sábado, 26 de outubro de 2013

Almirante Magalhães Correia

Luís António de Magalhães Correia nasceu 1873 em Lisboa. Frequentou o Real Colégio Militar, assentando praça, como voluntário 1887, passando depois para a Armada, onde frequentou a Escola Naval e foi o 1º classificado do curso. A 19 de Maio de 1891 era promovido a guarda marinha e em 1897 era 1º Tenente. Em 1923 era capitão de fragata. "Ainda muito novo praticou actos heróicos na campanha de Maubara, em Timor. A canhoneira Diu estava em Macau e deslocou-se rapidamente para Timor, comandada pelo Cap.Ten Manuel Azevedo Gomes, e a 21 de Junho, bombardeou Maubara. O 2º Ten. Magalhães Corrêa fazia parte da guarnição e muito se distinguiu o que lhe valeu a Torre e Espada (03-11-1893). Foi depois Capitão dos portos de Moçambique e a seguir, já 1º tenente, comandou a Esquadrilha de Gaza, e depois ainda Governador de Manica e Sofala. Em 01-07-1907 foi ajudante de campo do Ministro da Marinha."
Esteve embarcado na Fragata D. Fernando, nas canhoneiras Diu e Faro, nas lanchas Capelo e Serpa Pinto, no transporte Índia, no couraçado Vasco da Gama, comandou os torpedeiros vapores Mineiro e Fulminante, o contra torpedeiro Tejo e o Tâmega e o cruzador Vasco da Gama. Foi instrutor de torpedos. Em 1910 foi a Livorno para as experiências do Submarino Espadarte. Comandou ainda a canhoneira Pátria em Macau (e também Índia e Timor), onde foi Capitão de Porto e Chefe dos Serviços de Marinha. Em 1930 é promovido a Contra Almirante e em 1937 a Vice-Almirante.
Em 6 de Outubro de 1929 recebe o navio balizador Almirante Schultz. A 17 de Outubro acompanha Carmona numa visita oficial a Espanha, mas como MNE, cargo que exerceu de forma interina por apenas 10 dias, julga-se que foi por renuncia à viagem do titular da pasta , seu camarada cap. m. g. Jaime Fonseca Monteiro.
Em Maio, a comemoração do aniversário do novo regime saído do golpe militar de 28 de Maio de 1926 é no Arsenal, onde Magalhães Correia anuncia o novo estudo de um plano de construções navais, a reorganização da Armada e o seu papel no futuro. Depois dele falou o ministro das finanças, Salazar, com um violento discurso, que iria agitar imenso a oposição e dar lugar ao abortado golpe de 21 de Junho.
É proclamada a Republica na vizinha Espanha e pouco depois sucede a revolta na Guiné (os revoltosos rendem-se a 8 de Maio, data em que o cruzador "London" fundeia no Funchal para proteger, e recolher, a comunidade britânica). Perante este insólito espectáculo o Governo reage e a 21 de Abril parte de Lisboa uma Força naval comandada pelo próprio Ministro da Marinha (MC) embarcado no "Vasco da Gama". Chegados ao Funchal bombardearam com as peças do navio e ataques de hidroaviões, as posições dos revoltosos, que subjugaram a 2 de Maio, sem condições. 
"A 18 de Junho , a maioria dos Oficiais da Marinha prestam homenagem ao seu Ministro, mas como a coisa não poderia dar lugar a más interpretações, também convidaram o Presidente do Conselho, que aliás também se portou muito bem em toda esta embrulhada.
Como que para contrariar esta atitude "naval", a 26 de Agosto rebenta a revolta de "caçadores 7", com Dias Antunes, Helder Ribeiro, Sarmento Beires, Utra Machado e o inefável e omnipresente nestas coisas, Comandante Agatão Lança. 40 mortos e cerca de 200 feridos, custou a aventura. Foram deportados para Timor."
É de realçar neste período de intensa actividade política a formação da Aliança Republicana Socialista (Junho 1931), com 3 nomes de grande prestígio nacional, o General Norton de Matos e os Almirantes Mendes Cabeçadas e Tito de Morais. Magalhães Correia foi representante das colónias do Oriente no Conselho do Comércio Exterior de Portugal, em 1926, Director dos Depósitos de marinha, Chefe do estado Maior Naval, encarregado do Governo e Governador de Macau (1922/1923 - nomeado pelo primeiro-ministro António Maria da Silva), numa situação bem difícil com a influência bolchevique no sul da China e com ataques armados. Foi também Administrador da Zona Internacional de Tânger (cargo de elevada honra) de 1945/1948 , e posteriormente Administrador da Companhia de Moçambique. A ele se deve o Programa Naval Português iniciado em 1931.
"Em 1932 Salazar decide avançar para a chefia do Executivo, e é pedido, pelo PR, aos Chefes Militares que sondassem as respectivas corporações. Ao contrário do Exército, a Marinha considerou o excelente papel de Salazar nas Finanças, mas não concordava com a promoção proposta. Esta resposta foi colhida pelo Almirante Mariano da Silva, Major General da Armada , e transmitida ao Ministro. Este, naturalmente , informou o Presidente. Mas a ideia foi para a frente. Magalhães Correia, com grande prestígio no momento, pôs, uma vez mais a sua ética e dignidade acima do resto, e não pôde aceitar a continuação do cargo de Ministro na nova equipa de Governo."
Foi dos mais distintos Oficiais da Marinha. O seu nome foi dado a uma Fragata, (F474) a 3ª da classe Dealey. Em Macau existe uma avenida com o seu nome (zona da Areia Preta) e na ilha da Taipa uma estrada. 

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