Feito em jeito de narrativa de viagem, "Traços do Extremo Oriente" descreve rotas, lugares e paisagens. Inclui uma carta dirigida à sua irmã e vários contos escritos e recolhidos pelo autor desde 1885, além de um post scriptum e de um conto sobre a Batávia (actual Jacarta), a capital holandesa da ilha de Java. O livro está divido em três partes: “Recordações do Sião”, “Lembranças da China” e “Saudades do Japão”.
“Pequenino”, “dia belo, montanhas doiradas pelo Sol”, “boa gente chinesa”, “existência fácil, clima salubre”, “viver modesto... ingénuo e bom”, são algumas das considerações sobre Macau.
"Traços do Extremo Oriente – Sião, China e Japão"
Venceslau José de Sousa de Morais (Lisboa, 30 de Maio de 1854 - Tokushima, 1 de Julho de 1929). Oficial da Marinha, completou o curso Escola Naval em 1875, tendo prestado serviço em Moçambique, Macau, Timor e Japão.
Segunda edição: 1946 |
Após ter frequentado a Escola Naval, serviu a bordo de diversos navios da Marinha de Guerra Portuguesa. Em 1887 viaja pela primeira vez até Macau, onde se estabelece. Foi imediato da capitania do Porto de Macau e professor do Liceu de Macau desde a sua fundação em 1894. Durante a sua estadia em Macau casou com Vong-Io-Chan (Atchan), mulher chinesa, de quem teve dois filhos, e estabeleceu laços de amizade com Camilo Pessanha.
Em 1889 viaja até ao Japão, país que o encanta, e onde regressará várias vezes nos anos que se seguem no exercício das suas funções. Em 1897 visita o Japão, na companhia do Governador de Macau, José Maria de Sousa Horta e Costa, sendo recebido pelo Imperador Meiji. No ano seguinte abandona Atchan e os seus dois filhos, e muda-se definitivamente para o Japão, como cônsul em Kobe.
Aí a sua vida é marcada pela sua actividade literária e jornalística, pelas suas relações amorosas com duas japonesas (Ó-Yoné Fukumoto e Ko-Haru).
Durante os trinta anos que se seguiram, Venceslau de Morais tornou-se a grande fonte de informação portuguesa sobre o Oriente, partilhando as suas experiências íntimas do quotidiano japonês com os leitores portugueses.
Amargurado com a morte, por doença, de Ó-Yoné, renunciou ao cargo consular em 1913 quando já era graduado em Tenente-coronel/Capitão de fragata. Muda-se para Tokushima, terra natal daquela e passa a viver com Ko-Haru, sobrinha de Ó-Yoné, que viria também a morrer por doença. Venceslau de Morais viria a falecer em Tokushima em 1 de Julho de 1929.
Fotografado em Macau em 1893 |
Venceslau de Morais foi autor de vários livros sobre assuntos ligados ao Oriente, em especial o Japão. Também se encontra colaboração literária da sua autoria no semanário Branco e Negro (1896-1898) e nas revistas Brasil-Portugal (1899-1914), Serões (1901-1911) e Tiro e Sport (1904-1913).
Sem comentários:
Enviar um comentário