sábado, 28 de abril de 2018

Francisco Borboa Valenzuela

Eis um nome que a maior parte dos leitores terão dificuldades em associar a Macau. Mas na verdade as obras deste artista - conhecido por "Pancho" - estão bem presentes no quotidiano do território desde a década de 1960 e ainda hoje podem ser apreciadas. 
Refiro-me, por exemplo, ao mural da fachada lateral do hotel Sintra (executado em 1975) e aos murais na entrada do 'velhinho' hotel Lisboa. Mas há mais...
Francisco Borboa nasceu em 1923 na Califórnia e foi ainda em criança para o México onde iniciou os estudos e ingressou no sacerdócio. Em 1948 parte para a China como membro da Companhia de Jesus. Aprende mandarim em Pequim mas a revolução em marcha obriga-o a ir primeiro para Shangai e depois para Wuhu. Sai da China um ano depois da fundação da República Popular. Vai de comboio até Tienshin e de barco até Hong Kong de onde segue para as Filipinas. Sem visa para entrar no país será o presidente a autorizar a entrada. Ali completa os estudos em filosofia e teologia e em 1957 é ordenado sacerdote. 
Em 1958 inicia a etapa chamada de provação. Viaja para o Japão (Hiroshima) e depois (1960) para Taiwan.
Em 1962, com quase 20 anos de vida religiosa decide abandonar a Companhia de Jesus e pede à Cúria Romana para o dispensar do sacerdócio.
Deixa Taiwan e ruma a Hong Kong onde vai encontrar alguns dos antigos professores das Filipinas. Os anos passam e a autorização de Roma não chega mas Pancho não desiste e resolve escrever a Ana que tinha conhecido em Taiwan propondo-lhe casamento. Ana aceita e vai ter com Pancho com visa para apenas um mês.
Ao fim do terceiro mês Ana recebe um ultimato de Taiwan: "ou casa ou regressa". Pressionados e sem autorização do Vaticano acabam por casar pelo registo civil. A dispensa do sacerdócio só virá em 1966.
Nesta altura já Pancho tinha enveredado pela vida artística, especialmente quadros em mosaico e murais. A primeira exposição de obras suas ocorreu em Hong Kong em 1972.
É por esta altura que Macau lhe surge na vida deixando a sua marca na fachada lateral do hotel Sintra e nas paredes e tectos da entrada do hotel Lisboa.
Para além de Macau tem trabalhos seus na Austrália, Malásia, México, Filipinas, Espanha, Taiwan e Hong Kong (no Club Lusitano, por exemplo, em 1967).


'Murais' do Hotel Lisboa da autoria de Francisco Borboa


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