À procura de uma vida melhor foram milhares os europeus que viajaram para os EUA em navios de empresas como a belga Red Line Star. Os mais abastados utilizaram os navios para fazer viagens de cruzeiro à volta do mundo. É uma dessas viagens que vou abordar neste post.
Um dos navios mais conhecidos da empresa foi o Belgenland II (no século 19 existiu outro com o mesmo nome). O do século 20 foi construído em 1914 para a empresa White Star e com início da primeira guerra mundial seria acabado à pressa recebendo o nome de SS Belgic. Depois da guerra foi reconfigurado para paquete e passou para a Red Line Star que o rebaptizou como Belgenland. Com 27 mil toneladas era um dos maiores do mundo tendo capacidade para transportar 2500 pessoas.
A 4 de Dezembro de 1924 partiu para um cruzeiro de 133 dias à volta do mundo, uma das mais longas viagens na época com a publicidade da empresa a destacar: "The Largest Ship to Circle the Globe".
Itinerário |
A a quarta edição deste cruzeiro à volta do mundo começou em Nova Iorque a 14 de Dezembro de 1927. Seguindo a rota do Japão rumou até Cuba, passou o Canal do Panamá e Hawai (ver itinerário acima). Atracou em Xangai a 2 Fevereiro de 1928 ao fim de quase 2 meses de viagem. Estava na Formosa no dia 7 a caminho de Hong Kong onde chegou às 5h15 da madrugada do dia 9 de Fevereiro. No dia seguinte o jornal The Hong Kong Telegraph noticiava que estavam atracados no porto da cidade "dois grandes navios" com cerca de 700 turistas a bordo incluindo "alguns notáveis". Um deles era o Belgenland (345 passageiros).
Nos 4 dias de escala o tempo esteve excelente com as temperaturas a rondar os 21 graus. Os passageiros puderam então reservar algumas das excursões a cidades vizinhas como Kowloon, Cantão e Macau.
Detalhe do programa da excursão a Macau |
Às 5 da tarde do dia 13 de Fevereiro o paquete de luxo Belgenland saía de Hong Kong tarde rumo a Manila e ao destino final, Nova Iorque. Conforme se pode verificar numa parte da lista de passageiros (imagem abaixo) um dos poucos europeus a bordo - a maioria era dos EUA - era o espanhol Juan Marin Balmas (1890-1945).
O nome de Juan Marin Balmas na lista dos passageiros |
Detalhe da rota do Belgenland: Janeiro e Fevereiro de 1928 |
O empresário espanhol passaria as memórias desta viagem para o livro "De Paris a Barcelona passant per Honolulu" publicado em catalão no ano de 1929.
"La terra on el gran camoens va escriure el seu poema immortal, si un temps visqué del tráfic dels coolies i del contraban d'opi, avui deu encara el seu bon passar a les seves famoses cases de joc fan tan, on els xinesos rics vénen a arriscar llur fortuna".
"Macao - Pôr do Sol" é a legenda da foto tirada no Templo da Barra incluída no livro alusivo a uma viagem de 30 mil milhas náuticas que durou 133 dias de viagem e permitiu visitar 60 cidades.
Curiosidades:
- Albert Einstein viajou neste paquete em 1933.
- O Belgenland II não resistiu aos efeitos da Grande Depressão e seria desmantelado em 1936.
- Na Bélgica (Antuérpia) existe um museu dedicado a esta empresa onde se podem ficar a conhecer mais detalhes sobre como era viajar neste navio.
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