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sábado, 26 de setembro de 2026

Leong Veng Heng (梁永馨香莊): Incenso e óleos medicinais

Fundada em 1875* pelo comerciante Leong Sau Ting, natural de Xinhui, a Leong Veng Heng (梁永馨香莊) foi uma das mais importantes fábricas de pivetes/incenso (神香) do território. 
Nesse ano a empresa estabeleceu-se junto ao Porto Interior na Rua do Pagode do Bazar 康公廟大街 - e mais tarde no Pátio das Palmas, na Calçada de S. Francisco Xavier, muito perto das Ruínas de São Paulo e do Templo de Na Tcha.


Segundo anúncios do início do século 20 a empresa também desenvolveu as suas próprias fórmulas de unguentos e óleos medicinais, como o famoso óleo Wui Chun, que era vendido na drogaria com o mesmo nome.
Gravura em cobre para publicidade da loja de incensos Leong Veng Heng
Rua do Pagode do Bazar /zona do Porto Interior
Museu de Macau

A par dos panchões (fogo-de-artifício) e dos fósforos, o fabrico de incenso foi uma das três grandes indústrias artesanais que sustentaram a economia de Macau entre o final do século 19 e meados do século 20 chegando a existir no tempo áureo da produção cerca de 40 unidades de fabrico. Entre as mais importante estava não só esta como também a Chan Luen Heng e a Leong Dai Heng.
Algumas das fábricas chegaram a instalar a produção também na vizinha província de Cantão e até em Hong Kong. Foi o caso da Leong Veng Heng cuja marca ainda hoje existe e tem fábrica na China continental.
No livro de 1929 "Macau: a mais antiga colónia europeia no Extremo-Oriente", Jaime do Inso refere que "Há em Macau 20 firmas de pivetes das quais a mais importante é a Leong-Veng-Heng , fundada em 1815*, que dispõe de duas fabricas com cerca de 800 operários de ambos os sexos , sendo o valor da sua produção anual superior a $120.000 patacas".
Nessa época - primeiro quartel do século 20 - José Neves Catela fotografou a loja que tinha ao centro da fachada os caracteres 梁 永 馨 . 
Lê-se da direita para a esquerda: Liáng Yǒngxīn - Leung Wing Hing em cantonense): 梁 (Leung / Liang): apelido da família fundadora; 永 (Wing / Yong): Eterno / Perpétuo; 馨 (Hing / Xin): Fragrância distante / Perfume suave, referência direta ao fabrico de incenso. 
Numa placa suspensa no lado direito está a inscrição 專辦各國金銀香燭 que significa "Especialistas na venda de incenso, velas, papéis de ouro e prata", utilizados em rituais/oferendas tradicionais.
Do mesmo lado uma pequena placa tem escrito em português "LeongueVeng Heng Drogaria Chinesa" seguida dos caracteres chineses 梁永馨老丹膏散 que significa "Antigos remédios, elixires, unguentos e pós de Leung Wing Hing".

Dessa fábrica que funcionou durante cerca de três décadas (até 1908) junto à antiga muralha que circundava a denominada "cidade cristã" resta hoje o portão de entrada onde estão inscritos os caracteres chineses que correspondem ao nome Leong Veng Heng.
Páteo das Palmas
A estrutura apresenta sinais de degradação e o governo vai avançar com obras de restauro. Num muro lateral (um pouco mais acima do lado direito da fotografia) estão grandes caracteres chineses 梁 (Liáng) 永 (Yǒng) 馨 (Xīn) 香 (Xiāng) 莊 (Zhuāng).
梁永馨 (Leung Wing Hing) é o nome da família e do estabelecimento. O apelido é "梁" (Leung) e o nome comercial "永馨" (Wing Hing) significa "Fragrância Eterna". Já 香莊 (Heung Chong) significa "Fábrica de Incenso".
* 1875 é o ano indicado pelo Instituto Cultural enquanto a data 1815 é a referida por Jaime do Inso.

Sequência de fotografias tiradas em 2024 por Chi Fai Lei




quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Fortaleza do Monte / 大 炮 台: 400º aniversário

Na imagem a pedra de armas da Fortaleza do Monte (Fortaleza de Nossa Senhora do Monte de São Paulo) colocada sobre a porta de entrada.
O frontão triangular tem esculpida a figura de S. Paulo, patrono da fortaleza. A pedra rectangular por baixo inclui um escudo de Portugal, encimado por uma coroa rematada com cruz. O escudo é flanqueado por dois querubins de pé. O anjo do lado esquerdo ostenta a Cruz de Cristo, e o anjo da direita a esfera armilar rematada por uma estrela. Em baixo tem a inscrição ANNO DNI 1626, ou seja, "No Ano do Senhor de 1626", a data da conclusão da fortaleza cujos primórdios vou abordar de forma sucinta.
A estrutura nasceu originalmente como uma casa forte (cofre) construída pelos jesuítas impulsionados pela organização político-institucional do bispo D. Melchior Carneiro para proteger a fortuna do comércio da seda e da prata com o Japão financiado a uma taxa de 1%.
Na segunda década do século XVII (crê-se que a partir de 1617), ergueu-se a estrutura inicial (paredes de 1,10 m, porta dupla), construída por padres e pelos seus escravos. Com a obra ainda inacabada, em Junho de 1622 quando os holandeses tentaram invadir Macau foi daqui que foi disparado o tiro certeiro que levou à derrota holandesa.
Em 1623 o novo governador de Macau tomou a fortaleza aos jesuítas, recorrendo a um destacamento militar vindo de Manila (Espanha), transformando-a oficialmente em bastião e residência do governador.
Quando concluída em 1626 as muralhas ficaram com cerca de 9 metros de altura, sendo a espessura das paredes na base com 3.7 metros e no topo com 2.7 metros.
Ao longo dos tempos a fortaleza teve múltiplas utilizações. Foi quartel militar, presídio, albergou os serviços de meteorologia (década 1960), foi depósito de vestígios arqueológicos... Com o fim da presença militar em 1975 a fortaleza passou a estar aberta ao público e no final da década de 1990, após obras, foi ali instalado o Museu de Macau (1998), situação que ainda se mantém.
Neste ano de 2026 celebra-se o 400.º aniversário de conclusão da construção da Fortaleza do Monte.
PS: para consultar mais publicações sobre a Fortaleza do Monte utilizar o campo de pesquisa.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Aniversário do Centro Histórico de Macau como Património Mundial da Humanidade

Nunca é demais recordar que a data de 15 de Julho de 2005 marca um dos momentos mais importantes da história recente de Macau. Foi o dia em que o Centro Histórico de Macau foi oficialmente inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO durante a 29.ª sessão do Comité do Património Mundial realizada em Durban, na África do Sul. Com esta distinção, tornou-se o 31.º sítio classificado como Património Mundial na China.
O que é o Centro Histórico de Macau?
Trata-se de uma zona urbana contínua que reflecte mais de 450 anos de coexistência e fusão cultural entre o Oriente (China) e o Ocidente (Portugal). O conjunto classificado é composto por 22 monumentos históricos e 8 praças (largos).

Ilustração criada por IA a partir de fotografia da década 1940

Monumentos Históricos (22)

Templo de A-Má (o edifício mais antigo de Macau)
Quartel dos Mouros 
Casa do Mandarim (residência tradicional de Zheng Guanying)
Igreja de São Lourenço (e o seu adro)
Igreja e Seminário de S. José (incluindo o adro e a escadaria)
Teatro D. Pedro V (o primeiro teatro de estilo ocidental da China)
Biblioteca Sir Robert Ho Tung
Igreja de Santo Agostinho
Edifício do Leal Senado
Sam Kai Vui Kun (Templo de Kuan Tai)
Santa Casa da Misericórdia (edifício sede)
Igreja da Sé (Catedral)
Casa de Lou Kau
Igreja de S. Domingos
Ruínas de S. Paulo (antiga Igreja da Madre de Deus, vestígios do Colégio de S. Paulo, adro e escadaria)
Templo de Na Tcha (junto às Ruínas de S. Paulo)
Troço das Antigas Muralhas de Defesa
Fortaleza do Monte
Igreja de Santo António (e o seu adro)
Casa Garden (antiga residência e actual sede da Fundação Oriente)
Cemitério Protestante (incluindo a Capela de Morrison)
Fortaleza da Guia (incluindo a Capela de Nossa Senhora das Neves e o Farol da Guia)
Ruínas de S. Paulo / Largo da Companhia de Jesus

Praças e Largos (8)

Largo da Barra (em frente ao Templo de A-Ma)
Largo do Lilau 
Largo de Santo Agostinho
Largo do Senado 
Largo da Sé
Largo de S. Domingos
Largo da Companhia de Jesus (em frente às Ruínas de S. Paulo)
Largo de Camões (junto à entrada do Jardim de Camões)


A UNESCO atribuiu este estatuto devido ao valor universal excepcional do território. Macau funcionou como um porto internacional de extrema importância onde se cruzaram tendências arquitetónicas, estéticas, religiosas, tecnológicas e gastronómicas europeias e chinesas, criando uma identidade multicultural e arquitectónica única no mundo. Um património ímpar que deve ser preservado...