sexta-feira, 16 de agosto de 2013

André Kim Taegon: 1821-1846

Quem passa no Jardim Luís de Camões depara-se com uma estátua de André Kim Taegon (1821-1846), um religioso católico coreano. Foi beatificado em 1925 e declarado santo em Maio de 1984 pelo papa João Paulo II quando visitou a Coreia. Nascido numa família nobre coreana, aos 15 anos converteu-se ao catolicismo e foi enviado pelos fiéis coreanos para Macau para estudar teologia. Durante os seus estudos no território frequentou como fiel a Igreja de Santo António.
Foi o primeiro sacerdote e missionário de etnia coreana. Decapitado em 1846 (tinha 25 anos) tornou-se assim o primeiro mártir coreano. A Diocese de Macau venerou-o (celebração a 20 de Setembro) com uma estátua situada junto à igreja que ele frequentou, a Igreja de Santo António.
A Igreja católica coreana foi fundada por leigos, o que é um caso raro. Surgiu no início de 1600, a partir dos contactos das delegações coreanas que visitavam Pequim. Foi assim que se deram os primeiros contactos dos coreanos com o cristianismo. Teve aqui um papel importante o livro do padre Mateus Ricci, "A verdadeira doutrina de Deus". Foi o leigo Lee Byeok que se inspirou nele para, então, fundar a primeira comunidade católica na Coreia.  As visitas à China continuaram e os cristãos coreanos foram, então, informados, pelo bispo de Pequim, de que suas actividades precisavam seguir a hierarquia e organização ditada pelo Vaticano, a Santa Sé de Roma. Teria de ser gerida por um sacerdote consagrado, o qual foi enviado oficialmente para lá em 1785. A comunidade cresceu e depressa começou a sofrer perseguições por parte dos governantes assistindo-se a uma carnificina entre 1785 e 1882, quando o governo decretou a liberdade religiosa. Foram dez mil mártires. Desses, a Igreja canonizou muitos que foram agrupados para uma só festa, liderados por André Kim Taegon, o primeiro sacerdote mártir coreano.
André nasceu em 1821, numa família da nobreza coreana, profundamente cristã. Seu pai, por causa das perseguições, tinha formado uma "Igreja particular" em sua casa. Tudo funcionou até ser denunciado e morto, aos 44 anos, por não renegar a fé em Cristo. André tinha 15 anos e sobreviveu com os familiares, graças à ajuda dos missionários franceses, que os enviaram para a China, onde se preparou para o sacerdócio e regressou diácono, em 1844. Foi em Xangai que o bispo o ordenou sacerdote. Devido à sua condição de nobre e conhecedor dos costumes e pensamento local, obteve óptimos resultados no seu apostolado de evangelização. Até que, a pedido do bispo, um missionário francês, seguiu em comitiva num barco clandestino para um encontro com as autoridades eclesiásticas de Pequim, que aguardavam documentos coreanos a serem enviados ao Vaticano. Foram descobertos e presos. André foi torturado durante muito tempo e depois morto por decapitação, no dia 16 de Setembro de 1846 em Seul, na Coreia. Na mesma ocasião, foram martirizados 103 homens, mulheres, velhos e crianças, sacerdotes e leigos, ricos e pobres.

PS: A estátua foi oferecida em 1985 à Diocese de Macau pela Igreja Católica da Coreia.

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