quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Indústria dos panchões: resgatar a memória

O fabrico de panchões, a par da pescas, pivetes e fósforos, chegou a ser uma das principais indústrias de Macau, chegou a representar uma das maiores fatias das exportações do território em certos períodos da primeira metade do século XX.
O mais antigo alvará para estabelecimento de uma fábrica de panchões remonta a 3 de Dezembro de 1881. A instalação destas fábricas era regulada pelo Decreto de 21 de Outubro de 1863, que apresentava em anexo uma tabela de classificação dos estabelecimentos industriais, que se dividiam em 1.ª, 2.ª e 3.ª classes, consoante o grau de insalubridade, incómodo ou perigo. As fábricas de panchões, devido ao elevado risco que representavam, pertenciam à 1.ª classe, a mais perigosa. No início do século XX já existiam perto de uma dezena da fábricas. No Anuário de 1922 registam-se oito. Com o passar dos anos a laboração passou quase toda de Macau para a ilha da Taipa.
O processo de fabrico dos panchões decorria não só nas fábricas, como também em casas particulares, onde até as crianças se ocupavam da laboração.
A década de 1940/50 representou o período áureo desta indústria que entrou em declínio em meados da década de 1970, devido à falta de mão-de-obra e surge pela última vez no Anuário Estatístico de Macau de 1981 embora a última a fábrica a encerrar a actividade tenha sido a Po Sing já no início da década de 1990.
Nos últimos anos, a par de algumas antigas fábricas que têm sido recuperadas, surgiram dois livros da autoria de Albert Lai (que teve a gentileza de me enviar de oferta) que resgatas memórias de outros tempos. É pena que sejam edições - com o apoio do ICM - apenas em chinês.
A Fábrica de Panchões Iec Long, foi fundada em 1928. A tradução literal significa "negócio florescente". Já desactivada, as instalações da fábrica ficam na Taipa, aguardando-se a sua 'revitalização'.

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