sexta-feira, 22 de junho de 2018

Rua do Padre Luis Frois S. J.

A imagem é do final década de 1920. Av. da Praia Grande e Rua do Padre Luis Frois S. J.; do lado esq. o Palácio das Repartições: o edifício do lado dto. corresponde ao local onde está actualmente o hotel Metrópole.


O que se conhece hoje por Rua do Padre Luís Fróis começou por serchamar Calçada do P. Fróis. Depois mudou o nome para Calçada do Governador e já mais recentemente recuperou o nome deste jesuíta que viveu algum tempo em Macau. 
O padre Luis Fróis nasceu em 1532, provavelmente em Lisboa e morreu no Japão em 1597. A sua “Historia de Japam” é uma das fontes mais importantes para a história do Japão do séc. XVI. A rua como seu nome começa na Rua da Praia Grande e termina na Rua Central, em frente do Beco do Gonçalo.
Emissão de selos em 1997 nos "400 anos da morte do Padre Luis Frois"
Nasceu em Lisboa, em 1532 e com 16 anos conclui os estudos na área de Humanidades ingressando depois na Companhia de Jesus. Ao fim de dois meses de noviciado, embarca em Lisboa a 17 de Março do mesmo ano, numa viagem para a Índia, sem nunca mais voltar a Portugal. Chega a Goa a 9 de Outubro de 1548. Entre 1548 a 1561, inicia os seus estudos no Colégio de São Paulo distinguindo-se pela forma como descreve as actividades dos missionários em Goa e Malaca. Ordenado padre em 1561 será em Goa que terá diversos encontros com Francisco Xavier - o último em 1554 - que iriam marcar profundamente a sua vida. Parte para Macau em 1562 e dali inicia a sua viagem para o Japão como missionário da Companhia de Jesus.
Chega a Yokoseura, (na actual Província de Nagasaki), em Junho de 1563, no período de apogeu da missão jesuíta no Japão e um mês após o baptismo do primeiro dáimio japonês, (Bartolomeu) Omura Sumitada. Ali começa a escrever uma longa série de cartas e variadíssimas relações e tratados, nos quais descreve em detalhe as actividades dos padres e da Missão. O valor histórico destas cartas é inestimável e são os documentos que encerram mais detalhes sobre a vida quotidiana dos missionários no Japão. Após a sua chegada a Kyoto, conheceu o shogun Ashikaga Yoshiteru, e privou mais tarde com Oda Nobunaga, (o shogun que iniciou o processo de centralização e unificação do poder no Japão e pôs fim a um longo período de guerra civil) tendo inclusivamente em 1569 permanecido por um breve período de tempo na residência privada de Nobunaga, em Gifu, enquanto escrevia os seus livros.
Em 1577, passa pelo reino de Bungo, (actual província de Oita). Durante esse período, o dáimio local, Otomosorin, converteu-se e é batizado com o nome Francisco de Bungo. Mais tarde, em 1581, Fróis é novamente chamado a Nagasaki, como secretário do Vice-Provincial, o Padre Gaspar Coelho.
Nessa altura, e a pedido de Alexandre Valignano, iniciou a sua Historia de Japam, que ainda hoje é uma importante fonte para os estudiosos da História do Japão e da missão jesuíta entre 1549 e 1593.
Luís Fróis acompanha o Padre Gaspar Coelho como intérprete na importante visita efectuada ao novo líder do Japão (1586), o shogun Toyotomi Hideyoshi, que precede a emissão do decreto de expulsão de todos os missionários no Japão, editado no ano de 1587. Hideyoshi considerava a missão evangelizadora do missionários jesuítas um entrave à reunificação política do país.
Após a expulsão dos religiosos por parte das autoridades japonesas, Luís Froís continua a desenvolver o seu trabalho como missionário na clandestinidade e consagra a maior parte do seu tempo à redacção do manuscrito da sua História do Japão.
Em 1592, e a pedido do Padre Alexandre Valignano, viaja como seu secretário para Macau, onde termina o relato da organização da viagem de uma embaixada japonesa a Roma: iniciada em 1582 e composta por 4 jovens samurais, que chegam a Lisboa em 1584, e depois partem para Roma, onde são recebidos por Gregório XIII. Esta embaixada deixou a Europa em Abril de 1586 e chegou ao porto de Nagasaki, em 1590. Nessa altura dá por concluída a sua História do Japão, episódio documentado numa carta enviada ao Padre Acquaviva. Mas o seu estilo de escrita não agrada a Valignano, o qual critica severamente muitos dos aspectos de uma obra que é considerada actualmente como referência indispensável a todos os que estudam a História do Japão.
Todo o trabalho que desenvolveu teve como base a sua experiência pessoal. É um testemunho directo e, de certa forma, autobiográfico desse momento histórico do Japão e da presença missionária da Companhia de Jesus.
O seu estado de saúde fragiliza-se. Luís Fróis receia que o seu manuscrito se perca em Macau e, para que a sua História do Japão fosse salva, decide fazer o sacrifício e volta doente e exausto a Nagasaki, no ano de 1595. Na última fase da sua vida deixa-nos os escritos daquela que é talvez a sua melhor obra, O Relato da Morte dos 26 Mártires de Nagasaki, de 15 de Março de 1597. O texto foi enviado passando pelas Filipinas, escapando assim à censura do padre Valignano, mas assim que este tomou conhecimento da ação, solicitou a Roma o arquivo do referido documento, que apenas será publicado em 1935.
Já na última etapa da sua vida, e com 62 anos, Fróis escreve talvez uma das suas melhores obras: a Relação da morte dos 26 Mártires de Nagasaki (a 15 de Março de 1597), onde mais uma vez demonstra o seu profundo conhecimento da cultura japonesa. Este texto serviu para esclarecer certos aspectos discutidos entre os historiadores japoneses em torno da identificação do local exacto do martírio, e foi só no ano de 1956 que o local, a colina de Nishizaka, foi declarado histórico na cidade de Nagasaki e erigido um monumento representando os 26 mártires na ordem que Froís descreveu.
Terminada a obra, o estado de saúde de Luís Fróis agravara-se. Morre no Colégio de São Paulo em Nagasaki, a 8 de Julho de 1597. 
Luís Frois foi figura primordial na primeira evangelização do Japão e um nome inegavelmente ligado à vida cultural e religiosa de Nagasaki. Pode ler-se gravado no monumento a ele erigido no Parque dos Mártires uma frase que resume a sua vida: «Ele escreveu a História do encontro entre Portugal e o Japão».
Texto elaborado a partir de um artigo da embaixada de Portugal no Japão (Tóquio).

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