terça-feira, 18 de setembro de 2012

Curiosidades da história menos conhecida

De quando em vez chegam-me pedidos de informação sobre este ou aquele aspecto da história de Macau menos conhecida. Por norma respondo colocando um post por cada tema, mas desta vez juntei várias perguntas e aqui vão as respostas, naturalmente, numa linguagem simples (não sou historiador) mas que espero seja do v. agrado.
O Mosteiro das Clarissas foi fundado no iníco do século XVII pelo português António Fialho Ferreira e pelo espanhol Diogo Enriquez de Losada. O mosteiro funcionava onde está hoje o Colégio de Santa Rosa de Lima, na rua de Santa Clara. As clarissas do convento de Santa Clara passaram a gerir o Recolhimento de Santa Rosa de Lima em meados do século XIX. O Recolhimento tinha sido fundado em finais do século XVIII pelo bispado de Macau e era especialmente dedicado a meninas órfãs. Até ser anexado ao Convento de Santa Clara mudou várias vezes de gerência. As raparigas pobres ou órfãs só podiam pedir esmolas para o dote do seu casamento entre os 14 e os 30 anos. A autorização era concedida (ou não) pela Santa Casa da Misericórdia.
A Roda era um sistema da Santa Casa que permitia o abandono de crianças, sem retorno nem perguntas. Funcionava no hospital de S. Rafael. Era ali, numa viela escura, que eram deixados os bebés. A prática tem de ser entendida à luz daqueles dias, permitia que as crianças não morressem à fome. Estamos a falar de, literalmente, uma roda de madeira: quem pretendesse abanaonar um criança, tocava à porta, colocava o bebé dum lado da roda, e do outro lado, virava-se posteriormente a roda, ficando a criança no interior do edifício.
Sobre o Hospital de S. Lázaro (leprosaria) e o bairro com o mesmo nome foram demolidos em 1900 (imagem acima). O que se conhece hoje em dia foi construído posteriormente.
Já a actual igreja de S. Lourenço (na imagem) foi construída em 1885, no mesmo local da anterior ermida. Desta, ficou para a posteridade o cruzeiro que ainda hoje pode ser visto e que data de 1637.
A Sé de Macau começou por ser uma pequena ermida construída em madeira ca. de 1576 ganhando uma estrutura mais sólida em 1622. Em 1836 sofreu grandes estragos devido a um tufão sendo recuperada entre 1844 e 1850 (ver imagem).
O macaense José Agostinho Tomás de Aquino foi o autor da obras de remodelação. Nos anos 30 do século XX viria a sofrer uma profundo restauro, completado em 1937, ficando com o aspecto que apresenta hoje em dia. (imagem da década de 1960)
As frequesias em Macau (e nas ilhas) foram mais uma divisão simbólica do que administrativa. Em cada uma existia (e existe) uma igreja... e correspondem praticamente aos chamados bairros católicos então existentes. Reparem na lista: Penha, S. Lourenço, Stº Agostinho, S. Lázaro, Stº António, Sé. Taipa e Coloane também têm cada uma as suas igrejas.

Macau tem concerteza o recorde de maior número de igrejas/ermidas/capelas (julgo que 17) em comparação com os seus pouco mais de vinte e poucos quilómetros quadrados de superfície. E só mencionei as católicas. Existem ainda as protestantes que devem rondar as 40.
Ainda antes da chegada dos portugueses já existiam pelo menos dois templos chineses: Ma Kok Mio (na Barra) e Kun Iam Tong (no sopé da colina de Mong Há).
Nesta mesa localizada no Templo Kuan Iam Tong foi assinado o primeiro tratado entre a China e os EUA (1844).
A propósito das matrículas e dos chamados números da sorte entre os chineses.
Matrícula da década de 1950
Os “números de sorte” são aqueles cuja pronúncia é semelhante à das palavras de boa sorte ou de bom significado, Por exemplo, em cantonense, os números preferidos são: “dois” (Yi-simplicidade), o três (San-progresso), o oito (Pat-prosperidade) e o nove (Gao- longevidade).
A Taipa foi outrora constituída por 3 ilhas: a Grande, a Pequena e o morro de Pac On. Mapa de 1912

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