terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Viagem do "João de Lisboa" em plena guerra (1942)


Entre 1938 e 1942 os avisos Gonçalves Zarco, João de Lisboa e Gonçalo Velho eram presença assídua nas águas de Macau mas sempre individualmente. Na sua missão eram auxiliados por algumas vedetas e lanchas da capitania. Em 1942 a ordem da metrópole (Lisboa) foi para que o "João de Lisboa", sob o comando do capitão-tenente Diogo de Mello e Alvim (1904-1973),  regressasse a Portugal alegadamente por necessitar de muitas reparações. No final de Janeiro de 1942, tinha a 2ª Guerra Mundial alastrado ao Pacífico e à Ásia há pouco tempo, o regresso do aviso "João de Lisboa", de Macau para Lisboa passando por Timor obrigou à tomada de todas as precauções tomadas.
A 30 de Janeiro, Américo Deus Rodrigues Tomáz, capitão de mar e guerra e chefe do gabinete do Ministério da Marinha (viria a ser Presidente da República entre 1958 e 1974) envia um ofício (nº 89) "confidencial e urgentíssimo" ao director geral dos negócios políticos e da administração interna para que apure através do Ministério dos Negócios Estrangeiros junto das "nações beligerantes" inglesa, americana e japonesa sobre a melhor forma de proceder na rota rumo, numa primeira fase, a Timor. Na comunicação (imagem abaixo) pede-se especificamente detalhes sobre a travessia do Canal de Balingtang e Passo das Molucas bem como informações sobre quais os "locais militarmente perigosos ou que seja inconveniente atravessar". O início da viagem estava agendado para entre 15 a 20 de Fevereiro mas só veio a ocorrer a 15 de Maio, pela rota do Pacífico, partindo o "João de Lisboa" de Macau rumo ao Canal de Bashi e dali para o Canal do Panamá com escala em Honolulu. 
Nessa viagem o "João de Lisboa" ainda recolheu alguns sobreviventes de navios norte-americanos afundados. Os salvamentos seriam muito comentados nos círculos navais dos EUA e da Grã-Bretanha tendo o comandante Alvim sido condecorado. Alvim seria na década de 1950 governador da Guiné. Assim, durante a guerra, Macau não contou com a presença de nenhum navio de guerra português, ao contrário do que era habitual, visto tratar-se de um instrumento de afirmação de soberania que também servia como importante meio de comunicação (via rádio) com o exterior. No final da guerra o “Gonçalo Velho” foi a primeira unidade naval militar a chegar a Macau tendo ali permanecido entre Outubro de 1945 e Julho de 1946.
PS: este ano faz 70 anos que terminou a 2ª Guerra Mundial.

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