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segunda-feira, 18 de agosto de 2025
segunda-feira, 9 de janeiro de 2023
Tragédia da explosão do Paiol da Flora
Powder Blast Fatal to 26
Hong Kong, China, Aug. 13. (UP). Twenty-six persons were killed and 62 injured in the explosion early today at Macao, Portuguese concession seaport 35 miles southeast of here, it was found after Investigation. Ten tons of powder blew up with a roar heard for miles. So far as authorities.
Esta pequena notícia da agência noticiosa United Press correu mundo no próprio dia da tragédia que representou a explosão do paiol da Flora em Macau, "devido aos grandes calores estivais" segundo relatos da época. As vítimas seriam mais de 40 e os feridos mais de meia centena. O número varia consoantes as fontes. Os prejuízos materiais rondaram os 400 mil dólares de Hong Kong.
A explosão de cerca de 30 toneladas de munições ocorreu às 5h35 da manhã, uma hora que impediu por certo uma tragédia maior em termos de vítimas, já que nas imediações funcionava uma escola primária e uma creche.
Milhares de pessoas participaram nos funerais
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| O que restou do palacete da Flora |
O Palacete da Flora ficou reduzido a escombros perdendo-se o espólio do Museu Luís de Camões que ali estava instalado. O grau de destruição fez-se sentir com mais impacto numa área ao redor de 300 a 500 metros, mas houve estragos a mais de 3 quilómetros de distância. Até na moradia de Manuel da Silva Mendes - no sopé da Guia, junto ao cemitério dos Parses - algumas das peças de arte que possuía foram destruídas. Edifícios na Horta e Costa, Rua de Silva Mendes e Avenida do Ouvidor Arriaga, ficaram total ou parcialmente destruídos.
O paiol que explodiu era de construção recente (1919/20) cujo desenho se deveu ao engenheiro Adriano Augusto Trigo - director das Obras Públicas entre 1919 e 1925 e o chamado "pai" do abastecimento de água a Macau - que concebeu para o efeito, até um sistema de ar condicionado, uma raridade na época.
A maioria dos funerais ocorreu a 14 e a 17 de Agosto de 1931. No Jornal de Macau, que fez múltiplas edições, um dos títulos foi "Macau de Luto".
O governo de Macau disponibilizou de imediato cerca de 300 mil patacas para fazer face à tragédia e realizaram diversas angariações de fundos por parte da sociedade civil, em Macau e em Hong Kong.
Nota: algumas das fotos deste post foram cedidas por Robert Francis Leitão que por sua vez as recebeu - e tratou digitalmente - de Monique Vianna pertencentes ao espólio dos seus avós, Bello Xavier e Alzira Álvares.
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| A antiga fonte |
PS: O antigo paiol era na antiga Calçada do Paiol perto do caminho de acesso à Guia. Depois de 1950 o paiol foi colocado no fim do túnel que vai da Flora a Cacilhas, o qual foi vedado para o efeito.
domingo, 8 de janeiro de 2023
Governor's Summer Palace: imagens estereoscópicas
"Era deveras bonito o pequeno Palácio da Flora, habitação também do governador, com um jardim do estilo de Le Notre, os viveiros d'onde saíram as árvores que actualmente povoam as encostas de Macau". As palavras são do Conde de Arnoso - no livro Jornadas pelo Mundo - que chegou a Macau a 23 de Junho de 1887, juntamente com Tomás de Sousa Rosa para rumarem a Pequim com vista a assinar o primeiro Tratado Luso-Chinês.
Governor's Summer Palace, Macao, China Copyright 1900 by R. Y. Young |
O Jardim da Flora começou por ser propriedade do padre Vitorino José de Sousa e Almeida que ali construiu em 1848 um palacete desenhado pelo arquitecto macaense José Tomás de Aquino. O palacete seria vendido ao governo em 1872-1873 para ser a casa de verão dos governadores.
Adolfo Loureiro no livro "No Oriente, de Nápoles à China" a certa altura refere-se à visita que ele e o governador Tomás de Sousa Rosa fizeram em 1883 aos viveiros da Flora: "Aqui estivemos examinando os viveiros e as sementeiras florestais, para as quais o meu bom amigo Rosa teve muitas vezes de empunhar a enxada para ensinar os chins como qualquer saloio dos arredores de Lisboa sabe fazer os alfobres, os machos e as regadeiras. A arborização daquelas encostas vai auspiciosa, e grande serviço presta o Governador ocupando-se de tão grande melhoramento. Como aqueles sítios serão bonitos, quando os terrenos esbranquiçados, cortados de sulcos abertos pelas águas das chuvas, áridos e secos, estiverem vestidos de verdura!..."
O Palácio da Flora viria a ser destruído numa explosão em Agosto de 1931.
O Palácio da Flora viria a ser destruído numa explosão em Agosto de 1931.
PS: Amanhã publico mais de uma dezena de imagens sobre esta tragédia.
Garden and summer Palace of the Governor, Macao, China
Copyright 1900 by Underwood & Underwood
In the Garden of the Governor's Summer Palace
Copyright 1900 by Underwood & Underwood
Governor's Summer Palace, 1909
Copyright 1901 by C. H. Graves
domingo, 7 de novembro de 2010
Jardim Camões/Casa Garden/Palacete Flora: post corrigido
Recebi de Armando Cação um e-mail em que me alertou para o facto de ter colocado num post http://macauantigo.blogspot.com/2009/04/jardim-camoes-e-casa-garden.html uma imagem que não correspondia ao texto.
E assim foi. Fica feita a correcção e o agradecimento a A.C. pela chamada de atenção e pelo envio de imagens.
"A imagem daquele post retrata o Palacete da Flora e não o Jardim Camões. O edifício tem cúpula cónica e a varanda tem dois corpos avançados. No meio do jardim vêem-se umas colunas, tipo coreto, como consta na planta (ver imagem). Logo a seguir ao edifício há casas que parecem ser da antiga aldeia de Long Tin Chin, a seguir as várzeas de Mong Há, tendo à direita a antiga aldeia de Mong Há e ao fundo a fortaleza ou forte do mesmo nome, antes de parte da montanha ter sido escavada par retirar pedra para os taludes das obras de aterro do patane."
Sobre o Palacete/Palácio da Flora - que explodiu a 11 Agosto de 1931 (e não em 1928 com tinha mencionado) - consultar os seguintes posts:
A explosão no Paiol Novo da Flora provocou 24 mortos e 50 feridos tem o edifício ficado completamente destruído. Num raio de 500 metros registaram-se também danos em edifícios. O autor do projecto foi Tomás de Aquino- o mesmo do Palácio da Praia Grande. O palacete fora propriedade do padre Victorino José de Sousa Almeida, missionário lazarista. O governo concedeu na altura 350 mil patacas para fazer face aos prejuízos.
Nas imediações ficavam a Fonte da Flora e a Fonte da Inveja (canto superior direito da imagem de cima); o quartel de artilharia (estrada da Vitória), mais tarde enfermaria, comando da PSP e comando da Brigada de Trânsito. Na imagem, uma planta de 1925 menciona o aproveitamento de águas subterrâneas.
Para mais detalhes sobre as origens do Jardim Camões consultar, entre outros, este post:
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