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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cruzamento da Rua Cinco de Outubro com a Av. de Almeida Ribeiro

Tudo indica que esta fotografia é da década 1930/40. Mostra o cruzamento da Rua cinco de Outubro com a Av. de Almeida Ribeiro.
À direita destaca-se o letreiro de Wong Chan Kei Ca Quinquilharia e Cambista.
Por baixo em chinês (Tradicional) 黃珍記總行 , ou seja, Sede da companhia Wong Chan Kei.
Já o letreiro à direita em maior destaque é o Veng Heng Cambista. Logo abaixo os 4 caracteres chineses dizem o mesmo. Segue-se 找換金銀找兌保商 que se pode traduzir como "Câmbio de ouro e prata, transações comerciais garantidas".
Ainda do lado esquerdo, no pilar estão os caracteres 祥珍茶莊 que anunciam a Loja de Chá Cheung Jan (Xiangzhen). Uma placa rectangular suspensa ao fundo indica o mesmo.

Detalhe de um recibo da década 1930 da Wong Chan Kee no nº 122 da rua 5 de Outubro.
 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

"Luto na Colónia"

Na sequência da morte do governador Tamagnini Barbosa a 10 de Julho de 1940, nesse dia e no seguinte, foram proibidos "divertimentos" em hotéis, restaurantes, casas de espectáculos e outros lugares". No jornal A Pátria de 10 de Julho uma pequena notícia refere o "Luto na Colónia:
"Por virtude do luto determinado pelo Govêrno da Colónia pelo falecimento de S. Exa. o Governador, os proprietarios e gerentes de hoteis, restaurantes*, casas de espectaculos e outros lugares onde se realizam divertimentos publicos, foram avisados de que, sob pena de desobediencia aos mandados da autoridade, hoje e amanhã, 10 e 11 do corrente mês, não são permitidos quaisquer divertimentos que nêsses estabelecimentos é costume realizar. A este respeito foi publicado um Edital da Administração do Concelho."

No dia seguinte à morte o jornal A Pátria não se publicou. No dia 10, os cinemas Vitória, Capitol e Apollo, que já tinham contratos de publicidade publicando regularmente anúncios viram os anúncios dos filmes 'cortados'.

O funeral realizou-se a 11 de Julho. No dia 10 o jornal A Pátria antecipava o programa das cerimónias fúnebres:
Nos actos funebres para o funeral de S. Exa. o Governador Artur Tamagnini de Sousa Barbosa, Sua Exa. o Encarregado do Governo determinou que se observe o cerimonial seguinte:
O cadáver de Sua Exa. o Governador ficará exposto no salão nobre do Leal Senado da Camara de Macau a pedido do povo desta cidade, feito ao Govêrno da Colonia por intermédio da Vereação, desde hoje, 10, até á saída do funeral, sendo o ataúde conduzido e colocado na eça pelos Vogais do Conselho do Govêrno.
O cadáver emquanto estiver em câmara ardente será velado por turnos organizados pelo Chefe da Repartição Central dos Serviços de Administração Civil e Chefe do Estado Maior, incumbidos de dirigir os funerais.
Amanhã, ás 11 horas, deverá ter lugar o funeral, que sairá do edificio do Leal Senado da Câmara de Macau para a Sé Catedral, onde o féretro ficará depositado até seguir para a Metrópole, sendo a chave da urna funerária entregue ao Sr. Encarregado do Govêrno.
Toda a fôrça armada disponivel formará em alas nas ruas por onde passar o cortejo fúnebre.
Uma bateria de artilharia achar-se-á postada nos terrenos do Pôrto Exterior a fim de dar a salva da ordenança, de 21 tiros.
Durante o dia de hoje e amanhã a Fortaleza do Monte dará um tiro de peça de meia em meia hora, desde as 8 ás 19 horas.
Durante os mesmos dias a bandeira Nacional será colocada a meia adriça, em todos os edificios públicos.
Durante 2 dias, a contar de hoje, é suspenso o serviço em todas as Repartições públicas dependentes do Govêrno, exceptuando aquelas em que o serviço pela sua natureza, não possa ser interrompido; ficam proibidos todos os espectaculos ou divertimentos públicos durante os referidos dias, ordenando as autoridades todas as demonstrações que costumam praticar-se em ocasiões semelhantes.
O funeral de S. Exa. é feito por conta do Estado."

terça-feira, 14 de julho de 2026

O funeral de Tamagnini Barbosa em Julho de 1940

Retrato a óleo (oficial) 
Imagem restaurada com a recurso a IA

A morte do governador (pela terceira vez) Artur Tamagnini Barbosa a 10 de Julho de 1940 ocupou toda a primeira página da edição desse dia do jornal A Pátria.
O padre Manuel Teixeira assina o artigo "Preito de Saudade" onde escreve ter acompanhado o governador nos últimos momentos de vida no Palacete de Santa Sancha, a residência oficial.
"Rodeado por quase todos, senão todos os Chefes de Repartição, assistido pelos médicos do corpo e da alma, amparado pelos amigos e tendo á cabeceira o seu filho estremecido, ás 7.25 horas da manhã*, S. Exa. o Governador* da Colónia, Artur Tamagnini de Sousa Barbosa, expirou plácidamente no ósculo do Senhor, com a cabeça inclinada para o lado direito."
A grande mancha da capa do jornal tem como título "O Governador de Macau, Artur Tamagnini Barbosa, faleceu ás 7.25 horas de hoje" e inclui uma fotografia.

"Artur Tamagnini de Sousa Barbosa, o governador predilecto de Macau, deixou hoje de viver nêste mundo de misérias e amarguras. De meia em meia hora a voz da artilharia está anunciando a todos a morte do preclaro cidadão.
Nesta mimosa e serena cidade de Macau, a que ele tanto se afeiçoou, berço de entes queridos, irmãos e filhos, nesta parcela de Imperio Colonial Português a que sempre dedicou cuidados especiais e pela qual, pelo muito que lhe queria, não hesitou em abandonar a situação culminante a que o seu mérito o guindára, para, sem olhar á saude, á categoria e aos proventos, vir ocupar o mesmo lugar com que iniciára quasi, há bem longos anos, a sua notavel carreira politica, Artur Tamagnini exalou o seu ultimo alento, após um prolongado e cruciante sofrimento, de que afectuosas dedicações não conseguiram salvá-lo.
Neste tão decantado e mimoso torrão português findou a existencia de Artur Tamagnini Barbosa, longe dos entes queridos — apenas o acompanhava um filho, Marco Antonio — sem conseguir vêr coroado do completo exito que desejava o seu esfôrço patriotico e desassombrado em prol de Macau.
Cidadão honesto, sincero, patriota, a sua vida, toda de trabalho, de honradêz, de lealdade e de dedicação pode sêr exposta á luz clara do dia, para exemplo dos que queiram seguir, sem tergiversar, a estrada do Dever.
O grande, imenso prestigio que carinhosamente cercava a inconfundivel figura de Tamagnini Barbosa, a admiração e o respeito que lhe tributavam as autoridades inglesas e chinesas e outras das circunvisinhanças desta Colónia, revelam bem o aprêço em que era tido o distinto colonialista nestas melindrosas paragens do Extremo-Oriente, hoje mais que nunca o ponto nevrálgico do mundo.
Estimado de longa data por tôda a comunidade chinesa e população macaense e europeia, era o perfeito colonizador e o mais excelente representante da civilização portuguesa. As manifestações de consideração e amizade de que foi alvo durante todos os periodos do seu govêrno em Macau são o melhor testemunho de quanto valia Sua Excelencia, que com lhaneza e refinado trato sabia manter a estima e o respeito de todos.
Artur Tamagnini de Sousa Barbosa foi nomeado a primeira vez governador de Macau por decreto de 1 de Junho de 1918, tomando posse em 12 de Outubro do mesmo ano. Uma mudança de ministério alguns mêzes depois originou o seu regresso a Portugal.
Por decreto de 19 de Junho de 1926 foi, pela segunda vez, nomeado governador da Colónia, o primeiro governador que para Macau foi nomeado pelo governo da Ditadura, tomando posse em 8 de Dezembro do mesmo ano, cargo que deixou em 1931 aureolado de invulgar prestigio nos meios estrangeiros, cujas autoridades frequentemente o visitavam.
Nomeado pela terceira vez governador de Macau, por decreto de 12 de Dezembro de 1936, cargo de que tomou posse em 11 de Abril de 1937, a morte abruptamente lhe interrompeu a carreira, hoje, ás 7.25 horas, contando 59 anos de idade.
A seus queridos filhos e irmãos e mais familia enlutada apresenta A Voz de Macau sentidas condolencias."
Aspecto do cortejo fúnebre a 11 de Julho de 1940
entre o Largo do Senado e o Largo de S. Domingos
Foto colorida com recurso a IA.
Original muito provavelmente da autoria de Neves Catela

Nota: Devido à Segunda Guerra Mundial o caixão forrado de zinco ficou muitos anos depositado na igreja da Sé. O corpo do governador só foi transladado para Portugal a 7 de Dezembro de 1946 a bordo do paquete Quanza que chegou a Lisboa a 21 de Janeiro de 1940 tendo nesse dia sido realizado um novo funeral no cemitério do Alto de S. João.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Nova iluminação pública em 1949

Entre 1947 e 1950 foi introduzido um novo sistema de iluminação pública denominado "Osira". A nova iluminação pública foi instalada em nove avenidas, oito ruas, dois largos, 2 estradas e uma calçada (Calçada de S. Francisco). Na época o Leal Senado, encarregue das alterações, concluía que "com a introdução deste novo sistema de iluminação, Macau deve ser das cidades mais bem iluminadas do Ultramar".
Tradução/Adaptação de notícia do jornal Va Kio a 4 de Maio de 1949:
"Noite no Porto Interior: A partir de agora as luzes prateadas brilham intensamente; a noite não fica atrás do centro da cidade
A imagem mostra as lâmpadas de mercúrio recentemente instaladas na Avenida Marginal (Porto Interior), apresentando um aspecto magnífico. As autoridades planeiam instalar mais destas luzes a partir deste local, estendendo-se ao longo da estrada até ao Patane. No total, serão instaladas mais de 30 lâmpadas. Quando o projecto estiver concluído, toda a zona da marginal ficará iluminada à noite, tornando-se tão clara como se fosse dia.
Segundo as autoridades: As ruas mais movimentadas de Macau irão receber este tipo de iluminação. Os trabalhos em cada troço da estrada estão a decorrer de forma progressiva. Prevê-se que a instalação esteja totalmente concluída no prazo de dois meses. Pode-se afirmar com certeza que este avanço será um grande impulso para a prosperidade e dinamismo da cidade."

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Artigos de MSM em "folhetins" no Notícias de Macau

"Manuel Silva Mendes
Continuamos hoje com a reprodução dos apreciados artigos que o falecido professor do Liceu, Manuel de Silva Mendes, deixou publicados em diversos periódicos que se editavam nesta cidade e, para que os mesmos possam ser coleccionados duma forma cómoda, fazemos esta reprodução, em folhetins, satisfazendo assim o desejo de muitos dos nossos leitores."
Graças a esta iniciativa do jornal Notícias de Macau foi possível juntar a quase totalidade dos artigos que Manuel da Silva Mendes (1867-1931) publicou na imprensa macaense entre as décadas de 1900 e 1920. O jornal viria a compilar e editar estes artigos - impressos na tipografia do jornal nos números 6 e 8 da Calçada do Tronco Velho - em vários livros ao longo da década de 1950 intitulados "Colectânea de Artigos de Manuel da Silva Mendes"*: 
"De há muito que o - Notícias de Macau pensava em reproduzir, na sua secção da - Revista da Imprensa - , alguns artigos de diversos indivíduos que escreveram em jornais que se publicaram noutros tempos, (...) Decidimos então principiar com a reprodução dos artigos de Manuel da Silva Mendes, distinto professor do Liceu, advogado e homem público que viveu largos anos nesta Colónia e que aqui faleceu, por as suas produções serem as mais abundantes, abrangendo assim grande diversidade de assuntos, além de que grande parte do que escreveu não perdeu de todo a actualidade. (...) "
* na década 1960 seriam publicados mais volumes intitulados "Nova Colectânea de Artigos de Manuel da Silva Mendes".

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Troço da Av. Almeida Ribeiro/San Ma Lou em 1948

Estas duas fotografias de 1948 - tirada junto ao edifício dos CTT vendo-se ao fundo o Largo do Senado e o Hotel Central - têm uma particularidade e naquilo que não mostram: os cartazes publicitários que a partir de 1949 foram uma constante naquela fachada e se mantêm até hoje.

segunda-feira, 2 de março de 2026

"Carreiras de Camionetas" em 1948

Na imagem abaixo um bilhete de autocarro do final da década 1940. A viagem começava no cais dos vapores (Poto Interior, junto à ponte-cais nº12) seguia pela Rua da Barra, depois pela Av. da República e Rua da Praia Grande até chegar ao "Aterro da Praia Grande" onde no cruzamento junto ao Jardim de S. Francisco, virava à esquerda para a Rua do Campo, até chegar ao destino final, o Bairro Tamagnini Barbosa (Toi San). 
Companhia de Auto-Ómnibus de Macau
澳門公共汽車公司
UA 7777 20 c. (20 avos)
Cais de vapores de Hongkong e Macau
港澳碼頭
Rua da Barra
媽閣
Avenida República
西灣
Aterro da Praia Grande
游泳場
Portas do Cerco
關閘
Bairro T. Barbosa
台山 
Este bilhete é válido só para uma viagem e é intransmissível
此票祇用壹次不得轉給別人

Terminada a segunda guerra mundial foi reactivado o serviço de transporte público na cidade de Macau. O Leal Senado lançou o concurso ganho pelo Companhia de Auto-Ónibus de Macau (com sede na Rua das Lorchas). Ficou com o exclusivo da operação a partir de 2 de Julho de 1947 e por um período de seis anos. Na prática o serviço só começou no final de Março de 1948 e com dois itinerários, segundo um anúncio publicado no dia 24 desse mês no jornal Notícias de Macau:
Carreiras de Camionetas da "Companhia de Auto-Omnibus de Macau"
com sede na Rua das Lorchas, No. 43
Seguem por enquanto 2 itinerários:
1.º  Partida na Rua Visconde Paço d'Arcos (ao Cais dos vapores), seguindo pela Av. Almeida Ribeiro, Praia Grande, Rua do Campo, Av. Conselheiro Ferreira de Almeida, Av. Horta e Costa e regresso ao ponto de partida pela Avenida Marginal.*
2.º  Partida do mesmo ponto, seguindo as camionetas em sentido inverso do anterior.
As carreiras funcionam todos os dias das 7 às 24 horas, sendo os intervalos entre duas camionetas entre 8 a 12 minutos.
Preço dos bilhetes — 20 avos para qualquer distância dentro dum itinerário.

Na década de 1950 a empresa tinha 25 viaturas ao serviço e cinco itinerários custando cada viagem 20 avos por pessoa. 
* A Avenida Marginal referida é o troço ao longo do Porto Interior: desde a Av. do Almirante Lacerda passando pela Rua da Ribeira do Patane até ao Cais dos Vapores, onde ficava o ponto de partida e de chegada dos autocarros, uma zona muito movimentada por ser a ligação de Macau com o exterior. Em cima uma fotografia da época onde assinalei a paragem dos autocarros, junto à ponte-cais nº 12.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Um "pai fong" especial em Outubro de 1945

A fotografia - encontrada numa pesquisa aleatória na internet - retrata o quotidiano em Macau em Outubro de 1945 (embora não estivesse datada). Sobre a data e o que mostra a imagem é o que trata esta publicação...
Ao centro destaca-se um um "pai-fong" (arco comemorativo) erguido para celebrar a vitória da China na Guerra de Resistência contra o Japão por via do fim da II Guerra Mundial. 
Entre os vários elementos visuais no arco está a bandeira do Kuomintang (da República da China) - ainda não tinha sido proclamada a República Popular de 1949 - e a cruz que simboliza a vitória aliada. 
Após a rendição do Japão em Agosto de 1945, os arcos comemorativos incorporaram frequentemente o símbolo "V" ou cruzes - vê-se uma do lado direito - para representar a vitória dos Aliados e o fim da II Guerra Mundial. O arco assinala também as festividades do "Duplo Dez", alusivas ao 10 de Outubro de 1911, data da proclamação da República na China.  A Revolução Xinhai derrubou a dinastia Qing pondo fim a mais de dois mil anos de regime imperial e estabelecendo a República da China.
Em 1945 as festividades foram particularmente grandiosas já que se celebrava também o fim da ocupação japonesa na China. Os arcos deste ano incluíam frases como 世界和平 "Paz Mundial" e 光復祖國 "Restauração da Pátria".
Ao fundo vislumbra-se parte da fachada do edifício do Leal Senado. Podem ainda ver-se transeuntes - civis e militares cujas indumentárias de tempo mais frio ajudam a datar a foto - e riquexós (do lado direito). A fotografia foi tirada do Largo de S. Domingos. Entre as placas comerciais do lado esquerdo está a Garage Popular (chegou a estar na Av. Almeida Ribeiro), a Livraria Po Man Lau 寶文新圖書局 (esteve noutros locais nesta zona), um consultório médico 大醫師 e uma mercearia 民平. Do lado direito a placa toponímica do Largo de S. Domingos. 
Livraria Po Man Lau vista do outro lado

terça-feira, 4 de novembro de 2025

"O Hotel sem igual em Macau"


Publicado nas páginas do jornal O Clarim em 1948 este anúncio ao "Hotel sem igual em Macau" não terá sido dos mais eficazes... Ou talvez fosse. Trata-se do Hotel Carmen e que anos mais tarde viria a denominar-se Pousada Macau Inn. Ficava no nº 1 da Travessa do Padre Narciso na esquina com a Rua da Praia Grande, ao lado do jardim do Palácio do Governo. Uma versão diferente foi publicada posteriormente. (imagem abaixo) 
No nro 1 da Travessa do Padre Narciso está actualmente o The Macau Chinese Bank.
Hotel Carmen no início da década 1950. Foto Angie R.

Curiosidade: hoje em dia existe uma Pensão Carmen na Rua da Madeira.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

"Peace & Order reigning in Macao"

The Hongkong News 10.9.1943


PEACE & ORDER REIGNING IN MACAO
False Propaganda Spread By U.S.
Canton, Sept. 8 (Domei) - It is reported from Macao that contrary to the false propaganda spread by the United States and Britain, peace and order are reigning in Macao and that there is not the least indication of any sort of unrest, with the only effects of the current war on Macao being the increase in population as well as some advance in commodity prices, Portuguese sources revealed today.They pointed out that, for instance, the Central Hotel is accommodating many guests daily. It is generally believed that the fabricated news of disturbances in Macao, by the United States and Britain, was in order to recruit Chinese and Indians in Macao for replenishing the diminishing number of workers for the United States air force in Chungking.

PAZ E ORDEM REINAM EM MACAU
Falsa Propaganda Espalhada Pelos E.U.A.
Cantão, 8 de Set. (Domei) - É reportado de Macau que, contrariamente à falsa propaganda espalhada pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha, a paz e a ordem reinam em Macau e que não existe o menor indício de qualquer tipo de agitação, sendo os únicos efeitos da guerra atual em Macau o aumento da população, bem como um certo avanço nos preços das mercadorias, revelaram hoje fontes portuguesas.
Salientaram que, por exemplo, o Hotel Central está a alojar muitos hóspedes diariamente. Acredita-se em geral que as notícias fabricadas de distúrbios em Macau, pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha, tinham como objetivo recrutar Chineses e Indianos em Macau para reabastecer o número decrescente de trabalhadores para a força aérea dos Estados Unidos em Chungking.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Recinto de Dança ao ar livre no Hotel Bela Vista

Este anúncio foi publicado no Notícias de Macau a 15 de Setembro de 1955. Há 70 anos anunciava-se que o "recinto de dança ao ar livre do Hotel Bela Vista funcionará diariamente das 21h às 0h30" com "bebidas a preços acessíveis" e as "últimas novidades musicais pela Orquestra de Tony Costa" (provavelmente das Filipinas).
Em baixo, uma foto de Jack Birns, tirada em 1949, mostra o terraço e a vista que proporcionava sobre a baía da Praia Grande e as ilhas em redor. Entre as várias publicações aqui no blogue sobre este hotel sugiro esta em inglês e esta em português.


domingo, 25 de maio de 2025

Facturas de electricidade: 1943 e 1947


Factura de 1943 emitida pela Comissão Administrativa dos Serviços Municipais de Electicidade

Emitida pela Melco em 1947

sábado, 3 de maio de 2025

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Procissão fúnebre junto ao templo de A-Ma

Esta fotografia não tem a melhor qualidade para permitir uma análise 100% correcta. Após algum tempo de análise conclui que no canto inferior esquerdo está timbrada a expressão "Po Man Lau Macao". Provavelmente da década 1930/40 mostra uma procissão fúnebre no largo frente à entrada do Templo de A-Ma, na Barra. 
Entre os vários elementos que permitem esta conclusão estão as "lanternas funerárias" (em 1º plano) usadas nestes cortejos. Incluí uma fotografia do mesmo local como prova praticamente inequívoca que se trata do local mencionado. A Po Man Lau era uma papelaria/livraria que teve morada na rua de S. domingos e no Largo do Senado na primeira metade do século 20. Também se dedicava à fotografia vendendo rolos e fazendo a revelação dos filmes. Tinha também uma tipografia e editada pequenos livros e postais ilustrados.

sexta-feira, 28 de março de 2025

Edifício nos aterros da baía da Praia Grande

O edifício assinalado tem a fachada principal virada para a Rua da Praia Grande já muito perto do Clube Militar e a fachada lateral esquerda virada para a Av. D. João IV (inaugurada em Dezembro de 1940). No vasto lote de terreno em frente seria construído o edifício da Escola Comercial no início da década 1960 e mais à frente, junto à linha de água, entre 1952/54, o edifício do Liceu Nacional Infante D. Henrique (junto à linha e água).
Aterros da baía da Praia Grande nos primeiros anos da década 1950 vistos da entrada para o Jardim de S. Francisco, acesso pela Rua de Santa Clara.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

A Far Eastern Focus Point

Na secção literária da edição de sábado, 15 Novembro 1941, o jornal australiano The Age publica um artigo sobre Macau da autoria de S. K. intitulado A Far Eastern Focus Point. Inclui duas fotografias da cidade.
Contexto: A China estava sob ocupação japonesa desde 1937 e Macau mantinha, tal como Portugal, uma posição de neutralidade sobre o conflito; a segunda guerra mundial, iniciada na Europa em 1939, estava prestes a alastrar ao Oriente. Para além das questões geopolítica, o autor do artigo aborda também a questão do jogo, em especial o praticado no Hotel Central.
A Far Eastern Focus Point
Macao 
Its Reviving Importance
Macao, Portuguese colony and Chinese city, neighbor to Hong Kong comes more important as the Far Eastern crisis develops. In name and determination it is still a friend of the British  Empire, for the population, mainly Chinese and Portuguese, are naturally more in favor of the democracies than of imperialistic Japan. The question is, however, whether they will be able to hold their position or whether they will surrender to the invading Nippon army. 
Macao's best chance is to remain neutral. Whether it will succeed in doing so is, very much a question of circumstances.
Portugal Arrives
Macao's might, as with practically everything Portugal possesses, lies in its tradition. It is the oldest European settlement in China. It was founded as early as 1557, in times when the Far East, especially the Empire of the Son of Heaven, was but a myth to European nations.
China, however, did not recognise it as a Portuguese territory; Dutch armies attacked its 11 square miles, but heroism, bloodshed, despair and a terrific determination retained the island for the Portuguese until, in 1887, China finally gave it to Portugal as a gesture of gratitude for making the waterways safe from the pirates.
Throughout the seventeenth and eighteenth centuries Macao was the chief port for Western trade with China, but foreign factories established at Canton, Hong Kong and Shanghai broke down the Portuguese monopoly of trade in the Far East and the colony declined in commercial importance. But this is not the only reason. Macao was an ideal-port for the comparatively shallow-draught vessels of the early days. The coming of modern ships proved a severe blow to Macao's trade, which moved principally to Hong Kong. Macao became of secondary Importance.
Now, however, the tide slowly turns, and the Portuguese colony in the Far East might play the same role as Portugal plays in Europe at the present time. 
Admission Free
To say that Macao is fascinating is not exaggeration. Even the name represents someone's fantasia. In Europe - apparently it came from Portugal - "macao" is a gambling game. Macao the town is again mainly popular because of its gambling dens. It takes four hours to get there from Hong Kong in a crowded 800-ton ship, such as the steamer Chun Chow, which sails from Victoria with a few Europeans and roughly 2000 Chinese. The latter are mostly  refugees from Canton and distant Chinese provinces and those who for some reason or other cannot stay in Hong Kong. 
Macao belongs to the group of those rare places in the world where there is still free entrance.
As we draw near to the inner harbor the first surprise is the quietness — so unusual for a Far Eastern port - Portuguese battleships and soldiers can be seen. The Chinese are kept first lighthouse built on the China coast. (...)
Passing monuments and churches in ruins we arrive at a Chinese temple, full of ornaments. This belongs to Ma Kok Miu, the Queen of Heaven. The legend says that it was built when she herself was living on earth, and, further, that she watched and helped the building of the house where she was to be worshipped. It was standing as it did when the Portuguese arrived, but then the island was called Amagau.
Macao's Casinos
The evening brings out the real reason for visiting Macao. The Hotel Central is a modern  seven-story building. It rises above the masses of houses yith a certain majesty, and looks down on the streets full of swarming Chinese. This is the most popular gambling house on the island. There is a tablet on the gate with an English inscription: "First Class Gambling Place."
There are second class gambling places also; that is why the distinction is so pronounced. The Portuguese are prohibited from gambling. Other Europeans and Chinese, however, can try their luck. At the entrance it can be seen that there are only Chinese guests. The greatest gambling takes place on the first floor, where men, women and children with shining eyes - some from the play, others from opium and the fever of gambling combined - watch the roulette wheel or other games. The "casino" is so famous that chips can be bought here for any currency in the world. The second floor is the restaurant; the third floor is for gambling again -  with the difference that here not men, but women, conduct the game. There are more women with their admirers and members of the family here than on the first floor. The seventh floor is for dancing.
When we embarked on the British steamer at dawn in the milky fog to return to Hong Kong the Portuguese war ships were still at their berths. They wait and guard the peculiar colonial  outpost in the tide of historical events: while the masses of the people on the island still carry on under the illusion that gambling and life have the same value.