quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Uma 'Porta' na Travessa da Paixão

Imagem da década de 1910/20 onde pode ver-se uma das várias portas do muro que cercava o colégio de S. Paulo na denominada Travessa da Paixão (desde 1925). O topónimo remete para o sentimento e respeito pela religião. O nome em chinês significa romântico/amor
Década 1930
As Ruínas de S. Paulo referem-se ao conjunto formado pela fachada da antiga Igreja da Madre de Deus, construída entre 1602 e 1640, e as ruínas do antigo Colégio de S. Paulo, que ficava localizado ao lado da igreja, ambos destruídos por um incêndio em 1835. Em conjunto, a antiga Igreja da Madre de Deus, o Colégio de S. Paulo e a Fortaleza do Monte eram todas construções jesuítas e formavam um conjunto que pode ser identificado como a "acrópole" de Macau. A fachada das Ruínas de S. Paulo mede 23 m de largura por 25,5 m de altura, estando dividida em cinco níveis. Seguindo o conceito clássico da divina ascensão, as ordens da fachada em cada nível horizontal evolvem da base para o topo da ordem jónica, passando pela ordem coríntia até à ordem compósita.
Foto de Harry Ho (2017)
Os dois níveis superiores estreitam gradualmente para suportar um frontão triangular no topo, que simboliza o último estado da divina ascensão - o Espírito Santo. A fachada é de estilo maneirista, incorporando alguns elementos decorativos tipicamente orientais. Os temas escultóricos incluem imagens bíblicas, representações mitológicas, caracteres chineses, crisântemos japoneses, um barco português, vários motivos náuticos, leões chineses, estátuas de bronze com imagens dos santos jesuítas fundadores da Companhia de Jesus e outros elementos que integram influências europeias, chinesas e de outras partes da Ásia. No seu todo, essa composição reflecte uma fusão de influências à escala mundial, regional e local. Hoje em dia, a fachada de S. Paulo funciona simbolicamente como o altar da cidade. O seu traçado barroco/maneirista de granito é único na China (tal como refere a publicação Atlas mundial de la arquitectura barroca, da UNESCO). As Ruínas de S. Paulo são um dos exemplos mais eloquentes do valor universal excepcional de Macau.
Na proximidade da fachada, os vestígios arqueológicos do antigo Colégio de S. Paulo apresentam um testemunho do que foi em tempos a primeira universidade de modelo ocidental no Extremo Oriente, que contava com um programa académico extenso, incluindo as disciplinas de Teologia, Matemática, Geografia, Chinês, Português, Latim, Astronomia, entre outras. Contribuiu significativamente para a preparação de um elevado número de missionários no seu trabalho de difusão da missão católica romana na China, no Japão e em toda a região. O trabalho missionário protagonizado pelos jesuítas de Macau por toda a região foi crucial na disseminação do catolicismo na China, no Japão e noutros países, permitindo também um maior intercâmbio noutros domínios, como no científico, no artístico e no cultural.

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