domingo, 8 de novembro de 2009

Macau: cidade de refúgio à perseguição religiosa

A Guerra do Pacífico (1941-1945) e a ocupação da China pelos comunistas, fizeram de Macau o centro de refúgio de todos os foragidos da tormenta e da perseguição religiosa que se seguiu.
A 25 de Fevereiro de 1943, depois de mil peripécias, chegaram aqui quatro Canossianas de Waichow, as quais haviam sido esbulhadas, há mais dum ano, da sua Missão. Elas conseguiram fugir das mãos dos soldados chineses que, após a queda de Hong Kong, pretendiam interná-las no centro da China, enviando-as para o Norte. Mas chegaram inopinadamente as tropas japonesas, que as conduziram a Cantão e dali a Macau.
Os Padres das Missões Estrangeiras de Milão vieram de Hong Kong para Macau, ficando uns alojados no Seminário e outros na casa da Confraria de N. Senhor dos Passos, anexa à igreja de S. Agostinho de cujo serviço religioso ficaram incumbidos.
Os Jesuítas de Hong Kong, vieram para Macau, onde abriram na Praia Grande o Colégio de S. Luís Gonzaga para os.refugiados de língua inglesa.
A 22 de Setembro de 1949, partiram para as Filipinas 10 noviços jesuítas e 51 seminaristas do seminários diocesano de Tsing-Tsian, dirigido pelos jesuítas, os quais se haviam refugiados na Vila Flor em Macau a 22 de Janeiro desse ano.
Vieram também as Ursulinas que tomaram conta do Infantário de N. Sra. do Carmo na Taipa.
As irmãs de S. Paulo de Chartres instalaram-se na Estrada de D. João Paulino e abriram ali, em Janeiro de 1950, o Pensionato Infantil de S. José para crianças de menos de 4 anos de idade.
Os Irmãos Maristas, vindos em 1950, alojaram-se na Casa de Campo do Seminário de S. José, na Ilha Verde. Durante três anos viveram ali numerosos estudantes com os seus professores. Terminanados os estudos, partiram, em Julho de 1953, para Malaca e Penang, ficando lá apenas quatro Irmãos, que partiram no mês seguinte.
Em Abril de 1949, vieram de Hankow sete Franciscanos com 76 alunos do seu Seminário Regional de Boaventura; que se instalaram primeiro no Colégio de S. José anexo ao Seminário depois no edifício da Vila Flora, à Guia. Ordenaram-se em Macau 38, saindo todos de cá em Agosto de 1954.
Os Salvatorianos estabeleceram o seu seminário na Estrada da Vitória. Este edifício foi depois comprado pelas Padres Redentoristas que aqui se refugiaram e ali abriram o Colégio do Perpétuo Socorro em Setembro de 1955. Em 1967, este Colégio foi comprado pela Sociedade do Amor Divino, pois os Redentoristas espanhóis abandonaram Macau; em 1975, foi confiado às Filhas de N. Senhora Auxiliadora (Salesianas),
A 21 de Novembro de 1948, chegaram aqui 5 Padres Carmelitas Descalços, vindos de Pequim, da Missão de Hupeh, com sede em Hwang-Chow, instalando-se no Seminário.
Um padre lazarista chegou aqui com 8 noviços, ficando no Instituto Salesiano.
A 18 de Fevereiro de 1949, vieram da Missão de Xangai 4 Padres Jesuítas, 25 estudantes juniores, 4 filósofos, 11 noviços e 2 coadjutores que depois seguiram para as Filipinas.
A «Religião e Pátria» de 20-1-1949, p. 69, dizia: «Temos já neste Seminário (de S. José) representantes dos missionários de metade da China».
A 27 de Abril de 1949, chegaram ainda 14 seminaristas filósofos do Seminário Regional de Pequim, ficando no Colégio de S. José anexo ao Seminário.
Em 28 de Abril de 1945, vieram 78 refugiades do Convento Francês de S. Paulo de Chartres de Hong Kong. Este convento foi bombardeado e destruído pelos americanos a 15 de Abril, no momento em que o P. Fitzgerald, jesuíta irlandês, fazia uma prática às Irmãs. Uma parede de cimento armado caiu, esmagando as raparigas e às Irmãs, que se achavam nessa sala, anexa à da prédica.
O P. Fitzgerald veio para Macau e ficou na residência paroquial de S. Lourenço, de que eu era pároco. Lembro-me muito bem dos seus olhos de espanto, e do terror que lhe ensombrava o rosto todas as vezes que um avião sobrevoava Macau.
Entre essas 78 refugiadas havia velhas, inválidas, cegas, mudas, 20 meninas e 11 meninos.
As Irmãs instalaram-se na Casa de Regeneração da Missão de Fátima, regressando a Hong Kong num navio de guerra inglês, a 16 de Março de 1946.
Vieram ainda os Maryknoll--Padres e Madres--incluindo o Bispo Paschang.
Como os japoneses mandaram fechar as escolas inglesas de Hong Kong, várias Canossianas vieram para Macau a juntar-se ao corpo docente do Colégio do S. Coração.
O mesmo fizeram os Salesianos.
Macau foi para todos os foragidos da tormenta a beata pacis visio--«feliz visão de paz».
Bombardeamento de Macau
A 16 de Janeiro de 1945, várias levas de bombardeiros americanos lançaram bombas incendiárias sobre os depósito de gazolina do Porto Exterior e metralharam vários pontos estratégicos de Macau. Estava lá instalado o Museu da Marinha organizado pelo Comandante Carmona, o qual foi incendiado com a gazolina.
Resultado: cinco mortos e vários feridos.
Pedro José Lobo fora o negociador para a venda da gazolina do depósito do Porto Exterior aos japoneses em troca de arroz para sustentar a população, como se venderam tantas outras coisas para o mesmo fim.
Às 11 h. a. m. devia ele executar essa transação; mas os americanos, pouco antes da hora marcada, caíram com os seus bombardeiros sobre o depósito e lá se foi toda a gazolina em chamas. Pedro Lobo fugiu no seu automóvel, que foi perseguido e metralhado e só não foi também aos ares em chamas, porque se atirou em terra e assim se salvou. Os americanos tinham a sua rede de espionagem bem montada. (...)
Nota: texto datado de ca. 1974 sem que tenha conseguido identificar o autor.

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