domingo, 10 de maio de 2015

"Terra de Lendas": 2ª edição (1974)

De Hermengarda Marques Pinto, "Macau terra de lendas": Direcção Geral da Educação Permanente, 2.ª ed., Lisboa, 1974. Esta segunda edição foi feita sem autorização da autora, de acordo com informações da própria.

Excertos do livro neste link

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Recibo pagamento publicidade: 1938

Recibo emitido pelo jornal A Voz de Macau a 1 de Maio de 1938 ao BNU no valor de 10 patacas e relativo ao "anúncio permanente respeitante ao mês de Abril" de 1938 que aquela agência publicava no jornal.
Este periódico (republicano) começou a ser publicado às 3ªs, 5ªs e sábados em Setembro de 1931. Era director Henrique Nolasco da Silva e redactor principal Domingos Gregório Rosa Duque. Um mês depois de ter iniciado a publicação passou a diário e durou até 16 de Agosto de 1947.
Primeira página de 1940 reflectindo os dias de guerra iniciada na Europa em 1939 e que já se faziam sentir muito próximos de Macau, ao mesmo tempo que na China se vivia a segunda guerra sino-japonesa. Em Dezembro de 1941 os japoneses invadiram Hong Kong e a segunda guerra tornou-se verdadeiramente de escala mundial...
A 8 de Maio de 1945, há 70 anos, a Alemanha assinou a sua rendição, fazendo com que a segunda grande guerra chegasse ao fim. Ficou para a história como V-Day, o dia da Vitória. Sobre os anos da guerra e os seus efeitos em Macau sugiro a leitura deste livro.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Workshops de gastronomia macaense na Casa de Macau


Entre Maio e Julho, sempre à sexta-feira ao final da tarde, a Casa de Macau em Portugal (Lisboa) organiza três workshops da autoria de Graça Pacheco Jorge, Confreira de Mérito da Confraria da Gastronomia Macaense. No final pode saborear os pratos que aprendeu a confeccionar.
22 de Maio: Sopa de Sagu com Ovo + Peixe Mandarim + Bolo de Cenoura e Gengibre
19 de Junho: Salada de Orelhas de Rato e Aipo + Galinha com Pepino + Mexidos do Tio Joaquim
24 de Julho: Sopa Fria de Abacate e Agrião + Carne de Porco Picada com Beringela +o Salada de Laranja com Chá e Sultanas
Preço por participante/workshop: sócios 30€ / não sócios 40€
Inscrições e informações: casademacau@mail.telepac.pt e tel. 218 495 342
Inscrições limitadas a 12 participantes por workshop e aceites por ordem cronológica
As sessões têm lugar na Av. almirante Gago Coutinho, 142 em Lisboa.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

"O Século Ilustrado": 23 Novembro 1974

Ainda a propósito de mais um aniversário da "revolução dos cravos" a 25 de Abril de 1974 e suas implicações em Macau, encontrei esta edição do Século Ilustrado de 23.11.1974 onde é publicada uma reportagem dedicada ao território intitulada "Macau Hoje".
Três fotografias ilustram o pequeno texto: na primeira vê-se o Liceu, o hotel Lisboa e as obras relativas à ponte Nobre de Carvalho inaugurada a 5 de Outubro desse ano; a segunda imagem retrata a Travessa da Paixão com a legenda: "Uma rua de Macau, vendo-se ao fundo a lendária igreja de São Paulo, construída pelos padres jesuítas japoneses em 1602"; na terceira fotografia surge uma placa toponímica do Pateo do Terraço com a legenda: "Intensificar as boas relações entre portugueses e chineses de Macau está na nova linha de rumo anunciada para aquele enclave português em território da China".
"O futuro de Macau está na ordem do dia entre as preocupações da imprensa estrangeira: o governo de Lisboa já pode dar resposta a tanta inquietação: o novo governador de Macau, major Garcia Leandro, anunciou, à sua partida para aquele enclave, o aumento do ritmo de produção, com a consequente criação de mercados, a incentivação de outras indústrias, sem rivalizar com as vizinhas, o aproveitamento das ilhas Taipé* e Coloane, o desenvolvimento turístico da ilha e, ponto importante, o estreitamento de relações entre Lisboa e Pequim. Fundada em 1557 pelos portugueses, Macau é hoje ponto de escala obrigatório para os turistas de Hong Kong, da Indonésia e da Austrália, que têm colaborado "generosamente" para fazer de Macau o "casino" por excelência daquela região do mundo".
* leia-se Taipa. copyright Camera Press, A.D.S. e S.I.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Novo recorde de visitantes em Abril

Em Abril último o blogue Macau Antigo registou 53.558 pageviews, mais do que duplicando a anterior melhor marca (20.701) que tinha ocorrido em Outubro de 2013.
Consolidando-se como o maior acervo documental online sobre a história de Macau acessível de forma gratuita o blogue Macau Antigo registou até agora perto de 750 mil visitantes. A maioria dos leitores do blogue são, por esta ordem, de Portugal, Macau, EUA, Alemanha, China, Rússia, Hong Kong, Austrália, França e Canadá.
Em termos de leitores registados conta com mais de 2 mil membros, incluindo a rede social facebook.
Criado no final de 2008 com o objectivo de divulgar a história de Macau, o projecto já publicou perto de 3.100 posts e cerca de 30 mil imagens.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O padre Áureo e a Academia de Música S. Pio X

Apresentado por estes dias em Macau "Áureo Castro: retrato de um músico" é um livro da autoria de Margaret Lynn e Graça Marques que reúne ensaios e entrevistas com várias personalidades que se cruzaram com o padre Áureo Castro, professor, compositor de músico e fundador da Academia de Música S. Pio X. 
Maria Graça Marques conheceu Áureo de Castro na década de 1980 e foi co-produtora da gravação em piano de toda a obra do padre.
Áureo da Costa Nunes e Castro chegou a Macau a 15 de Setembro de 1931, tendo ingressado no Seminário Diocesano de S. José com 14 anos. Recebeu a ordenação presbiteral a 8 de Setembro de 1943. Foi professor do Seminário de S. José, capelão e vigário paroquial da Sé, pároco de S. Lourenço e director do semanário "O Clarim", além de ter exercido a docência de Canto Coral e Religião e Moral. Entrou no Conservatório Nacional de Lisboa em 1951 e obteve o diploma, com distinção, do Curso Superior de Composição Musical. De regresso a Macau, fomentou o canto religioso e, em 1959, fundou o Grupo Coral Polifónico.
Foi um dos promotores da criação da Orquestra de Macau na década de 1980 e foi condecorado em 1990 com a Medalha de Mérito Cultural pelo Governo de Macau, depois da Academia de Música S. Pio X ter recebido a mesma condecoração três anos antes.
Fundada em 1962, a Academia de Música S. Pio X, a primeira entidade a proporcionar um ensino musical sistemático à juventude de Macau, foi dirigida pelo padre Áureo até à sua morte. Ao longo dos 50 anos, milhares de jovens receberam formação na Academia, e muitos prosseguiram estudos musicais em Portugal, China, Austrália, EUA e Canadá. Alguns regressaram a Macau, contribuindo para o ensino musical no antigo território português.

Em Maio de 1997 a Revista Macau publicou uma nota biográfica do padre Áureo e da qual publico alguns excertos.
O padre Áureo Nunes e Castro nasceu na ilha do Pico, Açores, a 18 de Janeiro de 1917. Aos 14 anos embarcou para o Oriente e ingressou no Seminário de S. José onde, 12 anos depois, se ordenou sacerdote e disse a sua primeira missa (1943). É nomeado, seguidamente. pároco da igreja de S. Lourenço, escrevendo inúmeras peças corais para uso nos actos litúrgicos. Entre 1952 e 1958, estudou composição no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, formando-se com elevadas classificações. De regresso a Macau e ao Seminário de S. José, foi-lhe confiada a regència da disciplina de música.
Em 1959 criou o Grupo Coral Polifónico de Macau, que durante três décadas deliciou a sociedade local, e, em 1962, perante a afluência cada vez maior de alunos que lhe solicitam aulas de música, e de piano em especial, criou a Academia de Música S. Pio X — ainda hoje uma referência incontornável do ensino de música em Macau. Com o aparecimento da Academia dava-se início em Macau ao ensino sistematizado e qualificado de piano. Sem ser um autor prolífero, devido à sua intensa actividade de pedagogo e de director musical, deixou obra vasta e diversificada. O Pe Áureo Castro faleceu em Macau a 21 de Janeiro de 1993.

domingo, 3 de maio de 2015

Meteorologia: Maio 1863

Em cima uma reprodução dos dados meteorológico do mês de Maio de 1868. Nesta época (séc. XIX) os serviços de meteorologia funcionavam no Hospital Militar (leia-se S. Januário). Daqui passaram para a Penha e só depois para a Fortaleza do Monte que se pode ver nas imagens abaixo: uma da década de 1960 e outra de 1980

Neste espaço funciona actualmente o Museu de Macau

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Recenseamento Militar de 1938: ressalva definitiva

Documento de "Ressalva Definitiva" datado de 21 de Junho de 1938 relativo ao Recrutamento Militar local desse ano informando que se encontrava "livre do recrutamento para o serviço militar" um cidadão macaense, Luiz Manhão, estudante, de 18 anos. O documento é assinado pelo chefe do distrito de recrutamento local. 
Só na década de 1930 foi criado o recrutamento militar local. Mais precisamente em Setembro de 1935 em que estes serviços passam a estar a cargo do quartel general do Distrito de Recrutamento e Reserva e dos Consulados de Portugal na China. Em 1937 estes serviços passam a ser assegurados pela Secção de Reformados sendo o comandante o Tenente Refº António Lopes da Silva (que assina o documento na imagem)
 As tropas estacionadas no território, na maioria oriundas do exército, eram enviadas de Portugal e de outras colónias ou províncias ultramarinas (a designação varia consoante a época) como Angola ou Moçambique.
Nota: texto escrito a partir de dados do livro "Unidades Militares de Macau", de A.A. Azenha Cação, GFSM, 1999.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Postal ilustrado de Macau para Havana: 1913

Frente e verso de um postal ilustrado enviado de Macau para Cuba (Havana) a 16 de Outubro de 1913 tendo passado por Hong Kong no dia seguinte.
Inclui um selo de 2 avos de D. Carlos I carimbado com a palavra "Republica". Tem ainda um outro selo de 2 avos na parte de trás (tb com a palavra República) com o carimbo hexagonal do Correio Central de Macau - 2a. Secção".
Trata-se de um postal pintado intitulado "Post Office and Macao Hotel on Praya Grande" e a julgar pelo carimbo dos correios de Havana que acusam a recepção do postal este só chegou ao destino 10 anos depois de ser enviado.
A palavra República carimbada sobre os selos explica-se com o facto de serem selos que existiam em stock nos correios de Macau ainda relativos à monarquia mas entretanto foi instaurada a República em Portugal pelo que até serem emitidos novos selos os anteriroes tinham de ser gastos.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Correio Marítimo: 1826

O Correio Marítimo de Macau começou a funcionar em 1798. Nessa época ainda não existiam selos uma situação que se manteve até 1884, ano em que o governador Tomás de Sousa Rosa determinou, através da Portaria Provincial n.º 11, de 27 de Fevereiro, que começassem a circular os primeiros selos adesivos de Macau, a partir do mês seguinte. 
A 1 de Março de 1884 surgiria o primeiro selo que se designou “Coroa”, por ilustrar a coroa do Reino de Portugal, e a data ficaria a representar a criação dos Correios de Macau. Ricardo de Sousa, administrador do Correio Marítimo desde 1869, assumiu a chefia dos Correios. Durante o primeiro ano, trabalhou na sua casa, no n.º 1 da Rua do Campo, e só em 1885 os Correios passaram a ter um edifício próprio, na Rua da Praia Grande, onde hoje está situado o hotel Metrópole. O edifício actual surgiria apenas na década de 1930. 
A ilustração acima é de 1826 e diz respeito a uma carta enviada de Macau para Lisboa. Pode ver outros exemplares de correio marítimo aqui e aqui.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Serviço Postal Aéreo pela Pan American Airways

Em 1936 a Pan Am ganhou o concurso da rota para transportar o correio entre São Francisco (EUA) e Cantão (Sul da China). A ligação à China Continental fazia-se através da China Airways. Na altura, face aos barcos a vapor, a duração da viagem encurtou mais de um mês. Durava 6 dias. Apesar dos voos inaugurais (e experimentais) terem acontecido em Outubro de 1936, só a partir de Abril de 1937 as ligações aéreas (por hidroavião) entre Macau e o resto do mundo tornaram-se regulares. Passam poucos minutos das 10 horas da manhã do dia 28 quando o ‘Hong Kong Clipper’ da Pan Am – modelo Martin M130 – amara nas águas do Porto Exterior dando assim início às viagens regulares da Pan Am para Macau, cidade terminal da ligação S. Francisco-Honolulu-Manila-China. A bordo só tripulantes. 
Envelope Comemorativo da Inauguração do Serviço Postal Aéreo
A cidade parou e o governador Tamagnini Barbosa foi ao hangar receber os “convidados”. O “China Clipper” da Pan Am partiu de Macau nesse mesmo dia, passou por Hong Kong e seguiu até às Filipinas. Ali, um outro aparelho da Pan Am prosseguia a viagem e o “China Clipper” volta para trás. Nessa primeira viagem S. Francisco foi alcançada a 4 de Maio, seis dias depois da partida de Macau. À partida de Macau seguem dois americanos com destino a Hong Kong e 42 mil cartas/aerogramas. Um recorde para os correios de Macau que montaram especialmente para o efeito um pequeno escritório ao lado do hangar da Pan Am nos aterros do Porto Exterior. Era a primeira vez que o correio aéreo saía directamente da cidade de forma regular - em 1934 o Dilly cometera tal proeza - e todos se lembraram de escrever aos amigos e familiares assinalando a data. 

Existem diversos exemplares filatélicos que recordam o feito na época.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Carta para o "Governador da Colónia de Macau" (1936)

Remetida pelo Ministério das Colónias (Direcção Geral da Administração Pública e Civil) a partir de Portugal a 7 de Dezembro de 1936 e dirigida ao "Governador da Colónia de Macau" esta carta registada (ofício nº 1832) chegou a Macau a 27 de Dezembro do mesmo ano. Para além dos carimbos de envio e recepção tem a curiosidade de incluir um carimbo dos correios de Cantão.
Não menos curioso é o facto de na altura não existir, de facto, um governador. António José Bernardes de Miranda saíra em Outubro de 1935 e o seu substituto, Tamagnini Barbosa só chegaria em Abril de 1937. Bernardes de Miranda, foi oficial de artilharia entre os anos de 1886 e 1957. Para além de governador em Macau foi ainda chefe da casa militar do Presidente Carmona. Dedicou-se também aos estudos das Modernas Teorias da Física, e publicou o livro Nova Explicação do Universo.

 Cartão de visita do governador

Nota: o vencedor do passatempo do mês de Abril foi Pedro Oliveira, de Cascais. Em Maio damos mais um livro.

domingo, 26 de abril de 2015

Assembleia Constituinte de 1975

Uma das primeiras preocupações do Movimento das Forças Armadas, expressa nas medidas imediatas do seu programa - fundamentado na necessidade de definição de uma "política ultramarina que conduza à paz (...) só possível com o saneamento da actual política interna e das suas instituições, tornando-as, pela via democrática, indiscutidas representantes do Povo Português" - foi a convocação, no prazo de um ano após a revolução de 25 de Abril de 1974, de uma Assembleia Constituinte eleita por sufrágio universal directo e secreto.
Depois da realização de um recenseamento eleitoral considerado exemplar, votaram todos os cidadãos maiores de 18 anos, independentemente do sexo, nível de instrução ou capacidade económica, com excepção dos responsáveis e colaboradores do anterior regime. A capacidade eleitoral passiva coincidia com a activa: todos os eleitores podiam ser eleitos, apenas com algumas excepções, como era o caso dos militares.
Nas eleições para a Assembleia Constituinte participaram 14 partidos e coligações: Associação para a Defesa dos Interesses de Macau (ADIM), Centro Democrático de Macau (CDM), Centro Democrático Social (CDS), Frente Eleitoral dos Comunistas (marxistas-leninistas) (FEC (m-l)), Frente Socialista Popular (FSP), Liga Comunista Internacionalista (LCI), Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE), Movimento de Esquerda Socialista (MES), Partido Comunista Português (PCP), Partido Socialista (PS), Partido Popular Democrático (PPD), Partido Popular Monárquico (PPM), Partido de Unidade Popular (PUP) e a União Democrática Popular (UDP).
As eleições para a Assembleia Constituinte a 25 de Abril de 1975 foram as primeiras por sufrágio verdadeiramente universal realizadas em Portugal, com uma afluência histórica de 91% dos cidadãos recenseados. Foram eleitos 250 deputados. Entre eles, Diamantino Ferreira deputado eleito por Macau. No território houve candidatos da ADIM, mais conservadores, e do CDM, de ideais mais liberais.
A Associação para a Defesa dos Interesses de Macau (ADIM), associação política de matriz portuguesa e de cariz conservador fundada em 1974 no território por um grupo de macaenses, entre os quais estavam Delfino José Rodrigues Ribeiro e Carlos Augusto Corrêa Paes d’Assumpção, tinha uma relação de estreita com o Centro Democrático Social (CDS) português e nas eleições para a AC de 1975 obteve 1622 votos (0,03%), derrotando a CDM e conseguiu eleger um deputado, Diamantino de Oliveira Ferreira, pelo círculo eleitoral de Macau.
O co-fundador e líder da ADIM, Carlos d'Assumpção, participou activamente na elaboração do novo Estatuto Orgânico de Macau e conduziu a ADIM à vitória nas primeiras eleições legislativas livres de Macau, em 1976.#

sábado, 25 de abril de 2015

1º aniversário 25 de Abril 1974: envelope e selo

Envelope e selos alusivos ao 1º aniversário do 25 de Abril de 1974 que também teve eco em Macau. A emissão filatélica é referente ao primeiro dia de circulação - 29 de Agosto de 1975 - com uma ilustração de um vendedor ambulante uma das muitas e já praticamente desaparecidas antigas profissões do território.
Na imagem acima uma vendedora de rua em Macau na década de 1950 recorrendo ao transporte/venda de mercadorias com o chamado sistema 'pinga'.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Teatro no Fat Sio Lau: 1948

As imagens reproduzem o folheto de uma Sessão no Teatro do "Fat Sio Lau" a 24 de Abril de 1948. "Savel & Sanfé" apresentam "A Festa de Despedida" em homenagem ao Dr. Francisco Barata Feio e a Dr. João Albino Ribeiro Cabral, ambos médicos. Barata Feio trabalhou ainda em Angola e Moçambique. Sobre Macau deixou escrito "Programa de acção sanitária e profilática", editado pela Imprensa Nacional em 1947.
Nota: a referência a este teatro parece-me tratar-se nada mais nada menos que o restaurante como o mesmo nome existente na Rua da Felicidade e que, a propósito desta data, ficaria ligado às repercussões em Macau do 25 de Abril de 1974 em Portugal.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

António Rebordão Navarro 1933-2015

Morreu esta quarta-feira o escritor (poeta e ficcionista), advogado e editor, António Rebordão Navarro que passou por Macau em 1989. Tinha 82 anos. Dessa estadia resultaram várias crónicas sobre o território publicadas primeiro nos jornais portugueses e depois no livro "Estados Gerais" (1990). Mas a sua obra mais conhecida sobre Macau seria o romance "As Portas do Cerco", editado em Macau pelos Livros do Oriente, em 1992. O livro, depois traduzido para francês e holandês, é uma "crónica de viagem e biografia reinventada de Camilo Pessanha".
Nascido no Porto, em 1933, Rebordão Navarro formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e exerceu advocacia antes de se tornar editor literário. Editou um volume com a correspondência de Fernando Pessoa a Armando Corte-Rodrigues e uma antologia com a poesia de Jorge de Lima, e ainda a antologia "Poetas Escolhem Poetas" (1992). Dirigiu as revistas "Bandarra" (fundada pelo seu pai, também escritor) e "Notícias do Bloqueio" nas décadas de 50 e 60 do século XX. A partir dos anos sessenta dedicou-se sobretudo à ficção narrativa e ainda editou uma antologia com a sua obra poética na Imprensa Nacional - Casa da Moeda.
Alguns dos seus poemas estão traduzidos para castelhano, francês, checo e sueco. Em 2002 foi-lhe atribuído o “Prémio Seiva” (Literatura). Nos últimos anos editou e reeditou alguns títulos de ficção e foi homenageado pela SPA no Museu Soares dos Reis, onde lhe foi entregue a medalha de honra da cooperativa. Para a SPA, António Rebordão Navarro "foi uma figura sempre activa na vida cultural e cívica do Porto", tendo a entidade criado um prémio literário com o seu nome que ainda não foi atribuído.
Excertos do livro "Estados Gerais" podem ser lidos no 4º volume da Antologia "De Longe à China: Macau na Historiografia e na Literatura Portuguesas", organizada por Carlos Pinto dos Santos e Orlando Neves (edição ICM, 1996) e da qual retirei esta passagem:
"Além das igrejas, das suas ruínas, dos pagodes impregnados de aroma do incenso exalado pelos pivetes que, às portas, uns funcionários obscuros, fumado displicentemente os seus cigarros, vendem juntamente com esculturas, postais, o jogo tem também os seus templos. E à sua beira, nas ruas adjacentes, uma série desses estabelecimentos de apoio que são, sem subterfúgios ou eufemismos, denominados "Casas de Penhor", todos eles ostentando nas tabuletas pintadas a vermelho, cor da felicidade e da alegria, um estilizado morcego considerado animal propiciador de fortuna. Daí que a grande catedral do jogo que é o Hotel Lisboa, edifício com estrutura de dourada gaiola, tenha, no alpendre da porta principal, o desenho da boca de um morcego."

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Sir Roger Lobo 1923-2015

Uma das principais figuras da comunidade portuguesa de Hong Kong, Sir Roger Lobo, morreu no sábado passado aos 91 anos, de acordo com o jornal South China Morning Post publicado em Hong Kong (ver notícia abaixo).
Empresário de profissão, Rogério Hyndman Lobo, nasceu em Macau a 15 de Setembro de 1923. Era filho de Pedro José Lobo. Foi elemento activo da vida pública de Hong Kong, tendo sido membro do Urban Council (câmara municipal) entre 1965 e 1978, do Conselho Executivo, entre 1967 e 1985 e do Conselho Legislativo de Hong Kong, entre 1972 e 1985.
Sir Roger Lobo - recebeu o título honorífico britânico de cavaleiro em 1984 - ganhou lugar próprio na política local em 1984 quando apresentou no Conselho Legislativo a que ficou conhecida e foi aprovada como "Moção Lobo", que exigia que todas as propostas em debate entre o Reino Unido e a China referentes à transferência de soberania de Hong Kong, concretizada em 1997, fossem debatidas pelo conselho antes de qualquer decisão ser tomada pelos dois países. A moção, que na prática propunha que fosse eliminado o secretismo que envolvia as negociações sino-britânicas sobre o futuro de Hong Kong, foi aprovada por unanimidade seis meses antes da assinatura Declaração Conjunta Sino-Britânica sobre a transferência de poderes.
De ascendência portuguesa e escocesa, Rogério Hyndman Lobo, fundou em 1989, com outros empresários e funcionários públicos, a Fundação Vision147, com o objectivo de construir um entendimento global sobre Hong. Kong. Para além do título de cavaleiro, Roger Lobo recebeu também da coroa britânica os títulos de oficial da Ordem do Império Britânico, em 1972 e de comandante da Ordem do Império Britânico, em 1978. 

Alguns comentários à sua morte publicados nos jornais de Macau...
Luís Sá: 
"O último exemplo de um português de Macau que fez uma grande carreira em Hong Kong. É o fim de uma era. Existem poucos que tenham feito este trajecto.”
Anabela Ritchie:
"Um homem notável que trouxe prestígio para a comunidade e como macaense, não podia ter feito mais para que Macau estivesse presente na vida pública de Hong Kong”.
José Luis Sales Marques
“Uma figura destacadíssima no seio da comunidade macaense em Hong Kong e também da grande família macaense espalhada pelo mundo”. 

A former lawmaker whose 1984 attempt to lift the veil of secrecy over Sino-British negotiations on the future of Hong Kong sparked suspicion in Beijing has died at the age of 91. Roger Lobo, a Macau-born entrepreneur and one of the most respected members of the city's Portuguese community, died of cancer on Saturday. His public service - for which he received a knighthood - included years on the Executive Council, as an acting and later a full member from 1967 to 1985. He was also a lawmaker, becoming senior member of the Legislative Council from 1980 to 1985.
One of his best-known acts was moving the so-called Lobo motion, which demanded a full debate in Legco before Britain and China reached a final agreement on Hong Kong.
"The purpose of this motion is very simple. It means what it says - no more - and one might think that it could not be easily misunderstood or misrepresented," he told lawmakers after Beijing implied it was a bid to intervene in talks.
“The acceptability of any proposed settlement lies in whether people believe that its terms will be respected and will endure,” he said. “Faith cannot be created by orders. Trust cannot be induced by the exercise of power. And no settlement which fails to engender trust can possibly preserve our stability and prosperity.
“Finally, for those who questioned the wisdom of this debate, I believe that it has amply justified itself.” It was passed unanimously, six months before the Sino-British Joint Declaration. In 1989, he worked with business leaders and former civil servants to found the Vision 2047 Foundation, to build global understanding of Hong Kong.
Former governor David Wilson said he was saddened by Lobo's death. “He had a profound love of Hong Kong and a deep commitment to public service, demonstrated by his membership of the Executive Council, his service in the Legislative Council including the very important position of senior member, and many other significant roles serving the community of Hong Kong."
Former senior Legco member and senior unofficial member of the Executive Council Lydia Dunn hailed her "tireless and selfless" colleague. “I am deeply saddened by news of Sir Roger Lobo's death. We were colleagues in Legco where I saw at first hand the tireless and selfless way he worked for Hong Kong. He was a man of great modesty and humility who never sought credit for his leadership as senior member and he was always kind and helpful to his junior colleagues.  “I shall miss him and remember him with affection and respect, " she said. PCCW chairman Richard Li Tzar-kai called Lobo, who served on the firm's board, a "giant of his times" who "was never on the side of the authorities for the sake of it, but always a voice of reason".
Businessman Victor Fung Kwok-king, a long-time friend, said: “At a critical time for Hong Kong and its future, we were extremely fortunate to have had a man who cared so deeply for the wellbeing of the people of Hong Kong and who performed his public service with great wisdom, dignity and humility.
“Sir Roger remained passionately interested in Hong Kong’s future long after he had stepped down from his public roles,” Fung said.
Rachel Cartland, a retired senior civil servant who worked closely with Lobo in the 1980s when he was was Chairman of the Broadcasting Authority said: “Naturally, I already knew of him as a famous member of the community, who had received all its accolades.  His personality and behaviour during our acquaintance made a lifelong impression on me as I found him to be someone of the greatest integrity who worked tirelessly to get a fair result for the benefit of the community."
Lobo is survived by his wife, Margaret, five sons and five daughters, as well as 28 grandchildren and 17 great-grandchildren. Son-in-law Kenneth Morrison said Lobo was deeply committed to Hong Kong and its people, in particular its youth.
“This was a frequent topic of conversation for Sir Roger and one of the reasons he was so committed to the Vision 2047 Foundation,” said Morrison, who was the immediate past chairman of the foundation.
Gary Cheung artcile published on SCMP

terça-feira, 21 de abril de 2015

Ilustração Portuguesa: 21 Abril 1923

"Macau deslumbra o visitante, pela actividade fabril e comercial dos seus oitenta mil habitantes da raça chineza, pela elegancia e riqueza das construções, pela limpeza e boa conservação do pavimento das ruas, pelo cuidado com que são tratados os seus jardins, pelas belas perspectivas que os acidentes do terreno oferecem e, finalmente, pelas grandiosas obras do porto de navegação oceanica, ha pouco iniciadas por uma companhia holandeza. (...)"
"Para os chinezes multi-milionarios é lugar de repouso, gozo e segurança nos seus palacios encantadores. Para o viajante é a cidade rica de prazeres, o clima suave, a estancia pitoresca, onde os dias passam velozes, sem que os seus olhos se fatiguem de vêr."


Macau que já figurara por diversas vezes nas páginas desta revista (antes com a grafia Illustração Portugueza), tem honras de capa no nº 891, a edição de 21 de Abril de 1923. O artigo intitula-se "Macau, A cidade mais pitoresca do nosso domínio ultramarino".
O artigo e as fotografias (ca. 20) são da autoria de M. Antunes Amor, funcionário público em Macau e que entretanto regressara a Portugal. É também dele a autoria de um pequeno filme sobre o território e que foi exibido em Portugal. É ainda autor de um artigo intitulado "Macau Pitoresco" publicado no "Estado da Índia" Ano II, n.º 47 (9 de Abril de 1925). Voltando à edição da IP de 21 de Abril de 1923... Neste registo fotográfico singular de Macau na década de 1920 podemos ver: o Palácio do Governo, a zona do bazar, o Leal Senado, antes das obras de 1939 e o relógio público que existia no largo; a avenida Almeida Ribeiro (San Ma Lou), com a “garage Macau” e o cinematógrafo Vitoria; uma loja de chá, um vapor (Sui An) a chegar ao Porto Interior, o jogo, etc...
Em Macau Antunes Amor foi superintendente das Escolas Municipais (a cargo do Leal Senado) tendo implementado diversos conceitos pedagógicos inovadores para a época, inclusive ao nível das condições das instalações: limites mínimos de cubagem de ar na sala por aluno, iluminação que deveriam os alunos receber do lado esquerdo, a forma de pegar no lápis ou na caneta, postura correcta nas carteiras, etc. Só não conseguiu que o recreio passasse a ser de hora a hora...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Macau no raid Madrid-Manila de 1926

Por estes dias, no já longínquo ano de 1926, decorria o raid aéreo Madrid-Manila que teve passagem por Macau. Foi realizado pela “Escuadrilla Elcano“ formada por três aviões militares “Breguet XIX” comandados por Joaquín Loriga Taboada (chefe de esquadrilha - na imagem abaixo), Rafael Martínez Esteve e Eduardo Gonzalez Gallarza e os respectivos mecânIcos: Joaquin Arozamena Postigo, Pérez e Calvo. Partiram de Madrid a 5 de Abril de 1926 e precisaram de 39 dias para fazer os 17.500 quilómetros em 20 etapas. Existe ainda a referência a 18.900 kms, 17 etapas e 33 dias.
Aterraram em Macau às 17h20 horas do dia 1 de Maio de 1926, no antigo campo de Mong Há. Uma aterragem atribulada devido a uma avaria (as asas do avião de Loriga bateram numas árvores). O avião de Taboada caiu na China (Sang Tong). Ele e o piloto foram primeiro recolhidos por uma embarcação chinesa que depois os entregou à canhoneira "Pátria" que, juntamente com a lancha-canhoneira "Macau" tinha ido à procura dos pilotos espanhóis. 
Vinham de Hanói e estiveram por Macau vários dias. Partiram para a última etapa do raid rumo a Manila (com escala em Aparri) no dia 11 de Maio. Só um aparelho prosseguiu viagem a partir de Macau, o Breget nº 30.
O trajecto do raid e o Breget
Um postal da canhoneira "Pátria" e uma emissão filatélica especial que assinalou a passagem do raid Madrid-Manila por Macau em 1926. Duas cartas com cartas com carimbo dos correios de Macau em Maio de 1926.
 

sábado, 18 de abril de 2015

Logar de interprete superintendencia da emigração chineza

O governador da provincia de Macau e Timor, e suas dependências, determina o seguinte: achando-se vago o logar de interprete da superintendencia da emigração chineza, e tendo Augusto Oscar Marques sido classificado pelo respectivo jury como habilitado para alumno interprete de 2ª classe da procuratura dos negocios sínicos, e atendendo às circunstancias e mais partes que n'elle concorrem; hei por conveniente nomear interinamente o referido Augusto Oscar Marques interprete da superintendência da emigração chineza; continuando porem a praticar como alumno interprete na procuratura quanto não tiver serviço na superintendência. As autoridades a quem o conhecimento e execução d'esta competir, assim o tenham entendido e cumpram.
Macau, 1 de Abril de 1871. António Sérgio de Sousa, Governador de Macau e Timor.
Dois postais (de 1892 e de 1893, um da Rússia e outro do Egipto) dirigidos a Óscar Augusto Marques que residia no nº 3 do Largo de Santo Agostinho e era tido como sinólogo e coleccionador.