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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Feliz Festival do Meio de Outono / 中秋節快樂

中秋节 / Festival do Meio do Outono / Festival da Lua / Mid-Autumn Festival / Moon Festival são os vários nomes pelos quais é conhecida esta importante festividade da cultura chinesa que, claro, se celebra em Macau.
É verdade que o Outono ainda não começou mas aqui o que conta é o calendário lunar tradicional chinês, e não calendário solar (gregoriano) usado no Ocidente.
No calendário lunar, o ano é dividido em quatro estações fixas de três meses cada. O outono corresponde aos meses 7, 8 e 9, e a festividade celebra-se no 15.º dia do 8.º mês lunar, a meio do outono lunar e na noite de lua cheia de colheita.
Tradicionalmente comparado ao Dia de Ação de Graças ocidental, este dia junta gerações à volta da mesa para jantares festivos e para a partilha dos famosos bolos lunares, doces redondos com ricos recheios como pasta de lótus ou gema de ovo salgada que representam a plenitude e a harmonia. Ao cair da noite, as famílias apreciam a lua e acendem lanternas coloridas de papel que iluminam os espaços públicos e privados, enquanto recordam mitos ancestrais como a lenda de Chang'e, a deusa que reside na Lua.
Habitualmente o feriado oficial estende-se por três dias consecutivos para permitir as viagens e reuniões familiares.
Das memórias de juventude recordo as idas nocturnas à Praia de Hac Sa (Coloane) e à escadaria das Ruínas de S. Paulo para celebrar a festividade.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Ano Novo Chinês em 1837: Galo de fogo

O Ano Novo Chinês de 1837 - começou a 5 de Fevereiro - foi o Ano do Galo (Galo de Fogo).

Letter from Macau, by Henrietta Shuck (1817-1844), the First American Female Missionary to China, to her father

"Jan. 27, 1837
In a few days from this time the Chinese new year will commence. Precisely at the beginning of the New Year’s Day, they bathe their bodies in perfumed water, dress in their nicest clothes, and, remaining at home, worship their household gods, and fire off crackers. After they have concluded family worship, they go to worship the gods at the temples. All mercantile business is stopped for eight or ten days, during which time visits of rejoicing are made to their friends and relations, that are all returned; and they invite each other to indulge in the joy of the Chuntseu — ‘the wine of spring.’ From the ‘Yuetan,’ or New Year’s Day, to the fifteenth of the month, they choose lucky days to suspend flower lanterns on the houses and temples. Those days are lucky, they consider, when the wind blows from the north, west, east-north, or north-east. I expect the place will be quite in an uproar, and we shall have nothing but noise and bustle for a number of days."

Carta de Macau, de Henrietta Shuck (1817-1844), a primeira missionária americana na China, para o pai.

"27 de Jan. de 1837
Dentro de poucos dias, a partir desta data, terá início o ano novo chinês. Precisamente ao romper do Dia de Ano Novo, eles banham os corpos em água perfumada, vestem as suas melhores roupas e, permanecendo em casa, prestam culto aos seus deuses domésticos e rebentam panchões. Depois de concluírem o culto familiar, dirigem-se aos templos para adorar os deuses. Toda a actividade comercial é interrompida por oito ou dez dias, período durante o qual são feitas visitas de celebração a amigos e parentes, as quais são todas retribuídas; e convidam-se uns aos outros para desfrutar da alegria do Chuntseu — ‘o vinho da primavera’. Desde o ‘Yuetan’, ou Dia de Ano Novo, até ao décimo quinto dia do mês, escolhem dias de sorte para pendurar lanternas de flores nas casas e nos templos. Consideram que esses dias são de sorte quando o vento sopra de norte, oeste, leste-nordeste ou nordeste. Prevejo que o lugar fique num alvoroço total e que não teremos nada além de ruído e azáfama durante vários dias."

Retrato incluído no livro de J. B. Jeter de 1849:
"Memoir of Henrietta Shuck First American Female Missionary to China"

The title of the first American female missionary to China belongs to Henrietta Hall Shuck, a native of Virginia who felt a profound religious calling from a very young age. In 1835, at the age of only 18, she married the Baptist missionary Jehu Lewis Shuck and set sail for the East under the Baptist Board of Foreign Missions. After spending time in Singapore they arrived in Macau in 1836. The missionaries worked there about six years, until the end of the first Opium War (1839–1842). Henrietta established a small boarding school, with two to eight pupils at a time. She also bore another son, Ryland, and a delicate daughter, Henrietta. In 1842 the couple eventually settled in Hong Kong in 1842, following the conclusion of the First Opium War.
Unlike many women of her era who were viewed merely as "assistant missionaries" to their husbands, Henrietta took a leading and highly active role in her work. She established some of the first schools for Chinese children in Hong Kong, focusing on literacy and education while raising her own children in often difficult and precarious conditions. Her letters home were widely published in the United States, providing many Americans with their first detailed—though Western-centric—glimpses into Chinese life and culture. Tragically, her journey was cut short in 1844 when she died following the birth of their fifth child, at the age of 27. Despite her brief life, her legacy became a cornerstone for the women's missionary movement, proving that women could endure the rigors of international service and paving the way for future pioneers.
Ilustração criada por IA a partir do retrato

Natural da Virgínia e fervorosa na sua fé baptista, Henrietta Hall Shuck, partiu para o Oriente em 1835, com apenas 18 anos, logo após casar com o também missionário Jehu Lewis Shuck. O casal chegou a Macau em 1836 onde Henrietta fundou um pequeno colégio interno, com turmas de dois a oito alunos. Teve ainda outro filho, Ryland, e uma filha, Henrietta.
Em 1842 mudaram-se para Hong Kong, logo após a fundação da colónia britânica na sequência da Primeira Guerra do Ópio.
Ao contrário de muitas esposas de missionários da época, que eram vistas apenas como acompanhantes, Henrietta assumiu um papel protagonista e muito activo. Fundou uma das primeiras escolas para crianças chinesas em Hong Kong, dedicando-se à alfabetização e ao ensino religioso, enquanto criava os seus próprios filhos em condições muitas vezes precárias. As suas cartas para os Estados Unidos foram amplamente publicadas e serviram como uma das principais fontes de informação para o público americano sobre a vida e a cultura na China naquele período. Morreu a 26 de Novembro de 1844, com apenas 27 anos, devido a complicações no parto do quinto filho. Apesar da sua curta vida, o seu legado tornou-se um pilar para o movimento missionário feminino, provando que as mulheres podiam suportar os rigores do serviço internacional e abrindo caminho para futuras missionárias.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Queimar incenso no ano novo chinês

Durante as celebrações do Ano Novo Chinês, o ritual de queimar incenso (shàngxiāng) nos templos é uma das tradições mais profundas e espirituais, servindo como uma ponte entre o mundo terreno e o divino.
Este ritual, realizado por pessoas de todas as idades, funciona como uma forma de comunicação com as divindades e antepassados, onde o fumo perfumado transporta as preces, os agradecimentos e os desejos de prosperidade para o ciclo que se inicia. Ao segurarem o incenso com ambas as mãos em sinal de profundo respeito, os fiéis pedem protecção, saúde e harmonia familiar, depositando as varetas/paus de incenso em queimadores ornamentados que purificam o ambiente. Esta prática marca a transição entre o passado e o futuro, servindo como um gesto de humildade e esperança que define a atmosfera espiritual das festividades.
Ilustração criada por IA tendo por base um templo em Macau

Queimar incenso não é apenas um ato simbólico; é uma forma de comunicação. Acredita-se que o fumo que sobe carrega as preces, os agradecimentos e os desejos de boa sorte dos fiéis até aos deuses e aos antepassados. No início de um novo ciclo lunar, este gesto serve para pedir proteção e saúde para a família, atrair prosperidade e sucesso nos negócios, limpar as energias negativas do ano que passou.
O ritual segue uma etiqueta específica. Os fiéis seguram as varetas de incenso com as duas mãos, elevando-as à altura do peito ou da testa em sinal de respeito. O incenso é colocado em grandes recipientes de metal ou pedra (ding), muitas vezes decorados com dragões ou símbolos auspiciosos, localizados à entrada ou no pátio central dos templos.
O cenário é marcado pelo aroma intenso do sândalo e pelas nuvens de fumo que criam uma atmosfera de solenidade e introspeção, contrastando com a agitação festiva das ruas.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

"A principal festividade entre os chineses é o dia de Ano Novo"

O principal festival principal entre os chineses é o dia de Ano Novo. Ninguém se preocupa com negócios e todos se ocupam em banquetear-se. Este dia é por eles considerado como um dia de jejum, o qual se diz ter sido estabelecido para evitar casos de embriaguez. Cada homem veste roupas novas e, mesmo aqueles que vivem em extrema pobreza, aparecem neste dia com algo novo.
Oito dias antes do ano novo, quase todas as lojas começam a decorar-se com artigos novos, tais como flores artificiais, papel de joss, etc., de diferentes desenhos e cores; enquanto nas ruas se vêem flores em vasos, brinquedos, curiosidades e coisas afins. Estas destinam-se todas à venda. Aqui e ali, também se encontram diferentes grupos de chins activamente ocupados no jogo. Na água, os barcos estão todos alegremente decorados com bandeiras. O número de barcos nesta ocasião é muito grande. A música e os foguetes são indispensáveis, tanto de dia como de noite.
Na véspera do ano novo, o concurso de gente e o seu entusiasmo aumentam. O jogo multiplica-se proporcionalmente e não há lugar onde não se veja. À noite, tanto a praça do mercado como o porto tornam-se belos por via de imensas iluminações, naturalmente acompanhadas, especialmente, por música e pelo atroar dos foguetes. Os barcos, quando iluminados, produzem um efeito óptimo. A compra e a venda são extensas, mas nunca deixam de ser acompanhadas, mesmo nesta época feliz, por numerosos furtos.
Assim que chega a meia-noite do último dia do ano, todas as lojas fecham e todo o tipo de trabalho cessa. O festival continua por um número maior ou menor de dias, geralmente não excedendo oito, e estes são os dias que os chins consideram como os principais. Ao nono dia, quando as lojas começam a abrir para o negócio ordinário, há de novo festejos, que consistem simplesmente em soltar foguetes, queimar papel de ritual, e assim sucessivamente.
O segundo dia da segunda lua é o dia dedicado aos deuses domésticos. Esta festa é celebrada em várias partes da cidade por sociedades, sendo as despesas suportadas por subscrição. Cada uma destas sociedades ergue uma tenda no local escolhido para o efeito, e nestas tendas há sempre uma boa exposição de pinturas. Toca-se música dentro da tenda e, no exterior, queimam-se panchões a intervalos. Durante o tempo da festa, oferecem-se sacrifícios na tenda, uns após outros. Quando muita gente se reúne, queima-se um panchão exposto de forma vertical. Assim que este cai, todos se lançam sobre ele, e aquele que o apanhar primeiro ganha um prémio e será considerado feliz durante todo o ano. Mais alguns destes panchões ou grandes panchões são queimados a intervalos, e as partes que os recolhem têm os mesmos interesses que o primeiro.
Os panchões são todos numerados e, consequentemente, a qualidade e o valor de cada um estão indicados. Aqueles que os apanharam são obrigados a apresentar outros semelhantes para o mesmo fim. Para que nenhum dos intervenientes que os apanhou falte ao cumprimento da sua obrigação, os directores tomam nota e guardam um memorando com os nomes dos indivíduos. Sob o nome de cada um, indica-se o número que ele deve fornecer. Estes actos são apenas praticados pelas classes comuns. Os ricos realizam os seus sacrifícios nas suas próprias casas, mas muitos deles aparecem no referido festival como espectadores.
O festival dura habitualmente dois ou três dias e termina com a queima de um outro tipo de fogo-de-artifício, que tem lugar na noite do último dia. Nele são colocadas figuras que se movem pelo fogo, representando personagens dramáticas. O título da peça é representado em caracteres sagrados e o fogo-de-artifício é composto por tantas partes quantos os actos da representação teatral que se pretende imitar. O primeiro acto é representado na parte inferior do fogo-de-artifício e, assim que termina, aparece o segundo acto, e assim sucessivamente até que todos os actos estejam findos.
A festa da deusa Kuonyn celebra-se ao décimo nono dia da mesma lua. Esta festa consiste em sacrifícios realizados nas casas, no mar e nos templos; e nesta ocasião há sempre uma grande quantidade de comida oferecida, além de pequenos pedaços de papel dourado e prateado.
Nos últimos dias da mesma lua, que é o princípio da Primavera, os chins começam a fazer sacrifícios sobre as lápides dos seus parentes falecidos. Estes sacrifícios duram geralmente mais de vinte dias. Colocam-se vitualhas perto das lápides, e queimam-se roupas de papel e pequenos pedaços de papel dourado e prateado. Quando os sacrifícios estão na véspera de terminar, uma parte da comida é distribuída pelos pobres, que nestas ocasiões costumam reunir-se em grande número.

Tradução/Adaptação minha do texto da autoria de Manuel de Castro Sampaio (post de ontem). Ilustrações criadas por IA.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

The principal festival with the Chinese is New Year's Day

The principal festival with the Chinese is New Year's Day. No one cares about business, and everyone is occupied in feasting. This day is considered by them as a fast day, which it is said was established in order to avoid cases of intoxication. Every man dresses in new clothes, and even those who live in extreme poverty appear on this day with something new.
Eight days before the New Year, nearly all the shops commence to decorate with new articles, such as artificial flowers, joss paper, etc., of different designs and colours, while in the streets are to be seen flowers in pots, toys, curiosities, and such-like things. These are all intended for sale. Here and there, too, are to be met with different groups of Chinese busily engaged in gambling. On the water, the boats are all gaily decorated with banners. The number of boats on this occasion is very great. Music and fire crackers are indispensable, both in the daytime and at night.
On the eve of the New Year, the concourse of people and their enthusiasm increase. The gambling multiplies proportionably, and there is no place where it is not to be seen. At night, both the marketplace and the harbour are rendered beautiful by immense illuminations, of course accompanied especially with music and the firing of crackers. The boats, when illuminated, produce a fine effect. The buying and selling are very extensive, but never fail to be accompanied, even at this happy season, by numerous thefts.
As soon as midnight of the last day of the year arrives, all the shops close and work of all kinds ceases. The festival continues for a greater or lesser number of days, generally not exceeding eight, and these are the days which the Chinese look upon as the principal ones. On the ninth day, when the shops begin to open for the ordinary business, there is again a feast which consists simply in firing crackers, burning joss paper, and so on.
The second day of the second moon is the day dedicated to the household gods. This feast is celebrated in various parts of the city by societies, and the expenses are borne by subscription. Each of these societies builds a tent in the locality chosen for the purpose, and in these tents there is always a goodly display of pictures. Music is played inside the tent and outside fire crackers are burnt at intervals. During the time of the feast, sacrifices are offered in the tent one after another. When many people meet there, a kind of firework is burnt. As soon as it falls, everyone rushes upon it, and he who picks it up first wins a prize and will be considered happy for the whole year. Some more of these fireworks or big crackers are burnt at intervals, and the parties who pick them up have the same interests as the first one.
The fireworks are all numbered and, consequently, the quality and value of each is indicated. Those who have picked them up are obliged to present similar ones for the same purpose. In order that no one of the party who has picked them up shall fail in fulfilling his obligation, the directors take and keep a memorandum of the names of the individuals. Underneath the name of each is indicated the number he has to supply. These acts are only practised by those of the common classes. The rich perform their sacrifices in their own houses, but many of them appear at the above festival as spectators.
The festival usually lasts for two or three days and ends with the burning of another kind of firework, which takes place on the night of the last day. Figures are placed on it which are moved by the fire, representing dramatic characters. The title of the piece is represented in sacred characters and the firework is composed of as many parts as there are acts in the theatrical performance which has to be imitated. The first act is represented on the lower part of the firework and, as soon as it comes to an end, the second act appears, and so on until all the acts are finished.
The feast of the goddess Kuonyn is celebrated on the nineteenth day of the same moon. This feast consists of sacrifices performed in the houses, at sea, and in joss houses; and on this occasion there is always a great quantity of food offered, in addition to small pieces of gilt and silver paper.
On the last days of the same moon, which is the beginning of Spring, the Chinese commence to make sacrifices over the gravestones of their deceased relations. These sacrifices usually last more than twenty days. Victuals are placed near the gravestones, and paper clothes and small pieces of gilt and silver paper are burnt. When the sacrifices are on the eve of terminating, a part of the food is given away to the poor, who on these occasions generally muster in great numbers.

Excerto de "Manners & Customs of the Chinese at Macao", publicado em Xangai em 1877. Trata-se da versão em inglês (tradução de Rufino Francisco Martins) da obra publicada dez anos anos em Hong Kong - "Os Chins de Macau" - da autoria de Manuel Castro Sampaio.  

Este livro é considerado um dos primeiros e mais detalhados estudos etnográficos sobre a comunidade chinesa em Macau escritos por um português. Nele, Sampaio descreve com rigor os costumes, a religião, as festividades e a organização social da população local.
O livro inclui esta "Planta Topographica do Bazar de Macau"

Manuel de Castro Sampaio nasceu no Porto a 28 de Agosto de 1827. Com uma formação académica superior, licenciou-se em Medicina, o que lhe conferiu um rigor científico e uma capacidade de observação que marcariam todo o seu percurso profissional e intelectual no Oriente. Assentou praça no Exército em 1845 e três anos depois partiu para Macau em 1848, integrando o quadro de saúde do Ultramar.
Ao longo da sua estadia em Macau, Sampaio desenvolveu uma carreira multifacetada. No plano militar e administrativo, ascendeu ao posto de capitão e exerceu cargos de grande responsabilidade, como o de Secretário da Junta da Fazenda. O seu prestígio intelectual valeu-lhe o reconhecimento internacional, tendo sido distinguido como sócio-correspondente da Real Sociedade Asiática de Londres (Royal Asiatic Society), uma das mais prestigiadas instituições científicas do mundo dedicadas ao estudo das culturas orientais.
No campo das letras teve um papel preponderante na imprensa de Macau sendo editor a colaborador activo do periódico Ta-Ssi-Yang-Kuo (Arquivos do Extremo Oriente), iniciado em 1863. Colaborou ainda com a Gazeta de Macau e o Echo do Povo. Ainda em Portugal fundara o Voz do Alentejo.
Entre 1871 e 1873 foi Governador de Timor, um mandato onde se empenhou na organização administrativa e na melhoria das condições de saúde pública. 
Após décadas de serviço no Oriente, Manuel de Castro Sampaio regressou a Portugal, vindo a morrer em Lisboa, a 12 de outubro de 1875.

Para além dos livros já referidos foi ainda autor de: 
Pobreza envergonhada (Valença, 1852); Ensaios Poeticos (1858); Compendio de hygiene popular – tradução livre do texto de D. Francisco Tamires Vaz, (Elvas, 1860); Victimas de uma paixão (Lisboa, 1863); Memorias dos festejos realizados em Macau no fausto nascimento de S. A. o sr. D. Carlos Fernando (Macau, 1864); Compendio de Ortographia (Macau, 1864).

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Em memória do pai...

Em Maio de 2019 a galeria At Light, no Pátio do Padre Narciso em Macau, acolhia a exposição "Casa das Duas Filhas - Fotos da Família de José Vicente Jorge".
As duas filhas (de José Vicente Jorge) que deram o mote à mostra eram Henriqueta* e Maria. As irmãs foram as mães dos primos Pedro Barreiros e Graça Pacheco Jorge que acabariam por casar.
Pedro e Graça são um exemplo na perpetuação da memória da história da família intimamente ligada a Macau. Basta lembrar livros como "A Cozinha de Macau da Casa do meu Avô" (1992), "Danilo no Teatro da Vida" (2010), "José Vicente Jorge: Macaense ilustre" (2012), entre outros, mas também inúmeras iniciativas de índole cultural, incluindo exposições com as pinturas de Pedro Barreiros que morreu a 15 de Janeiro de 2022.
Pintura de Pedro Barreiros: exposição em 2013

Miguel Barreiros, filho de Pedro, não teve oportunidade de ver esta exposição e após a morte do pai prometeu "dar continuidade" ao seu trabalho "para preservar a memória da nossa família de Macau e do meu bisavô, José Vicente Jorge".
Por estes dias recebi um e-mail do Miguel com votos de "Kung Hei Fat Choi! 恭喜發財" onde explica que o pai "tinha a tradição de celebrar o Ano Novo Chinês partilhando um desenho do animal do zodíaco que iniciava o seu ciclo". Na ausência física do pai, Miguel decidiu "retomar esse gesto em memória dele e em honra às nossas raízes de Macau. Partilho convosco este desenho que fiz inspirado nessa tradição e pela mestria dos seus traços. É a minha forma de o homenagear e de manter viva a sua arte e o seu espírito."
Aqui fica... Kung Hei Fat Choi e um abraço Miguel!
* Henriqueta Pacheco Jorge Barreiros - filha de José Vicente Jorge e mulher de Danilo Barreiros - foi aluna de Camilo Pessanha (1867-1926) em Macau. Henriqueta ambicionava ir estudar para Portugal mas o pai não concordava. Foi Pessanha que não só o convenceu como pagou uma mesada à estudante. 
Pedro Barreiros (1943-2022), filho de Danilo Barreiros e neto de José Vicente Jorge que foi amigo de Pessanha, revelou esta história em Outubro de 1990 aquando de uma exposição em Macau com pinturas suas sobre Pessanha: "Foi Camillo Pessanha, seu amigo e grande frequentador da sua casa que o conseguiu convencer a deixá-la partir estabelecendo-lhe uma mesada e escrevendo uma carta à sua irmã maçónica D. Ana de Castro Osório a recomendar a “gentil menina” e a pedir-lhe que a recebesse em sua casa. E assim a Tia Amália veio para Lisboa estudar Medicina, sob a égide do Poeta!"

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Ano Novo Chinês na década 1990 por Vitor Cordeiro

Vitor Cordeiro trabalhou na Companhia de Electricidade de Macau (CEM) nas décadas de 1980/90. Nesses anos registou por diversas vezes imagens dos "momentos de vivência de espiritualidade" durante o Ano Novo Lunar nos templos de A Ma e Kun Iam Tong”. 
De um conjunto de fotografias feitas a preto e branco entre 1992 e 1999 concebeu uma exposição em 2014, a "Cultos, Templos, Ou Mun” de que na altura o blogue Macau Antigo deu notícia. Aqui ficam alguns desses registos.


Biografia
Vítor Cordeiro nasceu no Cadaval em 1953. Engenheiro electrotécnico, desde muito cedo manifestou interesse pela fotografia, mas foi a partir de 1983, altura em que se radica em Macau para exercer a sua actividade profissional, que passou a ter uma relação mais íntima com a objectiva. Sendo a Ásia uma área de interacção de diferentes culturas proporcionou-lhe um vasto e diversificado registo de imagens, levando-o a desenvolver ainda mais o gosto pela fotografia e entre 1992 e 1996 participa no curso de fotografia do Instituto Politécnico de Macau. Regressado a Portugal em 2000, embora rendido ao digital, mantém ainda o hábito de registar imagens em película a preto e branco, que trabalha num pequeno laboratório improvisado em sua casa.
Exposições e prémios
2º prémio no concurso de fotografia - Navio Escola Sagres (Macau) - 1984; Exposição colectiva (Macau)- 1996; Menções honrosas nos concursos da Junta de Turismo da Ericeira - 2001 a 2004; Exposição colectiva solidária (Cascais) – 2010, 2011, 2012, 2013, 2014. Exposições Individuais: Fotografia de Macau - Clube EDP (Lisboa) – 2009. Cultos, Templos, Ou Mun - Ano Novo Lunar em Macau na Delegação Económica e Comercial e Turismo de Macau (Lisboa) - 2010; Biblioteca Municipal do Cadaval; Festival Finisterra – Hotel Sana Sesimbra; Marshopping (Matosinhos), Palácio de Cristal (Coimbra) - 2012. Expressões Lorosae -Timor: Clube EDP (Lisboa); Clube TAP (Lisboa); Coop. Comunicação e Cultura (Torres Vedras) - 2010; Biblioteca Municipal do Cadaval; Palácio do Gelo (Viseu)- 2011; Elos Clube Lisboa e Maristas Carcavelos - 2012. A Música de Pragança: Junta de Freguesia de Lamas (Cadaval); Clube Pessoal EDP (Lisboa) –2011; Assembleia da República (Lisboa) e Pragança (Cadaval) - 2012.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

As danças do Leão e do Dragão durante o ano novo chinês

Esta fotografia - colorida por IA - é dos primeiros anos da década de 1960. Ao fundo vista parcial do campo de jogos do Liceu e do edifício residencial Rainha D. Leonor. Do lado direito vê-se parte do Padrão Henriquino, colocado frente à entrada do Liceu (na Praia Grande) nas comemorações do Ano Henriquino em 1960. Não tenho elementos que permitem perceber o evento, mas está por certo relacionado com a Dança do Leão ou a Dança do Dragão. As duas performances fazem parte da cultura chinesa e ocorrem em diversas ocasiões, incluindo no Ano Novo Chinês.
Dança do Leão
A Dança do Leão é um dos rituais mais vibrantes do Ano Novo Lunar, funcionando como uma ferramenta espiritual para purificar o ambiente e atrair prosperidade. É também um ritual noutras festividades ao longo do ano, casamentos, inaugurações, etc... 
Ao contrário do dragão, o leão é operado por apenas dois dançarinos que, através de uma coreografia vigorosa baseada nas artes marciais, dão vida a um animal irrequieto. O ponto alto da performance é o ritual Cai Qing, onde o leão "caça" e come uma alface normalmente pendurada à porta de estabelecimentos. Escondido entre as folhas, encontra-se sempre um envelope vermelho (hongbao) com dinheiro, que serve como oferta de gratidão e pagamento simbólico. Após "comer" a alface e o envelope, o leão 'cospe' as folhas sobre o público, um gesto que simboliza a partilha da fortuna e das bênçãos para o novo ciclo. Todo o espetáculo é ritmado por tambores e gongos constantes, cujo som estridente tem a missão crucial de espantar os maus espíritos.
O Simbolismo e o Ritual
Espantar o mal: O principal objetivo da dança é afastar os maus espíritos e a má sorte acumulada no ano anterior através do som alto dos tambores e da figura imponente do animal.
O Ritual "Cai Qing" (Colher o Verde): Este é o momento mais icónico. O leão "caça" uma alface (ou outra hortaliça) pendurada na porta de lojas ou casas. Dentro da alface há um envelope vermelho (hongbao) com dinheiro. O leão "come" a alface e depois a cospe para fora, simbolizando a disseminação da fortuna e prosperidade para o dono do local.
Diferenças Visuais e Técnicas
Estrutura: Ao contrário do dragão (que precisa de muitos homens), o leão é operado por apenas dois dançarinos: um controla a cabeça (e as pálpebras/orelhas) e o outro 'faz' as costas e a cauda.
Estilos: Existem dois estilos principais: o do Norte, que é mais acrobático e o leão parece um cão peludo, e o do Sul (mais comum em Macau e Hong Kong), que foca na expressão facial e no poder das artes marciais. Tradicionalmente, são as escolas de Kung Fu que realizam as danças, pois os movimentos exigem uma base de pernas (postura de cavalo) extremamente forte e grande agilidade física.

Dança do Dragão
A Dança do Dragão é outro dos espetáculos bastante aguardados nas celebrações do Ano Novo Lunar Chinês, simbolizando poder, sorte e prosperidade. Longe de ser apenas uma performance, é um ritual que visa afastar os maus espíritos e trazer boa fortuna para o ano que se inicia.
Os dragões, figuras lendárias e benevolentes na cultura chinesa, são representados por longas estruturas flexíveis, manobradas por uma equipa de dançarinos. Cada parte do corpo do dragão – da cabeça maciça e expressiva à cauda ondulante – exige coordenação perfeita e força física. Guiados por um "Portador da Pérola" que simula o objecto da sabedoria e do poder, o dragão serpenteia entre as multidões, realizando movimentos que imitam o seu voo e a sua busca por harmonia.
Durante os festejos do Ano Novo, a Dança do Dragão "desperta" a energia da comunidade. Ao som ensurdecedor de tambores, gongos e pratos – que não só animam o ritmo, mas também espantam o azar – o dragão ganha vida, movendo-se com agilidade e majestade. A dança, muitas vezes realizada em procissões vibrantes pelas ruas, atrai multidões, que acreditam que tocar no corpo do dragão traz sorte.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O Natal há 100 anos

A 24 de Dezembro de 1925 (quinta-feira) o governador concedeu "tolerância de ponto nas repartições públicas depois da 1 hora sem prejuízo do serviço". Em jornais como "A Pátria" os inúmeros anúncios publicados atestam que a economia local vivia dias de grande dinamismo. A Avenida de Almeida Ribeiro (San Ma Lou) tinha sido inaugurada há poucos anos - ligando o Porto Interior ao Porto Exterior - e já competia com a Rua Central em termos de oferta comercial, mas a Praia Grande, ainda com a categoria de rua, mantinha-se como a grande montra fruto da localização privilegiada em redor da baía com o mesmo nome. Para além do Jardim de S. Francisco no cruzamento com a Rua do Campo, grandes firmas estavam ali instaladas tendo como vizinhos o Palácio das Repartições, o Palácio do Governo, o New Macao Hotel, e em breve, logo ao lado, também o BNU, cujo edifício sede estava quase pronto.
Um dos anunciantes era o Au Paradis des Dames, Ltda, "estabelecimento frequentado pelas pessoas chicas cá da terra" e inaugurado recentemente que oferecia "tudo o que há de melhor e de mais dernier cri de Paris, Londres e Nova-York". A oferta de produtos incluía malas de mão, carteiras, vestidos, casacões, lenços, etc... para senhoras, crianças e cavalheiros. O novo espaço da moda em moda estava localizado no piso térreo do nº 73 da Praia Grande, mesmo ao lado do edifício onde vivia então o poeta Camilo Pessanha.
Postal da década 1920 - Rua Marginal da Praia Grande - onde assinalei o Grémio Militar


Uma das notícias locais do jornal "A Pátria" tinha por título "Árvore de Natal":
Ontem, pelas 16 horas realisou-se a simpática festa da Arvore do Natal, em benefício das crianças pobres de Macau. Presidiu a Exma. Espôsa de S. Exa. o Governador, o qual também quis honrar a festa com sua presença, bem como o Exmo. Prelado de Macau e muitas senhoras e cavalheiros da mais distinta sociedade de Macau. Uma grande mesa em forma circular e que occupava o centro da plateia do teatro D. Pedro V, achava-se literalmente coberta de doces, bolos, etc. As crianças, em número de 200, entre as quais um grupo da Casa de Beneficência, foi servido um chá gordo, muito gordo mesmo. Em breve espaço, tôdas elas, chilreantes, limparam a mesa...
Em seguida, descerra-se o pano e, no proscénio, salienta-se o "Pai Natal": o velho simbólico, com a neve das barbas brancas a escorrer-lhe pelo peito. Em meio do palco a arvore do Natal esbraceja os seus ramos fosforescentes, donde pendem luminárias multicolores, balões de oxigénio, coisas várias.
O "Pai Natal" chocalha um saco que encerra os bilhetes da rifa dos brinquedos. Cada criança toma o seu bilhete e recebe um brinquedo. Estes são variados, para todos os gostos. Depois,... com o estômago bem recheado, fora o que levam no saco, as crianças ainda recebem $2,00, cada. Bela, simpática festa! Parabéns às senhoras e cavalheiros que a promoveram. Gastaram-se $854,00, mas foram muito bem empregadas."
Um dos anunciantes mais importantes na época era a Macau Electric Lighting Company, conhecida por Melco. Não só assegurava a distribuição de electricidade no território como também vendia uma parafernália de electrodomésticos que funcionavam, claro, com recurso a energia elécrica.
"Um Natal Alegre" era o mote da campanha publicitária:
"Quereis ver os vossos amigos alegres? Quereis ver satisfeitas as pessoas a quem offereceis presentes de Natal? Quereis offerecer prendas de utilidade, prendas que agradam e que podem servir por muito tempo? Já incluístes na lista dos vossos presentes alguns apparelhos eléctricos? Presentes que, além de úteis, são bonitos!
Comprai apparelhos para o vosso Natal. Lembrai-vos da utilidade e do embelezamento do vosso Lar. Lembrai-vos da comodidade que dais aos vossos amigos ou parentes offerecendo-lhes apparelhos electricos e ide ter com os commerciantes do genero e êles vos indicarão a forma de o fazerdes com facilidade; para isso também tereis sempre a Melco ao vosso dispor".

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Natal de uma missionária em 1863: "Macau é um lugar encantador"

Nascida em Inglaterra em 1842, Mary Gunson desde cedo ouviu histórias de missionários que viajaram para a China e decidiu fazer o mesmo. Depois de receber formação na Wesleyan Methodist Missionary Society (Igreja Metodista Wesleyana), a 18 de Março de 1862 partiu para Xangai onde chegou a 18 de Julho desse ano. O destino final era Cantão - chegou em Agosto - onde iria dar apoio a outros dois missionários, Joan e George Piercy.
Ao fim de menos de um ano contraiu tuberculose e acabaria por regressar a casa. Pouco tempo depois dessa derradeira viagem esteve em Macau como conta numa carta escrita à irmã em Fevereiro de 1863 e que consta no livro publicado em Londres em 1865 "Love For China: Exemplified In Memorials Of Mary Gunson" da autoria de George Piercy. A estadia em Macau deveu-se à doença já que o clima do território era considerado mais indicado.
Na carta, Mary Gunson descreve o período de férias em Macau, durante o Natal de 1862 e o Ano Novo Chinês de 1863 - Ano do Porco iniciado a 18 de Fevereiro (quarta-feira) desse ano. Na carta conta que em Macau esteve hospedada em casa do casal Williams, faz uma descrição da baía da Praia Grande e dá ainda conta de uma visita ao cemitério protestante.
O casal referido é muito provavelmente Samuel Wells Williams (1812-1884) e Sarah Simonds Walworth (1815–1881). Samuel foi missionário, sinólogo e diplomata. Na época em que a carta foi escrita já era Secretário e Intérprete da Legação dos Estados Unidos na China, com sede em Pequim. Por certo manteve a casa que tinha em Macau já que o clima de Inverno era muito mais agradável do que o de Pequim podendo estar ali apenas naquela altura a mulher.
Macao February 23rd 1863
My Dear Jamie
Really how busy you must be what with attendance on the cows writing for father and many little errands for mamma and Ellie. I am so glad you are able to assist dear father; he has always so much to do. I hope you chose the prettiest cow to bear my name. Cows are not common here but the Portuguese seem very fond of goats and wherever we turn they are running and skipping about. Their milk is drunk by the Portuguese families.
Macao is a delightful place with beautiful walks. It is a small peninsula forty miles west of Hong kong belonging to the Portuguese. Look and you will find it on the map and then you will see the place where my Christmas holidays were spent and how far we had to travel by steamer from Canton to reach it.
On our approach to the town of Macao we got quite near the place before we could see the least of it then on turning a rocky point the whole town and bay burst upon us quite suddenly.
The bay forms a beautiful curve around which the houses are built and a fort at each end to protect the place; these are garrisoned by soldiers.
There are ten Roman Catholic churches here. O, poor deluded people. I saw them in the cathedral kneeling on the floor and thought their faces looked the very picture of misery. Theirs is a cold love less religion nothing but outward show and altogether unsatisfactory to the mind in which God has planted a desire for Himself and where until He is received there remains an aching void nothing else can fill.
The priests are numerous and strange looking beings on account of their singular dress. We have generally been able to walk out before breakfast which is very refreshing and then again in the evening. These walks are such a treat to me, Dr. and Mrs Williams, with whom we are staying are exceedingly kind.
Many Chinese live here and some of them are Roman Catholics. The 18th was the Chinese new year it is a universal holiday, their only one. All the shops were closed and every one was dressed in his or her best. I was taken through the Chinese part of the town that I might see how it would look if they kept the Sabbath day. It was touching. It grieved me much though to see the people gambling. I have twice visited the Protestant burial ground where lie the remains of many devoted Christian, men and women, among them four wives of Canton Missionaries and several children. I saw Dr Morrison's grave and gathered a few leaves which I enclose you must keep them in remembrance of that great man the first Protestant Missionary to China.
Love to all at home, a large portion to dear mamma who has been so ill. I hope when this reaches you, she will be quite well. I am, dear Jamie, the same Polly who left home now almost a year ago and still loving you all, as dearly and always having in mind the prospect of returning. O, to see you all once more. Your affectionate sister
Mary Gunson
Tradução/Adaptação

Macau, 23 de Fevereiro de 1863
Meu querido Jamie,
Iagino como deves andar ocupado a tratar das vacas, a escrever para o pai e a fazer pequenos recados para a mãe e para a Ellie. Fico tão contente por poderes ajudar o nosso querido pai; ele tem sempre tanto que fazer. Espero que tenhas escolhido a vaca mais bonita para levar o meu nome. As vacas não são comuns aqui, mas os portugueses parecem gostar muito de cabras e, para onde quer que nos voltemos, elas andam a correr e a saltar. O seu leite é bebido pelas famílias portuguesas.
Macau é um lugar encantador, com belos passeios. É uma pequena península a quarenta milhas a oeste de Hong Kong, pertencente aos portugueses. Procura e encontrá-la-ás no mapa; assim verás o lugar onde passei as minhas férias de Natal e a distância que tivemos de percorrer em vapor, desde Cantão, para aqui chegar.
À medida que nos aproximávamos da cidade de Macau, foi preciso chegar muito perto antes de conseguirmos ver o que quer que fosse; depois, ao dobrar uma ponta rochosa, toda a cidade e a baía surgiram subitamente diante de nós.
A baía forma uma bela curva em redor da qual as casas são construídas, com um forte em cada extremidade para proteger o lugar; estes estão guarnecidos por soldados.
Existem aqui dez igrejas católicas romanas. Oh, pobres pessoas iludidas. Vi-as na catedral, ajoelhadas no chão, e achei que os seus rostos eram o próprio retrato da miséria. A religião deles é um amor frio e sem vida, nada mais do que exibição exterior e totalmente insatisfatória para a mente na qual Deus plantou o desejo por Si próprio e onde, até que Ele seja recebido, permanece um vazio doloroso que nada mais pode preencher.
Os padres são numerosos e seres de aparência estranha, por causa das suas vestes singulares. Geralmente temos conseguido sair para caminhar antes do pequeno-almoço, o que é muito revigorante, e depois novamente ao anoitecer. Estes passeios são um verdadeiro deleite para mim; o Dr. e a Sra. Williams, com quem estamos hospedados, são extremamente amáveis.
Muitos chineses vivem aqui e alguns deles são católicos romanos. O dia 18 foi o Ano Novo Chinês; é um feriado universal, o único que têm. Todas as lojas fecharam e todos se vestiram com as suas melhores roupas. Levaram-me a visitar a parte chinesa da cidade para que eu pudesse ver que aspeto teria se eles guardassem o dia de Sábado. Foi comovente. No entanto, entristeceu-me muito ver as pessoas a jogar. Visitei por duas vezes o cemitério protestante, onde jazem os restos mortais de muitos cristãos dedicados, homens e mulheres, entre eles quatro esposas de missionários de Cantão e várias crianças. Vi o túmulo do Dr. Morrison e colhi algumas folhas que envio em anexo; deves guardá-las em memória daquele grande homem, o primeiro missionário protestante na China.
Envio amor para todos em casa, uma grande parte para a querida mamã, que tem estado tão doente. Espero que, quando esta carta te chegar às mãos, ela já esteja completamente recuperada. Sou, querido Jamie, a mesma Polly que saiu de casa há quase um ano e que ainda vos ama a todos profundamente, mantendo sempre em mente a esperança de regressar. Oh, ver-vos a todos uma vez mais.
A tua irmã afetuosa, Mary Gunson"

Nota: Mary regressou a Inglaterra pouco depois de escrever esta carta onde morreu a 29 de Maio de 1864. Tinha 22 anos. 

terça-feira, 4 de março de 2025

Macao est plutôt belle par sa situation pittoresque

Exerto de "La Chine contemporaine, d'après les travaux les plus récents". Traduction de l'allemand par A. J. Du Bosch. Volume 2. Alexandre J. Du Bosch, publicado em Paris e Bruxelas em 1860

Macao, Vue prise du fort Hiang Schan

Macao est plutôt belle par sa situation pittoresque que bien défendue par des obstacles que la nature aurait créés pour sa sécurité. Les rochers environ nants dominent la ville et la mer qui la baigne rend la côte accessible aux plus grands navires. Son exis tence politique a toujours présenté une anomalie historique. Des aventuriers portugais qui parcou raient depuis longtemps l'Océan débarquèrent sur divers points du littoral chinois et surent par leur commerce leurs séductions et un peu par la violence obtenir qu'on reconnût leurs droits. En 1537 après la mort de saint François Xavier à Schan Schan les Portugais furent autorisés à résider à Macao non pas comme colonie indépendante mais ils furent admis aux prérogatives dont jouissaient les autres populations et cette permission ne leur était accordée que tant qu ils se comportaient bien ou tant que cela plairait à l empereur. (...)
La ville se trouve sur une presqu'île de trois milles anglais de long et sur un mille de large elle enclave un golfe superbe tandis que d'un autre côté s'élève un promontoire couvert d'églises de couvents de tours et de constructions bâties d'après le style européen. Une baie étroite et sablonneuse s'étend aux pieds du fort Hiang Schan ses remparts sont destinés à commander la colonie. Un mur très fortifié a été bâti le long de la baie comme c`est l`habitude des Chinois cette fortification établit une barrière entre les chrétiens et les hérétiques. (...)
L`administration portugaise consiste dans un gouverneur, un juge et un évêque, chacun d`eux jouit d'un traitement annuel de six cents livres sterling somme énorme quand on considère leur étroite sphère d'activité. La population chinoise de l'île est soumise aux autorités indigènes. Tous les Européens y compris les Portugais et les étrangers de différentes nations ce qui donne un total de quatre mille personnes sont soumis au gouverneur portugais. Son autorité est si peu reconnue qu il est arrivé aux Chinois d'ordonner à ses nationaux de quitter leur territoire sous peine de perdre leur fortune et leur liberté. Cette situation précaire ne permet aux colons de Macao que de se livrer au commerce encore sont ils si persécutés les malheureux chrétiens que leurs églises sont sans fidèles leurs mai sons sans habitants et le port presque désert.
Si l'on excepte Batavia, Macao a plutôt l'aspect d'une ville européenne que d'une cité de l 'Inde orientale cette résidence ne fait que décroître chaque jour et la nouvelle colonisation anglaise à Hong Kong ne fera que hâter sa ruine. Jusqu aujour d'hui les Anglais passent l'été à Macao quand leurs affaires ne les appellent pas aux factoreries de Canton ils ont implanté ici leur existence nationale. Ils possèdent des bibliothèques, des musées et d'autres établissements scientifiques.
Ilustração da Praia Grande com a colina e ermida da Penha ao fundo.
Meados séc. 19. Não incluída na obra referida

La Pria-Granda de Macao

La Pria ou Praya granda est le seul monument qui soit resté des jours brillants de Macao vue de la mer elle présente le plus ravissant coup d'œil. Sur une étendue de sept cents aunes s'élève en demi cercle une rangée de superbes habitations. L'espace laissé entre elles et l'eau sert de promenade; il est pavé et communique avec les vaisseaux qui sont à l'ancre au moyen de ponts. Ici sont situées les factoreries et l hôtel du gouverneur portugais, deux vastes constructions tout près d'elles est bâtie la maison des percepteurs d'impôt sur laquelle flotte la bannière impériale; à l'extrémité de la rue principale on découvre le sénat, édifice de grande dimension mais sans style; outre les bâtiments de la Praya granda on remarque des maisons d'architecture anglaise, des églises portugaises avec des cloches sonnant fréquemment à toute volée, des temples chinois et des habitations construites d'après les coutumes bizarres de ce peuple.
L'église Saint Joseph la plus belle et la plus étendue des douze sanctuaires de ce genre que les premiers colons portugais élevèrent est consacrée aux apôtres et appartient à un ordre monacal.
Cette ville vue de la mer n'a pas du tout l'aspect d une cité chinoise; le petit nombre d'habitants de cette nation demeurent dans des rues de l'intérieur dans des maisons à un étage qui sont cachées par les hôtels des Portugais et des Anglais ils sont presque tous ouvriers approvisionneurs et courtiers.
A côté du collège Saint Joseph Macao possède encore une autre école et des établissements scientifiques ainsi qu un refuge pour les orphelines. A l'extrémité de la Praya Granda on montre dans un spacieux jardin une grotte naturelle, appelée casa dans laquelle le Camoëns autrefois juge portugais à Macao écrivit dit on la plus grande partie de son immortelle Lusiade. Le mouillage pour les vaisseaux de fort tonnage est situé de l'autre côté de la presqu'île à environ dix milles anglais de Macao. Cette dernière ville se met en rapport avec cet endroit au moyen de bâtiments légers ou de longues barques. Avant les derniers traités chaque navire étranger qui voulait jeter l ancre devait recevoir un pilote qui avait pour mission de prendre connais sance de sa cargaison et de la déclarer à la douane. Quand les droits avaient été acquittés les passagers féminins pouvaient débarquer mais selon l'ordonnance chinoise ne pas chercher à pénétrer dans l'intérieur de l'empire. Cette formalité essentielle une fois accomplie le capitaine obtenait un Tschop ou autorisation de franchir le Bocca Tigris ces règlements ont été quelque peu violés dans les derniers temps et les circonstances ont également apporté des modifications à l'état primitif de ce port ainsi c'est Hong Kong qui a hérité du commerce de Macao, celui de Canton sest partagé entre les cinq places de commerce que le traité de Nanking a ouvertes aux Anglais Macao est donc désormais con damnée au repos le plus absolules familles chinoises de Canton y viennent aux jours brûlants de l'été séjourner quelques mois pour se dérober à la température intolérable de la cité des factoreries.
Les Portugais y fêtent gaiement chaque année le carnaval et ne se font pas scrupule pendant ces jours de folie de railler leur grandeur commerciale antérieure. Vis à vis de la grotte de Camoëns, les Jésuites avaient il ya plusieurs années établi un collége et un observatoire dont on retrouve encore les ruines éparses sur ce site charmant. Les vénérables pères avaient adroitement choisi cette localité où l'on est à l'abri de la mousson qui fait la terreur des vaisseaux réfugiés dans la rade.
Aux motifs que nous avons donnés pour expliquer la décadence de la ville où habita l'illustre Camoëns il faut encore ajouter une cause toute physique c'est l ensablement croissant du port et nous citerons immédiatement un exemple à l'appui de notre dire Lorsque lord Anson vint ici il mouilla avec ses vaisseaux dans la partie de la baie qui avoisine les quatre îles et y fut à l'abri de tout danger tandis qu aujourd'hui il serait tout à fait impossible à un bâtiment semblable d'entrer à pleines voiles dans le port. (...)

PS: assinalando-se neste dia o Carnaval, atente-se na referência a estas celebrações neste registo de 1860.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Natal há 200 anos.. em 1824

"We quitted Luçon on the 12th December and we arrived at Macao the very day of Christmas. This town is charming although very irregular. The territory is extremely circumscribed; it is about six miles in circumference. It is a small peninsula; it is joined to the main land by an isthmus where is a port open to the Chinese alone: the imprudent European who should bethink himself of breaking the threshold would be right sure of languishing eternally in the prisons of Canton; at least unless he had at his disposal a good quantity of piastres; for with money you may do what you like with the Chinese. Would you believe that the political events of Europe have caused their influence to be felt as far as Macao? Some want a constitution; others do not; the two parties have come to fight about it. Meanwhile the bishop having been appointed governor, his firmness has re established a calm. (...)"
Excerto de uma carta escrita em Macau a 5 de Fevereiro de 1825 pelo missionário Masson que chegara ao território pouco tempo antes, no dia de Natal de 1824, oriundo das Filipinas.
A 24 de Maio de 1825 o missionário seguiu viagem para Tong King - via marítima - onde chegou a 10 de Junho.
Baía da Praia Grande no início do século 19
Ilustração na incluída na obra referida

Tradução/Adaptação:
"Saímos de Luçon no dia 12 de Dezembro e chegámos a Macau no próprio dia de Natal. Esta cidade é encantadora embora muito irregular. O território é extremamente exíguo; tem cerca de seis milhas de circunferência. É uma pequena península; está unida ao continente por um istmo onde existe uma porta* aberta apenas aos chineses: o europeu imprudente que a ultrapassar pode ter a certeza que irá definhar eternamente nas prisões de Cantão, a não ser que tenha uma boa quantidade de piastras** à sua disposição, pois com dinheiro pode fazer o que quiser com os chineses. Acredita que os acontecimentos políticos na Europa fizeram com que a sua influência se fizesse sentir em Macau***? Uns querem uma constituição; outros não; as duas partes passaram a lutar por isso. Entretanto, tendo o bispo sido nomeado governador, a sua firmeza restabeleceu a calma. (...)"
* Porta do Cerco
** antiga designação genérica para moedas de prata
*** provável referência à revolução liberal de 1820 em Portugal

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Os presentes no Natal há 100 anos

Um fonógrafo da Victrola & Brunswick era uma das propostas de presente de Natal da Agência Mercantil Económica, localizada no nº 22 da Avenida Almeida Ribeiro. O anúncio de 1924 incluía ainda uma ilustração do aparelho que faria a "alegria de toda a vossa família". A mesma agência tinha ainda disponíveis "artigos de desporte" como "brindes para o Natal".
A Livraria Portugalia, no nº 8 da Rua Central, anunciava "a todos os nossos presados fregueses um abatimento de 20%" em "postais, imagens, músicas, bustos, papel de carta e livrinhos de missa de luxo, livros literários com profusão" realçando que "não pode haver melhor brinde a dar aos vossos filhos, de que um livro de histórias maravilhosas".

sábado, 21 de dezembro de 2024

Receita do séc. 19 de um doce típico do Natal macaense

O Aluá/Alua/aluar é um doce típico da época do Natal macaense, cuja consistência diz-se que faz lembrar o colchão do menino Jesus. De origem árabe, foi levado para Macau por via da Índia. Os ingredientes incluem farinha, manteiga, leite, amêndoas e pinhões, açúcar-cristal e leite de coco. Isto no século 21.
De uma edição de 1899 do "Ta-ssi-Yang-Kuo: Archivos e Annaes do Extremo Oriente Portuguez", ed. J. F. Marques Pereira, reproduzo uma receita do século 19:
"Tomam-se 3 kilos de farinha d'esse arroz (pulu), que se lava e se deixa assentar até ao dia seguinte, em que se deita fora a agua que ficou por cima. Tomam-se mais 5 cocos grandes; pisa-se o seu miolo, o qual se escalda com sufliciente quantidade de agua a ferver. Guarda-se esta infusão e o bagaço do coco á parte. Tomam-se mais: Assucar 1 kilo 1/2; Amêndoas doces e nozes q. b. Mistura-se tudo com a farinha e com a agua e bagaço do côco e colloque-se sobre o lume n'uma bacia de arame. Vae-se cozendo de vagar, mechendo-se sempre com uma colher de pau (...) acrescentando-se, pouco a pouco, 1 kilo do banha ou de manteiga de vacca, sem sal. Quando a banha não resudar mais da massa, está cosida esta; e vasa-se logo para uma meza de pedra ou de mármore untada de manteiga de vacca; e, com o rolo, também bem untado, da-se-lhe uma espessura egual, cortando-se, quando estiver fria, em quadrados ou em feitios que se desejar."
O Alua fabricado pela empresa Kam In actualmente em Macau

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Foto-legenda: comemorações do 1 de Outubro

A fotografia testemunha as celebrações do 1 de Outubro (implantação da República Popular da China a 1 de Outubro de 1949) na década de 1950 junto ao Cinema Alegria (Wing Lok), na Estrada do Repouso perto do hospital Kiang Wu. 

O cinema - foto do século 21 acima - foi construído em 1952, por iniciativa conjunta dos empresários chineses estabelecidos em Macau: Ho Yin, Ma Man Kei e Chan Chek San.

sábado, 10 de fevereiro de 2024

Celebration of the New Year

O testemunho que se segue tem quase 200 anos e relata - na perspectiva de um estrangeiro - de forma sucinta como era celebrado o novo ano lunar em Cantão e Macau.

"The new year is a season of great festivity and rejoicing with the Chinese. New clothes are bought, houses undergo the only thorough cleaning which they have during the year, visits are made, cards of congratulation are sent and, in short, every body, from his Imperial Majesty down to his meanest subject, tax their means to look particularly decent on this day. The streets are nearly deserted, business is suspended and the shops are all closed. The few persons who are met in the streets are either going to visit or they are the servants who with a handful of red cards are flying, as fast as the multiplicity of their new year's garments will allow them to deliver the congratulations of their masters to acquaintances and friends.
Fire-crackers are kept going all night and continue in full operation all day. It is deemed absolutely necessary for every householder or boat holder to demonstrate his joy by crackers, which are fired, hung from a bamboo, in long strings so the depth of a man's pocket or the extent of his vanity or joy may be safely calculated from the wrecks of these inflammable nuisances, which are strewed before his door. (...)
I observed that if the finances of the family are not sufficient to procure for all its members complete suits of clothing that invariably some part is new and most commonly the cap or shoes. Black satin boots are vanities indulged in by all who can afford them. All the boats are carefully cleaned and in various parts are pasted broad strips of bright red paper punched full of little holes in the middle and sometimes sprinkled with gold leaf. (...)"
Excerto de Sketches of China (1830), da autoria de W. W. Wood, que viveu em Macau e Cantão entre 1825 e 1836.

Tradução/Adaptação:
"O ano novo é uma época de muita festa e alegria para os chineses. Compram-se roupas novas, as casas passam pela única limpeza profunda anual, fazem-se visitas, enviam-se cartões de felicitações e, enfim, todas as pessoas, desde sua Majestade Imperial até ao seu súbdito mais cruel, gastam tudo o que têm parecerem particularmente decentes neste dia. As ruas estão quase desertas, os negócios suspensos e as lojas estão todas fechadas. As poucas pessoas que se encontram nas ruas ou estão a caminho de alguma visita a um familiar ou são os criados que com um punhado de cartões vermelhos nas mãos apressam-se, rápido quanto a multiplicidade das suas vestimentas de ano novo lhes permite, vão entregar as felicitações dos seus patrões a conhecidos e amigos.
Os panchões ouvem-se dia e noite. É considerado absolutamente necessário que todo o chefe de família ou dono de uma embarcação demonstre a sua alegria por meio de 'estalos', que são disparados, pendurados num bambu, em longos fios, para que a profundidade do bolso de um homem e a extensão da sua vaidade ou alegria possam ser calculadas com segurança a partir dos destroços que ficam espalhados diante da sua porta. 
Reparei que quando as finanças da família não são suficientes para adquirir roupas completas para todos os membros, invariavelmente pelo menos uma peça é nova e, normalmente, é o boné ou os sapatos. Botas de cetim preto são vaidades apreciadas por todos que podem comprá-las. Todos os barcos são cuidadosamente limpos e em várias partes são coladas largas tiras de papel vermelho brilhante, perfuradas com pequenos furos e às vezes polvilhadas com folhas de ouro. Isto também se faz nas casas. (...)"

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Feliz Ano do Dragão - 龙年快乐 - Happy Dragon Year

A 10 de Fevereiro tem início um novo ano lunar, este ano sob o signo do dragão, a única criatura mítica entre os 12 animais do zodíaco chinês.


Nas imagens acima registos da emissão filatélica dos CTT de Macau em 1988, também Ano Lunar do Dragão, com design de José Cândido. 
Segundo texto dos Serviços de Filatelia que acompanha esta emissão filatélica "O dragão foi o quinto animal a chegar à convocatória do Buda, antes da sua partida da Terra. De acordo com a sabedoria popular chinesa, o animal que regula o ano em que nascemos exerce uma profunda influência na nossa vida porque, como diz um velho ditado, 'é o animal que se esconde no nosso coração'. Na mística oriental o poderoso e magnífico Dragão não deixa de encantar ou agitar a imaginação. Na China o Dragão simboliza o imperador ou o género masculino, sendo a imagem do poder. Diz-se que aqueles que nasceram no Ano do Dragão trazem o destino na cabeça."
Emissão filatélica de 1995

Kung Hei Fat Choi - Long nián kuài lè -  龙年快乐 Happy Dragon Year  - Feliz Ano do Dragão