sábado, 12 de janeiro de 2019

"Macao Clings to the Bamboo Curtain"

Na edição de Abril de 1969 - há 50 anos - na revista National Geographic foi publicado um artigo de 20 páginas sobre Macau. O texto é da autoria do jornalista Jules B. Billard e as fotos de Joseph J. Scherschel que estiveram no território durante o período do ano novo chinês desse ano. O título: “Macao Clings to the Bamboo Curtain” relembra outro, de 1953, também da NG: "Macao, a hole in the bamboo curtain" (9 páginas).

O longo artigo começa assim:
“Macao Clings to the Bamboo Curtain – The West` s oldest trading post on the China coast, this overseas province of Portugal is European in outward appearance but Chinese in spirit and culture.”
"Macau agarra-se à cortina de bambu - O posto de comércio mais antigo do Ocidente na costa da China, esta província ultramarina de Portugal é europeia em aparência, mas chinesa em espírito e cultura ”.
A expressão "Cortina de Bambu" refere-se à versão asiática da Cortina de Ferro (Europa ocidental vs Europa de leste) e marca a divisão ao redor de Estados comunistas do leste da Ásia durante a Guerra Fria, especialmente da República Popular da China, mas excluindo a União Soviética.
E continua...
"The green and red flag of Portugal, faded and bit frayed at the edges, shivered on its staff a top Government House in Macao. It caught my eye as I walk along the banyan-shaded Rua da Praia Grande, where the avenue's graceful sea wall curbs Brown waters of the bay. And, in that moment, it took on a special symbolism for me. The aging colors spoke of bygone brilliance for this bit of Portugal tacked to the asian mainland. tha trembles that swept the cloth told of a breeze out of Communist China next door. Macao, so mute a thing as a flag reminds you, sways precariously with each stirring of its giant neighbor.
Yet, it exists - and has for 400 years - as an intringuing, anormal, a tiny outpost amid the power and vastness of an alien land. (...)


Entre os vários temas abordados pelos repórteres da NG destaque para o comércio do ouro que representava transacções num total de 30 milhões de dólares - Macau importava lingotes de outro que depois transformava em peças de joalharia e afins - e que rendia aos cofres do governo - pela aplicação de impostos - perto de um milhão e 500 mil dólares. A este propósito é fotografada uma macaense de nome Alda Dias numa das muitas joalharias existentes em Macau.

 

O governador Nobre de Carvalho e o secretário geral Alberto Eduardo da Silva (substituía o governador de forma interina na sua ausência) surgem numa fotografia tendo como fundo um quadro do Presidente da República de Portugal, Américo Thomaz.
Numa outra foto - tirada do Farol de Guia - mostra-se uma panorâmica sobre o território na altura com 280 mil habitantes. É ainda publicado um mapa da "Macao City" onde se referenciam as principais 'atracções' do território à distância de 75 minutos de viagem de
hydrofoil de Hong Kong.
É uma "senhorita" de nome Maria do Carmo Rego que acompanha os jornalistas pela cidade, nomeadamente às Ruínas de S. Paulo, cuja fotografia ocupa uma página inteira da revista. Outro dos locais visitado é a Porta do Cerco onde o jornalista faz questão de ir e explica que depois dos acontecimentos de Dezembro de 1966 são desaconselhadas presenças demasiado próximas do lado chinês.
A propósito dos tempos turbulentos que se seguiram à subida ao poder dos comunistas em 1949, o jornalista explica que, "como sempre, Macau tem sido como um bambu flexível que não verga nem perante o pior dos tufões". São ainda referidas as constantes manifestações anti-imperialismo nas ruas de Macau.
Henrique de Senna Fernandes, na altura o responsável máximo pelos serviços de turismo, e Luís Gonzaga Gomes, são dois dos entrevistados referidos na reportagem. Senna Fernandes afirma que o segredo de Macau é ter sido sempre o local onde o Ocidente e o Oriente se encontraram...
Os refugiados são outros dos temas abordados explicando as diversas fases da história em que Macau serviu de porto de abrigo. Em 1962, explica-se, chegaram a Macau mais de 1200 refugiados todos os meses, a maioria da China, fruto da 'revolução cultural' em curso. O alto comissário para os refugiados (ONU), William McKoy, afirma que 70 mil estão por aqueles dias em Macau.
As principais actividades económicas de Macau também são abordadas com destaque para a indústria dos panchões com exportações diárias na ordem das toneladas por dia sendo 80% destinadas ao mercado norte-americano. Os jornalista visitam uma das fábricas mais importantes, a Kwong Hing Tai, acompanhados do gerente, Chang Tac, e do administrador dos concelhos das ilhas da Taipa e Coloane, Gastão Barros.
O jogo era outro dos principais motores da economia local explicando o jornalista que para a mente de muitos orientais, "o jogo não é um vício mas antes uma paixão".
A este propósito uma das fotografias é tirada dentro do casino flutuante (com a legenda:Patrons place bets from above in a double-decker floating casino, Macao)   e outra mostra Stanley Ho (que poucos anos antes passara a deter o exclusivo da exploração do jogo em Macau) e o arquitecto Liang Tat Man fotografados com a maqueta do casino-hotel Lisboa frente à entrada do edifício na altura quase concluído (seria inaugurado em Fevereiro de 1970). Antes deste projecto houve outro.
A questão da dependência das drogas é outro dos assuntos abordados, referindo-se o centro de recuperação de toxicodependentes da ilha da Taipa, a cargo de Lages Ribeiro, da PSP.
Uma fotografia de grande dimensão encerra as duas últimas páginas da reportagem. Nela pode ver-se juncos ao porto do sol no Porto Interior. O jornalista termina o texto com uma referência a uma texto gravado na gruta de Camões que classifica o território como a pérola do oriente.
O artigo da NG seria referido na edição de Maio de 1969 do Boletim Geral do Ultramar: "Um artigo sobre Macau numa revista norte-americana" onde se destaca apenas o seguinte:



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