domingo, 22 de abril de 2012

Monsenhor Manuel Texeira: exposição colectiva

Nove criadores - Sah, Gigi Lei, Debby Sou, Fernando Simões, Victor Marreiros, Leong Chi Hang, Jorge Valentim, Elisa Vilaça, Eduardo Magalhães - de Macau mostram os seus trabalhos inspirados na figura de Monsenhor Manuel Teixeira. Para ver até 4 de Maio na Casa de Portugal em Macau. Obras feitas com recurso às mais variadas técnicas, desde a cerâmica vidrada e esmaltada à arte digital.
(esq) Monsenhor a tinta da China por Fernando Simões 
(dta) Monsenhor bebendo chá com um monge de trajes laranja em frente à Sé (Victor Marreiros)
Monsenhor 3D: feito em papel reciclado, rodeado de placas toponímicas e de uma imagem da Ponte Nobre de Carvalho. Trabalho de Elisa Vilaça

sábado, 21 de abril de 2012

Serão Macaense “Monsenhor Manuel Teixeira”

No dia 18 de Abril teve lugar no auditório do Instituto Internacional de Macau, mais um Serão Macaense, desta vez, dedicado ao padre, missionário e historiador tão conhecido de Macau, Monsenhor Manuel Teixeira. Os oradores foram Eduardo Francisco Tavares, antigo aluno e amigo de Manuel Teixeira e Fernando Vinhais Guedes, visitante diário do Monsenhor nos últimos anos da sua vida, em Chaves. A sessão contou com uma acesa participação do público e foi forma de relembrar um amigo de Macau, cem anos depois do seu nascimento.
Esta iniciativa foi apenas uma, de uma série de actividades agendadas pelo IIM para a comemoração do centenário do nascimento do Monsenhor. Paralelamente à sessão, foi apresentada, numa outra sala do IIM, uma exposição colectiva de artistas de Macau, co-organizada pelo IIM e pela Casa de Portugal em Macau, concebida especialmente para as comemorações e cuja inauguração será no dia 19, na Casa de Portugal. No final da sessão foi descerrado o troféu do Prémio Identidade 2003 do Instituto Internacional de Macau, atribuído mas nunca entregue a Monsenhor Manuel Teixeira, por ter sido deliberado no ano do falecimento do mesmo. O Bispo D. José Lai foi convidado a descerrar o troféu, que ficará exposto no IIM. Este prémio, instituído em 2003, cujo primeiro recipiente foi o Monsenhor, visa agraciar pessoas ou instituições cujo trabalho seja de relevância indiscutível para a manutenção e divulgação da Identidade de Macau.
Texto e Fotos do IIM

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Monsenhor Manuel Teixeira: uma (de muitas) entrevista(s)

“E como era Macau, à sua chegada? « Era uma aldeia portuguesa ao lado de um aldeia chinesa. Havia apenas uma taberna portuguesa, pertencente a um transmontano chamado Rocha, casado com uma japonesa,. Era muito meu amigo. Um dia suicidou-se. O resto estava tudo nas mãos dos chineses» Ou seja, como conta, os portugueses ocupavam as repartições públicas e com isso se bastavam. Todo o comércio pertencia aos chineses – «Era uma harmonia perfeita»
As piores memórias são as do tempo da Guerra. Macau não escapou aos seus reflexos e a fome não poupou muitos. Depois, veio a Revolução Cultural e os excessos. Conta «Estava na Igreja de S. Lourenço e recebo um telefonema dizendo que o Leal Senado estava a ser invadido e destruída a sua documentação. Corri para lá e já estava tudo cá fora, atirado pelas janelas. Comecei a apanhar os papéis, quando apareceu uma viatura com ordem para carregar e queimar os arquivos. O quê? Queimar 300 anos de história de Macau? Falei com o governador Nobre de Carvalho e ele deu-me autoridade para me opor a esse desígnio. Fiquei durante três dias a apanhar a papelada toda. Dois terços dos arquivos foram salvos». mas os comunistas seguidores de Mao «dominavam a cidade – era perigosos andar na rua» Foi contemporâneo de Pessanha e de Wenceslau de Morais. (…) De Pessanha, diz que lhe admirava o talento, mas não o carácter. Guarda dele uma imagem bem pouca abonatória. De Morais, evoca a sua frustração por não ter sido promovido a comandante da capitania dos portos de Macau – «Furioso, foi ao Japão e não voltou mais». (…)
Esteve a um passo de embarcar para Timor, estudou, por isso, o dialecto tétum, mas a hierarquia mudou de intenções e continuou em Macau. «Se tivesse ido, hoje estava fuzilado». Em contrapartida, passou 15 anos em Singapura, entre 1947-1962 e sentiu que o padre era procurado para resolver todos os assuntos que afligiam os paroquianos. …”
Excerto do livro Macau: diário sem dias. Editorial, Lisboa, 1999, de Dinis de Abreu 
Entrevista efectuada em 1999 tinha Monsenhor Manuel Teixeira 87 anos
"Macau: diário sem dias" é o testemunho  dos últimos dias da  administração portuguesa.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Monsenhor Manuel Teixeira: o 'mordomo' do território

Monsenhor é um título eclesiástico de honra conferido aos sacerdotes da Igreja Católica pelo Papa. O título normalmente é abreviado como "Mons." O monsenhor não tem uma autoridade canônica maior que a de qualquer. Só se distingue de um padre comum pelo título honorífico.
Monsenhor Manuel Teixeira na sala de trabalho e de desacanso no Seminário de S. José.
Fotografado para a National Geographic de Novembro de 1992.
Mons. M. Teixeira escreveu mais de 100 livros sobre os portugueses no Oriente com especial enfoque em Macau onde viveu 77 anos. Era uma espécie de 'mordomo' do território para os visitantes estrangeiros que procuravam algo mais que uma estadia turística.
Sobre ele, a sua vida e a sua obra, recomendo "O homem e a obra", elaborado a propósito de uma exposição realizada em Lisboa.
Mons. M. Teixeira tem uma rua com o seu nome em Miraflores, Algés (Oeiras). Falta em Macau. Para assinalar o centenário o Instituto Internacional de Macau vai editar um livro sobre a sua vida e obra. O Museu do Oriente organiza uma conferência a 23 de Maio. Há poucos dias, o IIM e o IPOR organizaram sessões de evocação em Macau.
O Centro Científico e Cultural de Macau em Lisboa tem à guarda o espólio de M. Teixeira. Inclui mais de 3 mil livros e centenas de fotografias e demais documentos.
Coordenação de textos e direcção de edição de Beatriz Basto da Silva.
Edição: Missão de Macau em Lisboa e Instituto Cultural de Macau. 1999

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Monsenhor Manuel Teixeira: evocação de uma vida

... título de uma conferência a cargo de Beatriz Basto da Silva agendada para o próximo dia 23 de Maio no Museu do Oriente, em Lisboa. Sala Beijing, às 18 horas. Entrada livre.

Curiosidade:
Em 1992, para comemorar o 80º aniversário do Padre Manuel Teixeira, a Biblioteca Central de Macau (BCM) publicou um boletim bibliográfico intitulado “O Homem e a Obra”, onde é possível encontrar fotografias e a referência de todas as publicações de sua autoria então existentes na Biblioteca Central de Macau.
Em 2001, antes do regresso a Portugal, Monsenhor Manuel Teixeira foi convidado pela BCM a assinar as suas obras que pertencem à Biblioteca. O seu espólio, conservado na Sala de Macau da BCM, inclui: 130 títulos, editados entre 1937 e 1999, 305 analíticos, referentes a diversas publicações periódicas e uma bibliografia passiva com 27 títulos.
Até 4 de Maio na Casa de Portugal em Macau está patente esta mostra colectiva

terça-feira, 17 de abril de 2012

Padre Manuel Teixeira, Silva Mendes e o mistério de um manuscrito

Neste ano de 2012, mais concretamente em Abril, evoca-se o centenário do nascimento do Padre Manuel Teixeira (15 de Abril de 1912, Freixo-de-Espada-à-Cinta – 15 de Setembro de 2003, Chaves), o que é um pretexto para lembrar a figura e para convocar a história do Território enquanto "ars inveniendi", esse processo lógico de criação de narrativas interculturais com um assinalável peso valorativo.
O valor do trabalho histórico e historiográfico, empreendido pelo Padre Teixeira ao longo de uma vida, não deixa ninguém indiferente, tal a sua magnitude e pluralismo temático. Dificilmente se lobriga um palmo da história de Macau onde ele não tenha tocado, salvo um documento, cerzido uma teoria, aventada uma hipótese, recolhido um testemunho ou valorizado o papel da Igreja. Sem esquecer que escreveu imensa Poesia, boa parte dela editada no ‘Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau’, onde refulgem temas místicos e apologéticos. Todos lamentamos que não tenha tido tempo e oportunidade para escrever as Memórias da sua vida em Macau, e das suas andanças em Singapura, muito embora tenha derramado na imprensa (por exemplo, no "Macau Hoje" ou na "Gazeta Macaense") inúmeros textos autobiográficos e memorialísticos.
Como tantos compatriotas, conheci e privei com o Padre Manuel Teixeira numa Macau de fim de século que já não existe, e dele guardo a memória de um vero embaixador cultural de Portugal, para além da estima pessoal e da admiração intelectual por uma obra ímpar. E a obra aí está, mais de cem volumes (muitos a carecer de reedição), alguns traduzidos para chinês, inglês ou japonês, centenas de estudos dispersos em revistas e milhares de artigos espalhados na imprensa (todos à espera de uma laboriosa inventariação a fazer por gente que ame o ofício), tudo dedicado a Macau e à presença dos portugueses no extremo oriente. De resto, é bem conhecida esta resposta do Padre Teixeira quando lhe perguntaram sobre o modo como gostaria de ser lembrado: "o homem é pó, a fama é fumo e o fim é cinza … só os meus livros permanecerão … e essa é a minha consolação !". E é verdade.
Gostaria de, muito ao de leve, comentar a forma como o Padre Teixeira tratou de alguns pormenores da biografia de Manuel da Silva Mendes, um dos mais categorizados intelectuais portugueses radicados em Macau, ainda Portugal era uma monarquia. Os seus ideais abertamente republicanos, a sua afeição ao socialismo libertário (publicou em 1896, "Socialismo Libertário ou Anarquismo", reeditado há poucos anos) e a sua ligação à filosofia taoista chinesa, cedo o deixaram indiferente e imune à tutela moral e religiosa exercida por alguns elementos mais interventivos do padroado português do oriente sobre a comunidade portuguesa. Esta hostilidade educada e cortês, mais céptica do que cínica, magistralmente descrita por Flaubert, não obstava a colaborações pontuais, para integrar comissões diocesanas de belas artes, a solicitação, por exemplo, do padre José da Costa Nunes, ou para colaborar em publicações dessa mesma área.
Manuel da Silva Mendes tinha aprontado um livro, "Macau Antigo", cujo manuscrito fora entregue, para ser composto, à Tipografia do Orfanato da Imaculada Conceição. A inesperada e prematura morte do autor fez com que o manuscrito ficasse esquecido, provavelmente até da própria família, legítima proprietária do documento. No importante livro, "Liceu de Macau"(publicado pela Direcção dos Serviços de Educação, cuja 3ª edição é de 1986), o Padre Manuel Teixeira traça a biografia de Manuel da Silva Mendes, porque ele tinha sido Professor e Reitor do Liceu. Aí é referido esse lamentável episódio da destruição do manuscrito, de um livro póstumo, "Macau Antigo", de Manuel da Silva Mendes, invocando-se o testemunho de Luís Gonzaga Gomes e dos autores materiais dessa mesma destruição, os padres salesianos que dirigiam a Tipografia do Orfanato da Imaculada Conceição, possivelmente aterrados com as heresias e com a expressão de um pensamento jacobino e maçónico. Dizia o Padre Teixeira "é que essas páginas dum homem que morreu sem sacramentos eram irreligiosas e ofensivas das instituições monásticas de Macau" e, ainda, afirmando com indignação, "essas páginas, se fossem publicadas, seriam não só um insulto à Igreja, mas também à memória de Silva Mendes, que em geral era equilibrado e moderado".
Nesses anos trinta, a par da lenta alvorada do Estado Novo, ainda se vivia na ressaca das perseguições religiosas da primeira república, pelo que o comentário do Padre Manuel Teixeira, umas dezenas de anos depois, ainda se assemelha a um ajuste de contas vindo lá do fundo da história. Ficamos a saber que a intolerância não se dissolve com o tempo, nem com a cultura. O manuscrito continha setenta páginas e foram destruídas sessenta e oito. O Padre Manuel cita abundantemente essas duas páginas remanescentes com um escusado acinte, pouco cristão de resto, chegando ao ponto de dizer que Austin Coates era um discípulo de Silva Mendes no respeitante às pretensas calúnias dirigidas aos franciscanos e às clarissas. E o que escreveu Manuel da Silva Mendes?: "quis, em primeiro lugar, rir-me um pouco, e também, em segundo abaixar alguns pontos, por me parecer mais conforme com a verdade, vista do século vinte, no geral superlativo de virtudes a que os antigos escritores elevaram tudo, todos os frades e todas as freiras". O comentário do Padre Teixeira é lacónico na sua rispidez moral: "pois bem; os Salesianos deram um golpe de misericórdia nesta tacanha pretensão".
Mas, a história não acaba assim. Uma pessoa não identificada, talvez um sacerdote salesiano desavindo com a ortodoxia interna, talvez um tipógrafo, leu o manuscrito na sua integralidade e, provavelmente devido ao prestígio intelectual e social de Manuel da Silva Mendes teve a intuição clara da polémica nascente e tomou a decisão de fazer, confidencialmente, uma cópia manuscrita. Previa a sua destruição, à revelia da família do autor, e estaria seguro de que esse texto era realmente importante para o delineamento do pensamento do seu autor. É crível que tenha sido um tipógrafo, fazendo jus a uma aura de ilustração e saber de que essa corporação merecidamente gozava. Imagine-se, agora, quem terá sido o destinatário desse documento? Nem mais nem menos do que um professor no Seminário de S. José, amigo do Padre Manuel Teixeira, de nome José Maria Braga, conhecido também como Jack Braga. Essa sorte poderia ter calhado a Charles Boxer, outra figura central no estudo da história de Macau.
Esse misterioso manuscrito não saiu de Macau, esteve sempre bem acondicionado na biblioteca particular de Jack Braga. O mistério continua. Jack Braga publicou tantos títulos, publicitou imensos documentos, este, porém, permaneceu intocável e inédito. Por outro lado, Jack Braga não teve a coragem de desvendar este segredo ao Padre Manuel Teixeira, de quem era amigo. A doação do manuscrito teria implicado um perpétuo sigilo, quanto à fonte e quanto à publicidade? O mistério terminou justamente após a alienação da Biblioteca de Jack Braga à National Library of Australia, cujo Catálogo tem o título "The Portuguese in Asia and the Far East: The Braga Collection in the National Library of Australia". O manuscrito aí repousa, com 69 páginas, disponível mediante microfilmagem.
Bem andaria o Arquivo Histórico de Macau em providenciar a sua aquisição, enriquecendo assim o seu fundo documental, e promovendo a sua edição. Este pequeno episódio não merece uma linha na biografia intelectual do Padre Manuel Teixeira, sequer belisca a sua grandeza, mas pode ilustrar como uma combatividade obsessiva redunda, invariavelmente, numa infeliz tautologia moral.
Neste ano em que se celebra o centenário do nascimento do Padre Manuel Teixeira, tomo a liberdade de sugerir à doutora Edith Silva, directora da Escola Portuguesa de Macau, que pondere a criação do "Prémio Padre Manuel Teixeira" destinado a galardoar o estudante melhor classificado na disciplina de História, honrando-se a memória e o legado de um homem que dedicou a sua vida e a sua inteligência a Macau.
Artigo de António Aresta publicado no JTM de 16-04-2012

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Verdadeira Instituição

Este é o título de um poema que António Estácio dedicou a Monsenhor Manuel Teixeira em 1993 no livro "Roda de Amigos" com que celebrou 21 anos de vida em Macau.

Inda o sol não é nascido,
Mal rompe a claridade,
Sempre de branco vestido (1)
Lá vai ele pela cidade.
Com a sua batina ao vento
Cruzo com ele muita vez
Nas línguas é um protento
Põe grego qualquer chinês. (2)
Tem por conta o Seminário, (3)
Passa a ponte à tardinha,
Reza sempre o breviário
E às vezes a ladaínha.
E embora muito ocupado
Inda escreve os "Grãozinhos"
Tendo mesmo até fundado
Um lar (4) para pobrezinhos.
Já correu o mumdo inteiro
Desde Seul a Ourique
Nos jornais pede dinheiro
Que manda para Moçambique. (5)

Homem de grande franqueza,
Dir-vos-ei que apenas troca,
Os prazeres da boa mesa
Por uma terna beijoca.
Não conhece o desalento
É bastante emocional,
Transmontano cem por cento
É de Freixo (6) natutal.
Verdadeira instituição
Da terra que o acolheu
Traz Macau no coração
Com  força que Deus lhe deu.
Assim deixo retratado,
De forma muito ligeira,
Como já tereis notado
O nosso Padre Teixeira.
(1) Era conhecido como o "Irmão branco".
(2) Falava muito mal o cantonense.
(3) Viveu durante anos sozinho na ala velha do Seminário de S. José. 
(4) Em Chaves.                                                                                    
(5) Onde tinha uma irmã que era freira.
(6) Freixo de Espada à Cinta.

domingo, 15 de abril de 2012

Monsenhor Manuel Teixeira: centenário do nascimento

Monsenhor Manuel Teixeira (15 Abril 1912 - 15 Setembro 2003) foi uma figura inconfundível em Macau, um autêntico mito. Ao fim da tarde, com uma sotaina branca, barba patriarcal também branca, era vê-lo a cruzar a pé a Ponte Nobre de Carvalho para exercitar o físico e para melhor cogitar nos dilemas do Território, da sua história e das suas gentes. Ou em recepções , lançamento de livros , conferências e exposições de arte, o dom da ubiquidade parecia ser um atributo deste homem bom.
Homenagem em 1999. Quando lhe perguntavam a idade costumava responder que era mais velho que o seu conterrâneo de Freixo de Espada à Cinta, Jorge Álvares... o primeiro a 'aportar' na China em 1513.
Conservador, nacionalista, apaixonado pela História e pela vocação imperial de Portugal, o Padre Teixeira acumulou distinções e amizades, sem perder a coerência nas convicções, a rudeza fraterna de um transmontano de gema e a simplicidade no modo de ser e de estar.
Aportou a Macau no longínquo ano de 1924, a bordo do paquete “D’Artagnan”, para prosseguir estudos no Seminário de S.José. Tinha doze anos de idade esta criança que saiu de Freixo-de-Espada-à-Cinta, rumo à China, a Macau. Foi uma formidável aventura e só lamento não ter gravado a memorável descrição que lhe ouvi, a par de outras histórias com insinuantes cumplicidades, numa discreta tertúlia de amigos, acompanhado pela sua hospitaleira “água da Escócia”. Era um grande conversador.
Ordenado sacerdote por D.José da Costa Nunes, celebra a sua primeira missa em 1934, na Igreja de São Domingos. Foi o início de uma longa e multifacetada carreira religiosa. Fora de Macau, foi colocado como Superior e Vigário-Geral das Missões Portuguesas em Malaca e Singapura, entre 1946 e 1962.
Na pequena monografia dedicada ao Hotel Bela Vista, regista esta pequena recordação malaia : “um dia, no interior da Malásia, na cidade de Batu-Gajah (Elefante de Pedra) dava eu um dos meus passeios habituais de incorrigível ‘Johnny Walker’, quando um auto para ao meu lado e o ocupante me interpela :
- Onde mora ?
- Com o casal inglês Mr. e Mrs. John Hemphill.
- Não conheço. Qual é a sua pátria ?
- Portugal.
- ‘Alma minha gentil que te partiste’ ….e recita todo o soneto de Camões.
- Quem é o senhor ?
- O Governador da terra.
- Onde aprendeu português ?
- Em Macau, nos anos que lá passei como cadete a estudar chinês, hospedado no Hotel Boa Vista “.
Em paralelo com o seu múnus religioso emerge a sua paixão pela História.
Esquadrinhou de lés a lés a história de Macau e a história de presença de Portugal no extremo oriente, salvando fontes documentais, delineando biografias, acolhendo legados, reconstituindo documentos, recolhendo fotografias , entrevistando protagonistas ou acumulando um enorme epistolário.
A sua biblioteca era imensa, uma babel desordenada onde ele se movia com uma misteriosa ordem através de uma imaginária cartografia. Um livro que me ofereceu, “O Conde Benyowsky em Macau”, edição bilingue em português e em inglês, estava literalmente soterrado sob uma montanha de manuscritos e de folhas avulsas. Mas, sabia onde estava e localizou-o com facilidade.
A sua vida transbordou de trabalhos. Poderemos discordar da sua metodologia de investigação ou dos contornos ideológicos que imprimiu às narrativas, mas reconhecemos a grandeza e a indispensabilidade da obra que nos legou. Sem o labor do Padre Teixeira, o conhecimento de Macau seria mais pobre, mais imperfeito e mais lacunar. A dívida é imensa. Mas, como dizia Cícero, ‘ubi veritas’, onde está a verdade?
Edição de 1997 do ICM; a original é de 1978
Publicou cerca de 140 livros, alguns dos quais traduzidos em chinês, inglês e japonês. Artigos na comunicação social de Macau, e do estrangeiro, estima-se que ultrapassem os 4000. É um trabalho por fazer, o levantamento completo da bibliografia do Padre Manuel Teixeira.

Vale a pena recordar algumas das suas obras mais marcantes: “Macau e a sua Diocese”, 16 volumes, 1940-1979 ; “Os Militares em Macau”, 2ª ed., 1984 ; “Pagodes de Macau”, 1982 ; “Liceu de Macau”, 3ª ed., 1986 ; “Macau no Século XVIII”, 1984 ; “Japoneses em Macau”, 1985 ; “A Medicina em Macau”, 2 vols., 2ª ed., 1998.
Dirigiu importantes publicações, tais como o “Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau” , os “Arquivos de Macau” , o “Boletim do Instituto Luís de Camões” e manteve uma colaboração diária na imprensa de Macau, por exemplo, na “Gazeta Macaense” e no “Macau Hoje”, para referirmos apenas os mais recentes e que já só existem nas hemerotecas.
Era membro de várias agremiações tais como a Academia Portuguesa de História, a Academia de Marinha, a Sociedade de Geografia de Lisboa ou a Associação Internacional dos Historiadores da Ásia. Foi Professor no Seminário de S.José, na Escola Comercial Pedro Nolasco e no Liceu Nacional Infante D.Henrique. Da Universidade da Ásia Oriental , de Macau, recebeu um Doutoramento Honoris Causa. Ao longo dos anos foram-lhe outorgadas diversas distinções , Oficial da Ordem do Império Colonial , a Comenda da Ordem do Infante D.Henrique , a Medalha de Valor e a Grão-Cruz da Ordem Militar de S.Tiago de Espada.
Gostaria de recordar uma faceta pouco conhecida do Padre Teixeira. A Poesia. O Padre Teixeira escreveu imensa poesia. De feição vincadamente religiosa e apologética, a sua poesia retrata os anseios da missionação e do proselitismo num mundo que tinha deixado de existir depois da Conferência de Berlim. A poesia que ora apresentamos foi escrita em Dezembro de 1937 e foi publicada num número do “Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau”, do qual era director e editor, integralmente dedicado às Missões de Timor :
“Leitor amigo : atende e vê que a história
Das Missões de Timor é tal qual,
A teia de Penélope … Afinal ,
Tecer e destecer é lida inglória …
Taveiro planta a Cruz …. E esta vitória
Faz de Timor troféu de Portugal !
Avança a Fé … Mas que golpe liberal
Eclipsa, em trinta e quatro, tanta glória …
Medeiros surge alfim … e por Timor
O sangue e a vida dá heroicamente …
Novo tufão sepulta este fulgor,
E o céu se abisma em trevas de repente …
Hoje um novo astro, cheio de esplendor,
Refulge em D.José, qual Paulo ardente ! “
Há uma nítida ressonância ideológica, com a fé a dilatar e a purificar o império. Outros tempos e outros protagonistas de uma cosmovisão portuguesa que é anterior à monarquia constitucional, atravessou a República, o Estado Novo e terminou em 1974.
E nada melhor do que um Poeta, neste caso, António Manuel Couto Viana, para endereçar esta ‘Carta a Monsenhor Manuel Teixeira’, escrita em Maio de 1998 :
“Querido Monsenhor : 
Que saudades de si! 
Como o recordo em São José, sábio, a compor
A História de Macau que conheci !
Com a batina branca, a longa barba branca,
Vejo-o, pela cidade, em todo o lado :
A memória tão viva, a palavra tão franca,
Estimando e estimado.
Foi meu Mestre, escutei-o, com pasmo e com respeito :
E quanto me ensinou ! Sabia ?
Por seu ensino é que escrevi, do peito,
Macau em poesia.
Querido Monsenhor Manuel Teixeira :
Graças à sua obra, gloriosa já,
Mesmo depois da troca da bandeira,
Macau, a Portuguesa, ficará ! “
O seu auto-retrato foi por si fixado deste modo: “o homem é pó, a fama é fumo e o fim é cinza (…) só os meus livros permanecerão (…) e essa é a minha consolação”.
Fechou os olhos em 2003, com 91 anos, na Casa de Santa Marta, em Chaves.
Artigo da autoria de António Aresta publicado no JTM em 16-09-2010

sábado, 14 de abril de 2012

IIM recorda Monsenhor Manuel Teixeira

Em mais um "serão macaense" o Instituto Internacional de Macau convidou Eduardo Tavares e Fernando Vinhais Guedes para uma palestra  no dia 17 de Abril às 18 horas a propósito do centenário do nascimento de Monsenhor Manuel Teixeira.
Paralelamente decorre uma pequena exposição de obras de artistas de Macau, co-produzida com a Casa de Portugal de Macau, para o efeito.
Local: Instituto Internacional de Macau - Rua de Berlim, Edf. Magnificent Court


Nota: a partir do dia 15 (nasceu neste dia há 100 anos) e até ao final do mês, os post's do blog são dedicados a Monsenhor Manuel Teixeira

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Jovens macaenses à procura das raízes


Está a decorrer em Macau o II Encontro da Comunidade Juvenil Macaense. No dia 14 de Abril, o Instituto Internacional de Macau recebe os participantes  numa sessão  onde será apresentada a instituição aos jovens macaenses da diáspora e onde serão divulgadas as mais recentes edições do IIM. Um dos livros intitula-se mesmo “Filhos da Terra – A Comunidade Macaense, Ontem e Hoje”, de Alexandra Sofia Rangel. Reproduz a dissertação de mestrado sobre os “filhos da terra”, descendentes de várias gerações de cruzamentos de portugueses com orientais, resultando desta miscigenação uma comunidade com características próprias. Aborda aspectos como a culinária, o dialecto (patuá) e as festividades tradicionais resultantes da base cultural portuguesa e das influências recebidas dos países asiáticos vizinhos do território com mais de 400 anos de presença portuguesa.

Nota: o livro "Macau 1937-1945: os anos da guerra" será apresentado em Macau no âmbito das comemorações do 10 de Junho, 'Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas'. (detalhes a confirmar)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A viagem do "Pátria" em 1924

Há 88 anos estavam algures nos céus dois portugueses dentro de um avião com uma rota traçada: Macau. Venha daí!  Embarque nessa viagem!
A primeira ligação aérea entre Portugal e Macau iniciada a 7 de Abril de 1924 a partir de Vila Nova de Mil Fontes nasceu da primeira tentativa da viagem aérea à Madeira, que Brito Pais e Sarmento de Beires tentaram concretizar em 1920.
Na esperança de poderem levar avante o sonho da travessia aérea do Atlântico Sul e constatando que o Governo português pouco interesse manifestava em relação a estes feitos, os pilotos recorreram a uma subscrição pública conseguindo uma verba para a compra de um Breguet de bombardeamento nocturno que outrora tinha servido na 1ª Guerra Mundial. Adquirido o avião Breguet 16 Bn-2 com um motor Renault de 300cv foi necessário fazer algumas alterações, nomeadamente retirar-lhe grande parte da sua carga militar e introduzir-lhe depósitos de gasolina suplementares, de forma a aumentar o seu raio de acção. O «Pátria», nome que lhe será atribuído terá como tripulantes, o Major Brito Pais, o Major Sarmento de Beires e o Mecânico Alferes Manuel Gouveia, que se juntou à tripulação em Tunes. Segundo Brito Pais a viagem tinha dois objectivos principais: A ida a Macau e não permitir que a aviação Portuguesa estagnasse. Os contratempos foram de vária ordem com condições atmosféricas bastante adversas, desde tempestades de areia, calores intensos e cartas geográficas sem rigor, o «Pátria» acaba por aterrar no deserto de Thur na Índia, totalmente danificado. Depois do sucedido, chega de Portugal, a notícia de que o Governo autoriza a compra de um novo avião. No dia 7 de Maio o «Pátria I» é substituído por um Havilland Liberty, DH9 de 400cv, comprado na Índia por 4.700 libras, baptizado com o nome de «Pátria II». Para que o «Pátria II» pudesse prosseguir viagem, Manuel Gouveia não acompanha o resto dos tripulantes por uma questão de lotação da aeronave seguindo directamente para Macau. 

Emissão filatélica de 1999: nos 75 anos da viagem
A viagem aproxima-se do fim e no dia 20 de Junho, o «Pátria II» deixa a Indochina rumo a Macau. Por razões de mau tempo, a tripulação viu-se forçada a fazer uma aterragem de emergência numa povoação chinesa junto a Hong Kong depois de ter sobrevoado Macau, tendo o avião ficado danificado embora sem consequências para os pilotos. 
Uma lancha canhoneira - a "Macau" - veio de Macau até Hong Kong para levar consigo os tripulantes. No território após horas à espera a população temeu o pior quando a certa altura viu a bandeira de Portugal a meia haste no Palácio do Governo. Mas nada tinha a ver com os pilotos, mas antes um membro do corpo diplomático que morrera na China.
Sobre o mar, montanha e deserto, o Pátria percorreu 16.380km voados em 115h e 45m para chegar a Macau.
Ainda hoje se encontram no Clube Lusitano de Hong Kong um painel formado com partes do avião para sempre ligado a este feito da Aviação Portuguesa. Em Portugal sugiro uma visita ao Museu do Ar.
No livro de Sarmento de Beires "De Portugal a Macau: a viagem do Pátria" (há uma primeira edição de mais de 200 páginas com muitas ilustrações logo em 1925 da Seara Nova; a 2ª edição é de 1953) pode ler-se sobre Macau:
"A península minúscula em que a secular cidade portuguesa dos confins da Ásia se comprime, na desordem dos seus bairros, entre as Portas do Cerco e o mar, parece a palma da mão que a China estende ao Pacífico, como a mendigar-lhe a esmola das suas ilhas aveludadas e sombrias. A Praia Grande, avenida quase circular, faz a curva entre a chave da mão e o polegar, onde a capelinha da Guia se alcandora no topo de uma colina."
Uma récita que evocou o feito no teatro D. Pedro V a 4 de Julho de 1924
Nota: existem diversos posts relacionados com este tema pelo que sugiro utilização do campo de pesquisa. Em breve vou disponibilizar alguns recortes dos jornais portugueses da época.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Próximas edições do IIM

 Números 3 e 4 da colecção "Suma Oriental"
Numa entrevista a Hélder Fernando publicado no jornal Hoje Macau a 2-4-2012, Jorge Rangel, presidente do IIIM revelou algumas das actividades que o instituto leve a cabo até ao final do ano.
"Muitas edições. Por exemplo, vem a caminho o livro de João Botas sobre “Macau, 1937-1945, os Anos da Guerra”. Um livro muito bom, havia pouco matéria escrita sobre esse período, relacionada com Macau, e que foi vivido com enormes dificuldades. O que existe está disperso. Faremos uma homenagem ao padre Manuel Teixeira, onde estará presente o professor Vinhais Guedes, que acompanhou, em Portugal, os últimos anos de vida dele. Entretanto, no campo das edições, como temos a colecção “Missionários para o século XXI”, vamos editar mais dois livros, um deles dedicado a Manuel Teixeira, uma vez que é o ano do centenário do seu nascimento.
Outro livro será lançado no próximo Encontro Juvenil Macaense. A autora, Alexandra Sofia Rangel - por acaso é a minha filha - concluiu o mestrado e fez um trabalho sobre os chamados “Filhos da Terra, a Comunidade Macaense Ontem e Hoje”. Teve uma alta classificação, 18 valores, na Faculdade de Letras de Lisboa, onde os professores a incentivaram a publicar o trabalho."

domingo, 8 de abril de 2012

A Capela do Leal Senado

A construção desta capela foi autorizada pela seguinte carta régia:
«A Augusta Prezença de Sua Mag.e subio o Officio désse Leal Senado em datta de 31 de Dezembro do anno proximo passado, em que expunha os motivos que o havião induzido a julgar consequente a distincção, com que o Mesmo Augusto Senhor se Havia Servido Honrallo no Dia da Sua Feliz Acclamação, a prerogativa de lançar de ora em diante os Despachos no Alto das Petiçoens; e posto que fosse sem duvida censuravel que o Leal Senado tomasse o arbitrio de o ficar assim praticando desde logo, quando hum sem.e arbitrio fora expressamente estranhado, e prohibido ao Governador e Cap.m G.1 Bernardo Aleixo de Lemos e Faria, Quiz S. Mag.e todavia dar mais este testemunho de Sua Real Benevolencia Permittindo q' essa Corporação possa dóra em diante no expediente de sua Administração lançar no Alto dos papeis os seus respectivos Despachos.
Pelo mesmo já citado Officio Ficou S. Mag.e informado do assento q' ahi se tomara para a creação de Oratorio nas Cazas do Senado, onde antes da Ordinaria Vereação dos Sabbados, se haja de celebrar Missa, com a intenção expressa naquella fundação: E tendo S. Mag.e approvado aquella deliberação do Leal Senado o Manda nesta occazião Declarar assim ao Bispo Diocezano para que elle haja de conseder as licenças necessarias para a erecção do pretendido Oratorio. O que por tanto participo a V. S.ª para sua intelligencia, e para que nesta conformidade se haja de dar as seguintes dispozições. D.s G.e a VS.ª Palacio do Rio de Janeiro em 28 de Sett.º de 1819.= Conde dos Arcos. S.res Juizes, Vereadores, e P.or do Leal Senado da Camara da Cidade do Nome de D.s de Macáo».
Edifício do Leal Senado nos primeiros anos do séc. XX. Foto (acima) do ACTD/IICT. Em 1937 o edifício foi restaurado. No exterior as grandes mudanças são visíveis na fachada principal (portas, janelas e símbolo da monarquia) e no telhado (deixou de existir).

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Confraria e Irmandade da Misericórdia

Perspectiva a partir do Largo do Senado. Madrugada do Verão de 2009. Foto de JB
A Santa Casa da Misericórdia foi fundada em Lisboa a 15 de Agosto de 1498, pela mão da Rainha D. Leonor e contou com o apoio do rei D. Manuel I. A Macau chegaria 71 anos mais tarde, em 1569, pelas mãos do bispo D. Belchior (ou Melchior) Carneiro (que chegara um ano antes) e com o nome de  Confraria e Irmandade da Misericórdia de Macau.
No “Compromisso", ou estatutos, ficamos a saber a finalidade do que começou por ser uma "Irmandade"  criada em Lisboa por cerca de uma centena de irmãos, que actuavam junto dos chamados "envergonhados", os pobres, presos, doentes a quem era dado um tecto, comida, roupa e medicamentos. "Existe para dar expressão organizada ao dever moral de solidariedade e de justiça social, dentro do espírito católico e de caridade cristã, que enforma as Misericórdias Portuguesas, para prosseguir entre outros os seguintes objectivos, mediante a concessão de bens e a prestação de serviços; apoio à integração social e comunitária; e protecção do cidadão na velhice e invalidez e em todas as situações de carência ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho."
A Rainha D. Leonor (viúva de D. João II) criou esta Irmandade como invocação a Nossa Senhora de Misericórdia, precisamente no ano em que os navegadores portugueses atingiam a Índia. O “Compromisso” (ou regulamento) originário da Misericórdia de Lisboa, foi aprovado pelo Rei D. Manuel I e depois confirmado pelo Papa Alexandre VI. Deste documento foram feitas diversas cópias. Uma edição impressa em 1516 permitiu a divulgação mais rápida do texto e facilitar a criação de 'réplicas' por todo o Reino e nos territórios de além-mar. Foi graças a D. Belchior Carneiro, o primeiro dos Bispos de Macau, que a Santa Casa se estabeleceu em Macau.
década 1970 vs década 1900
A Santa Casa está em Macau praticamente desde o estabelecimento dos portugueses em 1554. São quase cinco séculos de existência. No Largo do Senado destaca-se um edifício d cor branca classificado como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO. Esta fachada com traços neoclássicos é alvo predilecto das fotografias dos turistas e não pertence ao edifício original. Mas isso é outra história...
É de realçar o Núcleo Museológico, espaço que contêm um acervo de peças valiosíssimas da arte sacra, algumas datadas do século XVI. Foi recentemente ampliado e pode ser visitado. Falar da história de Macau é falar da história da Santa Casa. Foi e continua a ser assim...
 Inauguração do busto de D. Belchior nas instalações da Santa Casa, Verão de 2000
D. Belchior Carneiro chegou a Macau em 1568 e um ano depois criou a Santa Casa. É essa informação que dá numa carta dirigida ao padre geral jesuíta: "Quando cheguei a este porto, dito do nome de Deus, havia cá poucas habitações de portugueses... Mal cheguei, abri um hospital, onde se admitem tanto cristãos como pagãos... Criei, também, uma Confraria da Misericórdia... para prover a todos os pobres e envergonhados e aos que precisem..."
Sugestão de leitura adicional:
"O Compromisso da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Macau de 1893", de Leonor Diaz de Seabra, Centro de Publicações, Universidade de Macau, 2004