sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Uma estratégia de marketing na década de 1920

“A Visitor´s Hanbook to Romantic Macao” é um pequeno guia turístico (41 páginas) escrito em inglês. Foi publicado pela primeira vez em 1927 pelo “The Publicity Office Port Works Department, Macao” (Obras dos Portos) e impresso na tipografia de “N. T. Fernandes e Filhos”. O sucesso foi de tal ordem que logo em 1928 foi feita uma segunda edição onde se pode ler na introdução:

"The active demand for this booklet has proved the need for such a publication, and the complete exhaustion of the first edition in less than two weeks has prompted the issue of a second edition, considerably added to with new sections and much further useful information. The additioned a Bibliography as an appendix was suggested by that in the recently published “Resumo da Historia de Macau” by Eudore de Colomban and Captain Jacinto N. Moura, and it is to be hoped that visitors will find Macao sufficiently interesting to make full use of the works enumerated in the short list to gain a better knowledge of “Romantic Macao”".
O livro é amplamente ilustrado. Entre as fotografias publicadas destaque para: o busto e a gruta de Camões; o templo de A-Ma; o moumento de Vasco da Gama; a Porta do Cerco; o Monumento da Vitória (Pillar of Victory); o Farol da Guia; o Jardim da Flora; o cemitério protestante; o Jardim Camões, as Ruínas de S. Paulo e a Santa Casa da Misericórdia.
Os temas abordados são os mais diversos:
The Charm of Old Macao; Topographical; Climate; Historical; A Suggested Itinerary; Beautiful Macao; General Information; Harbour Works; Shipping; Banking; Hotels; Transport; Commerce and Enterprise; Industry; Buyers Guide; Public Services; Bibliography.
Na segunda edição, onde também se inclui um mapa de Macau e da Taipa e a localização do território no sudoeste asiático, encontramos a razão do título... a Macau romântica:
There is a charm in romance that words cannot express, and romance embraces life in all its aspects, extending also to Nature, countries, and human habitations; and few are the romantic scenes left in this modern world. In Macao, however, there is romance still: the romance of history, sung and seldom forgotten, and herein lies its charm. Those who would turn from sordid commercialism to seek and appreciate the charm that underlies beauty will find Macao, in her Nature setting, soul satisfying." (...)
Historical: (...) Delving into history we discover that not for nothing Macai gained its glorious title “Gem of the Orient Earth” – a title bestowed on Macao by Sir John Bowring, on early Governor of majestic Hong Kong. This lovely “Gem” has survived the test of the ages and the banners of Portugal still flutter to the breeze o´er “Holy City” of enchanting Macao, after almost four centuries of the vicissitudes of hazardous times.
Vasco da Gama, transcendent of navigators, sailed out of the Tagus one day, and discovered the Cape route to the Indies and Far Cathay: his followers went farther afield and founded Macao. Authorities disagree regarding the date of the foundation of the Portugueses Colony. Morrison refers to Portuguese incidence as early as 1535, and sojourn in 1537; the Chinese records admit residence in 1550; but the Portuguese have adopted 1557 as the oficial date of the Colony´s establishment. It was not till 1887, however, three hundred and thirty years later that by treaty China ratified the perpetual occupation by Portugal of the Colony of Macao and its dependencies (…)"
Tratando-se de um guia turístico não foi esquecida a sugestão de um percurso pela cidade. O itinerário começa na Av. Almeida Ribeiro, passa pelos jardins de São Francisco e de Vasco da Gama; sobe-se até ao Monte da Guia de onde se desce para o Jardim da Flora; passa-se ainda pela Montanha Russa e pela Praia da Areia Preta até à Porta do Cerco. Ali perto sugere-se uma visita ao Hipódromo e ao Templo Lin Fong. O visitante é ainda convidado a ver o Cemitério Protestante,  a Gruta de Camões, as Ruínas de S. Paulo, a Sé Catedral e o Colégio de S. José. Na zona da Penha a visita à ermida é essencial, descendo depois para a zona de Santa Sancha até à Av. da República. Dali segue-se até ao Templo de Á Má de onde se continua em direcção ao Porto Interior até encontrar novamente a Avenida Almeida Ribeiro onde tinha começado o itinerário.


Curiosamente, o mesmo editor, na mesma tipografia, fez um outro guia, em 1926, com 42 páginas, intitulado "Macao, The Portuguese Colony in China - a handbook". Na ficha técnica pode ler-se que foi publicado por "Harbour Works Department", 1926 e impresso na Tipografia Mercantil de N. T. Fernandes e Filhos.
Neste guia de 1926 pode ler-se: "Macao is very interesting to the tourist, who can find in this town, beautifull gardens, chinese temples and evidences of Portuguese occupation from early times. The Chinese quarter will always be of interest to visitors, and is quiet close to the european residential center." (...)
The splendid climatic conditions and its salubrity, the tranquillity and natural beauty, and its picturesque scenery and historical associations make this Portuguese colony one of the most charming of ports in the Far East.13 It is very much admired by tourists, and declared to be a splendid resort for quiet and retirement (…). Macao is the health-resort par excellence, and what it offers is not peace alone, but what is more, “an atmosphere of peace and rest” much sought after but seldom found."
Durante a década de 1920 esta 'empreitada' viria a transformar por completo o território.
Estes dois guias são o que, nos dias de hoje, se enquadram no que se classifica como estratégia de marketing para divulgação de produtos/serviços. Para o efeito, as obras dos Portos de Macau que nesta altura já estavam prontas pelo que interessava atrair investidores.

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