sábado, 19 de setembro de 2020

Real Colégio de S. José

Real Colégio de S. José é o nome pelo qual era conhecida a instituição - que mais vulgarmente se conhece como Seminário - quando foi fundada em 1747 no âmbito da missionação católica e do Padroado Português, iniciado no século XV.
Nas imagens o "Diccionario Portuguez-China" de Joaquim Afonso Gonçalves, sacerdote da Missão M. H. R. S. A. "No estilo vulgar Mandarim e Clássico geral", impresso no "Real Collegio de S. Jose" em 1831.
A imprensa/tipografia do Real colégio de S. José (Seminário) foi fundada em 1818. A edição acima, de 1831, é tida como sendo o primeiro dicionário do género a ser impresso. Mas já antes tinham sido impressas outras obras do género, nomeadamente gramáticas de língua chinesa.


Joaquim Afonso Gonçalves, nasceu em Cerva a 23 de Março de 1781, foi uma grande figura na importância das relações entre Portugal, Macau e China.
Entrou no Seminário de Rilhafoles, Lisboa a 17 de Maio de 1799 e tomou os votos em 18 de Maio de 1801.
Partiu de Lisboa em 1812 com o objectivo de fundar o Observatório Astronómico de Pequim. Chegou a Macau a 28 de Junho de 1813 mas devido à conjuntura política que se vivia na corte imperial não pôde prosseguir. 
Entrou então no Real Colégio de S. José ensinando português aos alunos chineses. Foi também assim que aprendeu mandarim e contribuiu para que se abrisse o ensino gratuito a toda mocidade. Em S. José ensinou gramática portuguesa, latina, francesa e inglesa, retórica, lógica e teologia para os eclesiásticos; aritmética, álgebra e geometria.
Publicou várias obras com a chancela do Real Colégio tais como “Grammatica Latina Ad Usum Juvenum” em 1828, “Arte China Constante Alphabeto e Grammática em 1829 (custava quatro patacas), “Diccionário Portuguez-China” em 1831 e “China-Portuguez” em 1833, “Vocabularium Latino-Sinicum” em 1837, “Lexicon Manuale Latino-Sinicum” em 1839, “Lexicon Magnum Latino-Sinicum” em 1841, e os volumes “Versão do Novo Testamento em Língua China”.
Joaquim Afonso Gonçalves foi membro da Real Sociedade Asiática de Calcutá, da Academia de Ciências de Lisboa e também Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
O seu corpo foi sepultado no cemitério de S. Paulo e depois transladado para um túmulo na Igreja de S. José, que ostenta um epitáfio latino, cuja tradução é: 
“A Deus Ótimo e Máximo. Aqui Jaz o Reverendo Sr. Joaquim Afonso Gonçalves, Português, Sacerdote da Congregação da Missão, exímio professor Real Colégio de São José, membro estrangeiro da Real Sociedade Asiática. Solicito pelo bem das missões chinesas, compôs e publicou obras muito úteis nas línguas sínica, latina e portuguesa; foi de costumes irrepreensíveis e exímios pela doutrina, sendo de vida ilibada; cheio de dias, descansou no Senhor, em 3 de Outubro de 1841, aos 60 anos de idade. Os seus amigos e discípulos dedicaram esta lápide em memória de tão ilustre Varão”.

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