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terça-feira, 2 de abril de 2019

Beacon of the East (Macao): documentário 1948

 
"Beacon of the East (Macao)" (Farol do Oriente) é o título de um documentário - a preto e branco e com som - com a duração de 9 minutos feito em 1948 no rescaldo da segunda guerra mundial pela  Periscope Film LLC archive e distribuído pela Library Films.
No registo da cidade no final da década de 1940 destaque para a paisagem e modos de vida locais, como o comércio de rua e o fabrico de panchões, uma das mais importantes actividades comerciais da época no território.
"Since Macao is Portuguese territory it suffered none of the ravages of World War II. Although it's neutrality was violated when the Japs made their only air raid on it, little or no damage was done". (...) É assim que começa este documentário narrado em inglês.
"Macao remains truly an Oriental City. It is the home of the firecracker and the first lighthouse on the China Coast."

Ruínas de S. Paulo e ao fundo o templo Na Tcha por ocasião de uma festividade chinesa.
 
As cenas de rua testemunham o dia-a-dia no território.
 
Os costumes chineses também são abordados no registo.
 
Zona do Bazar
 
Para além das imagens das Ruínas de S. Paulo, Templo da Barra, Largo do Senado e Jardim Lou Lim Ioc, o documentário destaca a pesca e a indústria dos panchões como importantes actividades na economia local.
 
Sugestão de Leitura: "Macau 1937-1945: os anos da guerra", de João Botas, IIM, 2012
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

A estreia mundial do filme "Macao"


A estreia mundial do filme "Macao" nos EUA ocorreu a 30 de Abril de 1952. Na imagem um cartaz da época numa rua de Los Angeles. Em Macau o filme chegaria aos cinemas no final desse ano e em Hong Kong a estreia ocorreu no dia 18 de Dezembro.
 Imagem do trailer original (em cima) e do genérico do filme (em baixo)
As diversas vicissitudes pelas quais o filme passou fizeram, por exemplo, com que tenha subsistido até hoje um trailer promocional que não corresponde à versão final.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Ferry to Hong Kong (1959)

Ferry to Hong Kong é o título do filme que me proponho analisar mas também poderia chamar-se Ferry to Macau… Nalguns registos o filme surge traduzido com títulos como O Proscrito de Hong Kong e Embarque para Hong Kong.
Orson Welles (1915-1985) – realizador de Citizen Kane/O mundo a seus pés, estreado em 1941 e considerado pela crítica um dos melhores filmes de todos os tempos – também participou em muitos filmes como actor. Este foi um desses casos, embora não muito bem aceite pela crítica na época. O filme estreado em Agosto de 1959 no Reino Unido foi rodado em Hong Kong e Macau um ano antes, embora na ficha técnica surja a indicação que as filmagens decorreram somente na antiga colónia britânica. No entanto, essa informação só se pode considerar correcta no que diz respeito a cenas com a presença de actores e actrizes, pois algumas paisagens do filme que foram registadas em Macau. Mas, já lá iremos…
O britânico Lewis Gilbert (conhecido por Alfie) assina a realização do que anos mais tarde (em 2010 ao canal 4 da BBC televisão) disse ser o seu grande "pesadelo" queixando-se especialmente de Orson Welles: "Não ligava nem aos colegas actores nem ao realizador", disse, concluindo que "tudo correu mal no filme, e em especial o Orson Wells". Poucos anos depois Gilbert iria parar à saga James Bond assinando três realizações: Only Live Twice (1967), The Spy Who Loved Me (1977) e Moonraker (1979).
Orson Welles - que se estreara em 1958 com Touch of Evil - é o capitão (de nome Hart) do navio de passageiros Fa Tsan (repare-se que é muito parecido com um ferry que existia na época, o Fat Shan) que fazia as ligações marítimas regulares entre Macau e Hong Kong. Contrariado é obrigado a levar a bordo Mark Conrad (interpretado por Curt Jurgens), um exilado austríaco expulso de Hong Kong, por vadiar pelas ruas sem possuir qualquer identificação. Ao chegar a Macau as autoridades locais também não o deixam desembarcar. Num dos diálogos em que o capitão Hart tenta convencer as autoridades portuguesas a deixarem entrar Conrad (sem passaporte), o polícia português afirma: “Hong Kong may have the Money but we in Macau have our pride. (…) His not going to land.”
Conrad passa assim a viver a bordo fazendo todas as viagens entre Macau e Hong Kong. A relação entre ele e o capitão torna-se cada vez mais tensa. Conrad é aventureiro e cínico. Hart é presunçoso e dissimulado. A ‘ponte’ entre os dois é feita pela professora de ar angelical Liz Ferrers (interpretada por Sylvia Syms) que atura um e apaixona-se pelo outro.
A quase totalidade do filme foi feita em Hong Kong. ‘Abre’ com uma imagem aérea sobre a zona de Vitoria Harbour e as cenas da viagem do ferry assolado por um tufão foram feitas na doca de Aberdeen com a ajuda de aviões a hélice. Mas há também cenas filmadas em Macau. As mais significativas são as que mostram os rituais de um funeral chinês que atravessa diversas ruas do território em procissão (Av. Almeida Ribeiro, junto às ruínas de S. Paulo e na Penha junto à residência do bispo) até chegar ao Porto Interior (ponte-cais nº 27 – na Av. de Demétrio Cinatti perto da Rua do Guimarães e que actualmente já não existe), onde o caixão é embarcado no ferry. A baía da Praia Grande surge como pano de fundo de algumas das conversas que os protagonistas têm a bordo. Destaque ainda para as imagens feitas a partir da Penha e que registam a chegada à barra do Porto Interior do Fa Tsan, que a tripulação denomina por Fat Annie.
Numa das várias viagens que o filme documenta o ferry é assolado por um tufão mas como o capitão está doente será Conrad a assumir os comandos. Como se isso não bastasse a bordo estão também uns piratas. O junco onde seguiam viagem estava à deriva no delta do rio e o Fa Tsan acolhe-os a bordo. Apesar do perigo e da ameaça que representam Conrad consegue demovê-los das intenções criminosas.
Entre as várias curiosidades deste filme refira-se a existência de um nome português, Miguel Henriques, o imediato do navio interpretado por Jeremy Spenser. O polícia português, curiosamente, é apresentado como “portuguese major” e interpretado por Ronald Decent. A ponte-cais nº 27 não passa de um décor. Na época essa e outras já existiam em Macau e eram estruturas feitas em betão e não em madeira como surge no filme.
O ferry, feito de propósito para este filme a partir de uma carcaça de uma embarcação acabou por ser incluído numa publicação da Universidade de Hong Kong sendo catalogado como navio a vapor de cerca de 1900 (imagem ao lado). Uma imagem do ferry até surge na capa dessa edição de Junho de 2009, mas na verdade foi apenas um adereço de um filme…
A 27 de Abril de 1961 Howard Thompson assinava uma crítica ao filme no jornal The New York Times. “O filme é apenas recomendado aos curiosos mórbidos que podem ver Orson Welles na sua pior prestação de sempre. (…) O verdadeiro crime do filme é o desperdício da paisagem. Filmado totalmente a cores em Hong Kong está encharcado de uma atmosfera exótica mas após as primeiras cenas é uma desilusão.”
O filme começa e acaba no cais de Hong Kong, embora quase no fim, o Fa Tsan vai ao fundo já muito perto do destino final, numa das menos conseguidas cenas do filme. Mas não nos podemos esquecer que estávamos em 1958 e os recursos em termos de efeitos especiais não eram os de hoje… O ferry afunda mas os passageiros e a tripulação acabam por chegar sãos e salvos e Conrad acaba por ver compensado o seu empenho quando obtém autorização para viver em Hong Kong.
Fica feito o convite para que um destes dias passe 112 minutos frente ao televisor. Demasiado tempo para contar uma história que começa por parecer um drama, mas no fim se fica com a sensação que está meio caminho entre os registos comédia e aventura.
Por último importa referir que, em parte, a história deste filme (argumento adaptado de um livro com o mesmo título da autoria de Simon Kent – pseudónimo de Max Catto), é inspirada em factos reais, ocorridos anos antes, precisamente num ferry que fazia a ligação diária entre Hong Kong e Macau. Mas isso fica para uma próxima oportunidade…

"Ferry to Hong Kong" is a 1959 British melodrama/adventure film directed by Lewis Gilbert and starring Curd Jürgens, Sylvia Syms, Orson Welles and Jeremy Spenser.

Plot:

Mark Conrad, a habitual drunk and troublemaker with a shady past, is expelled by Hong Kong police after one too many bar fights. He's sent to Macao on the Fa Tsan, a ferry owned by Captain Hart. Conrad's papers are out of order and Macao refuses him entry. Unable to go ashore, Conrad is a permanent passenger on the ferry with Hart, who detests him. It's all one long, lazy voyage for Conrad until one fateful trip when an encounter with a typhoon and pirates forces Conrad to choose between an aimless drifter's life and becoming a man again.


Lewis Gilbert described "Ferry to Hong Kong" as a "my nightmare film". Orson Welles, he said, "never cared about his fellow actors, never cared about the director". Gilbert says "everything was wrong with the film - principally Orson Welles". Lewis Gilbert's comments were made in an interview on the BBC Radio 4 programme "Desert Island Discs" transmitted on 25 June 2010.

sábado, 9 de julho de 2016

Mestres da Ilusão 2 / Now You See Me 2


Mestres da Ilusão 2 / Now You See Me 2, filme actualmente em exibição nos cinemas inclui algumas cenas rodas em Macau (uma delas é a imagem abaixo). Na sequela do filme (estreou em 2013), sobre um grupo de ilusionistas que se dedica a "roubar os ricos para dar aos pobres", podemos ver o Centro de Ciência, os hotéis “Sands”, “Venetian" e "Grand Lisboa", bem como a Rua da Felicidade, o Mercado de S. Domingos e a conhecida loja de magia - criada há mais de 30 anos - a "Iong´s Magic Shop ".
PS: procure pelo 'tag "cinema" e (re)descubra outros filmes famosos rodados em Macau.

domingo, 19 de maio de 2013

Visionamento de "Amor e Dedinhos de Pé"

Macau, sul da China, 1900: dos fabulosos salões da Cidade Cristã às sórdidas vielas do Bairro Chinês, uma jovem mal-amada defronta um arrogante filho-família. Francisco Frontaria - de boas famílias mas estróina, entre o jogo de cartas, as apostas e o vinho do Porto - desdenhou, nos faustosos salões da Cidade Cristã, a introvertida Victorina Vidal, que se converterá em atraente mulher, emancipada quanto aos preconceitos da elite social. Vítima de ostracismo, o arrogante mancebo acabará, doente e miserável, pelas sórdidas ruas do bairro chinês. Em desgraça pungente, a regeneração chega enfim, com aquela a quem o destino falara, no silêncio do coração...
Esta pode ser uma sinopse do filme de Luís Filipe Rocha estreado em 1991 e tendo por base o romance homónimo de Henrique de Senna Fernandes (1923-2010).
O filme será exibido dia 21 de Maio no âmbito do 2º Festival de Cinema e Sabores. Estarão presentes o produtor e realizador do filme para falar sobre o mesmo. A entrada é livre mas requer reserva antecipada. Info: Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa

segunda-feira, 18 de março de 2013

Return to Paradise: 1998

Durante um Verão passado na Malásia três norte-americanos - Lewis (Joaquin Phoenix), Sherife (Vince Vaughn) e Tony (David Conrad) - desfrutam dos prazeres da vida: mulheres, álcool e drogas.  Como o fim das férias, Tony e Sherife voltam para Nova York, mas Lewis decide ir para o Bornéu salvar os orangotangos. Nesse dia Lewis é preso, pois Tony e Sherife antes de partirem deixaram com ele 140 gramas de haxixe e, segundo as leis locais, a partir de 100 gramas o portador é considerado traficante e a pena é a morte por enforcamento. Dois anos depois, em Nova York, Sherife é condutor de limusines e Tony é um arquitecto que está noivo. É então que surge Beth (Anne Heche), uma advogada que conversa com os dois e lhes conta que há um acordo verbal que diz que se um deles voltar para cumprir a pena terá de ficar seis anos preso, se os dois voltarem, três anos de prisão para cada um e se nenhum voltar Lewis será enforcado em oito dias...
Acho que a sinopse é suficiente para vos aguçar o apetite e verem ou reverem este filme rodado em 1997/98 na Tailândia, EUA, Hong Kong e Macau. Entre as cenas filmadas no território temos o hotel Bela Vista (interiores - quartos e escadaria do lobby - e exteriores), o istmo Taipa-Coloane, o aeroporto e um avião da Air Macau, este último foi a única referência que encontrei nos créditos do filme.
Existem dezenas de filmes rodados em Macau como poderão verificar neste post

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Love Is a Many Splendored Thing/A Colina da Saudade

Han Suyin. Foto de Kathinka Fox
A escritora de origem chinesa, Han Suyin, autora de vários romances e ensaios políticos, morreu no início de Novembro de 2012 aos 95 anos, em Lausanne (Suíça).
Médica e escritora, nasceu na província chinesa de Henan a 12 de Setembro de 1917. Era filha de pai chinês e de mãe belga.
Han Suyin, pseudónimo de Rosalie Elisabeth Comber, estudou medicina na China, depois prosseguiu os estudos na Bélgica e em Londres. Autora de muitos romances, escreveu também as biografias dos dirigentes chineses Mao Zedong e Zhou Enlai.
O seu livro mais conhecido foi publicado em 1952 e intitulou-se “A Many-splendoured Thing / A Colina da Saudade ”. Foi escrito em Hong Kong entre Setembro de 1950 e Julho de 1951 quando a autora aí vivia. 
Trata-se de uma história ficcionada inspirada na sua vida e que começa em Maio de 1949. Estamos perante uma história de amor entre pessoas de diferentes culturas numa cidade (Hong Kong, cidade entre dois mundos). A história é narrada no feminino e na primeira pessoa (com o nome da autora) e do ponto de vista não ocidental. O livro foi escrito originalmente em inglês e tem um pequeno capítulo com o título “Fim de semana em Macau - Agosto de 1949”. 
"Um sábado de tarde, Maya Wong, Diana Kilton e eu fomos todas a Macau. Maya ia fazer uma visita a um parente de Xangai agora ali instalado e Diana ia ver uns amigos ingleses. Eu ia para ver Marco. (...)"
A visita inclui passagens por locais como as ruínas de S. Paulo, Gruta de Camões, fábricas de pivetes, lojas, entre outros. "A tarde estava quente e era já entardecer quando chegámos a Macau. (…) Caminhei, pois, subindo uma rua, descendo outra, olhando as fábricas de marroquim, os santos de gesso, as igrejas. Parei para contemplar a fachada da igreja de S. Paulo, sem nave, sem paredes, como um vazio cenário de teatro , enquadrando o céu vespertino com as suas portas e janelas." Refere-se depois a um grande hotel situado na maior artéria da cidade (San Ma Lou) e que chama de Havana Hotel "com salas de jogo no último andar". Leia-se hotel Central e fan tan...
“… Que extraordinária colecção de seres humanos se reúne, em Macau, à volta das mesas do fantã… Jovens camponeses, a-mah's de túnicas brancas e calças pretas bem esticadas, com longas tranças que lhes pendem pelas costas como flácidas serpentes.Coolies cobertos por estranhos chapéus moles, de pés sem meias calçados de chinelos. Jovens ricos de vistosas gravatas, brilhantes óculos, cabelos e dentes refulgentes. Empregados de escritório e ladrões, banqueiros e rufiões, prostitutas e criadas, funcionários e alcoviteiros, piratas vindos dos juncos e agentes de polícia de licença.Estávamos de uma alegria esfuziante, essa espantosa alegria que se apossava de nós sempre que estávamos juntos. Púnhamos pequenas quantias num e noutro dos quadros traçados sobre as mesas. O banqueiro tinha diante de si uma pilha de fichas brancas de matéria plástica; tirava de cada vez algumas com um ponteiro branco, até que, restando poucas, se sucedia o número que tinha ganho…” 
O livro foi adaptado ao cinema em 1955 (venceu 3 óscares - ouçam a banda sonora e vão perceber) sendo realizado por Henry King.
Contou com as interpretações de William Holden (Mark Elliott) e Jennifer Jones (Dra. Han Suyin), nos principais papéis. Algumas cenas foram filmadas em Macau, embora a maior parte tenha sido feitas em Hong Kong constituindo um registo único da colónia britânica na década de 1950.
O filme foi um grande sucesso e o livro foi traduzido de imediato para diversas línguas, incluindo o português.
O filme centra-se na história de amor de uma médica euro-asiática viúva (Jennifer Jones) com um jornalista americano (inglês no livro) casado (William Holden).
Ao de cima vão estar os preconceitos da sociedade britânica de Hong Kong tendo como contexto histórico o início da China comunista e (no final) a guerra na Coreia.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Cartazes do filme "Macao", 1952

Mais detalhes sobre o filme neste post

no México, França e EUA

 EUA
França
Itália
Publicidade ao filme num revista norte-americana da época.
Mitchum e Russel têm interpretações soberbas. É apenas mais um post - entre os muitos que existem aqui no blog - colocado na semana em que Jane Russel morreu. Aos 89 anos.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Macau, 1961



Aspectos do quotidiano em 1961: funeral pobre; edifício do Tribunal; Ruínas de S. Paulo; etc...