domingo, 20 de outubro de 2013

Um flautista em 1898

Antes da televisão e da rádio, a música ocupava grande espaço do entretenimento. Em Macau no final do século XIX também foi assim.
No jornal O Independente de 20 de Fevereiro de 1898 escreve-se que um "aprimorado gentleman muito conhecido em Macau" inventou uma nova flauta da qual conseguiu tirar sons "especialmente harmoniosos". Acrescenta ainda o artigo que "actos de desinteressa abnegação d‘esta natureza, derivados alem d‘isso d‘uma affirmação perante o Celeste Imperio do talento artístico portuguez, não podem ficar no esquecimento e impõem-se ás gerações futuras."
O instrumento tinha aspecto bicolor, pois havia substituído um dos tubos de ébano - o de maior diâmetro - por um de marfim. 
De acordo com o investigador Alexandre Bispo, "para exibir as possibilidades de seu instrumento, esse artista resolveu realizar uma excursão pelas principais cidades da China. Ia, também como veículo da difusão da música ocidental, pois era o seu objetivo impressionar os chineses e, através de suas aptidões na flauta, impressionar os chineses, demonstrando uma superioridade da cultura musical europeia. O produto desses concertos deveria ser entregue à comissão encarregada de promover em Macau os festejos pelo Centenário da Índia, ou melhor, pelos 400 anos do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia, em 1898. Para essas comemorações de Vasco da Gama, comunidades de várias regiões do Oriente estabeleceram ou estreitaram contatos, criando-se redes e possibilitando cooperações e a união de forças. Para tais comemorações, o levantamento de meios financeiros tornou-se questão de importância. Com essa intenção, o flautista tinha também a certeza de receber a simpatia dos macaenses."
O grande interesse pela música originou o aparecimento do comércio ligado à actividade. A "Casa Alto Douro" anunciava ter exemplares à venda de valsas, tangos e maxixes para piano, além de fox-trots e one steps para piano, solos de violino... papel pautado, etc.
Esta casa - situada no nº 53 da rua Central - era uma agência da Costa & Sons de Hong Kong de onde iam os materiais para Macau muito provavelmente importados dos Estados Unidos, em especial da região de São Francisco, onde havia uma forte ligação comercial com Hong Kong.

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