quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Procissão do "anno jubilar": 11 Dezembro 1904

A primeira imagem é de um postal intitulado "Carro triumphal que saiu na grande procissão do dia 11 de dezembro de 1904 - anno jubilar". O ano jubilar é o da Imaculada Conceição, santa padroeira de Macau.
Em Macau o Orfanato da Imaculada Conceição recebeu esse nome em recordação do ano Jubilar de 1904 ano em que foi planeada a sua fundação.
Numa edição de 1986 da revista Nam Van o padre Manuel Teixeira explicou assim as origens desta devoção.
"Há perto de 60 anos que andamos procurando nos arquivos e nas várias histórias de Macau a data da proclamação de N. Sra. da Conceição como Padroeiro desta cidade e nunca a encontrámos. Quer dizer que Macau não fez uma proclamação oficial própria nem uma eleição particular da Virgem Imaculada como sua Padroeira. Porquê?
Porque não era necessário. Já o Rei a tinha feito para Portugal e seus territórios ultramarinos, nos quais se incluía Macau. Sendo assim, era desnecessária uma nova proclamação quer do bispo quer do Senado desta Cidade do Nome de Deus. Eis o documento ou provisão régia de 25 de Março de 1646:
«D. João, por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, etc… Faço saber aos que esta minha Provisão virem, que, sendo ora restituído, por mercê muito particular de Deus Nosso Senhor, à Coroa destes meus Reinos e Senhorios de Portugal; considerando que o Senhor Rei D. Afonso Henriques, meu Progenitor,… tomou por especial advogada sua a Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora, e debaixo dê sua sagrada protecção e amparo lhe ofereceu todos os seus sucessores, Reinos e Vassalos… Estando (eu) ora junto em Cortes com os três Estados do Reino… Com parecer de todos, assentamos de tornar por Padroeira de nossos Reinos e Senhorios a Santíssima Virgem Nossa Senhora da Conceição» .
O rei fez ainda a promessa solene de defender sempre a Imaculada Conceição. Supomos que esta decisão foi comunicada a todos os territórios ultramarinos que de boa vontade aceitaram N. Sra. como sua padroeira. Esta suposição torna-se certeza ao ver o que os jesuítas fizeram em Macau, segundo refere o P. Cardim: «E pois a devoção de Sua Majestade à Imaculada Conceição da Virgem Maria Senhora Nossa é tão concluída não só nos reinos de Portugal e seus senhorios mas em toda a cristandade, manifesta pelo decreto que Sua Majestade fez nas cortes de 1646 de defender sempre a Imaculada Conceição, ficara o real Colégio de Macau com o título de Imaculada Conceição; e parece foi já providência divina, que no frontispício, que se fez de padroeira na fachada da igreja do mesmo Colégio, no ano de 1640, se pusesse no nicho do meio uma imagem de Senhora fundida de bronze, com o triunfo da Imaculada Conceição em rodaz aberto na pedra, obra de meio relevo, com que realça mais a majestade do frontispício, e agora o título da igreja e colégio a devoção de Sua Majestade» .
Quer dizer: Ao Colégio e à Igreja da madre de Deus, após as cortes de 1646, foi dado o título de Imaculada Conceição; já em 1640 se colocara a sua brônzea estátua na fachada com os caracteres chineses que dizem; «A Santa Mãe calca a cabeça do dragão», i. é a Imaculada esmaga a cabeça da serpente. Os anjos em volta da estátua veneram a Imaculada, celebrando o seu triunfo.
Macau, território português, recebeu jubilosamente como sua Padroeira a Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal e de seus Reinos e Senhorios. E interessante notar que desde tempos imemoriais se guardava no altar de N. Sra. da Conceição, na Sé, o bastão que os governadores recebiam na tomada de posse e depois ali depositavam.
O Leal Senado não se esqueceu dos padroeiros da Cidade. No Salão Nobre, na ala direita de quem entra, abre-se o Oratório da Imaculada Conceição, com um simples altar, onde campeia a Virgem. À direita da Virgem, ergue-se numa peanha a estátua de S. João Baptista. A estátua da Virgem foi esculpida em Manila em 1819, como se vê da carta que o procurador do Sendo, Domingos Pio Marques, escreveu a Manuel José Peintezenaver, incumbindo-o de «mandar fazer em Manila uma imagem de N. Ser. da Conceição»; deveria ser perfeitíssima, feita pelo melhor artista, «toda de boa madeira e inteiriça, e a sua altura não deverá exceder 4 palmos, incluindo a penha, que tudo deve vir já pintado e doirado no melhor primor»."

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