domingo, 14 de novembro de 2021

Inscrições para o Grande Prémio de 1954

Circuito da Guia é o nome como é conhecido o trajecto do Grande Prémio de Macau, o mais antigo circuito urbano e o único com provas de carros e motos no mesmo programa. É assim desde 1954...
A 68.ª edição do Grande Prémio de Macau, a deste ano, só vai contar com pilotos provenientes de Macau, da China continental e de Hong Kong devido às medidas do território que permanece praticamente isolado na política de zero casos de covid-19. Serão realizadas seis provas entre os dias 19 e 21 de Novembro.
15 Agosto 1954
"Encontra-se aberta a inscrição para as provas de automobilismo organizadas pela Delegação de Macau do Automóvel Clube de Portugal. a qual encerrar-se-á no próximo dia 1 de Setembro. As provas que vão se levadas a efeito são o Grande Prémio de Macau e a Prova de regularidade, estando já inscritos no Grande prémio duas dezenas de automobilistas de Hong Kong, entre os quais duas senhoras. Até a presenta data, Macau conta apenas com um inscrito no Grande Prémio, Fernando Macedo Pinto.
Na prova de regularidade e velocidade à qual poderão concorrer quaisquer condutores de automóveis, com carros de turismo, espera-se grande concorrência dado o elevado número de entusiastas que existe entre nós.
A inscrição para o Grande Prémio é grátis, até à data de encerramento, sendo de $20,00 a inscrição para a Prova de regularidade e velocidade. Findo o prazo estipulado, haverá um novo período de inscrição, durante o qual cada inscrito pagará, para o Grande Prémio $ 50,00 e para a segunda prova $30,00."
15 Setembro 1954
"Encerradas as inscrições para o Grande Prémio de Macau e prova de regularidade-velocidades, verificou-se estarem inscritos 25 concorrentes para primeiro e 24 para a última. No Grande Prémio, há só três concorrentes de Macau, sendo os restantes de Hong Kong; na prova de regularidade-velocidade, 14 concorrentes são e Macau. Estas provas terão lugar nos dias 30 e 31 de Outubro próximo.
No passado dia 9, o Sr. Carlos Humberto da Silva, um dos organizadores das provas de automobilismo, proferiu, na reunião-jantar do Rotary Clube de Macau, uma interessante palestra sobre o Grande Prémio de Macau."
in Boletim Informativo, nº 25 de 1954
Foto de Lei Iok Tin

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Núcleo Recreativo de Marinha

O Núcleo Recreativo de Marinha (Macau) foi fundado na década de 1920 pela guarnição da canhoneira "Pátria". Na década de 1930 há também registo do Núcleo Desportivo de Marinha no nº 10 da Rua do Campo. Através da portaria nº 7520, de 9 de Maio de 1964, podemos atestar o conteúdo dos estatutos então aprovados.
Celebrações chinesas (provavelmente em 1934)
O Núcleo, mais tarde conhecido por Clube de Marinha, foi um caso ímpar nas províncias ultramarinas. 
De acordo com o relato do militar M. Horta na década de 1970: "Ele agrupa os militares da Armada - oficiais, sargentos e praças - e os militarizados e civis de todas as hierarquias. Instalado em edifício próprio, bem localizado, com óptima esplanada voltada ao rio das Pérolas. é dotado de moderno bar, biblioteca e sala de leitura (com ar condicionado), restaurante (messe) e sala de convívio. É verdadeiro oásis para os marinheiro que têm a felicidade de conhecer tão bela terra, local «sui generis» entre as parcelas portuguesas espalhadas pelas diversas partes do Mundo."

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Vinho Chinês: lojas, fábricas e museu

A Tai Cheong (junto à Estrada do Repouso), fundada em 1941, e a Cheóng Ón na Rua de S. Paulo (já encerrada) são das últimas memórias da indústria do vinho em Macau.
Na década de 1950 chegaram a existir 44 fábricas de vinho de arroz e mais de uma centena de lojas de venda a retalho. Na década de 1980 eram apenas 21 fábricas e cerca de uma dezena de lojas. 
A fábrica "Hang Fong - Vinho Chinez", na imagem abaixo, ainda laborava na década de 1980.
Fábrica Wing Lei Vai no nº 11 da Praça Ponte e Horta
Vinho "Wing Fung Hong - Made in Macau"
Recibo da Tai Cheong: a loja ainda existe; a fábrica encerrou em 1987.
e postal de uma "Old Wine House" na Rua da Erva
Existem diversos tipos de vinho chinês. Ficam apenas alguns exemplos:
- O chamado vinho amarelo, huangjiu, é uma bebida alcoólica preparada com uma massa feita com cereais, como arroz, painço ou trigo, a que se adicionam culturas de bactérias e leveduras próprias para a fermentação alcoólica. -O Mijiu (米酒) é o nome genérico para as bebidas à base de arroz fermentado.
- O Jiu Niang é um vinho baseado em arroz glutinoso, a que se junta uma grande lista de ervas medicinais chinesas e um vinho de arroz destilado.
- O vinho de Shaoxing (绍兴酒) é o mais conhecido internacionalmente; é usado, tanto para cozinhar, como para beber; tem uma coloração avermelhada obtida pela levedura de arroz vermelho.
 Loja Chung In na Travessa do Melro: neste anúncio surgem marcas de vinho do Porto e Brandy portugueses.
Fábrica de vinho: foto década 1980
Situado no Centro de Actividades Turísticas, ao lado do Museu do Grande Prémio de Macau, o Museu do Vinho de Macau foi inaugurado a 15 de Dezembro de 1995.
Um dos objectivos deste museu é permitir ao visitante contactar com a importância social, económica e cultural que o vinho tem na tradição portuguesa, vida quotidiana e nos rituais de celebração. A produção de vinho na China também está contemplada no espaço museológico.
 
Entre os milhares de vinhos expostos das várias regiões demarcadas de Portugal - também há da China - o mais antigo é um vinho do Porto de 1815.
 Estão também expostos manequins com trajes regionais de diversas regiões de Portugal.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

A "Carta de Lei" de 27 de Julho de 1893

Em 1893 dá-se uma reformulação do ensino em Portugal com a criação do Regulamento da Instrução Pública, tanto primária como secundária, seguindo a Carta de Lei, de 27 de Julho desse ano. Através deste regulamento, em Macau, o ensino primário fica a cargo do Leal Senado, sendo ainda fundado o "Lyceu de Macau", tendo como anexos um Gabinete de Física e Química e História Natural e uma biblioteca designada por Biblioteca Nacional de Macau. Ao mesmo tempo é extinta Escola de Pilotagem.
Edição do Echo Macaense de 18.7.1893

Na Portaria nº 92, de 14 de Abril de 1894, publicada já em Macau, podia ler-se: "Tendo sido posta em vigor na província por portaria provincial n.º 89 desta data a carta de lei de 27 de Julho de 1893 que criou o Lyceu Nacional de Macau: Hei por conveniente determinar que o edifício do extincto convento de Santo Agostinho seja entregue ao reitor do mesmo Lyceu para alli serem devidamente instalados os estabelecimentos criados pela citada carta de lei". O Liceu seria inaugurado a 28 de Setembro de 1894.
 
Disciplinas do Liceu em 1897

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Chinae... nova descriptio by Ludovicus Georgius (1584)

"Chinae, olim Sinarum regionis, nova descriptio. Auctore Ludovico Georgio" é o título em latim deste 'mapa' publicado em 1584 em Antuérpia e que é considerado a primeira "carta" europeia da China. 
Macau surge identificado como "Macoa" junto a "Cantam" (Cantão). Pode ainda ver-se, por exemplo, a Muralha da China, sendo muito provavelmente o primeiro mapa produzido no Ocidente com esta representação. O mapa inclui ainda as Filipinas e o Japão.
O autor, Ludovicus Georgius, é ao que tudo indica o cartógrafo português Luiz Jorge de la Barbuda: (1564?-1613?) - baseando-se em fontes jesuítas - e que esteve também na base do mapa da China incluído no Theatrum Orbis Terrarum, publicado por Abraham Ortelius em 1584. Nesta edição inclui no verso um pequeno texto com uma descrição da China tendo por base o livro de Bernardino de Escalante, "Discurso de la navegacion que los Portugueses hacen a los Reinos y Provincias de Oriente, y de la noticia que se tiene de las grandezas del Reino de la China", de 1577.
A 'espanholização' do nome deve-se ao facto do cartógrafo estar ao serviço do rei de Espanha.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Fan-Tan: "paixão oriental"

Ferreira de Castro descreveu como era uma casa de jogo de fantan em Macau no ano de 1939:
"Entramos e vemos, em cada sala, uma banca coberta de oleado. Atrás dessa mesa estão os empregados dos banqueiros chineses, que recebem o dinheiro da clientela e marcam a quantia que cada qual arrisca. Em frente, aglomeram-se aqueles a quem o jogo fascina. 
O Fan-Tan, paixão oriental, é mui fácil de aprender. Basta seguir os gestos do chinês que, em mangas de camisa e olhar fingidamente distraído, se encontra sentado à cabeceira da mesa. Ele tem, junto das mãos, um monte de fichas brancas, do tamanho de botões médios. Sobre essas fichas coloca, de quando em quando, e de boca para baixo, um vaso de bronze, semelhante a uma campainha. Com este gesto, começou a nova partida. 
Não se sabe o número exacto dos tentos que o vaso ocultou e nisso reside o segredo do Fantan. Os jogadores laçam o seu dinheiro nos números 1, 2, 3 e 4. Quando ninguém dá mostras de querer jogar mais, o homem em mangas de camisa levanta o vaso de bronze e, com uma varinha, principia a separar, em grupos de 4, as fichas que debaixo do vaso estavam. Se, no fim, queda isolado um daqueles botões, vence o número 1; se quedam dois, é o número 2 o eleito e o mesmo com o 3. Sucede, por vezes, que todas as fichas se dividem em grupos de 4 e, então, o 4 ganha. Recebe-se o dobro da quantia jogada. 
O tecto destas casas apresenta-se furado, como se quisesse receber a luz duma claraboia. Em cima, rodeando a larga abertura em oval, corre uma balaustrada de madeira e a ela se encostam várias mesas com jogadores. Estes acompanham, de ali, o jogo que se efectua cá em baixo e, quando pretendem jogar, fazem descer o seu dinheiro dentro de pequeno cesto a um cordel amarrado. Dizem o número que elegeram e ficam em expectativa. Os olhos enviesados desses homens são mais penetrantes do que os das gaivotas. Mal se levanta o vaso, eles contam, num segundo, o monte de cinquenta ou sessenta fichas que jaz sobre a mesa. E, muito antes de ser anunciado o número triunfante, já sabem se ganharam ou perderam."

domingo, 7 de novembro de 2021

Passatempo 13º Aniversário

Para se habilitar a uma entrada grátis no Museu do Oriente (Lisboa) basta enviar um e-mail para macauantigo@gmail.com com a resposta à pergunta: 
Em que data foi publicado o primeiro post no blogue Macau Antigo?
Os 13 primeiros leitores a responder de forma correcta ganham um bilhete - válido até Junho de 2022 -  para o Museu do Oriente. 

sábado, 6 de novembro de 2021

Wei Sing Lottery

Na obra "A Glossary of Reference on Subjects Connected with the Far East" de Herbert Allen Giles publicado em 1886 (segunda edição) temos esta referência sobre a lotaria Wei Sing (em Macau passou a ser conhecida por Vae Seng).
"Wai-Sing or Wei-Sing Lottery: examination names. A kind of sweepstakes once a very popular form of gambling among the Cantonese on the result of the public examination for the second degree; the holder of a successful candidate's name being the winner of a greater or less sum according to position on the published list. Being now strictly prohibited in Canton the lottery is still organised in Macao whence tickets are smuggled in large numbers to brokers in the former city for distribution. Winning tickets are not paid unless their price has previously reached Macao."
Depois de muitos anos em Guangdong, a lotaria foi declarada ilegal por Pequim em 1874 e foi 'transferida' para Macau e até para as ilhas.

Em 1881 as notícias dão conta de dois leilões:
"11th June, 1881 - Sale of the Wei Sing Lottery monopoly at Macao for three years for the sum of 1,015,000 an increase of 614,000 on the previous term.
16th July, 1881 - Second auction of the Wei Sing Farm at Macao only 640,000 realised."

Henry Norman escreve em 1895 no livro The Peoples and Politics of the Far East:
"Another illegitimate source of income was lost to Macao in 1885. The most intense interest is taken in China an comparable only to that of the great sporting events of the with us in tho official literary and military examinations. Peking and upon the results of these every other man in desires to have a wager. A lottery to this end called Wei sing Lottery has existed for a long time. The Government have made more or less sincere efforts to put down indeed in 1874 the Emperor went so far as to the Governor General Ying Han for sanctioning its establishment in Canton. The authorities of Macao of course saw possibilities of an enormous profit herein. They therefore ned out the lottery to a Chinaman who smnggled the tickets from Portuguese into Chinese territory and who paid them 859,000 dollars a year for the privilege. against this the Chinese were powerless so in 1885 in self defence they consented to the Wei Sing in China with the result that the sum the monopolist was able to pay the government of Macao fell instantly to 86,000 dollars."

Na verdade foi antes de 1885 que a lotaria Vae Seng se transferiu para Macau. O jornal The Peking Gazette publica numa edição do final de Julho de 1881:
"A decree. Chang Shu shồng and the Governor of Kuangtung report the capture of and sentence passed upon certain individuals who have established agencies for the sale of Wei Sing lottery tickets and pray that the penalty for this offence may be increased. The Board of Punishments will take this matter into consideration. The practice of gambling by means of the Wei Sing lottery is one of the great moral evils of Kuangtung and repeated decrees have been issued ordering the strict prohibition of the practice. These prohibitions appear however to be set at naught by lawless individuals who carry on this system of gambling under other names and are in collusion with the underlings of civil and military yamêns and the wealthy gentry who aid and abet them in their undertaking. It becomes necessary therefore again to enunciate the prohibitions against this vice and We hereby call upon the Governor General and Governor of the province in question to be continually on the watch for offenders in this particular and to punish them with a heavy hand."
Em Março desse mesmo ano o jornal escrevia: 
"The proprietors of the Wei Sing Lotteries too who are established at Macao are answerable for the expenditure of considerable sums in this manner for it is to their interest to secure the success of candidates with uncommon names that are not much patronised by the purchasers of Lottery tickets. Hence the necessity for a more careful watch over the officials and underlings on duty in the inner and outer enclosures."
O jornal The Japan Gazette também se ocupou do tema em 1881 tendo por base notícias publicadas nos jornais Hong Kong Daily Press e China Mail:

Curiosidade:
Em Macau existe a Travessa de Hó Lo Quai (a meio da Av. de Almeida Ribeiro)... Vejmaos um artigo do IACM sobre este comerciante chinês...
"Ho Lo Quai, também conhecido por Ho Kuai ou Ho Quai, natural do distrito de Shunde, na província de Guangdong, teve um papel importante na introdução da Lotaria Vae Seng em Macau. Entre 1863 e 1866, o governo provincial de Guangdong concedeu autorização a Guang Son Tong para operar a Lotaria Vae Seng, a fim de “poder fazer face às despesas de pagar aos soldados”. Ho Lo Quai, Chan Hang, Leong Luk, Fung Seng e Pan Yuk começaram a enriquecer em Guangdong, graças à Lotaria Vae Seng. Em 1868, Ho Lo Quai, Pan Yuk e os seus sócios trouxeram esta lotaria para Macau e fundaram a Companhia “Chi Chong Vo Vae Seng”, a primeira concessionária do jogo em Macau em regime de exclusivo.
Entre 1862 e 1874 Ho Lo Quai ganhou a concessão oficial do governo para operar o serviço de acostagem, com cobrança de taxas de atracação na zona litoral da Caldeira, no Porto Interior. Explorou as actividades de magarefe e durante muitos anos, foi também dirigente da Associação dos Magarefes de Macau. Dominou ainda a indústria do sal, pois era detentor dos direitos de vender sal refinado em toda a península de Macau e também nas ilhas de Taipa e Coloane."

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

"A Ópera Chinesa": exposição no Museu do Oriente

Um total de 280 peças entre trajes ricamente decorados, perucas, toucados, modelos de maquilhagem, marionetas, gravuras, pinturas e instrumentos musicais, bem como fotografias e vídeos, dedicados à Ópera Chinesa, constituem a nova exposição permanente do Museu do Oriente .
A ópera chinesa está ligada, desde as origens, à religião, cumprindo funções rituais como o exorcismo de demónios e espíritos malignos. Alguns destes ritos podem ainda hoje ser observados, em comunidades rurais do sul da China. Os principais teatros exorcistas, Nuoxi e Dixit, estão representados nesta mostra através de máscaras, trajes e palanquins utilizados nas cerimónias.
Considerada um dos tesouros culturais da China, a ópera tradicional surgiu em finais do século XI, agregando elementos de formas artísticas bastante mais antigas. É uma síntese de várias artes, que engloba canto, música, fala, mímica, dança, técnicas de maquilhagem, acrobacia e artes marciais com manipulação de adereços como armas, barbas e leques
Emissão Filatélica "Máscaras da Ópera Chinesa": 1998
A Ópera Cantonense, um subgénero da ópera chinesa, tornou-se predominante na província de Guangdong, sendo também bastante apreciada em Hong Kong e Macau. As diversas associações de ópera chinesa existentes em Macau têm vindo a divulgar esta arte nomeadamente com representações de ópera chinesa junto aos templos onde, para o efeito, são montadas estruturas de bambu.
Emissão Filatélica "Usos e Costumes - Ópera Chinesa": 1991
Artigo sobre "um teatro chinês em Macau" publicado em 1866 no “The Illustrated London News” com duas ilustrações (pinturas) da autoria de Eduard Hildebrandt (1818-1868) feitas ca. 1862.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

"Macao, a sea-port town of China, in the province of Quangtong"

Macao, a sea-port town of China, in the province of Quang tong situated at the mouth of the Tigris in the entrance of the bay of Canton and built on a peninsula or rather a small island because it is separated from the land by a river where the ebbing and flowing of the sea are fenfi bly felt.
This tongue of land is joined to the rest of island only by a small neck about 100 yards across.
The Portuguese obtained this port from the emperor Camhy as a reward for the assistance they gave to the Chinese in destroying the pirates who from the islands in the of Canton infested the seas and ravaged all the coasts China.
Some writers pretend that this city had no inhabit but pirates when the Portuguese formed an establish ment in it and that they were only permitted to build huts covered with straw. However this be their whole extent of territory bounded by a wall is not more than eight miles in circumference. 
In this small spot the Portuguese carried on for a long time almost exclusively a considerable with the Chinese empire and with other countries in Asia, particularly Japan Tonquin Cochinchina and Siam. But by the luxury occasioned by increase of wealth and the injurious oppression of the Chinese the enterprising spirit of the Portuguese declined and the inhabitants Macao became enervated by a tropical climate.
Their trade to Japan failed their other speculations became precarious and this once prosperous settlement is now very much reduced. The houses at Macao are built after the  european manner but they are low and make little show.
Here are 13 churches and chapels and 50 priests to minister to the devotion of between four and five thousand laity. Of the two pagan temples at Macao belonging to the Chinese, one is curiously situated among a confused heap of immense masses of granite. This temple is comprised of three separate buildings one over the other the only ap proach to which is by a winding flight of steps hewn out of the solid rock.
The cave of Camoens situated a little above the loftieft eminence in the town was constructed probably in the same manner as the temple above described by bringing together a vast number of rocks. This cave a tradition current in the settlement belonged to Camoens, a Portuguese poet who resided a considerable time at Macao and in which cave it is said he wrote the celebrated poem of the Lusiad.
The whole population of Macao, according to the statement of La Perouse, maybe at 20,000 of whom 100 are Portuguese by birth, 2000 metis or half Indians and half Portuguese with as many Caffre Naves their domestics.
The rest are Chinese employ themselves in commerce and different trades by which they lay the Portuguese under contribution to their industry. These lait though almoft all Mulattoes would think themselves disgraced if they supported their families by exercising any mechanic art though their pride is not continually soliciting charity with importunity from every one that passes by them. (...)
This city is rendered pleasant in appearance by the fine houses occupied by the supercargoes of the different companies obliged to winter here and their fociety enlivens the place.
(...) De la Perouse the folio volume annexed to Sir George Staunton's Authentic Account of an Embassy from the King of Great Britain to the Emperor of China there is a plan of the city and harbour of Macao containing references to all the forts colleges convents and other public buildings and places of note and also the depth of water and nature of the ground in every part of the inner harbour as well as in the space between the peninsula and the northern entrance into the Typa taken from an accurate survey made by a gentleman long resident on the foot.
Excertos de The Cyclopaedia Or Universal Dictionary of Arts, Sciences and Literature, Volume 21 Por Abraham Rees, London, 1819.
Praia Grande em meados do século 19 (imagem não incluída no livro referido)

Tradução
Macau, cidade portuária da China, na província de Quang tong, situada na foz do Tigre, na entrada da baía de Cantão e construída numa península, ou melhor, numa pequena ilha, porque está separada da terra por um rio. Esta língua de terra está ligada ao resto da ilha apenas por um pequeno estreito de cerca de 100 metros de largura. Os portugueses obtiveram este porto do imperador Camhy como recompensa pela ajuda que deram aos chineses na destruição dos piratas que a partir das ilhas de Cantão infestaram os mares e assolaram todas a costa da China.
Alguns escritores admitem que esta cidade não tinha habitantes senão piratas quando os portugueses aqui se estabeleceram e que só lhes era permitido construir cabanas cobertas de palha. No entanto, toda a extensão do seu território delimitado por um muro não tem mais de oito milhas de circunferência. Nesta pequena localidade, os portugueses mantiveram durante muito tempo uma relação quase exclusivamente considerável com o império chinês e com outros países da Ásia, nomeadamente o Japão, Tonquin, Cochinchina e o Sião. Mas pelo luxo ocasionado pelo aumento da riqueza e pela opressão prejudicial dos chineses, o espírito empreendedor dos portugueses declinou e os habitantes de Macau tornaram-se enfraquecidos por um clima tropical.
O comércio com o Japão falhou, outros negócios tornaram-se precários e este outrora próspero assentamento está agora muito diminuído. As casas de Macau são construídas à moda europeia, mas são baixas e pouco vistosas. Aqui estão 13 igrejas e capelas e 50 padres para ministrar à devoção de quatro a cinco mil leigos. Dos dois templos pagãos de Macau pertencentes aos chineses, um está curiosamente situado entre um amontoado confuso de imensas massas de granito. Este templo é composto por três edifícios separados, um sobre o outro, cujo único acesso é por um lance de escadas sinuoso talhado na rocha sólida. (referência ao templo de A-Ma, na Barra)
A caverna de Camões situada numa colina da cidade foi construída provavelmente da mesma maneira que o templo descrito acima, reunindo um grande número de rochas. Esta gruta, uma tradição corrente na povoação, pertenceu a Camões, um poeta português que residiu bastante tempo em Macau e em cuja gruta se diz ter escrito o célebre poema Os Lusíadas. Toda a população de Macau, de acordo com La Perouse, talvez seja cerca de 20.000, dos quais 100 são portugueses de nascimento, 2.000 mestiços ou metade índios e metade portugueses (...). Os restantes são chineses, empregam-se no comércio e em diversos ofícios, pelos quais colocam os portugueses sob contribuição para a sua indústria. (...)
Esta cidade tem uma agradável na aparência pelas belas casas ocupadas pelos grandes comerciantes das diferentes companhias estrangeiras obrigadas a passar o inverno aqui e a sua concentração anima o lugar. (referência ao facto de o comércio em Cantão só estar disponível aos estrangeiros alguns meses do ano)

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

13º Aniversário: Oferta de bilhetes para o Museu do Oriente

Em Novembro o blogue Macau Antigo comemora 13 anos de existência e como já vem sendo habitual, o presente será para os leitores.
Para assinalar a data serão publicados ao longo do mês vários posts com temas e imagens raras e até mesmo inéditas de Macau de outros tempos. Será ainda realizado um passatempo com oferta de 13 bilhetes para o Museu do Oriente em Lisboa.*
Origem dos leitores. Fonte: Blogger
Desde Novembro de 2008 todos os dias é publicado um novo post - já são mais de 5 mil - fazendo do projecto o maior acervo online sobre a história de Macau. Em média, diariamente, mais de 500 pessoas acedem ao blogue que está praticamente a atingir a marca dos 2 milhões de visitantes.
A maioria dos leitores são originários de Portugal (24%), Estados Unidos (15%), Macau (15%) e Brasil (9%).

* O património museológico que constitui a base das exposições permanentes do Museu do Oriente divide-se em duas grandes colecções. A primeira é alusiva à presença portuguesa na Ásia e é constituída por mais de um milhar de objectos artísticos e documentais, com destaque para diversos biombos chineses e japoneses dos séculos XVII e XVIII e várias peças de arte namban de grande raridade. O segundo grande acervo encontra-se reunido sob a designação de Colecção Kwok On, fruto da doação da Association du Musée Kwok On de Paris, e é constituída por mais de treze mil testemunhos das artes performativas de toda a Ásia e das grandes narrativas e religiões populares de que essas artes são expressão.
Os bilhetes deste passatempo são uma gentil oferta da Fundação/Museu do Oriente e são válidos até Junho de 2022. A pintura faz parte do valiosíssimo espólio do museu que fica no edifício Pedro Álvares Cabral, na Avenida de Brasília, em Alcântara, Lisboa.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

A povoação rural do Tanque do(s) Mainato(s): 2ª parte

Por volta de 1867, num total de cerca de 50 mil habitantes na península, a povoação do Tanque do Mainato rondava os cerca de 500 chineses e pouco mais de 80 habitações.
Em 1869 de um total de 529 vias públicas, 14 estavam na zona da Penha e Tanque do Mainato.
Veja-se o que escreveu Bento da França em 1890:
"Para o lado oriental é a costa irregular entremeiada de bahias e de restingas salientes sendo banhada pelas aguas do mar da China; para a banda occidental correm as aguas do chamado porto interior, o qual consiste n'um pequeno canal que separa as ilhas da Lapa e Hian chan. De todas as bahias da parte oriental a maior e mais importante é a de D Maria II, a qual é limitada por um pequeno cabo encimado pelo forte do mesmo nome formando ao sul a bahia de Cacilhas á qual se segue uma costa assaz pedregosa e accidentada na direcção geral NE e na extensão de 2 400m até á restinga de S. Francisco onde novamente se abre a bahia da Praia Grande, separada das pequenas do Mainato e do Bispo, pelas restingas do Bom Parto. A partir da restinga do Tanque do Mainato ou de Santa Sancha continua a costa pedregosa e accidentada até voltar para o poente, tornear a fortaleza da Barra e seguir para o norte ao longo de todo o porto interior na direção da Ilha Verde."
Era pois uma zona bastante afastada da cidade cristã, essencialmente rural, conhecida pelas múltiplas chácaras (quintas) ali existentes.
Em 1895, por exemplo, o hotel Boa Vista estava no nº 1 da rua do Tanque do Mainato (竹仔室横街). Actualmente a rua chama-se Rua do Comendador Kou Ho Neng: começa na Calçada das Chácaras, ao lado da Estrada de Santa Sancha e da Calçada da Praia , e termina na Rua da Boa Vista , ao cimo da Calçada do Bom Parto.
Em termos toponímicos existiu como esta designação uma rua, um páteo, uma calçada e uma travessa.
O padre Manuel Teixeira escreve assim no livro "Os Militares em Macau":
"A muralha que, partindo d'esta fortaleza (leia-se da Barra), sobe a montanha na direcção sudoeste e vae acabar junto da ermida de N. S. da Penha de França, tem, sobre a porta chamada do Tanque do Mainato, a data de 1824, que deve ser de alguma obra que se fez."
O tanque ficava na encosta da Penha, alimentado pelas águas cristalinas que brotavam da colina.
Em 1897 num artigo da revista Occidente pode ler-se: "De todas estas povoações a mais insignificante é a do Tanque do Mainato , onde pouca industria e nenhum commercio ha."
Francisco de Carvalho e Rego refere-se assim aquela zona no início do século 20:
Ao dobrar a Fortaleza do Bom Parto, talhada no regaço do imponente Hotel Bela Vista, surgia o sinuoso caminho, que levava ao Tanque do Mainato, com a colina despida de casario, à excepção da velha e abandonada vivenda de Santa Sancha Em cima, a velha Ermida da Penha, cheia de unção religiosa e graça na sua simplicidade. Na última curva da ordenada beira-mar, via-se a “Fortaleza da Barra” e, mais adiante, em plano superior, a “Capitania dos Portos”, em estilo mourisco. (...)

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

A povoação rural do Tanque do(s) Mainato(s): 1ª parte

Remonta pelo menos ao século 18 a expressão Tanque do Mainato para designar uma zona  a leste da colina da Penha, onde estão actualmente as ruas Comendador Kou Ho Neng, a Calçada da Praia e a das Chácaras, junto a Santa Sancha. Entre os chineses a zona era conhecida por Chôk Chai Sat, ou seja Chácara dos Bambus Pequenos. Santa Sancha foi como aquela zona passou a ser conhecida já no século 20. O nome deriva do palacete ali construído em 1846.
Num artigo da revista ilustrada O Occidente, de 1890, pode ler-se:
"Vejamos agora quaes são as cinco povoações ruraes mais antigas a que nos referimos para depois nos occuparmos da cidade christã como lá se lhe chama. O primeiro d'estes bairros suburbanos fica proximo da fortaleza da Barra e é por isso denominado povoação da Barra. O outro acha-se na encosta do outeiro da Penha onde está levantada a fortaleza do Bom Parto, chama-se povoação do Tanque do Mainato. É aqui que se encontram as mais bonitas vivendas de Macau chamadas chácaras. As três restantes povoações são a do Patane, a de Mong há e a de S. Lázaro." 
"Annuncio" de 1883 no jornal O Macaense: "licença para fundação de uma fábrica de panchões" na Calçada das Chácaras no Tanque dos Mainatos.

No século 19, juntamente com a "Serra da Penha", o "Tanque Mainato" era uma das "povoações ruraes" de Macau tendo uma pequena "estação de polícia". E ainda havia a Praia do Tanque do Mainato como atesta um mapa de 1889 (imagem acima).
Alvará de 1913 - Licença para Fábrica de Panchões no Tanque dos Mainatos

Plantas da década de 1920 da localização do Tanque do Mainato

Na década de 1940 ainda existia a designação Povoação do Mainato.


Zona do Tanque do Mainato no início do século 20 (o edifício é o Palácio de Santa Sancha) quando a Av. da República ligou a Praia Grande ao Porto Interior.
O topónimo rua do Tanque Mainato terá surgido em 1847.
Manuel de Castro Sampaio no livro “Os Chins de Macau” (1867) escreve: 
"Uma das primeiras povoações fica próxima da fortaleza da Barra e é por isso chamada Povoação da Barra. A outra acha-se na encosta outeiro da Penha, onde está a fortaleza do Bom Parto, e onde se encontram as mais lindas chácaras de Macau. Esta é conhecida pelo nome de Tanque-Mainato, nome derivado de um tanque de lavadeiros ou mainatos, como lhes chamam no paiz. As outras três povoações são denominadas de Patane, de Mong-ha e de S. Lázaro. Patane é de todas as cinco a mais importante, pela sua industria fabril e pelo seu comercio, principalmente, em madeiras de construção. Esta fica no litoral do porto interior, tendo Mong-ha do lado oposto, onde existe a maior parte dos agricultores e onde há alguma industria e comercio, como em todas as outras povoações, excepto a do Tanque-Mainato, onde pouca industria e nenhuma comercio há, por ser um povoado insignificante. (...)"
continua...