segunda-feira, 2 de setembro de 2013

D. José da Costa Nunes: cidadão benemérito

Em 1964 o Leal Senado da Câmara de Macau 'fez' de D. José da Costa Nunes “cidadão benemérito de Macau”. A seguir reproduz-se o discurso da proclamação do antigo bispo de Macau.
D. José da Costa Nunes partiu então, para a Europa, com o propósito de apresentar à Santa Sé a resignação da dignidade episcopal. Forçado, porém, a aceitá-la, veio ao seu arquipélago natal, sendo sagrado bispo, na igreja matriz da cidade da Horta, no dia 20 de Novembro de 1921. No 4 de Junho do ano seguinte, fazia a sua entrada solene na diocese, Macau, realizando uma obra do mais notável apostolado. Ainda hoje, a sua acção de grande bispo missionário é recordada com a maior admiração, nesta nossa província do Oriente, a tal ponto que, muito depois da sua retirada de Macau para ir ocupar lugares de hierarquia eclesiástica mais alta, continuou sempre a ser ‘o nosso bispo’.
Para enumerar apenas algumas das suas obras materiais mais importantes, o Sr. D. José restaurou o Colégio de Santa Rosa de Lima, confiando em 1932 a direcção deste estabelecimento às Franciscanas Missionárias de Maria; inaugurou a nova e artística igreja de Santa Clara; cuidou da abertura duma Escola Chinesa (P’ui-Ching) e melhorou a Escola Portuguesa, ambas anexas à Casa de Beneficência; em 22 de Maio de 1938, inaugurou a Sé Catedral de Macau, restaurada; inaugurou em 13 de Outubro de 1935 a nova igreja da Penha; restaurou o Paço Episcopal; o seu interesse por quanto se ligasse com matéria de instrução à juventude até se traduziu na leccionação de português em escolas laicas como fosse o Liceu de Macau. Deste seu interesse e do carinho que lhe mereciam as crianças nasceu o facto de uma das escolas da cidade, que era então uma escola municipal, vir a ser denominada ‘Escola Infantil D. José da Costa Nunes’.
Reabriu em 1923 as Casas Canossianas de Timor; espalhou por toda esta ilha uma bem montada rede de catequistas e inúmeras igrejas, a principiar pela igreja matriz de Díli, inaugurada em 3 de Outubro de 1937; fundou o seminário menor de Nossa Senhora de Fátima, de Soibada; concluiu, em Singapura, os dois modernos edifícios, Medeiros e Nunes Buildings; construiu o grandioso edifício onde se acha instalada a Escola de Santo António, em Singapura; ergueu, na mesma cidade, uma boa residência e capela para as Irmãs Canossianas; mandou erigir, em Malaca, uma ampla escola; fundou, em Macau e Singapura, a Acção Católica e as Conferências de S. Vicente de Paulo; etc.
Um dia, célere correu nesta terra a notícia de que Sua Eminência breve partiria destas plagas. De facto, em sucessão do Patriarca das Índias, D. Teotónio Vieira de Castro, o Sumo Pontífice Pio XII elegeu o Sr. D. José da Costa Nunes, em 11 de Dezembro de 1940, Arcebispo Metropolitano de Goa e Damão, Primaz do Oriente, Patriarca das Índias Orientais e Arcebispo titular de Cranganor. Tomou posse da sua arquidiocese em 18 de Janeiro de 1942.
Durante 11 anos, D. José da Costa Nunes governou a histórica e gloriosa igreja metropolitana de Goa, realizando uma acção apostólica que encheu do maior prestígio o nome de Portugal no Oriente, rasgando à vida do Patriarcado das Índias Orientais as mais vastas perspectivas. Foi o grande impulsionador da causa de beatificação do apóstolo de Ceilão, Venerável Padre José Vaz, sacerdote goês, cuja causa de novo introduziu em Roma. O culto de S. Francisco Xavier teve também, durante o pontificado de D. José da Costa Nunes, um incremento valioso. O mesmo se pode dizer da forma como promoveu a educação e preparação do clero missionário. Tornaram-se célebres as suas Cartas à Juventude, publicadas no órgão oficial da arquidiocese.
Em 1953, após meio século de intensa actividade apostólica no Oriente Português, o Patriarca D. José da Costa Nunes pediu a sua resignação. Em homenagem ao grande Prelado Missionário, que incarnava perfeitamente o espírito de dilatação da Fé da nossa Pátria, o Papa Pio XII concedeu a Rosa de Ouro à cidade de Goa, em Setembro de 1953 e foi ainda nesse ano de 1953, em Fevereiro, que Sua Eminência, talvez sentindo-se para sempre ligado a esta terra, onde afinal tivera passado quase 43 anos da sua vida missionária, aqui voltou em romagem de saudade. E aqui foi recebido com um alvoroço como até então não havia memória. Aos 16 de Dezembro desse mesmo ano, a Santa Sé aceitou-lhe a resignação e, conservando-lhe o título pessoal de Patriarca, elegeu-o Arcebispo de Odessa e Vice-Camerlengo da Santa Sé. Passou, por isso desde então, a residir na Cidade Eterna, vindo a ocupar, mais tarde, a presidência da Comissão Pontifícia para os Congressos Eucarísticos Internacionais. Posteriormente, foi nomeado Consultor das Sagradas Congregações Romanas da Disciplina dos Sacramentos, da do Concílio, da dos Religiosos, da Fé, e da dos Negócios Eclesiásticos Extraordinários. Também é membro da Comissão Central Preparatória da Concílio Ecuménico. 
Desde a sua chegada a Roma, o Sr. D. José da Costa Nunes fez-se rodear de tal prestígio pelo seu talento e dinâmicas qualidades de organizador, que, em todos os Consistórios, desde então efectuados, o seu nome esteve apontado para ascender à sagrada púrpura.”

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