terça-feira, 13 de outubro de 2020

"A Grande Chacina" e o "Tufão Perdido no Mundo"

Nas "Efemérides da História de Macau", Luíz Gonzaga Gomes refere que a 13 de Dezembro de 1924 "Seis prisioneiros chineses que estavam trabalhando na construção duma estrada na Ilha de Coloane, tentaram evadir, agredindo de surpresa e barbaramente duas praças africanas que os estavam vigiando e, depois de as terem desarmado, dirigiram-se ao quartel, onde mataram o 1.º Sargento Manuel Ferreira da Silva que comandava o posto militar da povoação de Ká-Hó, sendo depois mortos cinco e capturado um."
O tema viria a ser capa de um semanário em Portugal, o "Domingo Ilustrado" (1925-1927) na edição de 8 de Fevereiro de 1925, com o título "A Grande Chacina de Macau". 
O jornal é o equivalente aos actuais tablóides de pendor sensacionalista. 
O caso ocorreu em Ka-Hó, na ilha de Coloane.
Escreve o jornal que “Em pleno areal de Cka–Hó, um posto numa ilha de um kilómetro quadrado, os presos insubordinaram-se, assassinando com as ferramentas do trabalho os soldados portugueses. Depois correram ao quartel e mataram o sargento comandante, ferindo mais praças. 
Por fim, no meio da carnificina, ficaram abatidos cinco dos revoltados e todos os soldados feridos e mortos”.
A ilustração, explica a publicação, é uma "reconstituição (dos acontecimentos) sobre documentos e fotos fornecidos na Sociedade de Geografia, por um oficial que já comandou este posto".


Veja-se outro exemplo da abordagem jornalística,  na mesma publicação, também sobre Macau, na edição de 3 de Outubro de 1926, mas a propósito de um tufão.
A ilustração é acompanhada do título "O Tufão que anda perdido no Mundo!" e com a seguinte legenda:
Na Metrópole, nas ilhas, em Macau, um tufão, que os homens de sciencia classificam como sendo o mesmo, produz estragos formidaveis. Quando tomará pressão normal a enorme massa de ar?
Trata-se de um tufão que assolou Macau a 25 de Setembro de 1926.
O Diário de Lisboa escreve a 28 de Setembro:
"Um violento tufão assolou esta cidade. Nem todos os juncos de pesca que estavam ao largo recolheram, receando-se que a maior parte se tenha afundado causando a perda de muitas vidas. Os estragos no litoral são relativamente pouco importantes."
O cruzador "República" viria a ser afectado pelo tufão "indo encalhar sem avaria no lôdo para as bandas da Lapa. (…) Devo no entanto informar V. Exa.ª de que este tufão foi anormal, surpreendendo os observatórios de Hong Kong e Macau, os quais só poucas horas antes da passagem do meteoro anunciaram a sua aproximação desta região. O navio continua sem a menor avaria, devendo fazer-se a primeira experiência de o flutuar no próximo dia 12 de Outubro", explica Guilherme Ivens Ferraz, Comodoro do "República", numa carta enviada a partir de Macau ao Ministério da Marinha, a 8 de Outubro desse ano.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

O "Programma de Instrucção Primária" em meados do século 19

Os 4 "annos" lectivos da "Instrucção Primária" em 1877 eram compostos por sete disciplinas:
Leitura (do 1º ao 4º anno); Escripta (do 1º ao 4º anno); Arithmética (do 1º ao 4º anno); Ensino Religioso e Moral (1º ao 4º anno); Grammatica (3º e 4º anno); Rudimentos da História de Portugal (4º anno); Noções de Geographia e chorographia de Portugal (3º e 4º anno).

Nesta época o ensino primário oficial (em português) ainda não estava sistematizado e existiam várias pequenas escolas - a par dos tutores privados - espalhadas pelas várias freguesia (total de 7) da cidade de Macau. 
Atente-se neste "Aviso" de 1876:
“Para conhecimento daqueles a quem possa interessar e dos pais e tutores das meninas, se publica que a professora da extinta escola da instrução primária da freguesia da Sé, D. Astéria Coelho dos Santos, foi transferida para a de S. Lourenço, e que o funcionamento da respectiva escola, terá começo em 1º de junho próximo futuro, na casa nº 51, sita na Praia Grande. 
Secretaria do Governo de Macau, 31 de Maio de 1876.”

Por volta de 1878, além das escolas públicas havia ainda 16 escolas privadas que tinham 407 alunos, dos quais 245 eram do sexo masculino e 162 do sexo masculino. 
Segundo o regulamento interno do Colégio de Santa Rosa de Lima, em 1875 o ensino primário dividia-se em duas classes; a primeira tinha 4 disciplinas: Leitura, Escrita, Operações Fundamentais de Aritmética (números integrais e fracções) e Religião Católica e Catecismo. A Leitura dividia-se em seis: Introdução à Gramática e Princípios de Análise, História de Portugal, Resumos de Geografia e Geografia das Províncias Ultramarinas de Portugal, Base do Protocolo, Aritmética e Uso e Explicação dos Sistemas de Pesos e Medidas e Desenho e Sua Aplicação Eficaz na Vida Diária.
A 3 de Setembro de 1883 era inaugurada a Escola Central do Sexo Masculino, fundada pelo Leal Senado, sendo-lhe anexadas as Escolas Primárias do Governo (3) e do Seminário (1). Tinha 4 professores e 175 alunos.

domingo, 11 de outubro de 2020

A Embaixada de Manuel de Saldanha

A Embaixada de Manuel de Saldanha ao Imperador K'hang hi em 1667-1670 
De Durval R. Pires de Lima 
Lisboa: Tip. e Papelaria Carmona, 1930.

Depois de Fernão Mendes Pinto e Tomé Pires esta terá sido a mais significativa tentativa de estabelecer relações diplomáticas com a China por parte de Portugal. Feita a pedido das gentes de Macau.
Os padres jesuítas - em Pequim muitos dos seus nomes perduram até hoje - foram esperar Manuel de Saldanha a Tianjin para, com o embaixador português, fazerem o último percurso do Grande Canal até Pequim, enquanto lhe ensinavam as regras do cerimonial chinês para ser recebido pelo imperador da dinastia Qing, Kangxi (1661-1722). 
Inúmeras 'embaixadas' se seguiriam...

Eduardo Brazão (1907-1987), que cônsul de Portugal em Hong Kong, escreveu em 1948 um livro sobre o tema - Subsídios de para a historia das relações diplomáticas de Portugal com a China: a embaixada de Manuel de Saldanha -  de que retirei este pequeno excerto:
"A vida não decorria tranquila no Império do Meio, o que era mau presságio para os comerciantes de Macau. Manuel de Saldanha, diplomata experiente, foi enviado a Pequim ao grande Kang-Si para trazer da boca do imperador garantias de estabilidade e as difíceis licenças para o comércio com a China. A morte colheu Manuel de Saldanha já no fim da sua melindrosa missão; no entanto, tinha conquistado de tal modo as boas graças de Kang-Si, que este o fez sepultar com todas as honras devidas aos mais distintos mandarins do seu império."

Sugestão de leitura adicional:
Manoel de Saldanha, embaixador extraordinario del Rey de Portugal ao Emperador da China e Tartaria (1667-1670), escrita pelo Padre Francisco Pimentel Escrita pelo Padre Francisco Pimentel e documentos contemporaneos. Compilados e anotados por C.R. Boxer e J.M. Braga. Macau: Imprensa Nacional, 1942.
Excerto desta obra
"Chegou esta proibição do comércio a Macau no ano de 1662, em que mandava o Imperador que em todo seu Império, com pena de morte, não anda assim no mar nem uma só tábua nem houvesse comércio algum com gente de fora, e como os mora dores desta cidade não tinham bem algum de raiz, nem um palmo de terra sobre que cair mortos, tirar-lhe o comércio foi o mesmo que tirar-lhe a vida; contudo nos primeiros anos se foram sustentando com os cabedais que tinham grangeado, esperando que o Imperador vendo que o cevão florescia como dantes sem o contrato da China, e sabendo o estrago que fez em seus vassalos, e rendas com tão bárbaro decreto desenganado que com ele não fazia dano aos inimigos senão a si, e aos seus vassalos, viesse a levantar esta proibição. 
Porém ele como tirano, e temeroso de perder o Império, que usurpou, foi continuando com maior rigor a observância do seu negro decreto, até que os de Macau se resolveram em Novembro de 1667 a pedir com toda a instância ao Vice-Rei da Índia o Senhor Conde de São Vicente João Nunes da Cunha que ele mandasse um Embaixador em nome d'El Rei Nosso Senhor para que indo à Corte, e falando com o Imperador lhe apresentasse o miserável estado desta cidade e recebesse dele alguma representação no comércio para se poderem sustentar, porque só por este caminho luzia alguma esperança de remédio a tantos males. Não achou o Senhor Vice-Rei quem se atrevesse a tomar sobre si tão árdua empresa, senão ao Senhor Manuel de Saldanha, que movido mais pelo zelo da Fé, que nestas partes principalmente depende da conservação desta cidade e do serviço d'El-Rei Nosso Senhor, e não de outro algum interesse, mal convalescido de uma grande doença se embarcou em Goa, e depois de passar na viagem horríveis perigos de que escapou por evidente milagre chegou doente a esta Cidade aos 4 de Agosto, e doente se embarcou logo para a Cidade de Cantão, Metrópole desta Província aonde os Governadores dela o detiveram mais de dois anos pelas coisas que ao adiante contarei até que finalmente chegou ordem do Imperador em que mandava que sem mais réplica alguma partisse logo para a Corte".

sábado, 10 de outubro de 2020

Da Identidade dos Macaenses

Historicamente, a população de Macau tem duas componentes étnicas principais: Han-chineses (principalmente das províncias de Guangdong e Fujian) e Portugueses, da Europa (reinóis/metropolitanos) e Euro-asiáticos (macaenses). (...)
Em Portugal, a referência a pessoas de determinada localidade expressa-se, pelo adjectivo derivado do nome da mesma localidade. Por exemplo: lisboeta é o natural de Lisboa, ou gente de Lisboa. Na China, a forma para designar a naturalidade é semelhante. Por exemplo: Beijing ren, Xangai ren (gente de Pequim, gente de Xangai).
No caso de Macau, único em todo o território da China, Ao Men ren (gente de Macau, em mandarim) Ou Mun yan (em cantonense) é uma designação que não inclui toda a população de Macau. Na minuciosa especificação que os chineses fazem da população de Macau, Ao Men ren ou Ou Mun yan não significa toda a população de Macau. Significa, apenas, a população chinesa de Macau.
Os macaenses são designados, pelos chineses de Macau, por “t’ou-san” (filhos e filhas da terra, habitantes locais).
A população chinesa de Macau distingue os portugueses em: macaenses e reinóis, ou metropolitanos. Aos euro-asiáticos ou macaenses chamam “t’ou-san”, como já se disse. Aos “portugueses de Portugal” chamam “Kuai-lôu” (gíria: diabo, ele ou ela). E especificam ainda o género: “ngau-sôk” (lit.: tio boi) e “ngaû-pó”(lit.: mulher vaca).
Por seu lado, os macaenses distinguem-se dos chineses. Tradicionalmente autodenominavam-se “macaístas” ou “maquistas” e designavam os chineses por “chinas”.
Os chineses de Macau que recebiam o baptismo e adquiriam um nome cristão/português eram conhecidos por “chong cao” (convertido ao cristianismo, novo cristão).
O peso social dos macaenses em Macau outorgou-lhes a distinção social “t’ou-san” que, ao mesmo tempo, impede “Ao Men Ren” ou “Ou Mun yan” de significar “todos os naturais de Macau”, como acontece em todas as localidades do Continente. Isto significa que, do ponto de vista dos chineses de Macau, a sua terra é uma singularíssima excepção na China. É deles. Mas é, também, dos macaenses.
Sugestão de leitura: "Os Macaenses"
Padre Manuel Teixeira, 1965


O fenómeno da miscegenação não é vulgar no interior da China. Quando existe alguém, meio chinês e meio estrangeiro, a designação é “Hun Xue Er”, literalmente: misturado; mestiço.(...)
A comunidade macaense euro-asiática de origem chinesa, bem como os precedentes macaenses euro-asiáticos de origem não-chinesa, atribuíam um peso desigual aos elementos constitutivos da sua herança cultural ambivalente.
Historicamente, a componente portuguesa era maximizada e a componente asiática secundarizada.
Para um observador menos atento, certos comportamentos, com maior visibilidade no relacionamento de netos luso-chineses com avós maternos chineses, poderiam parecer incompreensíveis. Não resultando de conflito inter-geracional, a sua origem situava-se em “zona de diferença étnica”, aprofundada por eventual incompatibilidade cultural (escarro ou arroto ruidoso, uso dos pausinhos que vão à boca para retirar comida da travessa, etc.).
A primeira geração de um casamento luso-chinês (homem português com mulher chinesa é o “casamento regra” entre 1945/74) é detentora de uma herança biológica mestiça paritária (50% chinesa-han/50% portuguesa-europeia). Mas este equilíbrio genético – que se mantém pela vida fora – não é observado no desenvolvimento comportamental dos indivíduos.
Segundo Albert Bandura, psicólogo contemporâneo que elaborou a teoria da aprendizagem social, uma das mais importantes fontes de influência na aprendizagem humana é o comportamento dos outros. Diariamente somos expostos a uma enorme multiplicidade de modelos que, em diferentes contextos, exibem, desde os comportamentos mais simples, aos mais complexos. A observação desses comportamentos e das suas consequências será, em grande parte, determinante na aprendizagem.
Mas a aprendizagem humana é selectiva. Os indivíduos tendem a imitar as figuras que lhe são significativas.
Em regra, na primeira etapa da vida, o horizonte de observação e aprendizagem do indivíduo é o seu ambiente familiar, nomeadamente a estrutura interna da família.
Quer na China, quer em Portugal, a autoridade parental, o papel de liderança da família, é atribuído ao marido / pai. Daí decorre a assumpção da herança cultural paterna como património familiar principal, mesmo quando ele opta pela educação dos seus filhos no exterior ou em escolas estrangeiras.
Sugestão de leitura: Galeria de Macaenses Ilustres do século XIX
Padre Manuel Teixeira, 1942


Os casamentos inter-étnicos luso-chineses são principalmente entre homens portugueses e mulheres chinesas. Em tais casamentos, as referências culturais portuguesas são transmitidas de uma geração para a seguinte como as principais referências. Uma das decisões mais importantes nos casamentos luso-chineses diz respeito à educação das crianças. A educação nas escolas portuguesas era a escolha óbvia. Tão óbvia quanto a autoridade do pai dentro da família.
A opção pela educação em português era a centrifugação definitiva que separava as duas componentes culturais das crianças macaenses, moldando a sua matriz cultural portuguesa e relegando os elementos da sua herança cultural chinesa para a periferia dessa matriz básica.
É, portanto, compreensível que os macaenses falem, leiam e escrevam português, mas, em regra, não podem ler nem escrever chinês, embora falem cantonense.
A capacidade de ler e escrever uma língua é a chave para o acesso à respectiva cultura. No caso dos macaenses, o domínio do português falado e escrito tem sido o factor decisivo da sua ligação à cultura portuguesa. Da mesma forma, a incapacidade de ler e escrever chinês tem sido o factor determinante do seu distanciamento da cultura chinesa, de cujas formas mais eruditas são absolutamente estranhos.
Depois de concluírem os estudos secundários, alguns jovens macaenses, em regra, iam para as Universidades portuguesas e os restantes permaneciam em Macau. Para estes, a sua entrada na vida profissional, principalmente no Funcionalismo Público, coroavam os esforços iniciados com a decisão tomada pelo pai quando eram crianças e recompensava-os com o prestígio social de fazer parte da máquina administrativa que regulava a vida de Macau.
Era impossível e impensável que um jovem macaense completasse o ensino secundário e fosse continuar os estudos numa universidade chinesa, no Continente ou em Taiwan. (...)
Texto de Jorge Morbey
Sugestão de leitura:
Famílias Macaenses, de Jorge Forjaz (1ªedição 1996/2ª edição 2018)
Três volumes com 7,5 kg, 3500 páginas, 245 capítulos, 250 fotografias e 440 famílias registadas e estudadas, eis como se poderia resumir a obra Famílias Macaenses, da autoria de Jorge Forjaz. Uma obra que a Fundação tinha preparado para os mais de 1200 Macaenses que, em 1996, desembarcaram em Macau para o II Encontro das Comunidades Macaenses. Fruto de mais de cinco anos de trabalho ininterrupto em vários continentes, a obra é, afinal, também um encontro, este muito mais vasto, e de dimensão planetária única, de todos os Macaenses hoje espalhados pelo mundo. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Brinquedos e jogos tradicionais

Em colaboração com a Associação dos Coleccionadores de Antiguidades de Macau, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), organiza a exposição "Nostalgia Macau: Brinquedos e jogos tradicionais" que vai estar patente de 9 de Outubro a 22 de Novembro, na galeria do IAM.
Na mostra estarão mais de 300 brinquedos, fabricados entre as décadas de 20 a 80 do século passado em Macau, Hong Kong, China e Japão.
Aviões, bonecas, bisnagas, puzzles, etc... são alguns dos brinquedos presentes na exposição


Em paralelo, vai decorrer a feira de jogos tradicionais, organizada em conjunto com a Associação de Actividades Lúdicas de Macau e inclui vários tipos de jogos: saltar à corda, lançamento de aviões de papel, corridas de sacos, entre outros.

Entre as décadas de 1950 e 1990 a indústria de brinquedos de Macau viveu tempos áureos. A maioria das fábricas situava-se na zona do Porto Interior. Depois multiplicaram-se os casinos e o enfoque da indústria local mudou radicalmente. Hoje em dia quase não existe. A maioria dos fabricantes transferiu-se para a China. Mas houve tempos em que, até em Portugal, a sigla "Made in Macau / Fabricado em Macau" era a marca mais evidente nos brinquedos. Alguns exemplos nas imagens abaixo:




quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Grand Hotel Kuok Chai : "linhas modernas e janelas rasgadas"

Num pequeno livro destinado principalmente aos turistas, editado na década 1960 pela Agência Geral do Ultramar, pode ler-se sobre este edifício conhecido pelos nomes de Grand/Kuok Chai hotel: 
“O Hotel Kuoc Chai, situado ao fundo da Avenida Almeida Ribeiro, junto das pontes de desembarque do Porto Interior, onde atracam todos os barcos da carreira Macau-Hong Kong. De linhas modernas e janelas rasgadas, tem 84 quartos. 
No rés-do-chão e no «mezanino» funciona um restaurante de comida europeia, e no 3.º andar outro de comida chinesa. Além dum «Salão de beleza», instalado no «mezanino», existe no 1.º andar um «Salão de dança»
Preços dos quartos:
Singelos (sem casa de banho) 10 patacas diárias
Singelos (com casa de banho) 18 patacas diárias
Dobrados (todos com casa de banho) 25 patacas diárias”

Projectado pelo engenheiro civil macaense João Canavarro Nolasco ao estilo art-déco , o Grand Hotel pertencia à família Fu que detinha o monopólio do jogo no território. Foi inaugurado em Março de 1941 durante a guerra sino-japonesa e a poucos meses da segunda guerra mundial se estender ao Pacífico e passar a ter escala mundial.
Fica (ainda existe o edifício embora desactivado desde a década 1990) junto ao Porto Interior e à ponte-cais 16 (inaugurada em 1948). Fazia parte dos dos chamados "hotéis chineses" do território onde se incluía, por exemplo, o Hotel Central, na mesma avenida, ou o Macau na Travessa das Virtudes e o Oriental. Entre os do tipo "ocidental" destaque para o Bela Vista (antigo Boa Vista) e o Riviera.
O Kuok Chai visto da Fortaleza do Monte: década 1950

Para além do "Salão de Dança", aberto até às 3 da manhã, outro dos atractivos deste hotel inaugurado em 1941 com um total de 9 andares, era o Salão de Chá no último piso  - a part do Central era o edifício mais alto do território - proporcionando uma vista desafogada e magnífica sobre todas as ilhas em redor. 

Numa foto da revista NG feita em 1952 (imagem acima a cores), aquando da visita a Macau do Ministro do Ultramar, pode ver-se o letreiro do Restaurante Kuok Chai.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Repartição dos Incêndios: Janeiro 1868

Repartição dos Incêndios

No sabbado, 4 do corrente, pouco antes de 8 horas de noite, declarou-se incendio n'uma palhoça de ola, sita atraz do cemitério, o qual extinguiu-se logo, ardendo apenas a dita palhoça.
No domingo, 5 do corrente, às 7 1/2 horas de noite, declarou-se incendio n'uma loja de chá, n.º 77, sita na rua das Estalagens e tendo empregado todos os meios que julguei mais acertados em tal cazo, consegui extinguir o incendio prontamente e sem novidade, ardendo somente o andar superior e o tecto d'essa loja, e ficando destelhadas uma loja contígua e um telheiro do Pagode por parte detraz, tendo lançado mão d'essa operação para evitar que 
se contaminasse o mesmo incendio.
O incendio teve lugar acidentalmente, pois tenho
informações fidedignas, que estando se a torrar chá no andar superior da loja em questão, os criados a quem estava incumbido esse serviço, se retiraram d'ali e é durante a auzencia dos mesmos que teve logar o sinistro.
A 1.ª bomba que chegou com mais ardor e utilidade do serviço durante o incendio, foram os voluntarios Fermino Machado, António Rontero e Manuel Martins do Rego, tendo este ultimo corrido grave risco de vida pelo abatimento d'um muro; e por isso os recommendo à favoravel consideração do Exmo. Conselho do Governo.

Quartel da Repartição dos incendios,
Macau 7 de janeiro de 1868
B. S. Fernandes
Major e inspector dos incendios



O "Major e inspector dos incêndios" - a título gratuito - referido no excerto acima (do Boletim do Governo de 1868) era Bernardino da Senna Fernandes (1815-1893): Barão a 25 de Outubro de 1888, Visconde a 17.04.1890 e Conde a 31.03.1893 (após a morte). 
A patente de major está relacionada como facto de Senna Fernandes ter criado em 1857 um corpo de polícia privado, conhecida como a "Polícia do Bazar" e que era custeada por comerciantes chineses. Este corpo de polícia viria a estender-se a toda a cidade e Senna Fernandes foi nomeado pelo governo Comandante da Guarda da Polícia a 14 de Outubro de 1857, cargo que exerceu até 18 de Julho de 1861. Primeiro foi capitão, depois major de segunda linha sendo-lhe concedidas as honras de major já depois de deixar o cargo. 
Foi também ele que viria a criar nesta época a "Polícia do Mar", muito útil nos dias de tufão e no combate à pirataria.
Comerciante rico e ilustre macaense foi também uma figura polémica. 
Foi ainda Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, Comendador da Ordem de Cristo, Comendador da Ordem do Elefante de Sião, Cavaleiro de Torre e Espada, Condecorado com a Medalha de Prata de Mérito e Filantropia, Cônsul do Sião (Tailândia), Perú (honorário) e da Itália em Macau, diplomata, Comandante da Guarda da Polícia, criador da Polícia do Mar, Superintendente da Emigração Chinesa (leia-se cules), Inspector dos Incêndios, Presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa da Misericórdia e sócio fundador da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses) (APIM). 
Casou a 30 de Setembro de 1840 com Antónia Maria de Carvalho de quem ficou viúvo tendo voltado a casar em 1862 com D. Ana Teresa Vieira Ribeiro com quem teve 9 filhos.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Publicidade BNU: década 1980

 
"BNU Macau: uma presença de Portugal no Oriente (desde 1902)"
Anúncio de imprensa da década 1980
Refira-se que a primeira sede do BNU em Macau foi inaugurada a 20 de Setembro de 1902. Ficava no nº. 9 da Rua da Praia Grande, num prédio que era propriedade de D. Anna Theresa Ferreira, antiga Condensa de Senna Fernandes.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

"Concessão do Exclusivo da Loteria de Vae Seng em Macau, Taipa e Colowan"

"Concessão do Exclusivo da Loteria de Vae Seng em Macau, Taipa e Colowan por três anos"

(...)

In Boletim da Província de Macau e Timor, 28.6.1884

domingo, 4 de outubro de 2020

A atracção de Hollywood por Macau

Antes de James Bond tornar o conhecido o nome de Macau na década de 1970 com "The man with the golden gun"/O Homem da Pistola Dourada (1974) ou de Shangai Surprise, em 1986, e Skyfall, de 2012, realizado por Sam Mendes, já a indústria da sétima arte, nomeadamente Hollywood sentira uma forte atracção por Macau. Mais precisamente nas décadas de 1950 e 1960 quando foram feitos mais de uma dezena de filmes onde "Macau", território, surge como o protagonista e classificada como "a cidade mais perversa" (‘wickedest city’).
As origens desta atracção podem ser encontradas num livro editado em 1933 da autoria de Hendrik de Leeuw intitulado "Cities of Sin". (tema de um próximo post)
Aliás, antes de Hollywood, e ainda sob a perspectiva do 'pecado', da 'imoralidade' e da 'corrupção' foi a Europa a 'descobrir' Macau para o cinema com o filme francês "L’enfer du jeu" (The Gambling Hell) de 1942, realizado por Jean Delannoy.
Vejamos então como tudo começou na década de 1950 com o filme intitulado "Macao", ainda a preto e branco, filmado em 1950, mas só estreado em 1952. Logo na narração está explícita a apresentação do território como 'antro do crime'...
"This is Macao: a fabulous speck on the Earth’s surface, just off the south coast of China, a 35-mile boat trip from Hong Kong. It is an ancient Portuguese colony, quaint and bizarre. The crossroads of the Far East, its population a mixture of all races and nationalities, mostly Chinese. Macao, often called the Monte Carlo of the Orient has two faces: one calm and open, the other veiled and secret. Here millions in gold and diamonds change hands, some across the gambling tables, some mysteriously in the night. Macao is a fugitives’ haven, for at the three mile limit the authority of the International Police comes to an end."
Feito o retrato, no essencial, todos os filmes posteriores seguiram este conceito.


Lista de filmes:
L’enfer du jeu /The Gambling Hell (1942), The Lady from Shanghai (1947), Smuggler’s Island (1951), Macao (1952), Forbidden (1953), Dragon’s Gold (1953), Love is a Many-Splendored Thing (1955), Flight to Hong Kong (1956), and Hong Kong Confidential (1958), Soldier of Fortune (1955), The Scavengers (1959), Ferry to Hong Kong (1959), Out of the Tiger’s Mouth (1962), Cleopatra Jones and the Casino of Gold (1975), while also playing a smaller role in the plots of Windjammer (1937), Kill a Dragon (1967), and That Man Bolt (1973), etc...
Eis algumas das razões pelas quais Hollywood se focou tanto em Macau. No pós-guerra a economia da região era das mais pujantes a nível mundial. Macau não foi excepção, por causa do comércio do outro, caso único a nível mundial, em plena guerra fria, com muita da espionagem a centrar-se no território. Acrescem ainda dois factores: com o início da Guerra da Coreia (1950-53), a América passa a interessar-se pelo continente asiático cuja curiosidade já aumentara depois da subida ao poder pelos comunistas (1949) que voltaram a 'fechar' as portas do país ao estrangeiro e proibiram o jogo no país. Na 'Cortina do Bambú' da Ásia - por oposição à "Cortina de Ferro" na Europa - Macau estava no lugar certo à hora certa...
Tudo isto atraiu os produtores e os argumentistas que encontraram no território os ingredientes - o fruto proibido - necessários para uma boa intriga: jogo, espionagem, contrabando, aventura...
Num artigo publicado a 7 de Janeiro de 1954 no jornal Los Angeles Examiner, Kay Proctor escreve que embora "Macau tenha vindo a ser caracterizada na ficção como a cidade mais perversa no planeta", de facto, "um turista está ali totalmente seguro e pode tentar a sorte jogando fantan no casino do hotel Central".

Variety - 11.8.1954 
"Adventure Still Rules Macao; Gals Serve Your Opium at Hotel Bedside" - "A aventura ainda domina Macau; As meninas servem o ópio no quarto de hotel" é o titulo do artigo da Variety, publicado a 11 de Agosto de 1954, e assinado por Dick Larsh:
"The tiny Portuguese colony of Macao, only a four-hour ferry ride from Hong Kong, is a must on the tourist list for visitors to the Crown Colony. Its deserved reputation for dark hours, intrigue and wickedness comes from its odd position between the two worlds separated by the Bamboo Curtain. Its Chinese population of 300,000 is 95% of the entire citizenry - and which side these Chinese are on, at what time, is strictly a matter of conjecture. Adventure can be found in Ma- cao’s night - and danger for the unwary who 3 overimbibe and wan- der its cobblestone alleys alone. Gambling is the chief relaxation for the localities, with fantan and bird cages operated by smiling Chinese girls to be found everywhere. Dancehall hostesses wear slit skirts and highnecked blouses and earn about $30 a month. For 32c the tourist can smoke a single pipe of opium in any number of dingy dens; for a little more, the pipe of forgetfulness can be delivered to your hotel room - by a comely serving gal to heat the joy gum by your bedside. 
Some hotels even feature rooms with built-in wooden couches, the preferred equipment for the hep lolling puffer who spurns the softness of a mattress for his escape to temporary Nirvana. Prosties work only in the matsons de, joie arid there are no femmes de pave. Neither a recent government ban nor the efforts of the churches have been able to close down the brothels which provide a variety of Eurasians, White Riftsians, Chinese and Japanese attendants, plus scatterings from other countries of Asia. U.S. personnel down from Japan, usually stay overnight. An all-expense stopover at $20 includes hotelroom, three meals, sightseeing trip, including a visit to an opium den under the rein of a professional guide, and return ferry fare to Hong Kong. There are no Western style nightclubs, their closest replica being the dancehalls. Filmhouses show only Chinese product from Hong Kong, Formosa and Red China, with an occasional Soviet film with Chinese subtitles. Locally-made films will soon be available in Macao with the recent opening of a studio here. Silveria Machado will produce "The Long Road," starring popular Chinese actress Chung- Ching and directed by Euricco Ferreira. Story is based on refugees from the mainland in Macao. It will be made in three versions - Chinese, Portuguese and English. Initial production nut is set at $50,000."
A Variety voltaria a Macau num artigo publicado a 19 de Novembro de 1969: "Tourists to Macao, Portugal's Beachless, Orient Resort''
Refira-se que esta projecção do nome de Macau no mundo - através do cinema - não foi bem vista pelo Estado Novo em Portugal. Os serviços de censura da ditadura, por exemplo, só permitiram a exibição do filme "Kill a Dragon" após cortes ao gangster português e à máfia do território (1968). O filme "Smuggler's Island" (1951) nem sequer foi exibido. 

sábado, 3 de outubro de 2020

Visitas guiadas a partir da Austrália: década 1930

 Nas imagens dois anúncios publicados em jornais da Nova Zelândia na década de 1930 dando conta de visitas guiadas/excursões a vários destinos do Extremo Oriente onde Macau está incluído.
1931

1937

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Carta de 1873 com carimbo "Pago em Macao"

Nas imagens a frente e verso de um envelope de 1873. A carta foi enviada de Macau para o Porto (Portugal) onde chegou a 19 de Agosto desse ano.

Refira-se que nesta época ainda não existiam selos de Macau - a primeira emissão, do tipo "Coroa" é de Março de 1884 - e nem sequer havia serviço postal oficial. Ao que consta, e desde 1838, o que existia era uma espécie de "estação postal britânica"... Sobre este tema irei publicar um post muito em breve.
Detalhe do carimbo com a coroa britânica e a inscrição "Pago em Macao"

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Sociedade de Aeroportos Pan Americana de Macau

 

A 18 de Janeiro de 1936 é publicado no Boletim do Governo o Despacho nº 21 que nomeia a comissão que ficará encarregue de organizar a "inauguração do serviço aéreo transpacífico com terminus nesta colónia" assegurado pelo hidroavião da Pan American Airways Company.
No dia 21 de Outubro de 1936 é constituída a Sociedade Aeroportos Pan American de Macau, Limitada, com sede no Pavilhão de Abrigo do Porto Exterior (hangar). O capital social foi de 40 mil patacas. Três residentes de Macau asseguraram duas mil patacas cada um (ver imagem acima) e as restantes 34 mil patacas pertenciam à Pan Am.
A 21 de Outubro de 1936 é celebrado um contrato entre o Governo português e a Pan American Airways, pelo qual os hidroaviões desta empresa ficaram com o direito de utilizar o campo de aviação de Macau.
A 8 de Dezembro de 1936 o cônsul dos EUA em Hong Kong faz um ponto de situação ao Secretário de Estado norte-americano:
Sir: I have the honor to enclose herewith the articles of incorporation of the “Aeorportos Pan Americana de Macau, Limitada”, a company which the Pan-American Airways was compelled under Portuguese law to organize at Macao in order to operate their airport there. The capital of the company is HK$40,000.
Under the articles of incorporation the Aeroportos Pan-Americana de Macau is empowered to construct, establish, and operate airports, aerodromes, hangars, workshops, and all ground facilities pertaining thereto, in the territory of Macao. The Society “may also engage in the representation, either through the means of agency or through other contracts, of commercial airlines as well as in their advertising, and also engage itself in the operation of airlines where such may promote its principal objects or its commercial interests.”
There is nothing unusual in the articles of incorporation which are routine under Portuguese law. The full text taken from the Boletim Oficial De Macau of October 31, 1936, is enclosed herewith.
It is learned from reliable sources in Hong Kong that Japan is still desirous of establishing an air line from Japan to Bangkok but that their inability to obtain landing facilities at some point between Formosa and Bangkok is a stumbling block. It is difficult to see, however, how the British can refuse them facilities at Hong Kong when such privileges have been accorded to the United States and China, according to the same informant.
It is also understood that Great Britain would like to have landing facilities on Hainan Island but how actively they are pushing the matter cannot be ascertained.
Respectfully yours,
Howard Donovan

No dia 7 de Janeiro de 1937 Macau é declarado - Portaria 2:283 - "terminus marítimo da linha aérea da Pan-American Airways e porto de entrada e saída dos aviões da mesma linha". Note-se que na portaria é referido de forma expressa "com autorização de Sua Exa. o Ministro das Colónias, transmitida em seu telegrama nº 7, de 7 do corrente".

Envelope e carimbos de 28 Abril 1937

Curiosidade: A Portaria n.º 8587 publicada em Portugal no Diário do Governo n.º 3 de 1 de Maio de 1937 "Anula, por ilegalmente promulgada, a portaria n.º 2036 do Boletim Oficial de Macau, que determina que a colónia de Macau seja declarada o terminus da linha aérea Pan-American Airways e porto de entrada e saída dos aviões da mesma linha."

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Macau no filme "China Clipper"

"China Clipper” (Martin M-130) foi “protagonista” do filme homónimo, de 1936, realizado por Frank McDonald para a Warner Brothers e protagonizado por Humphrey Bogart, Pat O´Brien e Beverly Roberts.
Conta a história Juan Trippe, fundador da Pan American Airways, em 1927, e, claro, das viagens do "China Clipper" entre os EUA e Macau (From S. Francisco to Macao).
Dois anúncios ao filme "China Clipper" do final de 1936 em jornais da Nova Zelândia

O voo inaugural ocorreu a 22 de Novembro de 1935 com partida de S. Francisco. Depois das escalas no Hawaii, ilha Midway, ilha Wake Island e Guam, o China Clipper chegou a Manila, o destino final , a 29 de Novembro. O voo histórico demorou 59 horas e 48 minutes num total de 8,210 milhas. O mundo ficava 'mais pequeno'. O China Clipper fizera em 6 dias e meio o que o navio mais rápido na época fazia em 21 dias.  A 23 de Outubro de 1936 ocorre o voo experimental que estendia a rota até Macau. Na Primavera de 1937 a rota estender-se-ia de forma definitiva até Macau. Mais 5 horas de voo que viriam a permitir a inauguração do correio aéreo. O ataque japonês a Pearl Harbour em 1941 ditou o fim da rota.
Para que este voo fosse realidade o trabalho da Pan Am começou muito antes. Em Janeiro de 1934, o patrão da empresa, Juan Trippe, enviou à China o que chamou que Representante especial da Pan Am para o Extremo-Oriente, Harold Bixby. E nada foi deixado ao acaso nas intensas negociações que foi preciso fazer com vários governos para que o voo fosse autorizado, incluindo com as autoridades das Filipinas, China e de Macau (incluindo Lisboa). Como forma de provar o empenho da Pan Am nesta rota, Bixby mudou-se com a família (mulher e 4 filhas) para Xangai e tinha ainda uma moradia em Macau.
No post de amanhã vou abordar a constituição da Sociedade Aeroportos Pan Americana de Macau Limitada.