domingo, 23 de dezembro de 2018

Representação de Macau por Gentiloni

Detalhe de um mapa de 1784
Representação de Macau num quadro de Gentiloni do final do século 18

Este quadro faz parte do acervo do Museu Marítimo de Hong Kong (Hong Kong Maritime Museum) e pode ser visto na Central Ferry Pier 8 de Victoria Harbour no Deck C1. Trata-se de uma representação da península de Macau no final do século 18. e um documento precioso para a história da cartografia local.

Tem como dimensões 83x170 cm e a autoria é atribuída a Gentiloni que pintou outras cidades portuárias vizinhas de Macau, como Whampoa, Cantão, Hong Kong e Zhaoqing, por exemplo. Sobre o pintor mais nada consegui até agora encontrar...
Segundo o museu os quadros foram pintados em Macau e adquiridos (ou oferecidos ao) pelo diplomata Camillo de Rossi no Rio de Janeiro por volta de 1810. Mantiveram-se na família Rossi até 2010 quando foram comprados e oferecidos ao museu.
Cav. Camillo de Rossi, avô da marquesa Natalia de Rossi, comprou estes quatro quadros com vistas de cidades portuárias chinesas no Rio de Janeiro quando ali estava como secretário da legação papal ao rei D. João VI de Bragança aquando das invasões francesas a Portugal. Na verdade Rossi era o secretário particular do Núncio Apostólico, D. Lourenço de Caleppi, de 67 anos, convidado por D. João a acompanhá-lo na viagem ao Brasil. Por motivos irrelevantes para este post, acrescenta-se que estes dois personagens não seguiriam na viagem com o rei e só chegaram ao Brasil um ano depois, em 1808.
No canto inferior esquerdo do quadro está escrito "Macao". Para ajudar na datação do mesmo pode tomar-se como referência a igreja (1758) e o seminário de S. José (1728). A perspectiva do autor é o porto interior (em primeiro plano) vendo-se ao fundo a baía da Praia Grande. Destaque para as representações das ermidas da Penha e da Guia, da ilha Verde, da Porta do Cerco, da igreja Mater Dei (vulgo S. Paulo), mesmo ao lado da Fortaleza do Monte. Na pintura é ainda representada a igreja da Sé, o Templo de A-Ma (na Barra), o forte da Barra, o forte do Bom Parto, os muros que cercavam a edificação urbana, as várzeas de Mong-Há...

Quer nos navios quer nas fortificações militares e alguns edifícios religiosos, o autor colocou a bandeira cruz da Ordem de Cristo, também denominada Cruz de Portugal, símbolo nacional instituído por volta de 1520 pelo Rei Dom Dinis.


Nota: O Museu Marítimo de Hong Kong tem uma vasta colecção de pinturas do período China Trade que merecem também uma visita atenta. Entre mapas (séculos 18 e 19) e pinturas, há muito para ver sobre Macau no museu. Está lá por exemplo um quadro que representa a explosão da Fragata D. Maria II em 1850.

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