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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Centenário do Sporting Clube de Macau: 1926-2026

Na edição de 11.9.2926 o jornal A Pátria informava que "Em portaria provincial, datada de 9 do corrente, foram aprovados os estatutos dêste novo clube. Os nossos parabens". Seria a 25.ª filial do Sporting Clube de Portugal. Da primeira direcção fizeram parte Henrique Nolasco da
Silva (Presidente), Francisco Borralho e Ângelo do Rosário.
A Portaria nº 172 tem a data de 8 de Setembro e foi publicada no dia seguinte no Boletim Oficial do governo da Província de Macau.
O Governador interino da Província de Macau, ouvido o Conselho Executivo, aprova, para os devidos efeitos, os Estatutos da Sociedade Desportiva «Sporting Club de Macau», que baixam assinados pelo Secretário Geral do Govêrno e fazem parte integrante desta portaria. Cumpra-se. Palácio do Govêrno em Macau, 8 de Setembro de 1926. — O Governador interino, Hugo de Lacerda. Estatutos da Sociedade Desportiva «Sporting Club de Macau» CAPÍTULO I Fins e organização 1. A sociedade «Sporting Club de Macau», organizada com o fim de desenvolver a educação física dentro desta Colónia, proporcionará aos seus sócios toda a instrução ginástica, quer individual ou colectiva, quer aplicada, e bem assim a prática de todos os jogos e desportos físicos. 2. A parte de educação física será dividida em quatro secções, regidas por um regulamento interno: 1.ª Secção — Ginástica Suéca e aplicada.
2.ª Secção — Desportos atléticos.
3.ª Secção — Jogos e desportos individuais e colectivos.
4.ª Secção — Náutica. 3. A autoridade soberana da sociedade reside na assemblea geral, reunida conforme as prescrições dêstes estatutos. (...)
Imagem criada por IA de acordo com regulamentos de 1926

De acordo com os estatutos (Cap. 17 e 18) as bandeiras e equipamentos do clube ("pavilhão e uniformes") eram:
Os pavilhões serão os seguintes:
N.º 1 — Do Club — Verde, rectangular, tendo no centro o leão do Club inferiormente semi-circundado pelas iniciais S. C. M. em branco. 
 N.º 2 — Dos teams de foot-ball — Rectângulo branco com duas faixas verdes em diagonal, tendo no meio do rectângulo, junto à tralha, o leão do Club. 
 N.º 3 — Da equipe de desportos atléticos e jogos — Rectângulo branco com o leão do Club junto à tralha. 
 § 1.º O pavilhão n.º 1 será hasteado na sede da sociedade e nos campos onde o Club concorra, em dias de festa nacional, domingos e dias de assemblea geral. Será hasteado em funeral, na sede, durante três dias, quando falecer algum sócio. 
 § 2.º Os pavilhões n.º 2 e 3 serão hasteados sempre e onde oficialmente esteja representado o Club, quer em provas de foot-ball, quer em desportos atléticos, quer em jogos individuais ou colectivos.
Imagem criada por IA de acordo com regulamentos de 1926

18. Os uniformes do Club serão: 
 1. Para foot-ball — Camisa de algodão com frente e costas alternadamente partida em duas metades, uma verde e outra branca.
colarinho e punhos pretos, bolso preto no lado esquerdo, e neste o leão do Club semi-circundado pelas iniciais S. C. M. Calção preto e meias pretas com o canhão verde e branco. 2.º Para tennis, cricket e similares — Calça, meias, sapatos e camisa branca tendo sobre o bolso o leão do Club. Quando se jogar com sweter deverá esta ser branca, sem gola, com fecho verde e preto e o leão no peito. 
3.º Para desportos atléticos, remo, ciclismo, etc. — Calção preto e camisola branca de mangas curtas e sem gola, decotada e debroada a verde, tendo no peito o leão do Club. 
4.º Para natação — Maillot preto debroado de branco tendo no peito o leão do Club semi-circundado pelas iniciais S. C. M., tudo em branco igualmente. 
 49.º O distintivo do Club será um leão em campo verde circundado por uma faixa negra com as iniciais S. C. M. 
 50.º O uso dos uniformes é obrigatório em todas as provas oficiais, em dias de festa do Club e sempre que a direcção o entenda conveniente. 
 51.º É absolutamente vedada a prática de qualquer sport, sem o uniforme apropriado. 
 52.º Os directores, membros da comissão revisora de contas, membros da assemblea geral, directores técnicos e médico, e bem assim os capitães de equipe e dos teams, usarão sobre o leão, quando na efectividade, uma estrela de cinco bicos, em ouro ou dourada.
Bandeira do "Foot-ball" segundo os regulamentos
ilustração criada por IA não garantido ser totalmente fiel ao original

Pouco mais de um mês depois, a 24 de Outubro, era "inaugurado solenemente este novo Clube que tem a sua sede na Av. Conselheiro Ferreira de almeida nº 27", segundo notícia do jornal A Pátria a 22 de Outubro de 1926.
PS:
Sugiro a leitura do artigo publicado no jornal Ponto Final de 22.9.2026 sobre o centenário do SCM. Quando joguei nos júniores do SCM no final da década de 1980 o equipamento já tinha as tradicionais listas horizontais verdes e brancas. Eram camisolas de tecido 'pesado' provavelmente da década de 1960/70. Curiosamente este equipamento surgiu também 1926. Em finais desse ano, ao assistir a uma partida de râguebi em que participava o Racing de Paris, Salazar Carreira ficou tão impressionado com as camisolas usadas por esta equipa, que levou uma para Lisboa e adaptou-a às cores do Sporting Clube de Portugal, fundado em 1906.

sábado, 21 de março de 2026

Tai Chi Chuan na rotunda Ferreira do Amaral

Nesta fotografia da década 1950/60 um praticante de Tai Chi Chuan na rotunda Ferreira do Amaral.
O Tai Chi Chuan é uma arte marcial chinesa tradicional que se foca em movimentos lentos, suaves e fluidos. Amplamente praticada em Macau ainda hoje - nomeadamente em jardins - os principais benefícios incluem o aumento do equilíbrio, flexibilidade, força muscular e a redução do stresse. A prática baseia-se na filosofia do Yin e Yang, procurando o equilíbrio entre forças opostas através da quietude e da suavidade

domingo, 8 de março de 2026

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Centenário do edifício da Caixa Escolar

Há 100 anos neste dia o jornal "A Pátria" noticiava a "Inauguração do novo edifício da Caixa Escolar" ocorrida dois dias antes no Tap Seac sendo um "projecto do condutor de Obras Públicas" Gastão Borges.
"Fez-se no último Domingo, pelas 15 horas, conforme noticiámos. Compareceram, S. Exa. o Governador, com sua Exma. Espôsa e Ajudante, Dr. Albuquerque, Sua Exa. Revma. o Sr. D. José da Costa Nunes, e as pessoas mais distintas desta cidade entre militares, civis e particulares.
Foi servida uma taça de champanhe, brindando em primeiro lugar o Sr. Henrique Nolasco da Silva, Director da Caixa Escolar. Agradecendo a comparência das pessoas presentes, historiou a origem, progresso e desenvolvimento daquela instituição, pondo em evidência os benéficos resultados da Caixa Escolar, em pró da mocidade escolar, bem como a maneira como tem desempenhado o cargo que lhe foi confiado pelo Governo da Província de administrar a Bôlsa de Estudos. Apela para a numerosa assistência, a fim de que todos, sem excepção, se inscrevam como sócios da Caixa Escolar.
Responde S. Exa. o Governador, congratulando-se com os resultados obtidos e incitando a Direcção a envidar os melhores esforços no sentido de obter por meio dos exercícios desportivos, bem orientados, uma nova geração ilustrada e morigerada, sendo certo que nada influí tanto numa boa educação moral e na formação do carácter cívico, como são os exercícios físicos bem conduzidos.
Em seguida foram executados, sob a sábia direcção do Sr. Artur Borges, vários exercícios ginásticos, que muito agradaram. No campal tocava a banda do Orfanato da Imaculada Conceição, enquanto a assistência se entretinha a ver vários jogos desportivos, entre os quais o boxe e o tennis. Pelas 17 horas serviu-se o chá e dançou-se até que horas dentro do edifício. Felicitamos a Direcção e, mais uma vez, agradecemos o convite para assistirmos a tão simpática festa."
o edifício actualmente

sábado, 22 de novembro de 2025

"História do Karting em Macau”

Editado em 2024 pela Praia Grande Edições a "História do Karting em Macau” é um livro trilingue (português, chinês e inglês) da autoria de Carlos Barreto e Pedro Dá Mesquita que como o título indica documenta a história do karting em Macau, incluindo muitas fotografias a cores e a preto e branco de competições locais e internacionais realizadas no território
O karting surgiu em Macau através da delegação local do Automóvel Clube de Portugal em 1965. A primeira edição da prova decorreu no circuito do Grande Prémio de Macau que nesse ano iria cumprir a  12ª edição. As edições de 1966 e 1967 aconteceram num circuito improvisado nas imediações do Liceu, campo dos operários e rotunda Ferreira do Amaral.
Na fotografia da capa do livro um aspecto da edição de 1967 frente ao Liceu, vendo-se muita assistência, não só no interior do recinto do Liceu como também no próprio edifício, incluindo no topo. Ao fundo o edifício Rainha D. Leonor. Do lado esquerdo seria construído cerca de uma década mais tarde o Hotel Sintra.

Os pilotos 'macaenses" dos primeiros anos do karting: Johnny Reis, Baltazar Botelho, Walter Reis e Leonel Barros.

As imagens acima são do livro referido.

A prova de 1967 - 2ª edição - decorreu em Setembro e mereceu destaque no jornal Notícias de Macau, logo a partir dos treinos. (imagens abaixo)
Teddy Yip, de Hong Kong, intimamente ligado ao Grande Prémio, foi um dos principais entusiastas do Karting em Macau sendo também piloto nas provas. Em 1967 por Macau correram os pilotos Walter A. Reis, José Walter Reis e Baltazar Botelho.
O circuito do "Go-Karting"  tinha a meta frente ao Liceu. Passava pela rotunda de Ferreira do Amaral seguindo em direcção ao Porto Exterior na então denominada Av. Oliveira Salazar (actual Av. da Amizade); voltava-se depois no sentido inverso passado frente aos terrenos já reservados para a construção do Hotel Lisboa.
Em declarações ao blogue Macau Antigo Calos Barreto revelou estar a ser preparado "um segundo projecto que vai reunir as histórias contadas pelos pilotos locais que participaram nas provas do Grande Prémio de Macau."

sábado, 13 de setembro de 2025

Um "Desafio de Pedibola" e outro de "Foot-ball"

A palavra "futebol" é a forma aportuguesada do inglês "football" - foot (pé) e ball (bola). Antes deste anglicismo vingar outras palavras existiram para designar este desporto: ludopédio, pebol, balípodo, pedibola, bodabolismo... Na década de 1920 - há um século - a palavra "pedibola" ainda era usada como se pode verificar pela notícia publicada no jornal A Pátria a 29 de Abril de 1928. 
Outros jornais como A Verdade usavam a palavra original... A notícia abaixo é da edição de 24 de Novembro de 1928 e dá contra de um jogo entre as equipas da Escola Comercial e do Liceu.

sábado, 10 de maio de 2025

Ilustres desportistas macaenses

Este post foi inspirado num leitor do blogue que me enviou duas fotografias de macaenses que foram futebolistas da Académica de Coimbra.
Dito isto, falemos então de quatro ilustres futebolistas macaenses da primeira metade do século 20: António Maria da Conceição (n. 1910), Vítor Augusto de Sousa (n.1918), Joaquim Pacheco (n. 1926) e Augusto Rocha (n. 1935).

António da Conceição
Nascido em Macau em 1910, António Maria da Conceição foi no território, ainda jovem, atleta de várias modalidades, com maior destaque no atletismo sendo várias vezes campeão pelo Liceu. 
No final da década de 1920 foi para Portugal tirar o curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa. No clube do coração, o Sporting, singrou não só no atletismo ( campeão nacional de estafetas 5 x 80m em 1928 e 1930), como também no futebol chegado a alinhar pelas reservas do Sporting. 
Regressado à terra natal em 1939 tornou-se seleccionador e treinador da Selecção de Macau, foi presidente da filial do Sporting para além de professor e jornalista.
Morreu em 1985. Em 1991, pelo seu desempenho em prol do desporto local, foi condecorado a título póstumo com a Medalha de Mérito de Macau.

Sobre Vitor Augusto de Sousa, nascido em Macau em 1918, só tenho a informação que jogou na Académica de Coimbra.
Joaquim Pacheco

Joaquim Pacheco nasceu em Macau a 30 de Março de 1926. Começou por jogar no Argonauta e depois no grupo Desportivo da Polícia de Macau onde esteve entre 1946 e 1949. Um ano depois, em Abril de 1950, recomendado por António da Conceição (dirigente do Sporting de Macau) chegava ao Sporting (de Lisboa) com 24 anos O primeiro jogo, como avançado, foi a a 17 de Setembro desse ano, no Estádio Nacional, frente ao Benfica. A partir de 1952 fixou-se na linha de defesa.
Consta que recebeu convites do Benfica, Desportivo de Lourenço Marques e do Eastern Sports de Hong Kong. 
Jogou oito épocas no Sporting (156 jogos e 8 golos) e foi quatro vezes campeão nacional. Foi chamado uma vez a representar a Selecção Nacional, a 21 de Dezembro de 1957, em Milão, em jogo de apuramento para o Campeonato do Mundo. No final da temporada de 1958/59, com 33 anos, saiu do Sporting e regressou a Macau onde trabalhou muitos anos no Hotel Lisboa. Em 2006 foi distinguido com o Prémio Stromp na categoria Saudade.
Sporting de Macau 1953/54: Rocha é o 1º da esquerda em baixo

Augusto Rocha nasceu em Macau a 7 de Fevereiro de 1935. Chamavam-lhe “Lou Fu Chai”, o “Pequeno Tigre”, alcunha do pai. Começou a jogar futebol no Negro Rubro em 1952 e na época seguinte transferiu-se para o Sporting de Macau na altura dirigido por António da Conceição que em 1954 será o grande responsável pela ida de Rocha para o Sporting Clube de Portugal.
Rocha era avançado e acabou por não vingar em Alvalade transferindo-se em 1956 para a Académica de Coimbra treinada na altura por Cândido de Oliveira. Em Coimbra teve sucesso a ponto de em 1958 os leões pretenderam contratá-lo de novo (Travassos estava no final da carreira). O que acabou por acontecer mas apenas em treinos já que a transferência não seria concluída. Em Coimbra jogou até 1971 num total de 373 jogos e marcou 59 golos.
Curiosidade:
O Restaurante Lung Wah que abriu em 1976 no nº 155 da Rua Cidade de Poitiers, Monformoso, Coimbra, é propriedade de Augusto Rocha.

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Campeonato de futebol em 1957

Com 12 vitórias e um empate em Junho de 1957 o Grupo Desportivo da Polícia venceu o campeonato de futebol de Macau  na época 1956-57. O Sporting Clube de Macau ficou em 2º lugar e o Sport Macau e Benfica em 3º. Seguiram-se: Argonauta, San Fa Un, Lusitano e Cheok Lin. 



Classificação em Fevereiro de 1957


Os recortes de imprensa são do jornal Notícias de Macau.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Mário Barros: 1926-2011

A fotografia testemunha a entrega a Mário Edmundo Aires da Silva Barros o troféu de Campeão na Prova de Tiro, na primeira metade da década de 1950, entregue pelo governador Marques Esparteiro. 
Pertence a João Martins: "Consegui encontrar entre os milhares de fotos do passado estas do meu grande, grande amigo Mário Barros que sempre teve a paciência, gentileza, simpatia e amizade em aturar um "garoto" de 11/12 anos, no seu gabinete do Tribunal Administrativo de Macau., na altura situado no segundo andar dos CTT." 
Já Rui Francisco recorda-se da faceta desportiva de MB: "Foi meu professor particular (em pesos e alteres) tendo alugado um pequeno apartamento que utilizava como ginásio e ensinava a meia dúzia de aficionados que gostavam daquela actividade e outras (ginástica, judo, tiro, etc...) em que ele era bastante entusiasta".
Outro aspecto da distribuição de prémios, com a presença de: Governador, juiz Marques Mano, Alberto Jorge, advogado e deputado, Costa Pereira, Chefe dos Serviços Administrativos, Capitão Alberty Correia, Chefe do Estado Maior e do novo Comandante Militar.
Mário Barros (em cima numa fotografia da década de 1970), era muito conhecido entre as comunidades portuguesa, macaense e chinesa. Especialista no judo e outras artes marciais, chegou dar formação aos elementos das Força de Segurança locais (PSP e Polícia Judiciária), bem como a particulares. Nasceu em Dezembro de 1926 sendo baptizado na igreja de Santo António. Morreu em Junho de 2011.

quarta-feira, 9 de março de 2022

Augusto Rocha, o pequeno tigre (lou fu chai)

Em 1955, Augusto Rocha (AR), o futebolista macaense com a maior projecção de sempre, partia para Portugal (imagem abaixo). Na imprensa podia ler-se: "A fim de ingressar no Sporting Clube de Portugal, partiu recentemente para a Metrópole o jovem futebolista macaense Augusto Rocha que é, sem dúvida, uma das maiores revelações de futebol nesta Província. No cais de desembarque, a despedir-se do jovem futebolista, compareceram, além de sua mãe, alguns amigos meus, antigos professores e dirigentes do Sporting Clube de Macau, e o Dr. António Maria da Conceição que foi quem tratou da sua ida para o Sporting".
Ao jornal Ponto Final em Fevereiro de 2022, AR recordou esse tempo: "O futebol era muito diferente, tinha outra entidade. Quando cheguei, achei que era pequeno demais [risos]. Era um miúdo, tinha 18 anos. Fiquei no Sporting dois anos, estava lá o Pacheco [Joaquim Pacheco], que era de Macau, fiquei em casa dele".
Depois de representar o SCP, onde não foi muito feliz, AR vestiria a camisola da Académica, clube onde viria a terminar a sua carreira. No tempo em que viveu em Portugal representou ainda a selecção nacional.
Na imagem Augusto Rocha está de luvas e tem a sua mãe à esquerda. Do lado direito de Rocha está António Conceição presidente da filial de Macau do Sporting.  Ao lado deste estão o Prof. Almeida Serra e Frederico Nolasco, neto de um dos fundadores do SCM.
Com Pelé no último jogo pela selecção portuguesa

Nascido em Macau a 7 de Fevereiro de 1935, Augusto Francisco Rocha (AR) começou por se destacar na bolinha (jogo de futebol de sete com uma bola mais pequena que a do andebol) e representou O Negro Rubro (1952/53) e o Sporting Clube de Macau (1953/54). 
Lo Sec - Lou Fu Chai

AR jogou ainda pela selecção de Macau - era médio avançado - e destacou-se nos Interports de futebol Macau vs Hong Kong. Iniciados em 1937, estes torneios jogavam-se de forma alternada num dos territórios e realizaram-se até ao final da década de 1950 nos moldes originais. Augusto Rocha participou e foi decisivo em alguns dos encontros. Em 1951, por exemplo, Macau ganhou por 3-0 e em 1953, voltaria a ganhar por 3-2, com dois golos de Rocha.
Era conhecido por Lou Fu Chai, o Pequeno Tigre. O nome vem do seu pai, que tinha por alcunha tigre. “Os outros que me deram [a alcunha] é que sabem. O meu pai era o tigre, e eu era o filho do tigre”
Oriundo de Alcobaça rumou a Macau onde casou com uma chinesa (Trresa). Augusto cresceu e depressa se afamou como jogador de bolinha. O seu ídolo era Joaquim Pacheco, o polícia macaense que jogava a defesa no Sporting. 
José de Carvalho e Rêgo, no livro "Figuras Desportivas (1996) refere-se a este jovem macaense já que o viu jogar várias vezes.
"Vimos Augusto no desafio Negro Rubro – Sete tigres com a vitória dos macaenses por 4-1. Dois golos de Augusto e dois de João Rocha. O último golo foi uma maravilha de execução. Augusto, depois de fintar e de driblar todos os adversários, apareceu isolado em frente do famoso I Iu Tak – este, pensando que  a bola seria atirada para o lado esquerdo, lançando-se mal, vê a bola tocada para o direito". 
Num outro jogo, entre o Negro Rubro e o South China, de Hong Kong, a equipa macaense ganhou por 3-1: 
“Recordamos o último golo marcado por Augusto. Após receber a bola vira-se para a esquerda e dribla sucessivamente dois adversários e prepara-se para cruzar. Não o faz e leva a bola para a grande área fingindo querer ceder a bola a João Rocha e, de repente atira e a bola entra sem possibilidade de defesa. Foi o delírio no campo” 
Sobre um confronto com selecção de Hong Kong em 1953 … "no último golo quando recebeu a bola do João Rocha correu uns metros e atirou a 15 metros da baliza. A bola foi embater no poste direito e entrou sem possibilidade de defesa para o guarda-redes inglês. Após esse sucesso é convidado a jogar no St. Joseph e no Eastern".  
Apesar de cobiçado por vários clubes (entre eles o Benfica e o Desportivo de Lourenço Marques), Augusto Rocha sairia de facto de Macau rumo a Portugal.
Representou o Sporting Club de Portugal nas épocas 1954/55 e 1955/56 e a Académica de 1956/57 a 1970/1971, época em que terminou a carreira.
No SCP começou por jogar na equipa das reservas e só no ano seguinte alinhou pela equipa principal onde as prestações não foram as melhores. Em 17 jogos marcou 2 golos.
Partiu para a Académica em 1956 sendo ainda hoje considerado o mais carismático futebolista de toda a história do clube que conseguiu na altura excelentes resultados no campeonato incluindo a melhor classificação de sempre, o segundo lugar na época 1966/67.
 Em 1958 o SCP ainda tentou contratá-lo mais uma vez e o acordo até chegou a ser assinado mas AR acabaria por desistir e devolver os 400 contos acordados.
Na Académica AR jogou 363 partidas e marcou 58 golos. 
Pela selecção portuguesa de futebol registou 12 internacionalizações: duas pela seleccão B, uma pelas “Esperanças” e nove pelos militares. Estreou-se a 13 de Abril de 1958, em Madrid, contra a Espanha (derrota por 1-0) e despediu-se a 21 de Abril de 1963, com o Brasil (campeão do mundo), em Lisboa (vitória por 1-0). 
Pela selecção militar venceu o torneio internacional realizado em Lisboa, em Novembro de 1958, e na final os portugueses ganharam a França por 2-1. Da Selecção principal despediu-se a 21 de Abril de 1963, no histórico jogo em que Portugal ganha ao Brasil, campeão do Mundo, por 1-0.
A carreira futebolística da AR terminaria em 1968 e a vida prosseguiu em Coimbra onde completou o curso dos liceus e entrou para a Faculdade de Ciências tendo desistido da licenciatura. Em 1979, abriu um restaurante chinês no Monte Formoso, a que deu o nome de Lung Wah, Dragão Chinês.
Para além de Augusto Rocha, outros nomes do futebol macaense se destacaram, embora não tenham tido a mesma projecção. Citando alguns exemplos, refira-se Joaquim Pacheco (no SCP em 1954), Francisco Cunha, João Maria Rocha, Belo, Mário Costa Alberto e Eduardo Jesus Júnior.
Num regresso a Macau

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Elementos para a história do ténis

O Ténis Militar e Naval de Macau foi constituído em 1932 (estatutos de 13 de Abril de 1932 - Portaria 830)  fruto da fusão dos antigos “Ténis Militar” e “Ténis Naval”. Ficava - e ainda fica - junto a Santa Sancha.
Existiram ainda o Ténis Civil e o club de Ténis chinês na Areia Preta
Vista aérea: década 1930/40
Portaria nº 830
A propósito de umas crónicas sobre o surgimento do cinema sonoro, Henrique de Senna Fernandes deixou um testemunho dos anos do ténis em Macau no início do século 20, neste caso, em 1929...
"No capítulo de desporto, havia uma actividade intensa. No campal começava, ainda incipiente, a preparar-se a grande geração dos hoquistas que tanto honrariam Macau. O futebol era marcado pelo “Argonauta”, pelo “Tenebroso” e pelo “team” da Sociedade União Recreativa. Mas foi o ténis que se impôs, com os campeonatos do Ténis Civil e do Ténis Militar e o Grande Torneio de Ténis Xangai-Macau.
Este torneio de ténis, entre Xangai e Macau, realizado em fins de Novembro de 1929, não foi propriamente um despique entre as duas cidades, pois os tenistas visitantes emparceiraram com os nossos em quase todas as partidas. Os tenistas de Xangai eram Mlle. Telma Colaço, Raúl Canavarro (campeão de Xangai), Gordon Lum e Paul Kong, tendo estes dois representado a China no “Davis Cup”. Os tenistas de Macau que participaram nos jogos do Ténis Civil foram Mlle. Emília Figueiredo, D. João de Vila Franca (campeão de Portugal), José Maria de Senna Fernandes, António Melo, Raúl Xavier e Alberto Jorge. Os desafios marcaram, não só pelo vigor empenhado, como também pela elegância desportiva manifestada. A mais impressionante partida que delirou a assistência, foi o despique Portugal-China; dum lado, Raúl Canavarro e D. João de Vila Franca, e doutro, os chineses do “Davis Cup”. Ganhou a China, após luta brava.
Os visitantes conheceram o melhor da hospitalidade macaense. Começou o programa com uma recepção no Clube de Ténis da Areia Preta, onde se realizaram alguns encontros amigáveis. Houve no dia seguinte um passeio a Tong Ká (China), um porto piscatório, a 50 quilómetros, a nordeste de Macau. Os desafios propriamente ditos, tiveram lugar, durante dois dias, no Ténis Civil, terminando o programa com um jantar muito elegante no Hotel Riviera. Os visitantes ainda se demoraram mais alguns dias, a convite doutros clubes de ténis, como o Ténis Militar, o Ténis Naval, etc.. Por último, houve a desforra Portugal-China, com os mesmos parceiros, terminando com a vitória da China, que não foi fácil.”

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

José Martins Achiam e o Karate-Do Seigokan de Macau

O Shihan José Martins Achiam (1944-2008) é considerado o fundador da prática do Karaté em Macau.
Em 1966 deu início de forma informal às actividades no quintal da casa de um de seus alunos, Alberto Carlos Paes D’Assumpção (Acaio), no nº 2 da Rua Central nº 2-c. Este viria a ser um dos introdutores do Karate Goju-Ryu Seigokai no Brasil.
Achiam, ou o "Mestre" como era conhecido, deslocava-se semanalmente a Hong Kong onde aprendeu no centro de artes marciais, Oh Do Kan, sendo aluno dos Sensei Seigo Tada e Yukiaki Yoki.
É deste modo que surge a Associação de Karate-Do Seigokan de Macau. Em Setembro de 1967 transferiu-se para o Seminário São José, onde oficialmente foi estabelecida a Associação de Karate-Do Seigokan de Macau (A.K.S.M.).
Finalmente a A.K.S.M. funda o seu próprio dojo numa casa cedida pelo Colégio Dom Bosco, na Avenida Coronel Mesquita. São desse local as imagens abaixo durante uma visita do então Governador de Macau, Garcia Leandro.
Em Setembro de 1975 a sede da associação teve a visita do coronel Garcia Leandro (Governador) do Secretário adjunto da Cultura e Assuntos Sociais (Capitão Victor de O. Santos) e do presidente do Comité do Desporto de Macau, José dos Santos Ferreira.

Do primeiro grupo de sete alunos, três foram para o Brasil para ensinar:.Luís Alberto da Silva Pedruco, em 1970; Alberto Carlos Paes D’Assumpção, em 1971; e Américo Machado de Mendonça, em 1974.
Outros alunos seguiram na diáspora macaense para a Austrália e Estados Unidos onde também foram instrutores.
Achiam morreu em Setembro de 2008 depois de mais de 40 anos dedicados ao Karaté em Macau. Para além de 7º Dan, foi membro do Comité Executivo da Federação Mundial de Karaté (WKF), Secretário-Geral da Federação Asiática de Karaté (AKF) e Presidente da Associação de Karatedo de Macau.
Em baixo José Martins Achiam durante uma demonstração para a imprensa em Hong Kong em Julho de 1978.
Curiosidade:
A macaense Paula Carion foi aluna de Achiam. Com um palmarés invejável, venceu a medalha de ouro nos Jogos da Ásia Oriental de 2005, realizados em Macau, e a medalha de bronze nos Jogos Asiáticos de 2006, 2010 e 2014.
Capa da revista "Macau" em 1987

"Há 50 anos atrás, um antigo Shihan de Karaté, José Achiam, espalhou a semente do karaté em Macau. A maioria dos membros fulcrais da actual selecção nacional de Macau é da nossa Seigokan de Macau, e obtiveram excelentes resultados na AKF e nos Jogos Asiáticos. Che Kuong Im (7º Dan)."