quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Francisco Figueira: 1934-2009


Francisco Figueira, arquitecto, chegou a Macau em 1971 motivado pelo evitamento da Guerra Colonial, já que os funcionários que fossem destacados para a então província ultramarina eram isentados da participação no conflito. Nessa altura, a única listagem de património existente datava de finais dos anos 40, quando foi nomeada uma comissão que se limitou a referenciar alguns monumentos no sentido mais tradicional do termo, tais como igrejas, fortificações e edifícios do governo.
Francisco Figueira "foi percursor nas abordagens modernas da conservação do património da cidade" ao introduzir no território as teorias do movimento preservacionista, integrando no regulamento urbanístico a classificação de zonas, sítios e conjuntos de edifícios. Dessa forma foram classificadas “áreas com edifícios não necessariamente notáveis, mas que foram importantes historicamente, tais como o bairro de S. Lázaro, zona de habitação social relevante por ter sido a primeira leprosaria construída fora das muralhas cristãs da cidade, o bairro do Lilau, área inicial da implantação dos portugueses e a zona do Porto Interior, ponto forte actividade piscatória”.
Francisco Figueira foi chefe de departamento do património e chegou a ser presidente substituto do Instituto Cultural. Era usual vê-lo nas reuniões que mantinha com o Governador calçado com sapatos chineses de pano, ou usando um nó de gravata peculiar. Costumava ostentar um colar de missangas e, nos meses mais frios, o Min-Nap, casaco típico do vestuário cínico. O seu estilo cruzava as influências oriental e ocidental, tal como a sua vida.
Considerava a vivenda modernista onde morava, localizada na colina da Penha, como “a casa mais bonita da Ásia”, pela qual sentia “um chamamento”. Remodelou o desenho inicial de Canavarro Nolasco e de Chan Kan Pui, construindo uma piscina no lugar da garagem, e recheando o espaço com artefactos que adquiria ao longo das suas viagens, tais como louça chinesa, pinturas de artistas amigos, móveis valiosos e uma colecção de esculturas revolucionárias do movimento maoísta.
A propósito património arquitectónico de Macau, Figueira escreveu, corria o ano de 1983: “O que se procura é, isso sim, manter vivos os edifícios do passado, integrados na cidade de hoje, desempenhando as mais diversas funções, na plenitude das suas capacidades, mantendo com o envolvimento urbano uma relação de vida activa. Isto requer que não se conservem somente as grandes construções monumentais mas também a arquitectura anónima, a rua de bairro comunitário, o pátio público, o pequeno jardim, enfim, tudo o que, com plena utilidade, confere à cidade a humanização que torna apetecível a vida urbana.”
Doente, regressou a Portugal nos anos 80 vindo a falecer em Setembro de 2009.
Texto elaborado a partir de diversas notícias publicadas na imprensa de Macau em Setembro de 2009
Alguns livros onde FF participou:
Livro "Património Arquitectónico de Macau", de 1983 com Carlos Marreiros
"Macau visto do Céu", com Filipe Jorge... imagens aéreas, registadas em helicóptero no Verão de 1999, ou nos aviões pioneiros das décadas de 30 a 50, ilustram os quatro cantos de Macau e das ilhas da Taipa e Coloane.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Henrique Senna Fernandes

Nam Van foi a estreia de HSF no mundo da escrita em 1978

Famous Macanese Writer, born in 1923, graduated in Law in 1952 from Coimbra University, Portugal, where he wrote his first fiction. Author of "The Bewitching Braid" (1993) ,"Love and Tiny Toes" (1986) which both were turned into sucessful films, "Nam Van- Stories of Macau" (1978) and "Mong Há" (1998). Currently writing his new book " Pai das Orquídeas". "A-Chan, A Tancareira", a short story included in "Nam Van" won a prize in 1950 when Dr. Henrique Senna Fernandes was studying in Portugal. Fotografia de António Falcão

Henrique de Senna Fernandes é a personificação da Macau do século XX. Nascido em 1923, neste pequeno enclave na foz do Rio das Pérolas, acompanhou de perto a transição deste território sob administração de Portugal desde 1557 até o arriar da bandeira portuguesa, em 19 de dezembro de 1999, quando Macau se tornou uma Região Administrativa Especial da República Popular da China. Com mais de 400 anos de História, foi o primeiro entreposto e a última colônia européia na China.
Filho de uma das mais antigas e ilustres famílias macaenses, Henrique de Senna Fernandes teceu uma vida próspera e confortável com os seus 11 irmãos até o início da Segunda Guerra Mundial na Ásia, quando o pai perdeu a fortuna na Bolsa de Hong Kong, e a família teve de procurar abrigo em Macau, fugindo ao avanço japonês. Passou por um período de miséria terrível e sofreu discriminação social. Não obstante, sua determinação em não vergar perante as intempéries dessa vida no limite, fortaleceu o talento para a escrita. E é nele que a Macau dos anos 30, 40 e 50 encontra um legítimo testemunho, através de livros como Nam Van – Contos de Macau e Amor e Dedinhos de Pé.
A mulher – e as suas múltiplas facetas – é o tema central da obra de Henrique de Senna Fernandes, e o amor, a sua natural conseqüência, envolvendo com freqüência uma moça chinesa e uma rapaz macaense. De alguma forma, há referências autobiográficas em seus livros. Também ele, o orgulho de uma família tradicional macaense, amou e casou-se com uma bela mulher chinesa, desafiando as convenções de uma cidade pequena e conservadora.
Estudou Direito em Coimbra, tornou-se advogado, regressou e montou escritório, apenas para conseguir independência financeira. Sua verdadeira vocação foi sempre escrever e ensinar. Filho incondicional da sua terra, sempre teve (e ainda tem) orgulho das raízes portuguesas. “Se Portugal é a minha pátria, Macau é a minha mátria”, gosta de dizer.
Texto da editora brasileira Gryphus
Obras
Nam Van, 1978
Trança Feiticeira, 1993
Amor e Dedinhos de Pé, 1986
Mong Ha, 1998

Memórias dos anos 80

"Loja de Canjas e Frituras"
Pelota basca no casino Jai Alai
Cinema Lido

A Bang Bang Bang! ficaca perto da então Escola Comercial, do Liceu e do Hotel Sintra

Colégio de S. José

Na Praia Grande...

Taipa - início década 1980

Vista da Taipa
Hipódromo
Destaque na altura para o hotel Hyatt e para a Universidade
Imagens de Manuel Noronha

Desfiles/Paradas militares

Campo do Tap Seac
Marinha
Frente ao ginásio do Liceu no Campo do Tap Seac
Década de 1930 (provavelmente)
Corpo de Bombeiros
Frente à estátua de Vasco da Gama (o patrono da Marinha) no jardim com o mesmo nome
Na Praia Grande... final da década de 30/início da de 40 a julgar pelos aterros à esquerda
Imagens digitalizadas por João Carion

domingo, 6 de setembro de 2009

Origens da Fórmula 3 em Macau

Corrida de F3 em 1980

É uma grande história!”, diz Barry Bland, quando questionado como tudo aconteceu com o lendário Grande Prémio de F3 de Macau. O britânico, sempre na linha da frente do desporto motorizado desde o estabelecimento da sua organização, a Motor Race Consultants, em 1971, não poupa as palavras quando fala do drama que envolveu a criação do maior Grande Prémio de F3 do mundo.
Em 1980, o Grande Prémio de Macau era a segunda ronda do Campeonato Pacífico da FIA para carros da Fórmula Atlântico. Todavia, em 1981, só seis carros dos 19 carros da grelha de partida terminaram a prova e, no ano seguinte, só quatro carros cruzaram a linha final. Era óbvio que o evento estava em queda livre e Bland começou a debater a possibilidade de introduzir a Fórmula 2 com o então director de prova e líder do Automóvel Clube de Hong Kong, Phil Taylor. Todos percebiam que algo tinha de ser feito e rapidamente.
Entretanto, uma colisão maior parecia estar no ar quando, ao mesmo tempo que Bland iniciava contactos e procurava apoios para lançar a Fórmula 2 em Macau, o corpo dirigente da FIA promovia a série global da Fórmula Atlântico.
“Rogério Santos, na altura o presidente do Leal Senado de Macau, teve um papel primordial tal como Phil Taylor. Com a sua capacidade de tomar uma resolução rápida fez a diferença”, diz Bland. Santos não hesitou e, em 24 horas apenas, estava tudo decidido e pronto para a Fórmula 2 chegar a Macau.
Mas, o plano levou o golpe final quando a FIA determinou que o Circuito da Guia não tinha licença para corridas de carros com a potência dos de Fórmula 2. Assim, a ideia teve de ser posta de lado. E, foi então que Bland avançou com a sugestão da Fórmula 3, que tanto contribuiu para elevar o reconhecimento do evento, dar publicidade à cidade de Macau e manter a prova até aos dias de hoje.
Bland afirma: “Os carros de F3 eram ligeiramente menos potentes que os da Fórmula Atlântico.
Assim, não se punha a questão de o Circuito da Guia não ser adequado. Olhando para trás, os carros de Fórmula 2, mais rápidos e pesados, talvez não tivessem sido uma boa ideia para Macau. Embora a decisão de introduzir a Fórmula 3 em Macau fosse um marco, estava ainda longe de ser a panaceia para todas as questões. Muitos aspectos do evento foram aperfeiçoados. A altamente qualificada e profissional Motor Sports Timing foi contratada para garantir resultados em segundos e não em horas, no final de cada sessão; a Yokohama iniciou a sua longa participação no evento como o fornecedor oficial de pneus; foi introduzido um vasto leque de serviços para a comunicação social, bem como uma cobertura televisiva integral e consideravelmente extensa; Murray Walker contratou um comentador e Ian Titchmarsh, ainda hoje ao serviço do evento, foi designado como o comentador de pista em língua inglesa. Isto, só para mencionar algumas inovações de uma extensa lista.
O Grande Prémio passou a alta velocidade de um evento regional para um acontecimento internacional e uma montra global para a indústria do turismo de Macau.
Bland recorda: “Nos primeiros dois anos assistiu-se a uma grande mudança. Era importante ganhar a confiança das principais equipas de F3 da Europa e do Japão. Assim, trouxemos pessoal chave e muito experiente, incluindo um médico especialista e um director de corridas. Isto, juntamente com a determinação de realização do evento em conformidade absoluta com os regulamentos da FIA, permitiu criar as bases sólidas do que é hoje o Grande Prémio de Macau.
Foi o princípio de uma relação duradoura e de confiança com as equipas, que tem sido a pedra basilar para manter a extraordinária qualidade da grelha, ano após ano.”
Inicialmente, apesar do evento ser muito o resultado de uma inspiração de Macau, o Automóvel Clube de Hong Kong (Hong Kong Automobile Association) esteve envolvido na organização, o que, segundo Bland lembra “levou a um nível de reconhecimento desproporcionado para Hong Kong”. E, há um quarto de século, “as mudanças para F3 marcaram também o período de transição que levou ao total envolvimento das autoridades de Macau, ao ponto de criarem a sua própria autoridade do desporto. O evento conta hoje com uma organização de alto nível para um Grande Prémio que é dos mais importantes acontecimentos do calendário do desporto motorizado.”
O trabalho árduo e muita determinação compensaram e o evento foi-se afirmando cada vez mais ao longo do caminho em que conquistou o título de Taça Intercontinental de Fórmula 3 da FIA. Tudo o resto, como se costuma dizer, é história.
Mas, Ayrton Senna, ao cruzar a linha final em 1983, marcou o nascimento de uma lenda das corridas motorizadas – o Grande Prémio de Fórmula 3 de Macau.
Ayrton Senna venceu em 1983
Texto publicado aquando do 54º Grande Prémio de Macau pela organização da prova

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Vicente Blasco Ibañez (1867-1928) em Macau

Na sua volta ao Mundo - iniciada em Outubro de 1923 (passada para o livro à Volta do Mundo/La Vuelta Al Mundo De Un Novelista) Blasco passou por Macau e fez questão de conhecer Camilo Pessanha. Foi a sua casa acompanhado do Governador de Macau na altura (1922-24), Dr. Rodrigo Rodrigues.

Vicente Blasco Ibáñez (January 29, 1867 – January 28, 1928) was a Spanish realist novelist writing in Spanish, a screenwriter and occasional film director.
Born in Valencia, today he is best known in the English-speaking world for his World War I novel Los cuatro jinetes del apocalipsis. Filmed in 1921 as The Four Horsemen of the Apocalypse, it was filmed again in 1962, reset in World War II. However, in his time he was a best-selling author inside and outside of Spain, and also known for his controversial political activities. While Sangre y arena (Blood and Sand) and Los cuatro jinetes del apocalipsis are his most popular novels, particularly outside of Spain, his Valencian novels such as La barraca and Cañas y barro are the ones most valued by scholars.
He finished studying law, but hardly practised. He divided his time between politics, literature and dalliances with women, of whom he was a deep admirer. He wrote with uncanny speed and energy. He was a fan of Miguel de Cervantes.
His life, it can be said, tells a more interesting story than his novels. He was a militant Republican partisan in his youth and founded a newspaper, El Pueblo (translated as either The Town or The People) in his hometown. The newspaper aroused so much controversy that it was brought to court many times and censored. He made many enemies and was shot and almost killed in one dispute. The bullet was caught in the clasp of his belt. He had several stormy love affairs.
He volunteered as the proofreader for the novel Noli Me Tangere, in which the Filipino patriot José Rizal expressed his contempt of the Spanish colonization of the Philippines. He travelled to Argentina in 1909 where two new cities, Nueva Valencia and Cervantes, were created. He gave conferences on historical events and Spanish literature. Tired and disgusted with government failures and inaction, Vicente Blasco Ibáñez moved to Paris at the beginning of World War I. He was a supporter of the Allies in World War I. His themes include his native Valencia.
He died in Menton, France, in 1928 at the age of 61, in the residence of Fontana Rosa (also named the House of Writers, dedicated to Cervantes, Dickens and Shakespeare) that he built.

Romancista espanhol. Licenciado em Direito, inicia a sua carreira literária escrevendo em catalão, mas depois passa a escrever em castelhano. Tem alguma actividade política, aderindo ao republicanismo federalista. Desenvolve uma intensa actividade como jornalista e orador, destacando-se na sua juventude como agitador democrático e anticlerical. Em 1891 funda o jornal El Pueblo, criando depois as editoras Prometeo e Sempere, a partir das quais leva a cabo um importante trabalho de divulgação cultural e política entre as classes populares. Em 1909 vai para a Argentina, criando ali duas colónias agrícolas que fracassam economicamente. Em 1914 estabelece-se em Paris e a partir de 1920 faz várias viagens aos Estados Unidos, onde é nomeado doutor honoris causa pela Universidade de Washington. Em desacordo com a política do ditador Primo de Rivera, sai de Espanha e fixa-se em Nice. A sua obra novelística, reflectindo as realidades de Espanha, utiliza recursos próprios do naturalismo de Zola. Os seus romances mais conhecidos são Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, A Catedral e Areias Sangrentas, ambos transpostos para o cinema.

Camões esteve ou não em Macau?

Durante séculos nunca ninguém duvidou disso. Porém, já no séc. XX, começaram a aparecer os primeiros contestadores. Uns duvidam porque não acham «seguros» os documentos existentes. Outros, mal informados, embarcam na nova onda e seguem o mote: «e os documentos?», parecendo inclusivamente esquecer-se que, ao tempo, não existia nenhum controlo de fronteiras.A uns e a outros o autor deste livro responde. Aos primeiros, fazendo ruir a base do seu cepticismo: na verdade, a nova cronologia da presença de Camões em Macau (entre 1562 e 1566), já nada tem a ver com a tradicional historiografia macaense que a defendia para a época de 1557 a 1559, fazendo notar como se encaixam peças da vida e da obra do Poeta e dos contemporâneos que o conheceram e sobre ele escreveram. Aos segundos, mais fácil é.
Documentos? Sempre existiram. Difícil é fazer passar essa mensagem; mas articulando os testemunhos existentes e a vida e obra do próprio Poeta, tudo se torna inteligível.Este livro é escrito sobretudo para estes últimos; passam a ter à mão um repositório do essencial sobre a presença de Camões em Macau. Mas, claro, é destinado também à imensa mole de gente que sempre soube que Camões, tendo aqui chegado, nunca daqui partiu. É uma homenagem a Camões, a Macau e aos filhos da terra que, mesmo depois da erosão da memória, continuaram a acreditar. Àqueles para quem Camões em Macau nunca foi um enigma, mas uma certeza.
O autor
Eduardo Alberto Correia Ribeiro nasceu em Angola (Moçâmedes, actual Namibe).Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa (1972).1973-76 (Angola): Magistrado do Mº Pº, sucessivamente, em Moçâmedes, Lobito e Luanda;1976-79 (Angola): Juiz dos Tribunais Criminais de Luanda;1979-82 (Angola): Advogado e Director do Gabinete Jurídico do Ministério dos Petróleos (Luanda);1982-85 (Porto): Advogado;1985-1998 (Macau): Director da Inspecção dos Contratos de Jogos, Director dos Serviços Prisionais e de Reinserção Social, Coordenador do Gabinete de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência; Administrador da Imprensa Oficial;1988 (Macau): Juiz substituto do Tribunal de Instrução Criminal;1994-96 (Macau): Juiz substituto do T. C. G. e T. I. C.;1999-2000 (Portugal): Director de serviços dos acordos, contratos e convenções na Direcção-Geral de Saúde;2000-2007 (em Macau): Assessor do Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância da RAEM.
Texto da editora COD

Jornais portugueses

Lista não exaustiva de títulos de jornais portugueses publicados em Macau desde 1822...

ABELHA DE MACAU 1822
GAZETA MACAENSE 1824
CRÓNICA MACAENSE 1835
O MACAÍSTA IMPARCIAL 1837
O PORTUGUES NA CHINA 1840
O COMERCIAL 1841
A AURORA MACAENSE 1843
O PROCURADOR DOS MACAÍSTAS 1844
A VERDADE E LIBERDADE 1852
ECHO DO POVO 1859
O INDEPEDENTE 1873
O MACAENSE 1882
AS COLÓNIAS PORTUGUESAS 1884
O CORREIO MACAENSE 1885
A VOZ DO CRENTE 1887
O PROGRESSO 1888
A LIBERDADE 1890
O CORREIO 1890
ECHO MACAENSE 1897
O PORVIR 1897
O PATRIOTA 1902
A VERDADE 1908
VIDA NOVA 1909
O PORTUGUÊS 1913
O ORIENTE PORTUGUÊS 1915
A COLÓNIA 1918
A JUVENTUDE 1919
O LIBERAL 1919
 A ACADEMIA 1921
A OPINIÃO 1921
NUN'ÁLVARES 1922
A PÁTRIA 1924
O COMBATE 1924
DIÁRIO DE MACAU 1925
O PETARDO 1929
JORNAL DE MACAU 1929
A VOZ DE MACAU 1932
A COMUNIDADE 1936

O TIO TARECO 1936
THE CLARION 1943
THE MACAU REVIEW ?????
MACAU HERALD 1943
UNIÃO 1944
MACAU TRIBUNE 1944 (INGLÊS)
RENASCIMENTO 1945
NOTÍCIAS DE MACAU 1947
GAZETA MACAENSE
TRIBUNA DE MACAU
PONTO FINAL
MACAU HOJE
(por concluir)

Origens do GP de Macau

Uma imagem carregada de história: partida para o 1º Grande Prémio de Macau Paul du Toi corta a meta em 2º lugar

Fernando Macedo Pinto
Desembarque da viatura de Eddie Carvalho
Curva Melco... os comissários de pista eram os militares Curva do Reservatório

Bancadas de bambu para ver as bombas de outrora relíquias de hoje em dia Em 1954, algumas zonas do percurso eram de terra batida e pedra da calçada
Uns mais decisivos do que outros, mas Todos contribuiram para a realização do 1º Grande Prémio de Macau em 1954. A saber, por ordem aleatória: Macedo Pinto, Engº Antas, Paul du Toit (um suíço residente em Hong Kong), António Nolasco da Silva, Carlos Humberto da Silva, Capitão Cruz e António Lage.
Numa tarde, à mesa de um café, um grupo de amigos resolveu fazer algo diferente em Macau.. uma gincana de automóveis, que na época não eram mais de 400 no Território. Foi assim que o suíço Paul du Tois veio de Hog Kong passar um fim-de-semana a Macau. Visto in loco o que poderia ser o percurso, Paul du Tois classificou-de imediato como Grande Prémio (6,26 Km) e melhor do que o do Mónaco.
Ainda hoje é um dos maiores cartazes turísticos de Macau.
António Cambeta, residente em Macau conheceu um dos 'fundadores do GP de Macau.
"O senhor Engenheiro Macedo Pinto era uma pessoa muito minha conhecida, ele foi o Director dos Correios de Macau por longos anos. para além da paixão que tinha às corridas de automóveis, possuia um pequeno iate, e foi através desse iate que me tornei seu amigo pessoal, era casado com uma senhora chinesa, que para a época era já uma senhora super moderna, dando nas vistas o seu modo de trajar. No primeiro Grande Prémio de Macau saiu vencedor o piloto Eduardo de Carvalho, ficando em segundo lugar o suiço Paul de Tois e e em terceiro lugar Raimundo Rocha, portugu6es tendo a volta mais rápida do circuito sido efectuada por Gordon Bell com o tempo de 4.12.005, é de realçar que os três primeiros classificados conduziam viaturas TR2."

Era uma vez... numa tarde de 1954

Quando, numa tarde de 1954, durante uma conversa de café, quatro homens meteram ombros à tarefa de realizar uma prova de automóveis em Macau, estavam longe de supor que a “brincadeira” que pretendiam levar a efeito pudesse algum dia ganhar a dimensão que hoje têm as provas no Circuito da Guia.
De facto, foi de uma brincadeira que nasceu o Grande Prémio de Macau. E quem o diz é o engenheiro Macedo Pinto, um dos quatros entusiastas responsáveis pelo facto de as corridas automóveis terem hanho corpo neste Território sob administração portuguesa.
Macedo Pinto, Carlos Silva, Paulo Antas (já falecido), capitão Cruz – são os nomes da primeira hora. Encontravam-se os quatro frequentemente, e um dia...
Estávamos em 1954 – conta Macedo Pinto – e não havia em macau mais do que 300 ou 400 automóveis. Uma tarde, em conversa no café, lembrámo-nos de organizar uma gincana, mas uma gincana com foros de coisa invulgar. O Carlos Silva recordou-se, então, de escrever para Hong-Kong, para o clube de automóveis local, pedindo informações sobre a forma de organizar a prova, que não queríamos circunscrita a um local fechado, que, na nossa ideia, devia envolver toda a cidade.
Escreveram mesmo e a resposta não se fez esperar. Resposta, aliás, bem diferente daquela que aguardavam, já que surge em cena um homem de origem suiça, Paul de Tois de seu nome, e que para Macedo Pinto merece as honras de ser considerado o “pai” do Grande Prémio de Macau.
Pois Paul de Tois, em vez de escrever a enviar informações, resolveu deslocar-se a Macau, aproveitando um fim-de-semana.
Fomos recebê-lo e ele, indivíduo de um dinamísmo fantástico, foi directo ao assunto e perguntou-nos o que queríamos fazer, continua Macedo Pinto. E disseram-lhe, calcule-se, que tinham um circuito...
Pegámos num automóvel e fomos dar uma bolta ao que é o actual Circuito da Guia, que era o percurso que já tinhamos delineado. E a nossa surpresa não pôde deixar de ser enorme quando vimos o Paul de Tois aos pulos.
Isto não é uma gincana. O que vocês têm é o circuito para um Grande prémio!
Era isto que ele nos dizia, enquanto olhávamos uns para os outros com aquele olhar que pode ter alguém que pura e simplesmente pensa que estão a brincar com ele.
Paul de Tois, porém, com todo o seu dinamísmo, e uma capacidade invulgar para convencer as pessoas, fez-lhes ver que não estava a brincar, insistia mesmo:
- Vocês têm um circuito que é o melhor do que o do Mónaco. Nunca imaginei que pudesse haver em Macau uma coisa destas! E o certo é que os quatro decidiram que era de acompanhar aquele homem. Mesmo que se tratasse de um louco, tinha-os convencido.
Do entusiasmo de Paul de Tois nasceu, assim o I Grande Prémio de Macau, que contou com um grande apoio do Hong Kong Motor Sports e mereceu o carinho das autoridades do Território.
Cosntruíu-se um “stand” em bambú e os carros foram para a estrada. Uma mistura incrível de carros de todos os tipos, como recorda Macedo Pinto. Que lembra mais.
Por exemplo, que o percurso entre a Casa Branca e o Ramal dos Mouros era em terra batida... Ele, além de organizador também concorrente, recorda-se ainda de que naquele troço do circuito o pó obrigava a que os pilotos orientassem a sua condução pela copa das árvores! Para a história, todavia, ficam outros factos, como ou de parte da pista se ter desfeito durante a prova. Mas, apesar de tudo, não pode dizer-se que as coisas tenham corrido mal.
Mesmo fazendo essa constatação, os quatro entusiastas pensaram que se tinha organizado o I Grande Prémio de Macau – e o último... Mal a prova acabou, no entanto, Paul de Tois, não lhe deu tréguas, a exemplo, aliás, do que aconteceu com a imprensa de Hong Kong. O Grande Prémio de Macau deve continuar – era a palavra de orde4m. E continuou mesmo!
Um ano mais tarde, os carros voltavam ao Circuito da Guia, então já completamente asfaltado. E não foi preciso esperar muito para que aparecessem as bancadas em cimento armado.
Todos os anos algo melhora, o que se percebe até pelos gastos de organização. A primeira edição do Grande Prémio de Macau custou 15 mil patacas. No ano seguinte as despesas subiram para 60 mil. Em 1956 foram precisas mais de 200 mil...
Entretanto, também o público começava a pagar bilhete. Uma pataca foi quanto custou o ingresso em 1955.
Mas os carros andavam, as corridas faziam-se. Isso, sim, era importante. E acontecia com o apoio da Polícia e do Exército, que emprestava os sinaleiros para a pista... A cronometragem, claro, era manual, e o conta-voltas feito com folhas de calendário...
Os anos foram passando. Apareceram os “fórmulas”, as motos, o reconhecimento da Federation Internationale du Sport Automobile, a inscrição no calendário internacional. E Macau projectava-se no Mundo através do seu Grande Prémio, um dos únicos três que ainda se disoutam em estrada aberta. Os outros são o Mónaco e Long beach, nos Estados Unidos.
E tudo a partir de uma brincadeira do grupo de quatro homens a que é preciso juntar o nome de António Lage, de pronto chamado para coloborar nas tarefas de âmbito comercial. Homens a quem o Grande Prémio de Macau tudo deve. Ter nascido, e também não ter acabado.
Como podia ter acontecido, no final da década de 50, quando umas das pontes para peões se abateu sobre o circuito. Era o fim para muitos. Macedo Pinto agitou a bandeira vermelha, mas houve o discernimento e a coragem para dar nova partida!
Macau continua, assim a ser palco privilegiado para as grandes máquinas.
Um dos grandes circuitos do Oriente e, sem dúvida, um dos mais espectaculares de todo o Mundo, pelas suas condições invulgares. Quem nunca “viveu” o Circuito da Guia, fica entusiasmado só por olhar o desenho dos seus contonos. Circuito da Guia que poderá vir a ser integrado num novo campeonato mundial. Para os homens da primeira hora essa possibilidade representa a atribuição de ‘borla e capelo” ao Grande Prémio de Macau. Eles bem merecem a distinção.
Texto institucional sobre as origens do GP de Macau. Embora não o garantir a 100%, a autoria destas palavras é, muito provavelmente, de Rogério Santos, então Presidente do Leal Senado, entidade organizadora do Grande Prémio de Macau.
Créditos fotográficos: Recordações do GP de Macau, de José Estorninho e Folheto GP de Macau, tradição no Oriente, de Eduardo Tomé Silva Pires.

Francisco Lobato


My maternal grandfather was stationed in Macau in the 1930's as an infantry soldier. The army duties weren't heavy since he was also one very good wing back at soccer and played for the Macau Army Football team.
The childhood memories I treasure the most are the quiet afternoons when he would tell me stories of Macau, of football matches and of the goals he scored, the Chinese ladies he dated, how he found impossible to eat with chopsticks and when he'd show me the scar on his leg, the imprint of a boot stud a Hong Kong player left on him during a ball dispute.
By Cláudia, neta de Francisco Lobato


PS: noutros post's já aqui partilhei, com autorização da Cláudia, as fotografias que o seu avô tirou em Macau na década de 1930.

Romance As Portas do Cerco, 1992

XI – Os Cavaleiros
Cada um por seu lado!... Eu vou sozinho, Eu quero arrostar só todo o caminho, Eu posso resistir à grande calma!... A casa onde viveu o Dr. Sun Yat Sen é um belo palacete de pedra branca com arcos em colchete e trilobados, colunas cor de esmeralda, varandas, balaústres, saliências, um dístico assinalando-a em caracteres dourados sobre fundo azul. Em frente, dois andrajosos condutores de riquexó fumam (ópio, segundo o Sr. Melo) e coçam as plantas dos pés nos assentos de pau das carrocinhas.
O Dr. Sun, empenhado desde a juventude em derrubar a dinastia manchu e implantar a República da China, com o grau de oficial da Dupla Flor da "Sociedade dos Três" ou "Tripla Harmonia", de coração imaculado, filho do céu e da terra e irmão das estrelas, tendo jurado participar nas alegrias e tristezas dos membros daquela confraria, adoptando o nome perante os céus e desdenhando por isso os motejos dos homens; crendo numa verdade pela qual lutaria corajosamente toda a vida, sem más intenções ou falsos sentimentos, sob pena de o céu o observar do alto e os demónios o vigiarem do fundo e de o seu corpo (como o de Ferreira do Amaral) ser cortado com facas e espadas e, de seguida, todos os seus vestígios (tais os do coronel Mesquita), serem eliminados pelos raios, caindo no inferno para todo o sempre e não podendo reincarnar como ser humano por miríades de anos, como castigo do perjúrio ao compromisso testemunhado pelos céus e os deuses, teria conhecido, conversado alguma vez com o Cavaleiro do Oriente ou da Espada, depois Cavaleiro Rosa Cruz da Loja Luís de Camões?
Teria alguma vez sabido que, a sudeste, na casa número 75 da Rua da Praia Grande, rodeado de pinturas, bordados, brocados, jóias, bronzes, esculturas, cloisonnés, champlevés, pedras, vidros, charões, cerâmicas, vivia com os seus familiares, servos chineses, as suas concubinas, cães e uma cacatua, fumando ópio, relendo Verlaine, Maeterlink, Dostoiewski, um advogado, um professor, um juiz, um ensaísta, um esteta que vira a luz em "um país perdido", "um país de pandilhas"?
Ouviria falar de Pui-Sam-Ngá, tuberculoso, trôpego, "vil despojo", de alcunha "amendoim torrado" (Han-Choi-Fá-San), mal sustendo lume nos olhos, pele cor de tabaco sobre o feixe de ossos, já menos homem de negras barbas resplandecentes do que ténue fantasma, espírito prestes a transmigrar, "pun-tio-iane-mean" ou morto-vivo?
Teria tido notícia, enquanto permanecera em Macau, quando trabalhara na sua farmácia da Rua das Estalagens ou no Hospital Kiang-Wu que ali vivia, ali vivia, ali morria aos poucos um Poeta Maior? Há uma fotografia de grupo mostrando o escritor na primeira fila, onde se encontra Sun Yat Sen, numa recepção dada por este. Para além desta prova não muito concludente, atendendo ao seu aspecto oficial, pluralizado, não seria difícil conceber, tendo em conta a pequena superfície do Território, a sua, nesse tempo, menor densidade populacional, que em qualquer rua, jardim, praça, avenida, travessa, calçada ou pátio, em qualquer estabelecimento os dois exilados se tivessem, porventura, cruzado, porventura encontrado, porventura esboçado simultaneamente breve vénia, porventura levado dois dedos às abas dos chapéus, o que, da parte do Poeta, representaria respeitosa reverência, sabendo-se variarem as suas cortesias, a efusão delas – desde o chapéu levado a cobrir o peito côncavo, a tapar o baixo vente, a rodar do crânio para o fundo das costas, encobrindo manguito – , em sentido inverso da consideração que os cumprimentados lhe mereciam.
Podia também ser que por razões distintas, atendendo a que a grande parte da mansão do médico fora adquirida ao potentado chinês, ambos se tivessem reunido em casa de Lou Lim Yeok e, atentamente, observasse o político aquele frágil ser de olhos fulgurantes, tez de bronze, barba muito espessa, estranho aspecto de faquir indiano, de feiticeiro e de profeta, senão mesmo de místico; admirasse o verbo fluente e a prodigiosa memória do ensaísta que, só depois de profarir as conferências, delas elaborava os minuciosos, fidelíssimos relatos e, como juiz, no processo de extradição do mandarim-literato Pui-Keng-Foc, sem ter tomado notas do seu depoimento, prolongando-se por quinze dias, noutros tantos o ditaria para a acta com tal rigor que, embora condenado, não se eximiria o depoente de o felicitar, dedicando-lhe, quando cumpria a pena, versos escritos nas varetas de um leque. Ou com aquela simpatia pelo revolucionário, pelo companheiro de maçonaria, mas também com indícios de uma ironia redutora a boiar-lhe no rosto, o Poeta encarasse aquele camponês europeizado, futuro presidente da República chinesa.
No infindável mar de hipóteses, sempre falíveis, mas, nesta terra de jogo e probabilidades, desfrutando foro privilegiado, porque não conjecturar o Dr. Sun Yat Sen a receber a sós no seu encantador palacete da Avenida de Sidónio Pais o Dr. Camilo de Almeida Pessanha, Ilustre Advogado, Conservador do Registo Predial, Magistrado Insigne, Professor do Liceu de Macau, Escritor e Conferencista, notável da colónia, intelectual de prestígio que Blasco Ibañez com muito interesse visitara, relatando o encontro em páginas do livro A volta ao mundo?
Porque não supor o Dr. Sun dirigindo-se à casa da Rua da Praia Grande, mais parecendo um adelo, aqui chamado tim-tim porque em carrinhos com estridentes campainhas transportavam os negociantes as suas peças de bricabraque, do que a moradia de um Poeta, célebre mesmo antes de ter qualquer livro publicado, aguardando-o em encardida camiseta de onde sobressairiam os seus ossos, num quarto onde permaneceria um cheiro misto, intenso, a incenso de pivete, ópio, suor, pêlo húmido de cão e onde, o olhar nas mãos cruzadas sobre o peito, como miragens, virtualizações, suavemente se sumiriam nas sombras a suas concubinas. Num quarto sem exuberância, extravagância, fausto, com tanto de cenóbio como de cenário fruste, de requinte mesquinho em que o desleixo se instituía sacramento, a cama se transformava em altar, sustentando divindade dependente do ópio, ópio que poderia ser o "país perdido", enlanguescendo o corpo, tornando inerme a alma, mas dando vida aos sons e música às palavras.
Não, não seriam prováveis mais intimidades, conquanto as diferenças linguísticas não constituíssem intransponíveis embargos. Quer falassem chinês, português, uma terceira língua, mesmo que se entendessem sem palavras, não trocariam almas.
Apesar da sua longa permanência na antiga Ho-Keang, apesar das suas concubinas, do seu ópio, dos seus estudos da língua sínica, do carácter e da arte chineses, Camilo que nem por exotismo, esse um tanto folclórico e fim de século fascínio do Oriente, se deixara fotografar de cabaia, conservar-se-ia para sempre europeu do gesto ao gosto, à maneira de ver e de pensar, a esse um tanto olímpico, decadente, desprendido modo de viver e estar no mundo.
Por seu turno, e apesar do cabelo dividido por risca, do colarinho de goma ocultando o nó da gravata, do casaco de bandas muito largas, Sun podia disfarçar-se, nunca, porém, perdendo ou sequer pondo em crise o espírito do Oriente que nele habitaria até à morte, mesmo para além dela.
Assim, se o político não perdera o seu tempo com o Poeta tão-pouco este o desperdiçara com aquele.
Sun Yat Sen, o médico, não conseguindo evitar a violenta hemorragia que a implantação da República iria desencadear por toda a China, morreria no ano de 1925. Dele mal ou bem, mal e bem, agora mal e depois bem ou ao contrário, como costuma suceder no decurso dos tempos, dos caprichosos ventos, falaria a História. Dele ficaria a casa rural onde nascera em Choi-Hang-Chin, o imponente solar do seu exílio macaense.
Camilo de Almeida Pessanha morreria em 1 de Março do ano seguinte. As peças de arte chinesa de que se rodeara, que adquirira a Ah-Men, que regateara nos antiquários de Cantão e de Hong-Kong, não seriam, no entender do Dr. José Figueiredo, seu conservador, dignas de figurarem no Museu de Arte Nacional para o qual o escritor as destinara. Esta afronta, abalando-o, não o faria, no entanto, desistir de coleccionar novos especímenes de arte chinesa sobre os quais recairiam, por certo, idênticos juízos se a sua herdeira e última concubina, Kuoc-Nga-Yen, dita também Águia de Prata, não os dividisse com o seu meio– irmão que o pai abandonara à lei da natureza, expulsando-o de casa por o surpreender a cortejar aquela sua amante, essa pequena, de andrógino rosto, chinesinha que muito o carpiria, embora, à morte do Poeta, se entregasse já a um outro europeu mantendo-se a seu lado até à venda do último móvel valioso, da derradeira acção do Hong-Kong and Shangai Banking com que Camilo a contemplara.
João Manuel Pessanha, bem parecido, elegante mesmo com a farda de mestre de pequena cabotagem dos navios chineses que, navegando sob pavilhão português, eram obrigados a transportar cidadão desta nacionalidade desempenhando cargo meramente simbólico, ao herdar velharias a que Nga-Yen e o seu amante não deitariam mão rapace no dia do funeral do pai, estabelecer-se-ia com um tim-tim. Como a Camilo o ópio, também a tuberculose, bem assim vitimando a por muitos dita falsa meia-irmã, o mataria.
Do Poeta subsistiria também um rastro de ódio, de malquerença, de antipatia, pois jamais lhe poderiam perdoar os que constituíam "o meio acanhadíssimo, mexeriqueiro e boçal – a todos os respeitos misérrimo", os filhos destes e os seus netos o orgulho, o sarcasmo, a concubinagem, a toxicomania, o ateísmo, a filiação maçónica, os poemas; como os chineses não esqueceriam nem absolveriam as críticas, os deprezos, a empenhada participação para reabilitar a odiada memória do coronel Mesquita.
Mas dele ficaria para sempre um livro excepcional de altíssima Poesia e, sem se saber por quanto tempo, o nome da ruelazinha até então denominada do Mastro, entre a Rua das Estalagens e a Avenida de Almeida Ribeiro, onde os ourives, obsequiando-os com cafés, uísques,!coca-colas, mesuras e sorrisos em leque, atendem chusmas, alongando-se para além dos portões, ocupando os passeios das arcadas, de japoneses pacientes, não discutindo preços.
in As Portas do Cerco, 1992 (págs.99 a 104) de António Rebordão Navarro
"A convite do Instituto Cultural de Macau, visitei o território e de lá regressei com “As Portas do Cerco”(1992).
António Rebordão Navarro, natural do Porto, cidade onde nasceu em 1933, começou por se render à advocacia antes de se converter à literatura. Especializou-se em Direito do Trabalho e ainda hoje, reformado das leis mas não das letras, dá pareceres por desvelo e simpatia. Filho de escritor, Augusto Navarro,trabalhou com o pai na revista “Bandarra”, por ele fundada em 1953 e, posteriormente, por si dirigida.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Revista Renascimento

Published as a monthly between January 1943 to September 1945, Renascimento was issued in English and in Portuguese. It is a periodical about the studies of history and science, as well as literature, and is extremely valuable to the studies of Macau.
A revista Renascimento foi criada pelo Governo de Macau e contava com a colaboração da União Nacional. Ainda assim, era uma publicação sem cariz político, apostando masi na literatura, nas artes e na história. Embora de curta existência a revista contou com a colaboração de alguns dos maiores nomes que deram a conhecer a história de Macau: Charles Boxer, José de Carvalho e Rego, Franciso de Carvalho e Rego, Jack Braga, Luís Gonzaga Gomes e Leopoldo Danilo Barreiros. Depois da sua extinção surgiu um jornal com o mesmo nome. Há também referência a uma suplemento deste jornal intitulado "Rádio", da responsabilidade do Rádio Clube de Macau e que terá sido publicado entre Vol. 3, no. 1 (1 Jan. 1946) - v. 3, no. 7 (1 Abr. 1946). Por volta de 1945 o Rádio Clube publicou ainda um jornal intitulado "Rádio Clube de Macau : a voz de Portugal no extremo-oriente".
Nota: sobre a imprensa portuguesa em Macau ao longo dos tempos, tenho publicados diversos post's pelo que aconselho a utilização da pesquisa dentro do próprio blog.

Macau durante a 2ª Guerra Mundial

Respondendo a alguns pedidos de obras sobre a história de Macau nas décadas de 40 e 50 do século XX, para além dos que já mencionei noutros post's, aqui fica mais um exemplo.
O presente trabalho sobre História de Macau centra-se, especialmente, no período da II Guerra Mundial, tendo como base a caracterização dos seus grupos sociais (português, macaense e chinês) e as matrizes culturais subjacentes (portuguesa e chinesa), com o objectivo de apreender o desenvolvimento que a Educação Física e o Desporto tinham já atingido nessa época e o papel que desempenhavam.
Isabel Maria Peixoto Braga é a autora de Macau during the Second World War: Society, Physical Education and Sports (Macau Durante a II Guerra Mundial — Sociedade, Educação Física e Desporto)
The original title is Macau Durante a II Guerra Mundial: Sociedade, Educação Física e Desporto. The present work on Macau History focuses especially on the Second World War period, taking as a basis the characterization of its social groups (Portuguese, Macanese and Chinese) and the underlying cultural matrixes (Portuguese and Chinese), with the objective of learning the development that physical education and sports have achieved in that epoch and the role that they played.

Silveira Machado: 1918-2007

O professor Silveira Machado, uma das figuras marcantes da cultura portuguesa em Macau, morreu hoje aos 89 anos no Hospital Conde de São Januário, disse à agência Lusa um amigo do docente.
Professor, fundador e jornalista do semanário católito O Clarim, comentador e autor, José Silveira Machado nasceu a 24 de Outubro de 1918 na freguesia e Concelho de Velas, na ilha açoriana de São Jorge. Estava em Macau desde a década de 30 onde chegou para estudar para padre no Seminário de S.José na companhia de outras figuras de Macau como Monsenhor Manuel Teixeira, entretanto também já falecido, e o padre Aureo Castro.
Funcionário público desde Janeiro de 1941 na então chamada Repartição da Fazenda do Concelho de Macau, Silveira Machado entra em 1948 para os Serviços de Economia. Em 1974, o professor, como era conhecido em Macau, aposentou-se em Lisboa, regressando a Macau em 1976 para iniciar a carreira de docente na Escola Comercial, Colégio Dom Bosco e no Centro de Formação dos Serviços de Educação. Ao longo da sua carreira como jornalista, colaborou na Voz de Macau, na Revista Renascimento, O Clarim, Comunidade, Boletim Informativo de Macau, e foi correspondente do Diário da Manhã e da revista de Cinema Plateia.
Fluente em cantonense, o dialecto chinês que se fala no sul da China, Silveira Machado escreveu diversos livros como "Macau, Sentinela do Passado" (prosa), "Rio das Pérolas" (poemas), "Macau, Mitos e Lendas" (contos), "Duas Instituições Macaenses", "Macau na Memória do Tempo" e "O Outro lado da Vida" (retrato social de Macau). Muito ligado a Macau, à juventude e à comunidade, Silveira Machado nunca descartava, como explicam os amigos, uma boa discussão.
Não visitava Portugal há cerca de 17 anos e costumava dizer que se aterrasse em Lisboa, era capaz de se perder em cinco minutos. A sua actividade cívica e em prol do português em Macau valeu-lhe o reconhecimento da classe política, tendo sido condecorado com a Medalha da Ordem do Mérito Civil da Instrução Pública, Medalha de Mérito Desportivo (classe de prata), Medalha de Mérito Cultural, Comenda da Ordem do Mérito e grau de Grande Oficial da Ordem da Instrução, esta última em Janeiro de 2005 pelo então presidente português Jorge Sampaio. Homem ligado ao desporto, turismo, educação e cultura, a sua morte é considerada uma "enorme perda" pela comunidade em geral. "Fazia amizades facilmente com todos, era disciplinado e um defensor de valores humanistas em resultado da sua formação católica que o marcou para sempre", destacou o padre Albino Pais, director do jornal O Clarim. A sua última obra "O Outro lado da Vida" é um testemunho da sua preocupação com o próximo", disse ainda o prelado.
Notícia da delegação em Macau da Agência Lusa em Novembro de 2007

Graciete Nogueira Batalha: 1925-1992

Em 1995 o Instituto Cultural de Macau (Biblioteca Central de Macau) realizou uma exposição fotobibliográfica e documental sobre Graciete Batalha, filóloga, pedagoga e escritora de Macau, integrada nas comemorações do 1.º centenário da Biblioteca Central de Macau (1895-1995).

Um epsiódio curioso...

Poucos dias antes do 25 de Abril, foi aprovado oficialmente um voto de apoio à política ultramarina de Marcello Caetano. Mal se dá o golpe militar, o mesmo órgão enviou de imediato um telegrama de adesão ao programa da Junta de Salvação Nacional. Ambas as declarações de apoio foram subscritas pelas mesmas pessoas, com excepção de Graciete Nogueira Batalha, professora de Português no Liceu de Macau e que não esteve para fazer essa triste figura: tendo votado pelo apoio a Marcello.

Algumas obras de Graciete Batalha:

1974 - Língua de Macau: o que foi e o que é. Macau: Centro de Informação e Turismo.
1977 - Glossário do dialecto macaense: notas lingüísticas, etnográficas, e folclóricas. Coimbra: Instituto de Estudos Românicos.
1985 - "Situação e perspectivas do português e dos crioulos de origem portuguesa na Ásia Oriental (Macau, Hong Kong, Singapura, Indonesia)". Congresso sobre a situação actual da língua portuguesa no mundo. Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, No. 646 vol. 1, 287-303.
1988 - Poesia Tradicional de Macau
1991 - Bom dia, s'tora : diário duma professora em Macau: ICM

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nuno Barreto: 1941-2009

"Culto, bom pedagogo, com muito sentido de humor e personalidade vincada"... foi esta a imagem deixada por Nuno Barreto em Macau.
Considerado o melhor pintor português das últimas décadas de Macau, Nuno Barreto morreu aos 68 anos no dia 24 de Junho de 2009, dia de S. João, no Porto, cidade onde nasceu em 1941.
Frequentou a Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde se graduou em 1967 com vinte valores. Bolseiro da Fundação Gulbenkian, fez uma pós-graduação na prestigiada Saint Martin's School of Art, de Londres. Professor da ESBAP, dirigiu durante 15 anos a respectiva Oficina de Serigrafia. Em 1986, foi 'Artist in Residence' em duas instituições do estado norte-americano de Massachusets.
Convidado para trabalhar em Macau, foi o principal dinamizador da Escola de Artes Visuais, inaugurada em 1989 e que está na origem da actual Escola Superior de Artes do Instituto Politécnico.
Foi a partir de Macau que a sua pintura se tornou mais conhecida. O quadro porventura mais popularizado chama-se "O Embarque no 'Pátria'" e é uma alegoria ao fim da administração portuguesa daquela minúscula colónia na China - e que foi, simultaneamente, o fim do império. (in Expresso)

Nuno Barreto regressou a Portugal em 2005. Em Macau, a sua obra que pode ser vista, por exemplo, na sala de jantar do Clube Militar de Macau. Tem ainda muitos quadros nas instituições oficiais do Governo e em Shangai. É de referir também ainda as inúmeras falsificações (cópias muitas vezes feitas na china) dos quadros de Nuno Barreto.
O percurso artístico (desde 1966) do pintor pode ser seguido no livro "Galeria Imaginária" realizado a partir de um CD-ROM com o mesmo título concebido pelo próprio pintor e editado pela Fundação Oriente em 2006. Um dos capítulos é dedicado a Macau-China.
Quadro "Pátria"... segundo apurei existem duas versões deste quadro...

John Thomson: 1837-1921

O fotojornalista escocês John Thomson (Edimburgo:1837-1921) especializou-se em retratos e paisagens naturais e arquitectónicas, bem como na chamada ‘fotografia de rua’. No início da década de (18)50 o jovem torna-se aprendiz junto de um fabricante de instrumentos ópticos e científicos e familiariza-se com os princípios da fotografia. Em 1861, Thomson torna-se membro da Royal Scottish Society of Arts e, no ano seguinte, decide juntar-se ao seu irmão, em Singapura, onde abre um estúdio no qual fotografa mercadores europeus. A partir de Singapura, o fotógrafo vitoriano viaja pela China e pelo Extremo Oriente e ‘cristaliza’ imagens de Macau através da máquina fotográfica e da sua escrita, desenvolve um interesse pelos costumes dos povos orientais que regista com a sua máquina e relata posteriormente as suas experiências em comunicações na British Association, tornando-se membro da Royal Geographical Society e da Royal Ethnological Society. Thomson publica o seu primeiro livro The Antiquities of Cambodia em 1867, e nesse mesmo ano regressa de Londres ao Oriente (Singapura, Saigão), muda o seu estúdio para Hong Kong (1868) e regista imagens da China durante cinco anos, fotografando a diversidade étnica e cultural do país. Em 1869 o fotógrafo visita Cantão e em 1872 publica Foochow and the River Min e regressa à Grã-Bretanha, dedicando-se à fotografia e à publicação de narrativas de viagem como Illustrations of China and Its People (1873-1874), Through Cyprus with a Camera in the Autumn of 1878 (1879) e textos em revistas. Em 1875 Thomson abre um estúdio em Londres e publica The Straits of Malacca, Indo-China, and China; or, Ten Years’ Travels, Adventures and Residence Abroad (ilustrado com gravuras a partir de fotos de sua autoria).
Em 1898 o autor publica Through China with a Camera. Após a sua morte, de ataque de coração, aos 84 anos, em 1921, o seu nome é atribuído a um dos picos do Kilimanjaro (Point Thomson), em honra da sua obra que é, por vezes, descrita como “um olhar (fotográfico) colonial”, uma interpretação do Oriente a partir do ponto de vista ocidental para ser consumido no Ocidente. No que diz respeito a Macau, a sua obra representa ou reflecte, tal como a de Jules Itier (1802-1877), com precisão, algumas das primeiras imagens da cidade que substituem gradualmente as inúmeras gravuras e quadros pintados desde o século XVI.
Na obra Through China with a Camera, o autor descreve a sua estada na Cidade do Santo Nome de Deus, estância de veraneio predilecta dos residentes de Hong Kong, que aí gozam a brisa do mar e se transportam, através da imaginação, ao passear na Praia Grande, para uma antiga cidade europeia. De acordo com o texto, Macau, “uma magnífica curiosidade”, tem tido uma história conturbada desde a sua fundação, que não abona a favor dos portugueses, resumindo o autor a história do estabelecimento dos lusos na China. As ruas do enclave encontram-se desertas, as habitações pintadas de cor estranhas, assemelhando-se as janelas vermelhas a olhos inflamados nas faces pintadas das casas, por entre as quais o transeunte encontra magníficas escadarias, amplas entradas, salões vastos, (pouco) comércio nas ruas, casas de jogo e a catedral, estes últimos os locais mais animados. Os fortes são guardados por tropas europeias e o território acorda às quatro da tarde, altura em que as carruagens se movimentam na rua, as cadeirinhas se dirigem para a marginal e os passeios de final de tarde na refrescante Praia Grande alegram o local. Alguns residentes pertencem a uma etnia pequena, os macaenses, e as damas, bem vestidas, encontram-se no elegante passeio marginal, e o autor admira-se com o facto de o pintor George Chinnery conseguir ter passado tanto tempo numa comunidade com tanta falta de gosto artístico. Quanto aos homens, não parecem existir idosos na cidade, pois todos se vestem da mesma forma e são baixos e esguios. Thomson refere que Macau é interessante como território português na China onde Camões terá encontrado um retiro e onde Chinnery produziu inúmeros esboços e retratos que influenciaram outros artistas no Sul da China, ou seja, o autor aproxima indirectamente dois artistas, um português e escritor, outro inglês e pintor, que se exilaram em Macau. Numa outra obra de sua autoria, The Straits of Malacca, Indo-China, and China; or, Ten Years’ Travels, Adventures and Residence Abroad, Thomson repete o texto que acabámos de resumir e detem-se também na Praia Grande, “com um óptimo pontão, o palácio do governo, e edifícios pintados, […] numerosas ruas pequenas […]”, descrevendo o ambiente solitário e vazio da cidade ao meio-dia e os barracões de tráfico de cules. O fotógrafo critica ainda os residentes que fazem fortuna à custa da escravidão dos cules fortemente vigiados, sendo o destino de muitos a morte durante a viagem até ao continente americano.
A obra de Thomson apresenta-nos Macau em forma de um documentário no qual o texto e a imagem se complementam, sendo o artista, juntamente com os norte-americanos Paul Martin e Jacob Riis, um dos percursores do chamado foto-documentário ou fotografia de documentário social, pois as imagens por eles recolhidas vão para além de uma mera representação iconográfica, apresentando um certo nível de ‘humanidade’. Da sua obra destacam-se as inúmeras fotos de Hong Kong, Cantão e de Macau [vejam-se a escadaria das ruínas de São Paulo (c. 1869), o templo chinês em Macau e a vista da Praia Grande (1869-1870), entre outras].
Texto de Rogério Puga in Hoje Macau Agosto 2009
Macao is interesting as the only Portuguese settlement to be found on the coast of China. It may be reached by steamer either from Hongkong or Canton, and it is a favourite summer resort for the residents of our own little colony. In that pretty watering-place we may enjoy the cool sea-breezes, and almost fancy, when promenading the broad Praya Grande, as it sweeps round a bay truly picturesque, that we have been suddenly transported to some ancient continental town. Macao is a magnificent curiosity in its way. The Chinese say it has no right to be there at all ; that it is built on Chinese soil ; whereas the Portuguese, on their part, allege that the site was ceded to the King of Portugal in return for services rendered to the Government of China. These services, however, cannot have been properly appreciated, for the Chinese in 1573, built a barrier-wall across the isthmus on which the town stands, to shut out the foreigners. The place has had a chequered history since the time of its original foundation, sometimes being under its own legitimate Government, and at others being claimed and ruled by the Chinese. But its history, however important to the parent country, had better be left alone, more especially as there are passages in it which reflect no great lustre on the nation whom Camoens adorned. The main streets in Macao are deserted. The houses there are painted in a variety of strange colours, some of the windows being fringed with a rim of red, which gives them the look of inflamed eyes in the painted cheeks of the dwellings. But there are magnificent staircases, wide doorways and vast halls, though the inmates for the most part are a very diminutive race; they are called Portuguese, but they suffer by comparison with the more recent arrivals from the parent land, being darker than the Portuguese of Europe, and darker even than the native Chinese. There is trade going on the streets, but it is of a very languid kind, and the gambling-houses, or the cathedral are the chief places of resort. The forts are, of course, garrisoned with troops from Europe. At 4 p.m. or thereabouts, the settlement wakes up; carriages whirl along the road; sedan chairs struggle shorewards, that their occupants may taste the sea-breeze; and the mid-day solitudes of the Praya Grande have been converted into a fashionable promenade. Ladies are there too, attired in the lightest costumes and the gayest colours; some of them pretty, but the majority sallow-faced and uninteresting, and decked out with ribbons and dresses, whose gaudy tints are so inhar- moniously contrasted, that one wonders how Chinnery the painter could have spent so many of his days among a com- munity so wanting in artistic tastes. The young men — for there seem to be no old men here, at least all dress alike, quite irrespective of years — are a slender race, but not more slender than diminutive. But if Macao is interesting as a Portuguese settlement, and the only one which now remains to Portugal of those which her early traders founded in China, it can also boast of historic associations, giving it a special and independent Approach to Buddhist Temple, Macao, attraction. Here the poet Camoens found a retreat, and here too, Chinnery produced a multitude of sketches and paintings, which have really had some influence on art in the south of China.
Excerto do Livro Through China with a Camera
No livro estão incluídas duas fotografias de Macau: uma panorâmica da Baía da Praia Grande e outra de um templo budista.