidou a sua paixão pela investigação documental e história.
Na altura em que Braga ensinava no Seminário, o principal historiador de Macau em actividade era o Padre Régis Gervaix, que ali leccionava francês. Quando Gervaix partiu para a Universidade de Pequim em 1925, Braga assumiu informalmente o testemunho da investigação histórica local.
O Seminário e o seu espólio serviram de inspiração para os seus estudos focados na Companhia de Jesus e no Padroado Português no Oriente. Importa ainda referir que quando o jovem Manuel Teixeira chegou a Macau em 1924, com apenas 12 anos*, para ingressar no seminário, encontrou Jack Braga como seu professor. Refiro-me a Monsenhor Manuel Teixeira que considerou Jack, a par de Charles Boxer, como um dos dois maiores historiadores de Macau.
* estará o ainda menino Manuel Teixeira na fotografia de grupo?

Jack Braga na década 1920

Aquando da morte de Jack Braga em 1988 o padre Manuel Teixeira escreveu no jornal Gazeta Macaense:
"Acaba de falecer em San Francisco, EUA, com 90 anos de idade, este nosso velho amigo. Digo «velho amigo», porque a nossa amizade nunca foi ensombrada durante 64 anos.
Quando chegámos a Macau em 1924, era ele um jovem professor de 28 anos no Seminário de S. José, onde ensinava Inglês e Literatura inglesa.
O único historiador que então florescia era o Pe. Régis Gervaix, nosso professor de Francês, no mesmo Seminário onde leccionava Braga. Mas Gervaix foi convidado pelo Governo Chinês para professor de Literatura francesa na Universidade de Pequim, para onde partiu em 1925.
Jack Braga, que já desde 1920 se interessava pela história de Macau, retomou a bandeira nas suas mãos e ergueu-a triunfante. Durante uma dezena de anos, foi ele o grande historiador desta terra, como o Pe. Gervaix desde 1916. Os seus trabalhos, publicados em Inglês, tornaram Macau muito conhecido no estrangeiro.
Havia outro grande historiador: era Montalto de Jesus, que já em 1902 publicara a sua obra magistral «Historic Macao», que se esgotou rapidamente. Foi Jack Braga que o levou a publicar uma 2a edição e tratou de todos os arranjos; mas, quando esta saiu em 1926, caiu o Carmo e a Trindade; o livro foi queimado junto ao Tanque do Mainato e o seu autor condenado pelo Tribunal, vindo a morrer na miséria. Ainda espera a sua reabilitação. Ficou de pé apenas Jack Braga.
Jack Braga e Boxer completavam-se. Ambos produziram muitíssimo. Braga bem merecia uma condecoração do Governo, que eu propûs várias vezes, mas sem efeito.
Macau tem ainda uma dívida em aberto para com estes seus dois filhos, Montalto e Braga, grandes historiadores da sua terra.
Até quando?"
Igreja do Seminário de S. José
Ilustrações criadas por IA a partir de postais ilustrados
Nota 1:
Jack foi agraciado a título póstumo por Portugal com o grau de Grande Oficial de Ordem de Infante D. Henrique. Inglaterra condecorou-o em 1950 com o título de "Chevalier of the Order of Saint James of the Sward".

Nota 2: Na foto de grupo pode ainda ver-se sentado ao centro Pedro José Lobo (1892-1965)  que chegou a Macau oriundo de Timor em 1901 com apenas 9 anos; e na ponta do lado direito António André Ngan Im Ieoc (1907-1982), ordenado sacerdote em 1931vindo a ser o primeiro padre de origem chinesa a assumir os cargos de vigário-geral e governador do Bispado na Diocese de Macau.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

120 anos dos Salesianos em Macau

Este ano assinala-se o 120.º aniversário* da chegada dos Salesianos a Macau. A primeira expedição salesiana a chegar a Macau, em Fevereiro de 1906, era composta por seis pioneiros que lançaram as bases da obra de Dom Bosco na região. O grupo era liderado pelo Padre Luís Versiglia (director da missão) e incluía os padres Ludovico Olive e João Fergnani. Acompanhavam-nos três irmãos coadjutores, especialistas em artes e ofícios, que seriam essenciais para o ensino técnico: Feliz Borsio, Luís Carmagnola e Gaudêncio Rota. Juntos, estes seis missionários iniciaram o trabalho no Orfanato da Imaculada Conceição.
A iniciativa pertenceu ao Bispo de Macau, Dom João Paulino de Azevedo e Castro, que buscava apoio especializado para a educação e formação profissional de jovens carenciados e órfãos no território.

O Pe. Joaquim Taveira da Fonseca foi um desses salesianos já na década de 1970 e é o protagonista do artigo (texto) da autoria de Raquel Fragata publicado no Boletim Salesiano n.º 614 de Março/Abril de 2026. Suplemento 150 anos das Missões Salesianas - "1906, Macau, a primeira casa na China" que a seguir se reproduz:
Foram quatro frutuosos anos que o Pe. Joaquim Taveira da Fonseca trabalhou em Macau. Tinha regressado de Moçambique em 1975, onde serviu como Capelão Militar do Exército Português no período de transição para a Independência após o 25 de Abril, quando – depois de dois anos no Colégio dos Órfãos do Porto como diretor –, vai para Mogofores para completar o Curso de Matemática na Universidade de Coimbra. É o Provincial, Pe. José Maria Ferreira Maio, que o envia a seguir para Macau, onde fica como vice-diretor, professor de Matemática no Colégio Dom Bosco e professor de Filosofia na Escola Comercial de Macau, para portugueses.
Conheceu o Padre Gaetano Nicosia, o salesiano que humanizou a colónia de doentes de lepra na ilha de Coloane**. Do missionário salesiano, cujo processo de beatificação começou em 2025, o Pe. Taveira recorda “um asceta”. Diariamente, o Pe. Nicosia atendia a duas obras a seu cargo: a leprosaria em Coloane e uma creche perto do Porto de Macau. “Fiquei a saber que não comia. Não tinha tempo.” O Padre Taveira tentava fazê-lo passar pela comunidade salesiana, a pretexto de se querer confessar, e recebia-o com leite ou chá e uma sanduíche. “Um confessor fabuloso. Um homem de Deus. De uma dedicação, entrega e simplicidade absolutas”.
Nesses anos o Pe. Joaquim Taveira colabora também com uma coluna de opinião e a secção de Religião com “O Clarim”, o jornal de língua portuguesa mais antigo de Macau e ainda em circulação. O convite foi feito por D. Arquimínio Rodrigues da Costa, o último Bispo português de Macau, natural dos Açores, da ilha do Faial. Era diretor o Padre Manuel da Fonseca Moreira.
Nos quatro anos de missão, visitou Taiwan, a China, as Filipinas e o Japão. Regressou a seu pedido, devido ao estado de saúde do Pai. Antes da partida um grupo de mais de 50 amigos organizou um jantar surpresa de despedida e de agradecimento.
Leprosaria de Ka-Ho ca. 1960
Transcrição (da direita para a esquerda)
Linha superior:
典學開校學罪原無門澳日二月四年六零九一
Cerimónia de abertura da Escola da Imaculada Conceição de Macau, 2 de Abril de 1906.
Linha inferior:
照合生學與父神賀父神雷教主鮑門澳禮
Fotografia dos alunos com o Padre Horta, Padre Lei, o Bispo de Macau Dom João Paulino e outros.
Ao centro com a cruz peitoral está o bispo Dom João Paulino (1902-1918).  No topo há um retrato do Papa Pio X, pontífice na época 1903-1914. O retrato segurado por um dos alunos no centro da imagem é o de Dom Bosco, o fundador da congregação Salesiana.

* Os primeiros missionários salesianos para Meliapor e Macau partiram da Basílica de Maria Auxiliadora, em Turim, a 23 de Novembro de 1905. A primeira missão salesiana em Macau iniciou-se a 13 de Fevereiro de 1906.

** Em 2025 teve oficialmente início o processo de Beatificação e Canonização do Pe. Gaetano Nicosia (1915-2017), missionário salesiano que viveu 48 anos na leprosaria da ilha de Coloane, em Macau.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Antes e agora: antiga Escola da República nº 3 na Taipa

 100 anos separam estas imagens 

Nota: as primeiras escolas públicas nas ilhas da Taipa e de Coloane remontam a 1882

domingo, 22 de março de 2026

Memórias do Liceu e do Complexo Escolar pelo Professor José Cordeiro

A propósito dos 40 anos passados sobre a inauguração do Complexo Escolar de Macau pedi ao professor José Cordeiro um testemunho desses tempos. Aqui fica o meu agradecimento pela sua disponibilidade. Agora, tal como então, sempre com uma enorme generosidade na sempre difícil missão de educar. Fui um dos muitos que tive o privilégio de aprender. Sobre a escola e também sobre a vida. Desses tempos ficaram para sempre impregnados valores como o respeito, a liberdade, a solidariedade, a responsabilidade, a partilha, etc...
Se a memória não me falha

"Estava eu posto em descanso quando o João  Botas me veio picar a memória acerca da passagem recente, em 6 Janeiro de 1986, do 40º aniversário da inauguração e funcionamento do Complexo Escolar de Macau, da Direcção de Serviços de Educação, Juventude e Desporto do governo de Macau, logo no reatamento do 2º período, para falar das minhas memórias daquele tempo. Ainda me dispus por a memória à disposição dele, dar-lhe umas dicas, mas ele, fino, preferiu a papa feita. Como nunca me decepcionou no seu tempo de estudante, nunca deixando que algo acontecesse por falta de voluntário, não vou deixá-lo pendurado no seu nobre  propósito. Quando mais ninguém queria, o João era “o homem para levar a carta a Garcia”. 
Estou-lhe grato pela sua disponibilidade.
Já lá vai muito tempo, que sensibilizado por uma dança do Dragão ou do Leão que vi nos documentários “ Mundo português”, que passavam nas sessões de cinema antes de passar o filme em exibição, disse para os meus botões que um dia gostaria de ver aquilo ao vivo.
Em janeiro de ´81, depois de um processo bem sucedido de candidatura, estreei-me no vetusto Liceu Nacional do Infante D. Henrique, como era então de lei chamar-se quando havia só uma escola liceal  da rede pública de ensino por distrito.
E quem se moveu por danças de leões e de dragões com a cabeça cheia de fantasias não podia ter sido melhor ocasião que a quadra festiva do Ano Novo Lunar e o Liceu se situava naquele enclave da cidade, em frente à Baía da Praia Grande, onde acontecia a chinfrineira do rebentamento dos panchões, enquanto na Baia ainda deslizavam os graciosos juncos a navegarem rumo ao Porto Interior. 
Ali trabalhei até à inauguração do dito Complexo escolar de Macau que passou a integrar a Escola Preparatória Dr José Gomes da Silva, a Escola Luso-Chinesa Luis Gonzaga Gomes e a Escola Secundária do Infante D. Henrique, também com cursos nocturnos.   
Se, olhando para um mapa antigo de Macau, o LNIDH, ficava isolado numa ponta da Península, num exclave quase no meio de nada, mas desde então já completamente integrado no coração da cidade com o Hotel Sintra, numa das pontas, agora a olhar não sei para quê, na outra ponta, diametralmente oposta, sob austera supervisão da estatua equestre do austero Governador Ferreira do Amaral montado num cavalo com as patas dianteiras bem empinadas - símbolo de morte heróica do cavaleiro - implantado em altaneiro pedestal no meio da praça com o mesmo nome e mais, do outro lado, o  Hotel Lisboa, mesmo ali ao pé de se poder entrar, a  primeira sensação que se tinha, quando se começou a falar da implantação do projectado complexo escolar foi idêntica: mas aquilo fica tão fora de mão; aquilo é um deserto; então, e os transportes e a segurança das crianças e mais isto e mais aquilo e aquele outro como se todas as novidades exigissem visto prévio de um julgamento pessoal, antes de virem a ser aprovadas oficialmente. A oriente nada de novo para o habitual pessimismo ou a prudência do Velho do Restelo, do Rio Das Pérolas daquela Velha praça portuguesa da “Cidade do Santo Nome de Deus, não há outra mais leal”. Rapidamente o exclave projectado para a construção era agora um enclave rodeado de cidade vibrante por todo lado.
Para trás ficariam as odiadas batas de cor amarelo vaticano, que só ao gineceu obrigava  e as usava como retaliação até às linhas vermelhas da provocação, e algumas eram bem frescas e arejadas, para desespero da D. Cristina que no seu posto avançado ia zelando pela moral e dos bons costumes da escola, instalado no grande hall de entrada do velhinho, mas bem conservado, Liceu.
Num terreno de hortas, ladeado pelo circuito citadino do Grande Prémio de Macau logo se imaginavam cobras e lagartos numa terra onde leões e dragões à solta eram, e ainda são, sinónimo de festa rija, projectava-se a construção de uma nova escola. Naquele, então, deserto da cidade, imagine-se!
Curiosamente, aquilo começou tão auspiciosamente que, na cerimónia da cravação da 1ª estaca, com pompa e circunstância e fanfarra da Policia, quando o martelo pneumático se preparava para dar a primeira martelada, não é que, segundo constou, a estaca se enfiou do terreno adentro, mole que nem  faca em manteiga? Se o resto for assim tão fácil teremos obra, logo falou a vox populi de uma terra onde os sinais são mensageiros…Disto, confesso que não fui testemunha ocular, mas é património que se me cravou à minha revelia na memória de tanto ter ouvido da boca de tanta gente ter dito que viu.
Bom, o terreno consolidou, muitas estacas ou pilares, se preferirem, foram cravadas à custa de tanta martelada, a obra começou, concluiu-se, foi tomada de assalto e ocupada entre o Natal/ 85 e os Reis/ 86. Depois, com pequenos ajustes, próprios de casa nova, lá o barco largou as amarras e zarpou à procura de fazer a sua própria História. Cedo lhe deram outras funções e a história do CEM - Complexo Escolar de Macau - foi o que cada um levou consigo no pouco tempo em que foi um estabelecimento de ensino. Para alguns, na flor da idade, foi muito tempo em idade de gente sempre apressada.
Durante as ditas férias de Natal procedeu-se á mudança do que era património administrativo, porque todo o resto lá estava instalado. Laboratórios, oficinas, piscina aquecida, um ginásio e um pavilhão desportivo com vários campos exteriores, balneários amplos e um edifício administrativo - a torre de comando operacional - com sala de professores e de trabalho, que albergava os serviços administrativos e os de direcção e de gestão escolar.
Mas nem tudo o que é novo é bom ou, pelo menos, sabe bem para toda a gente. E, se tinha sido abolido o uso das malfadadas batas para as meninas, agora o mal havia-se generalizado: toda a cambada teve que se apresentar na parada da cerimónia de abertura  da nova escola publica trajada a preceito com calça azul ferrete vincada e camisa xadrez de vermelho pálido, que mais parecia as toalhas de mesa do Restaurante Fernando, e um pulôver a condizer com as calças, para os mais friorentos.  O uniforme foi decaindo de uso apagando suavemente, como quem não quer dar por isso, o premonitório sinal do fim do dito Império Português do Oriente, se considerarmos que as escolas do Velho Liceu eram as únicas que não usavam uniforme no universo das escolas do Território. Com a farda tudo se igualava na tradição local e no respeito pela diferença dos uniformes!
Entretanto, e só por curiosidade, em 1987, como reforço da ideia de premonição, Anibal Cavaco Silva, então 1º ministro, no seu périplo pelo Oriente visitava Pequim, no que foi o formal pontapé de saída no jogo da reintegração de Macau na Mãe Pátria Chinesa. Há quem diga que foi o inicio do “Acordo de Desconsentimento” - há quem prefira “O Desacordo de Consentimento” -  de um longo e histórico comodato, até que a mutua conveniência tácita desde a instalação ditasse em concreto a separação amigável. Por curiosidade,  recordo-me de alunos da Escola Secundária do Infante D. Henrique, em viagem de finalistas pela Tailândia, se terem cruzado em trânsito, em Banguecoque, com a comitiva de Cavaco Silva, a caminho  da Embaixada Portuguesa, vizinha do Rio Chao Phraya e do icónico Wat Arun.
Entretanto, a inevitável D. Cristina, novamente instalada no seu posto de operações no grande hall da cantina escolar, muito senhora da sua função, que, como sempre, tanto zaragateava com os alunos, como era a sua  primeira e mais acérrima defensora, quando lhe cheirava a procedimentos disciplinares. Não havia testemunha mais abonatória do que ela, que, qual mãe severa para prevenir, os chamava à razão, mas era uma autêntica mãe galinha a defender os seus pintos quando os sentia ameaçados. Nem eles suspeitavam.
E pronto, João, não sei se era bem isto que querias, mas como deves entender, andamos todos na mesma escola, mas não podemos ter todos as mesmas memórias, não é?
Um pouco como as daquela  instituição, a um tempo cosmopolita e ecuménica de tanta desvairada e santa gente que a ela recorria -  e a mais inocente era matar a sede insaciável - , no fim da avenida do velho Liceu que dava pelo nome de “ A esplanada”, que era  a “Las Vegas” da Avenida da Amizade, onde o que acontecia lá devia ficar. 
Lá no começo da avenida, fronteiriço ao tribunal, Jorge Alvares nos contemplava, sem nada dizer.
 Ah, se as estátuas falassem… 
Grande abraço  para todos, com saudades.
Cascais, 11.03.2026
José António Cordeiro
Liceu, hotel Lisboa e a 'esplanada' à direita

Liceu na Praia Grande visto do Hotel Lisboa
 
Início das obras do Complexo Escolar
Inauguração do Complexo Escolar
* Inauguração a 4.1.1986 (sábado); as aulas começaram a 6.1.1986 (segunda-feira)
** As obras começaram a 2 de Setembro de 1982.

domingo, 8 de março de 2026

domingo, 14 de dezembro de 2025

Foto-legenda: Escola Comercial Pedro Nolasco da Silva na Praia Grande

 
Fotomontagem: imagem base 1968/69; 
imagem menor tb a preto e branco inauguração a 28.5.1966; 
a imagem a cores é de 2016.

sábado, 13 de dezembro de 2025

100º aniversário do Colégio Yuet Wah - 粵華中學 - Yuet Wah College

O Colégio Yuet Wah College (粵華中學) foi fundado em Cantão em 1925 por duas senhoras cristãs - Liu Fong Kei e Tam Kai Man - sendo transferido para Macau três anos depois.
No livro "A Educação em Macau" (DSEC, 1981) o padreManuel Teixeira escreve:
"A 12 de Setembro de 1927, foi registado no Serviço Provincial da Educação de Cantão, que lhe deu a sua aprovação. Nesse ano deram-se distúrbios políticos nessa cidade e Miss Liu transferiu a sua escola para Macau em 1928, para um prédio da Estrada da Vitória. Miss Liu tratou de construir ali um novo edifício para a educação da juventude de ambos os sexos. O Governo Português cedeu gratuitamente o terreno e ela promoveu uma subscrição na China e no Estrangeiro, sobretudo Estados Unidos, conseguindo inaugurar o novo edifício em 1935. (...)"
Uma emissão filatélica alusiva ao 100º aniversário - design de Tiago Lei - foi disponibilizada no início deste mês pelos Correios de Macau:
"O conjunto de quatro selos desta emissão apresenta a imagem de São João Bosco ao lado do lema do colégio (do latim In Virtute Scientia); o antigo portão da escola; as instalações escolares Edifício Versiglia e Complexo Jubileu; e o Edifício Dom Bosco." 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Restauração da independência, Eduardo Brazão e Escola Camões em Hong Kong

Em mais um aniversário da Restauração da Independência (1640) - data relevante tb para Macau * onde existem duas ruas da Restauração (em Macau e na Taipa) - ocorreu-me o nome de Eduardo Brazão (1907-1987), proeminente diplomata e historiador português com forte ligação ao Oriente e a Macau, tendo sido Cônsul de Portugal em Hong Kong entre 1946 (chegou em em Abril de 1947) e 1951.
The  China Mail 4.4.1947

Sabia que actualmente existe a "Escola Camões" em Hong Kong? Na sua origem está Eduardo Brazão. Diplomata, académico e historiador considerado um visionário. Neste aspecto, uma das ideias que preconizou foi a criação de uma Universidade em Macau na década de 1940. O projecto acabou por não vingar. O mesmo não aconteceu com a criação da Escola Camões em Macau e do Instituto Português, também na então colónia britânica.
Imagens fornecidas por antigos alunos da Escola Camões em Hong Kong
Fundada em 1947, começou por funcionar no nº 7 da Cox's Road (Tsim Sha Tsui) e abrangia os primeiros anos de escolaridade, da creche ao ensino primário. Embora se destinasse a alunos portugueses/macaenses, depressa passou a aceitar alunos de outras nacionalidades, incluindo chineses. De início teve apoio do Governo de Macau e posteriormente do Governo de Hong Kong e da comunidade portuguesa local. Em 1957 há registo de mais de 200 alunos inscritos.
A primeira director da escola foi a macaense - nasceu em Shameen, Cantão - Maria Lourdes de Oliveira Sales (1926-2022).
No início da década de 1950 o jornalista Armando de Aguiar (Correio da Manhã, do Brasil) visitou Macau e Hong Kong, tendo-se encontrado com Eduardo Brazão. Aqui fica o seu testemunho:
"Num dos navios do magnate macaense Sr. Fu Tak Iam fiz-me transportar a Hong-Kong. O braço amigo do Dr. Eduardo Brasão levou-me a visitar a cidade e os arredores, incluindo Kowloon, que em chinês quer dizer ‘nove dragões’, de Kow (nove) e Lung ou Loon (dragões). E levou-me também a transpor as páginas da história pátria no que diz respeito à presença de Portugal no ‘Porto Perfumado’. Numa das barulhentas e policromas ruas da cidade chamou-me a atenção uma casa revestida de azulejos de aspecto português. Dei- me à curiosidade de investigar a sua origem e apurei serem, realmente, de origem nacional, fabricados em Aveiro. O Clube de Recreio, em Kowloon, é uma afirmação do espírito social da comunidade portuguesa, assim como o Clube Lusitano, fundado em 1866, marca um lugar do mais alto relevo entre as instituições culturais que exaltam e prestigiam o nome de Portugal em países estrangeiros. Pois foi dentro das veneráveis paredes daquela patriótica instituição que o actual secretário nacional da Informação fundou, em Novembro de 1947, o douto Instituto Português de Hong-Kong, destinado à divulgação da nossa cultura naquela colónia britânica, onde, graças ao fecundo impulso que desde o início lhe foi dado por aquele brilhante diplomata, têm sido versados os principais problemas relacionados com a obra da inteligência em Portugal, no passado e no presente. O Instituto Português de Hong-Kong deve ser considerado o remate da obra de defesa da língua de Camões naquela colónia inglesa, onde vivem cerca de mil portugueses. O Instituto e a Escola de Camões, também patriótica iniciativa do Dr. Eduardo Brasão, constituem dois instrumentos onde vibra a alma de Portugal."
Em 1996 os destinos da escola para Po Leung Kuk, adoptando o nome "Camões Tan siu Lin Primary School" e mudando de instalações. Acualmente proporciona esporádicamente cursos de português.
Da vasta obra que Eduardo Brazão deixou publicada destaco:
- "Macau, Cidade do Nome de Deus na China, Não Há Outra Mais Leal",1957
* Macau manteve-se fiel à coroa portuguesa durante o período de união ibérica (1580-1640) e, como recompensa pela "lealdade", o rei D. João IV concedeu-lhe o título de "Não há outra mais leal" em 1654. A aclamação de D. João IV como rei ocorreu em Macau dois anos após a restauração em Portugal, em 1642. 

Sugestão de leitura:
A Aclamação del Rei D. João IV em Macau (Subsídios Históricos e Biográficos) da autoria  de José Frazão de Vasconcellos publicado em Separata do N.º 53 do Boletim da Agência Geral das Colónias em 1929.

domingo, 19 de outubro de 2025

A China e os Chineses

Da autoria de Carlos Jacinto Machado (1891-1975) o livro "A China e os Chineses" foi impresso e editado em 1926 pela Tipografia da Escola de Artes e Ofícios.
Na capa refere-se que se trata de um "estudo analítico contendo uma descrição resumida de alguns usos e costumes chineses e das suas principais superstições".
Nascido na Sé, o macaense Carlos Jacinto Machado publicou inúmeros artigos na imprensa da época, não só em Macau como também em Hong Kong, Xangai e Brasil. Aqui ficam dois exemplos:
- The Pearl of the Far East, Kwo Tai Press, Xangai, 1937.*
- A Colónia Portuguesa de Xangai, Boletim Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, 1937

* pequeno livro que tem por base uma palestra proferida no salão da Câmara de Comércio Russa, em Xangai a 4.11.1936. O autor chegou a trabalhar no consulado de Portugal nesta cidade chinesa na década de 1940.

sábado, 4 de outubro de 2025

Um "Avizo" em esperanto

Escrito em esperanto* este anúncio foi publicado no jornal O Liberal a 12 de Novembro de 1922 por George H. Rainer.
AVISO
AULA PRÁTICA DE LÍNGUA INGLESA
Desejo formar uma turma para ensinar a Língua Inglesa, somente para senhores, reunindo-se quatro vezes por semana, pelo preço de dez patacas e notas por mês.
Usarei um método incomum, sem tradução e dando conversas e exercícios de memorização.
George H. Rainer
Pátio da Penha, Macau.
Diretor da Escola Comercial “Pedro Nolasco”.

Ou havia uma comunidade de falantes de esperanto em Macau na época ou esta solução visava centrar as atenções no anúncio. George Haworth Rainer vivia no Páteo da Penha e para além de professor de inglês e director da Escola Comercial foi também secretário da APIM e colaborador na imprensa da época. Das poucas informações que disponho posso adiantar que no final década de 1930 ainda vivia em Macau e continuava a ser professor.

* O esperanto é uma língua internacional artificial criada em 1887 por Lázaro Luís Zamenhof (polaco), com o objetivo de facilitar a comunicação entre pessoas de diferentes nacionalidades, sem favorecer uma língua nacional em particular. A gramática e vocabulário são baseados em línguas europeias (principalmente latinas, mas com influências germânicas e eslavas). Actualmente há uma comunidade global de falantes estimados entre 100 mil e 2 milhões.

sábado, 13 de setembro de 2025

Um "Desafio de Pedibola" e outro de "Foot-ball"

A palavra "futebol" é a forma aportuguesada do inglês "football" - foot (pé) e ball (bola). Antes deste anglicismo vingar outras palavras existiram para designar este desporto: ludopédio, pebol, balípodo, pedibola, bodabolismo... Na década de 1920 - há um século - a palavra "pedibola" ainda era usada como se pode verificar pela notícia publicada no jornal A Pátria a 29 de Abril de 1928. 
Outros jornais como A Verdade usavam a palavra original... A notícia abaixo é da edição de 24 de Novembro de 1928 e dá contra de um jogo entre as equipas da Escola Comercial e do Liceu.

sábado, 23 de agosto de 2025

Estudantes do Colégio de Santa Rosa de Lima: 1908

 

Estudantes do Colégio de Santa Rosa de Lima em 1908. 
Entre os fotografados está a filha de Manuel da Silva Mendes, cuja família cedeu a fotografia.


quarta-feira, 14 de maio de 2025

"Collegio de Santa Rosa de Lima": Estatutos de 1875

Os estatutos e regulamento para o Collegio de Santa Rosa de Lima como casa de educação para o sexo feminino (meninas orfãs), foram publicados em 1875 pelo governador José Maria Lobo d´Ávila - portaria nº 23 de 18.2.1875 publicada a 20.2.1875 - após a extinção do mosteiro de Santa Clara. Faz agora 150 anos...
O "Recolhimento de Santa Rosa de Lima" estava anexado ao Mosteiro de Santa Clara desde 1856. Fundado em 1633 o convento foi encerrado em 1835. Ficava no mesmo local onde está actualmente o colégio de Santa Rosa de Lima, embora ocupando uma área muito maior. Na década de 1920/30, com os aterros a rua que dá acesso ao local foi denominada rua de Santa Clara.

As "disciplinas e trabalhos" incluíam "leitura, escripta, quatro operações arithméticas em números inteiros e fraccionários, catcismo e doutrina christã, grammatica portugueza e exercicíos de redacção, rudimentos de história de Portugal, noções geraes de geographia e chorographia de Portugal e suas possessões, arithmética elementar e systema legal de pesos e medidas, desenho linear  aplicado à vida comum, educação physica e preceitos hygiénicos, línguas franceza e ingleza, música de canto e piano, lavores próprios do sexo feminino, preceitos de economia doméstica".
O ensino ministrado nesse colégio era o elementar, ou instrução secundária que compreendia: línguas portuguesa, francesa e inglesa; história sagrada; desenho; música de canto e piano; educação física; higiene e economia doméstica.
Tinha uma regente, 4 mestras, 1 capelão, 6 serventes, 1 sacristão, 1 jardineiro, 1 secretário, 1 facultativo e duas perfeitas.
Década 1950 versus década 2010
Desde 1889 o Colégio era gerido pelas Filhas Canossianas da Caridade. A partir de 1903 ficou sob a direcção das Franciscanas Missionárias de Maria.
De uma publicação em chinês de 1963
No ano lectivo de 1955/1956 estavam inscritas 929 alunas: secção portuguesa com 220; secção chinesa com 355 e secção inglesa com 354. Havia ainda uma escola gratuita primária para meninas pobres chinesas num total de 158.
Curiosidade: o ano lectivo 1992-1993 foi o último ano do ensino em português no colégio.

sábado, 10 de agosto de 2024

"The Chinese Fishing Junk"

Publicado no final da década de 1960 este postal ilustrado tem como legenda "The Chinese Fishing Junk, Hong Kong" / "Junco chinês de pesca, Hong Kong".
Na verdade a fotografia - imagem icónica da década 1960 - foi feita em Macau na zona do Porto Exterior. Ao fundo pode ver-se, em baixo, a Escola Stella Matutina (no final da Av. Dr. Rodrigo Rodrigues) e em cima o Hospital S. Januário. Do lado direito está o Farol da Guia no topo da colina com o mesmo nome.


quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Pequenos Cantores de D. Bosco: 1962

 

Audição de Música pelos Pequenos Cantores (Grupo Coral do Colégio D. Bosco) no ginásio do Liceu em Maio de 1962. Era regente o padre César Brianza.

domingo, 12 de fevereiro de 2023

O ensino da "língua sínica" no início do séc. XX

Escola Comercial Pedro Nolasco fundada em 1878
O mesmo edifício no século 21
Em 1906, uma comissão composta por Manuel da Silva Mendes, Pedro Nolasco da Silva, Carlos Augusto d’Assumpção, José Vicente Jorge e o Pe. António José Roliz foi nomeada pelo governador Martinho Montenegro, por portaria provincial n° 57 de 24 de Outubro, "para estudar e fazer um projecto de organização do ensino da língua sínica nesta cidade".
Depois de ponderadas e discutidas todas as questões relacionadas com o ensino/aprendizagem do chinês, a comissão apresentou em Novembro do mesmo ano um relatório final acompanhado de uma proposta de programa de ensino, documentos aprovados pela Portaria n°30 de 22 de Março de 1907.
Esse programa previa um Curso de Língua Chinesa dividido em três períodos, ao longo de sete anos, desde a Escola Primária ao público adulto do Expediente Sínico. O primeiro período, para os alunos da Escola Central, tinha 2 anos; o segundo período, para os alunos do 1°ciclo da instrução secundária, abrangia 3 anos e um terceiro período, para os alunos do Curso Comercial, tinha a duração de 2 anos.
O programa tinha como objectivos: "ministrar um conhecimento elementar da lingua sinica, escripta e fallada, quanto sufficiente para uso commum da vida, inclusivé o do commercio" e "servir de base para ulteriores estudos da literatura classica chineza áquelles que pretenderem levar longe o conhecimento d’essa lingua". 

Sendo a maioria da população de Macau de origem chinesa, a administração do território obrigava a especiais preocupações, nomeadamente o nível da língua e da justiça. É neste contexto que logo no século 17 foi criada a Procuratura dos Negócios Sínicos. Nela trabalharam portugueses, macaenses e chineses que ao longo dos séculos permitiram o entendimento entre portugueses e chineses. 
Eis, a título de curiosidade, alguns exemplos de personalidades que se destacaram neste domínio:
- A bordo da primeira nau portuguesa que chegou a Tanegashima (Japão) ia um intérprete chinês: "Quando a primeira nau portuguesa chegou a Tanegashima, diz-se que um chinês chamado Goshô servia de intérprete".
Fonte: Portugal e o Japão, Tokyo, Kokusai Bunka Shinkokai, 1940.
- Matteo Ricci, S. J.(1552-1610), jesuíta italiano, foi co-autor do primeiro dicionário português-chinês. Chegou a Macau em 7 de Agosto de 1582, permanecendo na China a trabalhar, entre os mandarins e os letrados, até à morte em 1610. Ficou também conhecido pela iniciação, na Europa, dos estudos chineses que vieram a ser conhecidos por Sinologia. Começou por traduzir de Chinês para Latim.
- Michele Ruggieri (1543-1607) jesuíta italiano, foi o primeiro a chegar a Macau, em 20 de Julho de 1579, para aprender Mandarim.
- O missionário Robert Morrison foi o primeiro tradutor da Bíblia para chinês. Viveu em Macau na década de vinte do séc. XIX.
- António Feliciano Marques Pereira foi Superintendente da Emigração Chinesa e Procurador dos Negócios Sínicos em Macau e Secretário da Legação Portuguesa junto à Corte de Pequim. Foi ainda autor da "Relação acerca das attribuições da Procuratura dos Negocios Sinicos da Cidade de Macau" (1867), e das "Ephemerides Commemorativas da História de Macau e das Relações da China com os Povos Christãos" (1868).
- Camilo Pessanha, poeta do Simbolismo português, foi para Macau em 1894 como professor do Liceu, tendo iniciado, de imediato, o estudo da língua e cultura chinesas. Traduziu para português três cartas, dois ensaios em prosa e oito elegias, (apesar de só conhecer 3500 caracteres) com a ajuda do seu amigo José Vicente Jorge, com quem traduziu ainda "Kuok Man Kan Fo Shú Leituras Chinesas". Numa carta dirigida a Carlos Amaro, datada de 1912, Pessanha refere que "Desde que deixei a Vara de Juíz, é decorar letras chinas. Bem desejaria publicar um dia meia dúzia de pequenas traduções, mas a empresa, a ser a coisa como eu a tenho esboçado, é cheia de dificuldades."
- Manuel da Silva Mendes (1867-1931), contemporâneo de Pessanha e também professor do liceu, destacou-se como advogado e ainda como estudioso da cultura chinesa, nomeadamente da filosofia, religião e arte. A ele devem-se os primeiros estudos sobre o taoismo em português.
 José Vicente Jorge
José Vicente Jorge (sentado na imagem de grupo acima). Nasceu em 1872. Foi Chefe da Repartição do Expediente Sínico, vice-cônsul e intérprete-tradutor no Consulado de Xangai, secretário intérprete-tradutor da legação portuguesa em Pequim, no tempo do império e escolhido para secretariar o diplomata que representou Portugal nos funerais do Imperador Guang Xu em 1909. Foi tradutor e anotador do San-Tok-Pun, método adoptado para o ensino de chinês em escolas de Macau e autor de Novo Methodo de Leitura (1907). Foi ainda Professor de Língua Sínica no Instituto Comercial e fez parte da Comissão encarregada de estudar e de elaborar os programas para o ensino da "lingua sinica ministrado na Escola Central do sexo masculino e Instituto Commercial annexo ao Lyceu Nacional", era, então, sub-chefe da Repartição do Expediente Sinico. Pessanha chamava-o de "o meu mestre".