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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

"Aconteceu em Macau"

Livro da autoria de Margarida Castel-Branco (n. 1931) que escreveu o primeiro conto com apenas 11 anos no jornal "Fagulha". Estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio, na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, que terminou com a classificação de 20 valores. Em 1964 regressou à Escola António Arroio como professora. Foi ainda professora de desenho na Universidade Nova de Lisboa no Curso de Conservação e Restauro.
Esta colecção editada pela Verbo em 1973 tem como público-alvo os adolescentes dos 7 aos 12 anos e é composta por 4 volumes: 
Aconteceu nas Berlengas, Aconteceu em Conímbriga, Aconteceu na Gorongosa, Aconteceu em Macau. 
Existe uma edição posterior (2007) da Litexa.
Pedro, Miguel e Ana vão passar as férias a Macau com dois simpáticos primos gémeos, de olhos em bico e nariz arrebitado. A aventura deste cinco jovens passa por descobrir o paradeiro do tio dos gémeos que entretanto desaparecera.
O desenho da capa é da autoria de José Antunes. As ilustrações que acompanham a história são da própria autora.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Couto Viana: 1923-2010

No post anterior coloquei um texto de homenagem a Couto Viana escrito por quem o conheceu de perto nos anos que viveu em Macau, entre 1986 e 1988, e onde exerceu funções no Instituto Cultural. Um texto como só a Professora Beatriz Basto da Silva sabe fazer, e bem.
Couto Viana deixou-nos a nós, vivos, por estes dias, aos 87 anos. Foi poeta, dramaturgo, encenador, actor, ensaísta, escritos, contista... Macau entrou-lhe na alma e brotou nas suas palavras em obras como No Oriente do Oriente (1987), Até ao Longínquo China Navegou (1991); Não há outra mais Leal (1991). Na "Antologia de Poetas de Macau" podem encontrar-se alguns dos seus poemas.
Aqui pelo blog - se a memória não me atraiçoa - fazendo uma pesquisa por Miguel Torga poderão encontrar uma fotografia destes dois grandes nomes da cultura portuguesa... em Macau.
Em Março de 2007, António Manuel Couto Viana proferiu uma conferência na Delegação Económica e Comercial de Macau, em Lisboa, cujo texto foi publicado em 2008, sob o título O Poeta no Oriente do Oriente (Col. “Mosaico”, Instituto Internacional de Macau).
Trata-se de um texto da natureza autobiográfica, ainda que a partir de uma história que é contada na 3ª pessoa, protagonizada por uma personagem apenas designada como “Poeta”, mas a que, num poema a pretexto da gruta de Camões, acrescenta o nome próprio como identificação: “António sou (tenho o teu nome) / E escravo, também, da poesia. / Para ela é que estendo, em cada dia, / A mão à minha fome.”
                             
No site da Sociedade Portuguesa de Autores pode ler-se a propósito do seu percurso de vida:
"O poeta da Távola Redonda _António Manuel Couto Viana nasceu em Viana do Castelo, em 24 de Janeiro de 1923. O Teatro Sá de Miranda era propriedade de sua família e lá começou a dar os primeiros passos na arte de representar e estreou a sua primeira peça de teatro infantil, "A Rosa Verde". Em 1946, foi viver com a família para Lisboa onde conheceu Sebastião da Gama, David-Mourão Ferreira e Vasco Lima Couto. David-Mourão Ferreira, conhecedor da sua paixão pelo teatro, levou-o para o Teatro Estúdio do Salitre onde se estreou como actor, figurinista e encenador. Em 1948, estreou-se na poesia com o livro "O Avestruz Lírico" e desde então publicou dezenas de obras. Entre 1950 e 1954 dirigiu, com David-Mourão Ferreira, Luiz de Macedo e Alberto de Lacerda, os cadernos de poesia "Távola Redonda". Mais tarde dirigiu a revista cultural "Graal" e fez parte do conselho de redacção da revista "Tempo Presente" (1959-1961). O culto do passado está presente em toda a sua obra poética, em oposição ao neo-realismo que era na época a corrente literária dominante. Couto Viana fez parte da direcção do Teatro de Ensaio (Teatro Monumental), Companhia Nacional de Teatro e foi empresário e director do Teatro do Gerifalto, onde apresentou dezenas de peças para crianças. Encenou óperas para o Círculo Portuense de Ópera, Companhia Portuguesa de Ópera (Teatro da Trindade), foi mestre de arte de cena do Teatro Nacional de S. Carlos e orientador artístico da Oficina de Teatro da Universidade de Coimbra. A sua obra foi distinguida com vários prémios e foi condecorado pelo Governo Português e pelo Governo Espanhol."
Biografia resumida
António Manuel Couto Viana (Viana do Castelo, 24 de Janeiro de 1923 - Lisboa, 8 de Junho de 2010) foi um encenador, tradutor, poeta, dramaturgo e ensaísta português.
Recebe, muito novo, como herança do avô, o Teatro Sá de Miranda (Viana do Castelo). Em 1948, publica o primeiro livro de poemas O Avestruz Lírico. Entre 1949 e 1951, dirige a revista infanto-juvenil Camarada. Foi empresário e director do Teatro do Gerifalto, companhia onde se estrearam nomes como Rui Mendes ou Morais e Castro. Esteve sempre ligado a companhias de teatro para a infância. Entre 1950 e 1960 dirigiu a publicação de várias revistas literárias e de cultura, tais como os cadernos de poesia Graal, Távola Redonda e Tempo Presente.
Encenou e dirigiu as companhias de ópera do Teatro Nacional de São Carlos, do Círculo Portuense de Ópera e da Companhia Portuguesa de Ópera. Viveu dois anos em Macau, entre 1986 e 1988, onde foi docente do Instituto Cultural.
Viveu os últimos anos na Casa do Artista e continuando a escrever e a publicar. Tem mais de uma centena de livros publicados e a sua poesia está traduzida em francês, inglês, espanhol e chinês.
Foi condecorado com a Banda da Cruz de Mérito, Grão Cruz da Falange Galega, o Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique e a medalha de Mérito Cultural da Cidade de Viana do Castelo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

"A lã e a neve" de Ferreira de Castro

"A Lã e a Neve", traduzido para chinês por Li Ping - Instituto Cultural de Macau, 1988
capa de Miao Pang Fei
Mais sobre Ferreira de Castro em Macau neste blog em: http://macauantigo.blogspot.com/2009/04/ferreira-de-castro-1894-1974.html

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Soneto de Macau Antigo

Macau envelhecido nas fachadas;
rostos, aguarelas nos postigos;
luzes, sombras; contrastes muito antigos;
fios, gaiolas, roupas penduradas.

Becos, pátios, lúgubres escadas;
o mahjong e o chá para os amigos;
divindades, incensos e formigas,
em volta das comidas ofertadas.

Um recorte de igreja ou de pagode!
brisas das ventoinhas, velharias;
sons, odores, mistura de hino e ode!

Mas já o camartelo está à espreita!
O passado a morrer sem poesia
E o futuro sem alma satisfeita!

Soneto "Quadro de Macau Antigo", de António Correia radicado em Macau desde 1980 in "Antologia de Poetas de Macau", 1999 ICM/IPO e "Amagao, Meu Amor",1992 MacauHoje Lda