sábado, 22 de março de 2014

Madre Teresa de Calcutá: visita em 1989 e "milagre" em 2007

"A preocupação pela situação dos pobres está a aumentar em todo o mundo e existe uma vontade cada vez maior de ajudar os necessitados, disse aos jornalistas a Madre Teresa de Calcutá, durante uma curta visita de três horas a Macau. Madre Teresa galardoada com o Prémio Nobel da Paz, veio a Macau pela terceira vez após visitas em 1983 e 1986, solicitar à Administração portuguesa a concessão de uma casa para acolhimento de crianças pobres para a sua Congregação Missionária das Irmãzinhas da Caridade.
O Encarregado do Governo Murteira Nabo, disse à madre Teresa de Calcutá - durante uma audiência no Palácio do Governo a que esteve também o Bispo da Diocese D. Domingos Lam - que a Administração concederá rapidamente uma residência provisória para a Congregação. Murteira Nabo adiantou que após a conclusão, dentro de dois anos, das obras do novo bairro social do Fai Chi Kei as irmãzinhas da Caridade receberão instalações próprias para as suas acções de caridade. Madre Teresa disse também que continua a orar a Deus pela abertura de uma missão da sua congregação na República Popular da China. Actualmente a Congregação das Irmãzinhas de caridade, que reúne 3 mil missionárias, tem 400 missões em 75 países incluindo a União Soviética e a Formosa.
Madre Teresa com João Severino (director do jornal Macau Hoje) e o padre Luís Sequeira
Madre Teresa chegou na passada sexta-feira a Hong Kong para visitar as dez Irmãzinhas da Congregação que residem na colónia britânica e, após esta curta escala em Macau, regressou ao Território vizinho de onde partirá na próxima segunda-feira para Calcutá. Em Macau cinco irmãzinhas da caridade, duas filipinas, duas coreanas e uma indiana, mantêm actualmente um centro de auxílio a crianças pobres em instalações precárias.
Antes de partir de Macau, Madre Teresa de Calcutá deixou uma mensagem à população pedindo o empenhamento e dedicação de todos no auxílio aos pobres e necessitados porque “o futuro da fé é o amor, e o fruto do amor é a dedicação aos outros que nos traz a paz e o mundo nunca precisou tanto de paz como agora”.
in Jornal de Macau 22 Março 1989
NA: Em 2007 o padre Luís Sequeira esteve gravemente doente e, contou ele, que às portas da morte pediu 'ajuda' à Madre Teresa (que já conhecera antes) e que só continuou vivo por "milagre" da Madre.
"Conhecera-a em Macau, fui sua amiga e chegou a participar num retiro meu, em 1992, na casa-mãe de Calcutá. Além de ter percorrido o mundo inteiro a orientar retiros às suas Missionárias da Caridade. Tenho então este instinto muito profundo: "Madre Teresa. Fui teu amigo pessoal, trabalhei intensamente com as tuas irmãs, e não tenho nada de especial? Numa altura em que se está a preparar a tua canonização, olha, toma-me a mim. Podes-me usar como sinal da tua santidade". Disse-lhe claramente: "I want a special gift". Em inglês, que era a língua em que falávamos.
Acontece então uma coisa extraordinária: a hemorragia estabiliza a 2,3 cm, a minha tensão, que não parava de subir, estabiliza finalmente e eu começo a acalmar - não se sabe porquê. Precisava de ser transferido para outro hospital, em Hong Kong, mas sem estabilidade clínica não podia viajar. A partir do momento em que acalmo e estabilizo, decidem levar-me. (...) Chegado a Hong Kong, enfiam-me numa ambulância e, em cinco minutos, estou no Hospital de S. Paulo, pertencente às irmãs de S. Paulo de Chartres, junto ao hipódromo de Happy Valley. Fui directamente para a UCI, nem mudaram de cama nem nada. A primeira coisa que pedi foi para me lavarem - estava cheio de suor.
Aqui, acontece o que eu chamo o milagre: qualquer coisa de extraordinário, dito pelos próprios médicos de Hong Kong e que faz do meu caso notável. Fazem-me um novo TAC, que não apresenta praticamente derrame. É um facto: apenas uma pontinha, nada, mas nada, comparável com a extensão que tinha. Tenho comigo esses dois TAC's: um, que mostra um grade derrame, a justificar tudo quanto tive e as actuais sequelas; e outro, quase limpo. O neurologista comenta: "Oh padre, o que aconteceu é qualquer coisa de notável". Um outro médico diz-me: "Nunca vi nada assim".
Declarações ao Expresso (6.2.2010)

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