domingo, 3 de junho de 2018

A sala de cinema do hotel President/Central

"Soon the most impressive building of this colony will be inaugurated. It is the first skyscraper of Macao, being in width ninety-six feet,in length ninety-six feet, and in height one hundred and ninety-six feet. The first, second and third floors of this majestic hotel have an overall number of seventy-eight rooms, each floor having twenty-six rooms, to be luxuriously furnished. The hotel will have a maximum capacity for one hundred and fifty people. There will be a restaurant in the fourth floor, and a tea-room and roof-garden on the fifth floor. On sixth floor there will be a cinematographer with a capacity for four hundred and forty people, and the seventh floor will be used for open-air concerts. The total cost of the construction is about $500.000. Its window and door frames and all other mouldings are made of the best available teak. The electricity network is one of the major features of this building, the kitchens being provided with the most modern and economic electric appliances. Ventilation, heating and refrigetation, etc., etc..., all is electrically powered by equipment entirely purchased from MELCO. The hotel elevators are practically operational, their instalation contract also having been contracted to MELCO. These lifts have a rising thrust of two hundred feet per minute, i. e.: sixty feet per minute. One of the lifts will be exclusively used to take food to the fifth floor."
This hotel would later be renamed the Hotel Central (Central Hotel), "the tallest of the Portuguese Colonial Empire", as the concessionary company's advertisements boasted. The President cinematographer would not last long. It showed silent movies and then, mostly Chinese, which in those days were not of superior quality. The space of the cinematographer was transformed into a 'cabaret' which would reign supreme in Macao during the years of the Pacific War. »

Text by Henrique de Senna Fernandes

"Está para breve a inauguração deste edifício, hoje o mais imponente da Colónia. É o primeiro arra-nha-céus que Macau vai ter, sendo a sua altura, com-primento e largura de 196 pés 96 e 96. Possui este majestoso Hotel 78 quartos para hóspedes, distribuídos pelo 1°, 2° e 3° andares, tendo cada um deles 26 quar-tos que serão luxuosamente mobilados, podendo com- portar ao todo 150 pessoas. O 4º andar servirá de restaurante, o 5º de casa de chá e "roof garden". O 6º andar destina-se a um cinematógrafo, cuja lotação será de 440 pessoas, e o 7º andar para concertos de música ao ar livre. O custo total da construção do referido prédio orça por $500.000 aproximadamente. As janelas, portais e caixilhos são feitos de madeira de teca, de superior qua-lidade. A electricidade desempenha um papel importante neste edifício, sendo a cozinha provi-da dos aparelhos eléctricos mais moder-nos e económicos que é possível. A ventilação, o aquecimento e a refrigera-ção, etc., etc., é tudo feito por electrici-dade, sendo os respectivos aparelhos to-dos adquiridos na "MELCO". Os eleva-dores que este Hotel vai possuir estão quase prontos a funcionar, devendo a respectiva montagem ser confiada à mesma casa "MELCO". Estes elevadores têm a veloci-dade de ascensão de 200 pés por minuto ou seja 60 metros por minuto. Um dos elevadores será destinado para transportar comestíveis para o 5º andar".
Este hotel teria mais tarde outro nome, o de Hotel Central, "o mais alto do Império colonial Portu-guês", como afirmariam os anúncios da companhia exploradora. O cinematógrafo "Presidente" seria de pouca dura, com filmes silenciosos e na maior parte chineses, então de qualidade inferior. O recinto do cinematógrafo seria mais tarde o conhecido "cabaret" do Central, cujos dias mais gloriosos foram os do tempo da Guerra do Pacífico.
Excerto de artigo da autoria de Henrique de Senna Fernandes: "O cinema em Macau: a emoção do sonoro"

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