sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Colégio D. Bosco: um pouco de história

A 24 de Maio de 1939, o Prelado concedera aos Salesianos licença para erigirem «uma Casa Salesiana em Macau para Oratório Festivo para Europeus e Macaenses com capela pública». Em 1940, o Governo concedeu-lhes um terreno em Mong-Há. A 10-11-1941 fez-se a inauguração do aterro para os futuros pátios do actual Colégio. A 24 de Julho de 1941, a Santa Casa da Misericórdia entregou ao Bispo de Macau, D. José da Costa Nunes, o seu Asilo dos Órfãos, com os seus 30 rapazes, e a 15 de Agosto desse ano foi confiado aos Salesianos. Enquanto se não levantava edifício próprio, os órfãos portugueses ficaram instalados no Orfanato da Imaculada Conceição juntamente com os chineses.
A 6 de Fevereiro de 1949 foi lançada nesse terreno a primeira pedra dum edifício que se chamou «Colégio D. Bosco», de Artes e Ofícios, destinado ao Ensino Técnico e Profissional, sendo seu primeiro Director, o Pe. António Giacomino. António Bastos foi o arquitecto que preparou todos os planos. Num apelo ao público dizia-se: «Consta que serão precisos dois milhões de patacas para levar a cabo a construção do grandioso Colégio e que o Governo da Metrópole já autorizou um subsídio de $600.000,00 para. esse efeito» (Noticias de Macau, 7-2-49).
O novo edifício desse grandioso colégio foi inaugurado em parte, num domingo, 10 de Fevereiro de 1951. A 30 de Novembro desse mesmo ano foi colocada a primeira pedra da nova ala desse edifício, destinada a refeitório, salão de teatro e oficinas. Em Dezembro de 1958 inauguraram-se no Colégio D. Bosco oito novas máquinas da sua oficina de mecânica, um campo de basquetebol, um centro dos antigos alunos salesianos e a sala de jantar «Dr. Pedro Lobo».
A 30 de Janeiro de 1963, foram inaugurados dois novos andares para aulas e quartos.
E assim, por fases sucessivas, apareceu este grande colosso que hoje se chama «Colégio D. Bosco», acabado de construir em 1963, com a ajuda do Governo da Província. Não obstante nele funcionar o ensino primário, o Colégio D. Bosco é principalmente uma Escola Industrial, oficializada pelo Decreto-Lei No. 43 093, de 28 de Julho de 1960. Funciona também oficialmente o Ciclo Preparatório do Ensino Secundário.
Desde 1960 até à presente data o Colégio D. Bosco formou 111 Mecânicos, não se incluindo neste número os alunos que se prepararam na mesma especialidade antes de entrar em vigor a oficialização do Colégio.
A oficina de Mecânica possui equipamento à altura do ensino qne se ministra, tendo para isto contribuído o Governo da Província pelas verbas dos vários Planos de Fomento.
Além deste Curso oficializado e equiparado ao ministrado nas escolas oficiais similares, funcionam, em regime extra-curricular, o Curso de Mecânica de Automóvel e o Curso de Dactilografia, abertos a todos os que desejam valorizar-se com uma melhor preparação para enfrentar a vida.

O Colégio D. Bosco é frequentado por alunos, assim distribuídos: Ensino Primário (116); Ciclo Preparatório (75); Curso Geral de Mecânica (70); Curso de Automóvel (30). O curso de dactilografia é frequentado pelos alunos dos cursos normais, e por outras pessoas, em regime extra-curricular.
Outras actividades extra e para-escolares:
Música e Canto Coral - A música é um complemento das actividades escolares. Nos Colégios Salesianos esta actividade é fortemente valorizada e constitui uma das facetas da educação salesiana, desde as origens, segundo o pensamento e exemplo do próprio D. Bosco. Assim, além do Canto Coral (Geral), existe ainda o grupo dos «Pequenos Cantores», fundado em 1959 pelo P. César Brianza e que se encontra filiado no grupo internacional dos «Pequenos Cantores da Cruz de Madeira», sendo director o mesmo P. Brianza, diplomado em piano pelo Conservatório Nacional de Lisboa. Tem-se apresentado várias vezes em público, criando à sua volta uma justificável auréola de prestígio. Com a digressão ao Japão, em Abril de 1974, tornou-se realidade um sonho acalentado durante anos, dando-se assim a maior projecção e internacionalização a um coro que tem alto nível, como o deixou bem demonstrado, fora de Macau, ao conquistar o interesse e o entusiasmo das gentes do Japão, um país de fino gosto musical e artístico. Em 16 anos conseguiu o P. Brianza ensaiar 378 rapazes, levando os a actuar 602 vezes; o primeiro concerto realizou-se na capela do Colégio D. Bosco a 7 de Dezembro de 1959.
Em 1976, os «Pequenos Cantores fizeram uma digressão pelas Filipinas.
Desporto - Praticam-se e fomentam-se todas as modalidades existentes na Província, dando aos alunos todas as facilidades para a prática desportiva, descobrindo nele um valor educativo de grande importância. Além dos campeonatos escolares, que se vão realizando ao longo do ano entre as diversas classes e em que participam os professores, os atletas do D. Bosco participam em todos os campeonatos provinciais de diversas modalidades, tendo-se distinguido com boas classificações.
Sessões Culturais - O Colégio D. Bosco aproveita todas as ocasiões para dar aos seus educandos uma sólida preparação moral e cultural, técnica e literária, fomentando a prática de recitais, palestras, representações de cinema e outras manifestações.
Imprensa - Para activar a vida do Colégio e para que os Antigos Alunos se mantenham em contacte com a instituição que os educou é editado quinzenalmente um opúsculo intitulado «Vida Colegial», com excelente apresentação.
Associações Juvenis - Grupos naturais, constituídos pelas diversas turmas, reúnem-se depois das aulas, para discutir e dialogar sobre temas de interesse para a sua idade, orientados por um professor. Entre as várias actividades contam-se o Desporto, organizado pelos chefes de turma e conselho desportivo e o «Çlube de Guitarras» para aprendizagem e actuação nas festas, dentro e fora do Colégio, tendo-se já registado várias execuções notáveis, especialmente nas missas dominicais».
Oratório Festivo - Todos os domingos as portas do Colégio D. Bosco abrem-se aos jovens que ali queiram passar momentos de proveitosas distracções. Das actividades constam: Missa dominical, Instrução Moral, Desportos, Jogos variados, Sessões de cinema e Distribuição de bolos e guloseimas.
Nota: texto da década de 1970 da autoria muito provavelmente de Mons. Manuel Teixeira.

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