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segunda-feira, 6 de abril de 2026

IX edição da Conferência de Lisboa: Música e Instrumentos Musicais Chineses

Realiza-se entre 5 e 8 de Maio próximo, em Mafra e Lisboa, a IX edição da Conferência de Lisboa sobre Música e Instrumentos Musicais Chineses.
Organizada pelo Instituto de Etnomusicologia - Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a Conferência é coordenada pelo Dr. Énio José de Souza, e conta com o patrocínio principal da Fundação Jorge Álvares.
As Conferências reúnem académicos, músicos e entusiastas da música chinesa com o objetivo de fortalecer e priorizar as seculares relações culturais entre Portugal e a China/Ásia, com especial destaque para Macau como ponte histórica e cultural entre o ocidente e o oriente, explorando o rico património cultural e as tradições em constante mudança associadas aos instrumentos musicais chineses.
PS: Portugal tem um importante acervo de instrumentos musicais chineses em colecções públicas e privadas.
Sugestão de leitura:
Instrumentos Musicais Chineses, de Veiga Jardim.
Edição (filatélica) da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações de Macau. 1998
Edição em português, inglês e chinês.

sábado, 14 de março de 2026

Concurso "Vale a pena ler"

No site da Fundação Jorge Álvares está disponível informação sobre o concurso "Vale a Pena Ler" para o ano lectivo 2025/26 e que tem como destinatários as escolas de Portugal Continental e das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Para esta iniciativa a FJA "convida todos os alunos e professores a mergulharem nos fascinantes conteúdos da sua Biblioteca Digital e a participarem num concurso único, onde o conhecimento, a imaginação e a criatividade se encontram para dar vida a novas ideias!"
O concurso destina-se a alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário, sendo a participação individual, mas sempre no contexto escolar, com o acompanhamento de um(a) professor(a) responsável.
O período de candidaturas decorre entre 15 de Março e 23 de Abril de 2026.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

"Camões no Oriente"

"Camões no Oriente" é o mais recente título da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada (ilustrações de Rui Sousa) a integrar a Biblioteca Digital da Fundação Jorge Álvares.
Da colecção "Portugueses no Oriente", vocacionada para o público juvenil, fazem ainda parte os títulos "Missão Impossível", "A Nau do Trato" e "Encontros na Cidade Proibida" – "os quais, além de animadas aventuras dos seus jovens intervenientes, contêm muita Informação histórica de fácil leitura e aprendizagem. Estas edições, não comerciais, foram especialmente encomendadas pela Fundação Jorge Álvares às autoras, tendo sido distribuídos vários exemplares pelas bibliotecas que integram a Rede de Bibliotecas Escolares nacional. A Nau do Trato foi por sua vez traduzida para chinês numa iniciativa do então Embaixador de Portugal em Pequim, José Augusto Duarte."

Excerto:
"No ano 1562 o vice ‑rei, que era D. Francisco Coutinho, conde do Redondo, nomeou Luís de Camões Provedor dos Defuntos em Macau. Este cargo era muito apetecido por ser bem pago pela coroa portuguesa e não só. O Provedor de Defuntos tinha como missão fazer o inventário de todos os bens deixados por portugueses que morressem em Macau. Devia vendê‑los em leilão e guardar o dinheiro que obtivesse para o entregar aos herdeiros ou à coroa, mas tinha o direito de ficar com uma percentagem. Só podia exercer o cargo quem soubesse ler, escrever, interpretar leis. E, naturalmente, convinha que fosse honesto para não dar informações erradas aos herdeiros e à coroa e para não se apropriar daquilo que não lhe pertencia. Já viviam então muitos portugueses em Macau e praticamente todos se dedicavam ao comércio. A exceção era os padres. O imperador da China tinha autorizado os portugueses a instalarem ‑se em Macau para comerciarem em 1557. 
A partir de então a cidade, que fica situada na foz do rio das Pérolas começou a desenvolver‑se não só devido à presença dos portugueses mas também porque muitos chineses foram atraídos pelos negócios que ali podiam fazer. Naquele porto o movimento era cada vez mais intenso. Naus vindas de Goa transportavam produtos europeus, ouro da costa oriental da África, tecidos da Índia especiarias das ilhas Molucas e outros produtos de outras regiões da Índia e do Pacífico. Em Macau tudo isso se vendia com lucro e por lá se compravam porcelanas e sedas da China. A partir de certa altura, passou a haver também comércio com o Japão, onde as naus se dirigiam sobretudo para comprar prata. De modo que, quem fosse corajoso, hábil e tivesse sorte, conseguia enriquecer. Quanto mais trocas se fizessem, mais a coroa lucrava porque as naus tinham de pagar taxas alfandegárias em todos os portos dominados pelos portugueses. (...)
Segundo a tradição, o poeta subia com frequência a colina de Patane e sentava ‑se a escrever no interior de uma formação rochosa, que passaria à história como «penedo de Camões ou gruta de Camões». Ninguém sabe se realmente teria escrito naquele lugar ou não, mas se o fez escolheu bem porque naquele tempo, sem construções em volta, podia desfrutar de uma bela vista e porque em dias de calor e humidade desfrutaria também de sombra e frescura. Quem hoje visita Macau, se passar pela dita «gruta» ali encontrará um busto do poeta em bronze.(...)" 
Todas as obras desta colecção podem ser acedidas e descarregadas no site da FJA. 


No site está ainda disponível informação sobre o concurso "Vale a Pena Ler" para o ano lectivo 2025/26 e que tem como destinatários, nesta edição, as escolas de Portugal Continental e das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Para esta iniciativa a Fundação Jorge Álvares "convida todos os alunos e professores a mergulharem nos fascinantes conteúdos da sua Biblioteca Digital e a participarem num concurso único, onde o conhecimento, a imaginação e a criatividade se encontram para dar vida a novas ideias!"
O concurso destina-se a alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário, sendo a participação individual, mas sempre no contexto escolar, com o acompanhamento de um(a) professor(a) responsável.
O período de candidaturas decorre entre 15 de Março e 23 de Abril de 2026.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Prémio Fundação Jorge Álvares – General Vasco Rocha Vieira – Amizade Portugal-China

A Fundação Jorge Álvares lançou este ano a primeira edição do Prémio General Vasco Rocha Vieira-Amizade Portugal-China. 
O objetivo é incentivar o estudo e a investigação das relações entre Portugal e a República Popular da China, através de Macau, bem como reconhecer as instituições que promovam iniciativas relevantes no sentido de reforçar a aproximação entre as comunidades portuguesa, chinesa e macaense. 
O prémio compreende duas categorias: instituições, a atribuir em anos pares, a começar em 2026; e trabalhos de investigação, a atribuir em anos ímpares, a começar em 2027. O valor do prémio é de vinte cinco mil euros.
Rocha Vieira no gabinete no Palácio do Governo, Praia Grande, Macau
Desenho a lápis criado por IA a partir de fotografia de Rui Ochoa

Objectivo: Homenagear o último Governador de Macau, General Vasco Rocha Vieira, incentivando o estudo, investigação e projetos que reforcem os laços entre Portugal, China e Macau.
Periodicidade e Valor: Prémio anual de 25.000,00€, atribuído alternadamente a instituições (cultura, língua, educação, filantropia) e trabalhos de investigação.
Edição 2026 (Instituições): Focada em entidades que promovam o estreitamento das relações entre as comunidades.
Edição 2027 (Investigação): Tema definido como “Da assinatura da Declaração Conjunta à transferência da Administração Portuguesa de Macau”.
Candidaturas para 2026 (instituições): de 1 de Janeiro a 30 de Junho de 2026.

terça-feira, 24 de junho de 2025

Desenhos a Tinta de Caneta de Chan Hin Chi (陳軒志)

Até ao próximo dia 5 de Julho está patente na Fundação Rui Cunha (Av. da Praia Grande, Macau) uma exposição de Desenhos a Tinta de Caneta “O Universo em Milímetros”, de Chan Hin Chi (陳軒志).
A mostra reúne trabalhos do artista "inspirados nas paisagens e lugares visitados e eternizados entre 2017 e 2025" e inclui naturalmente Macau. Ao todo estão expostas "245 peças, com 56 desenhos de tamanho médio e 189 pequenos esboços nas dimensões de um postal de viagem". Entre as obras estão espaços icónicos de Macau como a Capela de S. Francisco Xavier, o Clube Militar e a Fortaleza do Monte.
Capela de S. Francisco Xavier (Coloane)

Segundo o organizador "apesar de a maioria representar imagens de ruas, edificações, cantos, detalhes e memórias da antiga e moderna Macau, os trabalhos revelam ainda vistas de outras cidades na China – Chengdu, Foshan, Doumen, Harbin e Pequim –, Taiwan, Japão, Alemanha, Suíça, França, Espanha e Portugal.
Clube Militar

Chan Hin Chi é «natural de um país estrangeiro, mudou com a sua família para Macau quando era pequeno, a fim de fixar residência, na década de 60 do século anterior. É jurista e domina as línguas chinesa (mandarim e cantonês), portuguesa e inglesa, enquanto se dedica ao estudo das línguas e culturas luso-chinesas, bem como à pesquisa e docência jurídica. Adora a prática de desenho como artista amador, e tem-se interessado desde a infância pelo desenho a tinta de caneta. Com o decurso do tempo, foi aperfeiçoando a sua arte com a delicadeza e paciência necessárias à sua formação nos estudos de Direito e Linguística».

Fortaleza do Monte

Para o autor, «desenhar é ter a confiança subjectiva para esboçar o mundo ou representar um cenário específico», que depende de muitos factores externos incontroláveis. Por isso, «cada desenho é um auto-desafio» em busca do equilíbrio, e «cada desafio pode ser uma meditação sobre a vida! 

terça-feira, 1 de abril de 2025

RC nº76 – Edição Internacional/International Edition

A edição nº 76 da Revista de Cultura – Edição Internacional está disponível desde Janeiro último e é dedicada ao 250.º Aniversário do Nascimento de George Chinnery. A efeméride assinalou-se o ano passado. Este ano, assinalam-se os 200 anos da chegada do pintor inglês a Macau.
Entre os vários artigos sobre o tema destaco o de Patrick Conner que aborda as obras de Chinnery expostas no Victoria & Albert Museum, em Londres, instituição com uma das maiores colecções do pintor inglês; e o de minha autoria, intitulado "Testemunhos dos seus conhecidos" - o único em português nesta edição - onde, com recurso a testemunhos de quem o conheceu, se apresenta uma retrato físico e psicológico do artista britânico, autor de algumas das mais notáveis pinturas de paisagens e retratos de habitantes da região, durante a primeira metade do século XIX.
Fundada em 1987 a Revista de Cultura é actualmente uma publicação do Instituto Cultural, editada pelo Centro de Estudos de Macau da Universidade de Macau. Destaca-se não só pela qualidade dos conteúdos como também do excelente design gráfico, marcas que mantém desde a fundação.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Blogue "Macau Antigo" celebra 16 anos

Neste mês de Novembro o blogue Macau Antigo - macauantigo.blogspot.com - celebra o 16º aniversário.
Criado em 2008 tem vindo a consolidar-se como o maior acervo documental online sobre a história de Macau apresentando um novo post diariamente. O projecto conta até agora com mais de seis mil publicações e um total de 2,6 milhões de visitantes.
Em Abril último registou um novo recorde mensal de visualizações, cerca de 70 mil numa média diária a rondar os 2.300.
Dos 2,6 milhões de visitantes até agora, a maioria tem como origem Portugal (535 mil), EUA (448 mil), Macau (341 mil), Brasil (198 mil) e Hong Kong (147 mil).

Novidades
Nos próximos meses serão dadas a conhecer fotografias de Macau, umas raras outras inéditas, com mais de 100 anos. Desse lote farão parte vistas da baía da Praia Grande, do Porto Interior, aspectos de um jardim privado chinês (o que viria a ser o Jardim Lou Lim Ioc), do jardim público de S. Francisco, dos aterros da Praia Grande na década de 1920/30, Forte de Mong-Ha, etc...
Como este ano passam 250 anos sobre o nascimento de George Chinnery e em 2025 faz 200 anos que o pintor inglês chegou a Macau (1825) - terra onde viveu até à morte em 1852 - também serão apresentados alguns desenhos raros feitos em Macau e novas pistas sobre a data da chegada ao território que poderá ser anterior à versão 'oficial' divulgada até agora.

Passatempo
Tal como em anos anteriores, os leitores do blogue vão poder ganhar livros sobre Macau ao participarem num passatempo alusivo ao aniversário.


 Hoje Macau 22.11.2024: edição online e edição impressa
Passatempo
Os três primeiros leitores que enviem uma frase sobre o blogue Macau Antigo por email até ao próximo dia 30 de Novembro vão receber um livro cada. 

domingo, 27 de outubro de 2024

Meio milénio do nascimento de Camões na revista Macau e na Revista Cultura

Com o blogue Macau Antigo a celebrar mais um aniversário já no próximo mês e num ano repleto de efemérides, incluindo o meio milénio do nascimento de Camões, aqui ficam as referências aos dois artigos que publiquei recentemente na revista Macau (edição em português) e na edição internacional da Revista Cultura, ambas editadas em Macau.
Artigo
"A Gruta de Camões: história e memória"
in revista Macau, Julho 2024
Artigo 
"Descrições e iconografia do Jardim e da Gruta de Camões no século XVIII", 
in n.º 75 da edição Internacional da Revista de Cultura (Macau, 2024)

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Exposição "Património Arquitectónico"

Cartaz da exposição de 1983 "Património Arquitectónico", desenho de Carlos Marreiros.
O arquitecto Francisco Figueira foi o responsável pela edição (ICM) do livro - 253 pág. - que 'acompanhou' a exposição. 



A mostra esteve também patente na Galeria Almada Negreiros em Lisboa entre 15 de Dezembro de 1983 e Janeiro de 1984.



sexta-feira, 19 de abril de 2024

O Diário de Sarah nos "Serões com Histórias"

Fundação Rui Cunha. 22 Abril, Segunda-feira, 18h30 -  Av. da Praia Grande, 749, Macau.
“O Diário de Sarah: Uma nova-iorquina na Macau oitocentista”.
Serões com Histórias.
Orador Convidado: Joao Botas.
(Jornalista da RTP – Rádio Televisão Portuguesa, autor de diversos livros sobre a história de Macau e autor do Blog Macau Antigo (macauantigo.blogspot.com)).
(Presidente da AAAEC - Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco).
Evento realizado em Português.
O Diário de Sarah é um documento inédito com cerca de 200 anos que chegou às mãos do Jornalista João Botas, autor do dinâmico blog Macau Antigo e de outros livros sobre o território de Macau, onde viveu e estudou na adolescência.
Este diário a que teve acesso terá sido escrito por uma norte-americana, esposa de um comerciante que vinha a Macau e à China com frequência. A versão dactilografada que o jornalista obteve, com muitos anos, permite descobrir relatos de uma época em que o comércio fervilhava no sul da China. Mas, até à data, é desconhecido o paradeiro do documento original manuscrito.
«Depois de múltiplas verificações posso garantir que se trata de um relato verídico», contou João Botas ao jornal Hoje Macau numa entrevista no início de 2024.
O jornalista, que chegou ao contacto com descendentes de Sarah e do marido, vem agora a Macau e estará na Fundação Rui Cunha para uma sessão de Serões com Histórias,
onde os escritos de Sarah nos vão permitir «viajar até à Macau de meados do século XIX, com muitas descrições de espaços, ruas e edifícios,
permitindo fazer o retrato da comunidade de estrangeiros ocidentais que viviam no território, que eram poucas dezenas», numa população que, à data, não tinha mais do que 35 mil pessoas, a maioria chineses, e com apenas 4.500 portugueses e macaenses, segundo o Hoje Macau. «A linguagem utilizada [no diário] é simples, mas o elevado número de pessoas mencionado obriga a muita pesquisa de contextualização, nomeadamente, sobre quem eram e o que faziam naquela época. É o que estou a fazer nesta altura, e está quase pronto», relatou também João Botas, afirmando estar em conversações com entidades públicas de Macau para a edição de um livro.
Não Perca!"
Texto da organização do evento.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

Serões com Histórias: 22 Abril - 18h30 - Fundação Rui Cunha

Convite
A 22 de Abril farei uma palestra sobre o diário nunca publicado de uma nova-iorquina que esteve várias vezes em Macau na década de 1850.
18h30 - Fundação Rui Cunha - Av. da Praia Grande, 749

Invitation
On April 22nd I will give a lecture about a new yorker women who was in Macau several times in the 1850s and one of the times wrote a diary which has never been published.
6:30 p.m. - Fundação Rui Cunha - Av. da Praia Grande,749

邀請函
4月22日我將做一個講座,講述一位紐約婦女在1850年代多次到訪澳門,其中一次寫了一本從未發表過的日記
Segunda, 22 Abril / Monday 22 April - FRC - Praia Grande - 18h30


terça-feira, 9 de abril de 2024

Centenário da primeira travessia aérea Portugal-Macau: 1924-2024

A deposição de uma coroa de flores no monumento existente em Vila Nova de Mil Fontes e uma sessão oficial no Museu do Ar em Sintra marcaram o arranque, no passado domingo, das comemorações do centenário da primeira travessia aérea entre Portugal e Macau. 
A viagem teve início a 7 de Abril de 1924 em Vila Nova de Mil Fontes e a Junta de Freguesia associou-se às iniciativa com uma medalha comemorativa de um dos maiores feitos da história da aviação. É apenas uma das várias manifestações agendadas que vão decorrer até Setembro em Portugal, Hong Kong e Macau.
"Há cem anos, a viagem aérea de Portugal a Macau constituiu um notável feito aeronáutico de destaque internacional. Com a sua realização, Portugal competiu com êxito no plano das grandes viagens aéreas intercontinentais que então eram promovidas pelas grandes potências internacionais. Mas, contrariamente a essas grandes potências, o Estado português não apoiou este raide. Foi o povo que se mobilizou para o financiar, através de ampla subscrição pública, numa ação solidária e entusiasta que galvanizou o país
inteiro, desejoso de feitos que animassem os tempos sombrios da I República.
O raide foi sonhado e meticulosamente preparado pelos aviadores Brito Paes e Sarmento de Beires, com o apoio do mecânico Manuel Gouveia. A 2 de abril, o avião «Pátria» (um Breguet 16) dirigiu-se da Amadora para Vila Nova de Milfontes (terra a que Brito Paes estava pessoalmente ligado), pela vantagem oferecida pela pista dos Coitos, a única que garantia a descolagem segura do avião em carga plena.
Partindo a 7 de abril, os aviadores viveram momentos de elevado risco, como o da aterragem de emergência na Índia, que danificou definitivamente o avião e obrigou à aquisição de um um novo aparelho, igualmente custeado pelo povo português. Os aviadores percorreram um total de 16.760 Km em 25 etapas, até aterrarem a 20 de junho em Shum-Chum, na China, após terem sobrevoado Macau, onde não conseguiram aterrar devido a um ciclone." (leia-se tufão).
Texto da Comissão de Organização das comemorações constituída pelo Município de Odemira, Universidade do Porto e Força Aérea Portuguesa.
Os três protagonistas da travessia aérea: Sarmento Beires, Manuel Gouveia e Brito Paes, natural de Colos, concelho de Odemira, a que pertence também a freguesia de Vila Nova de Mil Fontes.

No verso o brasão de V. Nova de Mil Fontes: escudo de prata, semeado de fontes heráldicas de azul e prata e, brocante, uma cruz da Ordem de Santiago, de vermelho; planície ondeada de ouro, perfilada de verde. Coroa mural de prata de quatro torres. 

sexta-feira, 1 de março de 2024

Exposição A China vista da Europa: séculos XVI-XIX

Para ver até 2 de Março próximo na Biblioteca Nacional de Portugal (Lisboa): "A China vista da Europa: séculos XVI-XIX".
As imagens são do catálogo da exposição.
Texto da organização Biblioteca Nacional de Portugal/Observatório da China com o apoio de centros de investigação e universidades de Portugal, de Itália e da China:
A China integra o imaginário europeu desde tempos recuados, como espaço onde se projetam mitos, sonhos, expectativas e receios. A Europa foi conhecendo melhor a China, sobretudo desde finais Idade Média, por via das relações de alguns mercadores e missionários cristãos. Mas foi no início do século XVI, no quadro da expansão marítima portuguesa, que uma presença mais constante dos Europeus nos litorais chineses permitiu um conhecimento gradualmente mais completo sobre o Reino da China. A cartografia e a literatura de viagens portuguesas desempenharam um papel relevante para a difusão de uma nova imagem da China em diferentes partes da Europa.
Macau foi, a partir de c. 1557, um palco estratégico da presença luso-asiática na China, como centro de saber, de comércio e da religião Cristã, que preparou a entrada dos Europeus, particularmente dos Jesuítas, no interior deste vasto espaço.
A partir de c. 1580, cartógrafos como Fernão Vaz Dourado, Michele Ruggieri SJ, Matteo Ricci SJ, Luís Jorge de Barbuda, Abraham Ortelius, Jan Huygen van Linschoten, Joan Blaeu, Martino Martini SJ, apenas para citar alguns nomes, integram nas suas obras novas imagens, progressivamente mais completas, recolhidas das viagens portuguesas e europeias integradas com fontes cartográficas e literárias chinesas, não apenas dos litorais, mas também do interior do império chinês.
Através desta exposição que inclui mapas e roteiros, obras literárias, assim como objets d'art e imagens digitais, podemos acompanhar alguns dos momentos mais importantes da construção da imagem da China a partir da Europa entre os séculos XVI a XIX.
Entre as entidades que cederam obras para esta mostra estão o Museu de Marinha, Museu Nacional de Arte Antiga, Fundação Jorge Álvares, Centro Científico e Cultural de Macau, Museu do Oriente, Museu Galileo, Museu Medeiros de Almeida, etc.

domingo, 25 de fevereiro de 2024

Porcelana Chinesa de Exportação - Antiga Colecção Cunha Alves

Em exibição do Museu do Oriente (Lisboa) 
No período que abrange esta colecção - séc. 17 a 19 - Macau não só foi ponto de passagem de peças de porcelana chinesa de exportação como também, em muitos casos, eram executadas no território as fases finais do processo de produção, nomeadamente a pintura.
Texto (abaixo) e fotos do Museu do Oriente
A chegada de Vasco da Gama à India em 1498 e a conquista de Malaca em 1511 marcam o início das encomendas de porcelana chinesa para o mercado ocidental, onde Portugal desempenhou um papel pioneiro como encomendador.
Adquirida pela Fundação Oriente em 2018, a Antiga Colecção Cunha Alves reúne 209 peças de porcelana chinesa de exportação para o mercado ocidental decoradas com cenas ao gosto europeu. Esta é a primeira apresentação da colecção no seu conjunto, integrada na exposição permanente Presença Portuguesa na Ásia.
Coleccionada ao longo de 25 anos pelo diplomata Paulo Cunha Alves, é composta por peças datadas dos séculos XVII a XIX, adquiridas em leilões, antiquários, feiras internacionais e directamente a particulares, em inúmeros países.
O conjunto está agrupado segundo temáticas diversas: a aventura marítima, a expansão da fé cristã, os deuses do Olimpo, os prazeres da vida ao ar livre, a música, dança e poesia, temas satíricos, anedóticos, históricos, eróticos, galanteios e vaidades, entre outras. A decoração inspira-se em fontes iconográficas europeias, tais como desenhos, gravuras e pequenas pinturas a óleo. Estes modelos em prata, faiança, porcelana, estanho e madeira eram enviados para a China para serem copiados pelos artesãos locais. Os resultados são coloridas representações a azul e branco sob o vidrado, e a esmaltes da “família rosa”, grisaille, preto e sépia, bianco sopra bianco, rosa carmim e dourado, sobre o vidrado.
A aquisição da Antiga Colecção Cunha Alves insere-se na aposta estratégica da Fundação Oriente de consolidar o seu acervo de porcelana, posicionando o Museu do Oriente como uma referência no panorama das artes decorativas, em geral, e da porcelana, em particular.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Exposição "MapaMorphosis 500 anos de Cartografia de Macau"

Está patente até dia 17 de Março 2024 na Casa Garden - delegação da Fundação Oriente em Macau - a exposição "MapaMorphosis 500 anos de Cartografia de Macau".
Com curadoria de Pedro Luz documenta a transformação e expansão da cidade ao longo dos últimos 500 anos através de um conjunto de mapas e elementos multimédia.
Num texto da organização do certame organizado pela Associação Cultural 10 Marias e a Fundação Oriente, a partir de uma ideia de Marco Rizzolio pode ler-se: "Na era pré-colonial, a área de Macau estava reduzida a uns meros três quilómetros quadrados, o seu processo de expansão deu-se, a partir do século XVI, com o estabelecimento dos portugueses e a ‘conquista’ de território. Durante a segunda metade do século XX, a área terrestre de Macau aumentou aceleradamente, passando de 15 quilómetros quadrados em 1972 para 21 em 1994. Hoje, a área terrestre é aproximadamente de 32 quilómetros quadrados com uma população de cerca de 680 mil habitantes, fazendo com que Macau seja uma das cidades do mundo com maior densidade populacional."
Fotos: Fundação Oriente - Macau

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

"As Viagens de Sarah"

Artigo da autoria de Andreia Sofia Silva publicado na edição de 4.1.2024 do Hoje Macau.
Jornalista João Botas descobre diário inédito com cerca de 200 anos
O jornalista João Botas, autor de diversas obras sobre a história de Macau, diz ter descoberto um diário de uma norte-americana, esposa de um comerciante que vinha a Macau e à China com frequência. O acesso a uma versão dactilografada, com muitos anos, permite descobrir relatos de uma época em que o comércio fervilhava no sul da China
Chamava-se Sarah, acompanhou o marido, comerciante, nas inúmeras viagens que realizou para fazer negócios em Cantão e deixou um diário que hoje tem cerca de 200 anos. O jornalista João Botas, autor de diversos livros sobre a história de Macau, diz ter descoberto uma versão muito antiga, dactilografada, do documento, graças às constantes pesquisas que realiza para o blogue Macau Antigo. Trata-se, no relato que fez ao HM, de “um diário inédito”, sendo que, até à data, “se desconhece o paradeiro do documento original”.
“Depois de múltiplas verificações posso garantir que se trata de um relato verídico”, conta João Botas, que chegou ao contacto com descendentes de Sarah e do marido que não querem dar o nome. O jornalista espera vir a poder publicar este diário que se revela muito semelhante a tantos outros escritos deixados por estrangeiros, incluindo esposas de comerciantes franceses, ingleses ou americanos que passaram por Macau, graças ao comércio que se praticava na altura com a China.
João Botas diz mesmo que o diário de Sarah se revela semelhante aos escritos já divulgados e estudados de Rebecca Kinsman e Harriet Low, datados das primeiras décadas do século XIX, “mas com informação mais rica a vários níveis”.
Segundo o autor do blogue, este diário “foi escrito com o objectivo de ocupar os tempos livres”, pois o marido de Sarah “passava muito tempo em Cantão”. “Esta não era a primeira vez que viajava até Macau, mas foi a primeira vez que decidiu escrever um diário. Ao todo a viagem, ida e volta, durou 317 dias! Quase um ano. Só em navegação passaram cerca de 200 dias, ida e volta.”
“A estadia em Macau é de cerca de um mês, período em que, além dos passeios diários, eram frequentes as visitas às residências de outros estrangeiros, para beber chá, conversar, ouvir alguém tocar piano ou para participar em jantares mais formais.”
Sarah gostava ainda de ler, referindo, nas páginas do diário, “inúmeros livros, obras históricas de referência sobre a Ásia, o Japão ou a Índia”.
Negócios florescentes
A época a que se remete o diário passa pelos anos em que a Companhia Britânica das Índias Orientais deixou de ter o exclusivo do comércio com a China e outras nações começaram a ter negócios no país, usando Macau como ponto de ligação. Era também a época dos cules, trabalhadores pouco qualificados da China que eram transportados quase como escravos para trabalhar na agricultura em diversos pontos do globo.
“A linguagem utilizada [no diário] é simples, mas o elevado número de pessoas mencionado obriga a muita pesquisa de contextualização, nomeadamente, sobre quem eram e o que faziam naquela época. É o que estou a fazer nesta altura, e está quase pronto”, relata João Botas, que diz estar em conversações com entidades públicas de Macau para a edição do livro.
Os escritos de Sarah permitem-nos “viajar até à Macau de meados do século XIX, com muitas descrições de espaços, ruas e edifícios, permitindo fazer o retrato da comunidade de estrangeiros ocidentais que viviam no território, que eram poucas dezenas” numa população que, à data, não tinha mais do que 35 mil pessoas, a maioria chineses, e com apenas 4.500 portugueses e macaenses.
“Como os estrangeiros ocidentais não podiam comprar propriedades no território, arrendavam casas aos portugueses e macaenses mais abastados. Esta era uma importante fonte de rendimentos numa altura em que já se fazia sentir algum declínio na actividade comercial fruto do surgimento de Hong Kong em 1842”, explica o jornalista.
Passear na rua
Sarah escreveu sobre os passeios que realizou em Macau, um deles bem perto da fortaleza do Bom Parto, no sopé da Colina da Penha. “Desde que aqui cheguei tenho-me divertido muito. Todos os dias, às cinco e meia, saímos para passear. (…). À tarde fomos todos para a baía do Bispo*, um lugar lindo, com praia para caminhar e muitas conchas. (…) No domingo fui com eles à igreja. Confundimos a hora e só chegamos lá mais de meia hora depois do início do culto. O regresso da igreja para casa foi encantador já passava um pouco das seis da tarde. Esta cidade de Macau é um local encantador, repleto de cenários pitorescos. (…)”, lê-se, segundo tradução feita pelo próprio João Botas de um excerto do diário.
Sarah descreve ainda um outro passeio, feito numa segunda-feira, quando jantaram e tomaram chá “na casa da Sra. Nye”.
“(…) Levei a minha cadeira até à Praia porque as ruas são estreitas demais para uma carruagem. Fizemos um passeio bastante longo e agradável, conhecemos vários grupos que andavam a cavalo e duas ou três outras carruagens. (…)”, escreveu ainda a americana.
Não falta ainda um relato da Casa Garden, onde hoje funciona a sede da Fundação Oriente (FO), e a Gruta de Camões. “À tarde visitamos a Casa Garden. É de facto um local encantador – abundância de belas árvores que sombreiam os belos passeios sinuosos e é constante o encontro com imensas rochas, por vezes isoladas, outras vezes empilhadas umas sobre as outras. A gruta de Camões, poeta português, é um local de grande atracção. É um sítio curioso, composto por três rochas imensas – duas em pé, a vários metros de distância uma da outra, a terceira repousando imediatamente sobre a abertura, formando uma divisão fresca e protegida, aberta em cada extremidade. (…)” À data, a Casa Garden pertencia ao comendador Lourenço Marques que a arrendava aos comerciantes estrangeiros.
A americana descreve ainda no diário o ambiente de Cantão, cidade do sul da China. “Chegamos a Cantão por volta das cinco da manhã. (…) Depressa desembarcamos e fomos até à residência dos Parker. (…) Passamos três dias e três noites muito agradáveis na casa do médico. Saí para fazer compras em Cantão, mas apenas uma vez e fui com a Sra. Parker. Estas compras perderam para mim muito da novidade. Este ano foi muito desagradável por causa das multidões nas ruas que se preparavam para duas das suas festas religiosas – o ‘Festival das Lanternas’ e uma outra, de que não me lembro o nome, embora a tenha testemunhado no ano passado, quando estive em Cantão. (…)”
Segundo João Botas, a referência feita a Parker remete para Peter Parker, nascido em 1804 e falecido em 1888, médico e missionário dos EUA. Este chegou à China em 1834 onde deu a conhecer pela primeira vez as técnicas da medicina ocidental, incluindo a anestesia. Em 1838 criou um hospital ligado à oftamologia em Macau, onde viveu durante algum tempo.
Por sua vez, Harriet Colby Webster Parker era esposa de Peter Parker, tendo sido a primeira mulher ocidental a viver na China.