terça-feira, 4 de novembro de 2014

Assinatura do Diário de Notícias: 1923 a 1926

A minha última aquisição (estavam em Hong Kong) para a "Memorabilia de Macau do século XX" foram estes três recibos comprovativos do pagamento (em escudos) da assinatura do Diário de Notícias pelo "Governador da Província de Macau". O primeiro é de Junho de 1923 a Novembro de 1924. O segundo de Dezembro de 1924 a Junho de 1925. O terceiro de Dezembro de 1925 a Junho de 1926. 
Neste período o governador era Rodrigo José Rodrigues (1879-1963). Conhecido por Rodrigo Rodrigues tem uma avenida com o seu nome em Macau. No primeiro ano do seu governo 'institui' a romagem à gruta de Camões no Dia de Portugal. Foi capitão-médico do Exercito, Ministro do Interior, governador civil do Distrito de Aveiro e do Distrito do Porto, deputado, vogal do Conselho Colonial, governador de Macau e adido da legação de Portugal na Sociedade das Nações.
Vicente Blasco Ibanez, na sua Volta ao Mundo, passou por Macau em Janeiro de 1924 e conheceu o governador. Escreveria assim anos mais tarde...
“Às primeiras horas da manhã, embarcámos para Macau. Vemos em frente do vapor numerosos grupos de chineses. Uma força de polícia regula-lhes a entrada , um a um, na prancha que liga o barco ao cais. São todos revistados, da cabeça aos pés e só podem passar para diante quando o agente industânico está convencido de que não levam sequer o mais pequeno canivete.(...) Vista aqui, depois de se haverem visitado as principais cidades do litoral chinês, faz lembrar o antigo Portugal e parece emanar dela um longínquo sopro do nosso hemisfério.(...)
O governador actual, o doutor Rodrigo Rodrigues, é um médico que gosava merecida reputação na pátria antes de entrar na vida política, republicano como os que desinteressadamente combateram a monarquia e que depois tendo triunfado, tiveram de abandonar as suas antigas profissões para servirem a nova República portuguesa.
Durante as horas passadas em Macau pude apreciar o que o meu amigo Rodrigues tem feito em alguns anos de govêrno. Uma cobrança de impostos, bem administrada, deu o suficiente para a construção de um pôrto grandioso, no qual poderão fundear transatlânticos de grande tonelagem. (...)”.
PS: A mulher de Rodrigo Rodrigues, Rita Margarida Rodrigues, ficou fascinada com o território e dedicou-lhe alguns poemas que um destes dias dou a conhecer.

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