domingo, 29 de janeiro de 2017

Ainda o filme "Silêncio" de Martin Socrsese

Já por aqui abordei o filme "Silêncio" que está em exibição nas salas de cinema. A acção decorre no século XVII (ca. 1640), e conta-nos a história de um missionário português envolvido na aventura espiritual da conversão dos povos orientais, o qual acaba por apostatar, após ter sido sujeito às mais abomináveis pressões das autoridades japonesas, para evitar que um grupo de fiéis seja por ordem delas torturado até à morte.
Antes de chegar ao Japão, a sua viagem leva-o a Goa, depois a Macau e, finalmente, a Nagasáqui e Edo, em etapas que pouco a pouco o transportam a esse Oriente hostil, onde no entanto já se contam alguns milhares de convertidos à fé católica.
Aí descobre, na luta contra as pessoas e o ambiente adversos, a verdadeira fé, liberta de todo o aparato externo, eclesiástico ou mundano. E aí acaba por experimentar a derradeira solidão, que é o destino daqueles que quebram a comunhão com o que mais profundamente marca a sua identidade.
Rodado totalmente em Taiwan o filme inclui uma cena que se passa no interior da antiga igreja Mater Dei (de que hoje só resta a fachada conhecida como Ruínas de S. Paulo) - onde é recebida a notícia de que o padre Cristóvão Ferreira renunciou à fé depois de ter sido torturado no Japão - a que se segue uma outra onde os protagonistas descem a escadaria da igreja. Esta última cena, onde se recria não só a escadaria como também o Largo da Companhia de Jesus e a cidade de Macau na época, foi feita nos estúdios CMPC de Taipé.
O filme é baseado no livro de Shusaku Endo, editado em 1966. E esta não foi a primeira vez que foi adaptado para o cinema. Em 1971 surgiu o filme japonês Chimnoku. E em 1996 foi o português João Mário Grilo que realizou Os Olhos da Ásia.
O autor do livro, nascido em Kobe (Japão) em 1923, foi convertido ao catolicismo - baptizado - com apenas 11 anos. Formou-se em literatura francesa em 1949. Escreveu vários romances, incluindo de âmbito histórico e este "Silêncio" é considerado um dos mais importantes. Recebeu vários prémios ao longo da vida, sendo mesmo um dos mais galardoados escritores japoneses e foi várias vezes candidato ao Prémio Nobel da Literatura. Morreu em 1996.

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