domingo, 27 de setembro de 2009

Macau na política externa chinesa: 1949-1979

Macau foi um território que sempre seduziu os portugueses desde que nele se estabeleceram cerca de 1555-1557, até que passou para a administração chinesa. Desde que tal aconteceu tem vindo a diminuir o interesse pela cidade do rio das Pérolas, à qual, contudo, nos continuam a prender elos históricos, que motivam que, de tempos a tempos, surjam trabalhos pontuais do maior relevo que nos permitem conhecer melhor o que foi o seu passado.
Tal é o caso deste livro, no qual se aborda um período recente da História de Macau, correspondendo às duas décadas que vão desde a chegada dos comunistas ao poder na China, em 1949, até 1979. O autor explica, de uma forma refrescante, o que foram os meandros das relações entre uma China, em transformação para um alegado «comunismo», e um pequeno país sob um regime ditatorial cujos governantes teimaram, até 1974, em manter a sua herança colonial. Estamos perante um livro fascinante num estilo que não é muito vulgar em Portugal, pois mistura uma fina análise científica com uma apresentação quase romanesca, tornando esta obra de leitura agradável.
Numa primeira fase Moisés Silva Fernandes aborda a evolução das relações sino-portuguesas entre 1949 e 1966 explicando como num tempo muito conturbado e marcado pela chamada «Guerra fria», as autoridades de Pequim decidiram manter o status quo existente. O autor mostra como se procedeu a uma colisão de interesses entre a eleite tradicional chinesa de Macau e a administração portuguesa, exemplificando tal situação com as actuações de muitas figuras bem identificadas e dando muitos detalhes, nomeadamente relativos a conflitos pontuais que não perturbam o grande interesse que a China tinha por Macau. Com efeito, a partir desta cidade conseguia-se balanças comerciais favoráveis a Pequim, graças às exportações. Entre os muitos motivos de interesse que o leitor pode encontrar nestas páginas podem apontar-se, a título de exemplo pitoresco, as formas como se processava o tráfico de estupefacientes chineses, o comércio de ouro e se organizava um centro de espionagem e placa giratória para agentes chineses.
Texto de José Manuel Garcia
Autor: Moisés Silva Fernandes - Edição do Instituto de Ciências Sociais em 2006
Largo do Senado em Junho de 1949

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