segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Porcelana "Fabricado em Macau" / "Made in Macau"

As marcas/carimbos da porcelana chinesa são um tema complexo e não é essa vertente que pretendo abordar neste post. Apenas e só referir a razão pela qual em muitos dos produtos surgem impressas expressões como "Made in Macau(o)" ou "Fabricado em Macau", quando na verdade não existiram fábricas de porcelana em Macau.
O fabrico da porcelana na China - em especial no sudeste do país - é muito antigo e os produtos começam a chegar à Europa depois do estabelecimento de Macau em 1557.

Vejamos então as origens do "Made in Macau" em algumas peças de porcelana.
As dita peças chegavam a Macau já feitas (sobretudo de Jingdezhen, na província de Jiangxi) e no território eram decoradas/esmaltadas - pintadas à mão - dando origem a uma indústria de da porcelana policromada que chegou a ocupar o quinto lugar entre as exportações industriais de Macau. 

A primeira produção de porcelana policromada em Macau começou em 1950 e cresceu bastante depressa, passando dos 5 milhões de patacas por ano na década de 1960 aos 26 milhões de patacas em 1979. Em Hong Kong também existiam destas indústrias mas o aumento do preço do imobiliário levou a uma transferência para Macau. Em 1981 Macau tinha mais de 40 fábricas de porcelana policromada, empregando um total de cerca de 2.000 pessoas. 
De 1980 a 1986 a exportação de porcelana "fabricada em Macau" teve crescimentos na ordem dos 20%. A partir da década de 1990 muitas das indústrias encerraram - as exportações de Macau cairam mais de 40% - sendo este tipo de manufactura transferido para a China continental.
Esta marca tem a particularidade de ter os caracteres chineses
da palavra Macau à esquerda e à direita.

Aqui também os caracteres chineses da palavra "Macau"










Handpainted in Macau

"Under Strict Supervision by H.F.P. Macau. Made In China"









domingo, 27 de dezembro de 2020

Folheto turístico "Macau" Soi Sang Printing Press: década 1930

Folheto turístico da década 1930. 
Em português, inglês e chinês. Com mapa. 
Tipografia Soi Sang




Travel Guide from 1930's. 
In chinese, portuguese and english. 
Printed by Soi Sang Printing Press.

 

sábado, 26 de dezembro de 2020

Carta para Faro: 1877

Carta enviada de Macau a 2 de Janeiro de 1877 por correio marítimo "Via de Gibraltar" com carimbo "Pago em Macao" no valor de "50". 
O destinatário morava em Faro na "província do Algarve".

 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

"Autógrafo: serviço telegráfico"

No Natal de 1934 os CTT de Portugal criaram um serviço telegráfico especial de "Boas Festas" (serviço BF) com impressos de diversos desenhos coloridos e textos fixos. O serviço voltou a efectuar-se na Páscoa de 1936 (serviço PAX). 
A partir desse ano alguns dos impressos passaram a seguir directamente, por via postal, desde o remetente ao destinatário, pelo que foram designados pela palavra "Directo", primeiro numa tira colada e depois impressa. Esta designação seria substituída pela palavra "Autógrafo" anos mais tarde.
Nas imagens deste post está um "Autógrafo" (criado em 1941) enviado de Portugal para Macau por via aérea para M. Lopes da Costa, alferes de cavalaria, no quartel de S. Francisco em Dezembro de 1951 agradecendo os "amáveis votos de boas festas". A correspondência seria recebida em Macau a 6 de Janeiro de 1952.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Igreja Mater Dei: Dezembro de 1603 a Janeiro de 1835

Inaugurada na noite de Natal de 1603 a igreja Mater Dei - "Mãe de Deus" - viria a ficar totalmente destruída - restou a fachada do que se conhece hoje por ruínas de S. Paulo - na noite de 26 de Janeiro de 1835.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Boas Festas /Season's Greetings

Feliz Natal e Bom Ano 2021 ! 
祝您聖誕快樂及新年快樂!
Merry Christmas and Happy New Year 2021 ! 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Praia Grande por Youqua: 1840/1870

O quadro acima - da autoria do pintor chinês Youqua - foi vendido há pouco tempo num leilão por cerca de 30 mil euros. Faz parte do período conhecido como "China Trade" sendo a pintura apenas um dos vários produtos integrados nesta 'corrente'.
As dificuldades em identificar a autoria destas pinturas são de tal ordem que os dois quadros  apresentados acima são iguais, mas algumas fontes não o atribuem a Youqua.
Em cima estamos perante uma aguarela também atribuída a Youqua.
Todos os quadros aqui apresentados têm uma característica comum: a baía da Praia Grande é vista de Sul para Norte uma perspectiva muito menos usada pelos pintores da época que recorriam mais à vista de Norte para Sul. Pintando no local ou tendo por base uma ilustração pode datar-se o quadro como sendo anterior a 1865 (ano da inauguração do Farol da Guia que não surge representado). Outro dos aspectos curiosos que notei foi o facto de não surgir na pintura o Fortim de S. Pedro, uma construção de meados do século 17.
Youqua (tal como Tingqua, Lamqua, Sungqua, etc...) está no pequeno lote de pintores chineses do período China Trade que deixou alguns dos trabalhos que fez assinados.
No activo entre 1830 e 1870, sabe-se muito pouco sobre quem foi Youqua. Começou por ter um estúdio/atelier no nº 34 da Old Street/Old China Street em Cantão. 
Numa edição de 1835 do jornal "The Chinese Repository" refere-se a existência de 30 ateliers de pintores em Cantão.
O francês Jules Itier (1802-1877) que andou pela China e por Macau em 1844 quando publicou o diário dessa viagem (em 1848) refere-se ao atelier de Youqua: 
"Il y a, dans Old-China Street, un magasin des plus renommés pour ses peintures à la gouache sur papier dit de riz, comme pour les dessins aut trait et les tableaux à l’huile qu’on y fabrique. Je me sers de ce mot, parce que ‘est réelement une fabrique que l’atelier du célèbre Yom-qua."
In 1856, Samuel Wells Williams no Chinese Commercial Guide refere existirem em Cantão "milhares de mãos" empenhadas na produção de pinturas para exportação.
"Pictures; oil paintings, rice paper pictures. There are many shops in Canton, Whampoa, and Hong Kong, where maps and charts are copied, and scenes in oil are made in large quantities, priced from $3 to $100 a piece; pictures and engravings are accurately copied, and some of the views and Chinese landscapes are well drawn. The paintings on pith paper are well known. (...) The copying of miniatures or engravings on ivory also forms a branch of industry of some importance; and the finer specimens of work of these artists are very beautiful. Outline designs in India ink, of the crafts and professions among the Chinese, are sold in books at a cheap price, and some of them are admirably designed. Of all these the number annually carried away is very great, and their manufacture furnishes employment to hundreds of workmen."
Alguns anos mais tarde, em 1862, encontramos nova referência a Youqua. Desta feita por  Félix-Sébastien Feuillet de Conches (1798-1887), diplomata, jornalista, escritos e coleccionadro de arte, no livro "Causeries d’un curieux: 
"L’atelier de Joé-Koa, à Canton, est tout à fait dans le meme style. Plusieurs centaines d’ouvriers, plus qu’à-demis nus, à cause de la chaleur, y travaillent sous la direction de contremaîtres."
Por volta de 1845, o sucesso dos trabalhos do atelier de Youqua era de tal ordem que abre outro, no recém-criado território de Hong Kong, mais precisamente no nº 107 da Queens Road. Tal como os demais colegas de profissão, as cidades portuárias como Cantão, Hong Kong, Xangai, Amoy e Whampoa foram os cenários que Youqua mais pintou.

A assinatura de Youqua no verso de pinturas

Peritos em pintura como Car Crossman em "The Decorative Arts of The China Trade" descrevem Youqua como "inquestionavelmente o melhor pintor deste período em grande escala" acrescentando que existiam igualmente outros muito competentes no último quartel do século 19. Certo é que durante várias décadas os estúdios/ateliers de Youqua, em Cantão e Hong Kong foram dos mais reputados e procurados.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

domingo, 20 de dezembro de 2020

"Avizo" do Governador em 1851

Acabado de tomar posse como Governador de Macau, Timor e Solor a 3 de Fevereiro de 1851, Francisco António Gonçalves Cardoso (1800-1875) manda publicar o seguinte "avizo" no Boletim da Província de Macau, Timor e Solor a 8.2.1851:
"São prevenidas as pessoas que quizerem fallar a S. Exa. o Governador sobre negocios d'interesse particular, que o poderão procurar nas Segundas e Quintas feiras, das oito horas da manhã até à uma hora da tarde, mas para os de interesse geral e principalmente os de urgencia estará prompto a qualquer hora. - Macao, 3 de Fevereiro de 1851 - António José de Miranda, Secretario do Governo."
O Conselheiro (real) e Capitão de Mar-e-Guerra, Francisco António Gonçalves Cardoso chegou a Macau a 26 de Janeiro de 1851. Foi nomeado por Decreto de 17 de Outubro de 1850, sucedendo ao Conselheiro e Capitão de Mar-e-Guerra Pedro Alexandrino da Cunha, que morrera em Macau. 
O governador nomeado veio de Hong Kong e o desembarque da corveta D. João I (imagem acima) ocorreu ao meio-dia, no cais chamado do Governador (na Praia Grande, frente ao Palácio do Governo e das Repartições que ainda não era o que hoje se conhece por esse nome - é onde está actualmente o antigo Tribunal). Após a recepção no Palácio do Governo ouviu missa na capela do Palácio e à noite participou num jantar com a presença dos membros do Conselho do Governo e da Câmara Municipal, Cônsules, Comandantes das Corvetas e Fortalezas e demais autoridades.
Foi investido na posse do Governo a 3 de Fevereiro de 1851, pelas cinco da tarde, na porta principal da Fortaleza de S. Paulo do Monte, como era tradição, recebendo do Conselho do Governo a chave da dita Fortaleza e o bastão, símbolos da posse do Governo do território. 
Depois da posse o governador dirigiu-se à Igreja da Sé onde depositou o bastão aos pés da Nossa Senhora da Conceição (padroeira de Macau) e onde se cantou um solene Te-Deum com a presença do Bispo D. Jerónimo da Mata. O dia terminou com uma recepção no Palácio do Governo. 
Teve um dos mandatos mais curtos da história dos governadores de Macau - nove meses - sendo exonerado do cargo a 18 de Novembro do mesmo ano em que tomou posse.
Francisco António Gonsalves Cardozo (nome original), era natural de Aljubarrota onde nasceu a 9 de Fevereiro de 1800.
Alistado na Academia de Marinha, completou o curso em 1821 dando início a uma carreira de 50 anos que o levou até ao posto de Contra-Almirante.
Foi ainda Governador-Geral da Província de Angola e recebeu várias condecorações:
Título do Conselho de Sua Magestade, Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, Cavaleiro de Nossa Senhora da Conceição, Cavaleiro e Comendador da Ordem de São Bento de Aviz, Oficial da Legião de Honra (França), Oficial da Ordem da Roza (Brasil), Comendador da Ordem do Leão Neerdelandêz (Holanda), Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica (Espanha).
No final da vida foi Ajudante de Campo de Sua Majestade El-Rei o Senhor D. Luiz 1º. Morreu a 24 de Fevereiro de 1875.

sábado, 19 de dezembro de 2020

"A Riviera of Cathay"

Travelette - 
By Niksal
A Riviera of Cathay. Macao, a day ride by steam boat from Hongkong or Canton, is a Portuguese city of the far east known to travalers as "The Monte Carlo of the Orient". Whatever gambling hell, opium dens and other rendez-vous of vice the China coast can boast of as 'celebrated' are to be found in Macao. Macao’s similitude with Monte Carlo may be seen from more ancles than one. The city winds itself about a gently sloping hillside. Splendid drives line the waterfront, and picture a strange contrast with the swarms of Junks and sampans cluttered about the wharves. Throughout the town are many subtropical gardens and parks, enveloped in an atmosphere of heavily scented flowers. There are beautiful residences — the most palatial in all China. 
In the heart of the orient, Macao is less oriental than any other city of the east. Its atmosphere, its shops, its customs and even its population are Latin. This may be accounted for by almost five centuries of Portuguese domination. The people of Macao are strangely half Portuguese, half Chinese with the former strain seeming to dominate. Centuries of Intermarriage have brought about this. Superficially. Christianity seems more firmly established In Macao than elsewhere in China. More than half the natives pass as believers, and hundreds of priests and nuns may be encountered in the streets. And yet, Macao has been characterised by travelers as the "most vicious of cities.” The opium habit is more widespread there than anywhere else in the world. Gambling, of course, flourishes openly and is often carried to disgusting excesses. Men have been known to stake their lives, and women their virture, on a single cast of the die, or a single spin of the wheel.
in San Jose Mercury News (EUA), 1.11.1918

Tradução

Travelette - Por Niksal 
A Riviera do Catai. Macau, a um dia de viagem de barco a vapor de Hong Kong ou Cantão, é uma cidade portuguesa do Extremo Oriente conhecida pelos viajantes como "O Monte Carlo do Oriente". Qualquer que seja o inferno do jogo, antros de ópio e outros pontos de encontro de vício na costa da China pode orgulhar-se de ser 'celebrada' pode ser encontrada em Macau. A semelhança de Macau com Monte Carlo encontra-se em vários aspectos. A cidade serpenteia numa encosta ligeiramente inclinada. Esplêndidas avenidas alinham-se à beira-mar onde se apresenta um estranho contraste com os múltiplos juncos e sampanas desordenados nos cais. Por toda a cidade há muitos jardins e parques subtropicais, envolvidos por uma atmosfera de flores fortemente perfumadas. Existem belas residências - as mais palacianas de toda a China. 
No coração do Oriente, Macau é menos oriental do que qualquer outra cidade do Oriente. O seu ambiente, as suas lojas, os seus costumes e até a sua população são latinos. Isto pode ser explicado por quase cinco séculos de domínio português. A população é estranhamente composta por portugueses e chineses, com estes últimos a dominar. Séculos de casamentos mistos levaram a isso. Superficialmente. O cristianismo parece aqui mais sólido do que em qualquer outro lugar na China. Mais de metade dos locais são crentes, e centenas de padres e freiras podem ser encontrados nas ruas. No entanto, Macau tem sido caracterizado pelos viajantes como a "mais cruel das cidades". O hábito do ópio está aqui mais enraizado do que em qualquer outra parte do mundo. O jogo, claro, floresce abertamente e muitas vezes é levado a excessos repugnantes. Os homens são conhecidos por arriscarem a própria vida, e as mulheres a sua virtude, em apenas um lançamento de dados ou num giro da roda de qualquer jogo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Cassete "Macau" da Tuna Macaense: 1983

Depois da gravação em 1970 a Tuna Macaense voltou aos estúdios para gravar esta cassete com 11 músicas editada em 1983 pelo Departamento de Turismo de Macau.



Na fotografia da capa uma guitarra portuguesa e um xaile na Fortaleza do Monte.